Mostrando postagens com marcador Eric Clapton. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eric Clapton. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de outubro de 2019

Laços do Blues (Epílogo)

Boa tarde, pessoal.
Hoje o dia não está muito bom. Como devem saber (pra quem acompanha as novidades do mundo classic rock), o baterista Ginger Baker morreu. E em homenagem a ele, hoje será postado o epílogo de minha fanfic. Minha primeira fanfic do Cream. Parece que foi ontem que escrevi de modo despretensioso pra expressar minha crush na época por Eric Clapton. Depois com a quantidade de outras fics, ela ficou em hiatus várias vezes e hoje é sua conclusão. Desejo-lhes boa leitura!



Rosie POV

Chegou o dia que Marianne deu à luz. Aconteceu num dia comum da primavera e eu ouvia Yardbirds no apartamento. Quando o disco terminou de tocar, eu a vi no sofá, se contorcendo. A bolsa estourou, ela chorava e procurava discar o número da emergência. Eu também estou grávida, mas meu filho está previsto pra nascer no próximo mês.

-- Me ajuda, Rosie... – ela pedia.

O que se passava na minha cabeça? Se não fosse o barrigão estaria sentada na cadeira, assistindo de camarote o sofrimento dela e não prestar ajuda alguma, alegando incapacidade física e ainda beberia um pouco de Martini. Não. Esse tipo de pensamento deveria ter com a russa maldita. Então fiz o que tinha de ser feito. Levei para o hospital e liguei para Edmund.

Um médico muito gentil veio falar comigo.

-- Srta. Donovan?

-- Sou eu.

-- Olá, me chamo Moses Smith. – ele apertou minha mão e nossa! Ele é um gato! Traços escoceses com galeses. Certamente o pai deve ser escocês e a mãe galesa, ou o contrário. – Marianne está sofrendo muito. As contrações estão fortes e pra piorar, o bebê está virado.

Engoli em seco ouvindo isso. Pela primeira vez senti medo de perder Marianne e se acontecer, não vou me recuperar tão cedo.

Uma hora depois apareceu Edmund, Ana (por que ela?), Chelsea e os pais (sim! O pai e a mãe) de Marianne. E mais uns momentos de parto. Ana foi obrigada entrar no quarto dela. Eu poderia, mas Ana se prontificou. Para não me estressar concordei. Não fiquei pro nascimento do bebê e na saída trombei com Ginger, chapado e meio louco.

-- Rosie... – ele me abraçou e o cheiro forte da maconha exalou total. – Onde está minha pequena?

-- No quarto.

-- Obrigado...

Deveria avisá-lo que não era mais bem-vindo para os Jones, mesmo sendo o pai do bebê. Voltei pra casa e chorei bastante. Talvez fosse melhor ter esse bebê e deixar unicamente com Edmund e largar Marianne. Passei o resto das horas até anoitecer e finalmente Ed retornou pra casa.

-- É uma linda menina. – ele disse e se deitando comigo na cama.

-- Que bom... – disse, soluçando. – Meus parabéns.

-- Rosie, calma. Não precisa chorar.

-- Só quero ficar sozinha. – respondi e me virando.

-- Posso ficar aqui em silêncio?

-- VAI EMBORA! – gritei e joguei um livro na cabeça dele.

-- Tudo bem...

E fechou a porta do quarto e a da sala. Certamente foi embora mesmo. Naqueles dias todos eu vivi no inferno. Passava o dia trancada, chorando e me recusando quem fosse ver. Marianne não voltou para o nosso apartamento e ficou na casa dos pais. Melhor assim. Mas num domingo de novembro, quando resolvi colocar o disco do Cream no aparelho, sinto algo úmido no meio das pernas.
Praguejei. Era hora. No momento que fui pedir ajuda para Edmund, me dei conta que não havia ninguém em casa. Era eu. Gritei de dor e um pouco de raiva até alguém tocar a campainha. Abri a porta e era... Eric Clapton.

-- Rosie...

-- Me ajuda...

Eric me levou até o carro e fomos juntos para o hospital. A dor era imensa. Chegando na porta de emergência, ele chamou os médicos e me colocaram na maca e em direção a sala do parto.

-- Eric, não me deixa...

-- Não vou te deixar...

Na sala eu chorava, suava e urrava de dor. Pensava o que teria feito de errado para merecer essa dor. Isso tudo é castigo por negar Marianne? Por ofender Ana e Chelsea a ponto de declarar guerra?

-- Não sentirá nada e quando acordar, será mãe. – avisou o médico, sorridente.

Vi claramente a enfermeira preparando uma seringa contendo algo. Anestesia.

-- Por favor... Não quero anestesia... – disse, ofegante.

-- Enfermeira Randall, faria a gentileza? – disse para enfermeira e em seguida me olhando. – Tenha calma, srta. Donovan. Não há o que se preocupar.

-- Não me diz o que preciso. Sou perfeitamente capaz... de decidir como dar à luz meu bebê.

Não deu outra. A enfermeira injetou meu braço.

-- Mas...

-- Boa noite, Srta. Donovan. Deixe tudo conosco.

-- Você...

Foi como adormecer de um dia cansativo. Neste caso, meu sonho continha minhas lembranças de meu ano em Oxford, os amigos feitos, o primeiro emprego, o namoro com Eric, os shows... O que para mim foi um instante, foram 5 horas de sono. Acordei na cama de hospital. Olhei para janela. Estava chovendo.

-- Rosie.

Olhei em direção a porta. Eric carregava um bebê e a enfermeira chegou. Me entregou o bebê. Não reagi em nenhum momento.

-- Meus parabéns. – disse a profissional e em seguida se retirando.

Eric achou graça.

-- Ela acha que somos os pais.

Não disse nada. Apenas olhava aquela criança. E não demonstrava nada. Era meu filho, sim. Carreguei por nove meses, mas não o queria.

-- Como ele vai se chamar?

-- Dorian.

-- Como o livro... – ele disse, em seguida sentando na beira da cama. – Lindo nome. Sei que não sou o pai mas... sinto como se ele fosse meu.

-- Poderia ser a gente. – respondi.

-- E não podemos?

-- E a japonesa? A garota que você me trocou por ela?

-- Ah... Ela conheceu um estudante de astronomia em Cambrigde. Brian, acho que era esse nome dele.

-- Sinto muito.

-- Eu mereci. O que eu fiz pra você não merecia perdão.

-- Eu também errei.

Eric tocou minha mão e trocamos um olhar. O mesmo que trocamos na primeira vez que nos vimos.

