sexta-feira, 9 de julho de 2021

Pets Brit

 Boa noite!

Decidi começar um novo post. Me baseei num que a Maris Campos fez no Peripécias de uma Garota Qualquer, se quiser conhecer clica aqui. E de tanto que falo, vamos conhecer os bichinhos de estimação de alguns personagens. E agradecimentos a Maris Grey pela sugestão!



Felicity McGold ama cachorros e não é nenhum segredo. Seu marido, Pete Townshend, tem um cachorro peludinho chamado Townser. Ela tem um Collie Border de nome Snowball.



Nora Smith é diferente de sua melhor amiga. Sua paixão são os gatos e ela possui dois, um alaranjado chamado Godard. Depois ganhou de presente da sua sassenach, um sphynx no qual batizou de Truffaut.




Anastacia Rosely já tinha seu gato Robespierre, seu fiel companheiro e presente achado por Michael McGold. Mais tarde, ganhou um filhote chorãozinho de Collie Border do pai de Fefe. Se chama Seymour.



Louise McGold é um caso diferente. Ela é uma colecionadora de "bebês", como se refere seus cachorrinhos, todos chihuahuas e pinschers. Os nomes que são meramente engraçados. Smart, Fofucho, Fifi (esse em tutela da "primeira dama" Mary McGold) e Chorãozinho (adotado por Gerd Müller).





Meia Noite é gato companheiro de Odile Greyhound e foi presente do seu primeiro namorado, Roger Waters. É protetor perante sua dona e a amiga dela, Louise. Porém, é sacana em alguns momentos, por exemplo arranhar as pernas dos namorados da mamãezinha.




Sua irmã, Marie nunca teve um bichinho pra ser chamado de seu. Até que Louise deu um filhote de um dos bebês que deu cria e batizou de Juju.




Moses Smith não nega que é gateiro. Desde que se mudou para Londres, ganhou um gato preto e branco e colocou um nome bem exótico: Puruca. E numa tarde que voltava do mercadinho, um filhote de gato embarcou de gaiato nas sacolas de compras e só se deu conta em casa quando encontrou o pequeno intruso. Pãozinho é seu nome.




Jon McGold é outro que ama os animais e diferente da irmã e da prima, ele tem uma variedade. Ele teve uma filhote de bull terrier chamada Lucille Ball, da série I Love Lucy. Um gato chamado Sr. Bigodes que pertencia a Nora Smith, mas o felino foi adotado por dormir em sua pilha de roupas sujas no chão e um... galo. Sim, um galo gaulês ironicamente batizado de Ramsés. Doideira né?




Já mais velho, Jon novamente adotou mascotes. A primeira foi uma pug fofa chamada Cerveja Preta, adotada em 2012. A doguinha pertencia a seu filho mais velho, Martin e acabou por se adonar do animal. Infelizmente, Cerveja Preta faleceu em 2014. Uma perda devastadora para Jon, que se apegou a sua "filha". Um tempo depois Uli Hoeness lhe deu mais um pug, com o nome Russell e depois adotou outro de nome Harry Stiles.




Alice Stone recebeu um gatinho muito fofo, presente do seu então namorado, Michael Palin, do grupo humorístico Monty Python. Em homenagem ao personagem que interpretou no filme Em Busca do Cálice Sagrado, o gato se chama Sir Galahad.




Durante as gravações de Serpico, Rosie Donovan ganhou um presente lindo do ator Al Pacino. O filhote de sheepdog chamado Alfie.




E foi isso! Até mais!

terça-feira, 22 de junho de 2021

Drabbles Grindhouse Part One (Décimo terceiro capítulo)

 E vamos pra mais um!


13 – Você Não Andará Sozinho

 

21 de dezembro de 2019 – 20h30 – Estádio Internacional Khalifa, Doha

 

Era início da prorrogação. No camarote, Bran estava sentado, olhando o jogo com a ansiedade interna a ponto de roer as unhas e batucar frequentemente os dedos na cadeira. Ele se levantou e olhou mais com as mãos no corrimão. Seus sobrinhos e netos pequenos o encaravam preocupados. Em dias de jogo do Liverpool, o homem pirava quando perdia ou empatava e resultava em desmaios e ameaças de infarto. Ele desistiu de olhar e mirou para a mesa que continha algumas caixas de comprimidos.

 

-- Vou tomar mais um. – Disse indo para uma das cartelas e já mexendo no remédio.

 

Rupert impediu o pai.

 

-- Não! Você já tomou um faz duas horas.

 

-- Mas...

 

-- Pai, não! Vem assistir o jogo e toma água.

 

O problema era que Bran já esgotara mais de 3 garrafas de água mineral. De qualquer jeito, ele voltou para sua poltrona e justamente quando um jogador brasileiro dos Reds marcou seu decisivo e único gol. Os mais jovens comemoraram. Bran permanecera na mesma posição anterior. Uma coisa que ele aprendeu com pai era nunca comemorar antes do tempo. E foi desse jeito quando na juventude, jogando pelo Liverpool, venceu o Borrusia Mönchengladbach em 1977 no ardente duelo ocorrido no Estádio Olímpico de Roma.

 

-- Falta pouco pra terminar! – Anunciou Joey, segurando os copos de champanhe.

 

3... 2... 1!

 

Bran fechou os olhos e abriu para ter certeza que não era um sonho. Ele não andou sozinho em 77. E nem o time andou sozinho em 2019.




Drabbles Grindhouse Part One (Décimo segundo capítulo)

 Boa noite gente!

Voltando após algum tempo e desta vez, passei nas provas! E vamos postar drabbles. Já peço desculpas pois os capítulos a seguir, já estavam prontos há meses e postei no Social Spirit. E vamos lá!



12 – Sonhador

 

Ele só tinha 12 anos quando o pai o levou para o Anfield Road. Era um dia útil numa manhã nublada em Liverpool. Bran olhava a enorme sala dos troféus e se entristeceu. A parca quantidade mostrava que o time ainda era franco e não parecia ter aquela disposição de quando voltaram para elite do futebol inglês. Nos anos 60, os times que mandavam no país e pontuavam a tabela da primeira divisão era Manchester United, Everton e West Ham.

 

Com o advento da Copa do Mundo em 1966, aumentou a valorização dos outros times que não estavam entre os 3 melhores. E o Liverpool pouco recebeu essa atenção.

 

Enquanto segurava uma edição atualizada do Melody Maker, Bran fixava seu olhar para a estante vazia de troféus. Seu pai, Robert, também fazia o mesmo e disse:

 

-- Falta a “Orelhuda”, filho.

 

A Orelhuda. A enorme taça de alças grandes semelhantes a orelhas de abano. Pertencente a Taça dos Clubes Campeões Europeus, o símbolo de vitória continental.

 

-- Um dia vamos trazê-la pra cá! – Disse o pai, otimista.

 

Bran virou-se para o pai e respondeu:

 

-- E um dia vou trazer esta taça pro senhor.

 

Aquele sorriso tão esperançoso trouxe novamente a alegria pro velho. Não imaginando o que o futuro reserva...



sábado, 15 de maio de 2021

She Will Be Loved (Oneshot - What if)

Olá pessoal!
Nada melhor do que nova oneshot pra ler no dia do rock. Hoje vou postar a continuação de I Call Your Name, da Maris Campos no blog Peripécias De Uma Garota Qualquer, pra ler também clica aqui. A oneshot se chama She Will Be Loved (título inspirado na música do Maroon 5), é a versão masculina do conto A Pequena Sereia, desta vez focando o casal McGüller. Boa leitura e se liguem nas duas cenas pós-créditos!


