domingo, 30 de janeiro de 2022

Holiday Romance (Extra Chapter 2 - Parte 1)

 Boa tarde pessoal!

Começando 2022 (e no final do mês) com novo capítulo de Holiday Romance. Esse é outro extra chapter que conta o que aconteceu depois do jogo da Liga dos Campeões onde Odile e Lulu conheceram Franz e Gerd. E em breve a continuação da festa de véspera de natal na casa dos Romanovs. Boa leitura! 

OBS: O extra ficou grande demais e vou ter que dividir.



Capítulo 22: Um sentimento nivelado

 

Louise POV (uma semana depois do jogo da Liga dos Campeões: Bayern x Real Madrid)

 

A segunda-feira amanheceu com tempo nublado, contudo, sem previsão de chuva. Estava dormindo até o iPhone da Odile apitar com a música Do You Want To, do Franz Ferdinand.  Acordei pulando da cama com aquela música alta.

Odile já estava de pé. Isso sempre acontece. Ela levanta alguns minutos antes do celular despertar e deixa o aparelho perto da cama pra me acordar. Me senti como um dos zumbis figurantes do seriado Walking Dead, por conta da minha aparência assustadora, com o cabelo bem desgrenhado e o olhar... minha nossa! Estou com olheiras, iguais as da minha prima.

 

Tomei um banho e me arrumei.

 

-- Vamos, Lulu! – Apressou Odile, já com a mochila preparada. – Depois tomamos café na cantina!

 

E foi assim, sai da casa da sra. Donovan e seguimos a pé para Universidade. Meu estômago roncava de fome e eu procurava agüentar. Quando chegamos lá, ficamos um tanto surpresa com que vimos. A Universidade totalmente fechada e com uma faixa enorme com os dizeres:

 

ENQUANTO O PARLAMENTO NÃO NOS RESPEITAR, NÃO HAVERÁ AULAS!

 

GREVE!

 

Segundo as noticias nos últimos dias, o Parlamento inglês não definiu se dará aumento salarial para os professores e servidores públicos. Mas aumentar para os políticos isso sim. E o primeiro ministro havia concordado. Por essas e outras me chateio demais.

 

-- Vocês não perderam nada! – Disse Felicity, minha prima, acompanhada de Nora Smith, Ana Rosely e Marie, a irmã de Odile. – Nós também cometemos um erro em vir até aqui.

 

-- Acabei de ver aqui... – Ana mostrava no iPad o aviso de greve na página da Universidade no Facebook. – O protesto pelo aumento salarial.

 

-- Que beleza! – Suspirei pesadamente e frustada. – E quanto tempo vai durar essa greve?

 

-- Não sabemos. – Respondeu Ana. – É por tempo indeterminado.

 

No fim acabamos indo para a cantina onde encontramos alguns dos nossos colegas. Vi meu melhor amigo, Davy Jones e sua namorada, Dianna Mackenzie, juntamente com Micky Dolenz e a ficante Suzan Hardison, Peter Tork, Emma Carlisle e o “casal 20” Mike Nesmith e Alice Stone. Ela é legal, mas... devido aos últimos acontecimentos... isso meio que me deixa um pouco deprimida. Na festa dos veteranos no começo do ano, acabei bebendo um pouco no objetivo para me declarar para Nez e acabei me dando mal. Ele ouviu tudo e no final ele disse que só me via como amiga. Acabei aceitando e minutos depois, estava ele aos beijos com Alice. Mais bebida empurrada goela abaixo.

 

Todas conversavam mil assuntos e Odile falava com Marie algo sobre cinema e eu fiquei bastante de fora. Ouvia tudo, mas nunca falava. Pedi um pedaço de pizza e suco de laranja e como sobremesa musse de limão.

 

Enquanto mastigava um pedaço de pizza de peperoni, peguei o celular e ligando no What’sApp, mandei uma mensagem para Gerd. Desde que começamos a conversar via mensagem, não paramos por nada. Cada dia mais gostava de falar com ele sobre mil assuntos, até mesmo em bobagens e nas minhas piadas sem graça.

 

Bom dia, Gerd.

Espero que o treino esteja bom. Tenho uma má noticia: a universidade entrou em greve por conta de assuntos políticos e envolvendo o salário dos professores. E sem tempo de retorno das aulas. O que dificulta para os alunos.

 

Voltei a comer em paz e ao mesmo tempo trocava olhares com Christopher Romanov, o irmão (gostoso) da Ana. Ele estava em outra mesa, com seus colegas de quarto, incluindo meu irmão e estava ali até James Stone, o irmão da Alice que nunca larga do meu pé. Neste momento o celular apita com a mensagem no Whats.

 

Estava ali uma foto dele, na verdade uma selfie no pós treino com dia de sol em Munique, dizendo na legenda que “queria estar em casa”.  Segundos depois, mais uma mensagem.

 

Você ainda me dever uma foto, Louise

 

Então, ele quer uma foto? Certo! Aproveitei a chance que Odile estava comendo também um pedaço de pizza de peperoni, resolvi me ajeitar um pouco e segurando o copo de suco, tirei uma selfie... com minha amiga e sua pizza e a seguinte legenda, seguida com um emoji de fome:

 

Uma viciada em suco de laranja, a francesa pela pizza de peperoni

 

-- Louise, o que está fazendo? – Odile pegou meu celular e acabou vendo a foto que enviei pro Gerd. – Ah, sua danada! Apaga essa foto, vai!

 

-- Desculpa, eu já enviei! – Disse, rindo demais.