-- Pode me visitar sempre. – disse.

-- Obrigado.

Nos beijamos e quando terminou, tive a impressão que alguém observava o quarto. Dias após o nascimento do Dorian, decidi algo: larguei a faculdade em Oxford e me mudei para Londres. Consegui vaga para estudar na universidade pública da capital e minha mãe cuidava do meu bebê. Eric e eu não voltamos a namorar, contudo, continuamos amigos e de vez em quando... rolava algo entre nós.


2005

Não sei o que deu em mim para assistir o show de reunião do Cream. O tempo passa e ainda continuam os mesmos. As lembranças daquele ano de 1966 e 1967 foram os mais marcantes de minha vida. Eu vivi minha vida, aprendi ser independente, amar, tive meu filho, conquistei tudo com meu esforço e não sofri mais.

-- Rosie?

Me virei e era Marianne e sua filha, Sofia e o outro rapaz eu sei quem é mas esqueci o nome.

-- Marianne... – disse sem muita animação.

-- Madrinha! – Sofia me abraçou. – Você veio...

-- Sim...

-- Lembra do Joey? Meu marido.

-- É claro. – fingi um sorriso. Joseph Townshend, transpirando boniteza com cafajestice. Igual o Best. Ela casou com ele, se separaram em 2000 quando ele teve uma filha fora do casamento e voltaram. – Como você está, Joseph?

-- Muito bem, senhora.

Nos bastidores, Eric cumprimentou todos e veio até mim.

-- Rosie...

-- Eric...

Não estamos juntos. Mas ainda temos aquele apelo. A química. Eu perdoei Eric em 67 e ele me perdoou. No fim não somos perfeitos. E é melhor assim.


FIM



--- Cenas pós créditos da Marvel ----



1967

Duas semanas após o nascimento do Dorian, fui no hospital onde Marianne ganhou a Sofia e consultar com Dr. Smith. Chegando na sala dele, encontrei uma das amigas de Ana, a escocesa Nora Smith e acompanhada de um senhor de uns quarenta anos e ruivo.

-- Meus parabéns pelo bebê. – disse o doutor.

-- Ai que felicidade! – ela vibrava de alegria e na hora que saiu da sala me viu. – Rosie! Awn! Que bebê fofinho!

-- É o Dorian. – respondi. – Meu filho.

-- Meus parabéns para ele. Ah, este é meu pai. Eddard.
O homem mais velho me cumprimentou. Aquele homem grande tinha cheiro de patchouli com animais no campo. Deve ser fazendeiro, eu pensei. No entanto, não podia negar que ele era bonito. Demais para alguém quarentão. E ruivo.

Depois da despedida, o doutor me chama.

-- Pode entrar, Srta. Donovan.

E vamos para a consulta...




Rosie Donovan vai voltar

Marianne Jones vai voltar






Homenagem a Ginger Baker





Publicado em 2 de agosto de 2011

Finalizado em 6 de outubro de 2019


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Laços dos Blues (Capítulo Final)

Olá pessoal!
Tenham uma boa noite e agora fiquem com o capítulo final de Laços. Sim. Vai encerrar. Mas aguardem o epílogo!




Capítulo Final: I Wanna Be Free

Rosie POV

Não deveria ter ido à Escócia. Como me arrependo disso. O que deveria ser os melhores dias possíveis, viraram um inferno. Mal fechou uma semana e recebemos outra visita. Até achei que fosse alguém da família mas não. E sim o tal James Stone, um jornalista ruivo, galês e colega de Edmund.

Não tenho nada contra os dois serem amantes e tal mas precisava Ed ter me ignorado por completo? Durante o resto da semana?  Meu único consolo foi ouvir Os Monkees na vitrola do quarto. A próxima banda que ia trazer na faculdade eram justamente eles. Porém, como fui demitida automaticamente, isso não poderá ser feito.

E a semana se passou arrastada. Ninguém acordou cedo. Arrumei calmamente as malas e deixei uma carta na mesa. Abri com cuidado a porta e caminhei um pouco até encontrar um táxi e embarcar. Cheguei à estação de trem e paguei minha passagem para retornar a Oxford.

Embarquei no trem e esperei. Tive medo que Edmund viesse atrás de mim. Ou Marianne. Ninguém veio. Por um lado, alívio. No outro doeu meu coração. Outra vez a música dos Monkees tocou e justamente a mesma durante a semana na Escócia.

I wanna be free
Like the bluebirds flying by me
Like the waves out on the blue sea
If your love has to tie me
Dont try me--say goodbye

I wanna be free
Don't say you love me, say you like me
But when I need you beside me
Stay close enough to guide me
Confide in me, whoa whoa

I wanna hold your hand
Walk along the sand
Laughing in the sun
Always having fun
Doing all those things
Without any strings to tie me down

I wanna be free
Like the warm September wind, babe
Say you'll always be my friend, babe
We can make it to the end, babe
Again, babe
I've gotta say

I wanna be free
I wanna be free
I wanna be free...

Como pode a voz do Davy Jones ser tão verdadeira e suave? E ainda me fazer chorar? Precisava decidir o que fazer da minha vida. Não posso continuar me remoendo com coisas do passado e continuar desprezando pessoas que me fizeram mal e brigar comigo mesma sobre Ed e Marianne. Deixe-os viver sua vida!

A semana começou desta vez melhor. Minha mãe e minha tia me enviam uma carta avisando sobre o retorno na sexta. Ok e como é segunda-feira, tenho muito tempo para repor minha vida. Arrumei a casa e dei uma volta na vizinhança. E várias semanas se passaram.  Visitei a universidade e me deparei com uma cena preocupante. Era Marianne, usando uma blusa branca e com os dizeres “SOU UMA VADIA GRÁVIDA”.

O pessoal a maltratava e dizia coisas de baixo calão. Teve uns que gritaram algo do tipo:

-- Hey, Marianne! Cadê sua comunista russa?

-- Avisa o papai pra ele te tirar da universidade! – berrou uma menina, usando jaleco feito médico. – Ah, lembrei! Ele te expulsou de casa.

E mais risos e escárnios. Aquilo estava demais. Puxei Marianne e a levei para longe. Rasguei a blusa e a levei para a república onde eu costumava morar.

-- Foram eles que te colocaram isso? – perguntei.

Marianne negou mas apontou para o pessoal de Direito e Medicina. Aliás todos olhavam com reprovação para Marianne. Chegamos na antiga moradia e um aluno que nunca vi já nos recebeu com grosseria.

