domingo, 28 de agosto de 2022

Sweet Young Thing (Shortfic What if)

 Boa noite pessoal!

Mais uma da sessão what if casais improvavéis. Devo dizer que adoro ver o quanto Mike Nesmith é shipado com as personagens e hoje vamos trazer ele com uma que já vimos em We Belong Together na primeira temporada. É curtinha, mas gostosinha de ler. Boa leitura!



Sweet Young Thing __ Maya Amamiya


O que aconteceria se Mike Nesmith e Louise tentassem um romance?


O pior mico para Louise é sair de casa com uma tremenda alergia no rosto por conta de um creme dito cujo prometendo deixar sedosa ao primeiro contato e depois conhecer os novos amigos de seu amigo de infância.

 A primeira vista Mike achou Louise um tanto mimada e surtada. Apesar da alergia que deixou o rosto avermelhado e algumas feridas, ele não deixou de notar o quanto é bonita. O que o separa é o jeito mimado e a idade. Louise tinha 16 anos.

 Na segunda visita, já recuperada da alergia, Louise deu aquela ajuda para seu amigo em promover um vídeo de She Hangs Up. Desta vez Mike pôde observar a adolescente e de novo não faria nada. Eles já trocaram palavras e nada mais que isso. Entretanto...

 -- Você tem namorada, Nez? – Perguntou Louise, curiosa.

 -- Não. – Ele respondeu sem cerimônia. – Mas você é novinha, Louise. E é amiga do meu amigo.

 -- Eu te espero nos meus 21 anos. – Ela sorria bem sapeca.

 Mike não respondeu e também não levou fé. Mas quando Louise completou 21 anos, ele se lembrou da promessa. E foi cobrar justo no camarim.

 -- Nesmith? – Disse um tanto surpresa.

 -- Você prometeu. E eu vim.

 Ela só tinha 5 minutos para as cortinas serem levantadas e um beijo foi o suficiente para dar uma pequena chance.

 -- Mike, sai daqui! Louise precisa estar no palco. – Mandou Odile, já devidamente vestida.

 Mike sorriu e foi se sentar ao lado de Davy. Ele já tinha visto Louise atuar, mas nunca daquela forma cheia de espírito e paixão. Para uma personagem masculina no qual a amiga de Davy interpretava estava muito bom. 

                           And it's love you bring

No, that I can't deny

And with your wings

I can learn to fly

Sweet young thing

 

FIM


domingo, 24 de julho de 2022

X-Brit: Old Brown Shoes

 Olá pessoal!

Como estamos no mês do rock, decidi apresentar uma banda que (quase)constantemente é mencionada. É a Old Brown Shoes, o super grupo beatle que Karin Townshend fundou para participar da Beatleweek. Vamos conhecer este super time formado por filhos das bandas como The Who, The Monkees e The Byrds.

Mila Kunis - Karin Townshend

Karin Marie McGold Townshend nasceu no dia 24 de julho de 1989 em Londres. 

Ela nasceu totalmente com o dom musical tanto de seu pai quanto de sua mãe. Na infância começou a dançar balé ao lado de sua prima, Olga mas acabou parando aos 18 anos por sofrer com a constante pressão e adquirir diversos machucados e cicatrizes no corpo, ao mesmo tempo adquiriu uma postura hipocondríaca.

Com o abandono do balé, ela decidiu se entregar a música, aprendendo a tocar guitarra e outros instrumentos e sua principal influência são os Beatles. Não é a toa que ganhou um presente inestimável: contrabaixo Hofner, por Sir Paul McCartney. E além disso é afilhada de Brian Wilson.

Com sua ida para Liverpool estudar música, ela aumentou sua paixão pela banda e montou o super grupo beatle chamado Old Brown Shoes, formado por ela no baixo, Peter Watson-Hillman na guitarra solo, Jason Nesmith na rítmica e Christian Dolenz na bateria. Com tempo, Karin mudou a posição no grupo, ficando ela na guitarra e Peter no baixo. Na carreira, Karin lançou muitos discos solo, um deles Girl On Girl de 2013 se tornou seu xodó por ser uma confissão de sua bissexualidade. O quarto albúm da guitarrista chamado "The Time of Revolution" mostrou seu forte posicionamente político e sarcasmo aos políticos incluindo uma dura crítica a aquele-que-não-deve-ser-nomeado (me recuso a falar o nome do presidente do nosso país) no Brasil. Até os primeiros ministros da Grã Bretanha não escapou de suas palavras. Karin casou com Noel Beckenbauer em dezembro de 2014, e assim como a mãe, colecionou amores. Os mais notórios são Dougal Smith, Wolfgang Müller, Sebastian Hobbes e até Remy Platini filho do ex-jogador da Juventus Michel Platini e o mais conhecido, Nikolai Entwistle, seu primeiro amor. Karin puxou o talento nato de seu pai, Pete Townshend e inclusive, gravou com ele uma espécie de continuação da música Rael, intitulada "Rael Final Chapter". 

Douglas Smith - Peter Watson-Hillman

Peter Anthony Watson Hillman nasceu dia 6 de fevereiro de 1985 em Los Angeles, nos Estados Unidos. A data coincide com o lançamento do disco The Gilded Palace of Sin do Flying Burrito Brothers. Ele se formou em Regência e Composição em 2007 na Universidade de Londres e a convite de sua amiga Karin Townshend, formou com ela a Old Brown Shoes para participar da Beatleweek. Na primeira tentativa em 2009, eles não conseguiram por conta das provas da faculdade de Karin e dois membros da banda caíram fora sem motivo aparente. Em 2010 antes da Copa do Mundo, Peter recrutou Christian Dolenz, filho de Micky Dolenz e Suzan Hardison e de novo não conseguiram por causa da saúde da líder Karin. 

No ano seguinte com a entrada de Jason Nesmith, muita coisa mudou. Peter, um baixista discreto tanto para seu trabalho quanto para sua sexualidade, teve sentimentos por Jason, sentimentos além da amizade e com tempo se apaixonou pelo guitarrista. Com medo de ser rejeitado pelo amigo, Peter compôs a música Intensive, uma explícita declaração de amor para o amado. Ao mesmo tempo que o amor sorriu para os dois, Peter enfrentou outro problema chamado ciúme por ver Jason com Cecília Jones. Após a vitória na Beatleweek, Peter se afastou da banda para se dedicar no seu disco solo. Após o lançamento, ele e Jason Nesmith se reaproximaram e ele pediu perdão para Cece. 

Peter vem de uma família altamente musical. Puxou a aparência serena do pai e os olhos azuis e dom das palavras da mãe. Ele tem mais 4 irmãos, Mickie a mais velha (com quem Jason namorou um tempo), Nicholas e os teens Emília e Graham.