 

Gerd me respondeu com cinco emojis rindo da foto. Tenho certeza que ele mostrou pro Franz.  Quando Odile voltou a comer a pizza, outra vez (pra sacanear) tirei outra foto dela, com metade do pedaço na boca e na legenda escrevi “Gordices”.

Depois disso tirei das outras meninas. Ana conversando com Marie, Odile tomando soda, Nora e Fefe rindo. Minha prima percebeu isso e ficou olhando pra câmera, com cara de brava e querendo dizer “Ué?!”.

 

-- O que está fazendo? – Perguntou ela. – Abandonará a carreira de atriz e virar fotógrafa como eu?

 

-- Eu jamais quis tirar seu reinado! – Ria da cara dela e imediatamente enviei pro Gerd.

 

Terminamos de comer e acabamos indo pra casa. Ana, Fefe e Nora optaram em ficar no alojamento e eu acabei indo pra casa das Greyhounds. No caminho, Odile recebe uma mensagem do Franz com os dizeres e um emoji piscando.

 

Você é linda até comendo pizza, Odile.

 

-- Você me paga, Lulu! – Disse minha amiga, rindo e tentando se embravecer.

 

Quando chegamos a casa delas, a mãe dela, Serena, escrevia sem parar no desktop.

 

-- Bom dia, meninas! – Ela cumprimentou todas nós, antes de subir pro quarto. – Hoje não teve aula?

 

-- A Universidade está fechada por conta da greve dos professores. – Explicou Marie.

 

-- Não se importa se Louise ficar até a tarde, não é mãe? – Odile pedia autorização da mãe se eu posso ficar.

 

-- Ora, Odile. Claro que não me importo. E você, Louise, é bem vinda sempre na minha casa.

 

Fiquei no quarto da minha amiga, mexendo no celular e Odile verificava novidades no fb. Marie conversava com a mãe e depois ligava pro namorado dela, Graham Bond, o cara mais potterhead da Universidade e ele cursa História junto com a Rosie, filha da sra. Donovan.

 

Minutos depois Bond aparece e o pai dela, Jacques, acaba fazendo com que o casal fique na sala. Bem típico. Meu pai costumava fazer isso comigo e com meus namorados anteriores. Mas sempre dava um jeito de sair dali. E foi o que eles fizeram. Ficaram na sala por um tempo e depois foram pro quarto da Marie. Quando sai pra ir ao banheiro, cruzei por ali e abri a porta, vendo uma cena no qual não esqueço. Bond estava masturbando a Marie. Fechei a porta sem que eles soubessem e voltei pro quarto da Odile, que ligava o Skype.

 

Voltei pro quarto de Odile, com o rosto vermelho e me joguei na cama dela, enfurnando a cara no travesseiro.

 

-- O que houve?

 

-- Acabei de ver algo que não deveria ter visto.

 

-- O que seria?

 

-- Eu vi... Marie e Bond.... no quarto... – Minha vergonha era tanta que às vezes gaguejava. – Ele tocava a Marie... naquele lugar, sabe?

 

Gesticulei de um modo que ela entendeu e ainda riu disso.

 

-- Ah sim... – Ela disse, rindo. – Amiga, já somos grandes. Pode falar a palavra.

 

-- É que... eu... estou com vergonha...

 

Trocamos um olhar meio diferente e Odile segurou meu rosto e falou.

 

-- Louise... alguma vez você beijou... uma garota?

 

-- Nunca. – Respondi, assustada.

 

--Também não...Mas Marie me contou como foi beijar Irene e disse que foi um dos melhores beijos que ela teve... – Ela sorria e perguntou. – Quer tentar?

 

Aceitei por curiosidade. E para minha surpresa, foi maravilhoso. Os lábios de Odile são finos e gostosos. E o jeito dela de beijar é  tão... Excitante. Paramos o beijo e olhei para ela.

 

-- Eu adorei! Seria pedir demais... Outro beijo? – Olhando pra ela bem sapeca.

 

E voltamos a nos beijar bem animadas. Sem querer apertei o seio dela e ela apalpou meu bumbum.

 

-- Odile!

 

-- Nossa, Louise! Você é maravilhosa! – Exclamou Odile.

 

Minutos depois a janela minimizada do Skype pisca, indicando que tem alguém querendo falar com Odile. Ela se ajeitou e correu para o computador. Fiquei perto dela.

 

-- Adivinha amiga? Vamos conversar com eles. – Dizia minha amiga.     

 

-- Eles quem? – Não sabia quem ela estava se referindo.

 

-- Ora quem?! Nossos amados jogadores. Neste momento Franz está conectado!

 

-- Odile! – Fiquei brava e sem saber a janela do Skype se abriu com Franz e Gerd nos assistindo e ouvindo nossa conversa. – Eu não estou pronta pra conversar ao vivo com ele. Eu não quero!

 

Já me preparava pra dizer mais quando percebi dois olhares para nós e vi ali na janela maximizada. Eles. Neste momento fui tomada por uma sensação de mundo desabando e o rosto outra vez ficar quente e vermelho. Fugi dali e sem me importar, entrei no quarto de Marie. Mais cenas... ousadas. Ela praticava sexo oral no Bond e quando entrei ali, o gordinho potterhead gritou e Marie mordeu ali no “grande Bond”.

 

-- AI! – Ele gritou e ainda levantando as calças e massageando aquela parte. – Ai mon petit, não é pra morder!

 

-- Desculpa, mon amour... – E depois ela me olhou com fúria. – E você o que faz aqui? Vai pro quarto da Odile!

