segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Laços do Blues (12º Capítulo)

Olá pessoal!
Uma boa noite e peço desculpa do hiatus de 1 mês sem postar nada. Devido a falta de criatividade e problemas pessoais, fiquei distante mas agora volto com novo capítulo de Laços. Mais momentos decisivos. Boa leitura!



Capítulo 12: Never My Love

Edmund POV

Cheguei na atual casa de Marianne. Na verdade pertence um professor dela ou coisa assim. Liguei para o tio Oscar e ele prometeu estar em Oxford no outro dia o quanto antes. Mesmo otimista, não conseguia parar de pensar em Rosie. Por mais que tenha acontecido uma série de coisas como a separação dela com Marianne, o fim do seu namoro com o guitarrista Eric Clapton, ela não merecia. Eu troquei só um beijo com ela. Para mim, não era o bastante. Eu quero mais. Enquanto ouvia o hit Never My Love, do The Association, os primeiros trechos me fizeram pensar em Rosie.

You ask me if there'll come a time
When I grow tired of you
Never my love
Never my love

You wonder if this heart of mine
Will lose its desire for you
Never my love
Never my Love


Desde o primeiro dia eu desejei aquela ruiva de olhos verdes como esmeraldas lindas. Na semana que Rosie ficou na nossa casa, eu a observava de longe e como ela é adorável, ao mesmo tempo era gentil com Olivia, conversava com desenvoltura com os gêmeos, aprendia com mamãe a costurar e a manusear a máquina de costura, falava com meu pai sobre o trabalho e com Marianne havia uma ligação mais profunda. Ligação essa que tive o prazer de saber e ver. Houve uma tarde de chuva. Os gêmeos assistiam o jogo do West Ham, mamãe cozinhava e Olivia escrevia. Eu saí do banho e olhei para o quarto de Marianne. Ela e Rosie fazendo amor tão gostoso. Eu vi Rosie nua, perfeita. Minha Vênus de cabelo vermelho.

Desejei estar no meio delas. E a noite me toquei pensando da beldade de Liverpool. Dias depois Rosie ficou triste e decidiu ir embora. Devia saber que mulheres como Rosie, amam demais a ponto de um erro só, elas abandonam seus cônjuges ou elas brigam. No caso dela, brigou com Marianne pois ela a viu beijando Anastacia Rosely. Não sei se deveria sentir raiva de Ana ou penalizar por isso. Agora não era o momento. Precisava ter uma idéia para tirar Rosie da prisão e provar sua inocência. Mas como? Homossexualidade e bissexualidade é algo imperdoável num país conservador como a Inglaterra.

Rezava para que nada de ruim acontecesse com a minha adorada ruiva. Ao dormir tive um pesadelo daqueles que te fazem suar na cama por conta do calor ou frio. Era Rosie, sendo espancada, torturada da pior maneira. No outro dia fui até o hotel onde meu tio, Oscar, está hospedado. As novidades não eram nada boas.

-- Edmund, estamos na Inglaterra. Poderia ser pior. – ele dizia, enquanto limpava as lentes dos óculos de leitura.

-- Então amar alguém do mesmo sexo é um crime? – não aceitava isso. Parece que estamos condenados a viver trancados. – Foi só isso. Rosie não é comunista, judia ou coisa assim. Poxa, ela... Ela ama a Marianne.

-- Ama ou amava Marianne? – ele perguntou, franzindo a sobrancelha. – Aliás ela me contou tudo.

-- Tenho certeza que se amam.

Depois de muita insistência fomos procurar Marianne na casa de Berthold Dameron, um dos professores da universidade de Oxford e claro, a favor de Rosie. Conversamos com Marianne e ela chorava.

-- Por que papai fez isso? – ela abraçava tio Oscar. – Ela não teve um caso com Ana. O negócio foi comigo. Ele nunca aceitará isso? Logo ele que amou alguém no passado.

-- O buraco é mais fundo, criança. – justificava. -- Seu pai amou justamente o pai da Ana mas Tom sempre foi receoso. Nosso pai descobriu tudo e o fez entregar o Anthony McGold e o próprio Alexei pra um grupo de russos vingativos. Seu pai deve se entender com Alexei e tirar as acusações de Rosie e para isso, o chamei e os filhos mais velhos para virem a cidade e depois irem ir falar com meu irmão. Aliás as meninas daquela revista fizeram uma arrecadação de verba e tem a quantia necessária pra tirar Rosie da cadeia,

-- As meninas da Rolling Stone? Elas vão ajudar a Rosie? Mesmo depois do que aconteceu? No trem quando ela gritou que Ana é comunista? – receava que fosse mentira, depois de tudo que ela fez.

