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domingo, 13 de outubro de 2019

Athena (Oneshot - Grindhouse)

Olá, pessoal!

De novo vou postar algo. Vamos ler a oneshot "Athena", que é uma prequel da fanfic Love Sell Out. O encontro de uma noite só e um pouco da rivalidade Mods vs Rockers. Boa leitura!


Athena__ Maya Amamiya


1966

Aquela sexta-feira estava chuvosa em Londres. O que não impediu de um grupo de jovens freqüentarem seu lugar favorito: o Marquee Club. Uma banda formada por quatro rapazes, usando ternos pretos e cinzas com três botões e calça slim justa no corpo. E sapatos bico fino de couro sempre lustrados, tocavam alegremente seus hits e os “mods”, como eram chamados os jovens que se vestiam daquela maneira, dançavam ao som deles. Meio furioso, meio rítmico.

Um táxi parou em frente ao Marquee e dali saltaram quatro garotas abrindo um enorme guarda chuva. Uma delas, a maior, pagou o taxista e entraram juntas, sendo bem recebidas pelos seguranças e a recepcionista. Pagaram e deixaram seus casacos e o guarda chuva nos armários disponíveis.

-- Da próxima vez eu mesma vou chamar um táxi antecipado. – reclamava uma delas de sotaque francês.

De repente o público começou a dançar loucamente com som do grupo.

People try to put us down
(Talkin' 'bout my generation)
Just because we get around
(Talkin' 'bout my generation)
Things they do look awful cold
(Talkin' 'bout my generation)
Hope I die before I get old
(Talkin' 'bout my generation)

It's my generation
It's my generation, baby

Why don't you all fade away
(Talkin' 'bout my generation)
And don't try to dig what we all say
(Talkin' 'bout my generation)
I'm not trying to cause a big sensation
(Talkin' 'bout my generation)
Just talkin' 'bout my generation
(Talkin' 'bout my generation)

It's my generation
It's my generation, baby

Why don't you all fade away
(Talkin' 'bout my generation)
And don't try to dig what we all say
(Talkin' 'bout my generation)
I'm not trying to cause a big sensation
(Talkin' 'bout my generation)
Just talkin' 'bout my generation
(Talkin' 'bout my generation)

It's my generation
It's my generation, baby

My, my, my, my generation

People try to put us down
(Talkin' 'bout my generation)
Just because we get around
(Talkin' 'bout my generation)
Things they do look awful cold
(Talkin' 'bout my generation)
Hope I die before I get old
(Talkin' 'bout my generation)

It's my generation
It's my generation, baby

Talking 'bout my generation (my generation)
Talking 'bout my generation (my generation)
Talking 'bout my generation (my generation)
Talking 'bout my generation (my generation)


Com dificuldade foram para o balcão e pediram as bebidas ao barman.  Observaram o público. Só mods, pensou a garota alta de cabelo preto e botas. Embora vestida como um deles, ela se considera tanto “rocker” quanto mod.

-- Até que eles têm um som bom. – Concordou a menina de traços russos.

-- O baterista é tão lindo. – Disse a escocesa de olhos grandes e azulados.

As outras riram. O último namorado da jovem foi um guitarrista, chamado George Harrison, do grupo The Beatles.

-- Pela primeira vez Nora não se apaixona pelo guitarrista ou vocalista. – Ria sua amiga, a francesa e em seguida lançou um olhar para o cantor. – Mas esse vocalista tem uma pinta de deus grego.

As quatro beberam um pouco seus drinques e conversavam alegremente durante a música.

-- Ele tem. – Apoiou a mais alta e galesa. – Contudo, parece um anão de jardim.

-- E o nariz daquele guitarrista. – Apontou a jovem russa. – É imenso e ele parece maior que você, Felicity.

Felicity sorriu. Ela não se importava com o nariz dele e sim com os olhos azuis. Como o mar do Norte.

-- Não me importo com o narigão dele e sim com os olhos. – Disse a galesa chamada Felicity, conhecida como Fefe. – Agora só queria saber o que o baixista tem.

-- O mocinho que toca baixo?

-- Isso. Meu Deus, ele parece uma máquina. Não reage. Está vendo, Ana?

Anastacia, ou somente Ana, olhava encantada para o baixista.

-- Ele é bem bonito.

-- Estamos aqui há um bom tempo falando sobre esses moços bonitos, mas alguém sabe o nome da banda? – questionou a escocesa de nome Nora.

A francesa chamada Marie encontrou um cartaz na parede do bar com a estampa de um alvo com as cores azul, vermelho e branco e o nome em letras grandes.

-- Segundo o cartaz, eles são The Who.

-- The Who? – Fefe nunca ouvira falar. – Que raio de nome é esse pra uma banda?

-- Será que eles têm uma música chamada “quem é você”? – Ana zombou um pouco.

Elas riram e beberam mais um pouco.

-- O guitarrista canta bem... – Fefe não poupava elogios ao guitarrista. – Ou essa bebida tem efeito afrodisíaco?

Percebendo isso, Marie afastou o copo de sua amiga.

-- Vamos com calma.

-- Mas de repente deu um calor também. – Ana tirava a manta de flores estampadas e deixava no balcão junto com a bolsa de Nora.

A banda começa cantando I Can’t Explain.
Got a feeling inside (Can't explain)
It's a certain kind (Can't explain)
I feel hot and cold (Can't explain)
Yeah, down in my soul, yeah (Can't explain)

I said ... (Can't explain)
I'm feeling good now, yeah, but (Can't explain)

Dizzy in the head and I'm feeling blue
The things you've said, well, maybe they're true
I'm gettin' funny dreams again and again
I know what it means, but

Can't explain
I think it's love
Try to say it to you
When I feel blue

But I can't explain (Can't explain)
Yeah, hear what I'm saying, girl (Can't explain)

Dizzy in the head and I'm feeling bad
The things you've said have got me real mad
I'm gettin' funny dreams again and again
I know what it means but

Can't explain
I think it's love
Try to say it to you
When I feel blue

But I can't explain (Can't explain)
Forgive me one more time, now (Can't explain)

I said I can't explain, yeah
You drive me out of my mind
Yeah, I'm the worrying kind, babe
I said I can't explain


No meio da música Fefe e Marie se juntaram aos mods na dança. Apesar de ser uma rocker que se veste como mod, Felicity tem uma incrível habilidade pra dançar. Sua amiga concordava plenamente e se movimentava conforme a música e o ritmo corporal da colega. Ana e Nora se animavam demais vendo as duas e foram com elas para dançar com todos.

Quando a banda parou, uma música de fundo embalou a turma mod e as garotas voltaram para o balcão. Já os integrantes trocavam idéias, contudo Pete, o guitarrista não tirava os olhos da morena alta e bela. Desde sua entrada se fascinou de imediato por ela. Óbvio que ela não lembrava em nada Karen Astley, no entanto possuía algo, fazendo-o recordar de Annie e Evanna. Talvez o jeito mais atrevido e um pouco doce. Aquela mulher era totalmente incomum.

Ele planejou se aproximar dela até que alguém puxou seu braço. Era Roger.

-- Você não vai até lá.

-- Por que não? – desafiou Pete. – Não vejo uma garota dessas desde... Você sabe.

-- Ah, minha nossa...

Pete se aproximou da moça alta. Tentou afastar a timidez e pagou duas bebidas.

-- Para você. – disse o guitarrista e usando óculos escuros.

Fefe estava meio distante das garotas para flertar com ele e aceitou.

-- Obrigada. – Fefe sorria e se mostrava confiante, apesar da ansiedade. – Você toca muito bem a guitarra.

-- Muito obrigado pelo elogio. – Pete resistiu à vontade de tirar os óculos. Preferia manter o charme.  – Então, está gostando do Marquee?

Fefe bebericava e sem querer deu um risinho.

-- Estou. – respondeu. – O público é legal, a música não é nada ruim. E é uma das raras vezes que vejo mods.

-- Vê mods? – estranhou o guitarrista.

-- Eu não sou daqui.

