quinta-feira, 11 de junho de 2015

Burning Love (Oneshot - What If Grindhouse Parte 1)

Olá pessoal!
Uma boa noite e aqui deixo com vésperas do dia dos namorados mais uma oneshot romântica e dentro da subsérie O Casamento. Se chama Burning Love e tem George Best e Rosie Donovan (antes shipados em The Night Before). Boa leitura e em breve teremos mais novas what ifs da subsérie. A fic é dividida em duas partes!



Burning Love __Maya Amamiya


O dia nasceu ensolarado em Oxford.  Nem parecia ter chovido durante a semana toda. George acordou e viu o sol ali na janela do quarto dela. Abriu um pouco as cortinas para ver melhor a rua calma da cidade universitária.  Olhou mais uma vez para ela, dormindo tranquilamente. Apesar do momento, sentiu prazer. Mais que o habitual. Contudo, precisava retornar a Londres o quanto antes.  Vestiu rápido suas roupas e beijou a testa de sua amada. Saiu do quarto em silencio e em seguida foi embora do apartamento deles. Talvez essa seria a última vez...


Dias depois...

-- Cretino! – Reclamava Rosie enquanto cozinhava. – Como ele pode fazer isso comigo? CRETINO!

-- Calma! Não é o fim do mundo. Ele só foi embora. Talvez ele volte. – Dizia Mari, otimista na volta de George Best.

Desde que elas e seus colegas assistiram o jogo do Manchester United contra o time alemão Bayern de Munique pela Copa dos Campeões, Rosie adquiriu um certo contato com jogador norte-irlandês , gerando pela primeira vez algo avassalador na ruiva, que namora o guitarrista Eric Clapton. E depois ele a procurou em Oxford e não resistindo aquela paixão, se entregou livre e espontânea vontade.

-- Ele não vai voltar! Ele é um cretino. Eu deveria ter mais cuidado. Clapton não merece minha traição...

Não conseguia comer, tamanha era sua angustia. Antes de Best entrar na sua vida daquela maneira, Rosie e Clapton andavam infelizes. E tudo isso aconteceu quando a ruiva percebeu o interesse do guitarrista na modelo Pattie Boyd. Tentou de diversas formas salvar seu namoro, chegando acompanhá-lo nas turnês do grupo Cream e levando Marianne junto. Algo que não deu bons resultados.

Algumas semanas depois a banda retorna para novas apresentações em Oxford. Tocaram novamente na Universidade de Oxford e após o show, Rosie e Eric conversaram amigavelmente.

-- Eu sinto muito. – Dizia a ruiva, chorando um pouco.

Eric olhava pro chão e pelo semblante, também estava frustrado. Ele amava intensamente sua ruiva. Lutou contra John Lennon e Charlotte Martin unicamente por ela. Contudo, não podia negar a atração imediata por Pattie. E mesmo amando-a, sofreria mais pela modelo.

-- O único culpado sou eu. Te deixei muito tempo sozinha. Sei que tentou nos salvar... Mas era tarde. Deveria ter te amado mais. Bem mais do que merece.

Aquela conversa foi enriquecedora para a ruiva. Conseguiu aliviar o peso em sua alma e também Clapton admitia não ter sido um bom namorado.  De volta para casa, Rosie custou a entender as informações do fim do namoro e quando finalmente compreendeu as coisas, deitou mais lágrimas no quarto. Chorava em dobro. Primeiro por terminar com Clapton e segundo se descobrir amando George Best. O problema era que desde o dia da visita dele no apartamento, não se soube mais noticias dele e nem sequer entrou em contato ou mandou alguma carta.

Alguns meses se passaram e Rosie decidiu viajar aos Estados Unidos com seu novo amante, Graham Nash, agora ex-guitarrista do grupo Hollies. Durante a estadia conheceu David Crosby e Stephen Stills, amigos de Nash e também reencontrou Suzan Hardison, sua amiga de infância e agora casada com Micky Dolenz, músico que faz parte da banda The Monkees.

-- Sinceramente, o que viu no Micky? – Perguntava à ruiva, enquanto davam um passeio pelo parque.

-- Pra falar a verdade, nem eu sei. Quer dizer, eu era apenas uma universitária fazendo intercambio na America e fui visitar o estúdio com uma colega e lá vi os Monkees.  Micky tem um senso de humor parecido com meu. Deve ser por isso. – Respondeu Suzan, sorrindo ao se lembrar de quando conheceu seu marido.

Desde que se conhecem, Rosie sabia como sua amiga era e se comportava. Sobre a escolha por Micky Dolenz, não quis questionar. Cuidou dela nos últimos dias de gravidez e quando nasceu à filha, Sue aproveitou pra convidar ela e Nash a serem os padrinhos por parte dela, já que Micky trouxe o restante dos Monkees para o batismo.

No aeroporto, Rosie e Nash se despedem com um simples beijo.

-- Quando puder, venha me visitar. Adorei sua companhia, ruiva.

-- Eu também adorei a sua. Agora preciso retornar a Inglaterra. – Disse Rosie abraçando Nash e em seguida pegando a mala e se afastando um pouco. – Adeus, Graham Nash!

-- Adeus, Rosie Donovan.

Enquanto vislumbrava as nuvens no vôo, Rosie chorou um pouco. Apesar da viagem aos Estados Unidos ter sido muito boa e mais ainda por rever sua amiga de infância, sofria em seu coração. Talvez seja melhor viver sozinha, pensou a ruiva e em seguida dormindo.

No estádio, George Best fazia mais uma jogada excelente contra seu rival, Arsenal, pela Copa dos Campeões.  No fundo, ele não estava muito disposto a jogar. Desde que viajou a Oxford e conheceu a bela ruiva Rosie, ele não a tirava de sua mente. Todos os dias ele pensava nela, sonhava com ela toda noite e não muito raro falava seu nome enquanto dormia. E isso despertou ciúmes em Angie, sua namorada.

-- Quem é ela? – Questionou Angie, enquanto arrumava a cama e George olhava para a janela.

-- Ela?

-- Quem é Rosie?

Arregalou os olhos. Amaldiçoou-se por alguns segundos e depois respondeu calmamente a pergunta.

-- Não faço idéia.

-- NÃO MINTA PRA MIM, GEORGE BEST! Há noites que percebi que anda sonhando com essa Rosie e fala dormindo o nome dela. Quem é?

-- Já falei que não sei de nada. Agora vou dormir.

Aparentemente a discussão deles terminou por ali. Contudo, Angie ainda desconfiava de tudo e jura que vai descobrir quem é a garota que domina até nos sonhos de George Best.

De volta a Oxford, Rosie se prepara para se mudar a Londres, onde continuaria trabalhar para o empresário Sam Benson, que transferiu seu escritório na capital. Pouco tempo depois veio a formatura e despedidas. Eis uma revelação no dia da partida de Rosie.

-- Preciso te dizer uma coisa. – Mari carregava as malas e ia em direção a amiga. – Antes de falar, eu posso ir com você a Londres?

-- Claro. Voltaremos a dividir o apartamento juntas. Mas o que aconteceu?

-- Estou grávida... e... – Não conseguiu terminar o restante da frase. Tomada pela tristeza e pena, Rosie abraçou Mari e se perguntou como tudo aconteceu.

-- E cadê o Ginger?

-- Não sei.

-- Como assim não sabe? – Perguntou Rosie, irritada. – Ele é o pai do seu filho não é?

-- Sim. É ele. Eu falei disso pros meus pais... Foi horrível. Não só fui expulsa de casa como também fui abandonada. Não sei o que fiz, eu juro.

Naquele momento a ruiva sentiu raiva elevada. Já bastava George Best, agora Ginger Baker larga Marianne num momento crucial de sua vida. Sem apoio familiar e afetivo.

-- Quem precisa daquele ruivo? Vou te ajudar a criar essa criança. Serei uma “tia” pra ele.

-- Gostaria que fosse ela. – Dizia Mari, sorrindo e tocando o ventre. – E já sei o nome. Sofia.

-- Gostei do nome. – Disse e se abaixando para ficar perto do ventre da amiga. – Viu, Sofia? Vamos cuidar de você! Seremos sua família!


Um ano depois...

Uma família se formava ali. Formada por duas garotas e um bebê. Marianne estava feliz, aprendia a cuidar de sua filha e às vezes recebia a visita da mãe, auxiliando nos cuidados do bebê, enquanto Mari se virava para trabalhar junto com Rosie.
Sua amiga ruiva também trabalhava intensamente. Os motivos eram incontestáveis. Pela Sofia e pelo esquecimento de George Best.  Inclusive, fechara um ano que ele não deu mesmo noticias.  Até aquele dia...

Mari resolveu ficar em casa cuidando da filha e Rosie saiu sozinha para o pub. Na realidade queria se encontrar com suas amigas londrinas da revista Rolling Stone.  Pela demora, resolveu pedir um Martini, começando sua noite com um pouco de animação. Bem, essa animação foi quebrada quando o avistou.

-- Eu não acredito! – Reclamou Rosie. – Depois de um ano, esse cafajeste retorna?!

Não pensou duas vezes e foi embora. Mas antes George viu sua amada ruiva e se desviando das jovens que tentavam lhe agarrar, alcançou a ruiva.

-- Oi meu amor! – Disse ele, sorrindo. Rosie não queria saber de mais nada. Apenas jogou o restante de Martini na cara do jogador.

-- Meu amor uma ova! Some da minha frente, canalha! – Disse Rosie de forma grossa e depois saindo rápido do pub.

George tentava se recuperar e limpava o rosto com a toalha no banheiro. Aquilo não poderia terminar assim. Ele tinha de recuperar sua amada ruiva.
No dia seguinte procurou por todas as partes de Londres por vários dias. Quando pensava em desistir, surgiu uma oportunidade de forma indireta.

A revista Rolling Stone queria entrevista-lo e então visitou o edifício onde se encontravam as garotas que lá trabalham. Felicity tirava as fotos de Best, enquanto Nora o entrevistava e naquele momento elas recebem a visita inesperada de Rosie.

George a viu por breves momentos e teve se seguir com as perguntas da jornalista. Marie foi a primeira a perceber isso e sabe que Best é um dos melhores amigos de sua irmã, a atriz Odile.

-- Muito obrigada pela atenção, Mr. Best.

Antes de George ir embora, resolveu investigar sua ruiva, através da irmã de sua amiga French Girl, apelido que deu a Odile.

-- Ah, só uma pergunta, Marie. Vocês conhecem aquela garota ruiva que estava conversando com a fotógrafa?

-- Sim. O nome é Rosie Donovan. Ela trabalha naquele escritório. – Apontando para outro prédio, poucos quarteirões da imprensa. – Você a conhece?

-- Sim... podemos dizer que sou um... amigo dela. E tem o endereço de onde mora?

-- Claro. Espere um pouco.

Em seguida a francesa pegou o bloco de anotações e escreveu rápido o endereço de Rosie e alcançando nas mãos do jogador.

-- Muito obrigado, Miss Marie!

-- Não por isso!

Sentiu as esperanças retornar. Só faltava uma coisa. Não podia simplesmente reaparecer na vida dela sem ao menos levar presentes. Então se limitou num buquê de rosas vermelhas e uma caixa de bombons. A noite seguiu até o endereço onde a amada mora. Pegou o elevador e chegou ao quarto andar. Ficou parado na porta 45, onde ela se encontra. Lá vou eu, pensou George um pouco nervoso. Tocou a campainha. Não deu poucos segundos e a porta se abre, revelando Rosie segurando um bebê de cabelinho vermelho e lindos olhos azuis. 

-- O-oi. – George estava surpreso.  Principalmente por ver mais uma vez sua ruiva, contudo as circunstancias eram outras. – Ela... é nossa?

