terça-feira, 1 de maio de 2012

Love, Reign O'er Me (Songfic)

Olá, pessoasl!
Hoje vou postar uma songfic que escrevi no domingo a noite. Se chama Love, Reign O'er Me, do The Who e retirado do disco Quadrophenia. Curtam a leitura!





Love, Reign O'er Me__ Maya Amamiya

 

Uma tempestade estava caindo por toda Londres. Três dias chovendo, três dias trancados em casa... Três dias ele não a via. Sabia que ela voltara para casa dos pais após o traumático acidente de carro, no qual ela se feriu gravemente, mas seu amado não sobreviveu.  Nos pensamentos de Pete, seu amigo, John,  preferia entregar sua vida em troca de mais um tempo de vivência para sua namorada, a adorável Lily.  Por isso a menina não procurou ninguém, nem mesmo os amigos de John. Para ela, perde-lo era mais doloroso do que a morte prematura do seu irmão. Conhecia Keith nas bandas que ele tocava de freelancer, até oficialmente integrá-lo na sua banda, formada por ele, seu colega Roger Daltrey e seu melhor amigo John Entwistle.
Suas lembranças foram interrompidas com o barulho do celular tocando. Viu na tela o número e reconheceu de cara:  veio da casa dos Moon’s.
-- Alô?— Atendeu Pete, sem muita animação.
-- Pete? Sou eu, Kathleen Moon, a mãe da Lily.
-- Ah, Sra. Moon, como vai?
-- Não muito bem. Alias, não estou bem.  A Lily... Minha Lily...
-- O que aconteceu com ela?
-- Ela fugiu de casa. Meu marido e eu achamos que ela voltou para onde Keith morava com vocês.
-- Não a vejo desde o hospital, Sra. Moon.
-- Oh meu deus! – Gritou no telefone. Pete ficou com o coração aos pulos ao saber do desaparecimento de Lily e acalmou a mãe dela, prometendo encontra - lá.
Mal colocou o telefone de volta ao gancho, Pete pegou sua parca*, escreveu numa folha de caderno e deixou na mesa o aviso para Roger e Barney que ia sair para procurar Lily.
Only love
Can make it rain
The way the beach is kissed by the sea
Only love
Can make it rain
Like the sweat of lovers
Laying in the fields
(Apenas o amor
Pode fazer chover
Do modo em que a praia é beijada pelo mar
Apenas o amor
Pode fazer chover
Como o suor dos amantes
Deitados nos campos.)

Lily estava perdida na praia de St. William. Ela adorava o mar e como suas ondas deixavam à areia tão suave e fofa de se caminhar. Era naquela praia onde conheceu seu amor. E foi ali onde soube o que amar e a descoberta sexual. Fora numa noite com festa onde seus amigos comemoravam a festa da primavera que Lily e John se entregaram por completo e no dia seguinte, voltaram para casa, de mãos dadas.

Love, Reign o'er me
Love, Reign o'er me, rain on me
(Amor, reine sobre mim
Amor, reine sobre mim, chova sobre mim)


A chuva dificultava os transportes. Mesmo no táxi, o rapaz estava impaciente e preocupado com que possa acontecer a menina Lily. Olhou o céu negro da noite e os incansáveis pingos grossos da chuva londrina. Rezou baixinho para que Lily não cometesse uma besteira, mas conhecendo a moça, era provável que ia fazer. Compreendia sua dor, afinal, John e Keith eram seus melhores amigos. Não que desprezasse Roger e Barnesy, mas era com John que Pete dividia seus segredos  e com Keith uma parceria para festas e clubes onde ia se divertir. Tentou pensar onde a irmã de Keith poderia estar numa hora daquelas. Na casa de uma amiga ou parente não podia, ainda mais no seu estado emocional.  Pode ser que ela optasse em ficar na casa dos Entwistles. Também não poderia. A família de John nunca aprovou Lily por causa do baixo status social. Maud Entwistle por várias vezes tentou convencer John a largar a garota e o resultado foi sua fuga de casa.
Imediatamente, descartou duas possibilidades. Estava quase perdendo as esperanças quando subitamente lembrou-se de um fato: a festa na praia de St. William. Foi lá onde eles se conheceram e firmaram seu amor.
-- Motorista, leve-me para praia de St. William!
-- O tempo está inadequado para ir num lugar desses.
-- Não pedi opinião sobre o tempo. Só quero que me leve lá!
-- Ok, Sir!
Only love
Can bring the rain
That makes you yearn to the sky
Only love
Can bring the rain
That falls like tears from on high
(Apenas o amor
Pode trazer a chuva
Que faz você desejar o céu
Apenas o amor
Pode trazer a chuva
Que cai como lágrimas lá do alto)


