terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Rush - No Limite da Paixão (8º Capítulo)

Olá pessoal!
Hoje não tô muito bem e para esquecer meus problemas, escrevi mais um capítulo de Rush. Boa leitura!

Obs: Fanny apareceu aí, Maris Campos ;)




Capítulo 8: Doce tentação

Louise POV
-- Ele disse que chocolates belgas são os melhores e eu discordei. Disse que somente os suíços superam o grande sabor de um bom chocolate.  – Dizia Odile enquanto comia um pedaço e eu dirigindo o carro dela.
Definitivamente não estava prestando atenção nas palavras dela. E pelo visto nem nas ruas, pois levei uns cinco buzinaços e até xingamento do tipo “lugar de mulher é na cozinha”. Frase tão machista! Chegamos ao apartamento e preparamos o almoço tranquilamente. Odile não estava bem. Tanto que na maior parte do tempo assumi a cozinha. Enquanto mexia molho de tomate na panela, lembrei do fato no supermercado, de James Hunt e Gerd Müller. Estava feliz por saber das minhas altas chances com James ao mesmo tempo meu coração doía por visualizar o rosto de Müller. Transmitindo derrota. Meu deus o que poderia fazer? Primeiramente eu o odiava por causa de todos me falaram sobre nós dois sermos perfeitos um para o outro. Até minha mãe disse isso.
Por dias Odile trabalhou tranqüilo, sem o brilho de outrora. O elenco todo tentava anima – lá de algum jeito e nada adiantava. Neste meio tempo, James e eu conversávamos demais por telefone e pessoalmente, seja na rua ou num shopping. E cada vez mais meu desejo por ele aumentava e eu lutando para resistir. No entanto, havia algo me perturbando. Mesmo diante do piloto sexy que é não esquecia Gerd. Meu lado racional dizia para esquecer e ir fundo com Hunt.  Meu lado emotivo pedia para falar com o jogador alemão e pedir desculpas pela minha atitude fora de série.
Dias depois Hunt me convidou para sair. Neguei na primeira vez. Na segunda vez ele me ligou na companhia de teatro. Recusei de novo. Na terceira vez foi na BBC quando visitava o Monty Python. Conheci finalmente Alice Stone, a namorada de meu amigo Michael Palin e também Frances Fitzwilliam. Fanny, como era conhecida, é uma grande amiga de Felicity desde os tempos da faculdade de Cambrigde e hoje é professora de Geografia e casada com Allan Clarke, vocalista dos Hollies e inclusive lançou um livro de aventura geográfica.  Palin atendeu ao telefone e passou para mim.
-- É aquele piloto inglês, Lulu. Quer falar com você. – Disse Palin passando para mim.
-- Alô?
-- Suzie querida. Sei que estou sendo chato demais em te ligar mais uma vez. Quer sair comigo?
-- Estou muito cansada, James. Os ensaios, cuidando da Odile, alguns negócios de família me tiram o fôlego.
-- Poxa, Suzie. Só uma vez aceite. Se for medo de acordar na cama de um George Best da vida, isso está resolvido. Prometo não te fazer beber, só um pouquinho, mas estará ao meu lado.
James tentava me convencer a sair com ele e no final acabei cedendo. Ainda vi o pessoal ouvindo nossas conversas.
-- Me pegue hoje à noite às 20h.
-- Está bem. Até logo, Suzie!
-- Até logo, loirão!
Desliguei o telefone e fui me encontrar com meus amigos comediantes, rindo de tudo. Eric Idle e Terry Jones fizeram uma imitação jocosa de mim e James do papo romântico. Não me contive e acabei rindo também, ainda mais do Idle, esganiçando a voz para ficar igual a minha. Depois fui conversar com Alice. Ela é uma boa pessoa. Contudo, tive um pressentimento que ela mudará minha vida e de outro alguém, que não é o Palin.
-- O que está havendo com a Odile? – Questionou Graham Chapman, colocando um chapéu.
-- Ela ta decepcionada. Roger Waters terminou com ela por carta e ainda disse que a traiu antes mesmo de embarcar para Pompéia. Tentei faze – lá esquecer isso levando num jogo da Copa dos Campeões. E encontramos Niki por lá a adivinhem: ele é amigo de dois jogadores do Bayern de Munique e justamente do Franz Beckenbauer, o ídolo dela!
Deixei os Pythons surpreendidos. E pelo visto, Alice também.
-- Uau, isso é demais! Eu queria conhecer Gerd Müller! – Comentou Alice e Palin riu dela.
-- Um dia vai conhece- lo minha linda.
É um tanto estranho esse sentimento que senti há pouco. Quando a namorada de Palin disse aquilo, fui tomada por uma fisgada de insatisfação. Não aprovava aquilo.
-- Bem, eu vou indo, pessoal! Mal posso esperar pra nova esquete. E prazer em conhecer vocês, Fanny e... – Minha voz falhou. Tive medo de pronunciar o nome dela. – A- Alice. Faça meu amigo Palin feliz!
-- Pode deixar que farei isso! – Disse ela, exibindo um sorriso sincero e logo depois sendo beijada por ele.
Na saída, dirigi o Bentley até o supermercado e comprei mais chocolate para Odile. Acho melhor dizer a ela pra parar de comer ou acabará engordando e isso Barry Thompson não admite: suas atrizes virando baleias.
Cruzei rápido na área de vinhos e escolhi um com boa safra. Quando saí de lá, encontrei Niki Lauda conversando com os jogadores bávaros. Meu deus, Müller! Amaldiçoei a mim mesma por estar aqui. Passei no caixa e rezei mentalmente para não ser vista por eles. Talvez por Niki, mas não por Gerd. Apelava até para Ganeesha me tirar desta enrascada. Sai do supermercado e na hora de entrar no carro, Niki me aborda, junto com os alemães.
-- Louise minha querida amiga!  -- Niki me abraçou e beijou minha mão como um cavalheiro.  – E onde está Odile?
-- Ela está dormindo. – Menti para não preocupar Niki. – E fui visitar o Monty Python na BBC e cá estou eu fazendo compras. E o que faz aqui com seus amigos jogadores?