Guilherme Leicam - Jason Nesmith

Jason Harold Carlisle Nesmith nasceu em 16 de setembro de 1976, em Los Angeles, Califórnia. Quando ele tinha só quatro anos, sua família se mudou para Londres, Inglaterra, onde nasceram os seus irmãos. Ele é uma mistura perfeita de seus pais, na aparência e na personalidade. Do pai, ele herdou a intensa paixão pela música e o jeito tímido. A única forma de se abrir é, como ele gosta de dizer, “fazendo a guitarra chorar”. Da mãe, herdou o amor pela vida e a devoção aos amigos e às pessoas amadas.
    Desde que tinha três anos, o passatempo preferido de Jason era ficar assistindo enquanto o pai tocava. Fascinado, o garoto decidiu que era isso que ele faria da vida. Ele seria um músico, como seu pai. Percebendo que o filho menor tinha mais aptidão para a música do que o mais velho, Nez Jr., Nez Sr. decidiu incentivar Jason, e ele mesmo ensinou ao menino tudo que sabia sobre música. Quando Jason fez 18 anos, ele foi estudar Música, Composição e Regência na Universidade de Cambridge, que foi onde conheceu uma das mulheres que marcaram sua vida, Suzanne Rain.
    O primeiro amor de Jason foi Rosemary Simon, filha da atriz Alberta Mann com o cantor e compositor Paul Simon. Os dois estudaram na mesma escola, e namoraram do primeiro ao segundo ano do ensino médio. Nesse tempo, a Old Brown Shoes, banda inspirada pelos Beatles e composta por ele na guitarra-base, Peter Watson-Hillman na guitarra rítmica, Karin Townshend no baixo e Christian Dolenz na bateria já estava se formando. Jason entrou para a banda por intermédio de seu amigo de infância, Christian, e Karin e Petey o aprovaram.   Depois de terminar com Rosemary, Jason ficou solteiro por quase um ano, até se envolver com Nicole Müller, filha de uma das amigas de sua mãe, Alice Stone. Contudo, tudo foi por água embaixo, devido a um erro de Jason. Numa festa, ele ficou com Sheila Dolenz, uma das filhas de Micky Dolenz, um dos melhores amigos de seu pai. E Jason e Sheila acabaram repetindo a dose outras vezes, até que Nicole descobriu tudo e terminou com ele. Sheila ficou queimada com os Müllers, e Jason também. Todos disseram que a velha história de Mike Nesmith e Alice Stone se repetiu.
    Jason se arrependeu amargamente do que fez, e jurou a si mesmo que nunca mais cometeria esse erro. Foi quando ele ganhou todo o apoio de seu  amigo Peter, e descobriu nele a sua alma gêmea. Petey e Jason começaram então uma relação intensa e apaixonada, marcada por altos e baixos. Quando a Old Brown Shoes foi chamada para trabalhar na trilha sonora numa montagem teatral do musical Hairspray, Jason reencontrou sua antiga colega Suzanne Rain, e se envolveu de maneira diferente com ela. Eles se apaixonaram, o que deixou Henry Jones, cuja amizade com Suzy já estava bem abalada, muito ciumento. Por um tempo, Henry, que sempre gostou de Jason, parou de falar com ele. Só voltaram a se falar quando Jason e Suzy terminaram, deixando o caminho livre para Henry.
    Somente em 2008 as coisas voltaram a melhorar para Jason no âmbito amoroso. Foi quando ele começou a conhecer melhor Cecilia Jones, após vê-la ir embora chorando da festa que a irmã gêmea dela, Rebecca, deu para comemorar o nascimento de seu primeiro filho, Harrison. Preocupado, Jason iniciou uma aproximação de Cecilia quando os filhos dos Monkees se reuniram para prestar uma homenagem aos seus pais, regravando o clássico episódio da série The Monkees, Fairy Tale. Após muita hesitação de Cece, que ainda julgava amar Joey Townshend, e muita oposição de Petey, que temia que Cece fosse arrancar Jason dele, finalmente ela e Jason se acertaram. Hoje, eles são casados e têm uma filha de seis anos, chamada Maisie.  Jason atua na série We Belong Together, interpretando o Arquiduque de Houston e esteve na primeira temporada da série Os Agentes da UNCLE, atuando como aliado dos espiões protagonizados pelos irmãos Müller, Thomas e Heinrich, rendendo um Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Série e o prêmio Melhor Beijo (com Cece Jones) e Melhor Cena de Luta no MTV Movie Awards no filme de aventura Viagem no Tempo em 2015.

Matt McGorry - Christian Dolenz

Christian Michael Hardison Dolenz nasceu no dia 31 de janeiro de 1971 em Los Angeles, nos Estados Unidos e é o segundo filho de Micky Dolenz e Suzan Hardison. O nascimento de Christian rendeu uma história no mínimo engraçada, com Suzan lançando segundo livro "As Aventuras de Marceline Dodger" e no meio da festa de lançamento, entrou em trabalho de parto, sendo auxiliada pelas amigas Rosie, Jane e Elena e também de Dianna Mackenzie, Emma Carlisle e Erin Hudson. Micky estava em turnê e quando Davy anunciou o nascimento do menino, Micky surtou, desmaiou, acordou e correu até o hospital. 

Do mesmo modo que o pai, Christian construiu sua carreira na televisão, participando de inúmeras séries infantis e nos filmes. Aos 18 anos protagonizou seu primeiro filme, "As Aventuras de Johnny Finn", a adaptação do primeiro livro de sua mãe e dois anos depois contracenou com Rebecca Jones a continuação direta, na personagem Marceline Dodger, no qual resultou na paixão por sua colega. 

Christian também puxou outra característica de seu pai: ele é hiper, mega e ultra apaixonado por todas as filhas de Felicity McGold, sem nenhuma exceção. A única que o correspondeu foi Karin Townshend e ainda sim foi casual. Em 2014 Christian deu um tempo na Old Brown Shoes, mas colocou seu irmão caçula Jamie no seu lugar, para se dedicar as gravações da cinebiografia de Felicity McGold e na série We Belong Together, interpretando o Visconde de Liverpool. Christian tem mais 4 irmãs. Jane Roselyn a mais velha, Ami, Georgia (fruto do breve relacionamento de Micky com Emma) e Sheila. 

That's Entertainment (Songfic Grindhouse)

 Boa noite pessoal!

Mais uma vez uma songfic e a ideia partiu de uma música do The Jam, quando ouvi a trilha sonora de Magnatas do Crime. Inspirado um pouco no filme, escrevi a songfic McTownshend. Boa leitura!


That’s Entertainment __ Maya Amamiya

 Não era um arrombamento qualquer. Ou invadir o Met ou bancos internacionais. Para Pete Townshend era adrenalina de destrancar os mais poderosos cofres, desativar alarmes e roubar qualquer coisa. E também trata-se de ganhar mais. Vencer quem fosse. A consequência foi que a polícia está em seu encalço. E graças aos “padrinhos” do crime, ele soube se mesclar na multidão. Um homem rico outrora um larápio. Ele era o rei...

 

A police car and a screaming siren
A pnuematic drill and ripped up concrete
A baby wailing and stray dog howling
The screech of brakes and lamplights blinking
that's entertainment

(Um carro de polícia com uma sirene barulhenta
Uma Britadeira pneumática rasgando o concreto
Um bebê chorando e o uivo de um vira-lata
O barulho dos freios e as lâmpadas de um poste piscando
Isso é entretenimento)

 Ela não era uma Cleópatra pra ter um Cesar em sua vida. Não era uma Brigitte Bardot pra ter os homens aos seus pés. E tampouco uma Cinderela que precise ser salva por um príncipe e encaixar seu pé no sapatinho de cristal. Felicity McGold nasceu um berço de ouro. Não era loira. Cabelo preto, longo e a pele branca como a neve. Ela não quer ser considerada uma Branca de Neve. Ela já tem seu próprio reinado.

 

A smash of glass and the rumble of boots
An electric train and a ripped up 'phone booth
Paint splattered walls and the cry of a tomcat
Lights going out and a kick in the balls

that's entertainment

(O vidro sendo esmagado e as passadas de uma bota
Um trem elétrico e a destruição de uma cabine telefónica
Os muros pichados e o choro de um gato
Luzes se apagando e um chute nas bolas

Isso é entretenimento)

 

Seria mesmo o universo conspirando a favor ou contra um deles, ou contra os dois ao mesmo tempo? Talvez no livro O Alquimista não previa esse encontro. Duas mentes aguçadas e apaixonadas pelo perigo se viram. Pete nunca vira algo semelhante como Fefe. Ela trajava seu vestido verde, sandália salto alto e o cabelo preso. Se aqueles brincos de cristal fossem verdadeiros ele a roubaria sem ser notado. Para o azar dele, sentiu uma mão em seu joelho na mesa do jantar. Era ela.

 

-- Meus brincos não são verdadeiros. – Ela sussurrou e deslizou a mão até o meio das pernas. – Não brinque com fogo.

Pete não se deu por vencido. Tocou a mão dela, tão macia e perfumada. E a encarou.

 

-- Não ouso.  – Disse. – Mas quero conhece-la.

 

Days of speed and slow time Mondays
Pissing down with rain on a boring Wednesday
Watching the news and not eating your tea
A freezing cold flat and damp on the walls

that's entertainment

(Dias rápidos e as segundas feiras lentas
O mijo descendo com a chuva e as quartas feiras tristes
Assistir as notícias e não tomar seu chá
Um apartamento frio e a humidade das paredes

Isso é entretenimento)

 

Aqueles dias desde o jantar na casa de um don italiano eles só pensavam um no outro. Seus amigos Roger, John e Keith, seus companheiros de roubo perceberam esse ar sonhador de Pete. E a dama do crime que protege mulheres que sofrem violência doméstica nunca se viu inquieta por um homem diferente. O que chamava atenção era o nariz dele. Ela riu e gostou.