Quando saiu de casa, o clima era agradável como o verão e por isso vestiu apenas um vestido longo azul acompanhado de uma blusa branca sem estampas.  E depois veio a chuva gelada e cortante para sua alma sofrida. Seus pés eram banhados pelo mar salgado do Atlântico. Por uns instantes pensou ter visto John caminhando naquelas ondas perigosas.  E a chuva era Keith, consolando a irmã com suas gotas. Lily queria amar e ser feliz. Nem que para isso ela se juntasse com John no outro lado do mundo ou em qualquer parte dele.

Love, Reign o'er me
Love, Reign o'er me, rain on me
(Amor, reine sobre mim
Amor, reine sobre mim, chova sobre mim)

-- Estou indo, John. – Dizia Lily, indo em direção a miragem marítima de John – Me espere, por favor.
A medida que Lily caminhava, seu corpo afundava e as ondas atrapalhavam sua visão. Não se importou com isso. Apenas seguiu em frente, até definitivamente afundar no mar.  Tentou nadar, emergir com suas forças. Segurou sua respiração até certo ponto e nada. O afogamento era inevitável. E ela nem teve tempo de se despedir dos pais ou ao menos deixar um bilhete de adeus para eles e para os amigos de John. Sobretudo Pete. Adorava Pete Townshend como se fosse um irmão mais velho.  Mas no fundo Lily tinha um tipo de amor semelhante ao de John, talvez amasse Pete mais do que John. 
Mas agora tudo ia se acabar.
Porém, um outro corpo, magro e suficientemente musculoso salvou sua vida, fazendo seu corpo retornar acima do mar e depois para beira da praia.

On the dry and dusty road
The nights we spend apart alone
I need to get back home to cool cool rain
I can't sleep and I lay and I think
The night is hot and black as ink
Oh God, I need a drink of cool cool rain
(Na árida e empoeirada estrada
As noites que passamos separados e sós
Eu preciso voltar para casa, para a fresca fresca chuva
Não consigo dormir então me deito e penso
A noite é quente e negra como tinta
Ó Deus, eu preciso de uma dose da fresca fresca chuva)

Primeira tentativa não recebeu resposta. Pete usou seus conhecimentos de primeiros socorros para afogamentos. Transmitiu oxigênio via oral para os pulmões de Lily e seguiu por exatas quatro tentativas.
-- Vamos, Lily! – Enquanto empurrava de leve o peito dela, para expulsar a quantidade de água. – Por favor, querida! Não morra! Eu...
Pete já estava chorando. Temia perde-lá para sempre e não poder cumprir a promessa para Kathleen Moon.
-- Lily, reaja! Não pode morrer agora! Eu te amo, eu te amo!!
“Eu te amo!”
Os dizeres de Pete ecoaram nos ouvidos de Lily, até serem processados em seu cérebro e compreender que deve viver.  Essa foi à motivação que precisava. Enfim ela cuspiu todo o liquido incolor que bebeu. 
-- Cof Cof...
-- Lily! Você está bem?
-- Sim... – Respondeu Lily, tremendo de frio e fraqueza. – Pete... É verdade que... me ama?
-- Com todas as minhas forças, Lily. Eu queria te dizer isso, no entanto... John apareceu e me falou que gostava de você... Então deixei o caminho livre... Para vocês.
-- Oh, Pete... Todo esse tempo... Me amando...
-- Agora tudo está esclarecido, meu amor. Fica comigo.
-- É claro que sim. Pete, reine sobre mim.
Ao dizer isso Lily e Pete se beijaram intensamente, ignorando o frio de chegada do inverno. Eles voltaram para casa, onde Roger, Barnesy e as famílias Townshend e Moon esperavam pelos jovens. A tempestade cessou voltando ao clima normal, mas para Pete e Lily, eles estavam recomeçando suas vidas.