 

Odile por sua vez batia na porta, berrando.

 

-- Louise! Está me envergonhando na frente do Franz! Saia daí!

 

Ouvi também as vozes dos pais dela, falando em francês.

 

Bond coitado, estava com cara de choro e dor e Marie puxava meu braço, me arrastou e abriu a porta, me expulsando.

 

-- Caia fora do meu quarto!

 

Odile conversava com a mãe no quarto e ela olhava pro computador. Acho que rolou ali as apresentações. Mesmo de forma estranha, a sra. Greyhound sorria e depois me olhando, disse.

 

-- Não precisa ter medo deles, Louise. Pode conversar. – Ela sorria.

 

-- Mas Sra. Greyhound, eu sou tímida e eu paguei mico na frente de um deles! – Disse, nervosa.

 

-- Ora, se está mesmo a fim de um deles, tem que falar com eles. – Finalizou piscando pra mim e depois se despediu deles. – Até algum dia, Franz e Gerd. Espero vocês um dia na Inglaterra!

 

Assim que a mãe dela se retirou do quarto, Odile me puxou para perto dela.

 

-- O que sua mãe disse a eles? – Indaguei. – Ela falou com o Gerd?

 

-- Err.... Louise. – Ela tentou chamar minha atenção e apontou pro computador. – Ele está bem atrás de você!

 

Levei um susto e ele estava rindo.

 

-- Hallo, Louise! Menina viciado em suco de laranja.

 

-- Olá você! – Acabei me sentando e com o sorriso. – Olha, me desculpe pela minha... atitude. Eu sou tímida.

 

-- Estar tudo bem. O que houve com você? – Se referindo ao meu cabelo e minha roupa amassada.

 

-- Ah, eu estava dormindo. Odile me acordou.

 

O papo não durou muito até eu ver uma agitação na web. Ao que parece Manuel Neuer, o goleiro reserva, surgiu ali e não entendi bem o restante da conversa... até de repente o sinal ser cortado.

 

-- Acho que desligou, Odile. – Falei.

 

-- Ihh... eles podem ter perdido o sinal de internet lá. – Ela manteve o Skype ligado e eu voltei pra cama.

 

No final as irmãs convidaram a mim e Bond para passar a noite na casa delas e eu aceitei. Telefonei pra minha mãe avisando sobre isso e ela deixou. Jantamos todos juntos e quando voltei pro quarto de Odile, pude ouvir Marie gritando com Bond.

 

-- EU NÃO QUERO ASSISTIR HARRY POTTER! EU QUERO VER CLUBE DA LUTA!

 

Minha amiga ficou no Skype, desta vez conversando com Franz e então sai dali e bati na porta de Marie (sim, Marie sabe de toda história que ocorreu).

 

-- O que houve, Lulu?

 

-- Odile vai conversar com Franz e eu posso ficar aqui com vocês vendo filme?

 

-- Tudo bem! – Ela concordou.

 

A cama de Marie era um pouco maior que a da Odile e então permitiu os três ficarem ali. Volta e meia digitava no celular, seja pra caçar imagens do Ikki de Fênix no Tumblr ou conversar com o pessoal no grupo do Whats voltado para animes e mangás. Gerd ainda me mandava mensagens e num dado momento, Bond pegou meu celular.

 

-- Bond, me devolva! – Tentei pegar de volta. Contudo, Bond era enorme e ainda me impediu colocando a mão na minha cara.

 

Ele viu as fotos do Gerd, para minha vergonha.

 

-- Hum... então esse é o alemão que você está de crush? Venha ver Mon Petit!

 

-- Deixe me ver... – Marie também viu as fotos. – Minha nossa! Ele é um gigante!

 

-- Me devolvam meu celular!

 

-- Olha só! – Me mostrando na tela. – Veio mais uma mensagem Mon petit!

 

-- Me dá aqui que vou mandar uma! – Marie fugia de mim e digitava.

 

Gerd, te acho um gato e quero ser sua gata, sim?

 

Aquilo só pode ser vingança por atrapalhar o momento íntimo deles.

 

-- Olha, ursão! Ele a chamou de ursinha!

 

Marie e Bond me mostraram o texto.

 

Você ser minha ursinha e eu ser seu ursinho.

 

Retirei o celular deles depois das palhaçadas que me fizeram e ainda tive de ouvir risos e piadas deles. Pedi desculpas para Gerd.

 

Gerd, me desculpe pelas mensagens. Não era eu que escrevi aquilo...

Era a Marie, a irmã da Odile que escreveu. Por favor, me perdoe...

 

Para minha surpresa, ele não respondeu. De duas coisas, uma seria a possibilidade. Ou ele ficou sem sinal de internet ou... simplesmente não gostou das mensagens. Fiquei brava com Marie.

 

-- Olha Marie eu realmente peço desculpas por atrapalhar você e o Bond, mas agora acabei de perder contato com ele. – Em seguida sai do quarto dela e fui para o da Odile.

 

Ela havia terminado de conversar com Franz e a cama inflável já estava pronta. Pedi para Odile um pijama e recebi uma resposta.

 

-- Pra que pijama se pode dormir... sem roupa?

 

Praticamente minha amiga tirou minha roupa e me puxou pra cama. O resto... Podem imaginar.

 

No outro dia acordei sem Odile. Me levantei e fui ao banheiro só de lençol e tomei um banho. Me vesti rápido e aproveitei para acessar a internet. De zoeira acabei abrindo o site do The Sun, o tablóide de fofocas e me deparo com a seguinte noticia.