Rosie arregalou os olhos com a pergunta e riu disso, animando a bebezinha.

-- Não. Eu tomei remédio embora você não usasse proteção quando fizemos amor pela primeira vez. – Respondeu, agora séria.

-- Ainda bem... Se bem que... Poderíamos ter um bebê...
-- Se for com você, não quero! Agora saia daqui!

-- Não sem antes te ver. E veja, quero lhe pedir desculpas pelo meu sumiço. – Disse George mostrando os presentes e deixando na mesa.

-- Obrigada, mas não quero te ver mais.

Neste momento Marianne sai do quarto com algumas roupas de bebê e levando-as para sala.

-- Amiga, qual desta roupas fica boa na Sofia? Minha nossa.... – Mari fica surpresa ao ver George Best na sala. – George Best, que bom que veio. Já conheceu minha filha?

-- Espere! Ela é sua filha? Não é mesmo dela aqui? – Apontando para Rosie.

-- Ela é minha filha. Pensei que a Rosie tivesse contado. – Comentou Mari, agora segurando sua filha.

-- Não quis contar. Bem, agora que já sabe sobre algumas coisas, pode ir embora!

-- Por favor, só quero conversar com você, acertar as coisas... —George implorava para a ruiva uma chance. E ela continuava irredutível.

Irritando-se com as insistências do jogador, Rosie corre até a cozinha e traz uma vassoura, ameaçando.

-- Se não sair por bem, sairá por mal e a vassouradas!

-- Está bem. – Disse Best, enquanto caminhava até a porta.  – Ainda vou vê-la mais uma vez para uma conversa amigável e... parabéns pela bebê.

Rosie fecha a porta na cara do jogador e Marianne troca a frauda da filha.

-- Ele veio com a melhor das intenções e você o expulsa assim?

-- Não quero saber dele!

À noite Rosie ficou pensando em George Best. Talvez Marianne tenha razão. Não deveria tratá-lo daquela maneira, contudo, o tempo de ausência que ele causou foi grande e deixou resquícios de raiva. Mas ao reencontrá-lo, sentiu aquela atração destruidora. Se fosse seguir seu lado emocional, com certeza iria puxá-lo para perto dela e beijar aquela boca que ela experimentou naquele ano de 1967.

Dias depois da visita, George não conseguia mais pensar na amada ruiva. Compreendia a raiva dela pelo fato de sumir por tanto tempo sem ao menos deixar uma carta explicando sobre a ausência. Queria uma forma de poder recuperar o coração daquela mulher e a única pessoa que poderia muito bem aconselhá-lo era sua amiga anglo-francesa Odile Greyhound, conhecidamente por ele como French Girl.  Porém aquele dia não era perfeito para fazer uma visita a ela. Decidiu se arrumar e aproveitar a noite, mesmo sozinho ou acompanhado.
Na discoteca perto da pista de Crystal Palace, um nobre chamado Lord Hesketh convidou muitos amigos e celebridades. E George Best estava na lista desses convidados.

Encontrou seu amigo, o também jogador Bobby Moore, do West Ham. Conversaram animadamente na festa.

-- Por onde andou este tempo todo? – Perguntou Bobby, enquanto bebericava o uísque.

-- Procurando uma ruiva. – Dizia Best enquanto se servia de cerveja. – Consegui encontrá-la, mas não me quer.

-- Isso que dá abandonar suas amadas fãs. Rouba o coração delas e agora desperdiça. Você é um canalha!

-- Poxa, Moore! Ela não é uma fã. É uma garota que conheci no ano passado. Foi uma noite só e acabei gostando dela.

-- E o que mais aconteceu?

-- Bom...—Antes de continuar a falar, sua cabeça começou a rodar e a visão adquirir um tom quase branco, nublado e mais alguns segundos tons coloridos. Viu as pessoas ao seu redor e fixou o olhar numa bela mulher que dançava com um dos convidados. – Meu deus, é ela!

Bobby olhou para a moça e novamente dirigiu para Best.

-- Está tudo bem, George?

-- Eu vou falar com ela mais uma vez! – Respondeu e se preparando para se encontrar com a garota.

-- George, você sabe quem é ela?

-- Sim. Minha ruiva está ali! Até mais, Bobby!

Não houve jeito de impedir o colega de abordar a garota. E para piorar, Bobby percebeu que a “garota ruiva” na qual Best seguiu, não é ruiva. E justamente Louise McGold, a melhor amiga de Odile Greyhound, que por sinal é amiga de Best. A única coisa que podia fazer era esperar. Talvez o amigo se arrependa da atitude e retorna ao ponto inicial.

Do outro lado da festa, duas mulheres conversavam entre si e bebiam um pouco de Martini. Eram Rosie Donovan e Marianne Jones. As duas não tinham planos épicos naquela noite, a não ser continuar cuidando de Sofia. A mãe de Marianne, Helen, apareceu no apartamento das meninas e se ofereceu para cuidar da menininha enquanto as jovens curtiam a noite naquela festa no Crystal Palace. Rosie fora convidada por Lord Hesketh que é conhecido de Sam Benson.

Depois disso as duas foram pra pista dançar um pouco e durante os movimentos Rosie avistou mais uma vez seu amado jogador. Desta vez acompanhado de outra mulher, o que estragou sua alegria.

-- Está tudo bem, Rosie? – Perguntava à amiga.

-- Veja aquilo, Marianne! – Apontando para George, saindo da festa, segurando na mão a desconhecida loira e beijando-a. – Agora entende o motivo de ter rejeitado ele? Porquê ele é um patife de marca maior, mais que o Clapton!

-- Mas não tanto quanto Ginger. – Respondeu Mari, um pouco triste ao se lembrar do pai da sua filha. – Quer saber, vamos pegar mais uma rodada e depois um táxi pra nos levar?

A ruiva concordou e quando Mari se virou, acabou criando um pequeno acidente: colidiu com um rapaz loiro e alto e porte atlético perfeito, fazendo o copo de uísque derramar um pouco na camisa dele.

-- Ai me desculpa. Foi um acidente.

-- Não tem problema, essas coisas acontecem. – Dizia o rapaz.

Marianne olhou para ele e se impressionou internamente. Parecia um príncipe ou um nobre como Hesketh.

-- Oh, me desculpe mais uma vez. – Mari estava praticamente desconcertada perto dele.

-- Foi um acidente, Srta...

-- Jones. Marianne Jones e esta é minha amiga Rosie Donovan!

-- Sou Robert Moore. Mas o pessoal me chama de Bobby.

-- Espere! Eu conheço você. Campeão mundial da Copa de 1966. Puxa...—Falava Rosie, impressionada.

Naquele curto espaço as meninas se afeiçoaram a Bobby, que por sua vez simpatizara muito com as duas, principalmente com Marianne.

-- Sr. Moore nos desculpe, mas precisamos ir para casa. – Disse Rosie, um pouco cansada.

-- Eu entendo meninas. Foi um prazer conhecê-las Srta. Donovan e Srta. Jones.

-- O prazer foi nosso, príncipe Moore, digo, Sr. Moore. – Respondeu Mari, constrangida em chamar Bobby de príncipe.

Na saída as garotas pegaram um táxi que as levou para casa. Entrando no apartamento, encontraram a Sra. Jones dormindo na sala e segurando Sofia. Marianne pegou sua filha dos braços da mãe e a colocou no berço com cuidado. Quanto a Rosie, o cansaço da festa era tão grande que só retirou as botas pretas e deitou na cama com o vestido.

No dia seguinte, George acordou com imensa dor de cabeça e batidas insistente na porta.

-- Quem é numa hora dessas? – Perguntou o jogador, se levantando e tentando pegar sua cueca e calça.

Vestiu-se e abriu a porta. Bobby Moore e Odile Greyhound entraram no apartamento dele, muito furiosos.

-- George, seu desgraçado, onde ela está? – Questionou Odile, querendo bater no amigo.

-- Ei, calma aí, French Girl, quem você está falando?

-- Lembra da “ruiva” que você abordou? – Perguntou Bobby.

-- Sim. Ela está no quarto.

-- Ótimo. – Nem bem terminou de falar com ele e Odile entram no quarto dele e ouviram-se uns gritos.

-- O que está acontecendo, Moore? Por que a French Girl está assim?

-- Vamos por partes. Primeiro aquela garota é Louise McGold, a melhor amiga dela. E segundo ela não é ruiva!

Best custou um pouco a entender aquelas informações mas quando Louise apareceu vestida e com cabelo bagunçado, compreendeu a situação e seu erro.

-- Oh meu deus! Por favor, meninas me perdoem. Você, loirinha, me perdoa, eu confundi você com outra garota!

Não deu outra coisa. Louise desferiu um tapa em George e ela e sua amiga saíram dali, reclamando demais para os vizinhos ouvirem e uns mais curiosos abrirem a porta e ver o que se passava.

-- Um conselho: mais cuidado com a bebida, Best! – E depois Moore foi embora, deixando seu colega espantado e ainda passando a mão na bochecha onde recebeu a agressão.

Não havia o que se pensar muito. Mais um mês se passou e veio a nova temporada de jogos da Copa dos Campeões. George focou bastante em seu treinamento e terminou com Angie. Porém continuava a sair com outras mulheres na esperança de esquecer Rosie, o que se mostrou impossível. Todos os dias ele pensava nela e lhe doía o coração por desapontá-la daquela maneira.  Outra vez pensou em recorrer sua amiga atriz e decidiu visitá-la numa noite. Ao aparecer no apartamento dela, viu que a porta se encontrava aberta. Entrou com cuidado e ao chegar lá, deparou-se com uma cena. Odile e Niki Lauda, piloto de Fórmula 1, fazendo amor na sala e apenas com edredon cobrindo seus corpos.

-- Me desculpe por isso, French Girl. Não devia aparecer assim sem avisar. – Dizia George, com a mão tapando os olhos.

-- Ai, George! Como conseguiu entrar aqui? – Odile tentava se recompor no edredom juntamente com Niki.

-- A porta estava aberta e não sabia que era chegada nestas coisas...

-- Desculpe-me, Belle.  – Dizia Niki, vestindo a camisa. – Acho que larguei a porta aberta quando entrei...

-- Isso não importa agora. – George se sentou no sofá, ao de Odile. – Preciso de ajuda. Estou apaixonado por uma ruiva e quero reconquistá-la. O que faço?

Odile não sabia bem o que fazer. Olhou para o namorado e este falou.

-- Eu recomendo flores.

-- Da última vez que fiz isso ela me pôs pra fora do apartamento dela e a vassouradas.

-- Bem, leva flores, vinho tinto e diga que veio em missão de paz. – Completou Odile.

 -- Ok e tem mais a se fazer?

-- O próximo a ser dado é fazer isso. – Segurando a mão de Odile, Niki começa a falar ainda olhando para Odile, apaixonadamente. – Olhe bem no fundo dos olhos dela e diga: “me perdoe por tudo o que eu fiz, assumo que fui um tolo e que errei,espero que me perdoe, pois eu estou loucamente apaixonado por você!”
--Oh meu ratinho austríaco! – Disse Odile, mais apaixonada e agarrando seu amado, puxando- o para um  beijo quente.

Ao ver que estava sobrando ali, George se retira e agradece o casal pela ajuda prestada.

No dia seguinte, o jogador começou a jornada para reconquistar a ruiva. Esperou a noite para visitá-la. Chegou ao apartamento dela perto das oito da noite. Tocou a campainha. Esperou por alguns segundos e a porta se abriu. A ruiva se mostrou um pouco indiferente com a visita dele.

-- O que quer desta vez? – Perguntou, evitando se irritar mais.

