quinta-feira, 22 de junho de 2023

Drabbles Grindhouse Part One (Vigésimo terceiro capítulo)

 


23 – Long Long Time

Já fazia quanto tempo que não a via. Desde que os pais da sassenach se divorciaram, a mãe dela criou os três filhos e o pai seguiu a vida. E depois nunca mais se teve notícias de sua amiguinha. Nora conheceu outras amizades, mas nenhuma era como ela. E todos os dias olhava para o píer na esperança de enxergar a balsa desembarcando sua amiga.
 
Na noite anterior a seu aniversário, Nora pegou o álbum de fotos da família e pegou a foto da sassenach, ainda pré-adolescente. Guardou o álbum e ficou com a foto ao lado do travesseiro, chorando em silêncio.
 
-- Deus... Se eu puder fazer um pedido, eu desejo a Felicity de volta.
 
E adormeceu mesmo com as lágrimas inundando seus olhos azuis. E foi nesse sono profundo que ela não ouviu absolutamente nada. Nem mesmo os passos de Felicity com suas botas de salto alto, sendo retirados e jogados pro lado, o chuveiro ligado e demorado e depois colocando a caixinha quadrada ao lado do abajur...
 
Nora se acordou aos poucos e ao mesmo tempo sentindo um cheiro delicioso de perfume francês. Olhou para os lados e finalmente a viu. Sentada na cadeira de frente para ela. Fefe usava seu roupão.
 
-- SASSENACH! – Nora gritou de felicidade por rever sua amiga e seu desejo realizado.
 
Se abraçaram forte depois de alguns anos. Para Nora foi uma eternidade, como se o tempo estagnasse.
 
-- Feliz aniversário minha gatinha!
 
Ela abre a caixinha vista ao lado do abajur e se impressionou. Um colar magnífico de pérolas escocesas.
 
-- Como sabia que queria isso?
 
-- Há muito tempo desejava te dar essas pérolas por ser uma tradição na Escócia.
 
-- Mas sabe o que mais queria além das pérolas? – Ela sorria.
 
-- O quê?
 
-- Você!
 
-- Desta vez não irei embora! Vou ficar com você.
 
Um juramento foi feito e elas nunca mais se separaram e sua amizade virou outro sentimento que consolidou suas famílias: o amor entre elas.

Drabbles Grindhouse Part One (Vigésimo segundo capítulo)

 Boa noite pessoal!

Aproveitando que amenizou (só um pouco) esse frio de chegada do inverno, vou postar duas drabbles que escrevi no aniversário de Nora e Angie Smith no dia 04/06. Espero que gostem.



22 – The Fluffy Gift

 

Angie passou o dia todo em função da festa de seu aniversário e de sua prima Nora. Seus pais e tios não poderiam estar mais felizes. A festa era durante a semana com a família e alguns amigos. Os tradicionais Jogos das Highlands era no final de semana. Os jogos ela adorava mais pelo fato da quantidade de pretendentes de vários clãs disputarem sua mão. Apesar disso, ela estava noiva de Jackie Stewart pela segunda vez e não se importaria com processo de divórcio de John Bonham. Na realidade, Angie esperava por ele, e não era seu noivo ou ex-marido ou algum outro ex-namorado.
 
Foi um jogo sofrido para um placar minguado de 1 x 0. Mesmo que o time tivesse atacado de muitas formas, não era o caso do Leicester que realmente dificultou o Liverpool e seus atacantes anularam Bran. Nem mesmo ele estava totalmente concentrado. Era o aniversário de Angie e Nora, duas mulheres que ele ama, embora seu coração ainda implorasse pela primeira. Seus colegas perceberam a distância do atacante e pensaram que fosse realmente o jogo que o abalou ou algo o distraiu.
 
-- Quer compartilhar seus pensamentos? – Inquiriu Ray Clemence, o goleiro e tido como um dos grandes amigos de Brandon.
 
-- Existe uma fórmula para esquecer uma velha paixão?
 
-- Sim. Conhecendo outras pessoas e namorando a vontade.
 
-- Não está dando certo.
 
-- Angie voltou com “Sr. Collins” da Fórmula 1?
 
-- Eles tiveram um filho recentemente. – Em seguida Bran socou a parede, assustando todos. – Eu não aguento mais!
 
-- Brandon... – Ray colocava um saco de gelo no punho do colega pra amenizar a dor do golpe. – Tá na hora de contar sobre seus sentimentos para ela.
 
-- Já contei e acha que deu em alguma coisa? Só serviu para aquele baixinho marrento se aproveitar para ganhar seu coração. Isso tá acabando comigo.
 
O time inteiro sabia sobre o amor platônico de Bran por Angie Smith e inclusive um dos jogadores, o escocês Kenny Dalglish namorou a escritora sem saber que era a amada do seu colega. Kenny terminou com Angie em favor de Bran.
 