-- Logo vi com esse sotaque. Veio de Liverpool?

-- Sou galesa. Mas fui criada lá. Atualmente moro com uma amiga escocesa enquanto junto dinheiro pra comprar meu próprio apartamento.

-- Isso é tão legal. Venha morar em Londres. Só não te recomendo em Sheperd’s Bush. Sabe, pela arruaça.

-- Os mods...

-- Ok, agora quero saber. – Pete denotou um pouco de irritação na voz. Não gostava como a moça falava dos mods. – Você não é mod?

Fefe largava a bebida. Prevendo o pior.

-- E se eu não for?

O silêncio de Pete foi até suspeito e a moça se preparava pra deixá-lo, mas a mão dele agarrou a sua.

-- Desculpa.

-- Sou eu que peço desculpas. Preciso te contar um segredo.

Pete e ela ficaram próximos.

-- Sou uma rocker. – respondeu sorrindo.

É a vez de Pete retribuir o sorriso. Mesmo diante da sinceridade e indo contra seu “código mod”, ele não se importou.

-- Isso é bem incomum. – admitiu. – Como nos encontrou?

-- Minha amiga francesa. – apontando para Marie, que neste momento debatia com o vocalista loiro sobre Edith Piaf e Johnny Lee Hooker. – Ela gosta de cena alternativa. E confesso que gostei mesmo. Sei que não tô vestida como vocês, mas gosto de motos e do que vejo por aqui.

-- Obrigado. – Pete sentia o coração batendo mais depressa.

Enquanto isso no bar, as amigas de Felicity ganharam total atenção dos outros integrantes da banda. John adorou conversar com Ana, Keith afastou um mod bêbado de perto de Nora e a protegeu e Roger e Marie em seu debate um tanto estranho. Já Pete e Felicity pareciam desta vez se entrosar e quase acontecendo um beijo. Até que um mod de rosto estranho, abriu a porta e deu um aviso:

-- ROCKERS!

Num curto espaço, motocicletas Harley Davidson invadiram o local e alguns rockers provocavam a mais barulhenta briga com seus rivais certinhos de ternos.

-- Puta merda! – exclamou Ana, pegando a bolsa.

-- Malditos rockers... – reclamou Moonie.

-- É a galera da Fefe. – disse Nora, em pânico.

-- Como assim? – o baterista não compreendeu.

-- Minha amiga, a que está com o guitarrista. Ela é um deles. Uma rocker.

Um dos motoqueiros, possivelmente o líder, espancava alguns mods quando avistou a galesa alta saindo com Pete.

-- TRAIDORA! – gritou o rocker líder. – ELA ESTÁ AQUI! COM O INIMIGO!

Fefe puxou Pete de volta. O guitarrista não ia permitir uma coisa dessas e não era um bando de rockers que o amedrontariam.

-- Precisamos ir. – disse.

-- Posso enfrentar eles. – berrou o guitarrista.

-- Não! Não pode. Estão em grande número. – implorou a moça. – Por favor, não faça isso. Por mim...

A briga continuava. O líder dos rockers queria alcançar Fefe, mas cada passo que dava, brotava mais dois ou três mods o impedindo. Obedecendo a súplica da garota, Pete correu junto com ela para fora e chamou seus amigos. As amigas de Fefe também foram acompanhadas com eles. Saíram do Marquee Club e ainda chovia.

-- Que droga! – gritou Keith, saindo pelos fundos com o pessoal. – Ainda chove.

-- Não vai ter briga? – perguntava Roger, cuja ansiedade em bater num dos invasores era enorme. – Eu tô sedento para bater num rocker!

-- Não vamos brigar. – anunciou Pete. – Estamos acompanhados.

-- Mas está chovendo, docinho! – John debochava de Pete e o mesmo não se irritou.

Cada um deles embarcaram nas lambretas e suas garotas na garupa e usando um casaco longo pra proteger da chuva.

-- Vamos para nosso apartamento.

-- Espera! – John manifestou um pouco de descontentamento e apontou para Felicity. – Ela vai junto?

-- Claro que vai! – Pete não tinha receios e John foi convencido por fim.

-- Qualquer lugar é melhor do que aqui. – afirmou Ana.

-- E você me deve uma bebida, garotão. – disse Marie, dando um beijinho em Roger.


-- Com prazer.

Dando a partida nas motos, o quarteto distanciou do Marquee Club sob a chuva noturna, ao mesmo tempo em que viaturas chegaram e prenderam os rockers e o líder deles. Alguns mods não escaparam da voz de prisão e entraram no camburão e minutos depois, levados para o Palácio da Polícia e registrando a queixa e multa.

Chegaram ao apartamento deles, sob uma rua aparentemente calma, se não fosse outro pub com música alta.  Ao abrir a porta, as garotas entraram e de cara o quarteto masculino arrumou a sala e guardou suas roupas espalhadas nos armários. Roger providenciou os copos e serviu para cada uma delas uísque com gelo. John ajeitava a vitrola e um tanto indeciso, colocou Cry to Me cantada por Solomon Burke.  Moonie lavava o rosto e escovava os dentes.  Pete se olhava no espelho e viu que estava bem vestido e voltou para sala.

-- Dança comigo. – convidando Fefe.

A galesa não recusou e concedeu sua mão ao jovem guitarrista. Roger e Marie continuaram de onde parou a conversa. Ana e Nora foram para a cozinha e encontraram os outros dois.

-- Não repara na bagunça, ok? – pediu John.

-- Nem reparei. – dizia Ana, entre risos.

Moonie continuava encantado por Nora.

-- Parece uma boneca, sabia?

-- Obrigada, lindinho. – agradeceu a escocesa.

Roger não perdeu tempo e tirou Marie para uma dança, junto com Pete e Fefe. Apesar de o som estar razoável por medo de despertar os vizinhos, o clima era bem romântico.

-- O que você viu nele? – indagou o guitarrista.

-- Quem?

-- Aquele cara. O rocker...

-- Ah. – Fefe riu um pouco e voltou encarar Pete. – Não sei.

-- Você é a garota mais bonita que já vi.

-- Diz isso para todas. – ria Fefe, com certa modéstia.
-- É verdade. Nunca vi algo tão belo e diferente como você. Sinto que.... – Pete pausou e em seguida tocou a mão dela. – De alguma forma... Estou ligado a você.

-- Ou estamos ligados. – ela disse, puxando de leve o guitarrista para perto.

Não demorou muito e aconteceu um beijo. Os 3 integrantes, mais as 3 garotas vibraram e voltaram a fazer companhia a eles. A noite prometia para ambos os quartetos...

No outro dia Pete acordou e ao tatear o seu lado da cama, notou que Felicity não se encontrava mais. Nem as roupas, botas e a bolsa dela estavam ali. Se levantou rápido e encontrou o restante da banda tomando café.

-- Elas já foram. – avisou John, pegando outra xícara para Pete.

-- A que horas?

-- Acho que umas seis da manhã. – respondeu Roger, com a boca cheia. – Eu vi a Marie se arrumando e se desculpou pra mim por não ficar mais tempo.

-- A minha boneca também foi. – lamentou Keith. – Foi a melhor transa que tive.

Pete se sentou na mesa, um pouco frustrado. Isso até John entregar um papel para ele.

-- Que merda é essa? – perguntou Pete.

-- É o telefone do trabalho da Ana. A galesa altona trabalha com ela. – respondeu Enty, enquanto bebia café.

Meses depois foi lançado o segundo álbum do The Who, intitulado A Quick One , trazendo uma música em questão chamada A Quick One While He Is Away, a primeira ópera rock que Pete tentou escrever.

E o ano novo entrou e tudo novo para ele. Mesmo com semanas de vendas do segundo álbum, Pete já arquitetava o próximo. E foi no meio desta concepção que o destino conspirou a seu favor naquela manhã no estúdio Grahamshire. Kit Lambert e Chris Stamp fizeram as apresentações.

-- Miss McGold, esse é Pete Townshend, o guitarrista do Who e o primeiro a ser fotografado. Pete, essa é Miss Felicity McGold, a fotógrafa da revista Rolling Stone.

