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domingo, 19 de junho de 2022

Dearest (Oneshot Grindhouse)

 Boa tarde pessoal!

Ontem foi o aniversário do Paul McCartney e escrevi uma fanfic no celular, mas só agora estou postando e acrescentei mais uma coisa. Peguei como base a confusão ocorrida no aniversário dele. Espero que gostem!


Dearest__ Maya AmamiyaE

Era 1963 e começou a chover em Londres. Felicity se acordou com o barulho da chuva e quando se virou, seu namorado já não estava mais ali. Reclamou internamente como aquela banda grava muito até num dia chuvoso e barulhento dos trovões.

 Se lembrou que teria de pegar o bolo encomendado na confeitaria e preparar a mesa. Logo seu namorado chegará…

 O estúdio comemorava o aniversário de Paul McCartney. Embora fosse simples, mais tarde será feito na casa da tia de Paul, que cedeu gentilmente a festa no jardim dos fundos da casa. Paul queria convidar Fefe, entretanto temia o que os outros diriam. Apenas a banda sabia da relação deles. Antes de falar algo, John o puxou para irem na casa da tia do aniversariante. Ele não teve chance de continuar sua ideia…

 Sete da noite e Fefe terminava os pequenos enfeites de aniversário e o bolo posto na mesa. Ela e Paul planejavam uma comemoração a dois. Só que ela não contava que haveria uma festa…

 Eram muitos convidados naquele jardim. Uma galera oriunda de Mersey e que empresariados também por Brian Epstein, foram desejar parabéns a Paul. E o baixista ainda sentia um aperto em seu coração…

 – Eu não acredito que fez isso. Ainda mais na chuva. – Nora Smith colocava os pratos e os talheres.

 – É por uma boa causa. – Garantiu Fefe.

 – Ok. Eu vou pra sarjeta pra deixar vocês dois juntinhos no nosso apartamento. – Falou em tom de brincadeira e choro.

 – Nora!

 – Tudo bem.

 Quase dez da noite e Paul ainda dava atenção aos convidados e ao mesmo tempo não percebeu algo com John Lennon. Ele estava triste e bebia excessivamente. Caminhando de um lado pra outro, ora rindo das pessoas, ora sendo hostil. Depois ele passou por Bob Wooler, o disk jockey do Cavern Club e muito conhecido por auxiliar na divulgação das músicas não só dos Beatles, como também de outras bandas de Liverpool. Apesar dessa convivência, o DJ não era lá muito confiável, com seu sarcasmo denunciando uma falsidade sem tamanho. Ele estava bem bêbado e ao avistar John, iniciou uma provocação.

 – Então Lennon, como é estar com Brian na Espanha?

 John se virou pra ele.

 – O que disse?

 – Todo mundo quer saber. E ainda não acredito que sua mulher não diz nada.

 – Sobre Brian ele é um amigo. Empresário e amigo das bandas.

 – Ah tá.. e escondendo uma paixão por você. E até suspeito que você corresponda.

 Aquilo foi demais para o beatle. John socou forte Bob na frente de todos os convidados. Lennon o empurrou para o portão e não satisfeito, pegou uma pá localizada no jardim e surrou o DJ com o cabo. O pobre homem se defendia e apanhava mais tendo seus dedos bem machucados. E poderia ter morrido com espancamento se não fosse alguns integrantes de bandas segurarem Lennon.

 – Eu ainda vou matar o Bob. – Berrava o beatle alcoolizado.

 Paul, George e Ringo se lamentavam do amigo. E Cynthia mais ainda. Depois dessa Paul se afastou do burburinho e se sentou nos degraus da casa da tia. Foi aí que a viu ali, esperando por ele na entrada…

Fefe esperou demais e só percebeu que Paul estava numa festa quando Bill Harry, o editor do Mersey Beat, passou no apartamento da galesa, achando que ela e Nora já sabiam disso e pretendia levá-las.

 – Festa? Não sabia. George não me contou. – respondeu Nora chocada.

 Fefe, que antes estava brava com Paul pelo atraso, agora soube da verdade.

 – Aguarde uns 5 minutos Harry.

 Elas se arrumaram e Bill as levou. De cara viram John Lennon agredindo alguém e depois a ambulância levando a vítima.

 – Mal chegamos e temos uma confusão daquelas… – comentou Nora.