Na saída, passou na loja de suvenires para encontrar um presente. Nada lhe trouxe inspiração. No entanto escolheu um cartão de aniversário de cor lavanda com flores da Escócia e depois iria escrever algo. De repente começa a chover e ele, sem guarda-chuva, corre para dentro de uma confeitaria. Enxergou no umbral um filhote de gato todo molhado e tremendo de frio miando por ajuda. Bran pegou o animalzinho e o encobriu com o blusão de lã. O bichinho olhava para seu salvador e lambeu a mão dele. Ele teve a brilhante ideia.
 
-- Hoje você vem comigo para Escócia.
 
Era quase dez da noite quando Angie vestia seu pijama e colocava François no berço e algo chamou sua atenção. A mãe entregou uma caixa com um cartão. A embalagem já estava aberta e logo surgiu o gatinho, de banho tomado e bem alimentado com uma fitinha na cabeça e miando alegre.
 
-- Ah! – Angie sorriu emocionada. – Que fofinho você é! Quem é você?
 
Angie brincava com novo amiguinho e já imaginava um novo nome para ele, mas precisava ver se realmente combinava. Mostrou para os pais, que receberam bem o mascote e providenciaram uma caminha, bacia de areia para as necessidades, tigela de ração e leite. E depois ela leu o cartão.
 
“Angela
 
Não há palavras para descrever o que se passa em meu peito. Mas posso resumir é que você não sai dos meus pensamentos. Meu coração é todo seu. Eu te amo.
 
Feliz aniversário!
 
B...”
 
Uma lágrima caiu bem na letra final do cartão. Sim, ela sabia bem quem foi o responsável. 


domingo, 21 de maio de 2023

We Belong Together - Wildest Dreams (Parte 18)

 Boa noite pessoal!

Hoje vou postar novo capítulo da segunda temporada de We Belong Together. Reta final se aproximando e emoções fortes. Vamos lá e boa leitura!

Parte 18

 

Upwest Downing – 6 da manhã.

Fefe abriu os olhos e sentia fortes dores de cabeça. Olhou para o lado e viu que ao seu lado da cama estava afundado e desarrumado. A dor se misturou com o medo e a ressaca. Saiu da cama e vomitou na janela bem forte. O mordomo negro chamado Sembene e mais duas empregadas acudiram a jovem. Deram banho nela, Sembene arrumava a cama e depois deixava uma bandeja com chá, bule, açúcar e brioches na mesa do quarto.

 -- O que aconteceu comigo? – Questionou Fefe enquanto era banhada pelas criadas pois estava fraca e se abraçava tímida.

 Molly e Sybil se olharam assustadas e permaneceram caladas. Sembene ouve a conversa e se culpava por não ter protegido a filha de seus patrões. Já não bastava a morte misteriosa de Robert, agora Felicity saindo de noite e se encontrando com o lorde narigudo. E tudo começou desde a partida de Serguei e Moses para Ordem.

 

 FLASHBACK ON

Depois que seu irmão e seu primo seguiram rumo a Ordem, Felicity se sentiu sozinha. Ela conheceu um amigo chamado Louis O’Malley, um rapaz com deformidades em seu corpo e no rosto. Ele contou que foi assassinado e mutilado por lobos e uma cientista chamada Anastacia o trouxe de volta á vida, utilizando pedaços de outros cadáveres. Fefe sorriu e seguiram aquela amizade por semanas até que um súbito desaparecimento de Louis ocorreu. Entretanto num passeio no qual Sembene a acompanhou, um lorde inglês e de nariz absurdamente grande chamou sua atenção.

 Lorde Pete Townshend herdou recentemente a fortuna da família logo após a morte do pai durante a expedição na África e a morte prematura dos irmãos mais jovens, Simon e Paul. Ele sabia de Fefe, o noivado trágico com o conde Beckenbauer e o mórbido fim da família dela. Cortejou a mulher, mesmo sob os olhares reprovadores do criado que agia como guarda costas.

 E após muitos dias finalmente teve a primeira noite deles. Antes de levá-la para cama, Pete leu um livro de capa preta e uma insígnia cor de carvão. O símbolo não foi reconhecido por Felicity e quando ele leu as palavras em latim, adormeceu.

 FLASHBACK OFF

 

Não sentia dores e tinha certeza que não houve mais além de sono. Ainda sim estava em pânico e pediu para as criadas chamarem um médico ou uma especialista da anatomia feminina. Uma mulher doutora jamais vista examinou Felicity.

 -- Não há sinais de agressão, física ou sexual. A vagina do mesmo jeito. Normal. E você está naqueles dias. Por isso as dores de cabeça, se bem que é ressaca.

 Fefe se envergonhou.

 -- Não há com que se preocupar senhora McGold. – A médica falava com naturalidade e franqueza, transmitindo confiança.

 -- Eu... – Felicity pensou em corrigir a jovem doutora. Optou pelo silêncio. – Obrigada.

 -- Não há de quê. E procure se alimentar bem. Assim sua pele voltará a ser jovem e ocupe sua mente com melhores momentos e seu cabelo voltará a ser bonito.

 Quando a médica foi embora, Fefe chamou as empregadas.

 -- Como eu vim parar aqui?

 Sybil se tremia de medo e Molly esfregava as mãos freneticamente. Ambas estavam nervosas.

 -- Por favor...

 -- Senhora, é complicado de explicar porque nem mesmo nós sabemos direito. – Justificou Sybil.