Fim



terça-feira, 24 de abril de 2012

Laços do Blues (2º capitulo)

Aqui vai o segundo capitulo!

Capitulo 2-- The Coffee Song


Eric Clapton POV

-- Droga, Ginger! – A voz briguenta de Jack Bruce ressonava naquele estúdio minúsculo que nosso empresário conseguiu. – Quantas vezes eu disse que o solo de bateria em “Toad” será no meio da música e não de cara no começo?
-- Não me lembro de você dizer isso, caro Bruce. – Agora Ginger começa a irritá-lo com seu toque de ironia. – E olha que para te agüentar, eu presto a atenção, mas desta vez não vi mesmo e pronto!
-- Não viu porquê não quis e...
-- Ok, pessoal. Já chega com essa infantilidade! – Ainda bem que Danny Gillian* apareceu para botar ordem na casa, se isso pode se chamar de “casa”.
O resto do dia segui tocando guitarra, fumando e pensando sobre minha vida.  Fiquei imaginando se os Yardbirds estão se saindo bem, sem mim. Se ainda estão naquela coisa de tocar rock ao invés de blues. Dava-me bem com todos, sem exceção. Mas depois que os rumos musicais estavam mudando, cai fora o quanto antes. Por sorte encontrei um amigo, John Mayall. Ele estava montando uma banda e precisava de um guitarrista talentoso e que sabe bem do blues. Bingo, o emprego era meu! Ficar na Bluesbreakers me fez bem. Uma pena que não durou muito.
Daí pensei em formar minha própria banda de blues. Primeiro convidei Ginger Baker e ele aceitou na hora. Ginger é um ótimo baterista e amante do blues. Depois chamei Jack Bruce e esse quase bateu o carro quando soube quem era o baterista. Eu sabia da rixa dele com Baker, porém, convenci a todos que se queremos fazer um ótimo som, misturando rock com blues, esse era o momento. E nasceu esse trio entrosado na música...
-- Merda, Jack! Quer nos matar aumentando a porra do volume no amplificador ao máximo? Você não é o Pete Townshend para fazer isso, droga!
... E desentrosado como pessoas.
Saí de tarde, sozinho, para conhecer mais Oxford, a cidade universitária da Inglaterra. Por enquanto não sofri nada parecido com surto histérico que os Beatles costumavam fazer no começo. Caminhei perto de um pub e fiquei olhando as pessoas em suas mesas, tomando café. Numa das mesas avistei ela. A jovem ruiva que conheci na reunião com agenciador Benson.
Juro que me encantei a primeira vista seus olhos e desde então não os esqueci tão facilmente. Ela era muito bonita e doce. Mas tinha medo em me aproximar das garotas e sofre rejeição. Já me aconteceu antes em Ripley, onde nasci e morei.
Não suportei aquele medo e resolvi entrar. Discretamente fui em direção a mesa onde ela se instalou. Estava lendo um livro e tomando um café. Chamei a atenção com um pigarro educado, que acabou assustando a ruiva.
-- Nossa! Vo.. Você, por aqui!? – Pelo visto a deixei bem surpresa com minha visita.
-- Eu... – Droga, outra vez gaguejando, Mr. Clapton? Precisava me livrar desse gaguejo ou ficaria igual ao Roger Daltrey em “My Generation.” – Estava... Passando por aqui e vi esse pub tão legal e acabei te vendo.
-- Legal. Por um momento, achei que me perseguia. – Ela riu do próprio comentário e depois sorriu tão lindamente.
-- Jamais perseguiria uma mulher assim. Só considero uma coincidência. – Me defendi, sorrindo para ela.
-- Eu sei.  Falei aquilo para te fazer sorrir com alguma piada. Sente-se, eu te pago um café gostoso. O melhor café de Oxford.