 Lennon ainda segurado por Billy J. Kramer, continuou a falar todo estranho e enrolado.

 – Olhem só quem está aqui. – Ele gritava e se sacudia um pouco e apontou para as convidadas. – A galesa e a escocesa! As namoradas do Paul e do George!

 Imediatamente a atenção voltou para as duas. Todos observavam a dupla de amigas e muitos admiraram elas e outros diziam o quanto os dois Beatles eram sortudos. Novamente Lennon e Cynthia foram auxiliados e finalmente foram embora. Os convidados aos poucos se retiraram da casa e pediram desculpas. Paul era o mais prejudicado. Seu aniversário estragado e seu relacionamento revelado.

 – Me desculpa Felicity. – Paul segurava a mão da namorada e a olhava triste. – Devia ter contado antes…

 – Tudo bem. – Respondeu resignada. – Estou no lugar errado.

 – Mas no dia certo.

 Ele a puxou para um beijo gostoso e acariciando o rosto delicado da galesa.

 – Estou com medo de magoar você. – Fefe ainda tinha medo do futuro.

 – Eu não quero quebrar seu coração. A partir de hoje quero que seja só minha!

 – O pessoal não gostou de saber que sou sua namorada. – Disse e riu nervosa.

 – Não tô nem aí o que pensam. – Paul ainda a olhava fascinado. – Estou com a melhor garota do mundo. E a mais bonita. A minha musa inspiradora.

 Felicity sorriu e beijou mais seu amado.

 – Acho melhor colocar outro apelido em mim.

 – E como devo te chamar?

 – "Fefe" no dia a dia. "Meu desejo" quando estamos na cama. E "Lover" quando mostrar incrivelmente apaixonado.

 – Ah! Gostei!

 De perto George e Nora assistiam seus amigos juntos e também se beijaram. Paul agradeceu a tia e seguiu para o apartamento das garotas, onde viu uma mesa completa. Bolo, quitutes, pratos. Tudo pronto e simples. Paul adorou demais.

 – Posso ir com vocês? – Perguntou Ringo, bem perdido.

 – Não! - Respondeu Nora, brava. – Vaza daqui.

 Ringo fez uma cara de criança triste e em seguida foi puxado pela escocesa e George.

 – Estou brincando. Vem com a gente!

 Os cinco seguiram para o apartamento, comeram o bolo e beberam e riram da situação que se deu. Fefe pegou o violão e dedilhou as notas de Dearest, do Buddy Holly. Paul adorava Buddy Holly e cantou junto.

 

Dearest - though you're the nearest to my heart
please don't ever - umm ya
ever say we'll part

You scold and you were so bold
yes together - umm ya
our love will grow old - umm ya
our love will grow old

You may be a million miles away
please believe me - umm ya
when you hear me say
I love you - I love you

Come home - keep me from these sleepless nights
try my love again - umm ya
I'm gonna treat you right - umm ya
I'm gonna treat you right

 Paul McCartney nunca esqueceu Felicity McGold em todos esses anos. O tempo mostra que o amor ainda permanece. Mesmo com outras pessoas, seu sentimento ainda é recíproco. E tudo isso foi provado em seu aniversário.

    FIM




domingo, 20 de setembro de 2020

When I'm Sixty Four (Songfic)

 Olá, pessoal!

Tenham uma boa noite e vamos hoje de songfic. Aos poucos estou voltando escrever esse tipo. E hoje vai abordar um casal LGBT, Bran McGold e Karl Heinz Rummeninge. Karl logo vai aparecer nas minhas próximas fics. E a ideia da songfic veio após assistir pela milésima vez o filme Yesterday e de repente, "cismei" com a música e me dei conta (pra vocês verem que sou esquecida em alguns momentos) que este ano, meu pai faria 64 anos em janeiro e ano que vem minha mãe fará 64 anos também em janeiro e este ano Karl e Bran tem essa idade. Aliás, o aniversario do Kalle é dia 25 de setembro. Pensei em postar bem no dia, mas vou antecipar. Boa leitura!



When I’m 64__ Maya Amamiya

 

Bran olhava para o campo e os relevos dos alpes alemães. Não conseguia ler o livro mesmo sentado na cadeira preguiçosa. Um rapaz loiro de procedência alemã se juntou a ele, trazendo dois copos de cerveja.

 

-- É lindo aqui! – Comentou o alemão, roubando um beijo do amado.