 -- Eu exijo saber!

 -- Está bem. – Falou Molly suspirando. – Quando viemos trazer sua água, não estava aqui. E a cama toda arrumada. Falei para Sembene e todos os empregados. Te procuramos em todos os lugares e Carlson foi até a polícia. E quando voltamos para certificar, encontramos a senhora aqui. Desse jeito e não havia sinais que alguém tenha entrado na casa.

 Fefe aos poucos recuperava suas lembranças. Concluiu que Pete de alguma maneira, a trouxe de volta sem ter que entrar na casa. Usando... magia.

 

Alcateia de Nuremberg

 Depois de decidirem um plano de resgatar Alana e o filhote Jason, Mike e seus amigos e aliados colocam em prática. Mitch Mitchell e Johan Cruyff foram até a alcateia e viram todos os preparativos do casamento. Mitch apontou quem era quem.

 -- Ali! O de cabelo escovadinho e pele bronzeada é o terrível líder.

 Johan não gostou da fuça do lobo alfa.

 -- E aqueles caras ao redor? – Questionou o médico.

 -- Eles se chamam “A Máfia de Memphis”. – Mitch dava de ombros e ria. – Não me pergunte o motivo desse nome. São amigos e até uns são primos do Elvis.

 Enquanto Mitch explicava, Johan permanecia escondido nas árvores e observava atentamente o local. Avistou a barraca onde Alana, Gram Parsons e Renée conversam. Os outros lobos e vampiros conversavam entre si. Na verdade estavam com medo de Elvis e sabiam do plano de resgate da loba liverpuliana e do filhote e mantiveram as aparências subjulgadas por Elvis.

 Mitch e Johan entram na barraca e viram Alana chorando.

 -- Alana! – Johan a abraçou. – Sou eu. Dr. Cruyff!

 -- Doutor! – Ela chorava copiosamente. – Me tira daqui. E salve meu filhote.

 Jason dormia sob o efeito da poção do sono que Renée aplicou no menino. Mitch carregou com cuidado a criança.

 -- Calma! Vamos te tirar daqui. Mitch levará você e o garoto até o seu marido.

 -- Mike? – Os olhos da loba ganharam outro brilho na menção a seu marido, se é que poderia ainda se considerar esposa dele depois do que aconteceu semanas atrás. – Ele veio?

 -- Ele percorreu o caminho todo pra te resgatar, mulher! – Disse o médico, animado e se levantando. – Renée assume aqui e agora.

 -- Farei com que Elvis beba a poção do sono da morte. – Dizia a alquimista já travestida de Alana.

 -- Toma cuidado, bruxa. Presley é um lobo astuto. Uma simples falha e ele desconfia fácil.

 -- Obrigada pelo aviso.  E levem a Alana rápido!

 No exato momento que Mitch e o médico saíram da cabana, Elvis entrou rapidamente. Ele estava impaciente!

 -- ALANA! – Chamou em voz alta.

 Renée fingiu surpresa e viu o tamanho do lobo. Pela primeira vez sentiu medo, logo ela sempre corajosa e já enfrentou um lupino como Marco Verratti, Elvis era uma muralha.

 -- Meu bem... – Ela forçou uma voz parecida com a loba. – Não deveria entrar aqui. Dá azar ver a noiva antes do casamento.

 -- Só queria saber se está tudo bem. – Ele a olhou de cima a baixo e sorriu maliciosamente. – Venha! Está na hora. Lamar vai levá-la ao altar.

 -- Espere, senhor. – Parsons deteve o grandalhão Lamar Fike. – Eu mesmo levo Alana. Afinal... Fui eu que os apresentou.

 -- Que bom! Vamos começar!

 E finalmente a cerimonia de casamento começa. Todos olharam para a noiva e não deixavam de sentir pena dela. Parsons permanecia tranquilo e se retirou rapidamente assim que entregou a noiva e Renée evitava de transparecer ousadia contra o macho alfa. Tinha que fingir ser delicada. Ela não prestou atenção no sermão do padre Arthur Brown e não olhava para Elvis. Os membros da Máfia de Memphis se emocionavam, exceto um deles. Justamente Jerry Schilling, o braço direito do líder. Jerry era muito detalhista e qualquer coisa fora do lugar, buscava investigar a origem do problema. Neste caso ele percebeu que “Alana” estava conformada demais. Ao contrário das outras que faziam escândalo, surtavam ou negavam veemente, ela aceitava tranquilo. E também Jerry avistou uma estranha tatuagem na mão direita da loba, o símbolo do Ouroboros.

 -- Então pelo poder que me foi investido... – Até mesmo o padre estava cansado de unir várias vezes Elvis. – Eu os declaro marido e mulher. Beije a noiva.

 Na hora do beijo, Presley se inclinou e fechou os olhos. Renée deu um selinho rápido e todos celebraram. Ele a carregou para a barraca dele onde inicia-se as núpcias...

 A caminho do bando, Mitch, Johan, Jason e Parsons e a verdadeira Alana corriam sem parar até encontrar a trilha. Em seguida chegaram. Jason se acordou e ao ver o pai, correu para abraçar.

