quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Ensaio sobre a visão do mundo (3º Capítulo)

Olá pessoal!
Tenham uma boa noite e ficam com novo capítulo de Ensaio. Está de novo curto mas no próximo será um pouco longo. Boa leitura!


Capítulo 3: A perseverança vem de nós


Fefe baixou por três dias no hospital e suas amigas não puderam vê-la por conta da família. Sophie, a mãe, não permitiu que nenhuma delas visse sua filha. Nora sofreu muito, preocupada com sua amiga.

-- Preciso falar com ela. – disse Nora, determinada.

-- Sabe como falar isso para Sra. McGold? – Marie tentou persuadir Sophie, um ato infrutífero.

-- Não sei mas vou tentar.

As aulas daquele dia foram cansativas e o tempo se arrastava...


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Louise não estava bem. Além de ter sua alergia despertada, teve também seu monóculo destruído e apanhou de um grupo de estudantes raivosos. E pra piorar, não tinha ânimo para sua consulta semanal. Compareceu ao consultório, usando óculos escuros e lendo outro livro.

-- Srta. McGold! – chamou a secretária Eva. – O doutor Müller vai lhe atender.

Foi mesmo de sempre. Ela sentava na cadeira, lendo seu livro e esperava algum movimento dele que a tirasse de seu foco. Desta vez, Gerd notou algo estranho: Louise de óculos escuros e lendo.

-- Fraulein McGold, por que está lendo de óculos escuros?

Louise guardou o livro e o encarou. Não sorriu.

-- Porque eu quis, doutor. – respondeu, séria.

-- Então tire, por favor! – ordenou o médico, com a lanterna. – Quero ver como está sua visão.

Para sua surpresa, ela tirou os óculos e se espantou. Os olhos roxos, alguns cortes na bochecha e o nariz vermelho. Certo que ela chorou.

-- Fraulein, o que aconteceu? – perguntou o médico, preocupado.

-- Apanhei na universidade.

-- Mas por que?

-- Quando se é anormal com olho deformado e ser a mais nerd da sala, acaba provocando ira nas pessoas. – lamentou Louise, tentando transformar aquilo em algo hilariante.

-- As pessoas normais às vezes querem que tudo seja perfeito e não aceitam o que é diferente,tornando- as fracas. Você é forte cuidando daquela menina cadeirante e suas amigas.

-- Talvez não seja forte.

-- Você é, Louise.

-- Eu não sou! – berrou a menina, se levantando da cadeira e encarando o oftamologista. --  Sabe o que é ter que acordar gritando toda noite por que sonhou com o acidente que provocou isso? Sabe o que é ver sua prima, que via como normal por não ter nada, agora contrair uma doença incurável? Sabe o que é manter um sorriso motivador pra suas amigas, dizer que tá tudo bem, mas no fundo não tá?
Sabe... – ela chorava demais. -- O que é não saber o que é namorar por que nenhum cara quer ficar com uma caolha?

A sensação que o médico teve era de devastação. Louise sofria em silêncio e nunca mostrou isso para suas amigas. Talvez nem para a garota cadeirante. Abraçou a paciente.

-- Eu namoraria com você.

-- Diz isso porque é meu médico.

-- Eu falo sério.

Em seguida trocaram um beijo suave. O contato dos lábios dela tornou tudo melhor... e mais amoroso. Louise poderia continuar mas empurrou Gerd. Espantada, pegou a mochila.

-- Me deixa!

E saiu porta a fora, disposta não consultar mais com o Dr. Müller. Já o doutor saiu atrás da menina.

-- Louise! – chamando-a. – Espera! Por favor!

-- Me deixa! – pediu, exasperada. – Quero ficar sozinha, esquecer o que aconteceu e me acalmar antes de ir para a casa da Alice.

Ela embarcou no táxi e seguiu para casa.



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E veio o grande dia do baile anos 50. Todos os convidados e alunos foram vestidos conforme a temática do lugar. Por ser o começo, a banda principal não subiu ao palco e pessoal se divertia ao som de clássicos do rock.

Na pista, as amigas de Felicity dançavam juntas com Odile, a irmã de Marie e de Chelsea O’Malley, uma garota do curso de Moda.