-- Não queremos uma puta barriguda na república!

Não deixei o fulano fechar a porta na minha cara.

-- Eu quero falar com Mike! – exigiu veemente. – Agora!

-- E quem é você?

-- Sou Rosie Donovan.

Quando falei meu nome, recuou um pouco e chamou Mike. O resto da turma de amigos surgiu e me abraçaram.

-- Ah, Rosie! Estamos felizes em te ver! – disse Mary, mais animada.

-- Eu rezei tanto para você voltar para nós. – um certo Peter chorou e me deu um abraço.

-- Pessoal! – falei e trouxe Marianne para perto. – Eu sei que não estudo mais aqui, mas, se ainda se importam comigo, por favor, peço que cuidem da Marianne e sejam compreensivos. Façam por mim.

-- Eu só trago problemas. – disse Marianne, triste. – Só isso que sei fazer.

Um deles quase respondeu mas se calou.

-- Olha, Rosie. Nós podemos deixar a Marianne ficar aqui. De boa. Mas sobre o que aconteceu... Não tivemos culpa. – se defendeu Mike.

-- Tudo bem. Mas ela fica aqui. Até se formar. Pode ser?

Todos concordaram. O resto do tempo passei com aquela turma e Marianne foi-se pro quarto. Enquanto o lanche não era preparado, fui conversar com ela no quarto.

-- O que aconteceu?

Mari guardava os livros e parava de chorar. Me encarou, sério.

-- Eu passei mal. Fui para o hospital da faculdade. Os exames foram feitos e... estou de três semanas e na saída um aluno me reconheceu...

Entendi tudo. Já não bastava Marianne ser vista como um “Judas”, agora com a gravidez, se complicou tudo. Me pergunto onde está o Ginger. Não acredito que ele seja tão canalha assim.

-- Ginger sabe disso? – perguntei, brava. – Ele precisa saber.

-- Bem... eu...

Neste momento outra visita acontece. Reconheço ser do vice reitor Cornelius Oak. Mike me chamou e fiquei diante dele.

-- Srta. Donovan, podemos conversar na minha sala?

Que maravilha! Decerto os mais extremistas me denunciaram por defender Marianne e agora vão me punir por visitar meus amigos. Estranhei que durante o caminho, a sala do vice era mesmo do reitor. Ele não estava lá, o que é bom. Não terei de encarar aquele rosto inchado de bebida. O vice parecia um pouco Churchill e se serviu de conhaque.

-- Já deve saber, Srta. Donovan, que o antigo reitor renunciou o cargo.

-- Hã... Não. – estava surpresa.

-- Devido ao escândalo de corrupção, estou no cargo interinamente. E pergunto para você se ainda deseja retomar seus estudos?

Meu sonho se tornou realidade. Como eu desejava voltar estudar e concluir o curso.

-- Wow! Sim! Eu quero! – respondi com tamanha vontade que queria abraçar alguém.

-- Então, pode ir à secretaria, refazer sua matricula e pegar seu novo horário!

Por sorte eles ainda tinham meus documentos e foi mais tranqüilo. Os funcionários praticamente sorriam pra mim. Peguei a lista de livros e horários novos do curso de História. A primeira coisa que fiz foi comunicar para o pessoal da república. Todo mundo vibrou como se fosse em 66 com os quatro gols da Inglaterra na Copa. E na hora do jantar uma maravilha. Marianne não desceu. Todo mundo seguiu para uma festa num dos prédios da universidade e outros para um pub. Fiquei na república, cozinhando algo bom pra Marianne. Levei o jantar para o quarto.

-- Oi! – entrando com a bandeja e deixando na mesa.

-- Olá. – Marianne chorava e saiu da cama, ela vestia uma camisola e ouvia Rockin’ Ramrods.

-- Trouxe seu jantar. Eu mesma fiz conforme o que você gosta.

-- Oh, muito obrigada. – se ajeitando na mesma e depois me olhando. – Sei que me odeia, mas preciso de ajuda.

Já entendi tudo. Marianne explicou que todos da sua família agora a odeiam. Inclusive Edmund. Logo ele, o irmão protetor, agora se voltou contra a irmã.

-- Ele me culpa por você ter ido embora. – justificou Marianne.

-- Marianne, me desculpe o que vou dizer. Mas fui embora por causa dele! – respondi, indignada. – Ele parou de me dar atenção no exato momento que aquele galês idiota apareceu. Eu fui ignorada. Então, ele foi o errado e não você.

-- Eu sei mas Ed acredita que fui eu. Me acusou de falar algo pra você que a fez ir embora. – me abraçando e chorando. – Me perdoa por tudo e por ser tão horrível. Por ter provocado tantas coisas ruins na sua vida.

-- Seu único erro foi não ter me contado sobre aquela russa antes do nosso envolvimento. Mas te perdôo mesmo assim.

-- Você e a Olívia são as únicas que sabem. – pausou um pouco e depois seguiu. – Estou pensando em tirá-lo.

-- Tirar uma vida que você está gerando é arriscado demais. Olha, quando ele nascer, você vem morar comigo em Liverpool. E depois compramos um apartamento em Londres. Seremos uma família.

-- Tudo bem...

Enquanto Marianne jantava ouvi a campainha tocar. Fui atender e a pessoa que vi... Era Edmund.

-- O que quer? – perguntei.

-- Pedir desculpas por você ir embora assim. – nem convidei o folgado e já entrou no alojamento. – Seja lá o que Marianne tenha dito não é verdade.

-- Em primeiro lugar, Marianne não teve absolutamente nada a ver com minha saída e sim aquele galês filho da puta desgraçado! – xinguei e continuei, mesmo com a irmã dele ouvindo tudo na cozinha, escondida.  – Se queria que ele viesse junto, era só ter me avisado. Eu perdi a viagem de minha tia e minha mãe por sua causa! E chega, Edmund! Já estou saturada de homens como você. O Lennon traiu a esposa e agora está com uma japonesa horrível, Clapton é outro que é chegado numa japa. Tanto que terminou comigo, não posso ficar com George Best porque ele é um canalha de marca maior e você é mais complicado do que eu. Seu pai me ferrou!

De repente tudo balançou... Tudo escureceu. Acordei no hospital com um gosto horrível na boca e deitada numa cama branquinha. Ao meu lado está Marianne me observando.

-- Oh Rosie. – me abraçando. – Fiquei preocupada.

-- O que aconteceu comigo? – sinceramente não me lembrava.

-- Você brigava com meu irmão, chorou tanto que se desequilibrou, vomitou e desmaiou. Nós te trazemos aqui com a ajuda da Ana.