-- Vim em paz. – Mostrando também os presentes. – E quero lhe dar esses presentes.

Best entrou no apartamento e depositou os presentes na mesa.

-- Onde está sua amiga mãe solteira?

-- No quarto cuidando da Sofia. – Respondeu se sentando no sofá, mas um pouco distante de Best, que estava na poltrona.

-- Bem, eu quero pedir desculpas por tudo que lhe causei.

-- Pra que, Best? O que aconteceu entre nós foi um breve momento. Pra mim... Eu gostei, mas namorava um cara, sabia? Porém, ele e eu terminamos amigavelmente e desde então...

Não conseguiu terminar de falar. Rosie chorou e os motivos eram claros: amava muito George Best, até mais do que Clapton. E o segundo era ciúme. Não conseguia se conformar vê-lo sendo compartilhado com outras mulheres mais belas do que ela. Não suportava competir.

Ele se aproximou um pouco dela, mas Rosie se afasta.

-- Por favor, me perdoa, vai?

-- Não quero! Poxa você não dá noticias e quando te encontro em outras circunstancias, está com outras mulheres, como na festa no Lorde Hesketh.

Foi aí que George se deu conta.

-- Você... Esteve na festa no Crystal Palace? – Perguntou, muito surpreso.

-- Sim. A Marianne também. Eu te vi saindo com uma mulher loira e muito bonita.

-- Espere. Aquela garota... Eu tava chapado e achei que era você. Para tanto quando acordei, me dei conta do que fiz. Ela é a melhor amiga de uma conhecida chamada Odile Greyhound.

George explicou tudo para Rosie, que ouvia atentamente. Na mente dela, havia duas escolhas a serem feitas. Ou ela aceitava George ou simplesmente o rejeitava pela raiva e ciúme.  No entanto, a primeira escolha era bem mais tentadora.

-- É ótimo saber disso. Mas agora saia daqui! Não quero te ver mais!

Antes que ela caminhasse até a porta, Best foi mais rápido e a puxou para perto, sob protestos desta. Pegou a mão dela e olhou bem para aquelas belas orbes esverdeadas que tanto admirou.

-- Me perdoa por tudo que fiz. Assumo que errei e fui um tolo em te deixar. – Disse o jogador, suavizando sua voz e aos poucos derrubando a resistência de Rosie. – Espero que me perdoe, pois estou loucamente apaixonado por você.

A ruiva não disse nada, apenas olhava para os olhos azulados do jogador do Manchester United. Percebeu a sinceridade nas palavras dele. O ciúme não corrompia mais seu coração. Acreditara mesmo que George passasse por tudo aquilo a ponto de confundir uma menina qualquer com ela. E mais ainda pela ousadia em vir no seu apartamento e declara-se daquela maneira.
                              
Tocou as mãos dele e depois seu rosto num carinho gostoso, excitando Best. Novamente o desejo antes sentido no ano passado, voltou com mais força. De forma tímida, Rosie puxou o rosto dele e o beijou calmamente. Best se permitiu no ato e trouxe mais perto de si o corpo dela, sentindo sua pele colada na dele. Aos poucos o beijou ganhou mais força e profundidade. Deitaram no sofá.

Marianne cuidava mais uma vez de sua filha e colocou a bebezinha no berço. Quando foi deitar na cama e ler um livro foi perturbada com a discussão na sala. Sabia que Rosie e George Best estavam conversando e tentando se acertar e pelo visto aquilo não terminaria bem. Na metade do livro percebeu um silencio estranho.
Eles pararam de brigar, pensou consigo mesma e seguiu lendo até ouvir o chorinho da pequenina.

-- Oh não chora, mamãe ta aqui. – Disse Mari ao pegar Sofia e dar carinho.

Aquele choro era de fome. E também ela não tomou leite. Infelizmente, o leite materno da jovem mamãe acabou. Ainda carregando a bebê, Mari abre a porta com cuidado e caminha até a cozinha, mas acaba vendo algo que não deveria. Na sala George e Rosie faziam amor no sofá gemendo baixo. Os dois param quando Rosie avista sua amiga indo para a cozinha e George também viu e resolve parar, constrangido pelo pequeno flagra.

-- Ai meu deus, Marianne... – Dizia Rosie, se vestindo rápido e ajudando Best nas roupas. – Me desculpa por aqui...

-- Ah relaxa, estou de boa. – Marianne sorria por saber que sua amiga e o jogador enfim estão juntos.  – Tudo bem com você, Sr. Best?

-- Bem melhor, agora com minha jovem ruiva. – Respondeu enquanto colocava a calça e depois abraçando Rosie.  – Senhorita, eu posso segurar sua filha?

-- Claro. – Entregando sua filha para George, que segura com cuidado a bebezinha. – Cuidem dela enquanto preparo a mamadeira.

-- Veja, ruiva. Ela é tão linda, bonitinha e fofa. – Best brincava com a menina e sorria para ela, sendo retribuído com o riso da bebê. – Tem certeza que ela não é nossa filha?

-- Absoluta. Já falei que tomei remédio.

-- Bem... nem sempre o anticoncepcional dá certo, sabia?

-- Não dá certo se eu me esquecesse, ok? – Disse Rosie, um pouco irritada.

-- Ok, tudo bem.

Mais algumas semanas depois, George se mudou para o apartamento das meninas, se tornando uma espécie de “tio” para Sofia. Rosie e Mari contam para ele a verdade, sobre Ginger, Eric Clapton, a separação e o abandono sem motivo algum por parte do baterista ruivo. Best por sua vez ouvia tudo atentamente e no final manifestou ódio por Ginger Baker pelo fato de deixar Marianne grávida e sem apoio.

-- Se quiser assumo sua filha, Marianne. Ela não precisa de um pai babaca que abandona a namorada sem mais nem menos. – Disse George, muito convicto.

-- Muito obrigada. Agora tudo que quero é cuidar dela. – Disse Marianne enquanto ninava sua filha para dormir.

-- Nós três seremos uma família para este anjinho ruivo! – Disse Rosie, beijando a cabeça de Sofia e depois abraçando George, levando-o ao quarto de casal, que agora pertence a eles.

Todos os dias o trio cuida da bebezinha e nos dias de jogos do M.United, Rosie e Marianne aproveitavam para levar a filha, inclusive George comprou uma camisa tamanho pequena do time para vestir a pequenina, deixando Mari bastante feliz. Em um desses momentos grandiosos, após o jogo do campeonato inglês, Best leva as meninas e a criança ao vestiário e apresenta para o time e o técnico Matt Busby.

-- Pessoal, estas são Marianne e Rosie, minha ruiva e namorada. – Apresentou.

-- Olá, garotas. Sou Bobby Charlton. E esse bebê lindo é de quem?– Cumprimentou o jogador e colega de Best.

-- Oi. É um prazer em conhecê-lo. É minha filha, Sofia.  – Disse Mari muito feliz.

-- É um bebê lindo. – Comentou Denis Law

-- Olá, Sofia. – Cumprimetou Matt Busby, o técnico. – Rapazes, sejam educados e digam oi para Sofia.

-- Oi Sofia. – Disseram em coro o time inteiro.

George também disse que a bebê é como se fosse sua sobrinha, para assim não abrirem questionamentos se ele e a ruiva jovem são os pais e não Marianne. Após isso um fotógrafo do jornal London Evening Stardard tira uma foto do time e das meninas segurando Sofia, registrando aquele momento de felicidade.

Outro momento para a felicidade do trio, é Sofia aprendendo a andar e falar, sendo registrado por Rosie no aparelho super 8.

-- Venham ver, minha filha está andando. – Mostrou a mamãe, alegre em ver sua menina dando seus primeiros passos e consegue alcançar seu tio jogador de futebol.

-- Isso, Sofia! Nossa sobrinha sabe caminhar! – Comemorava Best, segurando a menina.

E meio aquela euforia Marianne e Rosie recebe mais uma novidade: Sofia dizendo sua primeira palavra.

-- Best.

De inicio o trio não sabia de onde vinha, mas a menina repete a palavra dita na frente de todos.

-- Diz de novo, Sofia. – Pedia a mãe atentamente.

-- Best.

-- Ela disse “Best”. Ela falou meu nome! – George se exaltou tamanha é sua alegria ao saber que a primeira palavra da bebezinha é seu segundo nome.

Naquele mesmo dia, só que a noite, George e Rosie estavam em mais uma de suas noites prazerosas quando de repente a ruiva ouviu alguém dizer seu nome e não era o namorado.
-- George, ouviu isso? – Questionou a ruiva.

-- Hum... não. – Respondeu ele, ainda concentrado e gemendo. – Por quê?

Por achar ser uma alucinação, os dois retornaram a “atividade noturna” e outra vez a voz chamava por Rosie e desta vez Best resolve parar e localizar de onde vem. Os dois olham para o lado e levam um susto. Sofia estava ali, perto da cama e falando.

-- OH MEU DEUS! – Exclamaram juntos, de susto.

-- Tia Rosie...

-- Como... como veio até aqui, Sofia? – Se questionava Rosie, saindo da cama e vestindo um roupão pegou a pequena, levando-a para o quarto de Marianne e colocando-a de volta ao berço.

-- Hum... Que houve amiga? – Marianne se acorda com barulho da porta se abrindo.

-- Sua filha caminhou até o meu quarto e viu Best e eu na cama e falando meu nome.

Marianne riu do fato, imaginando o quão engraçado deve ter sido aquele momento onde sua pequena filha invade o espaço intimo dos tios.
Dias depois Best convidou alguns dos seus colegas do M.United para tomar chá no apartamento das jovens. A tarde foi realmente boa. Marianne, uma grande admiradora de Bobby Charlton desde 58, conversou com ele e a namorada, uma moça chamada Belle. Denis Law e Best deram bastante atenção a bebê Sofia, que ainda falava o sobrenome do jogador repetidas vezes. Semanas depois ele resolve convidar seu amigo Bobby Moore para uma visita. Na verdade, desejava juntar o jogador do West Ham e a jovem, pois segundo Rosie, Marianne não parou de falar em Bobby desde a festa no Crystal Palace e agora era a oportunidade perfeita para uni-los.


1973

Sofia está com seis anos de idade e a “grande família” numa verdadeira felicidade. Os dois casais se revezavam para cuidar da menininha enquanto o outro casal saia à noite para encontros românticos. Durante isso, George começa a sofrer uma pequena crise interna. Angie, sua namorada antiga, não aceitou a ausência dele e jurou procurá-lo e revelar a Rosie tudo sobre o jogador. Temendo isso, Best passou a se afastar discretamente de Rosie e inclusive passou a freqüentar discotecas e beber demais. Mas nunca ia pra cama com as mulheres. E isso irritava a ruiva.

Certo dia, Best voltava para o apartamento quando ao entrar, deu de cara com Angie e Rosie. A ruiva tentava não chorar e Angie sorria, bem maléfica.

-- O que está fazendo aqui? – Questionou o jogador.
-- Falar a verdade para sua nova namorada e evitar que coisas como essa, aconteça! – Respondeu a loira, pegando sua bolsa e se retirando dali.

-- Rosie...

Ela não respondeu. Best deduziu que esteja segurando suas lágrimas e suportando tudo aquilo. Novamente falou com ela.

-- Minha ruiva...

-- NÃO ME CHAMA DE RUIVA! Eu quero dormir sozinha! – E se foi ao quarto, trancando a fechadura.

De madrugada, o jogador chorou um pouco e se lamentou em dobro por não saber o que fazer para consertar as coisas. E com Angie no caminho, as coisas complicaram para ele. Desesperado, voltou a beber para apagar aquela cena, apagar tudo de ruim e talvez sua amada.