 -- Papai! – Gritou o lobinho.

 -- Meu filhote! – Mike chorou de alegria por rever seu filho. O menino continuava a cara dele e os olhos da mãe. – Senti sua falta meu filho!

 -- Eu também papai e a mamãe está aqui.

 Mitch retirou o capuz que cobria Alana. Nez quase não acreditava no que via. Sua mulher, inteira e mais bonita do que antes. O casal se abraçou forte e ali ele tinha certeza. Ela o ama ainda. E o doutor Cruyff estava certo. Se a loba realmente não o amasse, não arriscaria a própria vida no confronto contra os Kroos durante da batalha da retomada da Ilha dos Lobisomens. Os amigos também sorriram no reencontro do casal. Peter se lembrava de Erin e Manuel e com certeza se acontecesse algo parecido com o fazendeiro ou com Erin, moveria céu e terra para encontra-los. Micky derramava mais lágrimas pois se tornou gatilho para ele por causa de Suzan e a lobinha Jane Roselyn e sua esposa Emma e as crianças, mas vendo Mike, Alana e o filhote reunidos aquecia seu coração. Davy também se emocionou e novamente pensava em sua mulher e as filhas e do bebê Freddie. Decidiu que assim que retornar a Ilha, vai amar Dianna e dar mais carinho aos filhos.

 -- Ok pessoal! – Johan chamou atenção de todos. – Agora vem mais um plano. Como vamos resgatar a Renée?

 Jimi ia dizer algo, mas uma explosão mágica atingiu todos. Mike protegeu a esposa e o filho ficando por cima deles para receber o impacto do golpe. Todos se machucaram gravemente. Enquanto se levantaram, a figura sinistra do líder da alcateia e a Máfia de Memphis logo atrás. Elvis segurava Renée pelo pescoço, desfalecida e cheia de marcas de agressão, além do vestido rasgado e o disfarce estragado.

 -- O QUE FEZ PRA ELA? – Gritou Peter, indignado por ver Renée subjulgada.

 Elvis riu e seus comparsas também. Em seguida arremessou o corpo da alquimista para o bruxo.

 -- Volte para mim, Srta. Watson. – Elvis esticava a mão para a mulher. – E eu prometo que não vou machucar seu marido e seu filho e nem seus amigos.

 Alana tremeu e Mike ficou na frente dela.

 -- Você não levará minha mulher!

 -- E quem é você?

 -- Robert Michael Nesmith! Sou o verdadeiro marido da Alana!

 -- O marido? – O líder se enfureceu e começou sua forma lupina gigante.

 Mike não se deteve e também se transformou em lobisomen. O confronto se inicia!

 

 Trem de Whitechapel

 Bran e os gêmeos embarcaram e escolheram os assentos perto da ligação de um vagão e outro. Chris e Nikolai tomavam seu sorvete alegremente e Bran observava ao redor, até perceber um trio de homens loiros, usando roupas surradas e toucas velhas. Aparentemente entregaram os bilhetes para o fiscal e foi aceito e em seguida aceitaram a comida oferecida. Não estavam muito longe de onde Bran e as crianças estavam. O galês pensou em mudar de lugar, no entanto o trem já estava ficando preenchido os lugares. E antes de tomar a súbita decisão de desembarcar, uma dama cruzou seu caminho.

 -- Desculpa! – Bran se envergonhou. A jovem era exótica e bonita. Apesar da vestimenta e maquiagem, o jovem não deixou de notar um pomo de adão proeminente na “garota”.

 -- Eu que peço perdão. – Disse a “jovem”, forçando a voz numa tentiva estranha em tornar feminina. – Posso me sentar com vocês?

 -- Pode! – Responderam os gêmeos e apontando para o lugar que é o lado do “pai” deles, no caso Bran. – Fica aqui.

 -- Danke!

 A moça estranha cumprimentou as crianças e o cavalheiro. Admirou o par de olhos azulados do belo homem e ao mesmo tempo uma dupla de homens bem vestidos se aproximaram do quarteto.

 -- Olha ali. Até um maricas embarca no trem. – Disse um deles se referindo a dama.

 -- Aberração! – Completou o outro.

 Bran não gostou e dirigiu-se até os homens.

 -- Eu não sabia que eu era tão pegajoso. – Provocou Bran.

 -- Ah, não senhor! – Riu um deles, nervoso. – Não era para você. E sim aquela mulher ao seu lado.

 -- Então sugiro mais respeito a minha esposa!

 Os passageiros e os bilheteiros voltaram sua atenção na afirmação do outro. Até mesmo o trio misterioso se chocou.

 -- E-E-esposa? – Gaguejou o outro.

 -- Exato. Pra chamarem minha mulher de aberração, as de vocês devem ser bruxas do pântano e querem ofender outras para se sentirem melhor!

A dupla se retiraram completamente embaraçados e os passageiros voltaram suas atenções para si próprios. A garota estava boquiaberta com a atitude do homem. Teve certeza que ele não era comum.

 -- Não precisava, senhor...

 -- Me chame de Brandon McGold. – Se apresentou.

 -- Lady... Katharine... Rummenigge.

