quarta-feira, 10 de julho de 2013

Laços do Blues (5º Capítulo)

Oi gente. Demorei mas está aqui, o quinto capítulo de Laços do Blues. Boa Leitura!



Capitulo 5: Spoonful


Eric POV

Acordar com dia nublado em Oxford não era bem minha ideia, mas a única coisa que me fez levantar da cama foi minha alegria em saber que hoje, exatamente hoje, vou me encontrar com Rosie.  Depois que tomei banho, escovar os dentes e colocar uma boa roupa, fui para cozinha lavar a louça (já que ninguém se prontificava só eu e às vezes nosso empresário Danny Gillian) e preparar o café da manhã do grupo. Havia pão, manteiga, queijo e bacon e acabei preparando um pouco de omelete. Meia- hora depois vi Ginger com cara ainda de sono e sentando junto na mesa do café. Ele não perdeu tempo em perguntar.

-- Pela mesa de café que está preparada, só pode ter vindo de você.

-- Alguém tinha de fazer o café. Não rendemos sem isso. – Respondi, sorrindo.

-- É verdade. Mas me conta aí. Está realmente interessado na secretária ruiva do Benson?

Aquela pergunta... Esperava alguém me dizer isso, no entanto, me sentia despreparado em responder.  Respondi a verdade.

-- A Rosie me conquistou por completo. Sei lá, aquela garota tem um encanto natural que me prendeu a ela. Sou ligado a ela por laços.

-- Que romântico... – Ginger ria, mas acabou acreditando. – Só cuidado para o “Jekyill” não ficar sabendo disso, se não, da problema.

Antes que pudesse dizer mais uma alguma coisa, Jack aparece na porta da cozinha, só de cueca, com a cara de sono e o cabelo totalmente bagunçado.

-- E ai? Que vamos comer hoje no café? – Perguntou com a maior cara de folgado, também, depois da noite passada, com show que demos na faculdade e ele com seu “espetáculo particular”, o que poderia resultar?

-- Apenas pão e omelete. Está servido? – Ofereci.

Jack atacou todo o lanche matutino. Puxa vida, isso tudo é fome? Voltamos a comer em paz, depois nos arrumamos para esperar Danny Gillian nos levar de novo na agência publicitária de Sam Benson. No fundo estava muito eufórico, eu veria Rosie antes da grande noite de hoje.

Danny chegou antes do horário combinado e logo nos reportou.

-- Pessoal, vamos logo para agência, precisamos acertar mais alguns shows com Benson e também hoje vocês receberão uma fotógrafa da revista Rolling Stone para tirar umas fotos para publicar na edição do mês seguinte.

Não me importei em saber se seria fotografado, embora eu seja de fato o mais tímido e prefiro evitar qualquer tipo de contato com a imprensa.  Contudo, o que mais me motivava era o meu encontro com Rosie. Durante a ida ao prédio de Sam Benson, só pensava nela. Quando chegamos lá, vimos uma jovem de cabelos negros como a noite, pele branca e segurava uma câmera fotográfica e ajeitava o cenário improvisado.

-- Pessoal, deixem-me apresentar Felicity McGold, fotógrafa da revista Rolling Stone que contratei para tirar umas fotos de vocês.

Cumprimentamos a garota e logo fomos para o camarim nos arrumar. Saímos de lá vestidos de cowboys e começou a sessão de fotos. Felicity é uma ótima profissional, comparada aos outros fotógrafos, ela deixava todos seguros e fazia brincadeiras. No rápido intervalo porque ela iria trocar a lente, vislumbrei uma fisionomia conhecida: era de Rosie, que chegara fazia 5 minutos e estava lá, conversando com Benson.
Ela me viu e sorriu para mim. Outra vez meu coração disparava de forma alucinada. Quando tudo terminou, fui procurá-la e encontrei-a com Felicity, conversando como se fossem velhas amigas.

-- Oi, Clapton.—Cumprimentou Rosie, sem perder o sorriso.

-- Olá, meninas. Espero não estar interrompendo nada.

-- Oh, não. Mr. Clapton. Acabamos de nos conhecer. Bem, vou indo para Londres e revelar as fotos. Avise ao Mr. Gillian que as enviarei na terça que vem. Adeus!

-- Adeus, Miss McGold!

Depois da despedida, agarrei minha ruiva e a levei pra cozinha, onde comecei uma série de beijos.

-- Ei, calma! Vamos devagar, certo? – Dizia ela, um pouco ofegante dos beijos.

-- Não dá... – Realmente não dava para me conter. Estava num nível de felicidade que só Deus sabe. – Puxa, quero você só pra mim.

-- Então espere, meu amor. Espere por hoje à noite. E a propósito, vamos ao cinema?

-- Cinema é ótimo. Aceito. Te pego às 20h, ok?

-- Vou te esperar, amor.

Foi uma despedida rápida entre nós. Rosie ficou para ajudar Benson naquela manhã e eu junto com os rapazes tocamos umas músicas pra passar o tempo em casa. Todos os dias era sempre a mesma coisa. Jack ficava estressado com Ginger, pois ele não seguia os compassos de tempo da música e muitas vezes faziam solos de bateria muito prolongados e Ginger cada vez mais gostava de irritar Jack e muitas vezes procurava “avacalhar” alguma coisa dele.

E a noite chegou. Ginger se arrumou todo para se encontrar com Marianne, a amiga da ruiva as 17h30, para assim não despertar curiosidade no Jack (sim, além de doido, ele é muito curioso!).