 

GERD MÜLLER E TAYLOR SWIFT FORAM VISTOS AOS BEIJOS NA FESTA.

AFFAIR DOS DOIS É CONFIRMADO.

 

Então estava aí. O motivo de não ter respondido minha mensagem. Não sabia bem se estava com raiva disso ou ficava chorando. No entanto havia outra noticia.

 

FRANZ BECKENBAUER E MARION COTILLARD FORAM VISTOS DE MÃOS DADAS.

 

Será que depois disso, Odile vai continuar amando o alemão? Já eu... queria metralhar Gerd por isso! Como sabia que Alice tem uma crush por ele, liguei pra ela.

 

-- Acabei de ver no site... que decepção! – Lamentou Alice no outro lado da linha.

 

-- Decepção total! – Respondi, de raiva. – Melhor dedicar meu amor ao Ikki e o Channing Tatum, pelo menos eles não me decepcionam.

 

Ao fim da conversa, fui tomar café com a família. Marie me pediu desculpas e acabei aceitando, não dando muita importância. Pela parte da tarde As Greyhounds e eu fomos para a casa de Alice estudar junto com o pessoal. Marie se juntou a Ana, Nora e Fefe e eu e Odile lamentando sobre nosso azar. Jim Stone também chamou seus amigos. Christopher, Mickey, Giles Mackenzie e George Smith.  Dos amigos de Alice, estavam meu melhor amigo, Davy, Micky, Peter e Mike e as garotas Dianna e... Emma. Não conseguia olhar pra cara dela sem lembrar-se da “cantora maravilha”

 

Peguei meu mp4 e apaguei todas as músicas dela. Nota mental: apagar também no notebook, tablet e desk. Odile lamentava por saber que Franz e Marion estão mesmo juntos. E eu não tive vontade de fazer mais nada. Alice percebeu isso e pegou meu braço e me levou para perto do seu grupo de estudos.

 

-- Não fica assim, Lulu. – Ela passava a mão nos meus cabelos numa caricia tão gostosa. – É uma pena que o McDreamy alemão está com ela.

 

-- McDreamy alemão? – Não havia entendido isso.

 

-- Desculpe. – Ela ria enquanto bebia um copo de refrigerante. – Lembra do seriado Grey’s Anatomy?

 

-- Ah sim. – Lembrei do lindo e paquerado Patrick Dempsey, no papel do médico Derek. Pra falar a verdade, assisti bem pouco disso porque não curto tanto assim. Contudo, assisto junto com Odile e as meninas. Fefe deixou claro não gostar.

 

Neste momento Emma apareceu e ficou conversando com Alice. Me mantive afastada da loira e com cara de brava.

 

-- Lulu, eu assisti aquele anime que me indicou, Sailor Moon. É tão fofo e adorável! Também compartilho o gosto pelo Tuxedo Mask.  – Emma sorria e estava bastante feliz.

 

-- Legal! – Falei rispidamente e me retirei, me contendo para não falar um palavrão e não a chamar de Star Collector (conforme a música que Davy escreveu um dia para Meg em homenagem de a vadia ter roubado o Jeff Beck de mim) ou de Taylor Swift.

 

Davy e eu fomos ao mercado comprar algum lanche para a turma e ele me comentou algo, enquanto dava risada.

 

-- Hoje Micky me comentou sobre o que The Sun publicou. A crush dele, a cantora Taylor Swift está saindo com aquele jogador alemão que a Alice é bem fã. Sinceramente o que elas vêem naquele cara?

 

Meus olhos se encheram de lágrimas e tentei disfarçar o choro. Algo que não adiantou.

 

-- Por que está chorando, amiga?

 

-- Nada. – Menti. – Eu não estou bem.

 

Davy me consolou e compramos pizza, mais refrigerante e sorvete. E eu peguei mais chocolate. Quando voltamos para casa da Alice, todo mundo comemorou e no fim da tarde fizemos aquele banquete legal. Emma outra vez se aproxima de mim, acho que me viu chorando.

 

-- Louise, está tudo bem?

 

-- Não. – Respondi quase grosseira. – É coisa minha, Emma. Me deixa!

 

Outra vez me afasto dela.  Como desejava que tudo isso acabasse. Fiquei um pouco sozinha no jardim quando Jim, o irmão da Alice me abordou.

 

-- Odeio te ver triste, pequena deusa. – Ele me chama de “pequena deusa” por conta do livro “Mitologia Grega :Nova versão”, onde Atena é retratada como uma moça loura e baixinha e também se envolve com mortais e deuses.

 

-- Me deixa em paz, Jimmy. Não estou para conversa.

 

-- Alice me contou que você está de mal com a Emma... Eu sei que não é da minha conta, mas, o que ela fez para você?

 

Acabei por contar a verdade, antes que todos me encham de perguntas.

 

-- Não consigo olhar pra Emma sem lembrar daquela... daquela.... cantora! – Amassei a lata de refrigerante e joguei no cesto do lixo.

 

-- Ah não me diga que você gosta também daquele chucrute de pernas enormes? – Indignou-se Jim. – Porra, primeiro é a Alice, agora você?!

 

-- Agora que já sabe, por favor, me deixe em paz!

 

Jim me agarrou e me prensou na parede.

 

-- Vou provar... – Ele aproximava seu rosto junto ao meu. – Que sou bem melhor que aquele cara.

 

O próximo passo foi um beijo daqueles bem quentes. Não pensei que Jim beijasse dessa maneira. Quando paramos, ele me levou para o quarto dele.