Novamente os olhares se encontraram e junto as lembranças de um primeiro encontro e noite no Marquee Club no ano passado.



2019

-- Foi desse jeito? – Paul McGold, o filho caçula de Pete e Fefe, havia lido os diários do pai e comentou isso para os pais, que lhe contaram tudo em detalhes.

-- Achou o quê? Que fosse como contos de fadas? – Fefe ria enquanto tirava uma travessa de pudim do forno.

-- Bem... – Karin, a filha guitarrista e dois anos mais velha que Paul, também era outra que leu. – Era o ano de rivalidade dos mods e rockers.

-- Quero que prestem atenção, filhos. – Pete parou de tocar violão. – Independente se a mãe de vocês fosse mod, rocker, beatlemaníaca ou hippie, nada mudaria o amor que tenho por ela.

-- E por que “Athena”? – indagou Paul.

-- Quando a conheci, para mim mesmo, me referia a Felicity como “Athena”.

Os pais se beijaram. Paul sorria sem jeito enquanto Karin aplaudia junto com seus três filhos, Wallace, Nina e Bobby.



FIM







quarta-feira, 25 de maio de 2016

Love Sell Out (25º Capítulo)

Olá pessoal!
Tenham uma boa noite e comemorem! Hoje, depois de um ano de hiatus, a fic Love Sell Out retorna. Contudo, ela está bem na reta final. É o penúltimo capítulo e tenham boa leitura!



Capítulo 25: Eurovision

Felicity POV
Enfim chegamos a Viena, na Áustria. Eram umas seis da tarde quando desembarcamos e nos dirigimos ao hotel que fora reservado para nós. Além das minhas amigas, convidei Fanny Fitzwilliam e seu namorado, mas acho que ela aparecerá mais tarde ou esteja aqui só que em outro hotel. Telefonei ao meu pai sobre minha chegada e prometeu acompanhar todo o circuito de música. Faltava apenas quatro dias para o grande evento e já me encontrava em estado de nervos.  Marie me fala que o Who entrou em turnê por parte da Europa e possivelmente tocará na cidade austríaca.
Pensei em Pete para me confortar naquele momento. Deitei na cama e o sono não veio. Comecei a chorar. Era saudade do narigudo. Uma saudade muito torturante.  Quando eram umas duas da madrugada peguei meu caderno e fiquei escrevendo mais canções.
Uma delas, Small Truths, seria sobre a verdade da minha separação com Pete. Na volta para casa, vou desenvolve - lá melhor. A segunda canção, Always Dreaming of You, bem relativo à minha insônia e quando durmo finalmente, a imagem do guitarrista invade minha mente.  Maze of Emotions é a minha confusão emocional, a divisão sentida entre Brian Wilson e Pete.  Três canções ganharam vida com as palavras e, no entanto queria mais. Nora se acordou e foi até a cozinha beber água e veio até meu quarto.
-- Insônia te atacando? – Perguntou enquanto tomava água.
-- Como sempre... – Me espreguicei um pouco e voltei para cama. – Estou aproveitando a noite para escrever.
-- Que ótimo. Ai, estou com saudades do Moonie e do Godard. Espero que mamãe cuide bem dele.
Foi aí o surgimento do título da próxima música. Escrevi lembrando dos gatos que Nora teve ao longo do tempo, desde a faculdade até nossa estadia em Londres e se chama All Cats Are Blue.  Mostrei para Nora e ela adorou, tanto que ela pediu expressamente que fosse o próximo single e a primeira pessoa que receberia o compacto será ela própria. A última canção se chama Visions of the Future. Esta última é meio estranha.  Fala de uma visão que tive do futuro de algumas pessoas e uma delas envolvia Louise, a ex-namorada de Mike Nesmith, Alice e... um jogador de futebol. Será que é o troncudo? Se for... não quero imaginar. Até por que Louise não está nem aí e ela detestou o cara. 
Após o papo com Nora, fui dormir às três e meia da madrugada. Sonhando com Pete... Bem... melhor não dizer o que sonhei pois o conteúdo disso é erótico. Mas foi maravilhoso.  Acordei tarde e minhas amigas tinham saído. Tomei café e comi umas bolachas e pão com manteiga. Telefonei para Richard e este logo me veio com novas missões.
-- Felicity minha querida, assim que retornar a Inglaterra, você e Nora terão uma entrevista a ser feita.
-- Certo e de quem estamos falando?
-- Falo de dois jogadores de futebol e são alemães. Eles estão em ascensão no Bayern de Munique. Seus nomes são Franz Beckenbauer e Gerd Müller. Pode dar conta deles?
-- Acho que sim. Falo pouco alemão e recentemente me encontrei com esse tal Beckenbauer dias atrás no jogo da Copa dos Campeões. Eu o beijei.
-- COMO ASSIM BEIJOU FRANZ BECKENBAUER, SUA LOUCA? E o Pete não quer mais?
-- Claro que quero. Foi só um beijo e era pra agradecer pelo autógrafo e gentileza prestada a mim e meus irmãos. Nada demais. – Ok, admito que gostei do beijinho no alemão e se não fosse meus sentimentos profundos pelo Pete, teria ido a Munique para beijá-lo novamente.
-- Certo, certo e como está aí em Viena?
-- Muito bom. Daqui a pouco mais vou ao estúdio pra ensaiar.
-- Ok, vou desligar minha querida. Abraços para todas vocês e boa sorte. Teddy e eu estamos torcendo por você.
-- Obrigada, Richard. Beijos.
Quando fui me arrumar, minhas amigas apareceram com sacolas de compras e Nora foi falar sobre o papo com Ritchie.
-- Liguei pro chefinho e ele disse que quer...
-- Uma entrevista com Herr Beckenbauer e Herr Müller. Já sei disso. – Nem deixei de terminar de falar e segui dizendo. – Alias, Nora, ainda fala alemão?
-- Bem pouco. Confundo fácil francês e alemão.
-- Por favor, quero que entreviste Beckenbauer. Tudo bem que o beijei, mas não tenho coragem de olhar na cara dele depois disso.
-- Como assim beijou Beckenbauer? – Marie acabou se metendo na conversa e Ana veio junto.
-- Foi num jogo da Copa dos Campeões. – Expliquei. Agora minhas amigas ficam sabendo do fato. – Fui pegar um autógrafo dele e quis agradecer com um beijo.
Ao dizer isso elas caíram na risada por vários minutos e até eu ri disso.
-- Onde estava com a cabeça pra fazer uma coisa dessas? – Perguntou Ana, ainda rindo.
-- Olha, confesso que esperava essa atitude vindo da minha irmã e não sua. – Dizia Marie.
-- Opa, sua irmã é fã desse jogador?
-- Sim. Ela o adora demais desde a Copa do Mundo do ano passado. E tem foto dele no espelho do apartamento.
-- Agora entendi por que ela se calou quando falei disso dias atrás.
Bem, suas chances com belo alemão de olhos azuis como cobalto se foi, contudo, tem o guitarrista inglês de olhos azulados como o mar da Europa te esperando. No mesmo instante, Ana me entrega um cartão postal da Inglaterra. A principio achei ser do meu pai ou Pete. Era do Keith Richards, guitarrista dos Stones e meu ex-namorado.

Boa sorte na Eurovision, meu pecado.
Saiba que ainda te adoro e me lembrarei de você para sempre, amada.
K.R.