 

Waking up at 6 a.m. on a cool warm morning
Opening the windows and breathing in petrol
An amateur band rehearsing in a nearby yard
Watching the tele and thinking about your holidays

that's entertainment.

(Acorda as 6 da manhã em uma manhã fria
Abrir a janela e respirar gasolina
Uma banda amadora ensaiando num terreno próximo
Assistir a televisão pensando no seus feriados

Isso é entretenimento)

 

Próximo roubo era um cassino antigo em Shepperd’s Bush gerenciado por um alemão ganancioso. Roger cuidaria dos sistemas de proteção, Moon era cozinheiro e teria acesso área de serviços gerais. John estava pronto de entrar no cassino e Pete era o apostador disfarçado. Enquanto distraía os seguranças com sua sorte em ganhar todas na roleta russa e no pôquer, ninguém notário alguém trocando o quadro do Klimt, sendo substituído por uma réplica perfeita. Depois do roubo e extorsão, os rapazes comemoram. Pete estava com sono. Ele dormiu sonhando com sua musa...

 

Waking up from bad dreams and smoking cigarettes
Cuddling a warm girl and smelling stale perfume
A hot summers' day and sticky black tarmac
Feeding ducks in the park and wishing you were faraway

that's entertainment

(Acorda de um pesadelo e fumar uns cigarros
Acariciar uma garota e sentir seu perfume amanhecido
Dias quentes de verão e o asfalto preto grudento
Alimentar patos no parque e desejar estar longe dali

Isso e entretenimento)

 

Ela finalizou mais um serviço na mesma noite que Pete e seu bando roubavam o cassino alemão. O golpe milionário aplicado num magnata americano de Tucson rendeu salários para suas comandadas e salvamento da esposa e o filho no qual sofriam maus tratos nas mãos dele. Não era furto, era utilidade pública. Ela é Robin Hood que salvava mulheres e dava dinheiro para os pobres. Ela não era má. Ela fazia justiça quando necessário. Na noite seguinte encontrou seu amado ladrão narigudo.

 

-- Eu disse que pegaria o Klimt. – Disse ao mostrar a polaroid com o quadro.

 

Fefe adorou. Os dias que se passaram só mostrou o que ambos tinham em comum. Adrenalina. Saíram juntos, caminhando alegremente na rua, gracejando e declamando palavras que só eles interpretavam.

 

-- Ação é tudo. – Disse Fefe, abraçando no amado.

 

-- Isso é entretenimento. – Ele finalizou com um beijo.

 

Two lovers kissing amongst the scream of midnight
Two lovers missing the tranquility of solitude
Getting a cab and travelling on buses
Reading the grafitti about slashed seat affairs

that's entertainment

(Dois amantes se beijam perto da meia-noite
Dois amantes sentindo falta da tranquilidade da solidão
Pegar um táxi e viajar de ônibus
Ler os grafites sobre negócios escrito nas cadeiras

Isso e entretenimento)

 

 

FIM





domingo, 19 de junho de 2022

Dearest (Oneshot Grindhouse)

 Boa tarde pessoal!

Ontem foi o aniversário do Paul McCartney e escrevi uma fanfic no celular, mas só agora estou postando e acrescentei mais uma coisa. Peguei como base a confusão ocorrida no aniversário dele. Espero que gostem!


Dearest__ Maya AmamiyaE

Era 1963 e começou a chover em Londres. Felicity se acordou com o barulho da chuva e quando se virou, seu namorado já não estava mais ali. Reclamou internamente como aquela banda grava muito até num dia chuvoso e barulhento dos trovões.

 Se lembrou que teria de pegar o bolo encomendado na confeitaria e preparar a mesa. Logo seu namorado chegará…

 O estúdio comemorava o aniversário de Paul McCartney. Embora fosse simples, mais tarde será feito na casa da tia de Paul, que cedeu gentilmente a festa no jardim dos fundos da casa. Paul queria convidar Fefe, entretanto temia o que os outros diriam. Apenas a banda sabia da relação deles. Antes de falar algo, John o puxou para irem na casa da tia do aniversariante. Ele não teve chance de continuar sua ideia…

 Sete da noite e Fefe terminava os pequenos enfeites de aniversário e o bolo posto na mesa. Ela e Paul planejavam uma comemoração a dois. Só que ela não contava que haveria uma festa…

 Eram muitos convidados naquele jardim. Uma galera oriunda de Mersey e que empresariados também por Brian Epstein, foram desejar parabéns a Paul. E o baixista ainda sentia um aperto em seu coração…

 – Eu não acredito que fez isso. Ainda mais na chuva. – Nora Smith colocava os pratos e os talheres.

 – É por uma boa causa. – Garantiu Fefe.

 – Ok. Eu vou pra sarjeta pra deixar vocês dois juntinhos no nosso apartamento. – Falou em tom de brincadeira e choro.

 – Nora!

 – Tudo bem.

 Quase dez da noite e Paul ainda dava atenção aos convidados e ao mesmo tempo não percebeu algo com John Lennon. Ele estava triste e bebia excessivamente. Caminhando de um lado pra outro, ora rindo das pessoas, ora sendo hostil. Depois ele passou por Bob Wooler, o disk jockey do Cavern Club e muito conhecido por auxiliar na divulgação das músicas não só dos Beatles, como também de outras bandas de Liverpool. Apesar dessa convivência, o DJ não era lá muito confiável, com seu sarcasmo denunciando uma falsidade sem tamanho. Ele estava bem bêbado e ao avistar John, iniciou uma provocação.

 – Então Lennon, como é estar com Brian na Espanha?

 John se virou pra ele.

 – O que disse?

 – Todo mundo quer saber. E ainda não acredito que sua mulher não diz nada.

 – Sobre Brian ele é um amigo. Empresário e amigo das bandas.

 – Ah tá.. e escondendo uma paixão por você. E até suspeito que você corresponda.

 Aquilo foi demais para o beatle. John socou forte Bob na frente de todos os convidados. Lennon o empurrou para o portão e não satisfeito, pegou uma pá localizada no jardim e surrou o DJ com o cabo. O pobre homem se defendia e apanhava mais tendo seus dedos bem machucados. E poderia ter morrido com espancamento se não fosse alguns integrantes de bandas segurarem Lennon.

 – Eu ainda vou matar o Bob. – Berrava o beatle alcoolizado.

 Paul, George e Ringo se lamentavam do amigo. E Cynthia mais ainda. Depois dessa Paul se afastou do burburinho e se sentou nos degraus da casa da tia. Foi aí que a viu ali, esperando por ele na entrada…

Fefe esperou demais e só percebeu que Paul estava numa festa quando Bill Harry, o editor do Mersey Beat, passou no apartamento da galesa, achando que ela e Nora já sabiam disso e pretendia levá-las.

 – Festa? Não sabia. George não me contou. – respondeu Nora chocada.

 Fefe, que antes estava brava com Paul pelo atraso, agora soube da verdade.

 – Aguarde uns 5 minutos Harry.

 Elas se arrumaram e Bill as levou. De cara viram John Lennon agredindo alguém e depois a ambulância levando a vítima.

 – Mal chegamos e temos uma confusão daquelas… – comentou Nora.

 Lennon ainda segurado por Billy J. Kramer, continuou a falar todo estranho e enrolado.

 – Olhem só quem está aqui. – Ele gritava e se sacudia um pouco e apontou para as convidadas. – A galesa e a escocesa! As namoradas do Paul e do George!

 Imediatamente a atenção voltou para as duas. Todos observavam a dupla de amigas e muitos admiraram elas e outros diziam o quanto os dois Beatles eram sortudos. Novamente Lennon e Cynthia foram auxiliados e finalmente foram embora. Os convidados aos poucos se retiraram da casa e pediram desculpas. Paul era o mais prejudicado. Seu aniversário estragado e seu relacionamento revelado.

 – Me desculpa Felicity. – Paul segurava a mão da namorada e a olhava triste. – Devia ter contado antes…

 – Tudo bem. – Respondeu resignada. – Estou no lugar errado.

 – Mas no dia certo.