-- Daí o nome, comunistas. É a comunidade e estão dispostos a ajudar qualquer um. Sabe, a filha do Alexei é feminista e acredita na liberdade das mulheres. Mesmo tendo sido chamada de uma coisa que ela realmente é, ela está disposta a ajudar Rosie.

-- E quanto será essa fiança? – Marianne e eu tememos que fosse cara.

-- É o que vamos descobrir.

Me hospedei no hotel também e a noite chorei demais. Pensar em Rosie presa não era bom e rezava mais para ela estar bem. Tio Oscar e eu levantamos cedo e logo rumamos para o Departamento de Polícia. Chegando lá, encontramos duas senhoras e uma menina. As três são ruivas. A mais velha era exatamente como Rosie e conversava com o delegado e Marianne estava junto. E pelo visto brigava com os dois, o delegado e com minha irmã. Tio Oscar parecia conhecer a mulher.

-- Martha? É você?

-- Eu não acredito! – exclamou a mais velha, se aproximando do tio Oscar e acertando um belo tapa na cara dele. – Se passaram mais de vinte anos e te encontro nesta circunstância, Oscar! Safado, desgraçado. SEU FILHO DA PUTA! EU NÃO SEI QUEM É PIOR. SE É VOCÊ, SEU IRMÃO OU ESSA VADIAZINHA E A COMUNISTA RUSSA QUE ENGANARAM MINHA FILHA? DE QUALQUER FORMA EU VOU TIRAR MINHA MENINA DA PRISÃO E FAREI DE TUDO PARA NUNCA MAIS SABER DE VOCÊS!

-- Mamãe, fica calma... – a mais jovem segurava a mãe.

-- Martha, por favor! – a outra mulher, mais jovem, ajudava.

-- Você que foi embora com aquele ianque! Me deixou com o bebê e foi embora!
Por que fez aquilo? – meu tio parecia também indignado.

-- O que vocês estão falando? – perguntei e o delegado avisa.

-- A menina está liberada, já pagaram a fiança dela.

-- Mãe, o que está falando? – a mais jovem indagou para a mãe chamada Martha.

-- Eu e Oscar fomos namorados no passado, tivemos um bebê...

-- E eu a pedi em casamento!Ela foi embora. – tio Oscar se intrometeu, encarando as três.

-- Fui embora, seu safado! Apesar de o Jack Philippe ter me deixado, eu não me arrependo. Você fala do abandono mas esquece que me traía com outras. Se eu me casasse com você quem garante não ia procurar uma das rameiras que visitava em Dover ou Brighton? Agora eu te peço encarecidamente. Você, seu irmão e seus sobrinhos e até aquela russa pra ficarem longe da minha filha e da minha família!

-- Eu nunca mais tive nenhuma mulher.

-- Já chega, mãe. Rosie vai ser solta.

-- Martha, vamos sair daqui assim que Rosie aparecer. – disse a outra mulher ruiva.

-- Desde que você foi, Riley cresceu sem uma mãe. Por que depois daqui você não vai conhecer seu filho? Um cardiologista formado na Oxford e sim vou tirar sua filha daqui.

-- E pra que? Pra ficar devendo pra você? Riley nunca vai me aceitar. E eu não quero que pague a fiança. Eu mesma vou pagar.

-- Ele dedicou seu trabalho de conclusão a você! Como ele não iria te aceitar?

-- Então, Martha Donovan é a mãe do Riley? – queria tirar essa dúvida.

-- Como isso é possível? – agora era Marianne.

-- Você deve ser o Edmund. – a mãe de Rosie me olhava estranho. Certo que não gostara de mim. --  Só podia ser. É cara do seu pai. Quer fazer o mesmo estrago na minha filha? Ah mas pra que? Já fez por si. Indiretamente.

Antes de me defender, apareceu ali minha mãe.

-- Martha! – ela correu para abraça-la mas não conseguiu.

-- O QUE HÁ? HOJE É O DIA DE VOCÊS, JONES, APARECEREM NA MINHA VIDA E DA MINHA FILHA?