 -- É um prazer em te conhecer, lady Katharine.

 -- E eu sou Christopher e esse é meu irmão gêmeo, Nikolai.

 -- Hallo, crianças. – E depois voltou sua atenção para Bran. – Seus filhos são adoráveis.

 -- São sim... – Bran não deu muitos detalhes e preferiu poupar Katharine.

 -- Muito obrigada, herr McGold.

 Bran beijou a delicada mão de Katharine e continuou olhando para ela, fascinado por sua beleza diferenciada. E os meninos sentiram que “o pai” logo teria um novo amor. Quanto ao trio de homens, continuaram de olho neles e finalmente o trem iniciou sua viagem.

 -- Tenho uma cabine privativa. Se quiser ficar comigo e com os meus filhos, está convidada.

 -- Vamos comer muitos doces. – Nikolai era o mais animado.

 Katharine aceitou e seguiram juntos.

 

 Floresta de Munique

 Os esquilos andaram para procurar nozes e subiam em cima de um corpo perto do lago dos amantes. Dois deles cutucaram a cabeça dele e finalmente Gerd se mexeu, espantando os pobres esquilos. O vampiro se encontrava numa situação desleixada. Roupa suja de terra e umidade, o cabelo empoeirado e exalando odores suspeitos, além de ter deixado uma barba crescida e mal cuidada. Aos poucos abria seus olhos e recobrava os sentidos e os caninos. Lembrou-se do que aconteceu nas últimas semanas... e uma delas ainda o machucava. A imagem de Louise lutando contra Nadine, resultando na ursinha sendo vencedora e ao mesmo tempo morrendo no processo. Ainda doía seu coração sabendo que seu plano de ressucitar Louise deu errado e nunca mais teria chance em ser perdoado. Olhou para o lago e imediatamente se lembrou que o canto onde se encontrava foi exatamente o mesmo lugar onde se acertaram após Louise matar os Pythons. Eram bons aqueles tempos, onde eram os dois, se amando em todos os lugares e aproveitando a vida hedonista que levavam. Entretanto lembrou-se da filha com Alice. Meredith. Gerd se levantou e caminhou calmamente até o castelo. Ao abrir a gigante porta de bronze, viu a filha brincando com Joanna Martin, o lenhador Michael Palin e com Alice.

 -- Papai! – Gritou a menininha e correndo em direção a ele.

 Gerd não se moveu e ainda estava chocado. Alice se levantou e pegou a filha pela mão.

 -- Fica longe dela!

 -- Alice!

 -- Não se aproxime de mim! – Respondeu brava.

 -- Me perdoa! Eu estava triste e com raiva...

 -- E remorso pelo o que fez a Louise? Isso você não sentiu. Quando a estuprou, enganou e traiu meu sol!

 -- Eu sei e assumo totalmente essa culpa. E você? Ficou comigo enquanto eu estava com ela...

 -- Eu estava inebriada por uma névoa de mentiras. – Alice falava alto e não se deu conta que Joanna e Palin afastaram Meredith para não ouvir a discussão. – Eu estava feliz pela minha nova vida. Com Palin, novos amigos e a Louise. E você me fez perder tudo e você a perdeu também.

 A pequena se desvencilhou da vampira ruiva e correu para o lado do pai.

 -- Quero ficar com meu pai.

 -- Mas não vai mesmo. – Alice pegou a filha no colo. – Ficará comigo.

 -- Não quero!

 -- Então o que vivemos foi parte da névoa de mentiras suas? – Foi a vez de Palin entrar na conversa.

 -- Não... Michael...

 O lenhador puxou Joanna e subiram as escadas, entrando no aposento da vampira.

 -- Alice... – Gerd tentou se aproximar dela. – Me perdoa pelo que disse e fiz para você e Louise. Quero tentar e me corrigir.

 Alice leu a mente de Gerd. Uma parte era verdade. Mas o motivo era por causa da filha.

 -- Eu não sei Gerd. Se eu te der essa chance, que seja pra valer.

 -- Vamos fazer pela Meredith.

 -- Não vai tentar me matar de novo? Ou me humilhar?

 -- Não farei mais.

 O casal se abraça receoso e ali reiniciaram sua historia... Sabendo que novamente outras surpresas vão surgir e desencadear desencontros.

 Meredith ficou feliz e depois olhou para porta e viu uma figura de branco com roupas de freira. A menina sorriu, ingênua, sem saber que se tratava de Louise recém ressuscitada. O olhar da vampira para o casal era sinistro.

 -- Oi. – Cumprimentou Meredith.

 Louise direcionou seu olhar para criança e foi embora sem dizer uma palavra. De fato, não era a mesma Louise que outrora era complacente e adorável com as crianças.