-- Agora ela me... hic up... me odeia... – Disse Best, completamente embriagado na discoteca The Warren.  – Ela não me quer... hic up... mais. O que faço, Sam?

-- Perguntou para a pessoa errada, Best. – Respondeu o policial chamado Sam Tyler, acompanhado do seu parceiro, o chefe de policia Gene Hunt.  – Se a quer de volta, pare de beber.

Dito isso, Sam afastou a bebida do jogador e este acabou por desmaiar e sendo amparado pelos dois policiais. Não vendo outra escolha, eles o levam para a casa de Bobby Charlton, colega de Best no Manchester United que vive alguns quarteirões da discoteca. Diante da porta, Sam toca a campainha e ouve vozes dentro de casa. Gene parecia não agüentar Best e suas lamurias. A porta se abre, revelando o jogador de roupão e segurando um bebê.

-- Quem são vocês?

-- Sam Tyler, detetive do Departamento de Policia de Londres.

-- Mr. Charlton – Disse Gene, carregando Best. – Gene Hunt, Inspetor Chefe da Policia. Trago aqui seu colega George Best. Acredito que Matt Busby deve estar arrancando os últimos fios de cabelo que lhe restam procurando por este bêbado.

-- Charlton... – Best tentou se aproximar do colega, mas foi impedido pelos policiais. – Me ajuda... hic up... me leva pra... Rosie.

-- Quem é Rosie? – Indagou Sam.

-- A namorada dele. – Respondeu uma mulher chamada Belle surgindo atrás de Charlton e carregando outro bebê e numa das mãos um pedaço de papel. – Tomam aqui, é o endereço onde mora. Gostaríamos de abrigar Best, mas ele faria barulho para nossas filhas.

-- Isso mesmo, Belle. – Depois voltando à atenção aos policiais. – Sigam neste endereço e encontrarão Rosie.

-- Obrigado, Mr. e Mrs. Charlton!

Minutos depois os policiais percorrem por todas as ruas de Londres em alta velocidade, até chegarem num bairro nobre. Entrando no prédio, eles pegam o elevador, segurando o jogador que caia de sono e não dizia nada. Ao parar no andar desejado, eles caminham mais um pouco e conseguem encontrar a porta onde mora a tal Rosie. Sam tocou a campainha e eles dão de cara com Bobby Moore, vestindo um roupão.

-- Sim?

-- Meu deus... Bobby Moore... – Disse Sam, surpreso por encontrar o maior ídolo da Inglaterra e campeão mundial da Copa de 1966. – Quer dizer, Mr. Moore, eu sou Sam Tyler, do Departamento de Policia de Londres e viemos trazer seu amigo, George Best.

-- Ainda bem que o encontraram! – Disse Moore, carregando o amigo. – A namorada ruiva dele está chorando no quarto, desesperada.

Quando os policiais foram embora e Moore colocou o amigo sentado no sofá, surge Rosie, com o rosto inchado e olhos vermelhos e o semblante de quem estava desesperada.

-- Seu canalha! – Ela se sentou ao lado dele, batendo nele com tapas. – Cachorro, miserável, filho de uma égua! Sabia que me deixou preocupada? SABIA DISSO? FALA DE UMA VEZ?

Best não conseguia encarar a namorada tamanha a vergonha que passou e por decorrência da bebida consumida.

-- Eu... – Tentou dizer algo. – Não... hic up... não sei...

Para a surpresa dele, ela o abraçou forte, ainda chorando.

-- Eu te amo, Best! Não faz mais isso, não!

Pela primeira vez ele se sentiu o mais miserável dos homens. Aquela ruiva o ama até demais. Mais do que ele a si mesmo.  Ali mesmo no sofá adormeceram juntos e no outro dia acordou com uma tremenda ressaca. No banheiro vomitou tudo que havia consumido na noite anterior e tomou banho demoradamente. No café, Marianne e Bobby Moore o encaravam nada satisfeitos e Rosie não se encontrava ali.

-- Onde está Rosie? – Indagou o jogador.

-- No quarto! – Respondeu Bobby rispidamente.

Enquanto todos tomavam café calmamente, Sofia ficou olhando para seu “tio”, também demonstrando insatisfação.

-- Tio Best é um péssimo tio! – Resmungava a criança. – Péssimo tio!

-- Sofia! – Repreendeu Mari. – Não diga uma coisa dessas.

-- Até uma criança de seis anos sabe que sou péssimo. Péssimo tio, jogador e namorado! – Best se retira da mesa e foi pro quarto, ignorando Rosie na cama que ainda chorava.

Ele queria falar algo para confortar a amada ou até mesmo pedir mais desculpas, mas devido ao nível de culpa, não disse. Apenas vestiu uma roupa esportiva e saiu de casa, indo para o centro de treinamento. Por dias ele e Rosie dormiam no mesmo quarto, contudo, não se amavam mais daquela maneira. E sequer trocavam uma palavra, deixando o casal Moore bastante preocupado. Até mesmo o time inteiro Manchester United se preocupou com Best. Matt Busby não escondia isso.

-- Best. – Chamou o técnico escocês. – Quer me contar algo?

-- Por acaso vai resolver meu problema? – Respondeu, quase irritado. – Ninguém vai me ajudar.

-- Olha, se eu consegui juntar Belle e Charlton, eu consigo resolver o seu problema. – Disse, batendo no ombro do jogador num gesto amigável. – É a ruiva liverpooliana?

-- É sim. Sou um miserável, até mesmo um péssimo tio como disse a Sofia.

-- Mulheres são como plantas. – Disse ao olhar para as nuvens. – Elas precisam de um solo, água e cuidados especiais. E essa ruiva precisa de cuidados, Best. Você é o solo e a água.

-- E os cuidados especiais?

-- Você sabe bem o que quero dizer. – Disse malicioso, fazendo o jogador entender.

As palavras, embora simples, foram o bastante para motivar o jogador e este seguiu seu treinamento do dia. Dois dias depois aconteceu mais uma partida do campeonato inglês, com o clássico derby entre os Manchesters, United contra City. Best se encontrava concentrado para o jogo, ao mesmo tempo procurando meios de falar com a ruiva amada. A vitória é para o United e após o jogo, Best correu até o apartamento e chegando lá, encontra Rosie, tomando chá com... Eric Clapton!
--...Então eu e Pattie fizemos uma ótima viagem pelo Caribe e... – Dizia Eric, bebendo mais um gole do chá de maçã de Rosie.

-- O QUE ELE ESTÁ FAZENDO AQUI? – Gritou Best, indignado por ver o guitarrista no apartamento.

-- Estamos tomando chá, não é Eric? Continue me contando sobre o Caribe, eu e o Georgie estávamos pensando em ir fazer uma viagem para o próximo verão, o que você acha Georgie?

-- Acho que ele deve sair daqui, isso sim! – Mostrando insatisfação.

-- Só quando terminarmos o Chá! – Rosie servia mais um pouco na xícara de Clapton, ainda sorrindo.

-- Sim e minha afilhada? Soso está bem? – Indagou o guitarrista.

-- Acho que não me entendeu! – Se aproximando do guitarrista e fechando a cara ainda falou. – Eu quero que saia daqui ou eu mesmo vou chutar sua bunda e sua guitarra pra fora do apartamento, entendeu?

Eric largou a xícara e se despediu de Rosie de forma educada e saiu do apartamento. Ela por sua vez puxou o namorado para o quarto e desferiu um tapa na cara dele.

-- O que deu em você? Ele é meu amigo agora e padrinho da Sofia. – Disse a ruiva, embravecida. -- A esposa dela saiu para fazer compras com a Mari e volta já, então é melhor você parar com isso se não nada de sexo!

-- Já não estamos fazendo sexo mais, sempre que tento algo você nega ou até diz que está com dor de cabeça ou menstruada! Ficar mais dias sem fazer amor pra mim não é nada! – Debochou o jogador e abrindo a porta do quarto ainda continuou falando. – Pensando bem, era melhor ficar com a loira doida amiga da French Girl do que você!

Rosie se enfureceu mais ao ouvir que Best prefere mais a prima de Felicity McGold do que ela.

-- SAIA DAQUI, GEORGE! – Jogando as roupas do jogador no chão. – SAIA!

Ele foi embora do apartamento, sem ao mesmo falar algo para Bobby ou Mari. A amiga de Rosie entrou no quarto e encontrou a ruiva, chorando na cama.

-- Oh meu deus, não me diga que brigou com ele de novo?

-- Sim. – Disse e parando de chorar. – Ele quer aquela loira estonteante da festa do Hesketh, então ele que pegue aquela vagabunda! Vai se dar mal de novo!
A noite Best foi se divertir na discoteca The Warren e novamente bebeu, mais que no dia em que encontrou seus amigos policiais. Dançou com todas as mulheres de todos os tipos, loiras, morenas e ruivas. E mesmo assim, o buraco em seu coração se encontrava aberto. Antes da meia noite, uma moça, usando um vestido azul provocante e botas negras se sentou perto dele no balcão e pagou uma bebida.

-- Obrigado, dama da noite. – Agradeceu o norte-irlandês e bebendo o liquido.

-- Não por isso. – Disse a moça, numa voz provocante e passando a mão em sua perna, atiçando o jogador.

Numa das mesas, dois casais avistaram George Best e a garota morena na maior sintonia.

-- Aquele não é seu amigo, Odile? – Questionou Louise, parando de beijar seu namorado, Gerd Müller.

-- É sim, mas... – Odile não acreditava no que via. – Algo me diz que ele e Rosie não estão mais juntos.

-- E o que tem isso, meine liebe? – Franz não sabia da amizade de Odile com George Best e procurou entender a situação.

-- Ainda me pergunta, mon amour? Sou amiga do Best e dois anos atrás ele me pediu ajuda para reconquistar ou reencontrar Rosie e se acertar com ela. Numa das cartas me contou que estavam se amando demais.

-- Ao que parece não é bem assim. – Apontou Louise para Best e a moça se beijando. – Ou ele está traindo a Rosie ou... largou fora! E pra falar a verdade, sempre achei que eles não iam longe.

-- Você fala com certo desprezo, ursinha. – Estranhou Gerd o modo como Louise se referia Best.

-- Certas coisas prefiro não dizer, ursinho. – Respondeu bebendo um gole de Martini. – Pelo menos por enquanto.


Continua...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

We Belong Together (Oneshot - What If Grindhouse Parte 7)

Boa noite, pessoal!
Para iniciar junho e o feriado, e claro, aniversário da Maris Grey (a escritora de Modern Vampires), vamos ter a parte 7 de We Belong Togheter. Vocês vão rir, chorar e amar esta parte!

Parte 7

Na Romênia, um castelo estava com os portões praticamente abertos e destruídos.  Não havia guardas e nem cavaleiros para proteger o local. Ali dentro se encerrava mais uma chacina orquestrada pelo barão austríaco Andreas Nikolaus Hermann Lauda. Ele observava a lua em seu esplendor enquanto seus servos se alimentavam dos humanos que ali viviam. François Cevert e Jackie Stewart rasgavam mais vítimas. Brigitte Von Hammersmark, uma poderosa vampira feiticeira tentava ver imagens através de sua bola de cristal. James Hunt, um nobre inglês cujo segredo de sua imortalidade não é ligado ao vampirismo e nem a licantrofia, caminhava de um lado para outro. Em seus pensamentos estava ela. Uma bela jovem de cabelos dourados como o sol e olhos azuis como orbes cristalinas. Aquela moça... Faria o impossível para ter aquela menina vampira em seus braços, nem que para isso liquidará com marido alemão dela.