Mamãe já ia dizer algo quando ouvimos o barulho da porta de aço se abrir. Meu deus do céu. Se aquela garota, de aparência magra, olhos verdes com olheiras bem a mostra, roupas esfarrapadas, escoriações no rosto e o cabelo bem curto é a Rosie, então me encho de culpa por tudo.

Ela olhava para todos e enxergou as mulheres ruivas.

-- Mamãe!

-- Rosie! – Martha abraçou a filha e junto as outras. – Minha menininha. Como você está?

-- Péssima! – ela chorava. – Eu quero morrer, mãe. Tia Julia, a prisão é horrível.

-- Rosie, vamos pra casa. – a menor olhava pra irmã, com pena.

-- Vamos, Vivian. Mamãe, tia Julia, preciso pegar minhas coisas no apartamento.

Elas já se preparavam para sair quando tio Oscar alertou.

-- Ela ainda não pode sair da cidade.

-- Por que? – Rosie lançava aquele olhar intimidante. -- O senhor vai me impedir?

-- Não, seu processo ainda está correndo. Se retirarem suas acusações, você poderá estar finalmente livre.

-- FODA-SEAS ACUSAÇÕES E O PROCESSO! Eu fui expulsa da universidade, perdi meu emprego e não fico um minuto a mais. – berrou a ruiva e em seguida olhando pra mãe, a tia e a irmã mais nova. -- Mãe, vamos cruzar na república onde morava e pegar todas as minhas coisas e depois quero ir pra casa.


Rosie POV
Não fazia idéia de quanto tempo fiquei na prisão. Parecia que os dias eram sempre os mesmos, ainda mais quando se é espancada, torturada e às vezes estuprada. Me senti a pior das mulheres, um lixo só, um ser degradante, a escória da humanidade. Tudo de negativo que vocês podem imaginar.

Mamãe me levou de carro até a Charlton Presto, a rua onde moro. Marianne e seus parentes Jones foram junto. Aquele velho chamado Oscar parecia não desgrudar e me manter na cidade. Achava que Mari ia me acompanhar na entrada quando a porta se abriu e Peter sorriu para mim e gritou.

-- Hey, amigos! A Rosie tá de volta!

Todos me abraçavam, Mary e Jane choravam emocionadas e Peter dizia o quanto estava com a aparência horrorosa mas logo voltaria a ser uma diva. Notei que Mari não entrou e estava muito amuada.

-- Entra, Marianne. – convidei e ri um pouco. – Até parece que tem medo deles.

-- Desculpa, amor. Eu não moro mais aí. – ela justificava. – Fui expulsa logo depois que você foi presa. Ficarei esperando aqui fora junto com sua mãe.

Olhei para o pessoal e todos estavam sérios.

-- Por que fizeram isso? – aquilo foi uma intolerância das grandes.

-- Rosie, foi o pai dela que te arruinou. – respondia Peter.

-- Ele falou pro reitor te denunciar mas poupou a Marianne. Afinal, todo pai protege os filhos. – disse Maggie, a intercambista.

-- Por mais que a culpa seja do pai dela, não deveriam ter feito isso. Ok, eu estou furiosa com Marianne. E ainda estou. Mas não deveriam ter feito. Agora pegarei minhas coisas e vou embora para Liverpool.

Como o carro não cabia tudo, peguei alguns pertences como os discos, minhas roupas, meu kit de maquiagem e sapatos. O resto pegaria depois. Desci as escadas.

-- Vou manter o meu quarto trancado. – levei a chave. – Voltarei semana que vem pra pegar o restante.

Enquanto guardava no porta malas, o pessoal da república ficou com  cara de enterro e a tal intercambista me olhou.

-- Por favor, precisa ficar.

-- Eu não faço idéia quanto tempo fiquei lá mas eu passei por cada coisa... que me dá náusea. Eu chego a passar mal ficando aqui.

-- Por favor, eu te peço em nome  de todos.

-- Perdoem Marianne e eu volto.

Maggie se calou e voltei minha atenção.

Embarquei no carro e seguimos para a casa de tia Julia. Ela mora em Oxford mas longe da universidade. No outro dia iríamos embarcar para Liverpool. Marianne e seu irmão, seu tio e a mãe foram embora, desolados.  Olhei-me no espelho e minha nossa, como estava feia. Pareço um cadáver.  Tomei banho e vesti algo apropriado. Passei o resto do tempo no quarto e propensão a chorar.