-- Como é?

-- Ana estava bem na frente do alojamento porque veio me visitar e aconteceu isso.

Queria questionar se ela voltou com a comunista, mas me poupei disso. Independendo da resposta, perdoei Marianne contudo não prometi nada se voltaria pra ela, exceto na amizade. Permaneci na cama até o doutor me dizer uma novidade que jamais imaginei que pudesse me acontecer: estou grávida.

Estava tão envolvida nas idéias que nem critiquei quando Ana se ofereceu para nos levar pro alojamento. E pior que ela entrou no apartamento. Entrou na cozinha, nos outros cômodos e nos quartos. Subi as escadas e abri a porta, ameaçadora:

-- Muito obrigada, abusada. – agradeci mesmo xingando e notando o olhar dela ao redor. – O que foi desta vez?

-- É que... Eu estudei aqui alguns anos atrás e fiquei justamente neste quarto.

O enjôo tomou conta de mim. O quarto que dormi desde julho de 65 pertenceu à russa safada. Durante todo esse tempo guardei coisas e segredos naquele quarto e descobrir que era da Ana só aumentou o repugno no meu corpo. Imediatamente precisava sair daquele lugar. Passei mal no banheiro e chorei. Pedi expressamente pra ficar sozinha.

Ali pensei em mil coisas. Uma delas é como contarei pra minha mãe que estou esperando um bebê e do “meu primo”? A outra idéia era abortar. Nunca quis ser mãe e não vai ser agora. Lavei o rosto e sai do banheiro. Ana tinha ido embora. Marianne apareceu.

-- Rosie...

-- Estou bem. – falei.

Trocamos o velho olhar da adivinhação. Na realidade nem é preciso adivinhar já que conversou com o médico e ele contou tudo. Ela tocou minha barriga.

-- O que pretende?

-- Tirar esse bebê. – respondi com raiva.

-- Mas você mesma não disse que não vale a pena tirar? – disse, me pegando na palavra. – Por que agora vai abortar?

-- Eu não quero carregar um bebê do seu irmão!

-- Você dá a luz o filho do Edmund e ele cuida. Você não precisa participar disso.

Se o bebê é meu filho, como mãe eu devo participar. E foi o que fiz. Disse para Edmund e ele se alegrou tanto que nem viu o meu descontentamento.

-- Vamos nos casar! – disse Edmund, em tom de grito. – E cuidar do nosso filho.

-- Pare! – coloquei a mão na frente. – Eu recuso. Não quero casar com você. Só quero que fique perto de mim, cuide de mim até que nosso filho nasça. E você vai cuidar dele.

-- Por que fala assim, Rosie? – Edmund não acreditou que eu fosse assim.

-- Bem, deve saber que não quero ser mãe. E esse bebê só veio atrapalhar meus estudos. E também vou me mudar daqui.

-- Seus amigos não te aceitam?

-- Não. – respondi secamente. – É porque eu não quero mais ficar aqui. Este lugar passou a me enojar depois que descobri que Ana morou aqui e dormiu justamente onde dormi desde julho de 65. Não quero nada que me ligue àquela russa!

-- Eu vou alugar um apartamento para nós vivermos juntos. – disse Edmund, com bons planos. – Eu, você e minha irmã.

Está bom demais pra ser verdade, mas faltava uma coisa: o amante galês.

-- O galês ruivo vem junto? – perguntei.

Edmund se calou e tentou responder enrolado e exigi.

-- Edmund! Te fiz uma pergunta. O galês vem junto ou não?

-- Não! Jim terá o canto dele. Ele está em Nova Iorque e ficará bastante tempo.

Terminei de arrumar as malas e tomei água. Voltei a falar com calma no entanto alterando à medida que mencionava o amante que estragou minha viagem.

-- Melhor assim. Enquanto eu estiver carregando seu filho, exijo no mínimo aquele filho da puta de cabelo vermelho longe daqui! E agora quem sabe ele arranje outro e te esqueça.

Não sei se isso é a gravidez ou a raiva que tinha por Edmund, mas confesso: estou adorando humilhá-lo. Outra vez me despedi dos meus colegas e continuei freqüentando as aulas até o quarto mês e tranquei. Toda aquela situação de gravidez era complicada. Nem trabalhar podia mais e oficialmente me demiti com decência.

No meio disso tudo me dei conta de uma coisa: não tinha mesmo amigos. As únicas eram minhas amigas de infância, Suzan e Jane. E tem a Marianne. Ela visitava Anastacia todos os dias e ela também retribuía as visitas. Ana trazia pacotes de fraldas para Mari e outro para mim. Recusei.

-- Dê para Marianne. – pedi.

-- Mas comprei pra você. – confirmou Ana, gentil. – Chelsea e eu...

-- VÁ PRO INFERNO VOCÊ, CHELSEA E AS FRALDAS! – joguei os pacotes contra Ana.

-- Tudo bem, eu dou para ela...

A vida naquele apartamento se tornou meu segundo inferno, o primeiro foi na Escócia. Os meses foram avançando e foi aí que descobri que Ed estava tendo um caso com Alice, a irmã do galês Jim. Ela só parou quando um dia, de forma divertida, me apresentei pra ela, com meu barrigão e dizendo com muito “orgulho” que é do Edmund. Depois era só choro. Chorava toda hora, não procurava Marianne por teimosia, dormia sozinha, sofria pacas. Desejava que alguma coisa acontecesse pra não ter aquele bebê.

Todo tempo relembrei como eu era. Uma garota vinda de Liverpool, sozinha e pra estudar Direito. Conheci Marianne no primeiro dia e quando fui procurar um lugar pra ficar, surgiu aquele alojamento. Ela também foi para lá e ficamos mais amigas. Meses depois ganhei um emprego, aprendi a lidar com publicidade e música e virou diversão. E veio numa xícara de chá o meu segundo amor, Clapton.

Com o tempo achei que ia durar... Mas foi um lindo engano. Ele terminou comigo. Marianne se tornou mais do que uma amiga. Foi alguém que amo como pessoa e mulher. Por que ela tinha de beijar a russa se era despedida? E por que não me contou antes?

Tantos questionamentos... Encontrei Mari no outro quarto, olhando e chorando pra uma foto do Ginger. Saudade dele. Abracei-a e fui tomada pela pena, remorso e tristeza.

-- Eu parei de te odiar. – falei. – Mas estou de coração bem partido.