Ela estava me convidando... Para tomar café em sua companhia.  Aceitei na hora. Pedi uma torta de morango junto com o café. Enquanto o pedido não chegava até nossa mesa, a garota olhava para os lados como se procurasse algo.
-- Aconteceu algo? – Perguntei na maior curiosidade.
-- Queria ver se mais alguém vai usar o jukebox. Quero ouvir blues.
Será que ela também adora blues, como eu?
Algo dentro de mim estava feliz por saber dessa revelação. Então ela se levantou, foi até o jukebox e ficou selecionando uma música. Não sei se ela fez de propósito ou por escolha, mas a música tocada era “The Coffee Song”. Nossa música!
-- Gostou da minha escolha? – Perguntou assim que nossos pedidos apareceram e se juntou a mim.
-- Seria um louco da cabeça para não gostar. Você... – Minha timidez provocava esses meus gaguejos horrorosos.  – Gosta de blues?
-- Ouço pouco esse tipo de música, mas aprecio uns cantores, como Howlin’ Wolfe, John Lee Hooker e Sonny Boy Williamson.
-- Tem bom gosto, sabia? Também adoro esses cantores e mais uns como Muddy Waters e Buddy Guy. O blues me fascina e me identifica.
-- Como assim? – Mesmo com pergunta, ela sorria de modo encantador.
-- As músicas... Parece que o cantor está solitário e frustrado. É isso que sinto em alguns momentos.
-- Sente-se assim agora com seus colegas na banda?
-- Ás vezes. O Ginger nunca se estressa comigo, a menos quando está sob efeito de umas bolinhas azuis. O Jack é se deve ter cuidado. O Dr. Jekyll é meio nervoso.
-- Hahaha! Dr. Jekyll? Adorei o apelido!
Ficamos ali naquela animada conversa até umas seis da tarde. Ela se deu conta do horário, guardou as pressas o livro na bolsa e tentou pescar umas libras e penes para pagar.
-- Não precisa fazer isso. Eu já paguei a nossa conta. 
-- O convite era meu e o correto era...
-- Um cavalheiro pagar a conta para uma dama tão linda como... Você.
Tentei ser o mais gentil dos homens mesmo com essa miserável falha na voz. O próximo passo que vi foi um beijo no rosto que ela me deu. Agora senti as entranhas entrarem numa espécie de ebulição, como numa aula de química.
-- Obrigada pela ótima tarde e a conversa. Eu adorei ficar com você.
-- Eu digo o mesmo, Srta....?
-- Rosie Donovan ao seu dispor. Mas me chame de Rosie.
-- Foi um prazer em conhece – lá, Rosie. Alias, esse é o nome da minha avó.
-- Puxa, que feliz coincidência!
Na saída, ela me deu seu número do telefone do trabalho e do apartamento onde vive com seus colegas acadêmicos.
-- Bem, nos vemos por aí, Sr....?
-- Clapton. Eric Clapton, guitarrista do grupo Cream. Não se esqueça, Rosie!
-- Não esquecerei, Sr. Clapton.  Até outro dia
-- Até outro dia!
Voltei para o apartamento onde os rapazes estavam ouvindo discos do John Lee Hooker e fumando maconha.
Deitei na cama e fechei os olhos, na esperança de encontrar nos meus sonhos a adorável dama chamada Rosie.
Mal podia esperar para vê-la novamente!

Continua...

Laços do Blues (Fanfic)


Oi pessoal! Fique 1 mês sem postar nada no Invasão Britânica, mas prometo que isso vai mudar. Deixarei postagens nem que seja umas 3 vezes por mês, para não ficar jogado as traças hehehe. Bem, estou aqui para mostrar outra fic de banda que escrevi, além do The Who. Essa se chama "Laços do Blues" e é focado em mais uma vez na minha adorável personagem Rosie Donovan e quem será nosso galã?

Tcham, Tcham, Tcham!