 

-- Sim... – Bran concordava. – Karl, já se imaginou com 64 anos?

 

-- Por que 64 anos?

 

-- É aleatório. E também o início da terceira idade. – Bran ria e desviava o olhar para o cenário geográfico.

 

Kalle sorriu, bebeu um pouco de cerveja e suspirou. Se imaginou mesmo com essa idade...

 

When I get older losing my hair
Many years from now
Will you still be sending me a Valentine?
Birthday greetings bottle of wine
If I'd been out 'till quarter to three
Would you lock the door?
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four?

(Quando eu ficar mais velho, perdendo meus cabelos
Daqui a muitos anos
Você ainda irá me mandar presentes no dia dos namorados
Saudações no aniversário, garrafas de vinho?
Se eu estiver fora até quinze pra ás três
Você irá trancar a porta?
Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar
Quando eu estiver com sessenta e quatro?)

 

Entretanto, a velhice para Kalle era assustador. Não teria o dobro da energia que possui enquanto é jovem, sua pele enrugada, a personalidade provavelmente mudaria. De pessoa boa e doce para um velho rabugento. Riu da possibilidade. Mas se era pra envelhecer dessa maneira, que seja junto do seu galês liverpooliano.

You'll be older too
And if you say the word
I could stay with you

(Você estará mais velha também

E se você disser que
Eu poderia ficar com você)


 -- Se a gente envelhecer, teremos capacidade de consertar algo? Como um fusível? – Questionou o jogador alemão, esticando as pernas.

-- Sessenta e quatro anos não é um mundo perdido. – Respondia Bran, otimista. – Claro que não teremos mais nossa juventude. Ainda seremos nós. Partes manuais conseguimos fazer. Posso até mesmo tricotar.

-- E você já se imaginou idoso?

A pergunta pegou de surpresa o outro. Antes de responder, sorriu e muito inspirado.

 

I could be handy, mending a fuse
When your lights have gone
You can knit a sweater by the fireside
Sunday morning go for a ride
Doing the garden, digging the weeds
Who could ask for more?
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four?

(Eu poderei ser útil, consertando um fusível
Quando suas luzes apagarem
Você poderia me tricotar um suéter perto da lareira
Nas manhãs de domingo iremos dar uma volta
Cuidando do jardim, arrancando as ervas daninhas
O que mais eu poderia querer?
Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar
Quando eu estiver com sessenta e quatro?)

 

-- Com sessenta e quatro anos, me imagino aposentado como jogador, mas ainda participando ativamente do Liverpool. Como presidente do time, vivendo de modo humilde com a Angie, com meus filhos, netos. Que meus netos se chamem...

-- Vera, Chuck e Dave? – Completou Kalle, sorrindo. – De tanto que falou nos Beatles, que comprei o disco que tem essa música. Acho que era Sgt. Peppers.

-- Correto.

-- Nunca me imaginei nessas condições. – Karl fazia gestos com os dedos e olhava para o relevo. – Com sessenta e quatro anos quero ser dirigente de clube, ter minha família, viver feliz e estar com você. Aqui, ali e em qualquer lugar.

-- Mesmo se um dia alugarmos uma cabana na Ilha de Wight ou na Toscana, onde só nós dois viveríamos?

-- Em qualquer circunstância. – Respondeu o alemão, puxando levemente o rosto do galês para perto e finalizando com um beijo.

Every summer we can rent a cottage
In the Isle of Wight, if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera, Chuck and Dave

(Todo verão poderiamos alugar uma cabana
Na Ilha de Wight, se não for caro demais querida
Iremos passar por um aperto e economizar
Netos nos nossos colos
Vera, Chuck & Dave)

46 anos depois...

Após a coletiva de imprensa, onde Bran, como presidente do Liverpool FC, decretava o futuro do time para o ano que vem, ele seguiu para sua casa, que fica na área rural da metrópole. Sua casa, que é na verdade um sobrado com toques de fazenda, era linda e com um jardim florido e algumas plantações. Subiu as escadas e entrou no quarto. Pegou o celular e realizou uma chamada no Facetime.

Karl ainda estava na cama. Mesmo sendo dez horas da manhã, ele não tinha nenhuma vontade de se levantar. Entretanto, sua atenção foi despertada quando o celular tocava. Uma chamada de vídeo. Era ele.

-- Gutten morgen, mein liebe!

