terça-feira, 28 de maio de 2019

Lady McCartney's Lover (3º Capítulo)

Olá, pessoal!
Tenham uma boa noite e recuperando a escrita aos poucos, vamos para o terceiro capítulo desta adaptação do romance de D.H. Lawrence. Boa leitura!


Capítulo 3: Desejos


Felicity começou sua manhã de terça-feira com um banho quente em seu quarto particular. Já era décima noite que dormia sozinha e seu marido não a chamava para compartilhar da mesma cama. Não dormia direito pensando numa forma de recuperar seu amor. De uns tempos pra cá a madame reparou na nova empregada da casa, uma ruiva miúda chamada Jane Asher. Ela é a única que dava banho no Lord McCartney. Felicity diversas vezes se dispôs a isso e Paul a negava veemente, preferindo a delicadeza de Jane do que a disponibilidade e boa vontade de sua esposa legítima, o que aborrecia Fefe bastante.

Quando saiu da banheira e alcançou a toalha para se secar, avistou da janela o guarda-caça escocês George.  Ele andava de novo com a camisa aberta, devido o calor. Fefe observava o belo rapaz e sem querer gemeu, pensando em seu toque. Só foi desperta no exato momento que Nora, a irmã dele, adentrou o quarto.

-- Lady Felicity!

-- Ai minha nossa! – se assustou e cobrindo seu corpo com a toalha. – Sra. Moon, não apareça mais assim!

-- Perdoe-me, milady! – Nora abaixou a cabeça em sinal de respeito. – Quer ajuda para colocar o espartilho?

-- Pode.

Nora terminou de secar o corpo de sua patroa e a ajudava a se vestir. Por alguns momentos vacilava por conta da perfeição diante de seus olhos. Felicity compunha tudo aquilo de bom e cheio de pecado. Na hora de apertar o espartilho do vestido, a escocesa exagerou a ponto de sufocar sua senhora.

-- Nora, não! – berrou Felicity, com o aperto da peça.

-- Oh céus, me desculpe outra vez, milady. – abrindo só um pouco o espartilho e não deixar tão sufocante.

-- Nora, está dispensada. Pode voltar aos seus afazeres na cozinha.

Decepcionada, Nora se retira do quarto, culpando-se pelos erros com a lady. Voltou para cozinha e chorou. Sua filha, Mandy, observou a mãe e deu um pequeno grunhido, como se quisesse perguntar algo pra ela.

-- Calma, minha fofinha. – parando de chorar. – Foi apenas um contratempo.

O café estava pronto e faltava Nora entregar para o Lord McCartney. E antes dessa entrega, Felicity surgiu na porta da cozinha, para o espanto da criada.
-- Milady!

-- Sra. Moon. – Fefe tinha o rosto corado e sem jeito pra falar. – Me desculpe pela minha grosseria.

-- Não foi minha intenção. – Nora justificou.

-- Eu sei, acontece.

Num momento lindo as duas sorriram num entendimento único.

-- Faria meu chá com bolachas? – solicitou a lady. – Como uma forma de aceitar minhas desculpas.

-- Claro!

-- Vou esperar aqui. – Fefe sentou numa das cadeiras e segurou a bebezinha Mandy no colo.

Jane correu para a cozinha e pediu a bandeja com o café da manhã de Paul. Antes de se retirar, trocou olhares nada amigáveis para a esposa do patrão e se retirou.

-- Abusada! – resmungou a lady. – Só não a ponho na rua porque meu marido gosta do trabalho dela!

Nora não comentou e seguiu preparando o chá e separando num prato as bolachas. George entrou pela porta dos fundos e gritou.

-- Nora, estou com fome. Preciso comer antes que os patrões me vejam. – ele então viu a lady na cozinha e se assustou. – Madame, me perdoe pelos maus modos de minha pessoa.

-- Fique à vontade, Sr. Smith. – sorrindo para ele. – Paul esta dormindo.

-- Obrigado, madame. – entregando as flores para ela.  – Eu as colhi para madame.

-- Oh muito obrigada.

O café da manhã foi muito agradável. Felicity não comeu na mesa principal e sim na da cozinha com Nora, sua filha e com George. Finalizada a refeição Nora se arrumou rápido para fazer compras na cidade.

-- Irei à cidade. A madame deseja algo?

-- Por enquanto, não desejo algo.

-- Gostaria de vir comigo?
Aquele convite alegrou Felicity. Fazia dias que não saía de casa desde o retorno do marido.

-- Adoraria, desde que seu irmão venha conosco.

Era vez de Joj sorrir. A simples menção da lady e passear com ela e com Nora aumentava sua alegria.

-- Claro, madame. – ele respondeu, sem esconder seu sotaque escocês.

Minutos depois e com o carro providenciado, os dois irmãos esperam Felicity e a viram descendo as escadas, lindamente pronta. Joj estendeu a mão da jovem e a conduziu para dentro do carro, junto com Nora. E os três se foram para o centro comercial de Londres.