Jack por sua vez ficou vendo tv e depois saiu, avisando que vai num clube. Sei bem onde aquele cara está indo. Num clube repleto de groupies malucas para agarrar o primeiro famoso que encontrar pela frente.

Rapidamente, aproveitei esse momento para tomar banho, passar roupa e me vestir com elegância. Estou pronto para ver minha garota. Cheguei cedo para encontro com ela. Bati na porta e rezei desesperadamente que não fosse algum outro colega de quarto além da Marianne.

Sorte minha, era ela. Mais bonita, usando meia calça preta, sapatos pretos com salto baixo, uma saia não muito curta, uma blusa branca longa, um pequeno colete preto e um casaco.

-- Oi.—Ela me cumprimentou, me beijou e me deu uma caixa de bombons.

-- Oi. Ei, como soube que gosto de doces e chocolate?

-- Pra falar a verdade, eu não sabia mesmo. Quis te presentear com isso.

-- Queria te dar um presente melhor.

-- Já me deu um presente. Você, Eric Clapton.

Aquilo foi o suficiente para me fazer amar mais aquela menina de olhos verdes como duas esmeraldas e cabelos cor de fogo.

Finalmente fomos ao cinema. Havia uma sessão de filmes retro e Rosie estava a fim de assistir “O Destino Bate A Sua Porta”, direção de John Garfield e estrelado por Lana Turner*.  No entanto, sugeri ver “Blow Up”, de Michelangelo Antonioni. Ela aceitou ver o filme e pegamos uma boa sessão. Apesar de pouca gente ali, aproveitamos muito bem, comendo pipoca e tomando Coca-Cola. Também quis namorar ali e passei a mão em seu corpo e depois mais uma sessão de beijos, mais ousados que os anteriores e desta vez, confesso que me deixou excitado. Depois de merecidos cinco minutos de beijos ardentes, ouvimos umas risadas ao fundo e procuramos saber de quem pertencem e vimos duas pessoas que conhecemos: Ginger Baker e Marianne Jones.

Rosie ficou perplexa pelo flagra e perguntou:

-- O que vocês dois fazem aqui?—Ela estava muito surpresa.

-- Ah, nada não. É que o Ginger ficou de me levar à livraria. —Responde Marianne, bem sapeca.

-- Livraria? Livraria onde, mulher? – Agora Ginger falou com os olhos arregalados e mirando para Marianne.

-- Sim, você falou, vou te levar na livraria amor, pra você comprar aquele livro que falou que estava a fim de ler.

Eu sabia que não era verdade. Rosie estava quieta, mas no fundo ela também não acreditava e ainda assim falei.

-- Mas aqui não é livraria, é um cinema.

Rosie insistiu em tentar descobrir a verdade.

-- Vocês nos seguiram?

Pela cara de risonha da Marianne, ela não resistiu e soltou o verbo.

-- Errr... Sim. Admito foi minha ideia te seguir hahahaha...

-- Que engraçado, Marianne!—Disse Rosie, de forma bem irônica e depois me dirigi ao Ginger.

-- Por que aceitou nos seguir, Ginger?

-- Ah desculpa, eu faço tudo pela minha pequena. – Acabei meio que rindo disso, embora tanto Rosie, quanto eu, estávamos frustrados pela nossa noite ter sido descoberta por outras pessoas. – As coisas que faço por amor... —falou Ginger bem apaixonado.

-- Está bem, deixa pra lá. Vamos continuar nosso filme.

Quando apareceram os créditos finais, vimos Ginger e Marianne dormindo. Oportunidade perfeita para fugirem dos olhares deles.

Levei Rosie para casa e na entrada os beijos foram trocados mais uma vez.

-- Quer entrar?

-- Sim.

Nossa noite encerrou com um som vindo do outro prédio e reconheci que era Spoonful. Amanheceu e acordei bem cedo para poder voltar pra casa sem dar sinais ao Jack. Outra vez me surpreendi com a presença de Ginger Baker (sim, ele passou a noite na república onde as meninas moram), desta vez Marianne preparando o café.

-- Bom dia, Eric. Junte-se a nós no café da manhã. Vou avisar a Rosie.

Apreciei o café servido e Ginger também, afinal estava bem animado com tudo que aconteceu.

-- Você ama mesmo sua pequena Marianne.

-- E você ama mesmo sua ruiva Rosie.

-- Ela é perfeita. E muito melhor que a Charlotte.

-- Graças a deus que você a esqueceu. Aquela piranha preferiu ser modelo e ficar com aquele fotografo do que você. Parta pra outra, meu amigo.

Brindamos com as xícaras o bom momento que cada um de nós passavam... até Marianne e uma outra colega com nome de Jane, acordam Rosie.

-- Rosie, acorda pelo amor de deus! ACORDA!

-- Hmm... que... Que Foi, Marianne? Jane, o que está acontecendo?

-- Advinha: O Mike estava na faculdade e viu o reitor conversando com Brian Epstein e estava ali junto os Beatles. OS BEATLES VÃO SE APRESENTAR NA FACULDADE!!

-- COMO É QUE É???

Quase cuspi o café ao ouvir aquela revelação. Os Beatles... o grupo mais popular da Inglaterra e, talvez, do mundo, vão se apresentar na faculdade de Oxford? Decerto agenciado pelo Benson. Isso significa que... Oh meu deus, isso poder um pequeno problema.



Continua...


*Esse filme antigo é mencionado em Kill Bill Vol.2,  quando Esteban fala do filme que Bill gostava, principalmente quando aparecia a Lana.


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