 Ele a puxou para um beijo gostoso e acariciando o rosto delicado da galesa.

 – Estou com medo de magoar você. – Fefe ainda tinha medo do futuro.

 – Eu não quero quebrar seu coração. A partir de hoje quero que seja só minha!

 – O pessoal não gostou de saber que sou sua namorada. – Disse e riu nervosa.

 – Não tô nem aí o que pensam. – Paul ainda a olhava fascinado. – Estou com a melhor garota do mundo. E a mais bonita. A minha musa inspiradora.

 Felicity sorriu e beijou mais seu amado.

 – Acho melhor colocar outro apelido em mim.

 – E como devo te chamar?

 – "Fefe" no dia a dia. "Meu desejo" quando estamos na cama. E "Lover" quando mostrar incrivelmente apaixonado.

 – Ah! Gostei!

 De perto George e Nora assistiam seus amigos juntos e também se beijaram. Paul agradeceu a tia e seguiu para o apartamento das garotas, onde viu uma mesa completa. Bolo, quitutes, pratos. Tudo pronto e simples. Paul adorou demais.

 – Posso ir com vocês? – Perguntou Ringo, bem perdido.

 – Não! - Respondeu Nora, brava. – Vaza daqui.

 Ringo fez uma cara de criança triste e em seguida foi puxado pela escocesa e George.

 – Estou brincando. Vem com a gente!

 Os cinco seguiram para o apartamento, comeram o bolo e beberam e riram da situação que se deu. Fefe pegou o violão e dedilhou as notas de Dearest, do Buddy Holly. Paul adorava Buddy Holly e cantou junto.

 

Dearest - though you're the nearest to my heart
please don't ever - umm ya
ever say we'll part

You scold and you were so bold
yes together - umm ya
our love will grow old - umm ya
our love will grow old

You may be a million miles away
please believe me - umm ya
when you hear me say
I love you - I love you

Come home - keep me from these sleepless nights
try my love again - umm ya
I'm gonna treat you right - umm ya
I'm gonna treat you right

 Paul McCartney nunca esqueceu Felicity McGold em todos esses anos. O tempo mostra que o amor ainda permanece. Mesmo com outras pessoas, seu sentimento ainda é recíproco. E tudo isso foi provado em seu aniversário.

    FIM




domingo, 29 de maio de 2022

Rush 2: Amor a toda prova (4º Capítulo)

 Boa noite pessoal!

Hoje teve a corrida da Fórmula 1 e na vibe escrevi o novo capítulo de Rush 2. Boa leitura!


Capítulo 4: O que acontece em Mônaco, fica em Mônaco

 

 Freddie POV

 Acordei com a porta abrindo subitamente com a entrada do Oskar.

 -- Acorde! – Ele me batia com o travesseiro e puxou rápido o cobertor. – Anda! Temos que trabalhar. A próxima corrida será em Mônaco!

 Mônaco! Abri os olhos e lembrei da melhor pista da Formula 1. A pista onde o Senna ganhou do Prost. Há anos desejava correr e vencer nas melhores.

 --Vamos Freddie! Tem que ir para academia.

 Depois de muito protelar finalmente saí da cama e fiz tudo naquela manhã. Entretanto na academia não conseguia me exercitar. Ainda pensava na Mia, no que aconteceu da treta. Pensava no Noel, principalmente nele. Fui um babaca com ele. Não rendi bem. Voltei pra casa cedo. Apesar dos treinos ainda não era a corrida. Então aproveitei em viajar para Alemanha e assisti jogo do Bayern com os Maiers. Esperei Noel ir para o vestiário.

 -- Você! – Disse Noel.

 -- Oi! – Sorri e tentei abraçar ele. Noel recusou. – Podemos conversar?

 -- Vai me mandar pro inferno, me xingar ou algo pior?

 -- Não. – Ainda me sentia mal pelo que fiz. – Quero pedir desculpas pelas coisas que disse. Você é meu amigo mais antigo além dos Maiers.

 -- Se sou seu amigo, por que disse que dou azar pra você?

 -- Estava com raiva de você, do Tommy, de todo mundo e da Mia. Ela está na melhor scuderia e eu tô numa mequetrefe que não vence desde os tempos do Ayrton. Eu tô ralando muito pra vencer.

 -- Eu também Freddie. Mas diferente de você, não vejo o que você vê na Mia. Uma rivalidade. Fico puto quando querem que eu seja como meu pai e me colocar como capitão do time e no final jogam elogios no Tommy.  Eu deixo que falem porque é verdade. E até melhor que a responsabilidade caia no Tommy. Assim me deixam em paz.

 -- Calma, Noel. – Tentei convencê-lo disso. – Você é o melhor jogador do time.

 -- Que melhor jogador é esse que não ganha uma Bola de Ouro? Uma chuteira de ouro, prata ou bronze? Que jogador é esse que ganha um prêmio Puskas? Que jogador é esse que faz gol contra 3 vezes em times diferente e cito eles. Dortmund, Hoffenheim e Gladbach.

 -- Acontece com todo mundo. Eu mesmo não sou vencedor e serei. Noel, eu assumo que foi um idiota. Me perdoa?

 -- Tá bom. Mas terá de assistir os jogos. Não todos, mas quantos puder.

-- Você estará me vendo no Les Mans?

 -- Sim. Pra ver a Mia e você.

 Sorri e dei um beijinho no rosto.

 -- Minha próxima corrida é em Mônaco. A pista que amo.

 -- Estarei de férias e logo verei vocês.

 

 Mia POV

 -- VÁ SE FODER SCHUMACHER!

 -- Isso prova que sou melhor que você. Só tá aqui pelo papai campeão do mundo.

 Mostrei o dedo do meio pra ele e a equipe de bundões. Cada dia é pior em trabalhar com pessoas que não gosta e um colega piloto idiota. Pareço Senna e Prost na época que corriam pela MacLaren.

 

FLASHBACK ON

 Era 1991. Tinha 20 anos e cursava Engenharia Mecânica. Assistia a corrida na arquibancada de Mônaco com minha mãe, meu padrasto e meu pai com pequeno Matthias. Adorava acompanhar a competição em alta velocidade. Tinha meus pilotos favoritos. Rosberg, Mansell, Nakajima, Berger. E um piloto que odiava: Prost. E nos últimos finalmente notei um que se destacava desde o final dos anos 80 e só agora prestei atenção nele. Um piloto novato brasileiro chamado Ayrton Senna.

 E naquela corrida o brasileiro venceu. Foi emocionante. Foi no box que nos conhecemos. A aura de tímido, concentrado e sensível foi que me atrai nele. Apesar dos gracejos do Prost, minha atenção era só nele. Foi um ano incrível para nós. Meu pai não aceitou bem, mas minha mãe e papa Mickey aprovaram. Namoramos até o ano seguinte pois ele estava gostando de outra. Nosso fim de namoro foi o mais tranquilo que tive. Quando disse que seria pilota, Senna sorriu.

 -- Não deixe que os outros ditem o que faz ou o que não é pra ser. Seja você. E sei que será melhor do que eu.

 Foi uma das coisas mais lindas e motivadoras que ouvi. Nos falamos por cartas... até 1994. Em San Marino tudo mudou...

 

FLASHBACK OFF

 

Me afastei do lugar e chorei. Não por raiva do alemão filho da mãe. E sim da última vez que vi Ayrton.  A morte dele me destruiu por completo. Daquele dia em diante jurei que seria a melhor como ele desejou. Vencerei todos. Incluindo Freddie Hunt.

 -- Mia. – Meu pai apareceu e tentou me consolar ao me ver chorar. – Não perde a cabeça e se concentre na pista.

 -- Eu sei disso pai. Tô chorando por ele. Meu ex-namorado morto.

 Ele entendeu e suspirou pesadamente.

 -- Sei que o amava. – Ele olhava para os lados. – E não esqueça de Mônaco. É uma pista sinuosa e traiçoeira. Com grande número de acidentes e resultando em morte.

 -- Eu sei papai. Eu sei!

 No treino da Fórmula 1 tudo normal. Schumacher saíra em primeiro e Freddie em quarto e eu em terceiro. Freddie estava estranho. Aparentemente normal e quieto. Logo ele, que afirmava da pista de Mônaco ser sua favorita.  Antes de dormir, recebi uma visita. Abri a porta e me surpreendi.