She Will Be Loved__ Maya Amamiya


Muitos dias se passaram desde que Dianna se foi e Louise, a princesa do País de Gales, chorava de saudade da sereiazinha. Eu queria tanto te salvar e continuar te amando, Dianna, mas você partiu e para sempre, disse Louise em pensamentos e secando os olhos com o lenço. Passou a caminhar na praia, segurando as sapatilhas e sentindo a fofa areia. Amava olhar para o mar e num dado momento, avistou um vulto estranho emergindo nas águas e depois mergulhando. Entretanto, a tal visão revelou que a criatura, parecendo humana, possui... uma cauda de peixe.

Ela esfregou os olhos e abriu com cuidado. Não viu mais a criatura.

-- Eu vi um... Homem-peixe...? – Se questionou. – Não, devo estar vendo coisas. Minha cabeça está ocupada demais com pensamentos sobre Dianna... Em tudo enxergo sereias e tritões.

Retornou para o castelo, esperando o navio...

No mar, ele jurava ter avistado a princesa. Sim. Tão bela, graciosa mesmo com roupas e... ela chorava. Contudo, notou algo: ela tem olhos azuis. Tão azuis como o oceano. Dianna não tem olhos azulados.

-- E agora? Como vou dizer ao rei que perdi a princesa? – Questionou Gerd Müller, o capitão da guarda do rei Lawrence e da rainha Susan.

-- Você perdeu a Dianna? – Alice Stone, sua namorada sereia, chorava e abraçava o tritão. – McDreamy, será que...

-- Mein Himmel, eu não sei. – Ele se preocupou. Sabia bem que Dianna e Alice são amigas. – Mas eu podia jurar ter visto a princesa. Se comportando como mortal.

-- Mesmo? – Alice se encheu de esperança.

-- Sim. Mas...

-- Mas o quê?

-- Ela tem olhos da cor do mar.

Alice estranhou.

-- Tem certeza que a viu?

-- Não era ela. – Afirmou o amante. – Mas parecia a Dianna.

Nadaram juntos até a costa, onde a princesa tinha sido encontrada por Davy e levada até o castelo. Esperaram por uma hora, até que avistaram a tal moça que se parece com Dianna. E ao que parece está acompanhada de outro rapaz, da mesma altura que a jovem.

De maneira esquisita, Gerd não havia gostado do que viu. Não era o fato da mortal não ser a filha do rei dos mares e sim que ela sorria para o outro.

-- Aquele rapaz é o Davy. – Apontou Alice.

-- É ele que a princesa... – Gerd não terminou de perguntar e Alice confirmou com a cabeça. – Oh, não...

Eles prestaram atenção no casal. Alice admite sobre o que seu namorado disse sobre a mortal. Era linda e tão bela que poderia ser confundida com uma sereia. Uma pequena sereia como Dianna. Já o tritão, por incrível que pareça, foi enfeitiçado pela mocinha. Seu coração acelerou e de repente sentiu uma vontade de ir até a superfície e ficar perto dela. Contudo, isso acarretaria em abandonar Alice. Tentou esquecer seus pensamentos anteriores e retornaram para o fundo do mar.

Alice conversou com Emma e Erin sobre o paradeiro de Dianna e elas choraram. Gerd por sua vez duvidava que a princesa tivesse se transformado em espuma do mar e também não parava de pensar na moça bem vestida, que é parecida com ela. Se pudesse, ele a traria para o mar e arranjava uma forma de transformar as pernas dela em cauda de peixe. Depois disso ele pensou em Alice. Havia dias que a relação dos dois não era a mesma. Antes de Dianna partir para a superfície, Gerd teve um caso com Meg Johnson, uma bruxa do mar e Alice descobriu quando resolveu seguir seu namorado. Obviamente, brigaram, mas reataram poucos dias depois.

E ainda sim, as coisas não mudaram. Seus pensamentos foram interrompidos com a chegada de três tritões, Franz Beckenbauer, Sepp Maier e Johan Cruyff.

-- Acabei de ver um navio ancorando no mar do norte. – Disse Johan, o tritão holandês. – Eu vi uma mortal. Ela é linda. Cabelo longo e da cor da noite, olhos de obsidiana e uma boca vermelha. Oh meu Deus, que mulher!

-- Você só fala de mulher! – Reclamou Sepp, um dos guardas.

-- Conseguiu encontrar a princesa? – Indagou Franz.

-- Nein! Estou começando acreditar sobre o que disseram. – Respondeu Gerd, decepcionado.

-- Sobre ter virado espuma? – Inquiriu Sepp, curioso.

-- Isso.

Se calaram um pouco e Gerd continuou a dizer.

-- Eu também vi uma moça.

-- Opa! – Johan sacou seu punhal, se enervando. – Quem é ela? Espero que não seja a mesma que a minha!

-- Seu tolo! – Berrou o tritão, irritado. – Não é essa. É outra. Ela se parece com a princesa, mas tem os olhos da cor do mar.

-- Não é uma que vive no castelo, da costa do Atlântico? – Perguntou Sepp.

-- Acho que sim.

-- O navio que avistamos, traziam umas pessoas. Eram cinco mulheres e um homem. Ele é o noivo desta moça. – Justificou Franz.

-- O QUE DISSE? – Gerd quase se assustou. – Ela... era menor? Cabelo da cor do sol e olhos azuis.

-- Essa mesma. Ela tem um noivo. Este homem é o capitão do exército.

Gerd procurou investigar e a noite emergiu no mar, avistando o tal castelo e todo iluminado, com música e pessoas falando em voz alta. Encontrou a mocinha parecida com Dianna e o tal capitão. Era alto, cabelo preto e olhos igualmente azuis e brilhantes.

-- Mal posso esperar para nosso casamento, Louise. – dizia o capitão, muito apaixonado e beijando leve a boca da princesa.

-- Lawrence, aqui não. – Louise se desviava e ria, provocando Larry. – Meus pais podem dar por falta. Vamos voltar.

-- Só mais um beijo, princesa. – pediu.

Se beijaram com paixão, mas Louise teve a sensação de ser observada, tanto que interrompeu o beijo.

Olhou para o mar e não encontrou nada.

-- Viu alguém? – questionou o noivo.

-- Devo estar louca. – comentou consigo mesma. – Eu sei que há alguém. E não vejo.

-- Calma. Mandarei dobrar a vigilância.

Gerd se escondeu num dos rochedos e continuou observar a bela garota. Não sabia o que sentia. Era um pouco de raiva por não ser o tal capitão bem apessoado. E tristeza por estar longe dela e não ter pernas para caminhar na superfície.

Aproveitando desse momento, Meg usou o mesmo feitiço que Amber, no entanto ao invés de negociar com Gerd... Ela optou pelo feitiço direto.

-- Pobre Gerhard... – dizia Meg, maléfica e executando o feitiço. – Esse é o preço que pagará por me rejeitar.

No mesmo instante um grande vento norte apavorou t0dos do castelo e a festa foi cancelada. O mar se agitava demais e um grande redemoinho se formou no mar. Gerd nadou bastante para se afastar e alcançar seus amigos. Vencido pela exaustão, foi levado na correnteza forte e também uma aura mágica o envolveu.

Franz viu tudo e tentou resgatar o amigo.

-- GERD! – nadando até o redemoinho.

-- Não vá! – Sepp e Johan o impediram. – Se for até lá, vai morrer.

-- E o Gerd?

Gerd gritava e sem saber sentia que sua voz diminuía a cada grito emitido. Meg gargalhava maldosamente e recebeu o pequeno feixe de luz em formato esférico. Era a voz trovejante dele.

-- Finalmente! – guardando numa garrafa. – Só o beijo de uma princesa o libertará. Caso contrário, o fim que a princesa Dianna teve, ele terá! Hahahahahaha!

A tempestade aos poucos parou e uma grande onda se arrebentou, jogando Gerd na praia, completamente desacordado.

-- Precisamos trazê-lo de volta! – berrava Sepp nadando de um lado para outro.

-- Aquilo não foi uma tempestade qualquer. – dizia Johan. – Foi magia e não foi do rei.

