Mais um capítulo de Holiday Romance saindo do forno e Maris Campos é quem escreve. No capítulo dela teremos um pequeno salto de algumas semanas depois dos Monkees terem sabotado o encontro das garotas com a turma do Bayern de Munique e a fundação do clube de teatro. Boa leitura!
Capítulo 16: Palco de Emoções
Evanna’s POV
Eu estava atrasada para o encontro do
clube de leitura. Naquela tarde, iríamos falar sobre As Brumas de Avalon. Corria
feito maluca, e recebi uma mensagem de Mary Anne no Whats:
“Cadê você, Evie? Só falta você.”
“Eu me atrasei um pouco na
biblioteca. Estou chegando.”
Estava tão apressada que trombei com
um cara alto, de cabelos cacheados, que eu não sabia definir se eram ruivos ou
loiros. Ele lembrava um pouquinho o veterano de sociologia Bob Dylan, devido ao
tipo de judeu.
- Mil perdões. – pedi.
- Não tem problema. –
respondeu ele. – Ei, você não é Evanna Davies, aluna de jornalismo, que estava
recepcionando os convidados na festa de Halloween, vestida como o Dr. Watson?
- Sim, sou eu. E você, quem é?
- Meu nome é Art
Garfunkel. Estou no curso de filosofia. Fui à festa com uma fantasia de
Carlitos, mas cheguei bem tarde.
- Acho que me lembro de
você... Bem, me desculpe, Art, mas preciso correr. Estou atrasada para o
encontro do clube de leitura.
- Vá lá. Mas antes espere
só um pouquinho. – ele abriu sua pasta, tirou de lá um caderninho e uma caneta,
escreveu algo, destacou a folha e me entregou.
– Me adicione no WhatsApp, sim?
- Ok...
Achei aquilo um pouquinho
precipitado. Mal trocamos algumas palavras e o cara já quer que eu o adicione
no WhatsApp? Mesmo assim, resolvi que o adicionaria quando já estivesse em meu
alojamento, com calma.
Entrei na sala de aula onde o
clube se reunia. Pete, Mary Anne, Felicity... Todos estavam a minha espera.
- Que demora,
priminha. – disse a insuportável da
Jenna. Eu tento não guardar mágoas em relação a ninguém, mas ela testa minha
paciência desde que éramos pequenas.
- Eu estava na biblioteca,
Jenna. – sentei em minha cadeira, ao lado de Pete, e dei o assunto por encerrado.
Enquanto conversávamos sobre
as Brumas, notei que Felicity parecia
triste por algum motivo. Eu soube que
ela havia terminado com Eric Burdon na noite de Halloween. Entretanto, já fazia
alguns meses que isso havia acontecido. Ela ainda não devia ter superado...
A reunião foi divertida, e nem vi o
tempo passar. Logo que demos a reunião
por encerrada, Jenna saiu. Pete e Felicity começaram a trocar ideias sobre Game Of Thrones, e eu me senti um pouco
perdida, pois não entendo nada da série. Bem que eu gostaria de vê-la, além de
ler As Crônicas de Gelo e Fogo,
porém, estou sempre ocupada.
Então, fui falar com Mary
Anne. Contei a ela sobre Art, e ela me disse:
- Evie, acho que ele não
sabe que você tem namorado... Creio que,
se soubesse, ele não seria tão saidinho.
- Vou pelo menos tentar
fazer amizade com ele. Ele parece ser legal.
- Não custa nada. – disse
Mary Anne.
Pete nos acompanhou até nosso
alojamento. Mary Anne foi ao seu quarto
para ver Sherlock Holmes: O Jogo de
Sombras. Entrei no meu, me joguei na
cama e adicionei o número de Art Garfunkel.
Esperei que o Whats atualizasse, e logo sua foto apareceu nos meus
contatos. Mandei uma mensagem:
“Oi?”
“Olá”,
a resposta não demorou a chegar. “Desculpe-me
ser intrometido, mas... Aquele narigudo que estava vestido de cavaleiro
medieval na festa de Halloween é seu
namorado?”
“É sim, por quê?”
“Só curiosidade.”
Fiquei um pouquinho
desconfiada. Fui até o quarto de Mary
Anne e li a conversa para ela.
-Eu sabia! Ele está
interessado em você. – disse Mary Anne.
- É o que parece... E essa
conversa com o George Harrison aí? – vi que seu WhatsApp estava aberto na
conversa com o guitarrista dos Beatles.
- É só uma conversa entre
amigos, Evie. Nada de mais.