Mais uma vez Niki fracassa em sua procura, pela noiva desaparecida Odile. Sabai através das visões de Brigitte que a francesa foi levada por uma criatura poderosa. Temeu ser algum tipo de fantasma ou nosferatu. Ou até mesmo um lobo. Tamanha era sua raiva que levou a cometer crimes sangrentos, como o de matar os pais dela...


FLASHBACK ON

Faziam poucos dias do desaparecimento de Odile e Jacques Villenueve, pai da garota, escrevera uma carta para um poderoso especialista: Paul Breitner. Agora só restava esperar por sua chegada. Niki nesta época era um vampiro em busca de poder e ao saber da tentativa do futuro sogro em contratar um caçador de monstros que possa resgatar sua amada, resolveu dar margem a mais um plano que não queria ter sido executado...

Certa noite enquanto todos dormiam, ele resolveu fazer uma visita noturna. Niki descera da carruagem e bateu na porta, sendo recebido por Louis, o mordomo.

-- Pois não?

 -- Quero falar com herr Jacques e frau Serena. – Respondeu o barão.

-- Senhor, eles estão dormindo. Sr. Jacques não o atenderá. Volte amanhã. – Ao fechar a porta, Niki colocou o pé impedindo do mordomo de fazer isso.

-- Insolente! – Em poucos minutos, Louis estava sem vida por ter sido mordido pelo vampiro François Cevert.

Jacques ouve uns gritos abafados e junto de Serena sua esposa, eles descem as escadas. Marie, a filha mais velha pensou em sair do quarto quando a mãe a deteve.

-- Marie, fique aí! Seu pai e eu resolvemos isso.

Ao chegar na sala, eles encontram o corpo inerte de Louis e abismados tentaram correr de volta as escadas mas foram barrados por Brigitte. Na entrada Niki e seus servos bloqueavam ali para não deixar ninguém escapar.

-- Niki... – Balbuciou Jacques, um tanto chocado. – O que pretende?

-- Eu não quero que o senhor chame aquele caçador! Eu mesmo procurarei Odile, nem que para isso percorra a Europa, América, África e o mundo! Retire o que pediu ao caçador!

-- Não podemos fazer isso. – Respondeu Serena, rezando internamente que aqueles seres não localizassem Marie.

-- Se não fizerem o que o barão manda... – Brigitte tocava o pescoço de Serena, causando pânico em Jacques. – Alguém lá no quarto sofrerá as mesmas conseqüências que Louis.

Tomados por um silêncio mortal, o casal não sabia o que fazer. E neste momento, Marie se escondeu debaixo da cama, mesmo com a porta trancada. Ouviu-se gritos quase abafados por cerca de cinco a oito minutos de tortura. Na sala Jacques teve a cabeça, os braços e as pernas arrancadas e Jackie coletava mais sangue. Serena praticamente virara a “refeição” para Brigitte, que bebia o sangue da anglo-francesa com vontade.

-- Muito bom esse sangue, barão. – Ela limpava as pequenas manchas de sangue que ficou um pouco abaixo da boca. – Eles têm a filha mais velha lá no quarto...

De repente uma janela de quebrou e o relincho de um cavalo. Hunt, que se encontrava na carruagem, viu uma moça de roupão branco galopando no cavalo e seguindo para longe o mais rápido possível.

Os vampiros saíram da casa e não fizeram nada.

-- Posso trazê-la para o senhor. – Disse Hunt, com vontade de capturar a moça.

-- Deixa-a  partir. Não é ela quem procuro. E sim a irmã dela. Marie não tem muitos recursos e nem para onde ir. Deixem- a viver!

E eles foram embora à carruagem, de volta ao castelo do barão. 

FLASHBACK OFF


Niki não queria relembrar aquele crime, mas se for para salvar Odile, mataria qualquer um, até mesmo os membros de sua família.


Marie guardava suas roupas na pequena mala que seu amado deixara, ao mesmo tempo carrega o livro que ele deixara como herança. Ainda não acreditava nos últimos acontecimentos...


FLASHBACK ON

Após a noite mais sangrenta resultando na morte de seus pais, Marie seguiu para fora do bairro nobre de Munique, o bastante para se afastar de seus algozes. Cavalgou sem rumo por vários dias até certo momento, quando a fome e o cansaço lhe venciam, ela foi acolhida por um rapaz adorável, porém, pela aparência, lembrava um dos senhores ricos e gordos. Ele a levara para sua cabana provisória na cidade, cedendo não só abrigo, mas também comida e roupas limpas. Por vários dias ela foi bem cuidada por aquele estranho homem. Ele também se revelou um homem amável e um verdadeiro gentleman para ela. Nunca em toda sua vida foi amada daquele jeito e com Graham Bond sentiu seus primeiros desejos e o verdadeiro prazer. Ali nascia uma paixão sem limites. Até aquele dia...

Marie estava lendo mais um dos livros de Bond e tentando entender o motivo de não ter conseguido exorcizar a moça galesa chamada Felicity, quando de repente ouviu-se um estrondo e depois Bond fechando a porta.

-- Bond...

-- Vai embora, mon petit! – Bond segurava a porta que sofria diversos empurrões e o feiticeiro. – E leve esse livro! Me encontre... ai... na floresta!

Ela pulou da janela e avistou a mesma carruagem parada em frente a sua casa. Deduziu serem os mesmos que executaram sua família. Marie fugiu para uma parte da floresta e esperou por cerca de uma hora tudo aquilo terminar.  Bond ainda não deu sinal. Pensou por um momento que ele não a localizara. Resolveu voltar ao ponto inicia. A carruagem sumiu e ficou na cabana a destruição. Ela adentrou a sala bagunçada e viu entre os livros um gigante leão negro caído e ensangüentado. Reconheceu seu amado.

-- Bond! – Ela correu até ele. Bond retornou a sua forma humana, gemendo de dor e cuspindo sangue. – Meu leão, agüente firme, vou salva-lo!

-- Mon... Petit... – Ele mal conseguia falar devido aos espasmos de sangue a serem expulsos. – Salve-se... resgate sua...cof cof... irmã. O barão...cof cof... Vai mata – lá.

-- E como farei isso? Me ajude!

-- Procure... cof cof... Anastácia Rosely... – Ele vomitou mais sangue e seus olhos estavam mais pálidos. – Ela...cof cof... sabe... onde Odile... está...

Poucos segundos depois a vida abandonou Graham Bond, o poderoso feiticeiro de Hamburgo. Ela guardou seus pertences e o livro na mala e em seguida acendeu uma tocha e pôs fogo na cabana, abandonando tudo ali.

-- Adieu , Bond . Mon brave lion!


FLASHBACK OFF

Ela se deitou na cama, chorando um pouco por lembrar-se do seu amado leão valente. E jurou mentalmente que iria até o fim da jornada resgatar sua irmã e eliminar o poderoso barão austríaco, responsável por muitas mortes. 


Enquanto isso na casa de Anastácia a festa de casamento é muita alegria. Todos dançavam, conversavam, riam, contavam piadas e bebiam. Os caça vampiros ressuscitados por Ana faziam imitações cômicas do mito inglês do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távora Redonda. Ana e Paul trocavam vários olhares furtivos e certo momento ela se retirou para o jardim, olhando as estrelas. Paul a seguiu e viu o céu estrelado.

-- A noite é tão perfeita, fraulein Ana. – Comentou Paul, sorrindo.

-- Tão perfeita que dá para ver as constelações neste céu lindo. – Ela retribuiu o sorriso. – Veja aquela ali. É Órion, o caçador. Parece o senhor.

-- Não me chame de senhor. – Tocando as mãos de Ana e encarando seus olhos castanhos. – Somente de Paul.

Ficaram em silêncio e Ana aproximou seu rosto para perto de Paul e ele sentiu seu coração acelerar mais ainda e colocando as mãos no pescoço dela de forma carinhosa, nasceu ali um delicioso beijo deles, sob o cricrilar dos grilos e a luz brilhante da lua.  Por mais que quisessem continuar, Ana interrompeu o beijo, mas sorria para o caçador. Ainda segurando a mão dele, ele a levou para dentro da casa e dançaram mais uma vez.

Louise observava seu marido dançando com Alice e se retirou dali. Felicity percebeu que sua prima não se sentia bem.

-- O que houve, Lulu?

-- Eu não estou bem.. na verdade... eu quero chorar.... – Abraçou a jovem e desatou em lágrimas. – Não sei bem o que estou sentindo.

-- Mas me conta. O que tem te causado isso?

-- Alice.
-- Ela incomodou você?

-- Não... da maneira que imagina. Não me conformo ver ela com meu marido.

Fefe sabia o quanto Lulu era ciumenta, porém sempre procurava ocultar isso e muitas vezes era uma briga para admitir isso.

-- Gerd ama você demais. E não esqueça que ele foi casado com ela. Se não te quisesse, já estaria abandonada, em vez de ser mimada e acariciada por ele.

-- Devo falar disso ao lenhador?

-- Se quiser, sim. E o nome dele é Michael Palin.

Poucos minutos após a conversa, Louise encontra o lenhador Palin colhendo flores, com um sorriso. Estranhou por uns minutos sobre ele. Na época quando o viu pela primeira vez era um lenhador muito forte, com capacidade de matar um nosferatu com um golpe. Aproximou-se dele.

-- Mr. Palin...

Ele se virou e quase caiu para trás por ver quem era.

-- Oh, por favor... – Disse ele, quase se ajoelhando para ela.  – Eu não sabia sobre seu marido. Me perdoa por massacrar você...

-- Oh não, Mr. Palin. – Disse a menina, sendo gentil. – Só quero conversar com o senhor e não lutar.

Palin ficou mais tranqüilo e percebeu a sinceridade da vampira e a convidou para colher flores no jardim.
                   
-- Estas flores – Disse ele, cortando uma rosa vermelha. – São para a noiva. A rosa representa os lábios dela tão vermelhos.

Louise também colhia as flores. Lembravam muito o jardim de sua mãe, tão bem cuidado e cheio de margaridas e girassóis.

-- Adoro girassol. – Comentou Lulu, deixando levar pela emoção e lembrança.

Ao ouvir isso Palin sorriu e pegou um dos girassóis e entregou para a vampira.

-- De certo modo, ele combina com você. Com cabelo dourado que possui.

-- Quero lhe perguntar algo. O que acha da Alice e Gerd estarem se divertindo?

Palin observou a amada dançando novamente com Gerd.
-- Nada. Eles foram casados. Não posso priva – lá de se divertir e além disso sei o quanto ela me ama.  Se não me amasse, teria dito que aceitava Gerd de volta ou simplesmente fugia com ele.

Louise se calou depois daquela resposta e depois eles se aproximaram de Fefe e Manuel. Antes de presentear a noiva, Fefe jogou seu buquê e quem pegou foi Rosie.

-- Parabéns, minha loba ruiva. Espero que seu novo marido seja um lobo. – Disse Bobby Moore, o líder.

Rosie se calou e voltou à atenção para George Best. Depois disso Louise presenteou a prima com mais flores. 

-- Obrigada, Lulu. São lindas.

-- Elas lembram tudo em você. – Respondeu à jovem vampira.

Manuel e Felicity embarcaram na carruagem e seguiram para a velha fazenda gerenciada por Manu, onde o casal iniciou sua noite de núpcias.
Mais algumas horas depois os convidados foram embora, com exceção do casal Müller. Antes de irem, Alice chama a vampira para uma conversa no jardim. Palin ficara na sala com seus amigos e Gerd esperou na porta.

-- Eu sei que não nos demos bem no começo, mas gostaria de falar com você. – Disse Alice, de forma gentil, para o estranhamento de Louise. – Gerd me falou do seu desejo de ter filhos.