Imediatamente se lembraram de Amber e Meg, as duas bruxas do mar, no entanto, a única com poder suficiente pra tal desastre era a segunda bruxa. Sepp se armou com a lança.

-- Não vai enfrentar a bruxa! – Johan se intromete na frente do tritão ruivo. – Ela vai te amaldiçoar, como fez com Gerd.

-- Mas se for pra trazer meu amigo de volta, mereço os riscos.

-- Espere! – pediu Franz. – Vamos pensar com calma numa forma de trazer o Gerd pro mar e sem levantar suspeitas. O rei e a rainha não têm noticias dele desde aquele dia da busca.

Por mais que a vontade fosse grande, Sepp e Johan se acalmaram e seguiram a idéia de Franz.

O dia começou lindamente, com a brisa mais refrescante. Gerd se acordou sentindo algo lhe roçar os braços. Assustou-se e viu que eram samambaias lhe cobrindo o corpo. E espantou-se quando olhou para si mesmo. Sem a cauda de peixe e sem suas vestes da guarda real ou sua lança. Apenas o elmo dourado estava ali, diante de si, quase enterrado na areia. Ouviu um casal de gaivotas conversando entre si.

-- Não tinha nada de ajudá-lo, Geoff. – dizia a gaivota zangada.

-- Elena, eu gosto de ajudar sempre esses pobres infelizes náufragos. Não questione meu ato de bondade. – respondeu a gaivota com nome Geoff.

Gerd se ergueu e caiu na areia. Não estava acostumado a tudo isso. E ganhar um par de pernas fortes não estava em seus desejos. Elena e Geoff olhavam com minúcia para aquele que julgam como náufrago.

-- Estranho. – comentou a gaivota. – Eu já vi esse homem em algum lugar.

Geoff concordou.

-- Ele me parece conhecido também.

O casal de gaivotas voou até os pés dele para uma possível aproximação.

-- Qual é o seu nome? – questionou Elena.

Gerd respondeu e nenhum som saiu de sua boca. Fez gestos se perguntando sobre o ocorrido.

-- Geoff! Esse homem é mudo! – berrou Elena.

Geoff sobrevoa sobre a cabeça de Gerd e o encara.

-- Você não sabe falar ou o quê?

Gerd deu de ombros, muito aborrecido e Geoff juntou-se a esposa para comentar.

-- Ele não sabe. Acho que perdeu a voz.

As gaivotas compadeceram do rapaz desesperado, tentando falar ou usar os sinais para entender.

-- Queridinho, por que você não escreve seu nome na areia? – sugeriu a gaivota e apontando para areia.

Gerd concordou e escreveu em letras maiores.

MEU NOME É GERHARD.

-- Ah sim! – falaram em uníssono.

Gerd apertou a asa de Geoff e depois de Elena, encerrando as apresentações.

-- E de onde você veio, Gerhard?

-- Acho melhor te chamarmos de Gerd. Pode ser?

Ele concordou e depois caminhou até a beira da praia, indicando seu lar.

-- Você veio do mar? – estranhou Elena.

Gerd acenou e depois mostrou o capacete dourado.

-- Você era um soldado? – perguntou Geoff.

Gerd escreveu de novo na areia.


SOU GUARDA REAL DO REI E DA RAINHA DO MAR.


As gaivotas deram um grito de espanto.

-- Geoff,  sei quem é ele! – disse Elena, se lembrando. – Ele é aquele homem-peixe que nadava por estas águas olhando os humanos e principalmente para a garota loira.

Geoff abria as asas com o susto tomado.

-- Aquele que observava todas as noites enquanto ela escovava os cabelos.... Sei quem você é. Mas, o que faz aqui, meu caro?

-- Está apaixonado por ela?

-- Acho que ele está apaixonado.

O próximo gesto era de raiva. Gerd fez sinais negando estar amando aquela desconhecida. Sentou u pouco nas samambaias e olhou para as gaivotas. Desenhou um coração, confirmando. Geoff e Elena suspiraram.

--Você quer conquistar ela, meu jovem? – indagou Elena.

Outra confirmação por parte dele e antes da próxima ação, ouviram um latido de longe. As gaivotas levantam vôo, porém aconselharam o tritão humano:

-- Meu querido, não pode andar assim sem roupas. – Elena voa e traz no bico um tecido encontrado nos outros rochedos da praia. – Precisa se vestir como pessoa.

Gerd se cobria como pode e amarrou o tecido com a corda que Geoff encontrou. O cachorro collie border latiu e correu em direção ao jovem. Gerd tentou fugir e ouviu vozes femininas.

-- Snowball! – gritava a jovem alta de cabelo negro e vestido bege.  – Snowball, volte aqui!

Logo atrás vinha Louise, segurando seus sapatos.

-- Precisa controlar seu cachorro, Felicity. – reclamou a prima.

Elas seguiram na direção dos latidos e encontraram um desconhecido, seminu e cobrindo a cintura com o tecido. Fefe chamou o cachorrinho e o mesmo obedeceu sua dona. Lulu aproximou dele.

-- Lulu!

-- Calma! – pediu para a prima não gritar e tentou falar com estranho. – Está tudo bem. De onde você veio?

Do mesmo modo como fez com as gaivotas, Gerd se utilizou de gestos para mostrar que não tinha mesmo sua voz e escreveu seu nome na areia. Louise imediatamente entendeu.

-- Ah não, de novo não... – comentou a princesa.

Neste momento Felicity correu para o castelo e pediu ajuda para o noivo e o irmão de Louise. E enquanto isso Gerd escreveu praticamente tudo. Sua missão de resgatar Dianna, sua vida no fundo do mar, seus amigos e a tempestade. Até mesmo disse de seu relacionamento malfadado com Alice.

-- Então precisa voltar pro seu lar. – disse a princesa. – Beije sua namorada pra se libertar da maldição e não acabe como Dianna.


Os olhos de Gerd se abriram de espanto. Louise explicou.

-- Ela me contou tudo. Dianna só queria amar o Davy e ser amada. Ela pediu ajudar para uma bruxa do mar e ela concedeu uma poção e em troca perderia a voz. Porém, havia conseqüências. Se o Davy não a beijasse em um mês, viraria espuma do mar. E foi isso que aconteceu...

Louise desatou a chorar e Gerd internamente tremeu.

“Vou ter o mesmo fim que a Dianna. Não, não!”

E depois abraçou a princesa, acalmando-a.

“Por favor, não chore.”

Escreveu na areia outra vez.

VOCÊ É MUITO BONITA PRA CHORAR


-- Obrigada. Eu realmente sinto muito pela Dianna. Ainda... Não me conformo... Com a morte dela. – lamentou a princesa.

Gerd escreve na areia um apelo para a princesa


VOCÊ PODERIA ME AJUDAR?



-- Eu não posso! – recusou Louise. -- Não consegui quebrar a maldição.


POR FAVOR! VOCÊ É MINHA ÚLTIMA ESPERANÇA.


-- Mas não consigo. E tenho um noivo. Você precisa voltar pro mar, reencontre Alice. – Louise persuadia Gerd e o mesmo continuava insistindo nela.


ELA NÃO PODE AJUDAR EM NADA. EU TE IMPLORO!


-- Não quero carregar outra morte, mas não me julgo capaz.


EU ACREDITO EM VOCÊ


-- E quanto meu noivo, Larry?


ELE VAI COMPREENDER

Neste momento Lawrence Rain, acompanhado de um pequeno grupo de cinco soldados encontram Louise e o desconhecido.

-- AFASTE-SE DELA, FORASTEIRO! – Larry sacou a espada e partia diretamente contra Gerd, mas Louise não deixou.

-- NÃO FAZ ISSO, LAWRENCE! – Louise se pôs na frente dele. – Ele é só um náufrago.

-- Louise!

-- Larry! – insistia Lulu. – Ele é um soldado cuja navegação afundou na tempestade e ele não fala. Vamos ajudá-lo.

Lawrence receou e cedeu o pedido da noiva... em parte.