Guardei aquele postal no livro Anna Karenina e sai com minhas amigas pelas ruas de Viena. Conversamos e rimos de muitas coisas. Elas inclusive me contaram muitos acontecimentos enquanto estive nos Estados Unidos com os Beach Boys, sobre Barbara ter entrado para Rolling Stone, as gravações do álbum do Who, Sell Out, Pete começando com Barbara e a armação da festa dos bateristas. O resto todos nós sabemos. Chegamos ao parque municipal e encontramos o The Who por ali. Marie correu até Roger e deu um beijo daqueles. Ana e Ox foram discretos. Já Moonie e Nora são escandalosos, me lembra um pouco Louise e Chris Dreja quando começaram a ficar juntos. Pete ficou distante deles e o segui.
-- Como você está? – Perguntei enquanto olhava para a fonte.
-- Um pouco estressado. – Respondeu. – Tem mais duas faixas para finalizar a gravação do álbum.
-- Entendo. – Comentei de volta. Tive vontade de consolá-lo, dar algum carinho, dizer mais alguma palavra de conforto, o que seja. Tudo para ele não se sentir sozinho.
 Ficamos em silêncio por bastante tempo e na hora de ir embora, as garotas se separaram deles e Pete falou.
-- Vamos tocar em Viena daqui a quatro dias. Se quiser... pode vir com as meninas.
-- Claro. Estarei lá. Até mais, Pete.
-- Até mais, Felicity e boa sorte na Eurovision.
-- Obrigada...
Todos me desejavam boa sorte na Eurovision. Era certo do meu destino. Voltamos ao hotel e dormimos. Desta vez a insônia não atacou. Por dois dias ensaiei a beça as músicas e fiz as seleções de quais faixas poderia tocar. Com certeza Flight of the Phoenix será meu maior sucesso depois de Here’s Love. 
Enfim, veio o dia da Eurovision. Paul e Biff estavam tão preparados quanto eu. Meu coração batia forte e não sabia se minha guitarra iria agüentar. Ouvi a apresentadora Erica Vaal explicando todas as regras da competição em sete línguas. Dez jurados se apresentaram na platéia e agora se juntavam a bancada, para observar os competidores.
O primeiro a se apresentar foi da Áustria. Um cantor chamado Peter Horton. O segundo era da Alemanha. Passei a ver os próximos sete competidores e de repente me senti mal a ponto de desmaiar.
-- Fefe! – Paul me segurou e me levou para dentro do camarim. – Não é bom ficar... olhando os nossos concorrentes.
-- Tenta relaxar, mulher. – Biff me serviu um pouco de água. – Beba um pouco.
Bebi só uma gota de água. De repente me veio uma vontade de chorar. Me dei conta que a música escrita, mesmo em parceria com Alana, não teria condições de impressionar os jurados e o público. Foi muita sorte por eu ter desbancado a cantora revelação Sandie Shaw e sua música Puppet On A String no júri popular britânico.
No entanto, dois competidores conseguiram obter notas entre 50 e 64 pelos jurados e esses eram Eduardo Nascimento, um cantor negro e português com a música O Vento Mudou e Vicki Leandros, de Luxemburgo, com L'amour est bleu. Esses dois lideram por enquanto o campeonato. Faltam mais três países para tocar: Suíça, Espanha e Inglaterra. Antes de chamarem o representante suíço, foi chamado o grupo The Spotinicks. Eles cantaram seu maior hit de sucesso, Hava Naglia.
E neste intervalo continuei sozinha, concentrada e evitando chorar até que alguém bate na porta.
-- Felicity!
Pensei que era alguma das garotas.
-- Sou eu. Nora. Por favor, abra a porta.
Me calei e abracei meus joelhos.
-- Me deixa, Nora. Preciso ficar sozinha.
-- Por favor...
Não podia mais negar e então abri a porta. Nora me abraçou tão forte que chegava a me machucar.
-- Nora! – berrei. – Está me machucando.
-- Desculpa. – ela me olhava tão diferente. Talvez fosse preocupação. – Sei que não está bem. Está ansiosa, como no dia que apresentou seu trabalho de conclusão de curso. É como se o mundo vai te engolir mas calma.
-- É muito pior, Nora. – engoli a vontade de chorar. – É o medo da humilhação. Em rede nacional e continental.
-- Felicity! – Paul entrou no camarim, pegando seu contrabaixo e Biff as baquetas. – Suíça já se apresentou. Falta Espanha e depois pra encerrar, a Inglaterra. Esteja preparada!
Eles se retiraram, nos deixando sozinhas.
-- Daqui a pouco vou tocar. – pegando a guitarra.
Meu peito doeu, as palpitações estavam mais fortes. Coloquei a mão no peito e Nora me abraçou por trás.
-- Calma. Fica calma. – ela dizia enquanto massageava meu peito.
-- Nora... Eu...
Naquele minuto pensei mesmo que ia morrer... Fechei os olhos pra sentir a dor indo embora, ao mesmo tempo ouvi Nora cantar uma música que há anos não ouvia.
Sing me a song of a lass that is gone
Say, could that lass be I?
Merry of soul she sailed on a day
Over the sea to Skye
Tão terminada o trecho e me senti tão bem. Aquela música remetia minha infância, entre viagens a Newport para Edimburgo. Foi lá que conheci minha melhor amiga e o irmão dela, George, num desembarque da balsa que atracou no porto escocês. Nora vestia cinco blusas mesmo no outono e usava botas vermelhas impermeáveis para pisar na lama. E eu era uma menina, de vestido cinza, com um casaco que parecia de tartan e segurava meu cachorrinho na época, Blinky.
-- Sente-se bem? – perguntou minha amiga.
-- Melhor eu diria.
-- Não vai passar vergonha. Sei que tem ótimas músicas no setlist e que as ensaiou muito bem. Eu confio tanto em você que deixaria minha vida em suas mãos.
-- Não diga isso, Nora. – toquei sua mão e imediatamente um tipo de calor invadiu meu corpo e meu pulso. – Sabe perfeitamente que sou capaz de me sacrificar por alguém que amo e estimo. Talvez fosse isso na minha família. Sacrificar nossas vidas por alguém.
-- Você é a única coisa com que me importo, Felicity. Ganhando ou perdendo, você é a melhor guitarrista que conheço.
Ficamos tão próximas que trocamos um selinho inocente e outra vez Paul entrou no camarim de supetão.
-- Agora, Felicity! Vamos ao palco!
-- Está na hora. – Nora beijou minha testa.
-- Sim. Eu vou. Mas antes, levarei isso comigo.
Puxei minha amiga para o beijo. Um beijo mesmo, na boca. E quente. E depois segui para o palco após Erica Vaal me anunciar. O resto... Só voltaria a lembrar após as apresentações...