 

Foi aquela troca de carinho tão intensa que me deixou com o cabelo bagunçado e a roupa amassada. Paramos um pouco.

 

-- Eu já volto, pequena deusa. – Ele se ajeitava e correu para o banheiro.

 

Ajeitei meu cabelo e sai do quarto. O pessoal já havia ido embora, apenas ficou Mickey e Odile se pegando na sala e Alice e Nez no quarto. Ela saia dali com o cabelo bagunçado e umas marcas no pescoço.

 

-- É o meu irmão. – Ela comentou, sabendo que Jim se trancou no banheiro. – Sei o que aconteceu e não digo nada.

 

-- Ok, obrigada. – Agradeci um tanto sem jeito. Depois Alice me levou para o seu quarto, no qual fiquei muito... chocada. São pôsteres do Gerd por todos os lados e ainda ela tem um fichário bem personalizado, ao passo que só tenho um caderno.

 

Enquanto Alice tinha ido à cozinha beber água, aproveitei e peguei dois pôsteres menores que ficavam meio escondidos no roupeiro e escondi na bolsinha.

 

-- Louise, posso te pedir uma coisa? – Trazendo um copo de água e me oferecendo,

 

-- Claro.

 

-- Você... pode me desenhar?

 

Aquele pedido me pegou de surpresa. Alice encomendando um desenho para mim. Já imagino que é para o Mike.

 

-- Errr... bem... – Tentei disfarçar, ainda estava naquelas que não me recuperei em perder Nez para ela e ainda com ele me dizer que me vê como amiga.

 

-- Eu prometo pagar!

 

-- Tudo bem, eu aceito. – Acabei cedendo, mas não por dinheiro. – E não precisa me pagar.

 

-- Eu passo na sua casa amanhã?

 

-- Esteja lá às 14h.

 

Mickey acabou levando Odile para a casa dela e depois seguimos para a nossa. O jantar foi razoável. Ao que parece papai vai fazer hora extra no restaurante, devido umas faltas cometidas por motivo de doença. Na verdade, ele havia faltado o trabalho para seguir as recomendações do seu analista, que alegava que meu pai esteja estressado. Alias, papai trabalha como chef de cozinha no London Grill, o restaurante mais chique e caro da cidade. É estranho, mas, antes de ser chef, ele era ator e atuava no teatro e novelas.  Foi dele que quis seguir a carreira artística. Minha mãe era artista plástica, tem uma galeria e nas horas vagas ela faz artesanato e bonecos em biscuit para vender.

 

No quarto, me joguei na cama, pensando no que me aconteceu com Jim Stone.  Melhor tirar meu time de campo, pois Jim é o tipo de cara que leva uma garota para a cama numa noite e na outra ele pega outra e esquece a anterior. Ao menos as pegas nele foram bons. Meus pensamentos foram interrompidos com a mensagem no What’s App. Advinha quem? Se respondeu Gerd Müller, acertou.

 

 

Hallo, Louise.

Desculpe por não responder seus mensagens. Tinha saído para um festa.

 

Desgraçado, pensei. Amaldiçoei o dia que conheci esse jogador, a ponto de sonhar com ele, pagar mico no hospital ao dizer que o ama em alemão e ainda papear via Whats. Não respondi. No jantar mandei mensagem para Odile sobre isso e ela respondendo que está ainda triste por saber que seu amado Franz está com Marion.

Gerd outra vez enviou textos para mim.

 

Acho que você estar estudando ou vendo suas desenhos. Então... boa noite. Pode falar comigo a noite.

 

Ele que sonhe que vou responder algo.

 

No outro dia (sem aula) verifiquei as mensagens e o conteúdo era... Desesperador.

 

1)      Louise você estar bem?

2)      Estou preocupado.

3)     Você deve estar sem sinal não é?

4)     Por favor estou preocupado.

5)     Aconteceu algo e não quer falar pra eu?

 

 

Cinco mensagens simples porém mostrando que ele está preocupado, já que converso com ele á todo momento. Desta vez o resultado é diferente. E agradeça a Srta. Taylor Swift, a miss fofa do universo, a cantora country que quebra corações mais que a última namorada de Mick Jagger.

 

Pra encerrar, dei uma mensagem... no mínimo demonstrando minha insatisfação.

 

Olá, Gerd. Estava cansada e não respondi suas mensagens. Hoje vou estudar e me divertir.

PS: Não fale mais comigo quando sua namorada cantora country te dispensar!

 

 

Agora sim, acabou. Apaguei o número dele e... game over!

 

Alice apareceu em casa conforme o combinado e fiquei desenhando ela. Num dos momentos artísticos ela ficou nua (sim, um dos desenhos seria dela sem roupa e pro Mike). Notei um brilho no seu olhar azulado e um sorriso.

 

-- Sei que não devia, mas, alguma vez... já beijou uma garota? – Ela questionou. – Prometo não contar para ninguém.

 

-- Sim. – Confirmei. – Beijei a Odile e... Dormimos juntas. Foi só uma vez.

 

-- E foi bom?

 

-- Sim. E você já... fez....

 

-- Claro. Com a Belle e a Irene.

 

Belle Blue e Irene Adler são amigas de Alice e vivem num dos alojamentos da universidade. Quando mudei para outra página do caderno de desenho, Alice se deitou de lado e disse.

 

-- Pinte-me, como você pinta suas francesas.

 

Já tinha ouvido falar disso e olhei para os DVDs de filmes que tenho, eu me lembrei do Titanic. Sorri para ela e segui desenhando. E ela falando... do McDreamy alemão.