-- Guardas! Levem o forasteiro pra cadeia!

Os guardas agarraram Gerd com socos e pontapés e mesmo na agressão, o levaram acorrentado.

-- O que está fazendo, Larry? – Louise se embraveceu. – Ele não é um malfeitor!

-- É para sua segurança e ele poderia lhe fazer mal.

Louise se lamentou outra vez por ter falhado porém não iria desistir de salvar Gerd.


Enquanto isso no mar...

Os três guardas tritões invadiram a caverna onde vive Meg e não a encontraram. Revistaram todos os cantos, olhavam os frascos de poções e não encontraram solução para salvar o amigo. No instante que iam sair, a bruxa do mar surgiu em forma de tornado diante deles.

-- BRUXA! – exclamaram os três, atacando Meg com suas lanças.

Num estalo de dedos, Meg transformou cada um deles em criaturas diferentes. Franz num peixe-espada, Sepp num caranguejo e Johan num linguado alaranjado.


-- Desgraçada! – Franz era o mais furioso e outra vez ataca Meg usando o nariz imensamente grande.

Acertou Meg no braço e quase leva outra maldição quando Alice gritou.

-- NÃO! – encerrando a luta. – Eu imploro, não os machuque. Só me diz como devo salvar o Gerd.

-- Ele está condenado. – respondeu secamente e agarrando o nariz espada do guarda.

-- Deve haver uma forma! – berrou Johan.

Meg pensou uns instantes. Antes da invasão, observou Gerd na caldeira. Não haveria chance de ele ganhar o beijo da princesa, contudo ele seria capaz de outra coisa pra recuperar sua voz e sua cauda? Então se virou para Alice e os guardas. Entregou uma adaga, a mesma que Amber cedeu a Giles para ajudar Dianna.

-- Ele deve matar a princesa com essa adaga. Assim ele recupera a voz e a cauda ou em quinze dias ele vira espuma!

Alice pegou o objeto sem pestanejar e os outros foram embora, decepcionados. Ao que parecia outra vez Meg triunfou sob a desgraça de Gerd...


Alguns dias passaram desde a transformação deles e só Franz se adaptava sua nova vida. Sepp reclamava, pois muitas vezes era caçado junto com Johan e quase feito de comida tanto para humanos quanto para peixes grandes como tubarões. Alice chorava por Gerd e sentia-se incapaz de pedir tal atrocidade contra uma humana, só para recuperar a voz e a cauda. Entretanto, quis arriscar.

Emergiu para praia onde Dianna vivia e a tal princesa parecida com ela foi vista. Um esguicho de água foi acertado em seu rosto. Era Johan, o linguado laranja.

-- A princesa não foi vista. – disse o peixe, desanimado.

-- Tudo bem. Mas quero falar com McDreamy.

Sepp pulou para o rochedo e ficou ao lado de Johan.

-- Nada do Gerd.

Franz também emergiu e não disse nada e avistou o casal Geoff e Elena, as gaivotas. Nadou para o outro lado da praia e os abordou.

-- Hallo! Boa noite! – cumprimentou o peixe espada.


-- Boa noite! – respondeu os dois juntos.

-- Meu nome é Franz e estou procurando meu amigo. Ele... Era tritão. Virou humano e perdeu a voz. Vocês o viram?

-- Espera um pouco! – Geoff voou para perto de Franz. – Você é amigo daquele rapaz mudo e sem roupa? Ele dizia que seu nome era Gerhard.

-- Ele mesmo!

-- Pobrezinho! – lamentou Elena. -- Os guardas o acorrentaram.

-- Acho que o levaram para a cadeia. – deduziu Geoff.

-- Vocês sabem em que parte do castelo fica? – Franz entrou em desespero.

-- Se não me engano fica na parte leste, de frente para as pedras. – Geoff apontou a direção.

-- E conseguem entrar lá?

-- Não. É muito apertado para passarmos por aquelas grades.

-- Só um caranguejo entraria ali. – completou a esposa.

Num lampejo, Franz teve uma idéia e nadou até seus amigos. As gaivotas o seguiram e ele contou tudo para eles e inclusive sobre a idéia de entrar. Sepp resmungou. Era óbvio que Franz havia pensado nele para o plano.

-- Ah não! Eu não vou entrar!

-- Ou você entra e fale com ele ou te sirvo de alimento para as gaivotas! – enfureceu Franz e mostrando o casal de aves.

Sepp engoliu em seco e olhou para todos.

-- Tudo bem. Conseguem me levar até lá?

-- Podemos fazer isso. – garantiu Elena, pronta pra voar.

-- Mas se você morrer, vamos te comer. – avisou o marido, quase louco para devorar o pequeno crustáceo.

Elena carregou Sepp e ele segurou-se no pescoço dela, evitando arrancar alguma pena. Chegando a pequena grade onde é a prisão, Sepp entrou na fresta e encontrou seu amigo, chorando e preso.

-- Gerd! – caminhou até ele. – Sou eu.

Gerd sorriu e pegou Sepp com uma mão.

-- Ouça, tenho pouco tempo para te falar. A bruxa Meg me transformou nisso e o Franz e Johan foram afetados também. Existe uma maneira de voltar a ser o que era antes. Ela deu uma faca para Alice e você deve matar a princesa antes de quinze dias. Só assim você recupera a voz e sua cauda.

Obviamente a idéia não era agradável a Gerd. Matar a princesa. Ele era um guarda, um tritão valente e não um assassino.

-- Gerd...

“Não posso, Sepp. Sou incapaz de fazer mal, ainda mais para uma princesa. Jamais!”

-- Meu Deus, você...

Sepp entendeu algo. Arrependeu-se de falar. Gerd nunca faria algo assim.

-- Independendo do que acontecer, vou te ajudar, meu amigo. – retornando para a grade e embarcando com Elena.

Sobrevoaram para o mar e Sepp voltou para perto dos amigos.

-- Ele não quer matar a princesa.

Alice bateu na água, de raiva.

-- Quando ele vai entender que só assim pode se salvar? O que ele espera? Ser beijado por ela? Aquela moça nem o ama!

Elena pensou em defender Gerd, mas Geoff a manteve de bico calado para não piorar a situação.

-- Deve ter algo que possamos fazer pra evitar que alguém saia ferido. – comentou Franz.

-- Podemos consultar na biblioteca. – Johan sugeriu por ter mais acesso. – Pra encontrarmos algum feitiço.

Uma semana se passou e Gerd estava pior. Passando fome, o cabelo empoeirado e barbudo, usando apenas uma túnica. A porta da prisão se abre, revelando ser Louise, o irmão dela, Michael e Lawrence.

Larry liberta Gerd das algemas enferrujadas e o encara muito bravo.

-- Ficará aqui mais uma semana e depois partirá com os soldados para Groelândia! – disse muito zangado e voltando o olhar para Louise. – Espero que esteja satisfeita. Isto vai ser sua ruína se este homem cometer algum crime.

-- Gerd não fará isso. – garantiu Lulu.

Louise e Mickey levaram Gerd para o quarto, onde já estava preparada a bacia para um banho quente, roupas limpas na cama e toalhas.

-- Este é meu irmão, Michael. – Louise fez as apresentações. – Ele vai te ajudar em tudo e junto com os criados.

-- Olá! – Mickey estendeu a mão e viu que Gerd não sabia como agir. – Sei que não está acostumado com as coisas aqui. Vou lhe ajudar no que posso, certo?

Gerd balançou a cabeça e se banhou na bacia. Mickey e Louise perceberam que ele se sentia... travado.

-- Vou me retirar. – disse a princesa, constrangida.

-- Eu também. – em seguida se juntou o irmão dela.