Nora POV
A apresentadora anunciou o nome da Felicity e surgia no palco ela e a banda de apoio dela. Neste momento Marie, Ana traziam Odile Greyhound, Louise McGold e o irmão dela, Michael, que aliás... foi um antigo amor. Ele continua o mesmo. Encantador e transbordando uma energia atrativa.
-- Fefe está nervosa. – dizia Marie, sentada ao meu lado na platéia.
-- Não sabe o quanto. – respondi.
E ela começou, aos poucos com som discreto e depois virou um ritmo mais animado. E ela cantou... cantou e cantou. Seu maestro, Kenny Woodman, soube bem conduzir a música. Se eu soubesse que Felicity tem uma voz linda, eu teria ajudado em sua carreira e daria todo apoio. Não me lembro dela mencionar se fez aulas de canto mas lembro de algumas vezes ter visto ela praticar um pouco violão e depois a guitarra e ainda sim escondido do tio Robb. Nas viagens para Escócia, meu pai deu um violão para Fefe praticar somente na nossa casa, para assim não provocar a ira do pai dela.
Um tempo depois tio Robb descobriu e proibiu Fefe de praticar. Contudo, um tempo depois, ele se arrependeu e passou a incentivá-la. Isso aconteceu quando já estava estudando em Cambridge. Enquanto estudava e trazia alguma garota pro meu quarto, podia ouvir o som do violão da Felicity.
Ao fim da música, os aplausos foram bem fortes. Ainda ouvi Lulu gritando e vibrando como uma verdadeira líder de torcida. No intervalo a procurei no camarim. O trio bebia e brindava seu sucesso.
-- Meninas! – Biff convidou todas nós para brindar. – Venham! Juntem-se a nós.
Bebemos um pouco de champanhe e Felicity me puxou para um canto.
-- Seja sincera, Nora. Eu... cantei bem?
-- Está brincando? Você foi a melhor! Estou tão orgulhosa de você. Tanto que até me emociona. – abracei minha amiga. – Como conseguiu essa voz, Felicity?
-- É o que se acontece com quem tem namorados famosos. – ela ria nervosamente. – Macca sempre me motivava a tentar liberar minha voz. Ele dizia que eu devia abrir minha alma e meu coração. Aí sim sua voz faz sua parte.
-- E pelo visto seguiu o conselho dele. – amaciava a mão de Felicity e num gesto erótico, levei a mão dela para perto de meu rosto e lambi um de seus dedos.
-- Nora...
-- Shhh...
Beijei Felicity com tanto ardor e paixão que nem sabia que existia. Neste beijo eu pude confirmar algo que sempre soube desde pequena: ela é minha alma gêmea.
-- Nora! – ela parou o beijo, ofegante. – Não estamos mais em Cambridge, onde.... fizemos aquelas coisas.
-- Sente vergonha disso? – perguntei.
-- Não. É que... Nora, nós tínhamos curiosidade e por isso rolava aquilo no quarto. Era carnal.
Ali percebi um pouco de medo por parte dela e insegurança. Fiquei mais perto dela.
-- Fefe... a gente era só carnal. A gente precisa conversar sobre isso.
-- O que foi? – seus olhos mudaram. De insegurança para espanto. – Por favor, não pense mal de mim.
-- É que eu...
Não consegui terminar de dizer. Ouvi a apresentadora Erica Vaal anunciar outro apresentador e é justamente o ator francês Alain Delon.
-- Bonsoir à tous! Mon travail est de présenter les cinq vainqueurs de l'Eurovision. La cinquième place avec 30 points selon le jury, Minouche Barelli, Monaco. (Boa noite a todos! Minha função é apresentar os cinco vencedores do Eurovision. Quinto lugar, com 30 pontos de acordo com o juri, Minouche Barelli, de Mônaco.)
Todos aplaudiram e ela subiu ao palco, cumprimentando todos e seu maestro. Fefe ficou com a atenção voltada para o ator, que anunciou o quarto e terceiro lugar, que ficou para a cantora Vicki Leandros, de Luxemburgo e Noëlle Cordier, da França.
-- Et maintenant ... Le moment que tout le monde attend. Qui va gagner ce tournoi musical? (E agora... O momento que todos esperavam. Quem vencerá este torneio musical?)
Neste momento Fefe volta-se para mim.
-- Nora, diga logo antes que o Delon anuncie quem venceu.
Fiquei nervosa e ouvi os tambores. Rufando aquele som característico e todo aquele suspense que o ator fazia. Deve ser esse sentimento que os atores têm quando falam quem ganhou o Oscar. Respirei fundo e disse naturalmente:
-- Eu amo você... como nossos pais... se amavam.
Ela emudeceu um pouco e depois perguntou, sorrindo.
-- Eu sou... Sua Sassenach?
Sorri de volta. Ela ainda lembra como meus pais se referiam os McGolds. De sassenachs, ou simplesmente de “estrangeiros”, na língua gaélica.
-- Sim. É a minha Sassenach!
Milésimos de segundos depois ouvi claramente Alain Delon gritar um nome.
-- Et la première place revient à ... Felicity McGold, la Grande-Bretagne! (E o primeiro lugar vai para... Felicity McGold, da Grã Bretanha!).
Fefe estava em estado de choque e depois passou para emoção pura. Ela chorou, igual quando foi aprovada em seu TCC na faculdade, igual em sua festa de 15 anos, igual quando foi premiada no Press Award de melhor fotografia das bandas da Invasão Britânica. Podia jurar que se ela ganhasse um Pulitzer, ela morreria de tanto chorar. Do mesmo modo que a vi subindo ao palco, ainda com o rosto banhado em lágrimas, abraçando o maestro Woodman, Erica Vaal, Alain Delon e os outros participantes e por fim segurando o troféu dourado, parecendo um microfone de rádio.
Em meio aquela platéia, pude enxergar o Pete Townshend. E pelo visto, ele ficou feliz mesmo por saber da vitória de minha amiga...

Continua... 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

I Kissed A Girl (What If - Grindhouse - Parte 1)

Olá pessoal!
Uma boa noite e vamos iniciar com outra oneshot dividida em varias partes e será uma what if bem diferente em muitos termos. Aqui será mostrado a dupla de amigas, Felicity McGold e Nora Smith, dividindo amores, momentos amorosos e fofo e claro, teremos OT3's muito boas. Fiquem com a leitura da primeira parte!




I Kissed A Girl__ Maya Amamiya


Felicity POV

O maldito despertador me incomoda. Talvez seja a conseqüência por desacostumar em acordar cedo, como fazia antigamente quando era estudante de Jornalismo na Universidade de Cambridge. Acordei e me arrastei para o banheiro feito uma lesma. Após o banho, me vesti e fui tomar café. Meu pai acorda cedo para seguir no trabalho da gerência do hotel Hilton no centro de Londres. Mamãe é dona de uma boutique e socialite. Meus irmãos estão no colegial e eu... sou formada em Jornalismo e não tenho um emprego decente.

E desesperadamente preciso não só arranjar um emprego, mas também um apartamento. Não que menosprezasse meus pais. Simplesmente tinha necessidade em morar sozinha, sem depender de ninguém. Por vários meses procurei um emprego e consegui um de fotógrafa e colunista na revista Rolling Stone. É bem legal e pagam bem. Naquele dia, enquanto lia as mensagens de Pete, meu celular toca e era justamente Nora Smith, minha amiga.

-- Alô?

-- Oi, amiga? Estou te interrompendo em algo?

-- Estou no intervalo de trabalho. Ah preciso te perguntar. Já conseguiu um lugar para ficar?

-- Um lugar que não seja a casa dos meus pais e nem o apartamento sujo que meu irmão mora com os outros estudantes de biologia marinha aqui em Londres? Não eu não consegui. – Houve uma pausa e depois ela continuou. -- Na verdade eu achei um apartamento confortável, três quartos em Northing Hill. Só que não tenho toda a grana para o aluguel.

Era a oportunidade perfeita! Mesmo sendo aluguel, era um começo. Nora conseguiu o lugar, mas não tem dinheiro e conhecendo bem minha amiga, ela não ousará pedir nada ao seu pai. E então disse:

-- Eu tenho um dinheiro guardado, desde antes da formatura. Posso pagar e me ajude quando conseguir um emprego. O que acha?

-- Eu topo, se puder me encontrar amanhã, te mostro onde fica e podemos fechar o acordo.

-- Tudo bem. Amanhã no primeiro horário da tarde, no Hyde Park?

-- Perfeito! Até amanhã, Felicity.

-- Até amanhã, Nora!
Quando cheguei em casa, contei logo para minha mãe.

-- Vou morar sozinha. – Anunciei enquanto me servia de limonada e mamãe preparava um pão.

-- E onde é o apartamento?

-- Na verdade, eu não consegui. E sim a Nora. Apenas vou entrar com dinheiro e ela vai me ajudar depois. Vamos morar juntas.

Por incrível que pareça, pensar na possibilidade de morar ao lado da minha melhor amiga, me dava uma alegria imensa. Muito grande mesmo. Na verdade, uma excitação que não sabia bem.

Mamãe deu apoio e no outro dia, encontrei Nora no Hyde Park e ela me levou para o bairro Nothing Hill. Bem comum, nem tanto longe do centro. Vimos um apartamento que mais parecia ser o mesmo que o personagem de Hugh Grant morou no filme Um Lugar Chamado Nothing Hill. Bem aconchegante. E sem falar nas possibilidades de dar festas. Falamos com a senhoria e fechamos o acordo. Nora e eu paramos numa confeitaria e ali continuamos a falar sobre nossas vidas.

-- Tudo dando errado pra mim. Hoje participei de três entrevistas de emprego, sendo que na semana passada foram cinco e nenhuma me chamou. E pra piorar, também está chato levar o Moonie na casa dos meus pais. Meu pai fica fazendo a gente ficar na sala vendo jornal com ele.