-- Ela não vem, Nora. – disse Marie. – Talvez esteja doente.
Nora acreditava veemente que Fefe viria pra festa. Anos 50 era a época favorita da menina. E neste momento avistou a galesa maior, entrando atrás do palco, carregando o case de sua guitarra. Ela correu até sua amiga.

-- Felicity!

-- Oi, Nora! – Fefe abraçou. – Olha, depois da festa preciso te contar uma coisa.

-- Não vá agora! – Nora puxou o braço dela. – Eu preciso saber.

-- Nora...

-- Por favor, eu fiquei preocupada naquele dia que cuspiu sangue e...

-- Nora, eu to doente! Tenho leucemia!

Aquela notícia pegou a escocesa em cheio. Como um tiro no coração. E as lágrimas brotaram de seus olhos azulados. Outro abraço ocorreu nelas.

-- Eu vou cuidar de você, sassenach!

-- Hoje é festa anos 50. – respondeu Fefe, escondeu sua tristeza. – Depois eu te dou os detalhes. Vamos nos divertir. Por favor, torne esse momento algo melhor.

Nora não promete mas se esforça para exibir um sorriso de pura alegria.

No outro lado, Louise veio acompanhada de Belle e Arthur Blue e trazendo Alice na cadeira de rodas.

-- Vocês podem dançar. – disse a galesa cadeirante, bebendo seu ponche. Ela estava linda com seu vestido de bolinhas pretas e óculos de coração.

-- Nem pensar! – Belle empurrava a cadeira de Alice para pista. – Dança conosco!

Arthur e Belle se alegravam com Alice ali. Lulu também dançava mas sozinha. Ela usava um vestido azul e portava um de seus tapas-olhos personalizados. Alguns convidados não gostaram e passaram a olhar torto para a menina e inclusive debochar dela.

Alice ouviu claramente um rapaz falando mal de Louise e usando o controle remoto da cadeira, virou-se para o aluno e gritou:

-- Ei, você! – apontando. – Você mesmo!

E como um carro em alta velocidade atropelou indivíduo, causando susto nos outros.

-- Qual é? Sua maluca!

-- Nunca mais fale dessa forma com ela! – e finalizou ao passar a cadeira por cima da perna dele.

Os irmãos Blue e Louise levaram Alice para uma das mesas e a festa voltou ao normal.

-- Minha luinha, não faça mais isso. – Louise verificava se não aconteceu nada de errado em sua amada.

-- Ele mereceu! – esbravejou Alice. – Falando mal de você daquele jeito.

-- Todo mundo aqui me odeia.

-- Mas quem ousou odiar você? – perguntou Belle, oferecendo doces para os três.

-- A universidade inteira. Exceto meus amigos de verdade. Inclusive quebraram meu monóculo no início da semana.

Alice se irritou e quase se preparou para dar outro atropelamento no mesmo rapaz mas Arthur impediu.

-- Podem voltar pra pista. – sugeriu Louise. – Vou depois.

Os três retornaram a dançar. A loirinha apenas observava e chorou baixinho. Depois saiu um pouco do salão, permanecendo numa das cadeiras para a boa vista noturna. Foi aí que aconteceu algo inacreditável. Uma moto Harley Davidson estacionou perto dos outros carros. Seu piloto trajava uma jaqueta de couro, calça jeans, sapatos pretos semelhantes usados pelos famosos “Teddy boys”, os motoqueiros da época.

Lulu reparou que o rapaz a enxergou e por usar óculos escuros não reconheceu. Ele se aproximou dela.

-- Olá, ursinha!

Imediatamente soube que o homem a sua frente era ninguém menos que seu oftalmologista.

-- Dr. Müller? – disse, chocada e tirando os óculos dele. – Nossa! Não sei se estou vendo Bruno Gantz ou um James Dean alemão.

-- Imaginei que gostasse. – respondeu gentilmente e guardou os óculos no bolso.

-- Olha, a banda está tocando Elvis. Gostaria de dançar comigo?

-- Claro. – e estendeu o braço para ela.

Entraram juntos e logo provocaram uma sensação de surpresa em todos. Arthur se chocou legal, Belle muito impressionada indagou para Alice.

-- Quem é o bonitão da Louise?

-- Dr. Müller! – respondeu Alice, animada. – O “McDreamy” dos olhos do meu sol.

E a festa só estava começando...


Continua...

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