 

 Miesbach, sul da Baviera, pensão de Madame Hertha

 Alexei anotava tudo que entendia do livro Os Significados das Luas. O que lhe chamou atenção sobre as fases lunares que foram mencionados em outro livro lido, As Criaturas do Submundo por Thiberius Raskolnikov. A lua cheia era Lua da Abundância, trazendo fartura de alimentos, saúde e resistência. Além disso a lua cheia causa desconforto aos novos lobisomens que não controlam a licantropia. A segunda fase, a lua crescente correspondia a Lua Rosa, lua de amor, onde o sentimento floresce lindamente e também era época divertida para vampiros e lobisomens e humanos pois o apetite sexual fica no auge. Agora a lua minguante é a mais perigosa no qual os próprios lupinos e morcegos são prejudicados. E a fase que atiça os sentidos predatórios de ambas criaturas e foi muitas vezes responsável por ataques em diversas partes do país. E a lua nova, embora uma das menos conhecida porém importante. É a fase de abertura dos portões espirituais permitindo que espíritos sejam vistos pelas pessoas de grande ou pouco dom paranormal e a comunicação entre os mundos.

 Olhou o calendário russo e olhou as estrelas. Era chegada da lua cheia em três dias. Ele tinha que tirar Tony do sanatório o quanto antes. Mas na entrada do hospício, o dono do lugar encarava Alexei nada amigável. O responsável era magro, alto, cabelo curto e preto e dono do olhar bravo e com olheiras. Usava jaleco e óculos.

 -- Boa noite, herr. – Alexei sorria forçadamente sabendo que o diretor já se irritou com ele. – Preciso ver um dos internos.

 -- Você viu que horas são, Sr. Romanov? – Perguntou.

 -- Pelo amor de Deus. São sete da noite. Ainda estou no limite permitido.

 -- Acontece que já a quarta vez só esta semana visitando o Sr. McGold. Nesses dias todos o paciente teve recaídas de agressão e alucinações.

 -- Eu... Não Sabia.

 -- Agora que já sabe, ponha-se pra fora!

 -- Diretor! Por favor...

 Alexei saiu correndo, entrando no gigante corredor e adentrou a segunda sala livre. Tony foi visto, sentado na cadeira de balanço ainda com a mesma expressão de quando o internou no local e ainda olhava fixamente para janela.

 -- Tony! – Chamou Alexei.

 O outro ignorou e seguia olhando para janela. Alexei virou Tony para olhá-lo.

 -- Tony, me ouça. Eu sei que me entende e me ouve. Precisa sair daqui.

 -- Eu... Eu... Eu... Eu... – Tony repetia demais a palavra e tremia as mãos. Ele olhava para o vácuo.

 -- Eu sei o que aconteceu com sua filha.

 A simples menção a Louise mexeu com velho. Os olhos finalmente adquiriram um brilho despertante e parou de repetir as palavras.

 -- Daqui a três dias será a lunação cheia. Você vai recuperar seus poderes e suas lembranças.

 -- SR. ROMANOV!

 O diretor enfurecido, encontrou Alexei abraçando Tony e mandou os guardas separarem os dois e enxotou o russo de meia idade para rua. Mas Alexei estava satisfeito. E só o que tinha que fazer é esperar até a lua cheia... ou não.

 Os enfermeiros examinaram Tony e o diretor Lux Interior pensava no que fazer para o paciente não lembrar mais do visitante. A lobotomia não bastava.

 -- Sr. McGold está reagindo. – Comentou a enfermeira de apelido Poison Ivy, a esposa do diretor Lux.

 -- Então vamos usar a “Psycho Therapy”. – Respondeu com ares sádico.

 Psycho therapy psycho therapy psycho therapy

That's what they wanna give me
Psycho therapy psycho therapy psycho therapy
All they wanna give me

 

O colocaram na maca, amarrando os pés e as mãos com cinto. Tony olhava para os lados e enervou-se.

 

-- Me tirem daqui! ME SOLTEM! – Gritou e se agitava na maca, impedindo a travessia até a sala de psicoterapia, que nada mais é o sinônimo de terapia de choque.

 

Lux aplica a morfina no braço de Tony. Aos poucos ele parava de se movimentar. Ordenou que os enfermeiros mantivessem os olhos dele abertos para o início dos choques. Colocaram esparadrapos nas pálpebras do paciente, eletródos e um pedaço de couro na boca, evitando os gritos.

 

Lux e Poison orderam que os guardas ficassem alertas para não deixar os pacientes verem aquela horrenda sessão.

 

-- Não se preocupe, Sr. McGold. – Com a mão segurando a chave de ignição elétrica. – Em breve nem saberá o que realmente aconteceu.

 

E abaixou a chave, se ouvindo o ruído gradual de começo da eletricidade e as correntes atingindo o corpo de Tony. Ele gritava de extrema dor e era abafada com aquela tira de couro entre os dentes. Lágrimas corriam dos olhos por causa da dor. E a sensação de impotência e vergonha acelera seus sentidos, os batimentos cardíacos e o ódio.  Ele olhava para os espelhos e a mesma imagem da criatura deformada implorava para sair de dentro dele. Os olhos de Tony, antes azuis quase opacos, ganharam a cor acizentada e a pupila dilatada. As mãos cresceram e ficaram enormes, os braços ganharam músculos descomunais e poderosos, assim como as pernas e o tórax. Os gritos deram lugar a um urro selvagem e o rosto completamente deformado. O diretor não acreditava no que fez e seus funcionários fugiram. Tony se movimentou e facilmente se libertou de seu suplício hospitalar. E após vários meses, ele despertou o pior nele: um Hyde.