 -- Freddie?

 -- Boa noite, Mia. – Ele falava calmo, sem a atitude de porra louca. – Posso entrar?

 Apesar da desconfiança, permiti. Ele sentou na poltrona e eu na cama.

 -- Pedi desculpas pro Noel. E ele vai nos ver também em Les Mans.

 -- Ah tá. – Limite apenas nisso e sorri. – Ainda tô curiosa em saber o porquê de estar aqui. E não acredito que seja o Noel ou a treta de tivemos.

 Não tinha percebido que ele carregava uma sacola e tirou dali uma caixa de doces e me entregou.

 -- Pra que isso?

 -- Um gesto de “vamos ser amigos”.

 -- Você nunca foi meu amigo. Oskar que é meu amigo porque nascemos na mesma época.

 -- Mia... – Ele mostrava um certo arrependimento. – Isto é uma forma de me redimir. Tenho sido chato nos últimos tempos.

 -- Eu sei. Minha mãe disse que você saiu de casa puto da cara com sua mãe.

 -- Ela não entendia os meus propósitos.

 -- Dou um desconto porque quase ninguém entende os meus.

 Suspiramos um pouco cansados. E olhei a caixa com doces.

 -- Gosta de chocolate quente?

 No final tomamos juntos e comemos. Conversamos sobre nossas vidas. Freddie lembrava das vezes que Noel e ele comiam batata frita e tomavam coca cola escondido do tio Franz.

 -- Você conhece os parentes de seu pai? – Ele questionou.

 -- Muito pouco. Mal lembro deles. E você?

 -- Sei lá. De todos só o tio Peter é legal. E o Oskar.

 Outra vez nos olhamos daquela forma e nos beijamos. Diferente da rapidez que acabou pela moralidade, desta vez não paramos.

 Sentei no colo dele e o beijo transcorria mais intenso. Ele me abraçou e me carregou até a cama. Tiramos as roupas e pude ver em seus olhos. Era a mesma coisa como na Alemanha. Era algo diferente, gostoso e macio o encontro do corpo dele com o meu. Nossa diferença de cinco anos não impediu que o sexo fosse travado. Pra falar a verdade, era incrível. Parece casual, mas tem um fundo romântico e safado.

 Ele abriu minhas pernas e senti a língua dele apreciando cada canto dali de baixo e as mãos dele antes massageando agora puxava-me para perto e eu gritava mais de prazer. Lembro das cenas quentes de Modern Vampires com vampiros transando com lobisomens, humanos com bruxos, relações com mesmo sexo e até trisal se formando. O que Freddie e eu reproduzimos é exatamente o que o conde de Munique fez com sua condessa antes humana.

 Fiquei por cima do meu piloto inglês e eu mesma o guiei, controlei a velocidade dos movimentos. Suas mãos eram o volante do meu carro. Os freios eram os beijos, lambidas e mordidas em seus lábios. E conforme nosso tesão foi aumentando, aumentei a velocidade. Cavalguei forte nele e chegamos juntos. Um orgasmo conjunto, inteiramente nosso.

 

Nosso começo foi em Mônaco. Uma noite antes de nossa corrida. Não é uma mera rivalidade. Nunca o vi como inimigo e sei que ele não me via assim. Rivais aos olhos dos outros. Amantes sobre quatro paredes. Antes de dormir, lembrei do que minha mãe falou sobre os McGolds. Ela ficou com todos. Com a tia Louise, papa Mickey, tia Felicity, os tios Jon e Bran e até com Robert. Ela dizia que no começo é quente e depois sente uma proteção inigualável. E o Freddie demonstra isso ao me abraçar e adormecer. E aquela proteção é maravilhosa. Ali mesmo dormi nos braços dele.

O que aconteceu em Mônaco, fica em Mônaco...

 

Continua

domingo, 20 de fevereiro de 2022

We Belong Together - Wildest Dreams (Parte 17)

 Boa tarde gente! 

Após quase um ano sem atualizar, vamos para mais uma parte de We Belong Together. Muita tensão para reta final! Boa leitura!

Parte 17 

Quando criança, Moses Smith gostava de brincar. Sozinho ou acompanhado de sua irmã Felicity, ele se sentia bem. Rosamund, uma bela mulher escocesa, criava seu filho com todo amor e proteção. O ensinou muitas coisas, desde o básico como ler, escrever e calcular, como também a arte mágica. Aprendeu alquimia, poções, encantamentos e feitiços. Ao mesmo tempo desenvolveu sua capacidade empata e profética. Moses também via espíritos e conversava com eles. Rosa sabia disso e permitia. 

Entretanto, Moses voltou pra casa depois de ficar uma temporada na casa de seus tios escoceses. E lá  flagrou sua mãe, sendo agredida e humilhada por Robert McGold.

 -- Você exige que eu seja presente na vida do Moses. E me afasta dele! – Reclamava Robb. 

-- Eu...

Robb não a deixou falar e acertou um soco no rosto dela. Rosa ia usar um feitiço, mas o galês foi rápido. 

-- Faça isso! E será pior! Direi para todos que você é uma bruxa! 

-- E quem vai acreditar em você? 

-- O prefeito, o dono do antiquário, Lord e Lady Gibbons. Todo mundo! 

Rosa recuou. 

-- Se for embora e levar o Moses, eu vou atrás de você e te mato! 

Moses permanecia escondido embaixo da mesa, assustado. Ele sabia que Robb era seu pai e nunca o assumia para a família. Na visão de Robert, Moses era o reflexo de seu erro da juventude e terá de carregar até o fim. 

Rosa refugiou-se para Inverness com o filho e nem na cidade do interior ela conseguiu escapar. Os moradores da região a viam como bruxa e após reclamações intermináveis, o prefeito tomou uma decisão: condenou a fogueira. Moses chorou, gritou e tentava salvar a mãe. Robb ia reivindicar o filho, mas os Smiths não permitiram.  Com o tempo Moses controlou seus poderes e seu dom. Entretanto o medo de a qualquer momento perdesse o controle era enorme, ainda mais que ouviu dos tios um comentário verdadeiro.

 “Ele pode ter essa aparência dócil e angelical. Basta um golpe forte para abalar sua mente e liberar as sombras que carrega dentro de si”

 FLASHBACK OFF


Não demorou para se ter o velório de Mary McGlory. Apenas Moses, Serguei e Fefe estavam presentes e o padre recitando. As palavras do religioso passaram longe de sua mente e ele fechou os olhos. A visão daquela que amou. Não a loba e sim a outra moça, cujo coração sabia que lhe pertencia. Ele não sabia onde se encontrava aquela garota e se culpava pois previu a desgraça que se abateu na família da moça. A visão, no entanto, o mostrou em outro lugar, numa floresta e Marianne vivendo com um homem que se transforma em lobo. Será verdade ou delírio? 

Contudo, seus pensamentos foram interrompidos com a voz de Felicity. 

-- Vamos, Moses! 

Ele aceitou e seguiu com a irmã e o melhor amigo.


Miesbach, sul da Baviera... 

Em um asilo para pessoas carentes e desprovidas de alguma capacidade mental, os pacientes se espalhavam pelos cantos e outros permaneciam nos quartos. E poucos ficavam em um só canto. Entre esses pacientes, um homem aparentando seus 58 anos, os cabelos grisalhos, usando um pijama e um cobertor nas pernas, olhava para a pulseira de ouro que contém um nome: Romanov. 

Ele não lembra de absolutamente nada. Sequer lembra seu nome ou de onde veio. 

-- É a sua vez, Romanov. – Disse o outro paciente. Os dois jogavam xadrez.

“Romanov” moveu um dos peões da segunda coluna da direita para trás e voltou sua atenção para a pulseira. Apesar da amnésia, havia uma imagem povoando sua mente: de uma mulher escocesa, muito bela, que sempre usava um vestido azul. O nome dela era Catelyn. 

-- Catelyn... – Murmurou “Romanov”, sorrindo.


FLASHBACK ON 

Londres, 20 anos atrás... 