Senhoras e Senhores, eu apresento Eric Clapton, guitarrista (na época) do power trio chamado Cream. A fic se passa em 1966, o ano em que o Cream lançou seu primeiro disco. Muito romance, blues, rock e comédia vai rolar nos próximos capitulos, que por sinal, os títulos dos capitulos serão baseados nas músicas (ou não) do Cream, da carreira solo do Clapton e de outros grupos no qual fez parte.
Agora com vocês, o primeiro capitulo da fic e em seguida o segundo. O terceiro pode sair no feriado. Até a próxima postagem!

Laços do Blues__ Maya Amamiya

Capitulo 1: Sunshine Of Your Love

Rosie Donovan POV

O que se pode fazer quando se forma no ensino básico e depois sua vida toma novos rumos num lugar como a faculdade de Oxford? Ou quando você deixa sua família e amigos em Mersey e passa a conviver num universo totalmente paralelo do seu espaço? Ou quando abandona aquele estilo ingênuo musical e adota um mais selvagem, puro e audível? Todas essas respostas eu consegui mesmo em Oxforshire.
Passei a morar com um grupo de estudantes num conjunto de apartamentos próximo a faculdade. Meus novos companheiros são simplesmente umas figuras e tanto. E também para não ficar só nos estudos, passei a ser uma pessoa mais participativa. Colaborava com o jornal da faculdade, ajudava na biblioteca e contribuía nas áreas culturais. O melhor de tudo isso foi que consegui um emprego fixo: o de Relações Públicas nas produções musicais. Eu era a secretária, assistente pessoal e cozinheira nas horas vagas do produtor *Sam Benson. Ele é meio parecido com Shel Talmy em questões de ser o manda-chuva do pedaço, mas o que ele faz pelas bandas e cantores locais são dignos de nota. Até bandas de fora vieram agendar shows em algum canto de Oxfordshire e ele conseguia sem maiores problemas. Foi aí que conheci uma pessoa que despertou meu coração de modo estranho. Acordou aquele sentimento que antes era pertencido a John Lennon.
Era primavera de 1966 e o Sr. Benson estava procurando desesperadamente um clube disponível para uma banda se apresentar. Estava ajeitando os papéis quando o produtor de quarenta anos me chamou na sala dele.
–- Rosie preciso de sua ajuda. —Disse com uma voz nervosa.
–- O que posso fazer pelo senhor?
–- Conhece algum lugar onde posso encaixar uma banda?
E agora? Como dizer para o chefe que não conhecia outro ponto de encontro que não fosse esses mais conhecidos da cidade? Então acabei por falar...
–- Pode fazer a tal banda se apresentar na faculdade onde estudo. Lá tem um palco razoavelmente grande para um bom público e tem os equipamentos necessários.
O Sr. Benson pensou um pouco, girou a caneta no papel e depois me olhou.
–- É uma boa idéia, Rosie. Agora torça para eles aceitarem.
–- Pode deixar e Sr. Benson quem é essa banda?
–- Na verdade é um trio bem entrosado com blues e rock chamado Cream. Deve ter ouvido falar deles não?
–- Acho que sim. Não me recordo bem. O senhor vai falar com eles?
–- Sim, Rosie. Por isso prepare seu bom chá de maçã, pois os rapazes vão chegar a qualquer momento.
Corri para cozinha, apressando meu preparo do chá. Não deu dez minutos e ouvi um carro estacionando em frente ao prédio da produção. Saíram de lá quatro caras. O que dirigia deve ser o empresário e os outros três o grupo Cream. Entrei em pânico por causa do chá. Mas relaxei e fiz o chá como sempre faço.
–- Rosie traga o chá para mim e ofereça aos garotos. —Gritou Benson mesmo de longe.
Será que ele não sabe que não se devem chamar de garotos os integrantes de uma banda? Poxa, eles não são uma cópia dos Beatles e nem são mais adolescentes. São homens crescidos.
Apareci na sala com a bandeja de xícaras de chás para todos. Primeiro ao meu patrão que agradeceu discretamente. Segundo para o empresário esquisito e os outros para o grupo. Quando entreguei para Ginger Baker, o coitado queimou os dedos, mas disse que não era nada. Pensei que estaria lascada por causa disso. Tentei me manter calma e continuei a servir os demais. Jack Bruce me deu uma piscadela e disse em tom sussurrado que eu era a secretária mais linda que já viu. Minha vontade era de chamá-lo de tarado, contudo, em respeito do Sr. Benson que foi tão bom para mim e considerando um pai, segurei minha ira e agradeci friamente. Temi que o próximo integrante fosse igual a Bruce. Entreguei a xícara e sem querer toquei (de leve) a mão de Eric Clapton (nessa hora não sabia o nome dele e nem dos outros dois) e esse me encarou nos olhos.
–- Vai ser ótimo... tomar chá. – Falou com um pequeno gaguejo na voz. Foi o suficiente para meu olhar corresponder o dele.
–- O...o...otimo.—Agora minha vez de gaguejar. Não sabia o que tinha me acontecido.
Talvez fosse meu nervosismo que me impediu de falar mais naquela só sei que depois daquilo, não parei de pensar no guitarrista amável. Nem conseguia estudar e ouvir minhas colegas de quarto falando. Aquele homem de alguma forma balançou minha alma.