Ela compreendeu e novamente nos abraçamos. Prometemos ficar juntas, independendo do que fosse. Marianne nunca ia me deixar e eu não vou abandoná-la.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Laços do Blues (12º Capítulo)

Olá pessoal!
Uma boa noite e peço desculpa do hiatus de 1 mês sem postar nada. Devido a falta de criatividade e problemas pessoais, fiquei distante mas agora volto com novo capítulo de Laços. Mais momentos decisivos. Boa leitura!



Capítulo 12: Never My Love

Edmund POV

Cheguei na atual casa de Marianne. Na verdade pertence um professor dela ou coisa assim. Liguei para o tio Oscar e ele prometeu estar em Oxford no outro dia o quanto antes. Mesmo otimista, não conseguia parar de pensar em Rosie. Por mais que tenha acontecido uma série de coisas como a separação dela com Marianne, o fim do seu namoro com o guitarrista Eric Clapton, ela não merecia. Eu troquei só um beijo com ela. Para mim, não era o bastante. Eu quero mais. Enquanto ouvia o hit Never My Love, do The Association, os primeiros trechos me fizeram pensar em Rosie.

You ask me if there'll come a time
When I grow tired of you
Never my love
Never my love

You wonder if this heart of mine
Will lose its desire for you
Never my love
Never my Love


Desde o primeiro dia eu desejei aquela ruiva de olhos verdes como esmeraldas lindas. Na semana que Rosie ficou na nossa casa, eu a observava de longe e como ela é adorável, ao mesmo tempo era gentil com Olivia, conversava com desenvoltura com os gêmeos, aprendia com mamãe a costurar e a manusear a máquina de costura, falava com meu pai sobre o trabalho e com Marianne havia uma ligação mais profunda. Ligação essa que tive o prazer de saber e ver. Houve uma tarde de chuva. Os gêmeos assistiam o jogo do West Ham, mamãe cozinhava e Olivia escrevia. Eu saí do banho e olhei para o quarto de Marianne. Ela e Rosie fazendo amor tão gostoso. Eu vi Rosie nua, perfeita. Minha Vênus de cabelo vermelho.

Desejei estar no meio delas. E a noite me toquei pensando da beldade de Liverpool. Dias depois Rosie ficou triste e decidiu ir embora. Devia saber que mulheres como Rosie, amam demais a ponto de um erro só, elas abandonam seus cônjuges ou elas brigam. No caso dela, brigou com Marianne pois ela a viu beijando Anastacia Rosely. Não sei se deveria sentir raiva de Ana ou penalizar por isso. Agora não era o momento. Precisava ter uma idéia para tirar Rosie da prisão e provar sua inocência. Mas como? Homossexualidade e bissexualidade é algo imperdoável num país conservador como a Inglaterra.

Rezava para que nada de ruim acontecesse com a minha adorada ruiva. Ao dormir tive um pesadelo daqueles que te fazem suar na cama por conta do calor ou frio. Era Rosie, sendo espancada, torturada da pior maneira. No outro dia fui até o hotel onde meu tio, Oscar, está hospedado. As novidades não eram nada boas.

-- Edmund, estamos na Inglaterra. Poderia ser pior. – ele dizia, enquanto limpava as lentes dos óculos de leitura.

-- Então amar alguém do mesmo sexo é um crime? – não aceitava isso. Parece que estamos condenados a viver trancados. – Foi só isso. Rosie não é comunista, judia ou coisa assim. Poxa, ela... Ela ama a Marianne.

-- Ama ou amava Marianne? – ele perguntou, franzindo a sobrancelha. – Aliás ela me contou tudo.

-- Tenho certeza que se amam.

Depois de muita insistência fomos procurar Marianne na casa de Berthold Dameron, um dos professores da universidade de Oxford e claro, a favor de Rosie. Conversamos com Marianne e ela chorava.

-- Por que papai fez isso? – ela abraçava tio Oscar. – Ela não teve um caso com Ana. O negócio foi comigo. Ele nunca aceitará isso? Logo ele que amou alguém no passado.

-- O buraco é mais fundo, criança. – justificava. -- Seu pai amou justamente o pai da Ana mas Tom sempre foi receoso. Nosso pai descobriu tudo e o fez entregar o Anthony McGold e o próprio Alexei pra um grupo de russos vingativos. Seu pai deve se entender com Alexei e tirar as acusações de Rosie e para isso, o chamei e os filhos mais velhos para virem a cidade e depois irem ir falar com meu irmão. Aliás as meninas daquela revista fizeram uma arrecadação de verba e tem a quantia necessária pra tirar Rosie da cadeia,

-- As meninas da Rolling Stone? Elas vão ajudar a Rosie? Mesmo depois do que aconteceu? No trem quando ela gritou que Ana é comunista? – receava que fosse mentira, depois de tudo que ela fez.

-- Daí o nome, comunistas. É a comunidade e estão dispostos a ajudar qualquer um. Sabe, a filha do Alexei é feminista e acredita na liberdade das mulheres. Mesmo tendo sido chamada de uma coisa que ela realmente é, ela está disposta a ajudar Rosie.

-- E quanto será essa fiança? – Marianne e eu tememos que fosse cara.

-- É o que vamos descobrir.

Me hospedei no hotel também e a noite chorei demais. Pensar em Rosie presa não era bom e rezava mais para ela estar bem. Tio Oscar e eu levantamos cedo e logo rumamos para o Departamento de Polícia. Chegando lá, encontramos duas senhoras e uma menina. As três são ruivas. A mais velha era exatamente como Rosie e conversava com o delegado e Marianne estava junto. E pelo visto brigava com os dois, o delegado e com minha irmã. Tio Oscar parecia conhecer a mulher.

-- Martha? É você?

-- Eu não acredito! – exclamou a mais velha, se aproximando do tio Oscar e acertando um belo tapa na cara dele. – Se passaram mais de vinte anos e te encontro nesta circunstância, Oscar! Safado, desgraçado. SEU FILHO DA PUTA! EU NÃO SEI QUEM É PIOR. SE É VOCÊ, SEU IRMÃO OU ESSA VADIAZINHA E A COMUNISTA RUSSA QUE ENGANARAM MINHA FILHA? DE QUALQUER FORMA EU VOU TIRAR MINHA MENINA DA PRISÃO E FAREI DE TUDO PARA NUNCA MAIS SABER DE VOCÊS!

-- Mamãe, fica calma... – a mais jovem segurava a mãe.

-- Martha, por favor! – a outra mulher, mais jovem, ajudava.