 

Alexei olhava o sanatório pelo telescópio e viu as chamas que estavam as torres, os pacientes correndo para fora e outros ficando no pátio para observar os acontecimentos. Funcionários gritando e pedindo ajuda, até que um deles foi agarrado pelo calcanhar e arremessado longe. Imediatamente reconheceu Tony transformado em Hyde. O plano de fuga deu certo.

 

-- Tony! Me siga! – Apontando para si.

 

O monstro, que antes era seu amigo e amor da sua vida, o seguiu bravo. Adentraram floresta densa, distanciando do asilo. Mas Aelxei notou que Hyde parou de caminhar e estava muito mais zangado.

 -- Tony?

 -- GRRRRRRR! – Grunhiu bravo.

 -- Calma! Sou eu! Lembra-se, o rei caiu! Ele caiu!

 O monstro se acalmava pouco e caminhou ao lado do humano. Depois de percorrerem vinte quilômetros, chegaram a pensão de Madame Hertha. Alexei se virou e Tony retornou a forma humana, ofegante e apenas com a calça rasgada e sem camisa. Romanov carregou seu amigo e entrou na pensão, recebendo os cuidados da dona e de outra pessoa.

 -- Ele ainda não se lembra totalmente. – Avisou o russo, pegando novas roupas.

 -- E de mim? – A voz de Catelyn Smith mostrava preocupação. Cat foi trazida de volta a vida por Alexei pelo mesmo método que Anastacia Rosely utiliza, o Dom de Lázaro retirado do livro o Necromicon.

 -- Ele reagiu pouco. Vamos esperar até a lua cheia.

 Cat concordou e limpa o rosto do galês amado.

 -- Onde estou? – Tony acordava aos poucos.

 -- Olá, querido. – Catelyn depositou um beijo na testa.

 -- Quem é você?

 

  Munique – Mansão dos Monkees

Dianna costurava as roupinhas das filhas e vez ou outra parava suas atividades por causa da gravidez. A barriga já ganhava uma circunferência bem visível e algumas vezes sentia os chutes e movimentos do bebê. Emma terminava de banhar Ami e Karin e as vestia com as roupas doadas por Mary Anne McCartney-Harrison. Karin não era mais uma bebê e já ganhava forma de uma menina de três anos.  A morceguinha é muito mais serelepe que as outras crianças e adorava fazer bagunça. Seu irmão adotivo, Christian, auxiliava na agitação. Erin amamentava Sally e por fim as atenções voltaram para outra criança: Freddie.

 Desde a morte de Louise, Freddie ficou aos cuidados dos Jones e antes da partida de Davy no resgate de Alana, o menino vampiro era quieto, retraído, mas com um gosto para desenhos. Erin cedeu parte dos seus quadros e lápis para o garoto desenhar o que quisesse. Tirando o auto isolamento de Freddie, havia outra coisa aparentemente preocupante: Freddie falava sobre um ursinho.

 Dianna achava que ele queria uma pelúcia e dava os ursinhos de suas filhas para ele. Freddie recusava e continuava resmungar sobre um ursinho.

 -- Acho que ele vai desenhar um ursinho. – Erin observa como o menino vai mostrar.

 Terminado o desenho, ele mostra para as tias. As três mulheres não entenderam aqueles rabiscos. Dianna olhou mais atentamente e de repente aqueles rabiscos se misturaram e formaram a figura de um homem. A vampira o reconheceu e se espantou pelo fato de Freddie ainda se lembrar. Puxou o menininho para perto.

 -- Você sente falta do “ursinho”? – Indagou a vampira.

 -- Sim. – Respondeu Freddie. – Ursinho.

 Freddie repetia a palavra que Louise se referia a Gerd e provavelmente como não sabia pronunciar o nome dele, o chama de ursinho.

 -- Eu prometo que se a gente encontrar, você o verá.

 O garoto sorriu e abraçou a mulher que o acolheu como sua mãe. A felicidade deles foi interrompida com batidas na porta.

 -- Deve ser os rapazes! – Se animou Emma.

 -- Alana! – Erin enchia os olhos de lágrimas louca para reencontrar sua amada loba.

Para a surpresa delas, quando Dianna abriu a porta... Não eram eles. E sim uma mulher bem vestida e com as mãos contendo barreiras de energia.

-- Onde está Mike Nesmith?

 

 Continua....

sábado, 13 de maio de 2023

Pra Você Eu Digo Sim (Songfic)

Boa noite, pessoal.

Hoje vou postar a songfic com Rosie Donovan e um novo par que em breve veremos. Essa songfic é minha homenagem à Rita Lee, que nos deixou recentemente e como sabem, minha Garota de Liverpool foi inspirada nela após uma matéria dela contando sobre sua adoração pelos Beatles.Boa leitura!


Ela olhava para janela, pensando se realmente tomou a decisão certa de sua vida. Será que era tão difícil ser amada por quem seu coração permite? Por que as pessoas a magoavam? Tentou lembrar do que fez de errado em sua vida. E não encontrou nada. Aparentemente. Chorou de saudades de Marianne. E se ela ligar, pensou consigo mesma. Diversas vezes pensou em se acertar com ela e sempre a imagem de Ana e Marianne juntos só a afetava mais.