Continua...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Give Me Love (fanfic)

Como andei anunciando pelos quatro cantos das redes sociais, hoje estréio minha nova beatlefic, desta vez com nosso querido George Harrison, que faria 69 anos se estivesse vivo. É mais um romance beatle e Rosie Donovan só faz participação especial, já que sua amiga Suzan Hardison é que protagonizará ao lado do beatle gentil e tímido. Boa leitura e os próximos capitulo em breve serão postados.





Give Me Love-- Maya Amamiya


Capítulo 1_ Timidez

George POV

Ainda me lembro de quando ela entrou na minha vida. Uma garota tão linda e proibida, como uma deusa que não pode ser tocada por um mortal. Sentia-me um peregrino, um maldito pobre coitado. Rosie Donovan, a adorável fã de John Lennon. Só a vi uma vez na vida e imediatamente meus olhos só queriam encarar os esverdeados e brilhantes dela. Mas esses olhos tão lindos só tinham uma direção: os olhos do John. E eu... Eu não podia impedir. Por isso eu era tímido. Muitas das garotas que poderia ter chance, logo outro cara tratava de tira - lá de meu caminho. Parecia ser um perdedor.
Porém, tudo mudou naquele dia...
 Numa manhã de 1964, quando caminhava pela rua e olhando para os lados se havia alguém que podia me reconhecer, me esbarrei numa garota morena, aspecto juvenil de quem possui dezessete anos, olhos pretos e expressão de apressada.
-- Ai!—Quando ela bateu em meu braço. —Não olha por onde anda?
-- Perdão.—Acabei me desculpando afinal era mesmo minha culpa por atropelar aquela coisinha linda, embora a situação é um tanto estranha pra se dizer isso.
-- Não tem problema. Estou mesmo atra... Atra... Atra... —Opa, ela repetia uma silaba feito disco arranhado. Será mau sinal?


Suzan POV

Eu podia ser a garota mais desastrada do colégio, a mais tímida da cidade e pode ser a mais sarcástica das minhas amigas. Neste momento eu queria sentir raiva do individuo que me atropelou. E não senti. Quando encarei aqueles olhos meio oblíquos e ariscos, tinha esquecido o ocorrido.

-- Moça. – Chamou o rapaz de cabelo tigelinha. —Está tudo bem?

Era obvio que está tudo bem... Só que... Meu deus. Eu estava diante DELE!

-- Estou sim. Fiquei avoada e estou atrasada para aula.

-- Oh, me desculpe, senhorita. Eu que... – ele gaguejou de uma maneira tão linda e sexy que continuava a babar por ele. – Também me distrai na rua.  Não foi minha intenção.

-- Tudo bem. – Eu falei. E resolvi me arriscar com que tinha a oferecer. — Olha, hoje eu saio cedo da aula, pois são vésperas de férias. Gostaria de ir comer um sanduíche e tomar uma soda comigo?

