Tenham uma boa noite e ficam com novo capítulo de Ensaio. Está de novo curto mas no próximo será um pouco longo. Boa leitura!
Capítulo
3: A perseverança vem de nós
Fefe baixou por três dias no
hospital e suas amigas não puderam vê-la por conta da família. Sophie, a mãe,
não permitiu que nenhuma delas visse sua filha. Nora sofreu muito, preocupada
com sua amiga.
-- Preciso falar com ela. –
disse Nora, determinada.
-- Sabe como falar isso para
Sra. McGold? – Marie tentou persuadir Sophie, um ato infrutífero.
-- Não sei mas vou tentar.
As aulas daquele dia foram
cansativas e o tempo se arrastava...
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Louise não estava bem. Além de
ter sua alergia despertada, teve também seu monóculo destruído e apanhou de um
grupo de estudantes raivosos. E pra piorar, não tinha ânimo para sua consulta
semanal. Compareceu ao consultório, usando óculos escuros e lendo outro livro.
-- Srta. McGold! – chamou a
secretária Eva. – O doutor Müller vai lhe atender.
Foi mesmo de sempre. Ela
sentava na cadeira, lendo seu livro e esperava algum movimento dele que a
tirasse de seu foco. Desta vez, Gerd notou algo estranho: Louise de óculos
escuros e lendo.
-- Fraulein McGold, por que
está lendo de óculos escuros?
Louise guardou o livro e o
encarou. Não sorriu.
-- Porque eu quis, doutor. –
respondeu, séria.
-- Então tire, por favor! –
ordenou o médico, com a lanterna. – Quero ver como está sua visão.
Para sua surpresa, ela tirou os
óculos e se espantou. Os olhos roxos, alguns cortes na bochecha e o nariz
vermelho. Certo que ela chorou.
-- Fraulein, o que aconteceu? –
perguntou o médico, preocupado.
-- Apanhei na universidade.
-- Mas por que?
-- Quando se é anormal com olho
deformado e ser a mais nerd da sala, acaba provocando ira nas pessoas. –
lamentou Louise, tentando transformar aquilo em algo hilariante.
-- As pessoas normais às vezes
querem que tudo seja perfeito e não aceitam o que é diferente,tornando- as
fracas. Você é forte cuidando daquela menina cadeirante e suas amigas.
-- Talvez não seja forte.
-- Você é, Louise.
-- Eu não sou! – berrou a
menina, se levantando da cadeira e encarando o oftamologista. -- Sabe o que é ter que acordar gritando toda
noite por que sonhou com o acidente que provocou isso? Sabe o que é ver sua
prima, que via como normal por não ter nada, agora contrair uma doença
incurável? Sabe o que é manter um sorriso motivador pra suas amigas, dizer que
tá tudo bem, mas no fundo não tá?
Sabe... – ela chorava demais.
-- O que é não saber o que é namorar por que nenhum cara quer ficar com uma
caolha?
A sensação que o médico teve
era de devastação. Louise sofria em silêncio e nunca mostrou isso para suas
amigas. Talvez nem para a garota cadeirante. Abraçou a paciente.
-- Eu namoraria com você.
-- Diz isso porque é meu
médico.
-- Eu falo sério.
Em seguida trocaram um beijo
suave. O contato dos lábios dela tornou tudo melhor... e mais amoroso. Louise
poderia continuar mas empurrou Gerd. Espantada, pegou a mochila.
-- Me deixa!
E saiu porta a fora, disposta
não consultar mais com o Dr. Müller. Já o doutor saiu atrás da menina.
-- Louise! – chamando-a. –
Espera! Por favor!
-- Me deixa! – pediu,
exasperada. – Quero ficar sozinha, esquecer o que aconteceu e me acalmar antes
de ir para a casa da Alice.
Ela embarcou no táxi e seguiu
para casa.
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E veio o grande dia do baile
anos 50. Todos os convidados e alunos foram vestidos conforme a temática do
lugar. Por ser o começo, a banda principal não subiu ao palco e pessoal se
divertia ao som de clássicos do rock.
Na pista, as amigas de Felicity
dançavam juntas com Odile, a irmã de Marie e de Chelsea O’Malley, uma garota do
curso de Moda.
-- Ela não vem, Nora. – disse
Marie. – Talvez esteja doente.