-- Você que foi embora com aquele ianque! Me deixou com o bebê e foi embora!
Por que fez aquilo? – meu tio parecia também indignado.

-- O que vocês estão falando? – perguntei e o delegado avisa.

-- A menina está liberada, já pagaram a fiança dela.

-- Mãe, o que está falando? – a mais jovem indagou para a mãe chamada Martha.

-- Eu e Oscar fomos namorados no passado, tivemos um bebê...

-- E eu a pedi em casamento!Ela foi embora. – tio Oscar se intrometeu, encarando as três.

-- Fui embora, seu safado! Apesar de o Jack Philippe ter me deixado, eu não me arrependo. Você fala do abandono mas esquece que me traía com outras. Se eu me casasse com você quem garante não ia procurar uma das rameiras que visitava em Dover ou Brighton? Agora eu te peço encarecidamente. Você, seu irmão e seus sobrinhos e até aquela russa pra ficarem longe da minha filha e da minha família!

-- Eu nunca mais tive nenhuma mulher.

-- Já chega, mãe. Rosie vai ser solta.

-- Martha, vamos sair daqui assim que Rosie aparecer. – disse a outra mulher ruiva.

-- Desde que você foi, Riley cresceu sem uma mãe. Por que depois daqui você não vai conhecer seu filho? Um cardiologista formado na Oxford e sim vou tirar sua filha daqui.

-- E pra que? Pra ficar devendo pra você? Riley nunca vai me aceitar. E eu não quero que pague a fiança. Eu mesma vou pagar.

-- Ele dedicou seu trabalho de conclusão a você! Como ele não iria te aceitar?

-- Então, Martha Donovan é a mãe do Riley? – queria tirar essa dúvida.

-- Como isso é possível? – agora era Marianne.

-- Você deve ser o Edmund. – a mãe de Rosie me olhava estranho. Certo que não gostara de mim. --  Só podia ser. É cara do seu pai. Quer fazer o mesmo estrago na minha filha? Ah mas pra que? Já fez por si. Indiretamente.

Antes de me defender, apareceu ali minha mãe.

-- Martha! – ela correu para abraça-la mas não conseguiu.

-- O QUE HÁ? HOJE É O DIA DE VOCÊS, JONES, APARECEREM NA MINHA VIDA E DA MINHA FILHA?

Mamãe já ia dizer algo quando ouvimos o barulho da porta de aço se abrir. Meu deus do céu. Se aquela garota, de aparência magra, olhos verdes com olheiras bem a mostra, roupas esfarrapadas, escoriações no rosto e o cabelo bem curto é a Rosie, então me encho de culpa por tudo.

Ela olhava para todos e enxergou as mulheres ruivas.

-- Mamãe!

-- Rosie! – Martha abraçou a filha e junto as outras. – Minha menininha. Como você está?

-- Péssima! – ela chorava. – Eu quero morrer, mãe. Tia Julia, a prisão é horrível.

-- Rosie, vamos pra casa. – a menor olhava pra irmã, com pena.

-- Vamos, Vivian. Mamãe, tia Julia, preciso pegar minhas coisas no apartamento.

Elas já se preparavam para sair quando tio Oscar alertou.

-- Ela ainda não pode sair da cidade.

-- Por que? – Rosie lançava aquele olhar intimidante. -- O senhor vai me impedir?

-- Não, seu processo ainda está correndo. Se retirarem suas acusações, você poderá estar finalmente livre.

-- FODA-SEAS ACUSAÇÕES E O PROCESSO! Eu fui expulsa da universidade, perdi meu emprego e não fico um minuto a mais. – berrou a ruiva e em seguida olhando pra mãe, a tia e a irmã mais nova. -- Mãe, vamos cruzar na república onde morava e pegar todas as minhas coisas e depois quero ir pra casa.


Rosie POV
Não fazia idéia de quanto tempo fiquei na prisão. Parecia que os dias eram sempre os mesmos, ainda mais quando se é espancada, torturada e às vezes estuprada. Me senti a pior das mulheres, um lixo só, um ser degradante, a escória da humanidade. Tudo de negativo que vocês podem imaginar.

Mamãe me levou de carro até a Charlton Presto, a rua onde moro. Marianne e seus parentes Jones foram junto. Aquele velho chamado Oscar parecia não desgrudar e me manter na cidade. Achava que Mari ia me acompanhar na entrada quando a porta se abriu e Peter sorriu para mim e gritou.

-- Hey, amigos! A Rosie tá de volta!

Todos me abraçavam, Mary e Jane choravam emocionadas e Peter dizia o quanto estava com a aparência horrorosa mas logo voltaria a ser uma diva. Notei que Mari não entrou e estava muito amuada.

-- Entra, Marianne. – convidei e ri um pouco. – Até parece que tem medo deles.

-- Desculpa, amor. Eu não moro mais aí. – ela justificava. – Fui expulsa logo depois que você foi presa. Ficarei esperando aqui fora junto com sua mãe.

Olhei para o pessoal e todos estavam sérios.

-- Por que fizeram isso? – aquilo foi uma intolerância das grandes.

-- Rosie, foi o pai dela que te arruinou. – respondia Peter.

-- Ele falou pro reitor te denunciar mas poupou a Marianne. Afinal, todo pai protege os filhos. – disse Maggie, a intercambista.

-- Por mais que a culpa seja do pai dela, não deveriam ter feito isso. Ok, eu estou furiosa com Marianne. E ainda estou. Mas não deveriam ter feito. Agora pegarei minhas coisas e vou embora para Liverpool.

Como o carro não cabia tudo, peguei alguns pertences como os discos, minhas roupas, meu kit de maquiagem e sapatos. O resto pegaria depois. Desci as escadas.

-- Vou manter o meu quarto trancado. – levei a chave. – Voltarei semana que vem pra pegar o restante.

Enquanto guardava no porta malas, o pessoal da república ficou com  cara de enterro e a tal intercambista me olhou.

-- Por favor, precisa ficar.

-- Eu não faço idéia quanto tempo fiquei lá mas eu passei por cada coisa... que me dá náusea. Eu chego a passar mal ficando aqui.

-- Por favor, eu te peço em nome  de todos.

-- Perdoem Marianne e eu volto.

Maggie se calou e voltei minha atenção.

Embarquei no carro e seguimos para a casa de tia Julia. Ela mora em Oxford mas longe da universidade. No outro dia iríamos embarcar para Liverpool. Marianne e seu irmão, seu tio e a mãe foram embora, desolados.  Olhei-me no espelho e minha nossa, como estava feia. Pareço um cadáver.  Tomei banho e vesti algo apropriado. Passei o resto do tempo no quarto e propensão a chorar.