O banho foi relativamente gostoso e o tritão outra vez teve dificuldades em se adaptar sua vida humana e as pernas. Enquanto se secava e vestia as roupas, pensou na princesa. De fato, Louise lembrava demais Dianna em sua estonteante beleza. Houve um tempo que ele cobiçou secretamente a filha do rei e da rainha do mar, contudo sufocou a paixonite dando chance para amiga dela, Alice. E agora com Louise, era mais real. Dianna era doce e Louise era muito mais. Nos dias que a viu, achando se tratar da princesa do mar, Gerd não se importou. Estava fascinado demais por ela. O modo como Louise age, o sorriso, a pele de pêssego, as maçãs do rosto quando coradas lembrando uma fruta madura e deliciosa e a boca rosada. Apenas ouvindo a melodiosa voz da jovem deixava o guarda excitado.

Antes de levantar a calça, ele nota algo. Ergue a camisa e se espanta com que há no meio das pernas. Os tritões não possuíam aquilo.

“Como se usa isso?”

Intrigado, tocou ali. Era duro e levantado. Num misto de surpresa e um pouco de prazer, ele continuou tocando, descobrindo mais sensações. O que ele não sabe era que Louise entrou no quarto, trazendo outra bacia, de tamanho menor e contendo uma navalha e creme para barbeação.

-- Gerd, você está... – ela não terminou de perguntar tamanho era o susto por vê-lo daquele jeito e fazendo aquilo. – AI MEU DEUS!

Ela tampou os olhos e o rosto pegava fogo pela vergonha.

-- Eu não posso olhar... Notei que não sabe o que fazer com... “Sua coisa”, não é?

Olhando diretamente para o rosto dele, Louise evitava ver aquilo novamente. Gerd ergueu os ombros, indicando não saber como lidar com sua parte ou como ele cresceu.

Ela chamou o irmão, abrindo a porta.

-- Mickey, me ajuda. Venha cá!

Não demorou em o príncipe de Gales aparecer.

-- O que foi?

-- Gerd não sabe o que é... – apontando para ele. – Aquilo.

-- Sério? – indignou-se. – De verdade? Mas o que esse homem é?

-- Ele era um tritão. – respondeu Lulu. – Por favor, Mickey, me ajuda.

Mickey sabia de toda história, se recusava acreditar que o novo hóspede era como Dianna, uma criatura mágica do mar. Não era fácil. Mickey ajudou Gerd se vestir e o ensinou a lidar com “a coisa” no meio das pernas.

-- Você andou pensando em algo... indecente? -- indagou Mickey.

Olhou para a porta no exato momento que Louise saiu e depois para o chão. Mickey entendeu tudo.

-- Seu danadinho! – exclamou em tom divertido. – Está pensando na Louise!

Gerd faz um gesto, pedindo silêncio. Mickey segurava o riso.

-- Certo. Não contarei a ela, mas precisa evitar que isso fique grande perto dela.

Gerd concordou e depois de vestido, Mickey o ajudou a se barbear e lavou o cabelo dele. Em questão de minutos, Gerd se transformou num nobre. A próxima parte era mais constrangedora: ensinar as necessidades básicas fisiológicas. Gerd aprendeu mais sobre seu lado humano e ainda com “a coisa”, como era chamado por Mickey e Louise. Depois os dois irmãos lhe cederam papéis, uma pena e tinteiro para facilitar na conversa. Até mesmo Davy Jones, o príncipe da Inglaterra auxiliava em tudo. Quando anoiteceu, o tritão fez uma pergunta a Mickey, escrevendo no papel.

COMO FAZ PARA A COISA NÃO... SE AGITAR TANTO?


O príncipe galês de novo se envergonha e respondeu:

-- Toque-o. Como fez antes da Louise entrar. Mas faça isso de noite ou no seu quarto e sozinho. Agora boa noite!

Mickey saiu e o jovem tirou as roupas e se deitou, cobrindo seu corpo com os lençóis e cobertores. Seguindo o conselho do príncipe, tocou a si mesmo e pensando em Louise, imaginando o contato dos lábios dela, o corpo delicado e feminino, a pele macia... Devia ser uma delicia...

“É tão bom... Oh minha nossa... é bom....”

Por estar sem voz, o único ruído que conseguia emitir era um pequeno grunhido depois que conseguiu atingir o clímax do prazer. E depois adormeceu, mais feliz.

E os dias se tornaram melhores. Gerd aprendia andar ereto, se vestir sozinho, se barbear e se banhar. Também conseguia se comunicar com todos por meio de sinais e a escrita. E a amizade com Louise se transformava mais no sentimento puro. Temeu que a princesa tivesse se esquecido do pedido. E numa tarde do terceiro dia da segunda semana, caminharam na praia.

-- Parece que foi ontem que Dianna foi encontrada por Davy. – comentou a jovem.

“Sinceramente, não entendo como a princesa foi capaz de um ato desses, unicamente para ver aquele humano.”

-- Você não sente falta do mar?

Ele balançou a cabeça e levantando a bainha da calça, já que estava sem as botas, caminhou um pouco nas águas e encontrou uma ostra. Com sua força, abriu e dali tirou uma pérola bem bonita. Presenteou para Louise.

-- Oh, Gerd! É lindo!

Ele escreveu na areia mais palavras.


O QUE ESTÁ FAZENDO POR MIM É GRANDIOSO. E SEU SORRISO É MINHA RECOMPENSA.


Lulu corou com o agradecimento devolvido. Ela mesma sofria com seus sentimentos. Antes amava Lawrence com todo seu coração. No entanto com a chegada de Gerd tudo mudou. Tal como aconteceu com Davy. Lembrou-se do destino de Dianna e a promessa feita.

-- Gerd, sobre o pedido aquele...

“Louise, não me desaponte.”

-- Sabe que Lawrence não concorda que eu deixe você livre. Então...

“O que pretende?”

-- Vou lhe arranjar uma mulher nobre para quebrar essa maldição.

Os olhos do tritão se abrem de outro espanto. Gerd tentava entender o que Louise pretendia com aquilo, sabendo que somente ela deve quebrar a maldição.

-- Entenda. Não posso lhe dar o luxo de fazer isso. Beijar outro homem que não é meu noivo. Então outra fará no meu lugar.
Ele escreveu com a mão tremendo.

E QUEM SERÁ?

-- Amanhã lhe digo. – se levantando e ajeitando o vestido com areia. – Vamos para o castelo. Está ficando tarde.

Quando anoiteceu, Gerd não dormiu de tão preocupado com a resposta da princesa. Era claro que Louise nunca o ajudaria mas tentava de alguma forma ajudá-lo. Por falta de respostas, vestiu a calça e a camisa. Com cuidado, desceu as escadas e abriu a porta principal com cuidado. Olhou o mar, a praia em si. E ouviu a voz de Alice.

-- McDreamy! – ela emergiu. – Ainda bem que te encontrei. Ouça, você precisa voltar pra casa.

Ele escreveu para ela.

LOUISE PRECISA ME BEIJAR. ELA NÃO PRECISA ME AMAR.

Alice jogou o punhal para ele.

-- Beijo? Que beijo? – indignou-se. – Eu não quero você outra vez sofrendo o que Dianna passou. Mate aquela garota e sua voz e cauda de peixe voltam ao normal.

Gerd nega  e afasta a arma de seus pés.

“Jamais!”

-- Pense nos seus amigos, coitados! – mostrando Franz, Sepp e Johan na rocha. – Eles foram transformados em peixes porque confrontaram a bruxa. Gerd, eu imploro, acabe com essa garota!

O tritão se afastou, chorando e não olhando para trás. Alice mergulha, decepcionada e os três observavam tudo. Permaneceram nas rochas por algum tempo, pensando.

-- E agora? – Sepp acreditava numa alternativa.

-- Acho que ficaremos assim para sempre.

Johan pulava de raiva e resmungava.

-- Cara egoísta!

-- Talvez todo esse egoísmo seja amor. – defendeu Franz.

-- Amor nada! – resmungava Johan. – Ela nem o corresponde. Sou jovem demais para viver assim como uma sardinha desgraçada!