-- O único momento íntimo com Pete é quando meus pais saem para jantar e deixo meus irmãos vendo seriados no Netflix. Ou no apartamento dele, que alias, nem dá mais. Motivos... pessoais.

-- Deixe-me ver. Vocês gritaram?

-- O tal do Babbitt ameaçou despachar Pete caso nós não calássemos  a boca de noite. – Respondi, lembrando da cara do muquirana malvado.

-- Por isso precisamos de um lugar onde podemos morar sem ninguém pra exigir bobagens!

Concordei mentalmente com a afirmação de Nora. Na verdade admirava os olhos dela... Mas por que? Ela sempre teve os olhos azuis mais atraentes que já vi. Muitos rapazes gostaram dela. Ainda lembro de uma vez numa viagem a Munique, Nora ganhou o coração de dois rapazes alemães. Um era um goleiro chamado Josef e o outro um jogador reserva chamado Kappelmann. Com esse último parecia estar vendo uma reprodução exata do casal de O Hobbit, a elfa Taluriel e o anão Kili, por que Kappelman era baixinho e tinha uma tara por mulheres altas.

-- Lembra daquela viagem a Munique? – Perguntei ao lembrar do jogador anão.
-- Sim, eu lembro. – Nora sorria. – Aquele goleiro, Sepp, ele tem uma boa pegada e o apelido dele é Katze. Significa gato em alemão. E o Jupp... oh que fofo ele era! Parecia um anão, como o Kili.

Nora teve boas lembranças, já eu... Meus relacionamentos com alemães não foram produtivos. A começar com Manuel, um confeiteiro viciado em Nutella. Nossa relação terminou quando ele anunciou que iria se casar. Aquilo me destruiu por completo.

-- Fefe... – Nora notou minha cara fechada. – Não se torture por Manu ter te enganado.

-- Nem é por isso. – Neguei e dei outra desculpa. – É por conta da minha incapacidade de não perceber a tempo. Ah mas esquece. Já passou e o confeiteiro ta muito feliz com a esposa.

-- Ouvi dizer que Manuel se divorciou.

Cuspi o refrigerante por ouvi aquela revelação. Por breves momentos alimentei a esperança de ter aquele confeiteiro alemão grandão pra mim. Porém, ao encarar os olhos de Nora...

-- Eu não quero saber dele!

No quarto pensei outra vez nele e de novo mudava de idéia. Não consegui dormir devido a ansiedade de conhecer o tal apartamento. E quando amanheceu, só aí consegui dormir. Não consegui trabalhar direito e acabei tomando mais um pouco de café. Segui com Nora para o apartamento de Nothing Hill. Entramos ali e vimos que é quase vazio e o espaço não era nada mal.

Conversamos com o dono e acertamos o negócio.

-- Vai dar um trabalho em conseguir as coisas. – Nora olhava ao redor de tudo.

-- E para não perder tempo, vamos comprar os moveis.

E de novo não foi fácil. Mas não impossível. Ao menos conseguimos comprar uma geladeira, uma mesa, cadeiras e sofá. As camas nós mesmas tivemos que tirar de nossas casas. George Smith, o irmão de Nora, doou o velho roupeiro que havia ali no seu apartamento e passamos a usar, até que nós duas ficássemos estabilizadas financeiramente para comprar um novo.

-- Fefe, eu prometo que vou te ajudar a pagar tudo isso.

-- Fica calma... – Estava muito sonolenta. – Acho que vou dormir neste sofá.

Não dormi muito devido a muitas preocupações e ajudei Nora arrumar algumas coisas no apartamento. Quando anoiteceu, aí sim adormeci de vez na minha cama. Ou melhor, achei que era na minha cama...

Dois meses depois nosso apartamento estava lindo. Bem arrumado e do nosso jeito. Para comemorar nossos esforços, Nora decidiu dar uma festa e chamei nossos amigos. Até mesmo o pessoal do trabalho eu convidei. Entre bebidas e conversas cruzadas, acabei vendo Jim Stone arrastando minha prima, Louise, para o quarto de hóspedes. Alice e Belle batiam um papo com o pessoal jornalístico. Marie Greyhound, minha colega, trouxe seus dois namorados. Sim, ela namora dois rapazes ao mesmo tempo. Um é um inglês, gordo e dono de uma livraria bem conceituada de Londres e se chama Graham Bond. O outro é um alemão chamado Ulrich Hoeness. Todos o chamam de Uli e é atualmente um professor de economia na universidade.

Bebi um pouco. Pete ainda não apareceu. E pelo visto nem o Moonie. E mesmo assim Nora sorria com os convidados. Estou feliz por ela, na verdade bem mais que isso. Era como se eu me preocupasse em proteger minha amiga. Pensei até que isso não era normal. Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvi batidas na porta do banheiro. Sai do quarto e era Anastacia Rosely, outra colega da revista e seu namorado, John Entwistle.

-- Por favor, queremos usar o banheiro! – Berrava Ana. Neste momento, Nora apareceu. – Me ajude, Nora.
                                                                
Nora e eu fomos até a porta do banheiro e ouvimos gemidos altos e uns ruídos de objetos caindo.

-- Ohhh.. ODILE... EU TE AMO, MON AMOUR!

Reconheci a voz do meu primo. Apesar da vergonha sentida ali, não poderia culpar. Eu também tenho essa mania de fazer amor gritando, expressando meu amor e meu prazer a todo pulmão. Minutos depois, Mickey sai do banheiro, gemendo de dor, com a camisa amassada e marcas roxas no pescoço.

-- Desculpem... – Se retirava dali e atrás dele, estava Odile. Mesmo estado físico que o do meu primo e estava rindo.

-- Perdoem-nos... – Abrindo a porta e dando entrada para Ana e Enty.

Fui até Mickey para repreender sobre o ocorrido.

-- Escuta aqui, Michael! Só por que é uma festa, não precisava fazer amor assim, com escândalo. Pega mal, sabia?

-- Tá fica calma, prima! Até parece que você não fez isso lá em Munique. – Disse ele, acendendo um cigarro. – Eu me lembro da zoeira que aconteceu entre você e aquele líbero que você dizia que tinha olhos azuis de cobalto.

-- Ok, já entendi! – Me afastei para não ouvir mais coisas sobre a tal viagem a Munique onde eu me dei mal.

Sem querer, acabei invadindo o quarto de hóspedes pensando ser o meu e vi uma imagem bem íntima. Louise deitada por cima de Jim Stone, algemado.

-- Foi mal, gente! – Fechei a porta rapidamente.

Outra vez fui beber e desta vez um pouco de gim, em vez de uísque. Acabei vendo Nora chamando um pessoal pro mini palco que improvisamos pois alguns dos nossos amigos são músicos, entre eles minha amiga Alana Watson que é uma baixista e o ex-namorado de Nora, George Harrison, é guitarrista. Ela cantou Why Do You Let Me Stay Here, do She & Him.

Why do you let me stay here, all by myself?
Why don't you come and play here?
I'm just sitting on the shelf
Why don't you sit right down and stay a while?
We like the same things and I like your style
It's not a secret, why do you keep it?
I'm just sitting on the shelf
I gotta get you presents, let's make it known
I think you're just so pleasant, I'd like you for my own
Why don't you sit right down and make me smile?
You make me feel like I am just a child
Why do you edit? Just give me credit
I'm just sitting on the shelf.

Eu não sei o que realmente deu em mim, mas queria a todo custo minha amiga. Talvez a bebida seja forte demais e já estou ficando doida. Contudo, antes de beber, eu sentia algo por Nora e achei que fosse o senso de proteção para com uma amiga. Acho que seja mais do que isso. Quando ela terminou de cantar, ela veio até a cozinha e a puxei para perto de mim.

-- Fefe, o que houve? – Deixei minha amiga na parede e encarei aqueles olhinhos azuis.

-- Você não vai sair daqui sem me beijar... – Encostei meus lábios na bochecha dela e depois o beijo. E devo dizer: foi perfeito.