Tony é um homem apaixonado e romântico. E também um Casanova. Flertava com várias mulheres, independente se eram solteiras ou casadas. E era rejeitado seja de forma bruta ou educada. E numa dessas conheceu a belíssima Catelyn Gibbons, uma aristocrata escocesa que veio com o pai a procura de um casamento e um dote. Tony apaixonou-se por ela imediatamente. E no baile promovido da família da moça, Tony, acompanhado do irmão mais novo, Robert, compareceram. 

O galês mais velho se aproximou da jovem. 

-- Você é uma dama de cor turquesa mais belo que já vi. – Disse e ofereceu uma rosa. 

Cat aceitou e o ignorou. Tony ainda insistiu. 

-- Senhorita Gibbons, aceita dançar comigo? 

-- Você não desiste, né? 

-- Não mesmo. 

Os dois dançaram e Catelyn não deixou de notar o quanto Tony era encantador. Dono de uma voz rouca misturada com veludo e uma simpatia natural. No banquete era impossível de evitar o flerte. Poucos dias depois o galês recebeu um convite para tomar chá. Foi o primeiro de muitos, nos quais ocasionou em passeios ao ar livre ou a cavalo pelo campo. E após semanas de convites, se beijaram intensamente e depois... em sua primeira noite nos aposentos dos Gibbons. 

-- Casa comigo, Catelyn! 

-- Sim! 

A principio estava tudo certo para noivarem. Até que um dia Tony visitou Catelyn e o pai dela o recebeu, um pouco indiferente. 

-- Sr. Gibbons... -- Tony cumprimentou. – Posso ter uma audiência privada com sua filha? 

-- Receio que não será possível, Anthony. 

Tony estranhou. 

-- E posso saber o motivo? 

-- Minha filha firmou noivado com Eddard Smith. 

Ele piscou os olhos, tentando entender o que realmente aconteceu. 

-- Senhor, por favor, me deixe falar com ela. 

Cat apareceu e pediu permissão pro pai para falar com Tony no jardim. 

-- Cat, o que está acontecendo? – Perguntou um tanto consternado. 

-- Meu pai arranjou um casamento com um escocês. Ele já pagou meu dote. 

-- Mas... 

-- Eu sinto muito, Anthony. 

-- Eu te amo, Catelyn! – O galês a abraçava e chorava. – Não vou suportar isso. 

-- Eu também não... Mas não posso. 

A pior parte para Tony é que descobriu que o noivo de Cat é o melhor amigo do seu irmão. Ele nunca mais flertou ou saiu com outras mulheres. Preocupado, Rickon arranjou uma pretendente para o filho. Tony não estava nem um pouco disposto e decidiu conhecer. A mulher em questão era uma norte-irlandesa mimada chamada Mary Black, filha de William Black, dono das indústrias de motores. O motivo do noivado às pressas era que Mary teve um caso com Thiberius Raskolnikov, um homem casado e consequentemente, engravidou. Sabendo que pode gerar um escândalo na família e manchar a reputação dos Black, Rickon propôs ao velho Bill o noivado do casal. Tony viu que sua noiva era um tanto insuportável. Ele satisfazia suas vontades toda hora. Ele concordou em se casar com ela por três motivos: primeiro para ajudar a moça, segundo para esquecer Catelyn e terceiro o galês acreditava que um dia talvez amaria Mary. 

FLASHBACK OFF


E foram 20 anos de tortura emocional e angústia. Tiveram dois filhos e acolheu muito bem seu enteado Serguei. Entretanto, não era fácil ter que continuar naquele casamento infeliz. E tudo mudou quando Louise desapareceu misteriosamente dois dias após o desastroso baile no castelo Beckenbauer. Daquele dia em diante as coisas decaíram para Tony até o momento que houve o incêndio... 

Ele perdeu a memória e acordou naquele asilo. Com uma pulseira de prata e um nome que acredita ser seu. E a lembrança dela.


Whitechapel 

Já fazia dois dias desde que Bran acordou naquele corpo. Completa estranheza. Ele acreditava que acordasse numa cama confortável de uma mansão e ser filho de nobre e não no corpo de um policial suicida e certamente bêbado. Sentado dentro da banheira e abraçando seus joelhos, mesmo banhado em água quente. 

Bran chorava. A memória da noite de sua morte, a voz grave e o cheiro forte de enxofre e corpo cadavérico daquele homem. Barão Lauda. Neste momento, os meninos traziam uma bandeja com uma xícara de café e bolachas e uma toalha. 

-- Não se atrase. – Avisou Chris. – Combinamos que íamos a estação. 

Não respondeu e continuou chorando. Nikolai passava a mão no cabelo do jovem. 

-- Não chore. Pense que está começando de novo. 

-- O que vai acontecer comigo depois que estiverem com sua mãe? – Perguntava Bran, um tanto temeroso com seu futuro. 

-- Papai não nos contou. – Respondia Chris, estendendo a toalha. 

-- Não queria voltar num corpo como este. – Ele se olhava e ao redor. – O que ele era antes? 

-- Um policial. – Nikolai mostrava o jornal no qual mostra a manchete sobre mais uma morte em Whitechapel. – Ele tentava capturar o Jack o Estripador. 

-- E como direi a polícia sobre minha saída? Aposentadoria precoce? 

Enquanto pensava numa desculpa, Bran se arrumava e ouviu-se batidas na porta. 

-- Quem é? – Bran se assustou. 

Os meninos se afastaram e ficaram no quarto. Por fim abriu a porta. 

-- Sr. Greene! – Chamou o homem a sua frente. Um policial de chapéu e roupas paisana. 

-- Eh... – Bran não sabia o que dizer e sequer conhecia a criatura. – Quem é você? 

-- Ué? Ficou dois dias sem comunicação e não se lembra mais de mim? Mas direi. Sou Bennet Drake, sargento da Divisão H. 

-- Ah sim. – Disfarçou e riu. – Bennet. Que irônico! 

-- Como é? 

-- Nada! – Se preparando em fechar a porta. – Te vejo mais tarde, Drake.-

- Sr. Reid quer falar com você! 

-- Claro e também preciso falar algo muito importante.

 Após a saída de Drake, o jovem ressuscitado terminou de se arrumar e seguiu com os meninos segurando uma mala para a delegacia. Os oficiais se espantaram vendo o policial. Decerto ele era conhecido, pensou Bran. Os gêmeos esperaram na sala e seguiu para o escritório de Reid. 

-- Ah! Valentin Greene! – Saudou o oficial. – Ainda bem que voltou. 

Os dois homens apertaram as mãos e sentaram na cadeira. 

-- Como você está? – Perguntou o chefe. 

-- Relativamente bem. – Bran respondeu com tamanha naturalidade que o espantou.

-- Ficamos preocupados. Depois da falha captura do Estripador, você nunca mais apareceu na Divisão H. 

-- Estive enrolado. – Bran disfarçava com um riso. 

-- Me disseram que estava se injetando e usando ópio. 

-- Mentiras deslavadas, senhor. 

-- Então podemos contar com seus serviços? 

-- Justamente isso que desejo falar. 

Bran entrega uma carta ao superior. 

-- Minha demissão. 

-- Mas por que? 

-- Decidi... – Pausou um pouco e olhou para os gêmeos. – Dar um tempo em minha carreira. E prometi ao meu... irmão, pai dos meus sobrinhos que os levaria até a mãe deles que mora em algum lugar de Munique. 

-- Munique? Você é louco? Soube dos casos de desaparecimento e por vezes de gente que foi estraçalhada ou teve o sangue drenado? 

-- Deve ser uma gangue ou seita que faz isso. Eu vou me cuidar. Só peço que aceitem formalmente. 

O chefe não tinha palavras para dizer. Apenas aceitar. Novamente conversam e terminaram com um simples abraço. Ao sair da sala, os meninos sorriram pra ele. 

-- Agora podemos ir. 

-- Eba! – Comemoraram os meninos. 

Juntos seguiram para a estação próxima... Sem saber que um trio de homens loiros os seguiam...


Berlim 

Em um castelo escuro, um bando de vampiros se recuperava dos ferimentos da última batalha que tiveram contra Louise McGold, Alice Stone, Gerd Müller e os caçadores de vampiros. E lembravam que Joanna os traiu. Niki Lauda se acordou após quase um mês desacordado com o poderoso soco no rosto dado por Louise. 