-- Johan, conseguiu pesquisar sobre o amor verdadeiro? – perguntou Franz. – Ele pode quebrar esse feitiço?

-- Sim. – confirmou o linguado. – E do jeito como está, Gerd nunca vai conseguir. A princesa só tem olhos pro capitão. Gerd vai se transformar em espuma do mar e o plano já era.

-- Podemos investigar para ver se ele está amando a jovem de verdade.

-- Só temos dois dias. – Johan fez sinal com a barbatana. – Melhor agirmos logo.

No outro dia todos estavam no desjejum quando Louise pediu ao tritão lhe acompanhar na biblioteca. Gerd se animava. Gostava quando a princesa o chamava e precisava dele.

-- Quero lhe apresentar uma pessoa muito especial. – ela disse com os olhos cintilando.

“O que pode ser?”

Numa escrivaninha com livros está uma jovem lendo poemas em voz alta. Gerd a observou. Era a mesma garota alta vista na praia com Louise no dia que ele foi encontrado.

-- Felicity. – chamou Louise. – Eis o teu pretendente.

Os três trocam olhares surpresos e duvidosos entre si.

-- Eu... -- Fefe procurava respostas mas não conseguia. – Não entendi.

-- Você pode quebrar o feitiço! É também uma princesa...

-- COMO É QUE É? – berrou Felicity, largando o livro no chão. – CASAR COM ELE? ESSE MUDINHO? PELO AMOR DE DEUS!

Gerd fazia gestos negativos, indicando não concordar com aquela decisão.

-- Gerd infelizmente não tenho mais idéias para te ajudar.

Ele pegou um papel disponível na escrivaninha, banhou a ponta da pena e escreveu, muito nervoso.

NÃO ME CASO SEM AMOR. LOUISE, EU IMPLORO ME BEIJE E NÃO TE PEÇO NADA.

Louise pensa um pouco e fala com Felicity, sem que Gerd ouça.

-- Ele só precisa ser beijado. – dizendo para prima mais alta. – Faça isso por mim.

-- Não consigo, Louise. – Fefe se negava. A verdade é que ela não achava Gerd tão atraente. – Se é só um beijo, vai lá e beije o cara. Não conto pro Larry.

-- Está bem.

Lulu encarou Gerd. Ela não o conseguia olhar diretamente.

-- Prometo não olhar. – Fefe ficando de costas, segurando um espelho.

Ela teve a iniciativa, começando um selinho. Aos poucos o beijo ganhou uma forma e por fim mais movimento dos lábios de ambos e o contato com a língua. Fefe notou que uma pequena forma de luz se formava no pescoço do tritão. O feitiço estava se quebrando e de repente a porta da biblioteca se abre e Fefe correu até o casal e os separou, beijando Gerd com força. Lawrence vê o rosto de Louise um tanto vermelho e o novo “casal” se formando.

-- Vai se casar com o mudinho, Lady Felicity? – perguntou Larry, desconfiado com os boatos.

-- Sim. – Fefe força um sorriso e abraça Gerd e o mesmo não exibindo reação positiva. – Louise me deu um pretendente maravilhoso.

Larry os encarava, principalmente Gerd.  Desde que o viu com Louise, desconfiava do mudinho, como ele o chama. Sua noiva passando mais tempo com ele do que com homem que ama e vai se casar, ajudando Gerd e tudo mais. Larry estava se cansando disso.

-- Curioso... --- disse o capitão, tocando seu queixo. – Estive passando por aqui e tive a impressão de ter ouvido você não acreditar que vai casar com ele.

-- Claro. – confirmou Fefe. – Porque era esse meu desejo e finalmente se realizou.

-- Então, dou-lhe os parabéns desde já. – em seguida se retirou.

Lulu não dizia nada. Estava chocada com si mesma e mais ainda com Larry, Fefe e Gerd. Ela também saiu da biblioteca e se trancou no quarto, chorando. Não tinha certeza do que sentia. Se seu coração respondia ao capitão ou o tritão mudo. Uma difícil decisão...

Enquanto isso no fundo do mar...

A bruxa Amber procurava uma solução para atrair mais vítimas, como aconteceu com Dianna. No entanto, Meg parecia triunfar no quesito. E quando tentou lançar um feitiço direto para transformar outras sereias e tritões  em minhocas, algo deu errado. Nada, aparentemente, surtiu efeito como esperado.

-- O que foi? – procurando o erro. – Fiz tudo certo. Por quê?

Neste momento ouviu um canto melodioso conhecido. E uma pequena sombra com cauda de peixe, emergindo nas águas.

-- NÃO! – gritou Amber, destruindo sua caverna e a soterrando.

Amanheceu finalmente e naquele momento Davy Jones sentiu uma grande vontade de caminhar na praia. Chorou, lembrando-se de Dianna. Arrependia-se do que fez em não corresponder o amor dela e salvá-la. Ao mesmo tempo ficava bravo com Louise. Amava sua amiga, não tinha a menor dúvida. Mas ver a situação de Dianna se repetir com Gerd o deixava com o sangue fervendo. Ele conversou com a melhor amiga, numa tentativa vã de convencer Lulu em beijar o tritão, mesmo que sem compromisso ou corresponder o amor dele, contando que seja para salvar sua vida. Seus pensamentos foram interrompidos com o barulho do mar mais agitado que o normal e olhou para o horizonte e notou um brilho maravilhoso, como se o sol lhe indicasse um caminho. Uma cabeça loira saiu do mar e ganhava forma de uma mulher. Uma linda mulher de vestido azul do mar, emergindo dali.

Não havia dúvida alguma. Davy reconheceu Dianna, renascida.

-- Dianna? – se aproximando dela. – É você?

-- Davy! – Dianna emitiu sua voz, já recuperada.

Se abraçaram forte e trocaram seu primeiro beijo. O primeiro de muitos e com sabor de paixão acumulada e guardada desde o primeiro dia que se viram.

-- Minha sereiazinha...

-- Meu príncipe!

Ele a levou para o castelo do rei de Gales, onde no quarto experimentaram seus primeiros momentos íntimos, coisa que não tinha como ser feita na época da estadia dela...

O resto do dia foi unicamente para a notícia do reaparecimento de Dianna. Louise a recebeu mais abertamente. As duas conversaram no quarto sobre tudo que aconteceu e a aparição de Gerd.

-- Minha nossa! – Dianna lamentou. – Não queria provocar essa preocupação pros meus pais. E agora... Gerd... Ele sofreu a conseqüência.

-- Ele me falou que uma bruxa do mar o amaldiçoou. – disse Louise. – Você tem idéia quem seja?

-- Gerd não conhece Amber mas... Ah sim. Megan.

-- Quem?

-- A bruxa da pior espécie. Muito pior que Amber. Gerd teve a infelicidade de trair Alice com ela. E arrependido foi pedir perdão. O resto não soube de nada pois Alice não tocou mais no assunto.

-- Dianna... – a princesa tocou a mão da sereia, outra vez sentindo vontade de chorar. – Ontem, eu beijei aquele tritão. Podia jurar que o feitiço estava se quebrando.

-- E conseguiu?

-- Não. Lawrence apareceu, não viu tudo, se não seria minha perdição. Não sei o que estou sentindo. Estou arrependida do que fiz, tenho culpa por trair meu noivo, mas senti prazer naquele beijo. E o Gerd beija tão bem...

-- Por que não o beija amanhã? – sugeriu Dianna, com ares de sapeca. – É o último dia dele. Mesmo que não seja amor, ao menos o salve e aproveite o beijo único.

-- Parece tão fácil... – lamentou. – O problema é que amanhã vai ser meu casamento.

-- Oh nossa... – Dianna desviou o olhar para janela, pensou um pouco e disse: -- Então faça isso antes do casamento, antes de subir ao altar.

-- Dianna...

-- Amadinha, durma por hoje. Deixe isso comigo.