-- Os jogos acabaram e eles estão de férias aqui em Londres. A nova temporada da Copa dos Campeões vai começar em agosto. Não é demais?
-- É sim. Bom eu preciso ir, Niki.  – De novo o piloto me impede de entrar no veiculo.
-- Eu posso visitar a Odile esta noite? Se não se importar.
-- Lauda, seu rato austríaco. É claro que pode. Não precisa me pedir isso. Só que eu vou sair com um cara.
-- Aposto que é o George Best. – Comentou Franz e em seguida praguejou baixinho, arrependido.
-- Niki, você falou da minha ressaca pra eles?
-- Sim, mas...
-- RATO DESGRAÇADO! NÃO ERA PRA FALAR DISSO PROS SEUS AMIGOS! – Explodi de raiva e vergonha. Agora estou marcada como Louise, a atriz beberrona. Ou Louise, a doida por vodca ou whisky.
-- Ei, calma aí, moça. Não é tão ruim assim. – Agora Gerd falava comigo, o que aumentou mais ainda minha fúria.
-- Com licença, seu nome é Niki Lauda? Então cale-se!!! – Falei com certa raiva a Müller que ficou espantando, mas ria.
-- Por favor, Lulu. Eles ficaram curiosos e como sou amigo deles, falei a verdade. Tenha calma. – Niki tentou me acalmar e ainda ouvi os comentários em alemão de Gerd para Franz, dizendo que falo e grito como um marinheiro grosseiro.
-- Entendo suficientemente alemão pra dizer que sou tudo isso, Gerd Müller! – Falei mesmo de costas para eles. – Agora Niki, eu preciso ir pra casa. Até mais!
-- Até mais, Lulu e me desculpe pela revelação. – Ele disse entre risos...
-- Está bem, até mais.
Cheguei a casa e vendo Odile assistindo televisão.  Quando tirei as compras da sacola pensei em não entregar os chocolates para Odile.
-- Trouxe o que pedi? – Gritou minha amiga na sala.
-- Sim e vou deixar guardado. – Respondi e em seguida indo tomar banho. Minha amiga desligou a TV e ficou na porta do banheiro conversando comigo.
-- Vai sair hoje?
-- Com James Hunt.
-- Vê-se não faça besteira!
-- O que pode acontecer depois do que houve no supermercado? – Sem querer mencionei a discussão com Niki e seus amigos.
-- Como assim? Me fale disso.
-- Encontrei Niki na saída do supermercado e junto estavam aqueles alemães. Estou brava com rato porquê falou da minha bebedeira com George Best na festa do Hesketh. E ainda Gerd Müller disse que eu grito feito um marinheiro grosseiro! Odeio ele!
Acreditam que minha amiga francesa deu risada disso? Ok, até eu achei graça quando me chamaram de “marinheiro grosseiro”. Resume bastante meu temperamento. Não gosto de ficar submissa e nem de ficar sem dar uma resposta à altura. Por essas e outras acabei tretando com aquela enfermeira maria gasolina no Crystal Palace.
Sai do banheiro e fui ao meu guarda roupa escolher meu melhor vestido. Peguei o vestido azul comprado no Harrods e que não tive a honra de usar e um par de sandálias prateadas. Aposentei apenas por uma noite minhas botas pretas. Descobri pela Odile que George Best tem uma queda surpreendente por mulheres de botas pretas. Deve ser por isso que acabei na cama dele. Usei o batom vermelho, destacando meus lábios e passei o lápis nos olhos, dando um olhar poderoso e sedutor.
Ouvi a campainha tocar. Odile logo me chamou:
-- Louise, é o Hunt! Venha logo!
-- Já vou! – Gritei de volta e pegando minha bolsa.
Cheguei à porta e vi James usando um belíssimo terno azul escuro e sem gravata, deixando a camisa azul marinho um pouco aberta, revelando aquele tórax perfeito e ostentando uma corrente de ouro discreta no pescoço.
-- Vamos, Suzie? – Ele ofereceu o braço para mim, num gesto de cavalheirismo.
-- Claro. – Respondi. – Boa noite, Odile!
-- Boa noite pra vocês! Juízo, crianças!
Ao pegar o elevador, saiu Niki Lauda segurando um buquê de flores.
-- O-oi. Tudo bem com vocês? – Lauda estava  um pouco constrangido por nos encontrar ali.
-- Sim. E o que faz aqui? – Questionei, sorrindo.
-- Vim visitar a Odile. Ela está no apartamento?
-- Claro. Vai lá e tente anima - lá.
-- Obrigado! – Agradeceu e saindo do elevador. Antes da porta se fechar James e eu vimos o ratinho austríaco entrando no apartamento e trocamos um olhar significativo: a noite deles ia começar.
James estacionou o carro e fomos entrando na discoteca, sendo bem recebidos pela multidão. Fomos a uma mesa mais reservada onde podemos ver o público dançando. Escolhi beber um Martini, mas bem devagar. Depois da última vez, estou bem cuidadosa.  Hunt acariciou meu rosto e em seguida sussurra no ouvido:
-- Quero você, minha Louise!
Já disse o quanto adoro quando meus namorados me chamam pelo nome? Todos eles me chamavam de algum apelido carinhoso. E quando ouvia meu nome sendo pronunciado, ficava feliz e excitada. Nos beijamos por alguns minutos e paramos para recuperar o fôlego. Foi ai que notei um aglomerado de pessoas ao redor da pista.
-- O que está acontecendo ali? – Perguntei a James.
-- Sei lá. Vamos ver!
Fomos até a pista e fiquei boquiaberta o que vi. Se Odile visse, estaria na mesma situação que eu. Franz Beckenbauer dançando incrivelmente bem. É a primeira vez que vejo um jogador de futebol dançando. Na minha mente, achava que eles só entendiam de uma coisa: bola na rede e gol!
Agora mudo completamente meus conceitos. Se bem que o jogador arrasava mesmo, igual ao John Travolta. Com certeza Odile merece ouvir isso!
Ao final da música, ele é aplaudido e foi se encontrar com Gerd Müller e mais duas pessoas que não pude identificar.
-- O cara mandou ver na pista, Suzie. – Comentou. – Vamos lá cumprimentá-lo!
Queria protestar sobre isso. Não estava em meus planos encontrar o jogador troncudo e... bonito na discoteca. Já me bastava à pequena treta de hoje a tarde, agora me encontro com ele aqui num local de dança? Só pode ser karma!