Abracei o travesseiro e só fiquei encarando na janela a chuva que caia.

No entanto ouvi uns gritos vindos da sala. Era mamãe. Sai do quarto e a vi expulsando um cara.

-- Nunca mais me chame de mãe. Meu filho morreu em Brighton! – e fechou a porta.

-- Quem era? – perguntei.

Mamãe levou um susto, sentou no sofá e disse.

-- Riley Jones. Meu filho.

-- Filho? Como assim?

-- Rosie, ele é seu outro irmão. Meu filho com Oscar Jones, aquele advogado boa pinta que tirou você da cadeia. Antes de me casar com seu pai, fui namorada de Oscar. Engravidei e tive o Riley. Meus pais não aceitavam Oscar e um dia fui falar com ele sobre o pedido de casamento. Eu o vi com outra. Deixei nosso filho na porta da casa dele e segui com seu pai.

-- Então, você o abandonou?

-- Sim. Juro que não queria mas... As safadezas e a dor que Oscar provocou em mim me fizeram isso. Jurei a mim mesma nunca mais saber dos Jones. Mas olha só. Você ficou amiga e se apaixonou pela sobrinha dele e o sobrinho gosta de você. Mas te fizeram sofrer, como o Oscar e o irmão dele, Thomas, fizeram comigo.

-- Mãe! – insisti. – Por mais que Marianne tenha errado comigo, eu a perdoei. Mas... Não sei se tenho coragem de olhar na cara dela.

Aquilo encerrou minha conversa com mamãe. E não a minha vontade de conhecer Riley. E então seguimos para o centro de Oxford, entramos numa clínica.

-- Posso ajudar? – a recepcionista nos atendeu bem.

-- Queremos falar com Dr. Jones. – respondi. – Ele é cardiologista.

-- Tem hora marcada com ele?

Antes de falar, surgiu na porta um tipo alto, olhos azuis, muito sério e sotaque meio liverpooliano.

-- Tudo bem, Sandra. Conheço elas. – ele me olhou. – Entrem.

Entramos no consultório e mamãe parecia tensa.

-- Então, o que querem?

Nenhuma de nós falou. Na verdade esperava que mamãe dissesse algo. Então falei por nós duas.

-- Eu sei que você é meu irmão. – disse. – Vim aqui te conhecer, me apresentar e a mamãe veio... pedir perdão.

Os olhos dele ficaram marejados de lágrimas. Ele saiu da cadeira e foi-se até nós, abraçando-me calorosamente e depois minha mãe.

-- Riley... – mamãe mal tinha palavras. – Me perdoa, meu filho.

-- Está tudo bem. – abraçando bem forte. – Por todos esses anos nunca a esqueci e nem de minhas irmãs. Ou melhor, meias irmãs.
Agora para mim ficou bem estranho. Descobrir que tenho um irmão por parte da família Jones e eu... claramente amo Marianne e Edmund. Significava que de certa forma, sou um parente ou quase parente deles... É melhor cortar meus laços com Marianne e Edmund. Definitivamente...

Uma semana se passou desde que sai da prisão e nada referente a minha expulsão da faculdade foi tocada. Tia Julia sugeriu uma viagem a Roma. Vivian foi junto, mesmo no período de aula. Enquanto arrumamos as malas, recebi muitas cartas. Algumas eram das minhas amigas Jane e Suzan. Outras eram do pessoal da faculdade e uma do Graham Nash. Sentia muita falta dele. Havia uma da Anastacia e outra da Chelsea. Não li e ainda joguei na lareira acesa. As outras eram de Edmund e Marianne. Li todas e ambos demonstravam preocupação, pois não havia escrito para eles. Também joguei na lareira.

-- Por que está queimando as cartas dos seus amigos? – indagou minha mãe.

-- Nem todos são meus amigos. – respondi, em tom grave. – A maioria eram dos Jones e uma era daquela sonsa comunista e a namorada dela maldita! – passei a odiar Chelsea depois da rejeição.

-- Fala da estilista? – Mamãe então me conta algo inacreditável. – Se for, sugiro que a procure. Ela ainda está em Oxford. Ela deseja falar com você ainda hoje.

Liguei para Chelsea e por sorte ela está hospedada no mesmo hotel. Marcamos de nos encontrar no café perto da agência. Compareci sem muitas expectativas, apenas para saber o que ela queria tanto falar comigo e sem falar que devia controlar meu ódio.

-- Aí está você. – ela sorria e tentou me beijar mas recusei. – Me desculpe.

Fui direta.

-- O que você quer, Chelsea?

-- Fiquei bastante preocupada com você. Principalmente quando Marianne contou para mim e Ana sobre sua experiência traumática na prisão.

-- É mesmo? – ironizei. – Você e Ana devem estar bem satisfeitas. Conseguiram se vingar de mim.

-- Rosie, não pense nisso! Nunca seria capaz disso e nem a Ana. Por conta dos últimos acontecimentos... eu tomei uma decisão.

-- Que decisão?

-- Eu vou lhe dar uma chance! Terminei com a Ana!

Não consegui raciocinar. Por um lado estava feliz. Fiz Chelsea ver quem realmente lhe dá valor. Por outro lado me senti terrivelmente mal.

-- Me dê licença. – me retirei da mesa. – Vou ao banheiro.

Mal entrei no banheiro e já abri a torneira mas ouvi um choro muito compulsivo, vindo de uma das cabines. Procurei ignorar e lavei as mãos. Na curiosidade, entrei na cabine vizinha e subi no vaso sanitário. Pude enxergar... Anastacia. Ela está chorando. É claro! Chelsea terminou com ela antes de vir falar comigo e agora está ali, trancada numa cabine do banheiro e chorando?!

Por mais que desejasse que Ana sofresse a mesma decepção que eu e com maior dano possível, desta vez eu fui longe demais.

Voltei para a mesa, mais calma e decisiva.

-- Eu estou chocada sobre isso. Pensei rápido sobre o assunto e digo não.

-- Mas, Rosie... – Chelsea pareceu chocada. – Eu deixei Ana por você. Tinha razão sobre ela.

-- Me arrependo do que disse! – tomei um gole de água e a encarei. – Vocês se merecem. Mesmo que eu guarde rancor e confesso que ela mereceu toda culpa, nem tudo ela merece. E perder você foi pior.

Sai da mesa e saquei uns xelins, deixando-os na mesa.

-- Não se separem, como eu e Marianne nos separamos!