Abracei o travesseiro e só fiquei encarando na janela a chuva que caia.

No entanto ouvi uns gritos vindos da sala. Era mamãe. Sai do quarto e a vi expulsando um cara.

-- Nunca mais me chame de mãe. Meu filho morreu em Brighton! – e fechou a porta.

-- Quem era? – perguntei.

Mamãe levou um susto, sentou no sofá e disse.

-- Riley Jones. Meu filho.

-- Filho? Como assim?

-- Rosie, ele é seu outro irmão. Meu filho com Oscar Jones, aquele advogado boa pinta que tirou você da cadeia. Antes de me casar com seu pai, fui namorada de Oscar. Engravidei e tive o Riley. Meus pais não aceitavam Oscar e um dia fui falar com ele sobre o pedido de casamento. Eu o vi com outra. Deixei nosso filho na porta da casa dele e segui com seu pai.

-- Então, você o abandonou?

-- Sim. Juro que não queria mas... As safadezas e a dor que Oscar provocou em mim me fizeram isso. Jurei a mim mesma nunca mais saber dos Jones. Mas olha só. Você ficou amiga e se apaixonou pela sobrinha dele e o sobrinho gosta de você. Mas te fizeram sofrer, como o Oscar e o irmão dele, Thomas, fizeram comigo.

-- Mãe! – insisti. – Por mais que Marianne tenha errado comigo, eu a perdoei. Mas... Não sei se tenho coragem de olhar na cara dela.

Aquilo encerrou minha conversa com mamãe. E não a minha vontade de conhecer Riley. E então seguimos para o centro de Oxford, entramos numa clínica.

-- Posso ajudar? – a recepcionista nos atendeu bem.

-- Queremos falar com Dr. Jones. – respondi. – Ele é cardiologista.

-- Tem hora marcada com ele?

Antes de falar, surgiu na porta um tipo alto, olhos azuis, muito sério e sotaque meio liverpooliano.

-- Tudo bem, Sandra. Conheço elas. – ele me olhou. – Entrem.

Entramos no consultório e mamãe parecia tensa.

-- Então, o que querem?

Nenhuma de nós falou. Na verdade esperava que mamãe dissesse algo. Então falei por nós duas.

-- Eu sei que você é meu irmão. – disse. – Vim aqui te conhecer, me apresentar e a mamãe veio... pedir perdão.

Os olhos dele ficaram marejados de lágrimas. Ele saiu da cadeira e foi-se até nós, abraçando-me calorosamente e depois minha mãe.

-- Riley... – mamãe mal tinha palavras. – Me perdoa, meu filho.

-- Está tudo bem. – abraçando bem forte. – Por todos esses anos nunca a esqueci e nem de minhas irmãs. Ou melhor, meias irmãs.
Agora para mim ficou bem estranho. Descobrir que tenho um irmão por parte da família Jones e eu... claramente amo Marianne e Edmund. Significava que de certa forma, sou um parente ou quase parente deles... É melhor cortar meus laços com Marianne e Edmund. Definitivamente...

Uma semana se passou desde que sai da prisão e nada referente a minha expulsão da faculdade foi tocada. Tia Julia sugeriu uma viagem a Roma. Vivian foi junto, mesmo no período de aula. Enquanto arrumamos as malas, recebi muitas cartas. Algumas eram das minhas amigas Jane e Suzan. Outras eram do pessoal da faculdade e uma do Graham Nash. Sentia muita falta dele. Havia uma da Anastacia e outra da Chelsea. Não li e ainda joguei na lareira acesa. As outras eram de Edmund e Marianne. Li todas e ambos demonstravam preocupação, pois não havia escrito para eles. Também joguei na lareira.

-- Por que está queimando as cartas dos seus amigos? – indagou minha mãe.

-- Nem todos são meus amigos. – respondi, em tom grave. – A maioria eram dos Jones e uma era daquela sonsa comunista e a namorada dela maldita! – passei a odiar Chelsea depois da rejeição.

-- Fala da estilista? – Mamãe então me conta algo inacreditável. – Se for, sugiro que a procure. Ela ainda está em Oxford. Ela deseja falar com você ainda hoje.

Liguei para Chelsea e por sorte ela está hospedada no mesmo hotel. Marcamos de nos encontrar no café perto da agência. Compareci sem muitas expectativas, apenas para saber o que ela queria tanto falar comigo e sem falar que devia controlar meu ódio.