-- Parabéns, cara! Se tornou a alma da festa hoje! – James apertou a mão de Franz e iniciou as apresentações. – Sou James Hunt, piloto de Fórmula 1 pela MacLaren e esta é minha namorada estonteante Louise!
-- James... não precisa me apresentar a eles. Já os conheço. – Disse um pouco nervosa.
-- Mas de onde, Suzie?
-- Somos amigos do Niki Lauda. – Respondeu Gerd e pelo seus olhos negros, era uma mistura de insatisfação e estranha felicidade. – Eu sou Gerd Müller.
-- Me chamo Franz Beckenbauer. Somos jogadores de futebol do Bayern de Munique. E onde está Odile?
-- Em casa com rato austríaco. Devem estar fazendo amor neste momento. – Disse James rindo e nos deixando um pouco constrangidos, principalmente Franz.  Para quebrar o gelo, falou mais um pouco.  -- E isso é ótimo! Pela segunda vez conheço jogadores de futebol. Os primeiros foram Bobby Moore do West Ham e George Best do Manchester United. Alias, Suzie, como o Best conhece a sua amiga francesa?
-- Eles são melhores amigos desde que o antigo namorado dela a levou num jogo da Copa dos Campeões. Ele torcia pelo Arsenal e naquele dia iam confrontar o M.United. E foi assim!
Depois de mais um pouco de conversa voltamos para mesa. James conversava com umas pessoas, decerto da antiga equipe e amigos de Hesketh. Perto da pista vi os alemães conversando bem animados e bebendo um pouco de cerveja. Algo que me chamou atenção foi ter visto uma mulher aparecendo no meio deles e ainda roubar um beijo daqueles no Gerd. Arregalei os olhos e vi Meg Johnson. A ex-namorada de George Best, que deu uns pegas no banheiro com piloto François Cevert, agora está beijando o homem que me causa um karma?
Confesso que isso me deixou um tanto atordoada por vários minutos. James inclusive me chamou a atenção.
-- Suzie! Está tudo bem?
-- Eu vou ao banheiro. Já volto! – Disse e saindo imediatamente de perto dele, deixando Hunt e os convidados um pouco assustados.
Lavei um pouco o rosto evitando borrar minha maquiagem. Ao mesmo tempo pensava o que está acontecendo comigo. Quer dizer, algum tempo atrás babava por James Hunt e agora me surge esse jogador de futebol alemão, desconcertando minha vida e mexendo com meu coração.  Neste momento entrou Meg, rindo como uma vadia e lavando o rosto. Me sequei rápido e vi que ela se preparava para sua sessão “cheirar o pó”. Pobre Gerd. Ficando ou namorando uma mulher que estoura o nariz com cocaína.
Sai do banheiro e junto Gerd também saia. Uma surpresa de cada vez. Primeiro Meg, o beijo e a coca. Poderia muito bem alertá-lo sobre Meg e seu vicio.
-- Está tudo bem?
-- A sua presença me incomoda demais! – Respondi de forma seca e ele me segura no braço. – Por favor, pode largar meu braço? Quero me juntar ao meu namorado!
-- Aquele inglês doido, seu namorado? Não me faça rir!
-- E você também. Olha quem fala, o cara que está ficando com uma modelo que prefere o pó do que ele! – Terminei de falar e logo atrás de mim James apareceu com cara de poucos amigos.
-- Vamos embora Suzie! – Disse Hunt me puxando para fora da discoteca.
Dentro do carro, Hunt bufava de raiva e ligou o carro, seguindo para o meu apartamento. Me sentia mal pelos últimos acontecimentos. Quando desci do carro, James me acompanhou até a porta, um tanto desolado.
-- Por que não me disse que conhecia aqueles alemães?
-- Não pensei que fosse importante. E não recebi nenhum pedido de namoro vindo de você. Me apresentou a eles como se eu fosse sua namorada!
-- E agora você é!
-- Não sou não!
-- Mas agora é. Minha Suzie... – Dizia com o rosto colado ao meu, jogando aquele charme que não conseguia resistir.
Nos beijamos ali mesmo e entramos ao apartamento, ainda abraçados e trocando mais beijos e tirando nossas roupas. Entramos no meu quarto e ali começou tudo. O toque dele me deixava derretida, rendida em seus braços. Totalmente entorpecida pela sua sedução.  Deitei por cima dele e continuamos até Hunt gritar de dor.
-- AI! QUE É ISSO? – Sai de perto dele e vi Meia Noite, o gato da Odile ali na cama perto de suas pernas. – Meu deus, é seu, Suzie?
-- MEIA NOITE! – Xinguei e peguei o bichinho fofo. – Qual é a sua? Arranha os namorados da Odile e agora os meus?
Fui até o quarto da Odile e notei a porta entreaberta. Vi roupas espalhadas no chão e Niki e Odile dormindo juntos, de conchinha. Era lindo. Deixei o gato ali entre as roupas deles e fechei a porta com cuidado e voltei para mais atenção ao meu piloto.
No dia seguinte acordamos juntos e na hora do café, vimos o novo casal ali na mesa da cozinha conversando tão distraídos.
-- Bom dia aos dois! – Disse e logo pegando a xícara da Odile, bebericando um pouco de café. – Argh! Odile, vai aprender a fazer café direito!
-- Bom dia pra você também, sua abusada!
-- Bom dia, Lulu! – Niki preparava torradas e James se sentava perto de mim. – Bom dia, James!
-- Bom dia, rato e Srta. Odile! Dormiram bem? – Perguntou Hunt enquanto se servia de suco.
-- Sim até o Meia Noite começar a miar de fome.
Rimos um pouco e mais tarde Niki e James se despedem de nós mas antes...
-- Querem vir conosco semana que vem para o próximo GP? – Quem fez o convite foi Niki.
-- E onde será?
-- No Brasil. Vai ser incrível, Suzie! Venha comigo e leve sua amiga pro Niki não se sentir sozinho.
Não é preciso dizer que Niki ficou um pouco sem jeito. Odile e eu aceitamos. Fiquei mais animada por saber que poderei acompanhar James para outros lugares e o Brasil seria o primeiro deles...