 

-- Acha que vão dar certo?

 

-- Quer que eu seja sincera? – Indaguei, temendo algo pior.

 

-- Sim.

 

-- Odeio a Taylor! E passo a odiar mais depois disso. Aposto que ela vai trocar ele por um cara tipo... Robert Pattinson.

 

-- Robert Pattinson já era! – Alice ria só de pensar nisso. – Nunca mais ele namorou depois da Kristen Stewart. Penso que a Taylor fique com alguém... do One Direction.

 

-- Aí quer acabar com ele, Alice! – Acabei rindo da possibilidade.

 

Ao terminar o desenho, Alice se vestiu e eu recebi uma ligação de Odile, me convidando para viajar com a família para França.

 

-- Quando você vai?

 

-- Daqui a três dias.

 

-- Antes de ir, você vai me visitar? Por favor...

 

Não neguei isso e voltei para casa, contudo, deixei os desenhos para Alice. Conversei com meus pais sobre a viagem.

 

-- Se estivesse na Universidade de Cardiff isso não estava acontecendo. – Reclamou meu pai, devido o tempo de greve da universidade.  – Porém, não posso priva-lá de se divertir e confio nos Greyhounds. Eu permito.

 

No quarto, mandei uma mensagem para Odile.

 

#PartiuFrança

 

Mal posso esperar.

 





sábado, 25 de dezembro de 2021

Brit Characters: Izabell Crawford

 Boa noite pessoal! Vamos conhecer mais uma personagem entrando no time?



Nome Real: Izabell Kumar Crawford

Idade: 23 

Data de nascimento: 8 de março de 1944

Cidade natal: Cornualha

Cidade atual: Londres

Profissão: Cirurgiã e atriz

Características: Izabell é filha de Paul Crawford, um policial londrino e de Edwina Kumar, uma imigrante indiana. Ela quis se tornar médica, tornando-se a melhor cirurgiã. Namorou Moses Smith, na época que ele sofria por Marianne Jones e mais tarde viraram amigos. Ela é inteligente e dona de um espírito revolucionário.

Hobby: cozinhar, cuidar das plantas

Relacionamentos: Moses Smith (1968), Hans-Georg Schwarzenbeck (1971 a 1973), Kenny Dalglish (1975), Alain Delon (1977 a 1979), Terry Gilliam (1980 em diante)

Medo: ratos

Do que mais gosta: Praticar antropologia, cirurgias complexas e atuação.

Do que menos gosta: indiferença e injustiça



domingo, 10 de outubro de 2021

Drabbles Grindhouse Part One (Décimo sétimo capítulo)

 E vamos de novo!



17 – mo nighean donn

 1975

 Inverness era misteriosa pra Marianne em sua primeira visita. Com o tempo, se tornou o lugar no qual recuperará seu amor. Até hoje se pergunta por que o negou. Um homem decente, raro no mundo e que a aceitava do mesmo jeito. Trocou o belo médico anglo americano por um jogador de futebol. Por mais que Bobby Moore a amasse, a revelação do seu caso com ele e os fãs do mesmo e mais a ex-mulher, prejudicaram demais a relação, resultando em constantes brigas e desentendimentos.

 Naquele dia em 1967, quando consultou no Hospital Central, ela sufocou os sentimentos, acreditando ser uma atitude adolescente ter uma quedinha por seu médico. E mais tarde se transformou num amor incondicional. E agora ela tem mais uma chance de mostrar esse sentimento e não o perder mais.

 Ele a viu chegando na fazenda. O sol a iluminava. A única coisa estranha era que Marianne tirava suas roupas à medida que caminhava até se entregar nos braços do seu estrangeiro. Se perdoaram.

 -- Mo nighean doon!

Ela adorava que dissesse gaélico.

 -- Meu cabelo não é mais moreno. – Respondeu divertidamente.

 -- Eu sei. Mas ainda é a minha garota de cabelos castanhos.





Drabbles Grindhouse Part One (Décimo sexto capítulo)

 


16 – Estrangeiro – Parte 2

 

Décima semana de trabalho no Hospital Central de Londres. Desde o primeiro dia, Moses não parou pra se distrair. Seu plantão era quase interminável e por vezes emendava no dia seguinte. E mesmo assim.... ele gostava. O trabalho em salvar vidas o deixava extasiado e com o coração aquecido. Embora sofresse perdas dos pacientes que não conseguia salvar, ele não parava ou desistia. Em meio aquele caos com amanhecer de um dia bom, existe um caminho. Um ser.

 E foi neste dia que ela surgiu em sua vida. Grávida, abandonada pelo namorado, que é baterista de uma banda de rock. A família a renegara, sua melhor amiga não confia mais nela. E assume seus erros.

 -- Bom dia, Srta. Jones. – Ele a cumprimentava. – Sou Moses Smith, seu médico.

 Agora o que se passava na mente de Marianne ao conhecer aquele belo médico sassenach?


Drabbles Grindhouse Part One (Décimo quinto capítulo)

 E vamos pro segundo do dia.




15 – Estrangeiro – Parte 1

 

Numa vitrine de uma loja de móveis de Londres um jovem parou sua caminhada e observou um vaso azul e se perdeu em seus pensamentos. Um deles era sua situação atual. Sua decisão de vir a capital inglesa se deve em esquecer uma tola e inconsequente paixão por uma médica que o rejeitou veemente por alegar amar o falecido marido. O namoro com a jovem ruiva, que é filha desta mulher, serviu unicamente para se aproximar da paixonite. E não deu certo. E acabou terminando o relacionamento com a jovem, com a desculpa de namoros a distância nem sempre dão certo.