Louise se envergonhou disso. Seu marido revelando assuntos íntimos para a ex-noiva, deixando um pouco desconcertada.

-- Sim, mas ele acha que é cedo. – Falou a vampira, um pouco triste.

-- Sabe, eu também queria filhos e ele também. Contudo, conversamos bastante e chegamos à conclusão que realmente é cedo para isso. Precisávamos amadurecer e não cumprir assim de modo apressado. Devia compreender isso, Louise.

-- Já me resignei a isso. Quem sabe mais pra frente, daqui uns dez anos... – Louise imaginava sua vida em alguns anos no futuro, se ela e Gerd formariam uma família.

-- Que bom. Neste caso, podemos ser amigas? – Perguntou à jovem, oferecendo um abraço.

Louise não tinha mais aquele ar de superioridade e tampouco o senso de rivalidade que possuía com Alice na época de convivência dela no castelo. E mesmo se tivesse ela também se conformaria em perder Gerd para ela.  A vampira caminhou até ela e se abraçaram alegres, sem ressentimentos.

-- Sabe que terá meu apoio e minha ajuda. E claro, do Gerd. – Respondeu sorrindo.

Após a conversa Louise se despede de Alice, de Palin, dos Pythons e do restante dos moradores e seguiu com o marido rumo ao castelo.

Na mansão da Ilha dos Lobisomens, Rosie se trancou no quarto, louca de ciúmes por ver George Best sendo bastante atencioso com a noiva Felicity. Nem Manuel Neuer o futuro marido não impediu isso e pelo contrário: parecia aceitar tranquilamente. Ouve-se batidas na porta. Ao abrir, Best entrou no quarto dela.

-- O que você tem?

-- Nada. Vai embora – Mandou Rosie. – Quero dormir.

-- Não sem antes me explicar...—Agarrou o braço da loba, que enfurecida, empurra o vampiro para a parede.

-- Você é mesmo um canalha! Um maldito cafajeste!

Rosie assume a forma lupina e começa atacar Best, que se desvia dos golpes dela. Enquanto isso o pessoal começa estranhar os barulhos de quebra de móveis e vidros quebrados. Na outra casa, Davy e Dianna estavam apreensivos com aqueles ruídos vindo da mansão de Bobby Moore. Micky e Emma tentavam de tudo para acalmar o bebê Christian e Mike e Peter não conseguiam fazer amor com suas amadas. Paul McCartney e Mary Anne subiram as escadas e ouviram tudo do quarto de Rosie.

-- Rosie! – Bateu na porta do quarto. – Rosie você está bem?

A porta se abre de forma agressiva, mostrando a loba ruiva com cabelo desgrenhado e o vestido quase rasgado.

-- Sai, Paul! Eu tava lutando contra um... – Mentiu Rosie. – Nosferatu que invadiu meu quarto!

-- Deixa que a gente acaba com ele! – Disse Mary Anne, disposta a matar o monstro antes de Bobby Moore retornar a mansão.

-- Já fiz isso, Mary Anne. Agora boa noite. – E em seguida fechando a porta.

Os dois irmãos voltaram para sala, sem saberem o que dizer sobre aquilo. No quarto, Rosie começou a chorar na cama, abraçando a si mesma. George Best estava ofegante e ferido nos braços por conta dos arranhões da loba e se aproximou dela.

-- Felicity foi uma pretendente que cortejei quando era humano. – Disse o vampiro. – Ela foi embora de Londres e a esqueci. Certa vez quando sai para me divertir à noite, estava bêbado e fui atacado por um nosferatu. Acordei aqui na floresta e pedi abrigo temporário ao conde, que me cedeu. Quando conheci você naquele dia na visita ao castelo, me apaixonei a primeira vista. Eu sofri demais com isso e fui embora. Fiquei ao lado do barão por um tempo até ver a crueldade em seus olhos. E então vim para cá, me redimir de meus pecados, recuperar o meu amor... por você!

Ela parou de chorar e abraçou o amado fortemente.

-- Não me deixe, meu amor, meu vampiro...

Eles fizeram amor no quarto, abafando os gemidos um do outro para não despertarem mais atenção. E certos que desta vez se amam a ponto de desafiar a lei que proíbe o relacionamento hibrido.

Manuel e Felicity chegaram à antiga fazenda dele, abandonada depois que ele virou vampiro. Aparentemente as coisas ali estavam em ordem. Fefe observou tudo cuidadosamente e viu que o lugar fica perto do riacho, facilitando para ela e o marido se banharem caso der vontade.

-- Fraulein, venha aqui! – Chamou Manuel.

Felicity entrou no quarto dele e viu a cama de casal arrumada e na cômoda um vaso de rosas vermelhas e a janela um pouco aberta, para a claridade da lua.

-- Manuel, agora somos casados. Não sou mais uma senhorita.

-- Tem razão. – Abraçou a esposa. – Agora é fraü Neuer. Minha mulher! Mas posso chamar ainda de fraülein? Acostumei-me em chamar você assim desde a primeira vez.

-- Está bem, Herr Manuel!

Felicity desabotou a camisa do amado e retirou os suspensórios da lederhosen dele. Manuel beijava sua esposa de modo ardente, ao mesmo tempo em que erguia a saia dela, tocando a perna dela, arrancando um gemido baixo dela. Se afastando um pouco, ela retira o vestido de noiva e meia calça, revelando sua nudez. Manuel se juntou a ela e se deitaram, onde trocaram mais beijos.

Ele massageava as pernas dela e as beijava. Felicity enchia de beijos o corpo dele e tocava em regiões sensíveis, deixando Manuel mais excitado e pronto para agir. Ele tocou a barriga dela, quase protuberante e depositou um carinhoso beijo.

-- Nosso filho...—Balbuciou o vampiro rastreador, mirando os olhos castanhos da amada. – Ele é uma benção para nós, minha esposa.

-- É sim, meu amor. – Ela tocava o rosto dele e o beijou mais uma vez.

Depois ele ficou por cima dela, iniciando os movimentos amorosos. Manuel começou devagar, por medo de machucar ela e o bebê. Felicity gemia às vezes de dor, mas se acostumou e passou a ser prazer. Aos poucos ganhava velocidade os movimentos e os dois passaram a suspirar e a gritar de prazer. No último movimento, Felicity e Manuel emitiram um grito prazeroso, indicando seu clímax. Se beijaram mais uma vez.

-- Eu te amo, Manuel Neuer!

-- Ich liebe dich meine Frau! (Eu te amo, minha esposa!)

Adormeceram juntos e abraçados na fazenda abandonada. No dia seguinte, Fefe acordou sem o marido. Presumiu que ele tenha voltado ao castelo. Ela se vestiu rápido e voltou para a casa de Ana.

Na cidade, uma moça desembarca do trem e segue rumo ao vilarejo vazio, sem um rumo aparente. Na verdade ela queria chegar à famosa mansão da Ilha dos Lobisomens onde seu amigo Peter Tork vive com sua esposa Erin. Ela caminhou um pouco na floresta e seguindo seus instintos naturais, conseguiu avistar uma casa rústica e uma grande mansão. Segundo a carta de Peter, a casa dele é perto da tal mansão. Ela chegou até a porta e bateu de modo discreto.

-- Pois não? – Abriu uma jovem de cabelos castanhos.

-- Aqui mora Peter Tork?

-- Sim.

-- Eu sou Renée Chapelle, uma amiga dele. – Apresentou-se a moça.

-- Eu sou Erin, a esposa dele. – Cumprimentou a moradora, permitindo a entrada da estranha.

Renée se sentou no sofá, esperando calmamente Peter. Erin contemplou a mulher estranha e viu que ela não é má. Apesar da aparência, onde seu cabelo preto e liso encobria metade do rosto e a mão dela ter um estranho símbolo de uma cobra tentando engolir sua própria cauda, não sentiu nada de maldoso nela e chamou seu marido. Ao voltar pra sala, resolveu conversar com a visitante.

-- Errr... desculpe minha curiosidade, mas por que veio até aqui? – Questionou Erin.

-- Minha casa no vilarejo foi destruída por nosferatus e refugiei para Stuttgart, onde um feiticeiro me ensinou a arte da alquimia suprema. Depois retornei a Munique, aceitando o abrigo que Peter prestou a mim.

-- E também devo agradecer a você por ajudá-lo. Sabe, quando estava sob o feitiço da Poção do Amor.

-- Está tudo bem. – Desviou o olhar e passou a observar a casa, modestamente arrumada.

-- Renée, que bom que veio! – Peter desceu as escadas e abraçou sua amiga.

-- Muito obrigada, Peter! E sua esposa é muito atenciosa.

Erin agradeceu o elogio e eles levaram as malas da garota para o um dos quarto de hóspedes.

-- Deseja se juntar a nós no desjejum, Renée? – Convidou Erin.

-- Agradeço, mas não estou com fome. Desejo dormir logo. Tive uma noite em claro numa tentativa de transmutar um objeto.  – Agradeceu Renée, fechando a porta e deitando na cama.

Certamente a jovem alquimista teria uma boa história para contar aos seus novos amigos na mansão.

Ao cair da noite, Louise se acordou cedo devido à insônia obtida. Ela e Gerd pela primeira vez não sentiram desejo de fazerem amor por conta do cansaço na festa de casamento. E ela não conseguira dormir por conta do pesadelo que teve, onde viu seus pais sendo mortos e desde então não conseguiu ficar tranqüila.

Odile como sempre estava trancada no quarto e raramente saia dos aposentos e ainda sim acompanhada. Ela se lamentava por Niki e ainda procurava algum meio de sair do castelo sem que o conde saiba. Ela desceu as escadas e caminhou até a cozinha procurando algo para comer. Abriu os armários e entrou na dispensa e nada. Ficou abismada com isso. Afinal de contas do que eles se alimentam e como vivem, perguntou para si mesma.

Caminhou um pouco e ouviu um suspiro pesado vindo da sala. Chegando ali, encontrou Louise, sentada na borda da janela e bebendo um copo de vinho (sangue).  Imediatamente ela sentiu o forte cheiro de sangue francês e viu sua amiga ali.

-- Odile. – Saiu da janela e a abraçou. – Não devia sair do quarto.

-- Estou com fome, fui procurar algo pra comer e nada.

-- Vou pedir ao Sepp encontrar algum alimento pra você. – Em seguida se sentaram junto à mesa. 

Pelo semblante dela, a vampira não estava feliz e tentava de tudo se acalmar bebendo mais e mais.

-- Está tudo bem com você?
-- Não... – Respondeu, mostrando as mãos tremendo. – A noite passada sonhei com meus pais sendo mortos e a casa incendiada. Não contei ao Gerd pra não preocupá-lo. E agora estou tentando não mostrar isso a ele.

-- Entendo. – Comentou Odile. – Ainda tenho saudade do Niki. Da minha família e de minha irmã. Não sei de nada deles.

-- Eu também não sei de nada da minha família, nem do meu irmão que vive em Londres.

As duas ficaram em silêncio por um tempo e Sepp surgiu um pouco ofegante devido à incrível fuga sofrida num ataque que fez a um humano.

-- Olá, fraü Müller e fraulein Odile! – Cumprimentou o servo, sempre amável. – Desejam algo?

-- Sim. Odile está com fome e deseja algo para comer. – Disse, piscando o olho. Sepp entendeu bem e saiu da sala, para cumprir a ordem de Louise.

-- O conde tem sido muito carinhoso. – Comentou Odile, se lembrando de algo lindo sobre eles. – Antes da festa de casamento, nós dois dançamos como no baile que aconteceu meses atrás. E ele foi muito mais atencioso comigo ontem na festa. Nunca senti isso por homem algum.