Continua...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Not Fade Away (Oneshot What If - Grindhouse)

Olá pessoal!
Hoje venho com mais uma what if da sub série O Casamento... E teremos Felicity McGold e Johan Cruyff protagonizando. É indispensável a leitura de Baby It's You pois tem algumas referências nela. Boa leitura!



Not Fade Away__ Maya Amamiya


Johan acordou com fortes dores de cabeça. Sabia muito bem que era conseqüência das altas doses na noite anterior. Bebeu unicamente para esquecer sua dor psicológica. Derrota no campeonato mais importante do mundo e a perda de um amor. Descobriu apaixonado por Felicity desde a entrevista e então procurou meios para poder ficar perto dela. E antes do jogo da semifinal, ele soube que sua esposa o traia e pediu o divorcio. Apesar da decepção, no fundo estava estranhamente contente. Poderia muito bem amar sem medo sua fotógrafa.

Ao se levantar, ele caminhou até a janela e viu o sol iluminando toda a cidade de Munique, ainda alvoroçada com a vitória da Alemanha na Copa. Em seguida virou-se para a cama e viu ela, dormindo como um anjo, apenas com o lençol cobrindo seu corpo nu.  Sentou-se na beira da cama e passou admira-la cuidadosamente e acariciou seu rosto, acordando a amada.

-- Hmmm... Johan... O que houve?

-- Nada. – Respondeu, sorrindo para ela. – Só estou te vendo dormir. Estou com uma dor de cabeça.

-- Tem aspirina na minha bolsa. Pode pegar... – Disse Felicity e em seguida voltando a dormir.

Pegando a bolsa dela que se encontrava na mesa, Johan pegou um dos remédios e o tomou com um copo de água. Novamente o jogador fica perto da amada por um tempo e depois caminha até a cozinha para preparar o café. Enquanto arrumava a mesa, ouviu Felicity gritando e correu até a cama.

-- Meu amor! Calma! – Pedia o jogador, apreensivo.

-- Tudo bem. Foi só um sonho. Nada demais. – Ela disse e se levantando, cobrindo seu corpo com o lençol e pegando as roupas.

Minutos depois o café foi servido aos dois. Ficaram em silencio por um tempo, até Cruyff perguntar a ela sobre a noite passada.

-- Quero lhe perguntar uma coisa.

-- Pode falar.

-- Eu... nós dois... fizemos amor?

Surpresa, Felicity tossiu um pouco enquanto comia um pedaço de pão. Recuperou-se logo e respondeu.

-- Não fizemos. Eu juro.

-- Então por que estava dormindo sem roupa?

-- Estava com calor. – Mentiu a fotografa.

Não era verdade. Johan tinha certeza que Felicity mentia, mas não sabia as razões dela negar da noite de amor deles.

-- Lembro de estar bebendo, depois conversava com você e aquele seu ex-marido, o narigudo veio até nós, ameaçando você e dei um soco nele.

-- E o que mais lembra? – Questionou ela, bebendo um pouco de leite.

-- Você me trouxe aqui no hotel e... eu te beijei ao mesmo tempo caminhávamos até o seu quarto e tirei sua roupa.

Vendo que não há como negar mais, Felicity suspira e resolve falar o restante de tudo o que aconteceu.

-- Até eu não acredito que fizemos ontem. Entretanto, eu gostei. – Admitia a jornalista. – Nós fizemos amor, Johan e foi lindo.

-- E você quer repetir a dose? – Johan tocava as mãos dela e beijava seu pescoço, numa forma de seduzir a amada.

Felicity não respondeu, apenas o beijou de forma ardente, acendendo o fogo da paixão. Foram para cama, tirando as vestes de cada um e repetiram todos os movimentos prazerosos da noite passada, com a diferença que Johan se encontra sóbrio.  Não havia mais sombras e nem obstáculos. Felicity se sentiu nas nuvens. Flutuava. A cada movimento, os dois se desejavam mais e mais.

Alguns minutos depois, ainda se amando, o telefone toca no criado mudo e a jornalista atende, sob os protestos do amado.

-- A... alô?

-- É a Louise. Sabe se a Marie e Nora estão aí no hotel?

--Hmm... não. Por quê?

-- Apenas por curiosidade. E sabe da Odile?

A prima não respondeu e Louise começou a ficar preocupada, pois ouvia na linha alguém sussurrando e Felicity gemendo.

-- Fefe, está tudo bem? – Insistiu Lulu, ficando um pouco irritada.
-- Está... está quase chegando... lá...  – Respondia ela, quase igual a uma drogada por remédios.

-- Do que está falando? – Em seguida, a atriz logo entende e questiona. – Fefe, por acaso está acompanhada do Johan Cruyff?

-- Sim – Respondeu com um pouco de dificuldade. – Eu acho... acho que vou...

Louise não disse nada, apenas colocou o telefone no gancho rapidamente, completamente envergonhado por presenciar esse tipo de acontecimento.  Começou a rir, despertando atenção ao namorado, Gerd Müller.

-- O que houve, ursinha? Por que está com essa cara?

-- Acabei de ligar para Fefe e ouvi coisas que não imaginava ouvir.

-- Ela te ofendeu?

-- Pelo contrário. Ouvi ela.... estava... num momento intimo com Cruyff. – Respondeu Louise, rindo ao se lembrar da ligação. Gerd por sua vez ficou um pouco espantado, mas sabia que a prima de sua amada está apaixonada pelo capitão da seleção holandesa e na discoteca presenciou na saída uma pequena movimentação e era o próprio Cruyff ainda socando o ex-marido de Fefe.

-- Foi uma péssima hora pra ligações, ursinha.

Depois disso Louise foi tomar banho, refletindo ainda como proceder no momento em que falaria sobre sua gravidez para Gerd.

Horas depois Fefe e Johan tomaram banho juntos e novamente se amaram antes de partirem.

-- Prometo voltar para você o quanto antes. Agora devo me juntar ao time no retorno a Amsterdã. – Disse enquanto se preparava para sair do hotel.

-- Eu sei. Ainda vou ficar em Munique, para ajudar Ana nos preparativos do casamento.

Trocaram últimas juras de amor e Johan vai embora, deixando saudades em Felicity. Alguns minutos depois, ela vê na janela o amado embarcar no táxi em direção ao hotel onde a seleção holandesa se encontrava. Depois Felicity resolveu ir visitar Ana e chegando ao apartamento dela, encontrou um bilhete na mesa e nele estava escrito:

Fui ao centro com Nora para escolher meu vestido. Avise a Fefe e nos encontre na igreja central. Uli deve saber onde fica.
Ana


-- Que ótimo! – Bufou Felicity, já ficando estressada. – Agora tenho de esperar a Marie. Se é que ela está aqui.

Antes de se sentar no sofá, a fotógrafa ouviu alguns gemidos vindos de um dos quartos. Curiosa, caminhou no corredor escuro e parou na última porta, onde o som estava mais proeminente. Abriu a porta com cuidado e levou um susto.

-- Marie... você está... AI MEU DEUS! – Gritou Felicity e colocando a mão nos olhos.