-- Aí está você. – ela sorria e tentou me beijar mas recusei. – Me desculpe.

Fui direta.

-- O que você quer, Chelsea?

-- Fiquei bastante preocupada com você. Principalmente quando Marianne contou para mim e Ana sobre sua experiência traumática na prisão.

-- É mesmo? – ironizei. – Você e Ana devem estar bem satisfeitas. Conseguiram se vingar de mim.

-- Rosie, não pense nisso! Nunca seria capaz disso e nem a Ana. Por conta dos últimos acontecimentos... eu tomei uma decisão.

-- Que decisão?

-- Eu vou lhe dar uma chance! Terminei com a Ana!

Não consegui raciocinar. Por um lado estava feliz. Fiz Chelsea ver quem realmente lhe dá valor. Por outro lado me senti terrivelmente mal.

-- Me dê licença. – me retirei da mesa. – Vou ao banheiro.

Mal entrei no banheiro e já abri a torneira mas ouvi um choro muito compulsivo, vindo de uma das cabines. Procurei ignorar e lavei as mãos. Na curiosidade, entrei na cabine vizinha e subi no vaso sanitário. Pude enxergar... Anastacia. Ela está chorando. É claro! Chelsea terminou com ela antes de vir falar comigo e agora está ali, trancada numa cabine do banheiro e chorando?!

Por mais que desejasse que Ana sofresse a mesma decepção que eu e com maior dano possível, desta vez eu fui longe demais.

Voltei para a mesa, mais calma e decisiva.

-- Eu estou chocada sobre isso. Pensei rápido sobre o assunto e digo não.

-- Mas, Rosie... – Chelsea pareceu chocada. – Eu deixei Ana por você. Tinha razão sobre ela.

-- Me arrependo do que disse! – tomei um gole de água e a encarei. – Vocês se merecem. Mesmo que eu guarde rancor e confesso que ela mereceu toda culpa, nem tudo ela merece. E perder você foi pior.

Sai da mesa e saquei uns xelins, deixando-os na mesa.

-- Não se separem, como eu e Marianne nos separamos!

E fui embora. No caminho de volta pra casa de tia Julia, encontrei... Edmund.

-- Rosie!

-- Edmund...
Naquele momento o desejo por ele aumentou. Se fosse possível, faria amor com ele no meio da rua.

-- Precisamos conversar. – ele disse e seus olhos brilhavam.

-- Sobre... o quê? – perguntei, receosa.

-- Sobre nós.

-- Edmund... eu... Não sei o que dizer. Se são as cartas eu não quis responder. Eu quero cortar você e Marianne de minha vida. Não acho justo. Acabei de descobrir que tenho um irmão. .. que é seu primo. Isso meio que nos torna... parentes e hoje... a garota que eu queria... Chelsea... terminou com Anastacia por mim. Se fosse naquela época, antes que fosse presa, eu teria aceitado e confesso. Eu ia adorar. Porque seria minha vingança.  Mas não fiz isso. Só queria sumir. Ir pra bem longe e recomeçar minha vida. Não tenho emprego,  amigos e fui expulsa da faculdade.

-- Rosie, posso te ajudar com tudo. Tenho um amigo que é dono de uma livraria. Pode te conseguir um emprego. Sobre sua faculdade, minha mãe é uma grande escritora, ela conhece gente influente.

-- Não posso aceitar tudo isso, Edmund. – recusei. -- Vou começar tudo de novo. Por minha conta. Agradeço sua ajuda e irei a Roma com minha família. Pra esquecer meu trauma.

Antes de entrar em casa, Ed me puxou para perto dele.

-- Espera!

Nos beijamos, forte e cheio de paixão. Nossa, como queria a boca dele! E ainda pude sentir o rosto dele, banhado com suas lágrimas.

-- Oh, Edmund. Não torne mais difícil. – disse, enchendo- o de beijos.

-- Nada é impossível. Não importa os outros e sim que nós dois nos amamos.

Novamente o encarei em seus olhos azuis brilhantes.

-- Me ame, Mr. Bloomsday.

-- Vamos para meu apartamento!
Pude ver na janela que tia Julia nos viu e já entendeu tudo. Não precisei avisar.

Chegamos ao apartamento e de cara Edmund me carregou para o quarto, onde tudo iniciou.