-- Bom dia, Kalle! Feliz 64 anos!

-- Meu Deus... Por que? – O atual presidente do Bayern de Munique escondia o rosto com a mão, rindo da situação. – Agora sei porquê estou triste e molenga.

-- Por que?

-- Por causa do meu aniversário que nem me dei conta. – Riu da própria resposta e se levantou da cama, de pijama. – Podia ter mandando um postal, telegrama ou mensagem no What’sApp.

 

Send me a postcard, drop me a line
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four?

 

(Mande-me um cartão postal, mande-me um telegrama
Informando o seu ponto de vista
Indique precisamente o que quer dizer
Um atenciosamente supérfluo
Me dê uma resposta, preencha no formulário
Minha para todo o sempre
Você ainda vai precisar de mim, você ainda vai me alimentar
Quando eu estiver com sessenta e quatro?)

 

 

-- Telegramas não se usam mais, Karl Heinz Rummenigge. – Bran segurava o celular e caminhava ao redor do quarto. – E lembra do que falamos há muitos anos atrás?

 

-- Sobre os sessenta e quatro anos, sim. E me dei conta que realizei tudo aquilo que falei. E você também.

 

-- Em parte.

 

-- Por que?

 

-- Meus netos se chamam Sally, Phillipe e Dave e vieram do Rupert com a Melanie.

 

-- Hahaha! Foi quase.

 

-- Feliz aniversário, meu amor! E minha “Lady Katharine”, de Lippstadt.

No passado, Karl se vestiu de mulher para um programa de auditório. Não só ele, mas participaram Sepp Maier, Jupp Kappelmann e Berti Vogts. Depois disso, Kalle voltou se vestir de mulher para “testar” Bran. Um teste bem sucedido... e gostoso.

 

-- Nunca vou me esquecer, meu belo cavalheiro de Liverpool.

 

-- Eu te amo.

 

-- Ich liebe dich! E Brandon, vou fazer 65 anos.

 

 

 

FIM

 

 

*Cenas pós créditos da Marvel*

 

 

Era quase hora do almoço e Bran terminou sua ligação de vídeo com Karl. Desceu as escadas e ajudou Angie, sua esposa, a preparar a comida.

 

-- Como está o Kalle? – Ela perguntou.

 

-- Paguei mico. Errei a idade dele. – Bran cortava a cebola e jogava na panela com óleo fumegante e mexeu. 

 

-- Acontece nas melhores famílias.

 

-- Quando aliviar essa pandemia, vamos para Ilha de Wight?

 

-- Com certeza.

 

Neste momento, a campainha toca. Rita, a filha mais velha, atendeu e recebeu a visita. Avisou a família.

 

-- Pai, é o Giovanni.

 

-- Avise a Abby.

 

No mesmo instante, Doreen, a filha do meio, se acordou bem tarde e saiu do quarto ainda vestindo o pijama. Quando viu Giovanni Maldini na sala, uma onda súbita de enjoo se abateu e ela correu para o banheiro. Gorfou forte.

 

-- Oh, nossa! – Angie largou os pratos e correu para ajudar a filha.

 

Bran estranhou isso. Fazia dias que Doreen estava muito estranha e quase todo momento se trancava no banheiro e vomitava. Suspeitou bulimia. Ele mal esperava por uma novidade maior...





 



domingo, 20 de outubro de 2019

Ain't She Sweet? (UA - 1º Capítulo)

Olá, pessoal!

Hoje vou postar mais uma beatlefic mas esta é diferente: não se passa no universo da Grindhouse e sim num alternativo e é na mesma época que se passa a fanfic da Maris Campos, Our Love Was no blog Peripécias de uma Garota Qualquer. Rapidamente vou apresentar as personagens.

Bruna Schneider - Maris Campos
Ivanna Lee - Inara Araujo (eu)
Louise Maier - Maris Grey
Victoria Stephens - Vit Arantes

Agora vamos ao primeiro capítulo. Boa leitura!