-- AH! FEFE, SAI DAQUI POR FAVOR! – Marie estava espantada e logo a jornalista saiu do quarto, fechando a porta e voltando para sala, muito constrangida.

Ainda rindo do flagra intimo de Marie fazendo amor com Uli, Felicity se lembrou imediatamente da ligação de Louise. Praticamente deu mais atenção aos carinhos quentes de Johan do que para a prima, que inclusive notou claramente do outro lado da linha o que se passava com Fefe.

Logo Marie aparece na sala, de roupão e atrás dela Uli Hoeness, com cara envergonhada.

-- Não sabia que viria hoje. Se não, iria preparar o café. – Falava Marie ajeitando a mesa.

-- Não estava nos meus planos e também ficaria sozinha hoje. Ah, Ana deixou um recado aqui. – Mostrando o bilhete escrito, a editora resolve perguntar ao amado.

-- Não se preocupe. Sei onde fica essa igreja. Levarei vocês agora.

Após o café com novo casal, Felicity foi junto com eles até a igreja e chegando lá encontraram Paul Breitner, Ana e Nora conversando com padre sobre a data do casamento e os padrinhos.

-- Herr Breitner, já sabe quem serão os padrinhos? – Perguntou o padre.

-- Sim. – Respondeu e apresentou as pessoas. Contudo, quando chegou à vez de Felicity...

-- Mas ela não tem o acompanhante. – Disse o padre.

-- Pode deixar, Paul. Assumo como uma simples convidada.  –Disse Fefe, demonstrando um pouco de tristeza.

-- Nem pensar, Fefe. Já sei quem poderá te acompanhar.  

Quando Paul falou aquilo, de iniciou pensou que o alemão adquiriu uma complacência de permitir a entrada de Johan Cruyff. Mas não foi isso.
Em vez disso, um rapaz de terno, estatura baixa, magro e de cabelos pretos e um pequeno bigode se apresentou ao padre e Paul.

-- Desculpe o atraso, Paul. – Disse ofegante o jovem, cuja aparência poderia ter mais ou menos a idade de Breitner ou menos.

-- Não tem problema. Aqui está o padrinho. O nome dele é Jupp Kapellmann.

Após as apresentações, Jupp ficou perto de Felicity. Esta por sua vez estranhava aquele baixinho.

-- Agora não está mais desacompanhada, Felicity. Kapellmann e você vão ser os padrinhos.

Eu te mato Breitner maldito, reclamou internamente a fotógrafa e sorrindo para todos os presentes ali. Nos dias seguintes aconteceu o famoso ensaio de casamento. Tirando a altura, Felicity até não reclamou mais, pois ela e Kapellmann se saiam muito bem nos ensaios, ao passo que os outros padrinhos estavam perdidos como o caso de Sepp Maier e Nora e outros eram bastante atrapalhados como Gerd Müller e Louise.

E num destes dias, Jupp acompanhou Fefe até o hotel e antes que ela desembarcasse, tentou falar algo.

-- E-e-eu tenho algo para falar. Gostei de você. – Gaguejou o jogador.

-- Também gostei de você, homenzinho. Como um amigo.

-- Claro. Como amigo...

Ele a viu sair do carro e entrando no hotel ao mesmo tempo se lamentava por saber que ela nunca o viria mais do que um mero padrinho ou amigo.

Fazia uma semana que Johan retornou a Amsterdã e na sua chegada a imprensa encheu de perguntas sobre os jogos, a derrota na partida final e a traição de sua ex-mulher Danny Coster. Em casa, ele tentou afastar toda agitação da capital e esquecer os problemas. O que era bastante impossível. Parecia que aquela derrocada fosse mesmo uma espécie de castigo. Amar outra mulher que não é sua esposa é um pecado? Questionou Johan em seus pensamentos.

Não conseguiu outra vez dormir. E seu motivo era sua amada inglesa.  Chorou um pouco até adormecer poucas horas depois. Quando acordou, tomou um pouco de café e folheou o jornal, contendo na primeira página a foto estampada da seleção derrotada. Ignorou isso e continuou a ler calmamente até visualizar nos classificados, o anúncio de venda de uma casa. Interessado, anotou o telefone e o endereço onde se encontra. Aos poucos construía sua vida nova após o torneio mundial.

A poucos dias do casamento, Felicity auxiliou suas amigas na organização da festa. A lista de convidados estava definida. A banda em questão? The Who. Quando soube disso, Fefe logo estremeceu. Ela temia se encontrar com ex-marido e criar mais atritos. Até por que a causa mais provável era o filho deles, Joseph. Sentia falta do filho, contudo, se recusava a ir a casa dele para não olhar na cara de Karen Astley, a nova esposa de Pete.  E foi num desses dias que Serena Greyhound, mãe de Marie e Odile, se responsabilizou para cuidar dos filhos de Marie e das amigas dela. Ela visita as garotas na igreja levando as crianças.

-- Oi meninas! – Cumprimentou a jovem senhora, segurando Lily nos braços e as outras crianças vinham atrás dela. – Trouxe seus anjinhos.

-- Oh mamãe! James, Lily! Venham aqui com a mamãe! – Marie abriu os braços para receber seus dois filhos com Roger Daltrey.

Nora e Mandy se abraçavam intensamente e Joey, como era chamado o filho de Felicity, correu até a mãe.

-- MAMÃE! – Gritou o menino abraçando a mãe.

-- Joey! Que saudades meu pequenino!

Durante muito tempo as mães conversavam e davam carinhos aos filhos e veio o momento em que as crianças conheceram seus futuros padrastos.  De inicio James estranhou um pouco Uli, mas depois se acostumou com sua presença. Mandy e Sepp imediatamente adquiriram uma amizade paterna e inclusive a menina ria das palhaçadas do goleiro.  Louise brincou um pouco com Joey e este conheceu Gerd, que passou a ensinar o garotinho a jogar futebol fora da igreja.

No hotel quando foi preparar o banho do filho, Felicity viu os braços dele com marcas roxas e verdes.

-- Joey, o que aconteceu? – Perguntou a jovem mãe, tocando os machucados.

A criança não respondeu receoso com a fúria da mãe.

-- Responda Joseph Gareth McGold Townshend! O que aconteceu nestes braços?

-- Foi... – Joey tinha dificuldades em responder por conta do choro e abraçou a mãe. – Karen. Ela... Me bate. Papai... Não acredita em mim.