Louise sorriu com aquelas descrições. Sempre soube que o conde Franz era um homem bom, porém adquiriu uma postura amarga ao se transformar em vampiro e agora essa bondade era recuperada com a presença de Odile.

-- Isso é lindo. Tens certeza que ainda queres seu antigo noivo? – Indagou a vampira loira.

Novo silêncio e desta vez a francesa refletia sobre a pergunta que a pegou de surpresa.

-- Eu estou confusa – Respondeu um pouco triste. -- Acho que estou gostando do Conde, mas ainda sinto que preciso estar com meu noivo.

-- Se eu fosse você, escolheria o conde. Ele é bem mais que o conde. É um homem gentil, amoroso e confesso que nunca o vi assim, tão animado e disposto por alguém.

As duas sorriam mais com essa possibilidade e Sepp retornou com uma bandeja.

-- Achei esse pedaço de pão e esta maçã.

-- Já é o bastante! – Exclamou Odile, pegando a maçã e dando a primeira mordida.

Quando o servo se retirou, Louise continuou a falar.

-- Tenho vontade de ter filhos.

-- Mesmo? – Odile ainda comia a maçã.

-- Sim. Contudo, ele sente que ainda é cedo. Na verdade ele teme perder o tempo que temos para nos amar com um bebê. Inclusive conversei com Alice e estou me convencendo disso.

Neste momento, o conde abre a porta de entrada, um pouco aborrecido. Ele caminhou até a sala e avistou as duas mulheres conversando.

-- Algum problema?

-- Não, só estamos conversando... – Disse Louise, bebendo a última gota de vinho. – Vou para o meu quarto e tentar... me acalmar...

Se retirando do local, Odile se preparava para ir pro quarto, contudo, o conde segurou seu braço levemente, abraçou-a e beijou sua testa.

-- Tudo bem, Franz?

-- Eu quero ficar um pouco com você, só isso.

Por incrível que pareça, os dois permaneceram abraçados na janela sob o luar e Odile sentiu algo maravilhoso com ele. Uma ternura, um calor humano vindo de um vampiro. Louise tinha razão, o conde é um homem maravilhoso, pensou a francesa. Eles foram pro quarto e Franz e ela se deitaram na cama, um olhando pro outro e com as mãos dadas.

-- Me sinto tão bem com você... – Comentou o conde.

-- Devo dizer que eu também. – Odile está quase adormecendo nos braços dele e Franz a cobriu com um cobertor de lã por conta do inverno alemão. Depois disso ele a beijou nos lábios e adormeceram juntos de conchinha.

Louise não foi dormir no quarto junto do marido e optou por ficar sozinha no caixão dele na masmorra. Ela chorava mais por conta do sonho com seus pais. Definitivamente começou a refletir se sua vida valia tanto a pena viver como uma morta-viva. Sentia falta da família e das coisas boas que ela fazia quando era humana, como passear nas ruas a luz do dia, conversar com as pessoas, ir aos bailes mais chiques da cidade, comprar vestidos, jóias e chapéus. E também das cavalgadas que fazia com o pai todo domingo de manhã. Para ela seria impossível voltar atrás...

Gerd se acorda aos pouco e sua mão tateou o lado vazio da cama. Louise não estava lá. Se levantou rápido e vestindo a calça, saiu do quarto e a seguiu procurando por todo castelo.

-- Ursinha? – Ele seguiu para a cozinha, sala de estar, biblioteca e outros cantos.

Ele entrou no estábulo e tudo calmo. Os cavalos Bismarck, Ferdinando e Andrômeda se encontravam extremamente calmos, sem sinal de Louise. Procurou no jardim e encontrou Sepp e Nora namorando de forma apaixonada. Com certeza Louise não viria aqui, pensou o vampiro. Pensou em visitar a Ilha dos Lobisomens, ainda mais por saber da amizade dela com vampiro Davy Jones, mas com certeza não era dia de visitas e tampouco ela seguiria na casa da cientista Ana.

De volta ao castelo, subiu as escadas e procurou nos quartos. Ele entrou sem querer no quarto do conde e o encontrou dormindo calmamente com a humana Odile, de forma unida e apaixonada. Se retirou dali sem desperta-los. Como última opção, desceu até as masmorras e ouviu um eco. Mais parecido de um choro de mulher. Aproximou-se do caixão cinza e abriu, revelando a amada chorando copiosamente.

-- Ursinha, por que está chorando? – Pegando a amada e abraçando. – Por favor, me diz.

-- Não é nada... – Louise se negava a dizer algo.

-- Nada o que, vamos me conte.

-- Gerhard, estou com medo. – Gerd sabia que quando Louise o chamava assim, era sinal de duas coisas: ou ela estava muito triste ou aborrecida.  – Eu... sonhei com a morte dos meus pais, a casa pegando fogo e eles morrendo. Meu deus, estou com medo!

-- Fica calma meu amor. – Ele acalmava com caricias nas costas e no cabelo dela. Gerd acabou se deitando com a esposa no caixão, sem fechar.

-- Não sente falta de quando era humano, ursinho?

-- Não.

-- Nem das coisas que fazia quando era humano? – Indagava Louise um pouco mais calma.

Ficaram em silêncio por breves momentos. De fato ele possui saudades daquela época. Quando era humano podia sair de manhã e fazer muitas coisas.

-- Sinto falta de caminhar pela manhã e sinto falta de Berlim. – Comentou. – De resto eu gosto desta vida.

-- Sinto falta dos passeios nas ruas, das compras, cavalgar nas manhãs de domingo com meu pai. – Ela o abraçava mais forte e depois sorriu. – Mas gosto assim. A vida noturna é mais emocionante!

-- Se vivêssemos durante o dia, eu nunca a teria. – Olhando nos olhos dela.

-- Tem certeza, ursinho? – Questionou, ainda sorrindo e piscando para o amado. – Por acaso não lembra de uma vez quando visitou minha casa?


FLASHBACK ON

De fato foi um dos momentos mais estranhos, porém ousados. Sepp Maier havia ido visitar Nora Smith em plena chuva torrencial e ainda a cavalo. Seus pais, no objetivo deixar unido seu filho e a filha dos Smith, não permitiu que fosse usada a carruagem. Por conta disso, ele cavalgou até a casa dela sob a chuva e chegando lá, contraiu uma gripe forte, permitindo sua estadia na casa da noiva.

Uma semana depois os Smiths receberam a visita de Anthony e Mary McGold, que traziam seus dois filhos, Louise e Michael. No castelo, Franz recebera uma carta do amigo, avisando sobre sua saúde prejudicada pelo mau tempo.

--... Tirando uma garganta inflamada, falta de respiração e febre alta, o médico da família disse que devo repousar por cerca de uma semana. Os Smiths são muito educados e foram bastante atenciosos. Dentro de uma semana e meia estarei de volta.... – Franz lia a carta um pouco preocupado.

-- Devíamos  visitá-lo na propriedade deles. – Sugeriu Gerd.  

-- E será que vão nos receber depois daquele dia onde dormimos na sala sem nenhum motivo?

Na verdade Gerd não foi afetado totalmente pelo feitiço. Ainda se lembrava da Lady Porquinha aos seus pés, mordendo o tornozelo e depois ganhando a forma humana. No fundo desejava reencontrar Louise. Decididos, eles seguiram caminhando a belíssima mansão dos britânicos. Naquela manhã de desjejum, os Smiths e os McGolds tomavam café. Michael, Anthony e Ned conversavam sobre negócios, enquanto Catelyn e Mary diziam sobre as novidades das outras famílias inglesas.

--... Eu soube que os Fitzwilliams casaram uma de suas filhas com um nobre. – Falava Mary, sempre sorridente.

-- É verdade. – Concordou Cat.

Louise cortava uma fatia de pão com dificuldade, mas em seus pensamentos estava Herr Müller. Nora permaneceu ao lado de Sepp todos os dias, cuidando dele com carinho. Ela não consumiu absolutamente nada no desjejum devido à distração, até ser interrompida com o anuncio de Carson, o mordomo de Ned Smith.

-- Sr. Smith, temos visitas.

-- De quem, Carson?

-- O filho do conde Beckenbauer, Franz e seu amigo Gerhard Müller.

Os visitantes adentraram a sala e as duas famílias se apresentaram. Louise foi a primeira a notar claramente que os dois estavam com uma aparência diferente, vestidos como nobres, porém um pouco cansados, como se tivessem saído do castelo e seguido todo o caminho a pé.

-- Veio caminhando, Herr Müller? – Questionou Louise, espantada.

-- Sim, viemos caminhando.

Um novo silêncio foi colocado. Os dois pais de família estavam impressionados com aquela ousadia e as mães um pouco preocupadas. Michael observou cuidadosamente Gerd e Franz e desaprovou, mesmo estando calado.

-- Sr. Smith, onde está meu amigo Josep? – Indagou Franz.

-- Está lá em cima, repousando no quarto e com Nora cuidando dele. – Respondeu Ned. – Carson irá guiá-los para lá.

Ned deu a ordem para o mordomo levá-los para o quarto e as famílias voltaram a sua refeição matinal.

-- Viu o estado deplorável deles, pai? – Michael não havia gostado de nenhum deles. – Suor e lama. Coisa tão germânica e medieval!
 
-- Cala-te, Michael! – Ralhou Anthony, sobre a desaprovação do filho com os visitantes.

-- Devo concordar que esses rapazes estão pouco apresentáveis, não acha Louise? – Perguntou Mary para sua distraída filha.  – Louise?

-- Hã... o que disse, mãe?

-- Nada... – Calou-se a mãe, percebendo o motivo da atenção da filha.

No quarto, os dois amigos ficaram perto de Sepp, conversando enquanto Nora prometera trazer uma bandeja de comida.

-- Me sinto tão constrangido... cof cof... – Dizia Sepp com dificuldade respiratória e tossindo. – Os Smiths são tão bons comigo...
-- Não é a toa que vai casar com a filha deles. – Comentou Franz, rindo.

-- Pelo menos teve sorte em casar com alguém que realmente ama... – Disse Gerd, um pouco triste.

-- Por que está dizendo isso, Gerd?

-- Meus pais querem apressar o meu casamento... e não sei. Não quero isso!

Os dois ficaram um pouco preocupados com aquela resposta de Gerd e em suas mentes a causa disso teria sido... a filha de Anthony McGold.

-- Por favor, Gerhard. – Implorava o filho do conde. – Não me diga que está mesmo apaixonado por aquela menininha mimada?

Neste momento, Nora ficou ouvindo a conversa atrás da porta com a bandeja, lamentando-se do fato.

-- Péssimo gosto que tem, Herr Müller... – Nora lamentou-se com a preferência de Gerd em relação a uma criatura tão desprezível como Louise.

Depois ela abre a porta, trazendo a comida para o amado: uma sopa quente de batatas e chá com ervas medicinais.

-- Aqui está, Katze! – Deixando a bandeja na mesa e levando a tigela de sopa com a colher.

-- Danke, Nora! – Começando a tomar, mesmo ainda sofrendo com a falta de ar.

Os dois se retiraram do quarto por enquanto e desceram as escadas e ficaram no jardim, conversando entre si.

-- Ainda não me respondeu, Gerd!  Me diz se está ou não está gostando de...

-- E se estiver?

-- Meu deus, se a família McGold souber disso...

-- Que saibam! E meus pais também! Não amo e nunca amei Uschi! – Bradou Gerd, porém teve de se conter quando Michael, o irmão de Louise surgiu perto deles.

-- O amor é mesmo estranho, não é amigo? – Michael tentava conter um risinho maldoso. – Se não gosta de sua noiva, trate de ter outra mulher ou simplesmente anule e viva a boemia. Desfiz-me de um noivado de quatro anos. Não fui feito para o matrimonio e prefiro a liberdade!