 Moses foi detonado numa desilusão forte e em dobro. A ruiva o odiou e o perdoou. A tal médica... não se soube mais, exceto após a saída súbita de Moses, ela se demitiu sem motivo aparente. E agora ele começa sua nova vida em uma terra que toda pessoa de fora é chamada de estrangeiro em gaélico e no inglês forte. Um estrangeiro em sua própria terra.

Drabbles Grindhouse Part One (Décimo quarto capítulo)

 Olá! Hoje vamos de drabbles. De novo tinha escrito e não postei por esquecimento. Mas agora tem mais do que três. Vamos lá!



14 – Pingos de chuva

 

Já faz uma semana ou mais que ele não ligava. Angie estava preocupada. Não namoravam oficialmente. Apenas eram encontros clandestinos em sua cabana na Escócia. Talvez os jogos de futebol o sugassem. Ou a ex-namorada que está com um jogador da Juventus. Entre conflitos de orgulho e diferença de idade, sabiam o quanto se amam. Angie soube desde o primeiro momento após 11 anos que amava Bran e era correspondida.
 
Aqueles pingos de chuva ao som de B.J. Thomas só serviam para sentir saudades dele ou ter pensamentos altamente aleatórios e planejamentos. Um deles é o do casamento. Não estava longe.
 
Ouve-se uma batida na porta e correu para abri-la. E flores. E Ele.
 
-- Desculpa a demora. O trem foi lerdo.
 
Não importava as desculpas. Seu amor está diante de si. E pingos de chuva continuam.


quinta-feira, 30 de setembro de 2021

I'm a Believer (Songfic - What If Grindhouse)

 Boa noite a todos!

Estou voltando aos poucos minha escrita e pretendo escrever outras coisas pra fugir da minha zona de conforto. Enquanto isso vou postar minha songfic no intuito de voltar com projeto What If Casais Improváveis que comecei em 2014/2015 e hoje vamos conhecer um casal bem, mas beeeeemm inusitado. E na vibe da série What If da Marvel, vamos começar com a seguinte frase:


O que aconteceria se...



I’m A Believer__ Maya Amamiya

 

 

Parece brincadeira que as improbabilidades acontecem nas ocasiões mais inusitadas. Como se naquele instante, uma escolha resultasse em milhares questões. E para os descrentes nada era por acaso. Nem destino. Micky Dolenz tinha opções para dar e distribuir se quisesse. O problema era se alguém o quisesse.

 

A fama o ajudaria com o sucesso da série The Monkees. Entretanto, na televisão era uma coisa. Fora dos holofotes era outra. Isso até acontecer aquele acidente com os copos de bebida em meio a festa de aniversário de Fanny Fitzwilliam.

 

Nota: Não é a Fanny!

 

 

I thought love was only true in fairy tales
Meant for someone else but not for me
Oh, love was out to get me
That's the way it seems
Disappointment haunted all my dreams

 

(Eu achava que o amor só era real em contos de fadas
Feito para outras pessoas, mas não para mim
Ah, o amor estava querendo me pegar
É o que parece
Decepções assombravam os meus sonhos)

 

 

Louise se sentia deslocada. Se soubesse que poderia levar alguém, com certeza convidaria Odile ou Anastacia pra acompanhar. Sentou no sofá meio distante dos Byrds e bebia sua cuba libre.

 

-- Você deve ser a Louise. – A garota de cabelo preto e gentil se apresentou para a jovem. – Sou Fanny.

 

-- Louise. Sou a prima da Felicity. – Lulu estava quase travada e envergonhada ao conhecer a amiga de Fefe. – Ela não pode vir porque estava ocupada.

 

-- “Ocupada”. Sei. – Fanny piscou divertidamente. – Espero que goste. Minhas irmãs fizeram esta festa surpresa de aniversário.

 

-- E está demais!

 

Quando Lulu ia se virar para caminhar, esbarrou de modo desajeitado num rapaz alto, caindo por cima dele.

 

E ele... só viu aqueles olhos...

Then I saw her face
Now I'm a believer
Not a trace
Of doubt in my mind
I'm in love
I'm a believer
I couldn't leave her if I tried

(Então eu vi seu rosto
E agora eu acredito
Não há sombra de
Dúvida em mim
Estou apaixonado
Eu acredito
Eu não poderia deixá-la mesmo se tentasse)

 

 

Micky até esqueceu que se encontrava numa maré de azar quando um simples tropeço pode ocasionar naquele momento constrangedor e animador. Ele ajudou a mocinha baixa e loira. Por uns instantes jurou ter visto uma versão loira de Davy Jones ou de Marilyn Monroe usando minissaia e sandálias.

 

Fanny também socorreu Louise e Micky. Os dois lançaram um olhar de fúria para os Kinks, que riam da cena.

 

-- Você está bem, mocinha?

 

Lulu arregalou os olhos.

 

-- Mocinha? – Ela mudou a expressão. – Só pra saber, tenho 18 anos.

 

-- Ah... – Micky se constrangeu e tentou fazer alguma graça pra arrancar um riso. Então fez uma imitação de um humorista famoso e com as mãos fez os gestos. – Ei! Eu vou pegar você! Seu rato sujo, eu vou pegar você.

 

Novamente a expressão de Louise muda e não é de humor. Apenas levantou a sobrancelha.

 

-- Era pra ser James Cagney? – Questionou a loira.