Tomada pelo desespero e raiva, Felicity corre até o telefone e discou apressadamente alguns números até chamar.

-- Alô?

-- Quero falar com Pete. Sou a Felicity.

-- Ah, oi Fefe!

-- SEU CANALHA! É UM PÉSSIMO PAI, TOWNSHEND! NOSSO FILHO COM MARCAS NOS BRAÇOS CAUSADOS PELA SUA ESPOSA E VOCÊ NÃO FAZ NADA, SEU DESGRAÇADO! NUNCA MAIS VAI CUIDAR DO JOSEPH, OUVIU? NUNCA MAIS!

E desligou o telefone com agressividade. Ainda com as mãos tremendo, ela foi cuidar dos ferimentos do filho e procurando esquecer a irresponsabilidade provada por Pete. Depois de colocar o filho na cama, a jornalista foi verificar suas cartas. Algumas eram da família. Seu pai havia se casado de novo e justamente com a mãe de Rosie Donovan, Martha. Depois uma da mãe, informando que se divorciou de Serge Lamarc e que vendeu a casa em Manchester e hoje vive em Londres, perto de Tony e Mary McGold, os pais de Louise e Michael. A outra carta era dele. Seu amado holandês.  Ansiosa, abriu o envelope e ali tirou a carta e uma flor pequena amarela.
Começou a ler.


Felicity...

Minha amada deusa. Sinto falta de ti ao meu lado. Os dias que passo sem você é um tormento sem fim. As horas custam a passar sem sua presença.
Enquanto você se encontra em Munique, tratei de resolver meus problemas em Amsterdã. Uma experiência foi comprar uma casa. A segunda resolver os problemas pessoais com minha ex-esposa. Tudo resolvido.
Agora, só me resta você.
Deusa, desejo você mais que qualquer homem neste mundo. Desejo ver seu rosto iluminado, seu sorriso, seu jeito ora apaixonada, ora atrevida.
Anseio demais por seu amor, me perder em toda extensão de seu corpo, um verdadeiro infinito...


No meio da leitura, foi interrompida com a porta do quarto se abrindo e Joey aparecendo na sala.

-- Por que está vermelha mamãe?

-- Eu... – Felicity estava sem jeito devido à leitura da carta de Johan, chegando a um conteúdo um tanto... pessoal e íntimo. – Estou com calor, filho. Vou abrir um pouco a janela.

Ela deixou uma fresta da janela aberta para entrar um pouco de ar. Depois disso foi conversar um pouco com ele que estava sem sono e ligou a televisão.

-- Já pensou em morar em outro país, filho? – Comentou Felicity enquanto colocava um edredom no sofá.

-- Talvez... – Respondeu o menino.  – E para onde?

-- Quem sabe na Holanda?

-- É legal. Mas não quero ficar longe do papai.

-- Se fossemos morar na Holanda, com certeza vamos visitá-lo nas férias. Eu prometo.

Depois desta resposta, Joey acabou concordando e se ajeitou no sofá, deitando ao lado da mãe.
Assistiram juntos a maratona de episódios de Doctor Who, a série favorita de Felicity e dormiram na sala.

E chegou o dia do casamento. A igreja de Munique parecia pequena para muitos convidados. Eram desde os jogadores até mesmo os parentes da noiva e dos amigos dela. Até mesmo os funcionários da Rolling Stone de Londres se encontravam ali.
Pouco a pouco os padrinhos e madrinhas dos noivos entraram na igreja. Paul conversava com Franz e Gerd e finalmente veio a noiva.

Todos olhavam para ela e reconheciam uma coisa: Anastacia se parece com a lendária princesa russa, mesmo com vestido de noiva. Alexei, pai de Ana, carinhosamente afastou o véu do rosto da filha e beijou-lhe a bochecha, sussurrando algo em russo e em seguida entregando a mão da filha para o noivo.

Enquanto o padre recitava o sermão, a fotógrafa se lembrou de Johan. Idealizou pro breves momentos seu casamento com ele, se fosse realmente possível ele aceitar. Ao mesmo tempo lamentava por não ser ele seu acompanhante e sim o jogador Kapellmann. Não o menosprezava nem nada apenas desejava seu amado.

Depois disso, os dois filhos de Marie, James e Lily apareceram vestidos a caráter. O pequeno cavalheiro e a pequena dama entregando as alianças aos noivos.  Antes de colocarem, ambos responderam a clássica pergunta feita pelos padres.

-- Se existe alguém contra essa união, pois fale agora ou então se cale para sempre! – Disse o padre, decidido.

Os convidados se entreolharam e os padrinhos um pouco apreensivos. Felicity enxergou John Entwistle, com os outros membros do The Who ao fundo. Ele não quis se manifestar. Sinal claro que o ex-marido de Ana soube aceitar o fim do casamento deles. Porém, Pete Townshend não se conformava com isso. Mesmo casado com Karen Astley, no fundo ainda ama Fefe e a deseja secretamente. Quando a viu acompanhada do jogador holandês,  estremeceu de ódio e cego pelo ciúme, atacou os dois mas se deu mal e acabou levando um soco na cara nas mãos do próprio Johan, que se encontrava quase bêbado.

-- Neste momento, eu os declaro marido e mulher. Pode beijar sua esposa, Herr Breitner!

Todos aplaudiram por Paul e Ana selarem sua união através do beijo. Felicity chorou um pouco e foi cumprimentar os recém casados.

-- Fefe, pare de chorar. – Pedia Ana, vendo sua amiga grandona chorar.

-- Não consigo. Sempre choro em casamentos. Lembra quando chorei quando casei com Pete?

-- Lembro sim. Agora vamos comemorar!

Na saída, Fefe ficou um pouco na porta da igreja para fumar quando avistou ao longe um carro vermelho parado na sombra e na árvore estava possivelmente o motorista. Reconheceu ser ele.  Correu até o amado e se beijaram intensamente, demonstrando a saudade de ambos.

-- Meu amor... – Sussurrava Felicity.

-- Senti sua falta. Vem comigo para Amsterdã? – Johan convidava Felicity para recomeçar sua vida.

-- Irei com você. Mas antes venha comigo na igreja e ignore as repreensões, ok?

-- Está bem.

O casal seguiu os convidados e os noivos para o salão de festas e ao entrarem no local, foi imediatamente um choque principalmente para os alemães ao verem Cruyff e Felicity juntos, mas depois seguiu tudo normal. A fotógrafa levou o jogador até os noivos.