Nora acreditava veemente que
Fefe viria pra festa. Anos 50 era a época favorita da menina. E neste momento
avistou a galesa maior, entrando atrás do palco, carregando o case de sua
guitarra. Ela correu até sua amiga.
-- Felicity!
-- Oi, Nora! – Fefe abraçou. –
Olha, depois da festa preciso te contar uma coisa.
-- Não vá agora! – Nora puxou o
braço dela. – Eu preciso saber.
-- Nora...
-- Por favor, eu fiquei
preocupada naquele dia que cuspiu sangue e...
-- Nora, eu to doente! Tenho
leucemia!
Aquela notícia pegou a escocesa
em cheio. Como um tiro no coração. E as lágrimas brotaram de seus olhos
azulados. Outro abraço ocorreu nelas.
-- Eu vou cuidar de você,
sassenach!
-- Hoje é festa anos 50. –
respondeu Fefe, escondeu sua tristeza. – Depois eu te dou os detalhes. Vamos
nos divertir. Por favor, torne esse momento algo melhor.
Nora não promete mas se esforça
para exibir um sorriso de pura alegria.
No outro lado, Louise veio
acompanhada de Belle e Arthur Blue e trazendo Alice na cadeira de rodas.
-- Vocês podem dançar. – disse
a galesa cadeirante, bebendo seu ponche. Ela estava linda com seu vestido de
bolinhas pretas e óculos de coração.
-- Nem pensar! – Belle
empurrava a cadeira de Alice para pista. – Dança conosco!
Arthur e Belle se alegravam com
Alice ali. Lulu também dançava mas sozinha. Ela usava um vestido azul e portava
um de seus tapas-olhos personalizados. Alguns convidados não gostaram e
passaram a olhar torto para a menina e inclusive debochar dela.
Alice ouviu claramente um rapaz
falando mal de Louise e usando o controle remoto da cadeira, virou-se para o
aluno e gritou:
-- Ei, você! – apontando. –
Você mesmo!
E como um carro em alta
velocidade atropelou indivíduo, causando susto nos outros.
-- Qual é? Sua maluca!
-- Nunca mais fale dessa forma
com ela! – e finalizou ao passar a cadeira por cima da perna dele.
Os irmãos Blue e Louise levaram
Alice para uma das mesas e a festa voltou ao normal.
-- Minha luinha, não faça mais
isso. – Louise verificava se não aconteceu nada de errado em sua amada.
-- Ele mereceu! – esbravejou
Alice. – Falando mal de você daquele jeito.
-- Todo mundo aqui me odeia.
-- Mas quem ousou odiar você? –
perguntou Belle, oferecendo doces para os três.
-- A universidade inteira. Exceto
meus amigos de verdade. Inclusive quebraram meu monóculo no início da semana.
Alice se irritou e quase se
preparou para dar outro atropelamento no mesmo rapaz mas Arthur impediu.
-- Podem voltar pra pista. –
sugeriu Louise. – Vou depois.
Os três retornaram a dançar. A
loirinha apenas observava e chorou baixinho. Depois saiu um pouco do salão,
permanecendo numa das cadeiras para a boa vista noturna. Foi aí que aconteceu
algo inacreditável. Uma moto Harley Davidson estacionou perto dos outros
carros. Seu piloto trajava uma jaqueta de couro, calça jeans, sapatos pretos
semelhantes usados pelos famosos “Teddy boys”, os motoqueiros da época.
Lulu reparou que o rapaz a
enxergou e por usar óculos escuros não reconheceu. Ele se aproximou dela.
-- Olá, ursinha!
Imediatamente soube que o homem
a sua frente era ninguém menos que seu oftalmologista.
-- Dr. Müller? – disse, chocada
e tirando os óculos dele. – Nossa! Não sei se estou vendo Bruno Gantz ou um
James Dean alemão.
-- Imaginei que gostasse. –
respondeu gentilmente e guardou os óculos no bolso.
-- Olha, a banda está tocando
Elvis. Gostaria de dançar comigo?
-- Claro. – e estendeu o braço
para ela.
Entraram juntos e logo
provocaram uma sensação de surpresa em todos. Arthur se chocou legal, Belle
muito impressionada indagou para Alice.
-- Quem é o bonitão da Louise?
-- Dr. Müller! – respondeu
Alice, animada. – O “McDreamy” dos olhos do meu sol.
E a festa só estava
começando...
Continua...
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