 

Se eu me apaixonar

Vê se não vai debochar

Da minha confusão

Uma vez me apaixonei

E não foi o que pensei

Estou só desde então…

 

Caminhou pela sala da fazenda do amado e enxergou a paisagem das Highlands ainda escura. Ela não dormiu nada pensando em sua vida. Sentou-se no sofá com as pernas junto ao estofado e abraçou os joelhos. As lágrimas teimavam em cair em grande vertente. Suspirou e evitou acordar quem fosse. Quanta vontade era de gritar. Mas se fizesse isso, a acusariam de chamar atenção para si ou situação dramática.

 

Se eu me entregar total

Meu medo é!

Você pensar que eu

Sou superficial…

 

-          Você é dramática, sabia?  - Respondeu John Lennon, jogando a guitarra longe. Os dois brigaram porque Rosie não quer que o beatle abandone a esposa e o filho pequeno. Ela não era destruidora de lares.

-          Só penso em você. -- Disse Rosie, quase gaguejando.

 

Em outra situação semelhante, foi com Edmund Jones…

-          Você é dramática! -- Xingou o jornalista e revidou suas palavras. -- Está fazendo isso para ter atenção pra você mesma. E te digo mais: não está dando certo.

 

Rosie não disse mais nada. No outro dia, ela foi embora, grávida, traída em dose dupla e sem amparo.

 

Se eu não fizer

Amor assim sem mais

Se você brigar

E for!

Correndo atrás de alguém

Não vou suportar

A dor de ver

Que eu perdi

Mais uma vez meu amor

Uuuuh!...

 

O mesmo não se podia dizer de Eric Clapton ou George Best. O último era um mulherengo de marca maior. O outro é um autointitulado Deus da guitarra. E nenhum deles a fez sentir aquela coisa antes já sentida com Lennon. Por uns instantes se deu conta de algo. Das vezes que seu vizinho novinho lhe perguntar sobre o sentido da vida. Não que a resposta fosse tudo, mas talvez faça sentido para ela sobre a atual situação. Jamais lhe passou em sua imaginação se apaixonar de novo e mais ainda por um homem mais velho.

 

Mas se eu sentir

Que nós estamos juntos

Longe ou a sós

No mundo e além

Pode crer que tudo bem

O amor só precisa de nós dois

Mais ninguém

Uuuuh!...

 

Mas e se aquela chuva torrencial na estrada no qual ela acreditava ir para Edimburgo fosse realmente lhe levar para seu destino? E se ela não tivesse conhecido Ned? Sua vida seria a mesma estagnação, em alguns momentos reclamando e sofrendo por não perdoar as pessoas que a fizeram mal. Entretanto, destino ou não, Ned Smith entrou em sua vida. O acaso de uma vida. E ele aprendeu com ela que por trás daquela sassenach ruiva, existe um coração e alma feridos e o receio de entregar-se ao amor.

 

Se você quiser

Ser meu namoradinho

E me der o seu carinho

Sem ter fim

(...)

 

Ned se levantou ao perceber que Rosie não estava na cama. Pegou o roupão e calçou o chinelo. A encontrou deitada no sofá chorando baixinho. Se aproximou dela.

 

-          Rosie? -- Tocou o braço dela. -- O que aconteceu?

-          Não posso continuar.

-          Por que?

-          Eu não sei o que estou sentindo. E não quero passar por tudo aquilo que tive.

-          É algo a ver com o pai do Dorian?

-          Ned, é sobre nós! - Resmungou quase alto. -- Você já amou uma mulher da minha idade, no caso a amiga francesa da Nora. O que foi que você viu em mim, cacete? Não tenho nada para te oferecer!

 

O fazendeiro escocês olhou para baixo, envergonhado. No começo, nem ele percebeu o tanto que se importa com aquela mulher de Liverpool e também o fato dela ser da idade de sua filha não o incomodava. A verdade é que Eddard Smith pela primeira vez em toda sua vida se apaixonou de verdade. E aquela paixão toda virou amor. E agora está a um passo de perder esse amor.

 

-          Você tem. -- Ele afagou o rosto da ruiva. -- Seu amor. Minha vida é inteiramente com você.

-          Tem certeza?

-          É a minha maior certeza. -- Ele a beija na bochecha. -- Sou grato a Deus todos os dias por ter me colocado para te resgatar naquele dia de chuva. Você me mostrou o que é alegria. Eu te amo demais!

 

Em seguida se beijaram intensamente. Rosie chorava, desta vez feliz em saber que é amada por aquele homem. Ned a agradou de todas as formas. E não tinham mais receios pois sabiam que tudo que mais queriam era estar um com outro.

 

-- Pra você… -- Disse tocando os lábios dele. -- Eu digo sim!

 

FIM

 Homenagem à Rita Lee, a mulher que me inspirou a criar Rosie Donovan.


Rosie Donovan vai voltar em Laços do Blues 2

Ned Smith vai voltar.