- Vou contar para o Roger.
– eu disse, rindo.
- Evie! Pela última vez: o
George não está a fim de mim.
- Sei, sei.
* * *
Emily’s POV
- Elinor! Elinor! Faz mais de vinte
minutos que você está aí no banheiro! – gritei para a minha prima.
Vi a maçaneta girar.
- Desculpa, Emily. –
Elinor estava impecavelmente arrumada. Nem parecia a mesma pessoa.
- Aonde você vai assim,
Elinor? – perguntei.
- Bom... Lembra-se do Robert
Plant? O cara vestido de Lestat na festa de Halloween?
- Lembro sim... Vocês trocaram uns beijos.
- Sim... – minha prima
sorriu. – E hoje vamos sair para jantar.
- Boa sorte. – eu sorri
para ela, quando ouvimos a porta abrir. Quem entrou foi minha outra prima,
Fanny, e ela disse a Elinor:
- Mana, o seu pretendente
está à sua espera.
- É a minha deixa. – disse
Elinor. – Até mais tarde, meninas.
- Até. – dissemos Fanny e eu.
Notei que Fanny carregava um
embrulho debaixo do braço.
- O que é isso, Fanny? –
perguntei.
- Ah, é um presente que eu
ganhei do Bob. – ela disse.
Ela tirou do saco de presente
uma pelúcia. Era o Baby Groot, de Guardiões
da Galáxia. Minha prima mais nova e suas nerdices.
- Que fofinho. – eu disse.
- Bob sabia o quanto eu
queria essa pelúcia. Achei muito fofo da parte dele comprá-la para mim.
Fanny levou o Baby Groot para
seu quarto, o maior santuário nerd da face da Terra. Eu não estou exagerando.
Minha prima decorou todo o quarto com artigos de Star Wars, Star Trek, HQs e filmes da Marvel e da D.C., Senhor
dos Anéis e O Hobbit. Ela colocou o Baby
Groot em sua cama, ao lado de um Mestre Yoda e um Bilbo Bolseiro, que também
eram de pelúcia.
- Foi fofo mesmo, Fanny. –
eu disse. – Prima, você já pensou em ser mais do que apenas a melhor amiga
dele?
- Como assim, Emily?
- Fanny, você sabe o que
quero dizer.
-Ok.... Emily, ele é meu
Star Lord! Meu Spock, meu Han Solo. Você
precisa que eu diga algo mais?
- Não. – eu sorri. – Bem,
eu acho que vocês dois não vão demorar a se acertar.
- Eu espero. Você sabe que Bob é meio complicado para
demonstrar sentimento.
- Mas ele gosta muito de
você. Isso é visível.
- É, isso não posso
negar. Você já soube da novidade? Louise
McGold, Odile Greyhound e os Monkees estão criando um grupo de teatro!
- Sério? Que legal! Eu não
sabia que os Monkees atuavam...
- Pois é, nem eu. Mas me
disseram que eles são bons nisso.
Suzan’s POV
Naquela manhã, eu havia acordado
decidida a recomeçar do zero. Esquecer Micky definitivamente. Ele era legal,
mas não havia química entre nós. Era fácil perceber que ele e Emma combinavam
mais entre si.
E, além disso... Havia Peter. Ele
havia sido tão bonzinho comigo na festa de Halloween! Consolou-me e fez-me
companhia durante toda a noite. E era tão fofo... Eu poderia estar apaixonada
por ele? Talvez.
Saí para fazer uma caminhada e
arejar a mente. E quem eu encontrei? Sim, Peter.
- Oi, Suzy. – ele sorriu
para mim.
- Oi, Peter. – devolvi o
sorriso.
- Hã, Suzy, eu estava
pensando...
- O quê, Peter?
- Hã... Você... Gostaria
de ir ver a primeira reunião do grupo de teatro? Quem sabe você até se
interessa em se juntar a nós? Sua amiga Jane Berkley também está no grupo.
- Eu adoraria, Peter!
Quando vai ser?
- Hoje, às catorze horas.
- Eu estarei lá. – dei um
beijinho nele.
- Encontre a gente no
auditório, ok?
- Ok.
Fui para lá no horário
combinado. Estavam lá Lulu, Odile, Jane,
Peter, Davy, Dianna, Mike, Alice, ... E
Micky e Emma. Eu já não estava com raiva
dos dois. Cumprimentei-os educadamente, e ambos devolveram a saudação da mesma
maneira. Peter me disse:
- Sente-se numa das
cadeiras da plateia, Sue.