Será que ele vai aceitar meu convite? Ai meu deus. Quanta hesitação. Já começava a ficar frustrada quando recebi a resposta.

-- Sim, eu adoraria sim. Não tenho nada pra fazer mesmo neste dia. Eu te espero ali naquela árvore assim ninguém me reconhec... Err...  Quer dizer... Ninguém vai me ver, não é? Eu te espero ali até a hora da saída.

Percebi que ele tentou disfarçar, mas permiti. Vou revelar a verdade no encontro.

-- Ok. Saio às 10h30min da aula. Até mais, “rapaz misterioso”.
-- Me chamo George H... Errr... Só me chame de George. E a senhorita é...?
-- Suzan Hardison. Só Suzan. Preciso ir. Até depois.
--Até depois.

Corri direto pra sala. Estava disposta a contar tudo para Rosie e Jane. E sem levantar suspeitas para os outros alunos que vou sair com... George Harrison, meu George.




--CENAS DO PRÓXIMO CAPITULO
No Liverpool High Grammar School
(Suzan): --Eu vou sair com George Harrison!
(Rosie e Jane):-- O QUE???
(Professora de História): -- Quietas todas vocês!

No estúdio de gravação do próximo single
(George Harrison): -- Não conta pro Brian. Eu vou sair com um broto lindo.
(Ringo Starr): -- Ah é? Aposto que é a Pattie Boyd. Afinal ela deu muita chance para você.
(George Harrison): -- Não é com a Pattie. É uma garota de Liverpool.
(Ringo Starr): -- Cara, cuidado com essas garotas. Elas querem sair com nós porque somos famosos.
(George Harrison): -- Eu sei, cara. Mas essa garota é bem linda. Eu quero apenas uma chance de...
(Brian Epstein): -- Uma chance do que mesmo, George?

Será que o encontro vai por água abaixo???

Continua...

George (poesia)

Foi escrita um dia depois do aniversário do George Harrison. E hoje no Invasão Britânica, dedico a ele essa poesia e um video que eu mesma fiz há dois anos atrás, quando o Movie Maker tinha os comandos simples no Windows XP.


 
George__ Maya Amamiya
 
Nosso dia de sol não dura muito
O tempo de chuva também fica por mais um período.
Mas sei que tudo um dia
Passará num instante.
Tudo irá embora.
Até mesmo amigos valiosos...
Amigo John...
Você pregou o sentido claro do amor nas pessoas
E ainda assim te trataram como um cachorro.
Por todos esses anos.
Não havia dia que seu humor salvava o dia.
Ou quando um comentário nos fazia pensar.
Te envio essa oração.
Para esse novo mundo que estás.
Vejo os primeiros raios de sol
Depois de um longo inverno
E pequenos pedaços glaciais no chão,
Enfim o sol derreterá, querida.
Calço meus velhos sapatos marrons,
Observo o mundo no topo do céus,
 Enquanto minha guitarra gentilmente chora.

 
Inara Araujo__ Maya Amamiya
 
 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Love Ain't For Keeping (fanfic)

Oi gente do Invasão Britânica. Resolvi passar uma fanfic de uma banda que adoro, The Who. Essa oneshot é universo alternativo e tem Pete Townshend como protagonista. É bem gostosa de ler, um romance que vale a pena ser conferido. Em breve mais fics de bandas britânicas. Até mais!