Da janela Paul terminava sua refeição, ovos mexidos com torradas e uma xícara de café e ao seu lado a fiel Jane o espera pacientemente. Ela observava as reações do patrão e notou o desapontamento dele.

-- Felicity está me deixando cada vez mais sem saída. – comentou o lord McCartney, amassando o lenço. – Saindo com criados! Eu sabia que ela tem coração mole, mas não tanto assim.

-- Lord McCartney. – disse Jane, decidida a falar. – Se me permite dizer, gostaria de entender uma coisa. Todos os criados dizem que a lady McCartney é bondosa. Mas desde que cheguei ela não me tratou tão bem como o senhor me tratou.

-- Ela não está gostando que você assuma certas tarefas que deveriam ser ela pra fazer. – respondeu Paul enquanto tomava seu chá. – A bem a verdade, Srta. Asher, é que não quero que a Fefe sofra. Desde que voltei, tenho sido um fardo pra ela. Quantas vezes ela tentava me ajudar, mas seu corpo frágil não conseguia suportar o peso de um homem inválido? Então, eu a contratei. Se a lady McCartney não gostar ou olhar torto para você, reaja e seja firme. Eu não mandarei você embora, a menos que queira. E estará sob minha proteção.

-- Obrigada, lorde McCartney.

Com aquela afirmação, Jane se sentiu mais encorajada, tanto para continuar cuidando de seu lorde, quanto enfrentar a esposa dele.

Durante o passeio, os três conversaram muito, se conhecendo e comprando o que fosse necessário para mansão. Nora e George ganharam permissão de comprar seus mantimentos para casa deles e para bebê Mandy. Felicity comprara presentes para todos e para o marido. No final da tarde voltaram para casa, animados. Fefe distribuiu os presentes para os criados. Jane não recebeu nada e encarou sério a patroa. Fefe se aproximou dela.

-- Mais um olhar desses contra mim e estará na sarjeta e o lord McCartney não a salvará! Insolente!

Jane tremeu internamente e foi se para o quarto, se acalmar. Estava explodindo de raiva pela esposa do lord McCartney e jurou que não deixará isso se repetir.

No quarto, Fefe se produziu toda para agradar o marido. Quando foram para cama, trocaram um beijo gostoso e ela o tocou. Para seu espanto, Paul não sentiu nada.

-- Desculpa, minha esposa.

Fefe chorou.

-- Felicity, não é sua culpa.

-- Venho tentando salvar nosso amor, nosso casamento e você não reage. E briga sempre comigo e não aceita nada!

Em seguida, ela se trancou no outro quarto, só seu e chorou a noite toda. Paul demorou para dormir por conta do remorso.

Amanheceu com neblina em Londres. George levantou cedo para seu afazeres, mas por dentro, preocupado de novo com a patroa. Nora começou o café da manhã para servir e foi acordar a lady McCartney no quarto dela. Sabia que a mulher outra vez brigou com o marido e dormiu em seu quarto particular. Entrou com cuidado e a encontrou na cama, sem lençol e com o rosto ainda vermelho. Deduziu que a lady chorou mesmo toda madrugada e depois de muito esforço, dormiu bem tarde.

-- Madame. Acorde!

Fefe se levantou com dificuldade e viu Nora ali. Envergonhada, cobriu o corpo com o lençol.

-- Oh, Sra. Moon. Não olhe... Estou horrível.

-- Ainda continua linda, madame. – Nora abria a cortina e a janela. – Vou preparar seu banho.

Nora preparou o banho e ajudou na escolha da vestimenta e a retirada da camisola da milady. Outra vez suspirou admirando o belo corpo dela. A cozinheira despejava em pequenas porções a água morna no corpo da jovem e banhava com óleo de rosas e lavanda.

-- Você tem mãos leves, Sra. Moon. – elogiou Felicity.

Elas se olharam intenso. Fefe segurou as mãos da outra e a beijou na boca. Pararam um pouco.

-- Entre nesta banheira.

-- Madame...

-- Por favor...

Obedeceu e deixou suas roupas na cadeira e se juntou a ela na banheira. Continuaram os beijos, caricias. Nora tocou em sua intimidade, provocando suspiros e gemidos prazerosos na patroa. Diante do momento, elas não eram criada e milady. Eram mulheres apaixonadas. Amantes ardorosas.

-- Passe o dia comigo, Nora. – pediu. – Não quero ficar mais sozinha.

-- Eu fico, madam... digo, Felicity.

O dia só estava começando para elas e junto uma vida. Depois foram para cama, onde Fefe e Nora se amaram furiosamente. A galesa abriu as pernas e começou a lamber Nora no meio das pernas. A escocesa gemeu e puxou mais o rosto da maior, incitando aquele sexo oral. Em seguida, Nora deitou por cima e a tocou mais e a beijou mais. Trocaram declarações, palavras de amor e um pouco de safadeza. Fefe apertava o bumbum e pedia mais pela boca suave de sua amada.