Dianna se retirou do quarto e Louise deitou na cama, sem dormir e pensando no dia de amanhã. Seja lá o que ela planeja tinha medo...

No outro quarto Gerd estava sentado na beira da janela, uma vez ou outra esforçava-se para falar. O feitiço foi anulado pela metade, permitindo que o rapaz apenas solte grunhidos mais audíveis e a única palavra que conseguia dizer era “Louise”. Neste momento o casal de gaivotas, Geoff e Elena sobrevoam a torre e encontram seu amigo tritão ali.

-- Gerhard. – cumprimentou Geoff. – Então, conseguiu beijar a garota?

Através da expressão triste, tiveram sua resposta.

-- Coitadinho. – entristeceu Elena. – E quanto tempo lhe resta?

ATÉ AMANHÃ, APÓS O PÔR-DO-SOL.


As gaivotas se juntaram em sua tristeza, procurando consolar o homem-peixe e ao mesmo tempo uma solução imediata. Na outra torre do castelo, o capitão Lawrence pensava melhor sobre o casamento com Louise. Amava muito a princesa e percebeu que seu ciúme consumia demais. Como sua amada não merece algo assim, tomou uma decisão: cancelar o casamento.

Meg se enfurecia no mar. Amber está morta, seu terrível plano de matar Gerd não estava correndo bem. No começo parecia tudo perdido para ele, até sua aproximação com a princesa ficar muito mais visível e sua paixão por ela. E ainda ele a beijou e metade da maldição foi quebrada, não totalmente.

-- Chegou bem, Gerd. – socou a bruxa na caverna. – Perto demais. O desgraçado... Ele é melhor do que eu pensava. É preciso agir logo. Amanhã é o prazo final.

A bruxa mais uma vez refletiu na caldeira a imagem de Lawrence, conversando consigo mesmo.

-- Amanhã vou dizer pro padre e para todos que esse casamento acabou e Louise pode estar livre.

A fúria era tanta que Meg destruiu com um só golpe todos os frascos. E erguendo os braços e as mãos começaram outra feitiçaria. Disse algumas palavras e imediatamente os olhos de Lawrence ganharam um brilho diferente. Dos seus olhos azuis, ficaram mais escuros. Quem o visse não perceberia esse detalhe. O mar ouvia outra risada maléfica de Meg ecoando nos corais.

E o último dia chegou. A celebração do casamento da princesa com o capitão da guarda estava magnífica. A mesa posta para os convidados, o esplêndido bolo com os noivos e a chegada dos convidados. No mar, os amigos do tritão, Alice e as gaivotas só assistiam e nada podiam fazer para salvar Gerd, exceto permanecer com ele nos seus últimos momentos. Nem mesmo os príncipes puderam ajudar Gerd. O tritão estava conformado com seu fim. E antes da cerimônia, vestiu-se com esmero e tornou a observar Louise. Uma lágrima escorreu e ele saiu do castelo.

Ele observou o mar e encontrou seus amigos. As gaivotas apontavam o bico para ele seguir numa direção. Caminhou até uma das torres e subindo as escadas encontrou Louise, devidamente vestida. Belíssima.

-- Lou... Loui... Louise. – disse o tritão com esforço.

A princesa voltou-se para ele.

-- Gerd... – se aproximando do rapaz, surpreendida. – Sua voz...

Embora não conseguindo falar totalmente e apenas o nome dela, já era o bastante para a princesa gostar. A voz dele grossa e bonita. Pensou consigo mesma se todos os tritões possuem essa beleza em suas cordas vocais.

-- Eu não sei...

-- Por favor... – disse e ofegando por conta do esforço e do efeito do feitiço final.

Antes de dizer algo, a criada da rainha Mary abriu a porta e os viu.

-- Vossa alteza, está na hora!

-- Já vou, Debby. – em seguida olhou para Gerd, muito triste. – Preciso ir...

Era bom demais para ser verdade. A criada levou Louise de braço dado rumo à porta da capela real. Gerd seguiu para praia sem ver a cerimônia começando.

Enquanto a marcha nupcial tocava e todos abaixavam a cabeça com a entrada dos noivos, Davy e Dianna, juntamente com Mickey, fugiram para a praia na procura de Gerd e o encontram na beira do mar, sem as botas e aos poucos tirando a roupa.

-- Não faz isso! – pediu Dianna. – Ainda faltam quatro horas para acabar seu tempo.

“Louise não me beijou, portanto, acabou minha vida aqui”

Ele não ouviu mais a princesa do mar e caminhou um pouco nas águas.

-- Gerhard, por favor. – pedia Davy.

-- Eu sei que ama minha irmã! – disse Mickey, desesperado e puxando o tritão para perto da areia. – Não pode desistir dela assim.

E na capela o padre ainda dava o sermão do casamento e por fim perguntou aos noivos.

-- Capitão Lawrence Stephen Rain, aceita a princesa Louise Christina McGold como sua legítima esposa? Prometendo amá-la e respeitá-la, até que a morte os separe?

De repente Larry tem uma crise de tosse e na hora de responder engasgou forte e seus olhos, antes negros pelo feitiço de Meg, voltaram a ser azuis. Olhou para Louise, para si mesmo e ao redor.

-- O que aconteceu? – perguntou o capitão, sem saber. – Oh Deus! Este casamento...

-- Larry, o que deu em você? – indagou Louise, sem entender a atitude estranha do noivo.

Os pais de Louise, o rei Anthony e a rainha Mary não entendiam.

-- Louise, espero que não seja outra de suas travessuras. – repreendeu o pai.

-- Papai, desta vez não tenho culpa...

-- Louise! – pegando a mão da jovem. – Ouça o que tenho a dizer. Eu fui um péssimo noivo pra você. Jamais devia te tratar daquela maneira como fiz nestas últimas semanas. E convenhamos... Você ama de verdade aquele rapaz.

-- Quem?

-- O mudinho. Eu vi, Louise. Ele não vai casar com a Felicity e o modo como te olhava era de amor e você merece isso.

Em seguida, Larry depositou um beijo na bochecha de Louise e se retirou da capela, pedindo desculpas aos convidados e para as majestades. Os convidados não sabiam o que dizer e o rei pediu desculpas e Mary pediu explicações.

-- Que história é essa do mudinho, Louise?

Antes de responder para a mãe, Louise viu o relógio. Uma hora para o pôr-do-sol e saiu correndo, ignorando todos e levantando o vestido. Correu até a praia, se livrando do véu e dos sapatos. Avistou Dianna e Davy, voltando com as caras abatidas.

-- Davy, Dianna! – abraçando os dois. – Cadê o Gerd?

Davy aponta para mais adiante e Louise se apressa, desta vez encontrando Mickey.

-- Mickey....—ofegante e se segurando nos braços do irmão. – Gerd... Onde...

Mickey mostrou o tritão numa das rochas, sentado. Ela chegou perto e o chamou.

-- Gerd?

Ele nega ouvir e vira-se para as águas.

-- Gerd, me escuta. Sinto muito por te rejeitar todos esses dias. Só queria te ajudar sem envolver-me emocionalmente mas não consegui. Porque me apaixonei por você. Não tirei aquele beijo de ontem da minha cabeça e sua voz... Tudo em você me fascina.

Ouvindo a afirmação da jovem, o ex-guarda real voltou-se para Louise e se levantando, tomou em seus braços e a beijou, mais intenso e forte da primeira vez. Mickey, Dianna, Davy e os amigos de Gerd viram, chocados e felizes depois. Até mesmo as gaivotas vibraram com a cena romântica. Entre uma onda e outra um feixe de luz se formou na garganta do tritão, devolvendo sua voz por completo.

-- Louise! – ele disse, terminando o beijo e sentindo tudo normal. – Estou falando!

-- Gerd! – abraçou o tritão. – Você pode falar! Está curado!