Fiz como ele disse, e todos os
outros também se sentaram, com exceção de Louise. Peter sentou-se ao meu lado,
e confesso que num primeiro momento fiquei vermelha. Lulu, de cima do palco,
disse:
- Primeiramente, obrigada
a todos por comparecerem a essa reunião. Bem, pessoal, faz algum tempo que
Odile e eu temos esse desejo de montar um clube de teatro aqui na Universidade
de Londres, e a oportunidade surgiu quando conversávamos com os Monkees alguns
dias atrás. – naquele momento, supus que
Lulu e Odile haviam perdoado os Monkees por terem estragado seu encontro com os
intercambistas alemães, pois os meninos pensavam que eles eram membros da
seleção alemã de futebol. Mas, para falar a verdade, ninguém sabia muita coisa
sobre eles. - Nós já decidimos qual
será nossa primeira peça. Será uma encenação do musical Grease!
- Eu adoro esse filme! –
exclamou Jane.
- Então acho que vai
adorar trabalhar nessa peça, Jane! Bem, será que já podemos definir o elenco?
Todos concordaram. A prima de
Felicity disse, então:
- Para começar, a nossa
estrela! Das meninas aqui presentes, quem não pretende atuar?
Dianna e eu erguemos a
mão.
- Ok, Dianna e Suzan,
vocês podem ajudar nos bastidores, se quiserem. Sobramos Odile, Emma, Jane,
Alice e eu. Pessoal, das meninas que vão
atuar, quem vocês consideram a mais indicada para o papel de Sandy?
- Odile! – todos
exclamaram ao mesmo tempo.
- Puxa... Fico até sem
graça. – Odile deu um pequeno sorriso.
- Admita, Odile, você
gostou disso. – Louise riu. – Certo, temos Sandy. E quanto a Danny?
Todos os olhares se
voltaram para Davy. Ele ficou um pouquinho envergonhado.
- Hum... – ele se mexeu em
sua cadeira. – Eu acho que não sou o mais adequado para o papel.
- Sem essa, Cuddly Toy. –
disse Dianna.- É lógico que é você quem
deve interpretar Danny. Dos meninos, você é quem tem mais jeito de galã. E não
digo isso só porque você é meu namorado.
- Não, não é lógico, srta.
Spock. – disse ele, em referência à camiseta de Dianna, que imitava um uniforme
azul de Star Trek, como o usado por
Spock.
- Davy, confesse que não
quer fazer o papel porque tem medo de que Dianna reprove. – disse Mike.
- Hã... Está bem,
confesso. É por isso mesmo.
- Relaxe, amor. – disse
Dianna, pegando a mão dele. – Eu apoio que você faça o papel.
- Obrigado, Di.
- Temos o casal principal!
– Louise estava exultante. – Precisamos agora de nossos T-Birds e nossas Pink
Ladies! Vamos ver... Mike, o que acha de ser o Kenickie?
- Eu topo. – disse ele.
- Se Mike será Kenickie,
eu serei Rizzo! – exclamou Alice.
- Não há como Rizzo ser
outra. Bem, já que Odile será Sandy,
nada mais justo do que eu fazer o papel de Frenchy.
- Só acho que Micky deve
interpretar Sonny. Só acho. – disse
Peter.
- Eu concordo! – disseram
Mike e Davy juntos.
- Concordam com isso,
meninas? – perguntou Louise.
Todas estavam de pleno
acordo. Sonny exigia um ator com senso de humor e meio maluquinho, e meu ex era
exatamente assim. Como só havia quatro
Monkees, e os T-Birds eram cinco, decidiram esquecer Putzie e Peter assumiu o
papel de Doody. Jane foi escolhida para
o papel da atrapalhada Jan. Por fim, Emma foi escalada para ser Marty, a Pink
Lady com quem Sonny fazia de tudo para sair. Devo dizer que não me incomodei
nem um pouquinho com isso.
E Dianna parecia não estar nem
aí para o fato de que Davy iria fazer papel romântico com a Odile. A estudante
trekker de história não tinha motivos para isso. Davy só tem olhos para ela. Louise disse:
- Por hoje é só. Começamos
os ensaios na quinta-feira. Obrigada mais uma vez.
Eu estava pronta para sair,
quando Peter perguntou:
- Sue, posso acompanhá-la
até seu alojamento?
- Claro, Peter. – eu sorri
para ele. Era oficial: eu estava apaixonada pelo mais atrapalhado dos Monkees.

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