segunda-feira, 2 de março de 2015

Rush - No Limite da Paixão (9º Capítulo)

Olá pessoal!
Desejo-lhes uma boa noite que março traga boas vibrações! Agora fiquem com capítulo novo de Rush e será dois POVs masculinos. Boa leitura!




Capítulo 9: O lado deles

James POV (Superstar)
Acordei com aquela dor de cabeça causada pela bebida. E na cama estava ela. Minha “Suzie”. Para mim, Louise McGold é a essência de uma bela mulher. É tão bonita quanto minha esposa, que preferiu alguém como Richard Burton. Ok, acho que mereci esse abandono. A pergunta sempre povoando minha mente é como fui escolher Louise entre tantas mulheres ao meu redor? Bem, isso é um pouco complicado de responder, mas posso dar uma base da resposta.
Além de linda, ela tem atitude, gosta de dançar e beber como eu e cheia de sedução. A amiga dela, a francesa Odile também tem essas qualidades, contudo, era “Suzie” quem me dominava por completo. Ela atraia muitos olhares masculinos e fazia os homens se renderem. Se desse uma ordem qualquer, obedeceriam como se ela fosse uma rainha.
Tive de suportar as pequenas fisgadas de ciúmes quando a vi com Clay Regazzoni e outras vezes com outros caras. Embora alguns deles sejam do seu circulo de amizades, não conseguia vê-la com outro homem. A única pessoa que podia muito bem aceitar esse tipo de relação amistosa era Niki. O resto é nada. Apenas obstáculos a serem tirados. Clay foi um deles.  Se bem que percebi que outro cara esteja de olho nela. E não é austríaco. É alemão. Afinal, o que o jogador do Bayern de Munique quer com minha Suzie?
Perguntas e perguntas. E mais perguntas...
Algumas semanas antes do grande prêmio no Brasil, Louise e eu tomamos café juntos na minha casa. Mesmo acordando e com cabelo loiro bagunçado, ela estava incrível. A nossa noite foi intensa, avassaladora.
-- Estive pensando, não acha melhor planejar nosso casamento?
-- Loirão, ainda é cedo pra essas coisas. E além do mais, a recém divorciou da sua esposa.
-- Eu sei, mas eu quero você ao meu lado, doçura.
Nos beijamos ali mesmo e nos levantamos para irmos ao quarto. Coisa que não conseguimos pois Lord Hesketh apareceu.
-- Bom dia, pombinhos. Não quero interromper este momento tão apaixonado. Estou aqui apenas para avisar sobre a reunião com o pessoal da MacLaren, junto com Peter. Melhor se arrumar logo, superstar.
-- Está bem. – Respondi e em seguida beijando Louise. – Te vejo mais tarde, Suzie.
-- Até mais, loirão!
Na reunião, tudo que pensava era em Louise e sua beleza. Só de saber que dentro de uma hora logo me encontraria com ela no apartamento onde vive com Odile, já me deixava mais feliz e cheio de vontade. Na saída, Hesketh já fala sobre uma possível festa a ser feita em Interlagos. Para mim seria ótimo e para Suzie também. No fim da tarde, tomei banho e coloquei uma roupa confortável. Usei um pouco de perfume e peguei o buque de flores comprado antes de voltar para casa.
Dirigi por uns trinta minutos até chegar ao apartamento de Louise. No entanto, notei algo no estacionamento. Há mais um carro ali. Imediatamente lembrei-me do rato. A essa altura ele deve estar namorando a linda mulher francesa. Peguei o elevador e na subida, senti que algo pode surpreender. Ignorei esse fato e toquei a campainha. Ouvi vozes femininas e masculinas. E pareciam falar em alemão.
-- Oi James! – Louise abriu a porta e logo me puxou para perto dela. Trocamos aquele beijo intenso até ouvir o rato, digo, Niki, zombando de nós.
-- Cuidado, Lulu. Esse cara é muito perigoso. – Niki servia um pouco de vinho para Odile (agora é confirmado: ele namora a amiga da Suzie).
-- Seu chato! – Disse Louise de forma divertida. – Venha, junte-se a nós.
Adentrei a sala e me deparo com uma cena um tanto chocante para mim. Esperava uma “reunião de casais”. Em vez disso, vejo Niki, a namorada e aqueles dois jogadores alemães. Aquele cara...
Me sentei no sofá e aproveitei para beijar um pouco Louise e depois ela sentou no meu colo.
-- James, temos visitas importantes. – Dizia ela, evitando minhas mãos e sorrindo.
-- Calma, eles são amigos do Niki. Está tudo bem. – Obviamente não estava. No fundo queria jogar aquele alemão na janela. Melhor, usar meu carro e atropelar na pista de Mônaco, isso sim seria um show e tanto.
Tivemos uma boa conversa, embora somente eu e Suzie demos atenção um ao outro. Volta e meia uma pergunta era feita a nós e sempre ela respondia com elegância e bom humor. Mais tarde Odile colocou na vitrola um disco dos Carpenters e uma música muito bonita tocou. Fomos até a sacada admirar a lua e Louise me revela algo.
-- Sabe, alguns meses atrás Odile e eu fomos ao show dos Carpenters aqui em Londres e conseguimos autógrafos. Conversei com Karen e pedi se fosse possível escrever uma música. Ela disse que já tem uma música, mas não sabia o título a ser colocado e sugeri “Superstar”. Porquê me lembra você!
De todas as mulheres que sempre viam ao meu alcance, apenas uma desejei. E essa era Louise. Meu nível de amor por ela ficou elevado ao saber que fui transformado em título de música. Outra vez a beijei, desta vez mais forte e mais intenso dos anteriores até deixá-la sem ar.
-- Eu vou ao banheiro, Suzie. Já volto.
-- Ok.
Lavei o rosto e tentei recuperar o fôlego. Estava mais que certo. Não havia mais ninguém que possa nos separar. Quando sai do banheiro caminhei até o corredor e notei o quarto de Louise aberto, fui entrar e me deparo com mais uma coisa. Gerd Müller ali.
-- O que faz aqui? – Questionei do lado de fora.
-- Só conhecendo o quarto da amiga da Odile. Ela está apresentando todo o apartamento para nós.
-- Ah sim... – Falei apenas para disfarçar meu incomodo. A vontade que tinha era matar agora o chucrute. Ele saiu e bloqueei sua saída e falei em alemão.  – Ouça com atenção, cara. Fica longe dela!
-- De quem está falando? – Perguntou claramente fingindo inocência.
-- Ora, não me faça rir. Da loirinha, olhos azuis, rosto de anjo e pele de porcelana. Ou para todos os efeitos, ela se chama Louise McGold.
-- Não quero nada com ela e, além disso, sou casado!
Aquilo não me convenceu e já preparava uma nova contra resposta se não fosse à intervenção de Suzie.
-- James, vem pra sala!
-- Estou indo. – Falei e em seguida lancei em direção ao jogador antes de ir à sala. – Mais uma vez, alemão: fica longe da Louise!
Minutos mais tarde eles foram embora e o rato e sua amada francesa se trancaram no quarto. Louise e eu ficamos mais um pouco aos beijos e bebendo um pouco. Ela comentou que não gostou do fato de Odile mostrar o resto do apartamento para os jogadores, mas a idéia era de Niki por isso teve de concordar. Depois disso ela me levou ao seu quarto e fizemos amor loucamente até que senti algo me arranhando.
-- AI! QUE DROGA!
Afastamos-nos e vimos o gato chamado Meia Noite na cama.
-- Meia Noite vá arranhar um pouco as pernas do Niki! – Disse Louise, levando o gatinho no quarto ao lado.
Aquela noite é praticamente nossa!