Os dois se espantaram com a revelação do filho mais velho de Anthony e tentaram disfarçar o mal estar. Gerd passou a observar Louise atentamente enquanto esta caminhava na companhia da mãe e da criada, Catherine. Em seus pensamentos não acreditava que a mocinha fosse mesmo um demônio com cara de anjo e tampouco mimada e irritante a ponto de ninguém suportar seu jeito. Michael percebeu isso.

-- Ela não é pra você! – Avisou discretamente e sorrindo maldosamente. – E também ela tem o Richard.

-- Só observei, senhor. – Respondeu o jovem, um pouco envergonhado. – De todas as damas, a sua irmã não está e nunca esteve em minha escolha.

-- Foi o que pensei. – Disse de forma arrogante. – Quer uma sugestão? Há outra família de galeses que se instalou recentemente em Munique. Os Stones. Eles têm uma filha chamada Alice, de grandes olhos azuis e cabelos negros como a noite. Ela é bem prendada e parece se encaixar para seus gostos, Herr Müller.

O irmão de Louise se retira e deixa Gerd um tanto sem ação. Estava mais que claro que o jovem não queria perto de sua irmã e é bastante compreensível. Louise tem um noivo chamado Richard. Decerto um homem mais poderoso e com riquezas maiores. E mesmo assim, não deixou de admirar a beleza angelical da filha de Anthony.  Poucos minutos depois Anthony convida os dois para conhecer o haras e ainda os presenteou com dois cavalos.

-- Sr. McGold, não podemos aceitar tal presente. – Recusou Franz.

-- Ora, por que não? Ainda mais você, Gerd. Estou muito agradecido pelo que fez a Andrômeda. Vamos, aceite.

No final eles aceitaram os cavalos nos quais foram batizados de Bismarck e Ferdinando. Foi neste momento que Anthony comentou algo com Gerd.

-- Sabe, se minha filha não fosse noiva de Richard, eu teria dado a mão dela para o senhor.

-- Sr. McGold, eu já tenho uma noiva daqui de Munique.

-- Que bom! Fico muito feliz pelo senhor! – Sorriu Anthony.

-- Caso eu não estivesse noivo, eu adoraria me casar com sua filha. – Disse por fim, chocando Franz que ouvia tudo e deixando Anthony satisfeito.

Poucos minutos antes de ir embora, Gerd e Franz foram mais uma vez fazer companhia para Sepp, mas antes, o mais jovem dos três amigos acabou avistando Louise na biblioteca e resolveu ficar por lá. A adolescente lia calmamente um livro de poesias e não percebeu a presença dele.

-- Fraulein Louise! – Chamou, assustando a garota.

-- Oh meu deus, herr Müller! – Saltou Louise da poltrona. – Me desculpe. Deseja alguma coisa?

-- Só vou ficar mais uns minutos a mais e logo irei embora com Franz. – Respondeu, nervoso.

Louise não sabia se Gerd ainda se lembrava daquele fato estranho e resolveu tentar.

-- Eu gostaria de pedir desculpas por ter me visto... daquele jeito.

-- Que jeito?

-- Aquele jeito... estranho. – Falou Louise. – De ficar nos seus pés, lhe mordendo.

-- Do que está falando, fraulein?—Gerd fingia que não lembrava, sendo que na verdade ele sabe da verdade.

-- Não se lembra de ter visto uma porquinha mordendo seu tornozelo? – Insistia a menina, não acreditando que Gerd não se lembrasse do fato.

-- Nein! Eu dormi sem saber ou sequer me lembrar o que me levou a dormir assim.

Novamente o silêncio tomou conta dali e trocam um olhar intenso, como se um quisesse saber algum segredo do outro nas pupilas dilatadas. A respiração estava pesada para Louise. Ficar perto dele lhe causava algo diferente não sentido antes. Por conta disso, deixou o livro cair e ele conseguiu pegar a tempo de atingir o chão, entregando-o para a jovem dama. Tocou as mãos macias dela e mais uma vez viu os olhos azuis como duas pedras preciosas. Não havia como negar. Ambos se sentiam atraídos de forma misteriosa.

-- Herr Müller...

Ele tocou o rosto dela e ainda sussurrou no ouvido.

-- Du bist ein Engel, ein schöner Engel. (Você é um anjo, um lindo anjo) – Em seguida a beijou ali, sem se importar se alguém possa vê-los.

Louise tentou se desviar, contudo, o beijo dele era delicioso, cálido e cheio de paixão. Correspondeu da mesma intensidade apaixonada, permitindo aqueles lábios beijar os seus. Molly e Catherine, respectivas criadas de Nora e Louise, juntamente com Sembene e Carson, acabaram vendo a cena romântica e comentaram entre si até Michael ver a pequena aglomeração.

-- Catherine o que está fazendo? – Perguntou Michael a criada e ao olhar para a porta entreaberta, viu sua irmã e o visitante alemão trocando um beijo e ainda se abraçando.
-- Sr. Michael, devemos chamá-los? – Sembene queria interromper para não criar problemas.

-- Sim, mas para dizer que está na hora dele e seu amigo conde irem embora. E mais uma coisa, Sembene: não diga nada aos meus pais e nem aos Smiths! Não queremos problemas aqui.

Sembene cumpriu a ordem de Michael e os dois rapazes partiram para o castelo, levando os presentes recebidos por Anthony e Louise permaneceu no quarto, olhando para os dois cavalgando rumo ao norte. Ela guardou com carinho aquele beijo e voltou à velha postura mimada e cruel de antes, ocultando seu sentimento verdadeiro... Por ele.

FLASHBACK OFF

-- Entendi... – Sorria Gerd enquanto abraçava a esposa. – Acho que teria fugido com você para Berlim.

-- Ou quem sabe para Londres... – Respondeu Louise, beijando o amado e ainda se mantendo abraçados. – Promete uma coisa para mim?

-- O que?

-- Que não iremos mais brigar daquele jeito, como aconteceu dias atrás? – Segurando a mão dele e beijando ali.

-- Tudo bem, eu prometo.  – Depositando um beijo na bochecha dela. – E promete que não vai mesmo me deixar?

-- Eu tentei te deixar uma vez... E não consegui. Fui noiva do conde e o tempo todo só pensei em você, respirei você, desejei você. Eu amo até seu sangue, ursinho.

E isso é verdade. Quando Louise o mordeu, o contato com sangue de Gerd despertou a paixão desenfreada por ele e ainda brotara o amor nela. E ele mesmo diante da dor, caiu em tentação e veio o prazer. Estava ali o amor deles. Ainda no caixão se amaram mais um pouco e Louise esqueceu sua tristeza.

Antes de o sol começar a se esconder, Felicity seguiu para a fazenda de Manuel, carregando um saco de suprimentos conseguidos por Primus e um coelho morto, conseguido por Vivian, a lobinha namorada de Christopher. Ela iniciou a preparação do jantar de ambos, pois logo que a noite chegar, seu marido se juntará a ela na refeição. Enquanto cozinhava as batatas, seu corpo estremece devido a uma reação. Era seu filho chutando forte o ventre. Ela sorriu e acariciou o ventre.

-- Calma, meu pequeno. Ainda é cedo... – Disse enquanto mexia na panela e ao mesmo tempo acariciando a barriga.

Também ela deixou as frutas no cesto e preparou uma salada, de acordo com seu desejo. Felicity havia amanhecido com aquela vontade de comer saladas de verduras e legumes e por isso pedira a Primus para comprar o que fosse necessário. Quanto ao coelho, ela deixou no prato para Manuel se deliciar e uma garrafa de vinho, presente que o marido ganhou de Gerd Müller.

A porta se abriu com Manuel entrando e carregando alguns galhos cortados.

-- Fraulein!

-- Manu! – Ela o beijou. – Estava com saudades!

-- Meu bem, só fiquei fora daqui a parte da manhã e da tarde, sempre à noite estarei perto de você. – Disse enquanto acendia o fogo com os galhos colocados na lareira, para aquecer a fazenda.

Manuel preparava a cama e depois lavou as mãos na pequena bacia de água na cômoda e parou na porta, admirando a esposa servindo o jantar. Verdadeiramente ela estava mais bonita. Mais que no dia em que a conheceu. Como se por encanto a gravidez tivesse lhe dado um corpo mais generoso a ela. Se aproximou por trás dela e começou os carinhos ardentes, excitando Felicity.

-- Manuel... – Ela disse entre gemidos. – Ooohh... meu amor... o jantar está...

-- Depois, meine fraü! – Ele fechou a panela e a virou para perto dele, beijando de forma ardente e a levando para o quarto.

Manuel praticamente rasgou o vestido branco da mulher e ao mesmo tempo ela retirava a presilha que mantia seus cabelos negros presos, deixando-os soltos. Eram lisos e brilhosos. Manu contemplava a nudez dela e mais uma vez fazia carinho no ventre dela, sentindo mais chutes do bebê.

-- Ele está ansioso para vir ao mundo. – Comentou sorridente.

-- E nós estamos mais, meu amor. Quero muito segurar em meus braços o nosso filho, nosso menino.

-- É... um menino?

-- Sim. – Respondeu Felicity, animada. – Um lindo menino!

Após essa noticia, ele novamente a beija e já deitados na cama, Manuel deixa a camisa um pouco aberta e se livra da calça. Ficando por cima da amada, inicia os movimentos vagarosos e depois aumentou a velocidade, dependendo do prazer sentido nas estocadas e do prazer dela. Felicity gemia alto a ponto de gritar junto com o marido, quando enfim atingiram o clímax.

Ele ficou esparramado ainda por cima da mulher e ela bastante ofegante e alegre.

-- Manuel, vamos... jantar agora?

-- Ohhh... – Ele respirava fundo pra recuperar as energias. – Está bem. Vamos comer.

Ela vestiu uma camisa dele encontrada no armário restaurado e jantaram juntos calmamente e conversando sobre outros assuntos... Sem saberem que estavam sendo observados ao longe por uma mulher de olhar frio e vestindo roupa vermelha e na palma da mão, tinha um pentagrama.

-- Ainda será meu, fazendeiro... – Falou a mulher, cujo nome é Melisandre, disposta a tudo para ter seu amado Manuel, nem que para isso amaldiçoaria Felicity ainda mais.

Na taverna, Ronnie sentia falta da companhia da bela Louise. Desde a última visita, nunca mais ouvira falar dela... Até um dos seus mensageiros dizerem que ela finalmente se casou com Gerd Müller e que não voltaria tão cedo.  Passou-se uma semana e o sueco recebeu uma mensagem de seu velho amigo, o barão Niki Lauda com a seguinte ordem:

Use suas habilidades, amigo. Procure por Odile Greyhound.

A habilidade na qual é referida é de Ronnie tocar a flauta dourada e emitir um som lindo, porém hipnótico... para as mulheres.  Para elas, o som é como a voz rouca e sedutora dos homens que amam e seguem essa música para onde quer que seja. Levando a flauta para perto da fronteira entre a Ilha dos Lobisomens e a terras do conde, ele toca o instrumento, iniciando a belíssima música. Todas elas, dormindo, ouviram a melodia.
Rosie e Best estavam aos beijos e de repente parou com isso e seguiu para fora da mansão, juntamente com Mary Anne e Mari Jones, deixando os lobos e o vampiro consternados. Louise dormia de conchinha com seu marido e ouviu a música. Ela saiu da cama e caminhou até a saída do castelo, seguindo a melodia. Anastacia, Alice, Vivian e até mesmo Felicity caminharam rumo a música.


-- Venham, minhas queridas, venham...—Chamava mentamente Ronnie, vendo que deu certo seu plano inicial.