Ain’t She Sweet__ Maya Amamiya

Capítulo 1: It’s been a hard day’s night

Bruna Schineider é a típica garota de dezoito anos que abandonou a cidade de Munique da Alemanha Ocidental, unicamente para vir estudar em Londres. Não que detestasse sua cidade. Mas aguentar sua família falando sobre a guerra que perderam para os Aliados, estava lhe cansando. E essa viagem a Londres se tornou seu ritual de independência. Ganhar a bolsa de estudos era tudo que queria. Ou ao menos pensava nisso...
Para o ano de 1964, ela fez uma série de planos. E se desse certo, fixaria residência em Londres, terminaria sua faculdade de Letras e se puder, outra de Filosofia e começaria sua tese. No entanto, percebeu algo estranho. O trem no qual embarcou andava devagar e parou na estação. De repente, três rapazes correram até o vagão e embarcaram, escapando da histeria de um bando de jovens que os perseguiam.
Os três seguiram no corredor e um deles, o mais jovem, se encantou pela garota alemã. Bruna olhou bem para ele e corou ao perceber que estava flertando. Desviou o olhar. Poucos minutos depois o trem andou, distanciando do bando louco juvenil.
-- Com licença. – Uma garota loira, baixinha e de vestido e um cardigã cinza bateu na porta da cabine. – Posso ficar aqui? As cabines estão cheias.
-- Claro. – respondeu Bruna.
A jovem alemã não gostava de conversar com gente que não conhecia e para disfarçar sua insegurança, pegou um livro na mala.
-- Esse é bom. – comentou a menina baixinha.
Bruna olhou a capa.
-- “O Médico e o Monstro”?
-- Isso. – disse, sorrindo. – Meu nome é Louise Maier.
-- Maier? – Bruna se espantou. Será que a menina ali era da Alemanha? – Você... Me perdoe perguntar. Mas você é da Alemanha?
-- Sim. – ela riu. – Metten.
-- Somos quase vizinhas. Eu sou de Munique. Me chamo Bruna Schineider.
-- Prazer em te conhecer, Bruna. Então, o Lester te chamou também?
-- Quem é Lester?
-- Ué? Não conhece Richard Lester? O diretor?
-- Eu não estou entendendo nada.
Louise deu risada e explicou cuidadosamente para Bruna a respeito do filme de uma banda de rock chamado Os Beatles e Richard Lester filmava a cena do trem, mostrando a era da beatlemania. Os jovens que ali corriam atrás da banda, eram contratados figurantes e Louise era um deles. Bruna escondeu o rosto no livro, de vergonha. Embarcou no trem sem saber que era tudo parte de uma filmagem.
-- Meu Deus! – Bruna colocava as mãos no rosto, ainda escondendo sua vergonha. – A última coisa que queria era participar de um filme de uma banda de rock. E agora?
-- O jeito é aproveitar. – Louise era mais animada. – Mas hoje eu tenho um plano.
-- De que?
-- Eu verei o Ringo Starr. O problema é que tem um grupo de garotas que vai filmar com eles no trem e uma delas... É a mais bonita.
Bruna entendeu tudo.
-- Não acha que pode dar um problema? E se você for presa?
-- O plano é simples e ninguém sai ferido. Só preciso ser cuidadosa. Vem comigo.
Bruna, sempre certinha, não gostava daquilo, mas ao lembrar do rapaz bonito visto no corredor ser um dos Beatles, animava mais. O único defeito era que não sabia seu nome. Ela e Louise encontraram um grupo de garotas se arrumando e conversando. As roupas lembravam um pouco os uniformes colegiais e das comissárias de bordo sem chapéu de acompanhamento. Louise furta duas destas roupas e Bruna olha numa das cadeiras das atrizes escrito “Patricia Boyd”.
-- Vamos, Bruna!
Elas voltaram para sua cabine e se trocaram rapidamente. No exato momento que saíram, foram chamadas para gravar.
-- Aí estão vocês. – chamou um figurinista. – Entrem logo no próximo vagão. O diretor chama todos.
Elas compareceram junto com parte do elenco. Richard colocou Bruna e Louise para gravarem na cena onde os Beatles e junto com ator Wilfrid Brambell, o que faz o avô de Paul McCartney no vagão onde guardam as bagagens pesadas e gaiolas de animais.
-- É o nosso dia de sorte, Bru! – Louise mostrava mais animação.
No exato momento que os Beatles apareceram, o tal rapaz jovem olhou Bruna e paralisou. A alemã tremia as mãos e queria emitir uma palavra.
-- Você deve ser a Pattie, não é? – perguntou o beatle mais jovem.
Bruna não respondeu. Tamanha sua alegria e surpresa, misturada com um pouco de indignação por ser chamada de Pattie.
-- Sim! – respondeu Louise, prontamente.
-- Sou George.