Apesar do efeito da bebida, estava entorpecida com aquele beijo e desejava mais e mais. Abraçava Nora como se não quisesse deixa – lá ir embora. Só paramos o beijo quando Ana surgiu na cozinha, levando um susto.
-- Opa, eu não vi nada. – Pegando uma garrafa de cerveja na geladeira e saindo de fininho. – Não vi nada e não conto pra ninguém!

Quase duas horas da madrugada o pessoal foi embora e Nora e eu arrumamos um pouco daquela bagunça deixada. Apenas um pouco e acabamos adormecendo.
No dia seguinte, acordei de ressaca e corri para o banheiro, vomitando tudo. Tomei banho, escovei os dentes e voltei para a sala, toda ruim.

-- Não está com uma boa cara. – Comentou Nora, me oferecendo uma xícara de café.

Recusei o café peguei uma aspirina no kit primeiros socorros. Neste momento Nora me aparece, com uma cara diferente. Resolvi perguntar.

-- Err... sobre ontem a noite, o nosso beijo... – Achei que tivesse deixado minha amiga constrangida. – Aquilo foi um lapso meu, por conta da bebida. Eu não quero que abale nossa amizade.

-- Não foi nada. – Ela sorria. – Não vai abalar nossa amizade de anos.

-- Isso mesmo, não vai abalar mesmo. – Sorri de volta, me convencendo disso.

Passei o fim de semana inteiro só nos filmes e acompanhando Nora no seriado favorito dela, Grey’s Anatomy. Na segunda-feira sofri mais ainda. Havia me dado conta que realmente estava amando minha amiga. Minha melhor amiga. Mesmo apaixonada por ela, isso não me impede em sentir atração por homens. Contudo, era Nora que eu desejava ardentemente.

No almoço, acabei abrindo meu coração para Anastacia.

-- Estou apaixonada, Ana. – Suspirei. – Estou amando minha melhor amiga. Desde a festa na sexta passada, não consigo esquecer aquele beijo, foi um melhores que tive na minha vida.

-- Você tem que contar esses sentimentos que você tem por ela, se não isso vai te matar mais e mais. – Disse Ana.

-- Tenho medo de perder amizade dela e principalmente ela.

-- Nora correspondeu o beijo?

-- Acho que sim.

-- Então ela te ama. E se declare sem medo.

Se passaram três dias e resolvi fazer compras. Recebi uma mensagem de Pete, avisando de uma viagem que ele vai fazer para Manchester. Pra falar a verdade, não sabia por que estou ele, afinal sei que ele sai com outras e ainda me traiu com uma de minhas inimigas, Jenna Davies. Perdoei-o, voltamos, mas não é a mesma coisa. Olhei para a janela e o tempo estava encoberto com nuvens cinzentas, sinal claro de chuva. Não deu dois minutos e caiu um temporal. E antes de guardar as compras na dispensa, Nora chegou no apartamento, toda molhada e sorrindo.

-- Amiga! – Ela pendurou a bolsa nos pregos especiais de guarda casaco para festas. – Tenho uma boa noticia!

-- Pode falar!

-- Eu consegui um emprego! – Me abraçando, mesmo com a roupa molhada. – Sabe aquela sua amiga jornalista, Alice Stone? Ela tem um site de música e me convidou para trabalhar com ela, escrevendo sobre música e cinema. E eu aceitei!

-- Oh meu deus, Nora! – Abracei bem forte. – Estou muito feliz que tenha conseguido. Puxa, você estava se esforçando demais e agora pode trabalhar!

-- Felicity, obrigada por acreditar em mim. – Ela olhava para mim, sorrindo por alguns segundos e em seguida me beijou rápido. – Me desculpe...

-- Nora! – Coloquei o dedo nos lábios dela. – Eu sei que somos amigas há muito tempo, mas não consigo mais esconder meus sentimentos por você. Eu... te amo, Nora Smith.

-- Fefe – Nora enlaçava meu pescoço. – Desde aquele em que nos beijamos, tenho de confessar que eu também estou apaixonada por você. Mas ainda tenho meu namorado.

-- Meu bem, você pode se relacionar com os homens normalmente. Eu não me importo. Eu também estou assim. Amo eles, mas você é muito mais.

Não posso dizer que minha felicidade se tornou completa ao saber que sou correspondida e Nora aceitou numa boa. Ali mesmo nos beijamos mais e a levei para o banheiro, onde tiramos a roupa e continuamos debaixo do chuveiro.

-- Felicity... – Nora gemia sob meus toques na região intima e se molhando na água quente. – Algum dia podemos colocar uma banheira?

-- Não é uma má idéia. – Concordei, arrancando mais um beijo.

Nos secamos juntas e acabamos indo para a cama, fazendo amor de forma intensa, nossa primeira experiência juntas. Foi tudo lindo, maravilhoso. Ficamos ofegantes e abraçadas. Como eu adorava abraçar minha amiga.

-- Minha gatinha escocesa... – Beijando mais os lábios doces de Nora. – Minha pequena.
-- Fefe, eu sou apenas cinco centímetros menor que você. – Nora me beijava mais e bagunçava meu cabelo. – Vamos assistir um filme?

-- Tudo bem. – Aceitei e inclusive sugeri um. – Que tal Jackie Brown?

-- Na verdade, ia sugerir Um Lugar Chamado Nothing Hill.

-- Ok, eu vou pela sua escolha, gatinha escocesa.

Desfrutamos da noite de chuva com filme, sanduíches, vinho e muito amor entre nós. Os dias que se passaram foram os melhores. Nora e eu seguimos trabalhando, planejando nosso futuro e ao mesmo tempo nos amando. Um dia, minha amiga e eu fomos visitar sua família. Os Smiths são amigos de minha família. O pai de Nora, Eddard (ou Ned) é um amigo do meu pai, Robert. Nossas mães também se dão bem. Ou seja, tudo em família.

Nora tem um gosto por gatos e na casa dos pais dela, havia pelo menos três bichanos, todos fofos. Nora brincava com eles como uma criança.

-- Você gosta de gatos, Felicity? – Catelyn me ofereceu um suco enquanto conversamos.

-- Gosto de gatos, mas a vida inteira só tive cachorros. O último que tenho é uma collie border chamada Snowball. Meus irmãos mais novos estão cuidando dela.

Mais tarde Nora foi para o quarto dela, pegar uns livros e a segui, roubando mais um beijo.

-- Fefe, estamos na casa dos meus pais.

-- Não consigo ficar longe de você, gatinha escocesa. – Mal fechei a porta e já partimos para o beijo.

Apenas retirei a calcinha dela, uma vermelha, minha cor favorita.

-- Sabia que adoro vermelho? – Mostrando a calcinha para ela.

-- Eu sei, por isso mesmo vesti. – Rindo.

Entre beijos e carinhos feitos entre as pernas dela, acabamos sendo interrompidas pelo irmão dela, George Smith.

-- Nora, você está aí? PUXA! – Ele abriu a porta e levou um susto.

-- George! – Resmungou minha amiga.

-- Desculpe, eu não vi nada! – George se retirou dali, um pouco vermelho.
Almoçamos todos juntos e ao fim da tarde voltamos para o apartamento, para mais um pouco de amor. Certa vez quando fui ao Harrods comprar mais roupas, acabei trombando com meu ex-namorado.

-- Fraulein! É você? – Era ele, o confeiteiro casado.

-- Olá, Manuel! – Cumprimentei, sendo educada. – Estou de saída, até mais!

-- Fraulein, eu sei que a magoei, mas quero pedir perdão.

-- Está perdoado. Agora pode ir. Estou ocupada!

Me afastei depressa do confeiteiro. Manuel foi lindo quando nos relacionamos, agora não queria saber. Cheguei no apartamento, com cheiro de bolinhos.

-- Minha tigresa! – Ela surgiu diante de mim, só de avental. – Olha o que fiz para você.

Não podia acreditar. Nora segurava uma fôrma contendo pelo menos dez cupcakes.