Os outros sanguessugas também se levantaram. A condessa sangrenta Brigitte, que teve seus braços e uma das pernas quebrada, reestruturava seus ossos no lugar. Sharon Tate teve o pescoço curado e recuperado das forças. Aproveitou para curar as pernas de seu namorado Roman.  Clay Regazzoni e Barry Sheene foram enforcados pelas correntes e libertados por Brigitte. James Hunt escapou. Por ser imortal sem ser vampiro ou lobisomem ou bruxo, retirou com facilidade as espadas e socava uma parede com raiva. 

-- Maldita Louise! Maldita Suzie! – Se enfureceu e golpeava mais. – Fiz tudo que estava ao meu alcance para tirar do marido chucrute pra depois terminar assim. 

-- Eu avisei desde o início que ela não era confiável. – Replicava Brigitte enquanto auxiliava o barão Lauda.

-- Calma. – Avisou Niki, de pé e ereto. Encarou cada um dos seguidores. – Ainda não perdemos. 

-- E quanto ao resgate? – Questiona Clay. 

-- Eu tenho um outro plano. 

Enquanto isso duas pessoas encapuzadas seguiram para o casarão escuro. O homem chutou a porta de mármore e a mulher num movimento com as mãos, acendeu as velas e o enorme candelabro do salão. 

Os asseclas de Niki se assustaram as luzes iluminando o castelo tão subitamente e se dirigiram para o salão onde os visitantes revelam seus rostos. O homem era loiro, forte e usava roupas empoeiradas e ostenta uma barba por fazer. A mulher, de cabelo ondulado e castanho, com vestido preto e botas e as mãos cobertas com luvas pretas cheias de furos. 

-- Bem vindos ao meu castelo! Mark Grey e Bettina Donner.


Centro de Operações da Ordem – Berna, Suíça 

Noite estrelada e fria e a bela visão do Palácio Federal de Berna completa o cenário noturno. Embora todos estejam dormindo, ninguém percebeu a chegada de estranhos homens seguindo rumo ao Palácio. Nenhum deles trabalha para o governo. Na realidade o local servia de engodo para os curiosos. De dia é o local do governo suíço. E a noite, no subsolo é a poderosa sede da Ordem dos Hospitalários de Coronado. O grupo tem por objetivo proteger a Europa de toda ameaça sobrenatural existente, desde vampiros e lobisomens até contra bruxos, necromantes, alquimistas e criaturas da noite. 

A Ordem existe desde a Oitava Cruzada. Entretanto esteve envolvida nos principais eventos históricos da humanidade, como a mais notória na Inglaterra quando Elias Cromwell, descendente direto do Lorde Protetor, Oliver Cromwell, impediu que o rei Henrique VIII fosse morto num ritual macabro feito pela família Bolena. E depois o então kaiser Guilherme I foi coroado Imperador enquanto se encontrava na França. Durante a viagem, sua comitiva foi atacada por seguidores da oposição. Eliminaram todos, exceto o kaiser. No ritual, pretendiam usar o sangue de um jovem adulto virgem e sabendo que o recém escolhido Imperador não tinha ainda se casado, era a oportunidade perfeita.

Ainda liderando os caçadores, Elias e seu amigo Satoru Yamada, um shinobi experiente, rastrearam até um velho castelo em Berlim o sequestro do kaiser. Felizmente, o plano de trazer Napoleão Bonaparte de volta a vida não deu certo. Os guerreiros lutaram e resgataram Guilherme I e ao mesmo tempo recuperaram objetos altamente valiosos que serviram para o ritual, como a Caixa de Pandora, para aprisionar entidades ou retirar determinados dons e o Cálice Sagrado, que muitos o conhecem por Santo Graal, cálice este que foi usado por Jesus Cristo em sua Última Ceia. 

Atualmente, a Ordem se manteve ativa, embora os casos sobrenaturais não eram frequentes. Isso até o momento. A sede abriga diversas pessoas com habilidades extraordinárias e treina os que desejam se unir ao time. E uma dessas pessoas interessadas, está Moses Smith.

 -- Diga-me, por que deseja se unir a Ordem, senhor Smith? – Questionou Bob Paisley, o abade. Ele é um dos comandantes dos caçadores.

 -- Moses Smith. – Respondeu o jovem.

 -- Moses... – Repetiu. – Por que?

 -- Presenciei coisas que ninguém compreendia. Vi muito além deste plano. E posso sentir a presença de seres extraordinários.

 -- Que tipo de seres?

 -- Paisley! – Serguei Hobbes tinha chegado após o treino e foi o responsável em levar Moses até a Ordem. – Ele conseguiu matar uma súcubo dentro da dimensão do pesadelo. Já é mais do que suficiente.

 Ele pensou um pouco. Para ser aceito na organização não é fácil. E mais ainda sobreviver um árduo treinamento. E alguém que conseguiu derrotar uma vampira em outra dimensão, não era comum entre eles. Então chamou alguém:

 -- Soujiro!

 Um homem de yukata cinza, portando uma espada de madeira descia as escadas. Moses notou a aura do rapaz. Carregada de ódio, mas não era má pessoa.

 -- Senhor Smith, assim como os caçadores, eles têm um tutor para os treinos. Soujiro Tsubasa veio de Edo. Ele é um Satsuma. 

Ele abriu os olhos. Acreditava que Satsuma era o nome de algum título importante ou código.

 -- Satsuma é meu clã. – Explicou o guerreiro. – Éramos respeitados até o xogum tomar nossas terras. Nossos domínios.

 -- Uma nova era vai chegar, Soujiro. – Comentou o abade, fechando a Bíblia no qual lia. – A partir de hoje será o mestre para senhor Smith.

 -- O quê? Um gaijin?

 -- Logo verá que ele não é um mero gaijin.

 Ele se retirou, deixando o escocês e o japonês sozinhos para se conhecerem. Ali começava uma nova vida para o bruxo. 


Zella-Mehlis -  Alemanha

A região remota do estado da Turíngia era quase abandonada. As poucas pessoas que moravam no distrito desapareceram. O que era sem repostas aparente, na verdade a causa era uma mansão encoberta pelas árvores ao redor. Embora o pátio e o jardim eram bem cuidados e a grama aparada, dentro do local há um mistério.  O hall de entrada estava com alguns empregados limpando o chão e lavando o livro e outros encerando a prataria. De repente se ouve gritos causando um eco. Os empregados agiam indiferentes e seguiam seu trabalho. 

O subsolo da mansão possui um laboratório completo. Cientistas injetavam líquido vermelho nas cobaias. Os que receberam gemiam as dores do inferno e demonstram os sinais claros do vampirismo. Olhos vermelhos, a pupila dilatada e o surgimento dos caninos. Para controla-los, os cientistas acorrentavam estes seres e aplicavam mais injeções. Desta vez para sossegar seu ímpetos sanguinários. 

Na lateral direita, mais cobaias recebiam outro líquido vermelho. Se o primeiro transformava os humanos em vampiros artificiais, estes eram da licantropia. Comparado com a velocidade em converter um humano no vampiro, os lobisomens são um pouco demorados, levando de duas a três horas. Entretanto levaria menos tempo se o transformado sofresse uma mordida ou arranhão de outro lupino. 

-- Na próxima lua cheia estará completa a fase de vocês. – Disse o chefe dos cientistas de nome Hansi Flick. 

Os pacientes agradeciam o homem e ele seguiu para o centro do laboratório, onde se encontravam outras pessoas aprisionadas em câmaras individuais e apenas com a cabeça a descoberto. Hansi ordenou que os outros médicos trazessem mangueiras e os líquidos. Era chegada a hora da tortura. 

-- Vocês sabem por que estão aqui? 

Nenhum respondeu. O medo lhes tomou conta de fazer qualquer ato. Aquelas pessoas eram infiltrados da Ordem, se mesclando com a criadagem da Iscariotes. Entretanto a sorte deles acabou ao subestimar a capacidade de Flick, que estava com dois passos a frente da Ordem e os capturou para serem torturados. Sabendo provalmente que nenhum deles falará, será muito bom. Hansi era o membro da Iscariotes a ser temido. Psicopata e sádico. 