-- Bru... Digo, Pattie. – Disfarçou a menina.

A tomada foi anunciada e a claquete batida. Bruna tenta ser autêntica e sorria tanto para George, quanto para os outros. Louise ficou no lado de fora da cabine, junto com mais 3 meninas. Como por ironia do destino ou o universo quisesse conspirar a favor de Bruna e George, a música tocada era I Should Have Known Better.

I should have known better
With a girl like you.
That I would love everything
That you do
And I do,
Hey, hey, hey,
And I do.
Whoa, oh, I never realized
What a kiss could be.
This could only happen to me.
Can't you see?
Can't you see?
That when I tell you that I love you,
Oh,
You're gonna say you love me too,
Oh,
And when I ask you to be mine,
You're gonna say you love me too
So, oh, I should have realized
A lot of things before.
If this is love
You've gotta give me more.
Give me more,
Hey, hey, hey,
Give me more.
Whoa, oh, I never realized
What a kiss could be.
This could only happen to me.
Can't you see?
Can't you see?
That when I tell you that I love you,
Oh,
You're gonna say you love me too,
Oh,
And when I ask you to be mine,
You're gonna say you love me too
You love me too.
You love me too.
You love me too
.


Ao final da música, a cena a seguir a banda tinha que correr para o carro e escapar de novo dos fãs. Antes da retirada, George lança outro olhar para Bruna e seguiu junto com os outros.

-- Corta! – gritou o diretor. – Muito bom!

Louise e Bruna ficaram um pouco distantes do elenco de figurantes.

-- Sua sortuda. A gente se conhece há 40 minutos e já ganha o coração do George?!

-- Eu... não sou muito ligada a música, mas... George é tão lindo!

-- Harrison não é meu beatle favorito contudo ele canta muito bem. – Louise percebe que o diretor conversava com outros figurantes e assistentes.  – Bruna, vamos para nossa cabine e rápido. Pegue suas coisas e vamos cair fora!

-- Mas por que?

Quando elas chegaram, deixaram as roupas do elenco na cadeira, pegaram as malas e saíram do trem.

-- Vou te contar. Quem deveria estar na cena na cabine com os Beatles enquanto cantavam, era uma atriz chamada Patricia Boyd. As roupas que pegamos era dela.

-- Puta merda! Trapaceamos! – berrou Bruna. – A gente pode ser presa!

-- Calma! Ninguém saberá quem somos. E veja o lado bom. Você estava diante dos Beatles, bem mais perto do George. E eu que só olhei pro Ringo.

-- Quer saber, chega de bandas de rock. Preciso me focar na faculdade.

Louise, também estudante universitária de Londres, guiou Bruna até o alojamento central e mostrou o quarto de sua nova amiga.

-- O que achou?

-- É legal. – Olhou para janela e avistou um estúdio branco. – Que prédio é aquele?

-- É o Abbey Road. É um estúdio de gravação.

Um novo começo de vida para Bruna e novos rumos para ela e sua nova amiga, Louise, iniciaram no trem... O restante... Era ver para crer.


Continua...

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Give Me Love (4º Capítulo)

Olá pessoal!
Tenham uma boa noite e fiquem com a fic que foi ressuscitada por conta de seu hiatus desde 2011/2012. Falo de Give Me Love. E tá na reta final! Boa leitura!