-- Você é minha!

-- Eternamente... – Nora suspirava. – Eu te amo.

-- Te amo.



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2 dias antes em Ripley...

-- Não atire! – bradou. – Estou desarmado!

-- Papai. – Louise se pôs na frente.

-- Louise? – o homem certamente era o pai da estudante. Olhou em dúvida para o rapaz. – E quem é esse?

-- Gerhard Müller... Meu marido.

-- Vão na frente. E em casa me contem tudo! – ordenou o galês, bravo. – E não escondam nada!

Seguiram todos juntos para o casarão da família McGold, dona de uma das maiores vinícolas da Inglaterra. O pai chutou a porta enfurecido e gritando pela esposa.

-- MARY! MARY!

-- Está tudo bem. – disse Gerd, pra acalmar a situação.

-- Uma ova! – berrou o pai. – Eu não vou permitir isso! Irei até o Papa em pessoa pra anular. MARY!

-- Não casamos na igreja. – tentou argumentar a filha.

A fúria de Tony continuou fazendo-o gritar. A esposa, Mary, surgiu da cozinha, um pouco nervosa.

-- Que foi, homem?

-- Eis a sua filha! – apontando para Louise.

-- Louise! Minha bebê! – A mãe abraçou forte a filha. – Qual é o problema?

-- E ainda pergunta? – Tony arregalou os olhos e direcionando para Louise. – É assim que foi criada? Traindo seus pais?

-- Não traí ninguém! – respondeu e em seguida se arrependeu.

-- Não entendo. – Mary olhava tudo ao redor. – O que realmente aconteceu?

-- O que você acha? – Tony apontou a arma para o alemão. – Ele! O gringo!

Neste momento, Amanda, avó materna de Louise, desceu as escadas apressada.

-- A Louise chegou?

-- Sim. Estou de volta! – Louise correu e abraçou a avó. – Vovó!

Tony continuava furioso e berrava mais.

-- E cadê aquele moço lindo, porém narigudo? – questionou a idosa alegre. – Lord Starkey, não é?

-- Não, sra. Black! Sua neta casou, mas não com Lord Starkey. E sim com ele!

Todos olharam para Gerd e o mesmo se encontrava tranquilo.

-- O chucrute!

-- O nome dele é Gerhard Müller! – respondeu Louise, ficando na frente do rapaz.  – Ele é meu marido!

Todos olharam espantados para o soldado alemão. E notaram também que ele caminhava estranho, um passo devagar por vez.

-- É o que vivo dizendo. – resmungava Tony. – O lugar dela é aqui em casa!

-- Não, pai! O meu lugar é onde eu quiser!

Aquela afirmação deixou todos calados. Mary afastou a filha antes que ficasse pior. Neste momento, um senhor alto, um pouco mais que Tony, de barba e cabelos brancos, chapéu e suéter apareceu na sala.

-- O que está havendo?

-- Papai. – Mary explicava. – Louise voltou e está... casada.

O velho sorriu.

-- Com este... este... Jovem. – ela não teve coragem de se referir a Gerd como um soldado alemão ou gringo.

Tony achava que o patriarca da família de sua esposa daria um jeito. Ele tinha alma dura e não aceitava certas coisas. No entanto, a história foi outra. O velho tirou as luvas de couro e estendeu a mão para o soldado.

-- Meu nome é John William Black.

-- Ich Bin... Quer dizer, o meu é Gerhard Müller. – retribuindo a saudação, com alegria.

-- Bem-vindo a nossa família tão feliz!

Tony subiu as escadas em direção ao seu quarto e Louise e Gerd foram bem recebidos pela família, embora todos fossem pegos de surpresa com a revelação.




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Londres

No pub local, um galês bebia tranquilamente o uísque exportado da Escócia e olhava a foto de uma linda jovem. Ela tinha traços ingleses, dona de um cabelo ruivo longo e olhos verdes belíssimos.

-- Ela é sua esposa?

O rapaz se espantou. Era uma linda moça. Bem vestida. Porém... Com um pomo de Adão proeminente no pescoço. Ele disfarçou e conversou com ela.

-- Não. – respondeu gentilmente. – Um amor platônico. Ela casou com outro. Um alemão.

-- Deve ter sido duro pra você. – a bela moça se sentou perto dele. – Sua amada casando com outro homem.

-- Não havia saída. Era guerra. E não tinha ideia se voltaria. Então, eu tinha que deixá-la livre.

-- Entendo. – a moça retirou um cartão com um endereço. – Caso seu coração precisar de uma cura, me procure.

Ele pegou com receio e a encarou. Não sabia ao certo contudo sentiu que com ela foi diferente e inusitado.

-- Não sei seu nome.

-- Lady Katharine.

-- Sou Brandon McGold, ao seu dispor. Madame.

-- É um prazer em conhece-lo, lord McGold.

E ela foi embora, levando consigo a lembrança do cavalheiro gentil que é o belo galês Brandon...



Continua...

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