Todos comemoraram, no entanto tudo que é bom, dura pouco. Trovões foram ecoados junto com as nuvens negras que apareceram e taparam o sol. E uma risada. Olharam para a direção da voz e encontraram... Debby.

-- Debby?  -- estranhou Louise.

A criada lança raios contra todos. Davy e Dianna escapam. Mickey é atingido, morrendo em seguida.

-- NÃO! MEU IRMÃO! – segurou Louise o corpo do irmão, chorando. – SUA... SUA...

-- Não chore, princesinha! Seu castigo é dez vezes pior. – Meg mostrava uma lança e apontava na direção de Louise.

-- Não faz isso, Megan! – Gerd se pôs na frente. – Se matar Louise, terá de matar também.

-- Essa é a intenção! – mal terminando de falar e Meg lançou a arma contra o casal.

Ouviu-se um ruído de algo perfurando. Gerd abriu os olhos e não sentiu dor. Mas Alice, sua ex-amada, se colocou na frente dos dois e os protegeu, recebendo o impacto da lança no peito.

-- Alice! -- Gerd a segurou e retirou a lança. – Não morra.

-- Me perdoe, Gerd. Sei que não devia. O que sente pela humana... é puro. E lindo. – disse a sereia e em seguida olhando para Louise e segurando a mão dela. – Entendo o motivo de ele amar você. Cuide do McDreamy...

Alice fechou os olhos e parou de respirar. O casal e mais Dianna choraram diante do corpo da sereia. Meg vomitava sangue pois Alice jogou contra ela a mesma adaga que entregou para os amigos de Gerd, no intuito de entregar em mãos para ele e matar a princesa.

-- Maldita... – Megan perdia seus poderes e antes de cair, reuniu mais alguns raios e mirou contra o pessoal. – Ainda não acabou!

Neste momento Franz se preparava para um salto.

-- Está pronto? – Sepp o ajudava afiar a espada.

-- Nunca estive tão pronto!

-- Já!

E num impulso forte, com a ajuda das ondas do mar, Franz saltou e atingiu Meg bem no peito, justamente no lugar onde Alice enterrou a adaga. Meg ficava deformada e os raios, antes aterrorizando os habitantes e destruindo torres no castelo, atingiram em cheio a bruxa, transformando num ser totalmente horrendo e evaporando em cinzas. Quando a luta acabou, as nuvens se foram e o sol retornou com seu brilho.

E no mesmo momento, raios solares iluminaram Alice e a salvaram. A sereia está viva e abraçou todos, inclusive sua “rival”. Franz, Sepp e Johan voltaram em suas formas originais, como tritões. Quando foi a hora de ir embora e chamando Dianna e Gerd, a resposta foi essa.

-- Eu vou ficar. – a princesa se encontrava de mãos dadas com Davy.

-- Gerd, você vem? – perguntou Johan.

-- Não! – e abraçou Louise. – Também fico.

-- E quem vai assumir a chefia da guarda? – Sepp não encontrava nenhum outro tritão que fosse como Gerd.

-- Franz pode assumir muito bem.

De longe o rei Lawrence e a rainha Susan, embora chocados, respeitavam a decisão de sua filha e do seu capitão da guarda. Num movimento do tridente, o rei concedeu aos dois que permanecessem como humanos na superfície.

-- Majestade. Posso fazer um único pedido? – Gerd nunca foi de pedir algo aos soberanos.

-- Pode dizer.

-- Existe possibilidade de salvar ele? – Gerd carregava o corpo inerte de Mickey.

O rei o observou e pediu que deixassem deitado na areia. E com uma mão, usou os raios de sol e um pouco das águas do mar para fechar os ferimentos de Mickey e assim trazendo-o de volta a vida.

-- O que? – se levantou o humano e encarando os tritões. – Quem são vocês e o que aconteceu?

-- Michael, esses são Lawrence e Susan. O rei e a rainha do mar.

-- Ah minha nossa! – Mickey fez reverência aos dois. – Me perdoe os meus maus modos, majestades. E obrigado.

-- Nós que agradecemos por terem cuidado da nossa filha. – apontou o rei para Dianna. – Desejamos tudo de bom para vocês.

E eles voltaram para o fundo do mar, com coração leve de preocupação e cientes que Dianna está bem.

Não demorou em novamente um casamento fosse realizado... e em dobro. Como se não bastasse Gerd e Louise, o rei de Gales permitiu que Davy e Dianna também fossem unidos no enlace matrimonial. Uma grande festa foi realizada e no mar todos comemoravam essa união feliz. Franz e sua esposa Odile, Sepp e sua namorada, a sereia escocesa Nora se encontraram felizes. Alice está acompanhada de Michael Palin, o tritão bobo da corte e com ele só alegria, paixão e carinho sem limites.


Muitos meses depois...

Louise e Gerd levavam seu filho, o pequeno Thomas, para se divertir no litoral. Desde o nascimento dele, se viu que o menino possui uma fixação pelo mar. Ele brincava na areia e chutava e levantava as águas, com toda animação infantil e ainda convidava Cecília e Rebecca, as gêmeas filhas de Davy e Dianna para brincar.

-- Qual a probabilidade dele querer mergulhar no fundo do mar? – perguntou Louise?

-- Alta. – respondeu e pegando Tommy. – Ele é nosso peixinho.

Louise concordou e pegou Tommy, permitindo o contato do menino no mar. De longe avistou uma pequena sereia saltando e emergindo. Era Melanie, a filha de Franz e Odile, aprendendo a nadar. E Tommy deseja muito isso.



CENAS PÓS-CRÉDITOS DA MARVEL (1)

Geoff cantava e voava de volta para o ninho construído no velho navio enterrado na outra ilha. Encontrou Elena dormindo. Ela chocava os dois ovos.

-- Amor. – Geoff a chamou, trazendo a comida. Algumas minhocas e pedaços de caranguejo. – Quanto tempo falta?

Elena acordou e saiu do ninho quando os ovos se mexiam com freqüência e apresentar rachaduras. Quebrou-se sozinho e de dentro duas cabecinhas de passarinho, com os olhos fechados e bicos pequenos aparecem. Os dois recém nascidos abriram os olhos e sorriam.

-- Papai! Mamãe! – disseram os dois irmãozinhos para os pais.

O casal de gaivotas emocionados alimentaram os dois e sorriam.

-- É o dia mais feliz da minha vida! – comentou Elena.

-- Mais feliz quando juntamos aquele homem peixe e a princesa e quando ajudamos aquela ruiva com rosto de loba se unir com aquele belo jovem. – disse Geoff.

-- Boas lembranças...

Agora o tempo dirá quando Neville e Matthew, os dois filhotes de gaivotas, aprenderiam a voar como seus pais...



CENA PÓS-CRÉDITOS DA MARVEL (2)

Johan Cruyff, um tritão da guarda real e poeta de nascença, era o único que  não se ajuntou com alguém. Todas as sereias o amavam, mas nenhuma o desejava. Chegava a ser estranho isso. Certo dia após um trabalho exaustivo, emergiu na mesma praia onde Gerd vive.

-- Pelo menos aqui é melhor. – comentou enquanto se ajeitava na rocha pra pegar um pouco de sol.

E cinco minutos depois ouviu um belo som de alaúde, vindo da beira da praia. Olhou de quem vinha e surpreendeu-se. Era da moça de cabelos negros e olhos castanhos vista naquele dia no navio.

Eu duvido que haja moça mais bonita do que eu.
E mesmo assim todos os homens olham para outras e não eu.
E nada do que fiz para conquistar quem amo
Certo não deu!

Felicity, a prima de Louise, parou de cantar e seguiu caminhando. A decepção na música se deve do seu noivo, um italiano, rejeitá-la e desde então lutou para reconquistar. Nada feito.

-- Ah milady, se eu ao menos tivesse pernas, só eu posso ter você em meus braços...

Johan continuou observando Felicity de longe e jurou continuar assim até algum dia aquela lady lhe notar...

FIM