Capitulo 4: Everybody’s Trying To Be My Baby

Suzan POV
Não era bem o esconderijo que esperava, todavia, o que posso dizer? Era o único lugar que ninguém se atreveria vir. Pelo menos era o que achei.
-- Por favor, Rosie. – disse eu, temerosa. – Tem certeza que ninguém vai procurá-los aqui?
-- Só se uma de nós resolver denunciar os rapazes. – respondeu Rosie, enfática e guardando a bolsa no quarto e voltando para sala. – Vocês querem algo?
Ringo levantou a mão feito um aluno.
-- Quero chá, por favor.
Rosie foi até a cozinha preparar. Jane já se apropriou do toca discos da sala e ficou escolhendo por um bom tempo um som. Por fim colocou Beatles For Sale. Paul McCartney parecia encantado com minha amiga loira. Ringo caminhou pela casa e John seguiu para onde Rosie está. E eu e George... sozinhos.
-- Posso pedir desculpas por tudo que aconteceu? – não sabia bem se George ia aceitar isso.
-- Desculpas do quê? – ele estranhamente sorria. – Nunca senti tanta emoção como agora. Quer dizer, fugir das fãs é fácil. Mas com alguma garota não.
-- Sinal que coloquei sua vida e dos rapazes em perigo. – lamentei.
-- Suzan...
Ele tocou meu rosto e estávamos próximos... até que a porta subitamente abre e revela em primeiro a irmã mais nova de Rosie, a pequena Vivian.
-- Oi, Rosie! – ela chegou falando alto e depois paralisou com a visão -- O que os Beatles estão fazendo na sala?
-- Fugindo dos fãs, mana. – explicou Rosie, trazendo Ringo e John para sala e servindo xícaras de chá. --Por favor, não conta pra ninguém, nem mesmo para Sanae.
Não adiantou. A mãe de Rosie chegou ao mesmo instante, com uma sacola de compras.
-- Meninas, cheguei! – ela fechou a porta e quando se virou, foi o susto. -- AI MEU DEUS!
-- Mamãe, eles são... Os Beatles. – Rosie tentava acalmar a mãe. -- Só estão se escondendo dos fãs...
-- Eles... Eles... – pobre sra. Donovan. Ela entrou em pânico. -- É melhor pensar numa idéia de tirá-los daqui, Rosie. Em dois segundos este bairro vai saber que os Beatles estão aqui.
-- Ninguém vai saber disso.
-- Só ficaremos um pouco aqui. – garantiu George. – Rapazes, acho melhor irmos embora.
Neste momento, John saiu do banheiro, com o terno meio amassado e a calça quase caindo. Só agora reparei que Rosie está com os lábios inchados como se tivesse beijado muito e ao que tudo indica, Lennon causou isso.

George POV
E mais uma vez minha tentativa de beijar o broto foi por água abaixo. Notei que a moça ruiva, Rosie, andava meio mancando e John com uma dor nas pernas. Suzan foi conversar com as mulheres e ficamos os quatro, com Ringo e Paul tomando chá.
-- O que aconteceu? – perguntei.
John massageava os joelhos e gemia de dor, enquanto Ringo se engasgava com o chá e ria ao mesmo tempo.
-- Querem mesmo saber? – John chamou todos mais perto. – Eu e minha musa fizemos amor no banheiro.
Maior espanto de todos. Ringo cuspiu o chá, Paul se afoga e eu não digo nada. Apenas observo até onde essa safadeza dele vai parar. Todos sabem que Lennon está deixando (ou já deixou) de amar sua mulher e muitas vezes flertava com outras, sejam atrizes e cantoras ou até mesmo com as groupies.
Minutos depois Paul ligou para Brian para dizer onde estamos e eu fiquei seriamente preocupado. À medida que o tempo passava, a preocupação era maior e o medo também.
-- Daqui a pouco o Brian está aqui. – avisou Paul.
-- Eu vou com você. – disse Suzan, aparecendo. – É o mínimo que devo fazer depois de toda encrenca causada.
Uma hora depois dois táxis pararam em frente a casa.
-- Rapazes! – Brian saltava fora do veículo e caminhou até o portão. – Vamos logo!
Antes do embarque nos despedimos das garotas e da família acolhedora. Ringo e Paul deram mais presentes para Vivian e Lennon roubou um beijo de Rosie. Suzan segurou meu braço.
-- Eu preciso te dizer uma coisa.
-- O que é? – já me deixou preocupado.
-- Vamos logo, taxista! Precisamos estar no aeroporto logo. – ordenou Brian.
E fomos embora. Lennon estava no meu lado e Brian no banco ao lado do motorista.
-- George... – chamou John.
-- Me deixa. – pedi, sem muita animação. – Não deu certo.
-- Não acha melhor... esperar no ano que vem?
-- Pra quê? E nem sei se vamos voltar pra cá.
-- Não falo em retornar a Liverpool. E sim... No Shea Stadium.
Agora lembrei o que ele queria dizer. E pra falar a verdade, faltava pouco pro ano acabar...

Cenas do próximo capítulo
(Rosie mostrando os ingressos): -- Vamos ao Shea Stadium!
(As garotas): -- FINALMENTE!
(Após o show, mostra elas indo para o camarim deles. Suzan procurando George.): -- George!
(George): -- Você!

E vem aí a reta final!

Continua...