Love Ain't for Keeping__ Maya Amamiya

Nas ruas geladas de Londres, todos os bares e clubes possuíam um som alto do rock e do blues. E uma platéia agitada. Praticamente não havia ninguém perambulando por ali... Com exceção de uma pessoa.
Seus olhos azuis pareciam vazios e quase sem vida alguma. O cabelo desgrenhado era resultado de suas noites mal dormidas e as roupas totalmente amassadas. Os mendigos quando o viram, acharam ser uma assombração ou outro indigente. Mas quem ligaria para um rapaz que tinha tudo num momento e no outro ficou sem nada? Esse era o seu dilema.
Pete caminhava em círculos por toda Sheperd’s Bush em busca de suas respostas. Sua família lhe dava pouco apoio, seus dois irmãos menores, Paul e Simon, eram suas companhias, mas assim mesmo não conseguiam compreender o irmão mais velho e suas idéias. Para eles, tudo que Pete dizia era um absurdo. Seus únicos amigos pertencem a uma banda. Roger, John e Keith sempre agüentaram suas crises. Naquele momento Pete não estava nem um pouco a fim de compartilhar com eles e com ninguém mais.
Olhou para o céu noturno com a lua cheia, bela e cintilante. A noite é perfeita. Perfeita se estivesse com ela. Sua musa. Trocara Karen, sua primeira namorada por outra. Uma garota mais inteligente, mais sofisticada em termos de doçura e educação. A linda garota se chama Athena. O nome da famosa deusa de sabedoria. Conheceram-se na aula de Desenho Gráfico e descobriram algo em comum: o amor pela música. Das mensagens de texto trocadas por celular até para altas conversas na internet. A amizade virou amor. Um amor ardente cresceu no peito de ambos.
“Sou um tolo. Um maldito tolo!”, resmungou Pete, sentado perto da ponte. Mais uma vez as lembranças de uma tarde de verão se colocaram em sua mente como um filme dramático. O dia em que Athena terminou tudo.

Flashback ON
–- Sinto muito, Pete. Não posso continuar assim. – Ela disse, transbordando lágrimas em seus belos olhos claros.
–- Não pode fazer isso comigo. Preciso de você, Athena. Eu preciso de você, eu quero você! – Logo em seguida abraçando a garota por trás para impedir sua partida.
–- Para o nosso bem é melhor encerrar por aqui. Sou complicada demais para você. Adeus, Pete!
–- Athena, não vá!
Pete correu até o ônibus que a garota embarcou, mas foi em vão. Athena partiu e nada podia trazê-la para Londres.
Depois veio a queda, as falhas e o isolamento. Até alimentou pensamentos suicidas e tentativas mal sucedidas de enforcamento. Todas impedidas por seus pais e amigos.

Flashback OFF

Ele abriu devagar os olhos e mais uma vez contemplou as ruas e a lua. Decidiu dar um último suspiro e apenas um passo ele caiu ponte abaixo. Não se importou sem um pouco se seus pulmões iriam suportar a entrada da água e não poder respirar ou se seu corpo boiasse no Tâmisa. Pete queria terminar com sua vida, nada mais lhe importava!
A água gelada não o afetou e deixou tudo flutuar. A correnteza podia levá-lo a qualquer lugar. Por uns instantes sua mente se desligou, permitindo a chegada da morte... Até alguém fazê-lo emergir e ser trazido de volta a terra firme. O jovem desenhista não compreendeu. Quem o salvou? Enquanto buscava respostas, sua boca era invadida por outra, mais delicada e decidida em salvá-lo. Depois de cinco tentativas de salvação, Pete expulsou com dificuldade toda água que absorveu nos pulmões. Ainda tossindo, conseguiu enxergar seu salvador. Ou melhor, sua salvadora.
–- Athena. – Suspirou Pete e começando a tremer pelo frio.
–- Me perdoa, Pete. Se chegasse mais um pouco atrasada perderia você. Eu contrariei todos e decidi: eu quero você ao meu lado.
Ao dizer as últimas palavras, o rapaz puxou o rosto da amada para um beijo cheio de paixão e com doce de reencontro.
Athena levou Pete para a casa de sua avó, que aceitou o jovem hóspede em consideração da neta. Depois dos cuidados médicos, Pete foi dormir ao lado de sua musa. Fizeram amor naquele quarto tão aconchegante. Seus corpos e almas se uniram num só. O amor está reinando sobre eles.
–- Me prometa uma coisa: Não me deixe mais, Athena.
–- Prometido. E você promete não se matar?
–- Por você eu prometo tudo, meu amor.
Aquela noite, embora torturante da saudade, teve um encerramento sem tragédias.


Lay down my darling
Love ain't for keeping
(Deite-se minha querida
Amor não é para guardar)


FIM