Gerd POV (Der Bomber)
Não sei se foi uma boa idéia acompanhar Niki Lauda na visita as suas duas amigas. Apenas sei que Franz não parava de falar nela, pelo menos não na frente do Niki.  Por diversas vezes alertei em não deixar na cara do piloto ou então haveria problemas. Ele não queria perder a amizade, mas também odiava a idéia de ficar distante da bela francesa.
E quanto a mim? Detestava admitir que estivesse caído de amores pela amiga dela chamada Louise McGold. Procurava pensar em outras coisas do tipo esportes e mulheres. Nesta parte fui um tanto infiel, por estar pensando em outra mulher estando casado. É nesta parte que fiquei bastante desapontado. Uma coisa é não parar de admirar a beleza exótica daquela mulher incrível e a outra ser ameaçado pelo namorado dela, se é que dá pra chamar de namorado aquele piloto, James Hunt, segundo a descrição de Niki, o homem mais perigoso das pistas.
Em casa, não dormi nada. Aqueles olhos tão reluzentes eram a luz que precisava. Sai da cama e peguei a sacola onde tinha guardado uma manta. Sim, eu roubei a manta de Louise que encontrei no quarto dela. Fui pra sala e olhei aquela manta em minhas mãos. Macia e cheirosa, como as rosas. Adormeci ali mesmo e sonhando...
Onde estou?
Pelo cenário tão florido me lembra algum país do norte ou quem sabe alguma parte de Gales. Caminhei por muito tempo e ao longe vi a bela garota  colhendo rosas e margaridas e guardando num cesto. Caminhei até onde estava. Ao que parece ela percebeu minha presença e correu para longe.
-- ESPERE! – Gritei para ela.
If you're travelin' down to north country fair
The winds hit heavy on the borderline
Remember me to one who lives there
She was once a true love of mine