-- Tudo isso... pra mim? – Sorria para ela.

-- Tudo o que quiser, minha tigresa galesa!

Peguei um cupcake e provei. Nossa, que delicia. Praticamente fui ao céu e voltei para terra. Nora deixou a bandeja na mesa e me beijou a força.

-- Sua boca com doce fica mais delicioso.

-- Gata escocesa danada!  -- Carreguei Nora para o quarto e o resto... vocês sabem.

Dias após do nosso ato amoroso na casa dos pais dela, Nora trouxe Keith Moon, seu namorado para o nosso apartamento. Não fiquei com ciúme nem nada, até fiquei feliz por isso. Me dou bem com Moonie e até cheguei a dizer que acho ele um tanto selvagem e sensual. Passei a noite inteira escrevendo uma coluna musical para a revista e só ouvia aqueles gritos dos dois. Quando terminei, acabei encerrando por ver um seriado, justamente um dos meus favoritos, Sex and The City.

Nora acabou entrando no meu quarto, só de camisa.

-- Estou triste. – Disse a escocesa, se aconchegando nos meus braços.

-- Por que?

-- Porque você não está participando. – Ela me beijou e sorriu.

-- Seu namorado nos aceita?
-- Falei com ele e achou um máximo... – Nora retirava minha calcinha  e ficava entre minhas pernas. – Vamos?

Não respondi e só permiti o prazer que minha escocesa proporcionava. O que não imaginava era que Moonie estaria ali na porta, nos vendo.

-- Moon! – Exclamei e Nora parou com o ato.

-- Errr... desculpem. Eu não queria interromper. Posso continuar vendo?

Trocamos um olhar significativo e puxamos Keith para perto de nós na cama.

-- Não vai ficar olhando. Vai participar. – Disse Nora, beijando ardentemente o namorado e ele me beijou.

Segunda experiência maravilhosa: entre 3 pessoas. Moonie não só aceitou, mas também era bastante atencioso. Com Nora, ele dava carinhos e beijos, comigo era o mesmo. E nós duas retribuímos de todas as formas aquela atenção. Tanto que no outro dia, Moonie amanheceu com dores nas pernas, marcas de chupões no pescoço e batom na cara. Contudo, muito realizado.

E isso se repetiu por umas vezes, até o dia que Pete resolveu me visitar. Moonie também veio nos ver e jantamos todos juntos. Foi aí que aconteceu “o inicio de uma crise”. Se eu soubesse da reação de Pete, não teria contado pra ele, pelo menos não daquela maneira.

-- Pete, eu queria dizer algo sobre mim. – Disse, tomando um pouco de água.

-- Pode falar, amor. – Apertando minha mão.

-- Pois bem. – Toquei a mão de Nora. – Eu gosto de você, mas amo minha amiga.

Pete parecia não entender bem o que quis dizer.

-- Desculpe minha ingenuidade, mas... como assim “você ama sua amiga?”. É algum código de amizade?

-- Pete, eu amo a Felicity de verdade. Somos bissexuais. Amamos uma a outra e também os homens. – Disse Nora com desenvoltura.

Aquilo calou meu namorado. Realmente o jantar não parecia ter sido bom. Mais tarde, Nora e Moonie foram pro quarto fazerem amor e eu e Pete ficamos no meu quarto.

-- Bissexuais? Vocês são tipo, adolescentes naquelas fases? – Pete exaltava demais.

-- Não é isso. Somos mesmo. Até o Moonie aceitou numa boa isso e... eu amo a Nora de verdade!

-- Eu não aceito isso! – Chutando a cama. – Você é minha namorada, MINHA NAMORADA!

-- Pete...

-- Droga! Por que estou dando conversa pra você? Uma garota tão bonita como você, preferindo a melhor amiga a mim! Você é uma vadia!

Aquilo me deixou furiosa a ponto de acertar um tapa na cara do Pete. Algo que não adiantou. Ele revidou o tapa, me derrubando no chão. E ainda cuspia filetes de sangue.

-- Felicity... amor... me desculpe... – Tentando me ajudar.

-- Vai embora daqui! – Disse um pouco calma, evitando me alterar.

-- Amor...

-- VAI EMBORA DAQUI!

Pete saiu do apartamento às pressas e eu corri para o banheiro, ligando o chuveiro tirando a roupa. Ignorei Nora que estava do lado de fora e chorei muito, com a mão na bochecha onde o tapa foi atingido. Fiquei debaixo do chuveiro por muito tempo, até ficar calma. Fui pro quarto e ainda chorei. Mais tarde a porta se abriu e era Nora, nua, se deitando comigo.

-- Minha tigresa... – Ela afagava meu cabelo. – Não chora. Estou aqui.

-- E o Moonie? – Questionei e também ele se deita comigo, me abraçando e sussurrando.

-- Pete é um canalha ciumento mesmo, um jumento tapado. Mas não fique assim. Estamos aqui para te consolar.

Nora me beijava muito e ali mesmo nós três fizemos amor na noite mais tensa de minha vida.

Algum tempo depois Keith e Nora terminaram. O motivo: ele engravidou Kim Kerrigan. Por isso ele não veio nos visitar mais. Achei que fosse por causa da briga com Pete. Pra piorar, Nora e eu não fazemos sexo faz três semanas e eu sentia falta dela, dos seus carinhos, suas palavras, sua doçura. E ainda ela chorava no apartamento inteiro. Por não agüentar mais aquele sofrimento, resolvi sair para comprar algo e acabei encontrando um filhote de gatinho, de pelagem amarela e olhos azuis como os de Nora. Ele estava na caixa de papelão, perto do lixo e resgatei o bichinho. Cuidei dele e esperei ela chegar.

Nora entrou no apartamento, ainda com o rosto triste e eu ajeitava o bichano. Esperei ela entrar no quarto e aí entrei ali.

-- Nora...—Sentei na beira da cama. – Tenho um presente pra você.

Mostrei o filhote e acredite, ver o sorriso de minha amiga mais uma vez é tão reconfortante.

-- Nossa, que lindo! – Ela afagava o bichinho. – Ele é tão fofo. Que nome vamos colocar nele?

-- Bem, você é fã de cinema... que tal... Godard? – Sugeri.

-- Perfeito. – Depois olhando pra ele. – Agora seu nome é Godard. Obrigada, Felicity. Eu te amo, meu amor.

-- Eu também, Nora. – Abraçando ela e depois ajudando-a cuidar do gatinho.

Colocamos Godard numa almofadinha e deixamos para ele uma tigelinha de leite e outra com um pouco de sardinha.
Quando voltamos pro quarto, envolvi minha amada com mais beijos na cama e ela me impediu.

-- Amor, me desculpe, mas to naqueles dias, a gente podia ficar aqui juntinhas.

-- Tudo bem, podemos ficar aqui.

Ficamos de conchinha no edredom enquanto a chuva caía. No outro dia acordamos bem, ou melhor, quase. Nora ainda estava “naqueles dias”. Na revista, encontrei Anastacia Rosely finalizando a edição.

-- Olá, Felicity.

-- Olá, Ana.

-- Está tudo bem?

-- Um pouco cansada, mas agüentando. – Suspirou. – E como anda sua relação com Nora?

-- Perfeita e muito feliz. – Observei Ana e vi que ela não anda bem. – Tem algo de errado?

-- Minha relação com Enty está decaindo... e queria algo pra renovar. Algo novo pra salvar nossa relação.

-- Talvez precise experimentar coisas novas. – Passando a mão nos cabelos de Ana. – E alias, você tem uma boca linda.

-- Err... obrigada. – Ana agradece e eu me aproximei mais dela. – Felicity... e Nora?

-- Ela sabe que pode acontecer de alguma de nós, querer algo com outra mulher. – Segurei seu rosto e a beijei devagar e Ana corresponde com ardor.

-- Oh... Fefe... você beija bem. – Ana respirava fundo e voltou a me beijar.

Prometi a mim mesma dar um momento intenso para Ana e contarei com Nora para me ajudar nesta missão.