-- Paul, Ana, quero apresentar...

-- Meu deus, Felicity. Já sabemos quem ele é. Seu namorado, Johan “fracassado” Cruyff. – Disse Paul um tanto debochado.

-- Posso ter perdido essa copa, mas não sou fracassado!  -- Bufou Johan, sentindo o sangue ferver de ódio por lembrar-se da derrota.

-- Paul! Não trate assim as pessoas! – Repreendeu Ana em seguida tratando bem o convidado. – Desculpem meu marido. Seja bem vindo, Johan!


-- Muito obrigado, Srta. Rosely. Ou melhor, Sra. Breitner. E desejo felicidades a vocês.

-- Obrigado. – Agradeceu o casal, embora Paul estivesse um pouco desconfiado do que aquele holandês é capaz.

Após muitas apresentações, ela resolve apresentar o jogador para outra pessoa: seu filho. O menino brincava com a avó Sophie em companhia também de Mary e Michael McGold, respectivamente tia e primo de Felicity.

-- Mãe!

-- Minha filha! – Cumprimentou a mãe. – Este casamento é um luxo! E quem é esse cavalheiro?

-- Sou Hendrik Johannes Cruyff, ou simplesmente Johan.

-- Sou Sophie, a mãe de Felicity.  – Ao se apresentar, Joey aparece abraçando a avó porém se escondendo diante do estranho. – Ah este menino aqui atrás de mim é o Joseph, meu neto.

-- Joey, me abraça vai? Vem aqui com a mãe. --  Falou Felicity abrindo os braços para receber o filho.

O menino abraçou a mãe com enorme carinho e em seguida dirigiu seu olhar ao estranho homem que se encontra ao lado dela.

-- Quem é ele? – Perguntou Joey.

-- Este é Johan. O namorado da mamãe. Diga oi ao tio Johan.

Ainda olhando para ele, Joey estava com medo do estranho e depois de insistidas chamadas, acabou livrando-se da timidez e retribuiu o cumprimento.

-- Olá, tio Johan. – Falou baixinho e encarando os olhos dele.

-- Olá, Joseph. Eu sou Johan. Quer ser meu amigo? – Estendeu a mão e a resposta de Joey não foi diferente. Aceitou calmamente o jogador e num espaço de tempo se afeiçoou a ele.

Uma hora depois o casal Breitner inicia sua primeira dança juntos, atraindo olhares emocionados dos convidados. John Entwistle chorou um pouco, mas disfarçou para os outros membros do Who não o virem naquele estado. Felicity e Johan trocaram um beijo apaixonado, entretanto tiveram de parar, pois Louise saiu correndo. A prima mais velha seguiu-a até o banheiro e viu a atriz vomitando no vaso sanitário numa das cabines livres.

-- Louise! Agüente firme. – Dizia Felicity socorrendo a jovem que ainda botava para fora aquela sensação de enjôos causados pela gestação.

-- Estou bem. – Louise se recupera e lava o rosto. – Já passou. Agora, se me permite, tenho uma revelação a dizer pro meu amor! – E seguiu rumo ao salão.

De volta ao salão Fefe ficou perto de suas amigas, Nora Smith e Marie Greyhound, conversando animadamente quando ouviu um grito. Era Louise!

--ESTOU ESPERANDO UM FILHO SEU, GERD MÜLLER!

De repente, a música parou abruptamente e todos os convidados observaram o outro casal e não os recém casados. Tomada pelo pânico, Louise foge para o corredor e começa a chorar na janela. As garotas, mais Mary McGold foram ao encontro da jovem.

-- O que foi aquilo, Louise? – Questionava a mãe, apreensiva.

-- Desculpa. – A atriz chorava demais e era consolada pelo irmão, Michael e em seguida aparece Odile para abraçar a amiga.

-- Não chora, amiga. Pelo menos contou pra ele.  – Disse Odile, dando apoio a ela.

Mary McGold chorou também pela revelação da filha. Sabia do romance dela com jogador alemão e inclusive deitou elogios a Gerd, dizendo que ele era diversas vezes melhor do que o piloto James Hunt, o antigo namorado de Louise. Minutos depois, ouve-se a voz de Gerd no microfone. Ele se encontrava no palco junto ao The Who.

-- Senhoras e senhores desculpe interromper a música da banda em questão aqui. Mas preciso falar uma coisa.

-- Ai meu deus, o que ele vai fazer desta vez? – Se perguntava Mickey, o irmão de Louise, abraçando a mãe que parava de chorar.

-- Quietos, vamos ver o que vai dizer! – Disse Felicity, prestando a atenção.

-- Algum tempo atrás, conheci uma garota, uma atriz. Mal a conheci pessoalmente e já me encantei por ela. E mais ainda quando a vi pela primeira vez. Eu sei que no começo foi... Bem estranho. Depois, fui conhecendo mais sobre ela e sei que não posso ficar sem você, Louise.

De uma forma surpreendente, Gerd caminhou até a amada, ainda segurando o microfone.

-- Me desculpe pela falta de atitude de minha parte. Fui pego de surpresa. Agora sou eu que quero falar. Louise McGold, quer casar comigo?

Louise ficou sem reação. Olhou por uns instantes para a mãe, que abria um sorriso e dizendo para aceitar. As garotas e os convidados incentivaram e no final a atriz aceitou e em seguida beijando o amado, em meio aos aplausos dos presentes.

Depois Anastacia subiu ao palco, pronta para jogar o buquê e quem pegou foi Odile. Mais tarde o casal Breitner se despede dos convidados para seguir sua viagem de lua de mel na Rússia e mais tarde na Itália.

Durante a festa, Felicity foi conversar um pouco com Johan e brincando com filho Joey, quando Pete Townshend aborda os três.

-- Papai! – Gritou o pequeno e abraçando o pai;

-- Oi Joey. Como está? A mamãe tem cuidado de você? – Perguntava Pete sorrindo pro filho.

-- Sim. Tô adorando. E o tio Johan é muito legal.

Pete se calou por uns instantes e logo encarou o casal. Tentou controlar o máximo seu ciúme e tentou pensar em Karen, mas era impossível. Sua ex-esposa estava belíssima no vestido rosa, o que a deixava encantadora. E ver ela acompanhada do jogador holandês, era pedir para morrer.

-- Errr... Felicity, podemos conversar lá fora? São uns assuntos referentes ao nosso casamento fracassado.