E fui embora. No caminho de volta pra casa de tia Julia, encontrei... Edmund.

-- Rosie!

-- Edmund...
Naquele momento o desejo por ele aumentou. Se fosse possível, faria amor com ele no meio da rua.

-- Precisamos conversar. – ele disse e seus olhos brilhavam.

-- Sobre... o quê? – perguntei, receosa.

-- Sobre nós.

-- Edmund... eu... Não sei o que dizer. Se são as cartas eu não quis responder. Eu quero cortar você e Marianne de minha vida. Não acho justo. Acabei de descobrir que tenho um irmão. .. que é seu primo. Isso meio que nos torna... parentes e hoje... a garota que eu queria... Chelsea... terminou com Anastacia por mim. Se fosse naquela época, antes que fosse presa, eu teria aceitado e confesso. Eu ia adorar. Porque seria minha vingança.  Mas não fiz isso. Só queria sumir. Ir pra bem longe e recomeçar minha vida. Não tenho emprego,  amigos e fui expulsa da faculdade.

-- Rosie, posso te ajudar com tudo. Tenho um amigo que é dono de uma livraria. Pode te conseguir um emprego. Sobre sua faculdade, minha mãe é uma grande escritora, ela conhece gente influente.

-- Não posso aceitar tudo isso, Edmund. – recusei. -- Vou começar tudo de novo. Por minha conta. Agradeço sua ajuda e irei a Roma com minha família. Pra esquecer meu trauma.

Antes de entrar em casa, Ed me puxou para perto dele.

-- Espera!

Nos beijamos, forte e cheio de paixão. Nossa, como queria a boca dele! E ainda pude sentir o rosto dele, banhado com suas lágrimas.

-- Oh, Edmund. Não torne mais difícil. – disse, enchendo- o de beijos.

-- Nada é impossível. Não importa os outros e sim que nós dois nos amamos.

Novamente o encarei em seus olhos azuis brilhantes.

-- Me ame, Mr. Bloomsday.

-- Vamos para meu apartamento!
Pude ver na janela que tia Julia nos viu e já entendeu tudo. Não precisei avisar.

Chegamos ao apartamento e de cara Edmund me carregou para o quarto, onde tudo iniciou.

Ele me despiu devagar. Beijou meu corpo e ao me deitar na cama, abriu minhas pernas e iniciou o sexo oral. Oh meu deus! Ele tem a mesma capacidade de sucção que Marianne. Profundo, quente e atrevido. Ele pensou em parar mas não deixei. Puxei seus cabelos pra continuar.

-- Não pare! Não!

Ele continuou mais alguns minutos e foi a vez dele tirar a roupa. Edmund é exatamente como o vi nos dias que passei na casa dos Jones. Alto, esbelto, musculoso. Contudo, me assustei com algo.

No exato momento que se livrou da calça...

-- O... Q-quê? – me espantei com... o tamanho descomunal dali. – Como... COMO ISSO VAI CABER DENTRO DE MIM?

-- Calma, meu amor. – ele deitou junto a mim. – Tenha calma. Comece me tocando... Assim.

Ele pegou minha mão e a pousou ali, conduzindo uma masturbação lenta. Santo Deus! Esse homem não é normal. Já vi uns tamanhos maiores mas aquilo...Era fora do comum. Edmund gemia mais e implorava.

-- Isso... Aaaah... Não pare. Não... Pare... Por favor...

Continuei por mais alguns minutos. Até arrisquei a chupá-lo e durou poucos minutos. Depois invertemos as posições, no qual ele pegou a camisinha. Fechei os olhos e senti aquilo entrar devagar... Até caber tudo.

-- Relaxe, meu amor...

O prazer veio depois com mais força. E à medida que Edmund avançava, me fazia gritar, arranhar suas costas.

-- EDMUND...

-- ROSIE... OOOH... EU TE AMO!

E foi desta maneira que terminamos a nossa noite, atingindo o orgasmo juntos.

Ofegantes e suados, tomamos banhos juntos e me vesti.

-- Quer ir comigo para Escócia? – me convidando. – Eu sei que você quer muito ir à Escócia e tenho uma propriedade por lá.

Seria uma boa idéia. Aceitei na hora. Nos abraçamos. Edmund me levou pra casa e logo de cara vi minha mãe nada satisfeita. Comuniquei minha viagem com Ed para Escócia.

-- Está apaixonada por ele, Rosie? – questionou minha mãe, espantada. – Por que logo por seu primo?

-- Você não casou com o tio dele...

-- Mesmo assim, veja essa possibilidade. É incesto.

No outro dia seguiram para a estação de trem e depois para o aeroporto de Londres, onde embarcariam para Roma, na Itália. Sozinha em casa, remexia algumas coisas que recuperei da antiga república universitária. Era óbvio que meus colegas me queriam lá. E senti saudades do Benson. Ele não teve culpa. Se viu pressionado pelo reitor a me demitir e não dar uma ajuda.

Arrumei as malas e esperei Edmund chegar. Tranquei toda a casa e quando ele chegou, disfarcei as lágrimas. Durante a viagem estive mergulhada nas lembranças de uma época boa, onde estudava, trabalhava, colaborava pro jornal, os shows da faculdade e por fim o amor que tive por aquela que considerava minha melhor amiga. Por que Marianne não me contou sobre Anastacia? Se ela ao menos tivesse contado, eu não teria sofrido por vê-la aos beijos com outra.

Quando pus os pés nas Terras Altas, me senti em outro mundo. Aquelas planícies, a mais bela visão do campo, o céu azul com nuvens e o som do vento que parece gaita de fole.

-- Vamos! – ele abriu o portão branco e caminhamos no jardim.

Ed abriu a porta. A casa dele é linda. Pequena, uma sala boa, cozinha, vitrola, televisão, livros e uma escrivaninha com máquina de escrever. Sem querer pisei num livro. Peguei e era do James Joyce.

-- Meu autor favorito. – ele disse.

Ia dizer mais alguma coisa mas ouvi o rádio ligado e uma música conhecida tocava. Era I’m So Glad, do Cream. Alguém saiu do banheiro e usava um vestido e um casaco.

-- Edmund! Rosie!

Não sei se fico com raiva ou feliz.

-- Você não se importa se Marianne ficar aqui conosco?

Poderia fazer drama e dizer que me arrependo de ter vindo. Mas o que é poucos dias, comparado o tempo que parecia eterno na prisão?

-- Por mim tudo bem. – sorri.

Agora é só aproveitar.

Continua...