Ele me despiu devagar. Beijou meu corpo e ao me deitar na cama, abriu minhas pernas e iniciou o sexo oral. Oh meu deus! Ele tem a mesma capacidade de sucção que Marianne. Profundo, quente e atrevido. Ele pensou em parar mas não deixei. Puxei seus cabelos pra continuar.

-- Não pare! Não!

Ele continuou mais alguns minutos e foi a vez dele tirar a roupa. Edmund é exatamente como o vi nos dias que passei na casa dos Jones. Alto, esbelto, musculoso. Contudo, me assustei com algo.

No exato momento que se livrou da calça...

-- O... Q-quê? – me espantei com... o tamanho descomunal dali. – Como... COMO ISSO VAI CABER DENTRO DE MIM?

-- Calma, meu amor. – ele deitou junto a mim. – Tenha calma. Comece me tocando... Assim.

Ele pegou minha mão e a pousou ali, conduzindo uma masturbação lenta. Santo Deus! Esse homem não é normal. Já vi uns tamanhos maiores mas aquilo...Era fora do comum. Edmund gemia mais e implorava.

-- Isso... Aaaah... Não pare. Não... Pare... Por favor...

Continuei por mais alguns minutos. Até arrisquei a chupá-lo e durou poucos minutos. Depois invertemos as posições, no qual ele pegou a camisinha. Fechei os olhos e senti aquilo entrar devagar... Até caber tudo.

-- Relaxe, meu amor...

O prazer veio depois com mais força. E à medida que Edmund avançava, me fazia gritar, arranhar suas costas.

-- EDMUND...

-- ROSIE... OOOH... EU TE AMO!

E foi desta maneira que terminamos a nossa noite, atingindo o orgasmo juntos.

Ofegantes e suados, tomamos banhos juntos e me vesti.

-- Quer ir comigo para Escócia? – me convidando. – Eu sei que você quer muito ir à Escócia e tenho uma propriedade por lá.

Seria uma boa idéia. Aceitei na hora. Nos abraçamos. Edmund me levou pra casa e logo de cara vi minha mãe nada satisfeita. Comuniquei minha viagem com Ed para Escócia.

-- Está apaixonada por ele, Rosie? – questionou minha mãe, espantada. – Por que logo por seu primo?

-- Você não casou com o tio dele...

-- Mesmo assim, veja essa possibilidade. É incesto.

No outro dia seguiram para a estação de trem e depois para o aeroporto de Londres, onde embarcariam para Roma, na Itália. Sozinha em casa, remexia algumas coisas que recuperei da antiga república universitária. Era óbvio que meus colegas me queriam lá. E senti saudades do Benson. Ele não teve culpa. Se viu pressionado pelo reitor a me demitir e não dar uma ajuda.

Arrumei as malas e esperei Edmund chegar. Tranquei toda a casa e quando ele chegou, disfarcei as lágrimas. Durante a viagem estive mergulhada nas lembranças de uma época boa, onde estudava, trabalhava, colaborava pro jornal, os shows da faculdade e por fim o amor que tive por aquela que considerava minha melhor amiga. Por que Marianne não me contou sobre Anastacia? Se ela ao menos tivesse contado, eu não teria sofrido por vê-la aos beijos com outra.

Quando pus os pés nas Terras Altas, me senti em outro mundo. Aquelas planícies, a mais bela visão do campo, o céu azul com nuvens e o som do vento que parece gaita de fole.

-- Vamos! – ele abriu o portão branco e caminhamos no jardim.

Ed abriu a porta. A casa dele é linda. Pequena, uma sala boa, cozinha, vitrola, televisão, livros e uma escrivaninha com máquina de escrever. Sem querer pisei num livro. Peguei e era do James Joyce.

-- Meu autor favorito. – ele disse.

Ia dizer mais alguma coisa mas ouvi o rádio ligado e uma música conhecida tocava. Era I’m So Glad, do Cream. Alguém saiu do banheiro e usava um vestido e um casaco.

-- Edmund! Rosie!

Não sei se fico com raiva ou feliz.

-- Você não se importa se Marianne ficar aqui conosco?

Poderia fazer drama e dizer que me arrependo de ter vindo. Mas o que é poucos dias, comparado o tempo que parecia eterno na prisão?

-- Por mim tudo bem. – sorri.

Agora é só aproveitar.

Continua...

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