Johan fechou a cara quando ouviu isso. Fefe se levanta e é segurada pelo namorado e falou o seguinte.

-- Tudo bem, amor. Só vou conversar com Pete sobre umas coisas mal resolvidas. Ok?

-- Está bem. Ficarei de olho caso precise de ajuda!

Ao saírem do salão de festas, o guitarrista começa a falar.

-- Que palhaçada é essa?

-- Como assim?

-- Você, namorando um jogador de futebol holandês.

-- Mereço também a felicidade, Pete. Coisa que você não me deu mais depois do nascimento do Joey. E pra piorar, resolve colocar a amante na nossa casa!

-- Karen é agora minha esposa! – Dizia Pete, alterado.

-- Johan é meu namorado e possivelmente futuro marido!

-- Joey não merece um padrasto como ele!

-- E nem merece uma madrasta terrível que agride a criança todos os dias e quando recorre auxilio pra você, finge que não vê ou não acredita? Caia na real, Pete!  Querendo ou não, vou levar nosso filho para Amsterdã!

-- Vai fazer igual à Marie, deixando os filhos longe do pai deles?

-- Roger foi canalha e você mais ainda. Como havia dito no telefone, nunca mais cuidará do Joey! Se você não fosse tão descuidado, saberia proteger nosso filho e impediria de ser maltratado pela Karen. Agora se me der licença, vou voltar ao salão.

Ao terminar de falar, Felicity retorna para o salão e antes de entrar, ela é agarrada por Pete, ensandecido de ciúmes e atraindo a atenção de alguns convidados, entre eles Uli Hoeness e Marie Greyhound.

-- NÃO PERMITIREI ISSO! – Gritava o guitarrista, pronto para agredir a ex-mulher. Neste momento Johan corre até a porta e segue em direção a amada, acertando um soco no nariz de Pete.

-- Seu... seu.. – Não conseguia falar. A dor era tanta que Pete mal proferia as palavras.

-- FICA LONGE DA FELICITY! ESTÁ OUVINDO, NARIGUDO? SE CHEGAR PERTO DELA E DO FILHO, EU TE MATO! – Johan estava tremulo e ao mesmo tempo cheio de raiva. Por ele poderia muito bem socar e chutar o guitarrista, porém, isso não deixaria uma impressão boa.

-- Está tudo bem, Fefe? – Perguntou Marie, ajudando a amiga.

-- Sim. Johan salvou minha vida. – Respondeu. – É até engraçado. Esse tipo de coisa aconteceu quando namorava o Dave Davies e Pete me ajudou. Agora isso se repete.

-- Acredito que o ciclo terminou por aqui!

Depois disso o casal se prepara para ir embora e se despede de Uli e Marie. Pete foi socorrido apenas por John Entwistle, que por sua vez sabia que o amigo não agiu bem para se acertar com Felicity.

-- Cuida do Joey pra mim? – Perguntou Felicity para mãe, abraçadas.

-- Claro, minha filha. Jon e Bran vão me ajudar e seu pai vai adorar a companhia do neto. E quanto ao pai dele?
-- Fica de olho no Pete! Se ele aparecer acompanhado da esposa, não permita!

Após as recomendações Fefe abraça o filho carinhosamente.

-- Obedeça as ordens de sua avó!

-- Sim. Mamãe, posso ir com a vovó para visitar tia Louise e tio Gerd? – Perguntou o menino, alegre por saber que ganhará no futuro um primo para poder brincar.

-- Pode. E filho, se prepare que muito em breve vamos nos mudar para Amsterdã.

-- Legal!

E depois o casal seguiu rumo à Holanda para iniciar sua nova vida. Johan apresentou a casa barco, impressionando a amada.

-- O que achou da nossa casa?

-- Maravilhosa! Joey vai amar o lugar.

Se abraçaram apaixonados e por uns segundos olharam nos olhos um do outro. É algo mágico para eles. Uma jogada na vida fez com que seus destinos se cruzassem. Trocaram um delicioso beijo e tomados pelo mesmo desejo incontrolável visto no hotel, se amaram intensamente e juraram que amor deles não vai desaparecer. 

Meses depois, os dois se casaram numa cerimônia discreta e aproveitaram a lua de mel em Barcelona e no retorno para Amsterdã, Felicity recebe a noticia do nascimento do bebê de Louise.

-- Nasceu uma menina. – Disse Felicity, lendo a carta.

-- Que bom. Gerd deve estar contente por ser pai de uma linda menina. E qual vai ser o nome dela?
-- Nicole. Achei muito lindo...

Em seguida Fefe ficou em silencio, pegou a câmera e fotografou o marido regando as flores no jardim da casa barco. Refletiu um pouco e se aproximando dele, disse:

-- Alguma vez pensou em ser pai?

-- Sim. E se for menino, vai se chamar Jordi. É  o nome catalão para Jorge ou George para vocês britânicos. Por que?

Encarou a esposa por uns instantes e ela segurou a mão dele, pousando na barriga dela. Imediatamente compreendeu o motivo e se encheu de alegria.

-- Meu amor... eu... vou ser pai!

-- De um menino. Meu Joey terá um meio irmãozinho correndo pela casa.

Riram da afirmação e mais uma vez a onde de alegria tomou grandes proporções. Johan seria pai pela primeira vez e Felicity mais uma vez assumiria a responsabilidade. Agora só restava esperar nove meses para a chegada do bebê.





FIM



Por enquanto...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Three Colours (Poema - Grindhouse)

Olá pessoal!
Feliz Ano novo e para começar 2015, o primeiro post do ano será um poema simples. Louise McGold escreveu na época em que conheceu Gerd Müller no jogo da Liga entre Bayern e Real Madrid. Além dos desenhos, encontrou no poema mais uma forma de expressar o que sente pelo jogador bávaro. Boa leitura!



Three Colours __ Maya Amamiya



(Written by: Louise McGold)

Três cores
Três chances
Três momentos nossos
Três gols feitos numa partida
Três possibilidades...

Vermelho, nosso sangue.
Nossa fúria.
Azul, nosso céu.
Nosso paraíso.
Branco, nossa paz.
Nossa união.

Destas cores pude ver
Alguém chegando ao longe.
Esperei você muito tempo.
Por toda minha vida.
Por mil, dois mil
Três mil anos.
Milhares de anos.

Através das cores
Soube de você.
Não vá embora!
Essas três cores nos ligam.
Proporciona-nos os momentos.
As possibilidades de manter você.
Perto de mim.


Inara Araujo