 

-- Por que? Consegui te impressionar? – Perguntou Micky, sorrindo.

 

-- Não.

 

Não foi desta vez. Mas Micky não desistiu. E pela primeira vez sabia que tinha que tentar de novo.

 

 

I thought love was more or less a given thing
Seems the more I gave the less I got
Oh, what's the use in trying
All you get is pain
When I needed sunshine I got rain

(Eu achava que o amor era uma coisa dada
E parecia que quanto mais eu dava, menos recebia
Ah, para quê tentar?

Tudo o que você recebe é dor
Quando eu precisei da luz do sol, só tive chuva)

 

Dias após a festa de aniversário de Fanny, os Monkees gravaram um episódio na praia no qual Micky tentava impressionar seu broto quando um brutamontes aparece e impressiona a garota. Contra a vontade, Louise acompanhou Fanny e mais 4 amigas dela para assistir o episódio. Eis que Davy a convida para atuar.

 

-- Não! – Louise era arrastada para o palco. – Davy, não estou apresentável e também não fiz testes.

 

-- Bob deixou. Eu mostrei suas fitas do teatro e ele adorou. E também precisamos de mais uma “monkette.”

 

-- Monkette? – Louise não sabia se seu amigo brincava ou falava sério.

 

-- Faremos uma cena musical e você será uma das dançarinas junto com a Dianna e a Erin.

 

A mente humana é cheia de mistérios. Se num momento você tem uma ideia e não concorda e nega, no outro você muda o curso da situação. Desse jeito que Louise aceitou de bom grado ser uma das dançarinas. Para ficar perto de Micky.

 

 

Then I saw her face
Now I'm a believer
Not a trace
Of doubt in my mind
I'm in love
I'm a believer
I couldn't leave her if I tried

(Então eu vi seu rosto
E agora eu acredito
Não há sombra de
Dúvida em mim
Estou apaixonado
Eu acredito
Eu não poderia deixá-la mesmo se tentasse)

Louise era outra que fracassava no amor. Quando não era términos de namoro, era treta entre os pretendentes. Começou namorando Jeff Beck, guitarrista anterior dos Yardbirds e após 1 ano e meio, terminou com ele e deu uma chance para Chris Dreja, também guitarrista da mesma banda. Não durou nem três meses de saideira e tudo terminou com instrumentos sendo quebrados e jogados entre os músicos.

Tentou namorar Ringo Starr, baterista dos Beatles e de novo ficou a ver navios. Ele ainda amava Maureen. Novamente se afogou em potes de sorvete e músicas sobre fossa. E só parou quando Felicity pediu que a prima a representasse na festa de aniversário de Fanny. Para Louise, Micky Dolenz era irritante. No entanto a imitação fajuta de James Cagney chamou sua atenção. Embora dizendo que não gostou, ela no fundo curtiu e passou a semana toda pensando no amigo doido de Davy.

 

Oh, love was out to get me
That's the way it seems
Disappointment haunted all my dreams

(Ah, o amor estava querendo me pegar
É o que parece
Decepções assombravam os meus sonhos)

 

“Ela é mimada”, avisaram Davy e Odile, as únicas pessoas mais próximas de Louise, deixando Micky em dúvidas.

 

“Boa sorte em aguentar as maluquices do Micky”, disseram Mike e Peter.

 

Mas como diria, os opostos se atraem, as diferenças foram superadas quando na gravação da cena musical, Micky cantou com vontade I’m A Believer, música esta que Micky escreveu pensando na amiga de Davy.

 

Num espaço de poucos meses, os dois se assumiram. Não foi fácil. Micky driblava o consumismo exagerado de Louise. E a aspirante a atriz muitas vezes tinha que controlar a vontade de pular no pescoço do monkee. Fora isso os dois aprenderam com seus defeitos, se corrigindo, sem perder o costume de se agarrar como dois loucos no amor.

 

-- Louise? – Micky olhava para Louise. Os dois acabaram de fazer amor. – Eu sei que fui meio louco e atropelando as coisas.

 

Lulu estava nervosa. Não sabia se contava para Micky um detalhe que ela se deu conta durante um mês e a deixou ansiosa.

-- E quero saber se...

 

-- Micky... Eu...

 

-- Quer casar comigo?

 

Lulu saltou da cama. Outra vez pensou ser brincadeira dele.

 

-- Casar?

 

-- Sim. A gente dá certo. E estamos indo tão bem. Já pensei em tudo.

 

Louise sorriu. Era raro ver Dolenz numa atitude romântica. E seus olhos exibiam um brilho especial. Beijou Micky igual da primeira vez quando Peter e Erin deram uma festa de comemoração de noivado.

 

-- Micky... Eu quero me casar. Mas, acho que temos que ir devagar. E também...

 

-- Vamos continuar namorando e agora morando juntos. Eu e você.

 

-- Na verdade... – Ela riu. – É eu, você e o bebê.

 

-- Bebê?

 

Colocou a mão dele no ventre dela, fazendo o namorado entender. Ele acreditou no amor e não era como conto de fadas pra ele e nem pra ninguém. Apenas um mero esbarrão numa festa de aniversário resultou numa escolha para vida toda com a pessoa que mais ama. Mesmo que ela seja a melhor amiga de seu amigo.

 

 

Yes, I saw her face
Now I'm a believer
No not a trace
Of doubt in my mind
Said I'm a believer

 

(Então eu vi seu rosto
E agora eu acredito
Não há sombra de
Dúvida em mim
Eu disse que acredito)

 

 

FIM