A sessão de tortura era semelhante aos ladrões e bandidos da rua Ripper em Londres. Eles colocavam mangueira na boca da vítima, enfiando até o esôfago e com um funil, derrubavam altas quantidades de bebida alcólica para assim a morte ser por afogamento ou estômago explodido. Hansi pretendia mais. O líquido em si era verde e nele continha pequenas enguias. 

-- Se querem ser salvos, então cooperem comigo. Por que vieram pra cá? 

Mais uma vez os prisioneiros não responderam.

 -- Comecem!

 Cada ajudante colocava as mangueiras nas bocas deles e preparavam o funil. Flick observou atentamente suas feições e sorria. O sofrimento daqueles homens era sua satisfação. Com um sinal das mãos, os ajudantes despejam a água verde aos poucos no funil e descia na mangueira até as gargantas dos homens. Gemiam, choraram e tentaram falar, mas não conseguiuam. Outro cientista, um turco chamado Hasan interrompeu a sessão.

 -- Herr Flick!

 -- O que foi desta vez?

 -- Não conseguimos capturar aquele rapaz.

 -- Que pena. –Se virou para o turco. – Depois destes homens, você será o próximo.

 -- Mas... – Hasan gaguejou um pouco e finalmente falou. – Mandei três homens ingleses atrás dele. A última mensagem dizia que foi encontrado no distrito de Whitechapel, na cidade de Londres.

 -- Traga-me o Karl até aqui!

 -- Sim! 

Hasan se retirou de imediato e Flick novamente ordenou a sessão. Em breve seu exército de vampiros e lobisomens feitos sob encomenda agirão sob seu comando para derrotar as criaturas e também destruir a Ordem. E Hansi sabia que logo chegará esse dia. 


A 100 metros de Nuremberg 

Mike Nesmith e seus amigos estavam cansados. Quase dois dias de viagem e parando apenas para dormir durante o dia, estavam poucos metros de Nuremberg conforme o rastro farejado pelo lobo texano. 

-- Vamos parar por aqui. – Disse Mike. 

Em seguida todos montaram acampamento. Peter fez uma fogueira com um estalo de dedos, Renée transmitava folhagens das árvores em lençóis pra cada um e com os galhos fez um caixão para Davy dormir e uma sombra para os raios de sol não atrapalhar o grupo. Uma hora antes de amanhecer, Johan pegava algumas pedras e as examinava e guardava nos bolsos. Davy achou estranho e focou seus pensamentos em Dianna e nas filhas. E depois em Louise. Ainda não acreditava que sua amiga mais querida tinha morrido na batalha da retomada. Contudo, conhecia a vampirinha o suficiente pra saber que ela era teimosa e destemida. Não desistiria de lutar e fez aquele ato de sacríficio.  Mas também Louise lhe deu uma outra responsabilidade: de cuidar do filho dela o pequeno Freddie. Em seguida uma lágrima caiu de seus olhos.

 -- Pensando na Dianna? – Questionou Mike, ainda acordado.

 -- Sim. – Davy suspirou e outra lágrima caiu. – Sinto falta da Louise. Não estou aceitando a morte dela. 

Mike consolou o amigo e em seguida Peter e Micky. Renée e Cruyff observavam os amigos e não deixavam de sentir pena e empatia naquele instante. E depois todos dormiram, exceto Johan. Mesmo acordado para proteger seus novos amigos, ele realmente não tinha sono e desde que virou nosferatu, não dormia pra nada e mesmo assim ainda tinha disposição e força como um humano. E enquanto isso Johan olhava o sol. Sua meta era criar um elixir no qual os vampiros pudessem caminhar na luz do dia sem se queimar. 

Sete horas da noite e Nez foi o primeiro a despertar. Se espantou ao ver que o doutor ainda estava em pé e os olhos bem abertos.

 -- Doutor Cruyff?

 -- Boa noite Sr. Nesmith. – Saudou Johan e entregando um cantil de água. – Está com sede?

 Mike confirmou e bebeu um pouco.

 -- Você não dorme?

 -- Não. E estou muito bem. Normalmente quem não dorme fica fraco. No meu caso não.

 -- Incrível. – Concordou o lobo.

 Enquanto os outros não acordam, ele pensava em Alana. Até hoje não estava entendendo o que o levou tal ato carnal com Alberta. Sequer sentia algo por ela. Seus pensamentos eram povoados por Alice, Alana e ocasionalmente, Louise.

 -- Você ama a loba? – Questionou o médico.

 -- Sim. --- Mike sorria. – Ela é a única coisa que me importa.

 -- Eu a vi na luta. – Johan colhia mais pedras estranhas. – Se ela realmente não te quisesse, não viria salva-lo assim.

 -- Acha que tenho chance?

 -- Eu tenho certeza. E também quero que todos sejam felizes.

-- Obrigado doutor.

 E antes de falarem mais, um chamado de socorro foi ouvido na floresta. Os outros acordaram para ouvirem os gritos. Micky caminhou até um ponto e indicou a direção do grito. Uma loba de pelagem preta corria e atropelou Micky. Peter e Davy socorreram o amigo e Renée e Johan a loba. Ela voltou a sua forma humana e parecia machucada.

 -- Obrigada! Muito obrigada.

 Mike reconheceu a roupa dela. Um casaco que ele havia dado para Alana no aniversário dela.

 -- Onde conseguiu esta roupa? – Perguntou o lobo.

 -- Eu estava numa alcateia em Nuremberg. Fugi de lá por causa do líder. Ele é... ah meu Deus! A loba que será desposada por ele vai sofrer. Aconteceu com uma... e depois comigo e fugi.

 -- Moça, se acalme.  – Renée a ajudava e acolhia a jovem. – Qual é seu nome?

 -- Linda Ronstadt.

 -- Certo. Linda, nos conte quem é seu líder?

 -- Um lobo americano. O nome dele é Elvis.

 -- Você disse que ele casou com uma loba. E você escapou. – Comentou Peter. – Ele vai casar com outra?

 -- Uma recém chegada com dois caras por ter vencido Kathy Giordano.

 O coração de Nesmith batia rápido. Em sua dedução pediu que não fosse sua amada.

 -- Qual.... o nome.... – Ele gaguejava. – O nome da loba?

 -- Alana Watson!

 O lobo uivou desesperado e socou forte uma das árvores. Davy o segurou.

 -- Mike...

 --Eu preciso impedir isso! Vamos para este lugar!

 -- Mas Mike, não temos um plano. – Peter temia pelos amigos.

 -- Não ouviu o que esta moça disse? – Micky reforçava. – Ela sofrerá algo pior.

 -- E o que faremos? – Chorava. – Deixa-la morrer e voltar para Ilha?

 Johan se pronunciou, indignado.

 -- Nós chegamos até aqui e agora quer desistir? Ainda temos chance! 

Os outros concordaram com sua determinação.

 -- Ele tem razão. – Disse Peter. – Não podemos deixa-la aqui.

 -- E qual é o plano? 

Renée sorriu e tirou seu xalé, dando para Linda. A cena que todos presenciaram era uma transformação. Ela não era apenas uma alquimista. Renée era uma doppelganger.

 -- Nós vamos impedir o casamento de um outro jeito. Eu, travestida de Alana, é que vou casar. 


Alcatéia de Nuremberg 

O povo preparava tudo para o casamento a seguir. Elvis conversa com todo mundo e Alana se encontra na barraca. Ela chorava. Desde que despertou, foi acolhida pelo líder e no começo foi tranquilo. Entretando a saudade do marido aumentou e quando decidiu ir embora, Elvis revelou sua faceta, transformando a vida da loba e do filhote num inferno.

 Gram Parsons pela primeira vez se arrependeu do que fez. Quando Alana resolveu ir embora, Elvis a impediu e a atacou covardemente. Chris Hillman a defendeu e teve o pior fim. Decapitado e colocado a cabeça empalada na entrada, como aviso tanto para os estrangeiros como para o próprio bando. Para compensar seu erro, Parsons decide ajudar Alana.

 -- Parsons! – Allie o abraçou.

 -- Vem comigo Allie!

 -- Mas ele vai nos matar. E não sou párea pra ele.

 -- Shh.! Olha, eu ajudei a Linda a escapar e coloquei seu casaco nela. Conhecendo seu marido, acho que ele virá atrás de você. Só precisamos ser cautelosos...

 Continua...