-- Por favor espere!
Espere...
-- Gerhard! ACORDA!
Abri os olhos e num susto vi minha esposa Uschi de camisola e a janela aberta, com os raios de sol atingindo a sala.
-- Hum... que horas são? – Perguntei.
-- Oito e meia. E que cobertor é esse?
-- Eu ganhei de uma fã.  – Menti descaradamente para não falar do meu assalto num quarto de uma linda mulher.
-- Certo. Agora vá treinar. Herr Lattek ligou hoje as sete reclamando dos seus atrasos.
-- Ok. – Disse sem muita convicção. Tomei um rápido banho e comi apenas uma maçã e segui rumo ao estádio.
Chegando ao treinamento, todos faziam aquecimento com alguns exercícios e nenhum sinal do treinador Lattek.
-- Atrasado como sempre. – Comentou meu amigo Franz enquanto praticava algum chute.
-- Me deixa em paz. Não dormi quase nada na noite passada e... – Não deu para terminar minha reclamação pois senti um cheiro de perfume e vinha do próprio Franz. – Que... que cheiro é esse?
-- Err... nada. – Respondeu um pouco nervoso. —É apenas um perfume francês.
Ainda olhava para ele com aquela desconfiança. Obviamente Franz estava mentindo assim como eu menti para minha esposa no caso da manta roubada. Depois disso ele me puxou para o armário e ali dentro tirou um frasco transparente e nele estava escrito “Chanel Nº05”.
-- Onde comprou esse frasco?
-- Eu não comprei... Eu roubei. – Disse enquanto guardava novamente no armário.
-- E de quem?
-- Lembra da namorada francesa do Niki? Foi dela que peguei.
Por um momento achei ser uma brincadeira de mau gosto dele, porém lembrei que fiz exatamente isso ontem a noite. E veja no que resultou. Agora são dois jogadores, apaixonados por duas mulheres inalcançáveis que viraram ladrões.
-- FICOU DOIDO? ONDE JÁ SE VIU? ROUBAR O PERFUME DE UMA GAROTA? AINDA MAIS A NAMORADA DE NIKI LAUDA?
-- Gerd! – Ele tapou minha boca abafando os gritos de tamanha indignação. – Não grita, as paredes tem ouvidos.
Ao voltar para o campo não consegui parar de pensar das nossas atitudes, tanto do Franz quanto a minha. Neste momento cogitei em devolver mas como?
-- Não acha melhor devolver? Eu também peguei algo daquela loira. – Disse enquanto chutava para gol.
-- Devolver? Jamais! Aquele perfume é minha única lembrança que tenho da francesa!
-- Vamos ser sinceros: Temos esposas e você tem filhos. Sendo assim, vamos esquecer essas duas, antes que acabamos enlouquecendo.
-- Quem enlouquece aqui? – Sepp acabou pegando um pouco da conversa.
-- Ninguém. Agora cale- se e vamos treinar! – Franz se encontrava irritado e mal se concentrava nas jogadas.
No fim expliquei para Sepp sobre a visita que fizemos ao apartamento da namorada de Niki Lauda, o fato de descobrir que a amiga dela tem um (pior) namorado.
-- Vamos ver se entendi. Você e Franz conheceram a namorada e amiga do Niki, foram convidados para conhecer onde elas moram e roubam um perfume francês chique e uma manta?  -- Indagou o goleiro arregalando os olhos e quando respondi afirmadamente, caiu na risada.
-- Qual é a graça? – Neste momento o Kaiser (como Franz é chamado) para seu treino para conversar.
-- Seus ladrões! É por essas e outras que fico rindo. Adoro esses momentos hahaha! Kaiser ladrão de perfumes Chanel e o Bombardeiro que ama uma mantinha! E pra piorar, olhem quem está chegando...
Vi ao longe Niki caminhando até nós com... Aquelas duas?! Oh não, Louise... Relaxa, Gerd, aquela loira te odeia e nem que te ver pintado de ouro. Encare numa boa. Franz e Sepp foram conversar com eles e Louise se distanciou para fumar. Voltei aos chutes e vez ou outra olhava para ela. Percebi também que ela também me olhava. Será um bom ou mau sinal?
Depois pude ouvir um pequeno comentário (ou seria uma indireta?) entre as duas mulheres e justamente sobre o sumiço das coisas.
-- Ainda não acredito. Como pode ter sumido meu Chanel Nº05? Niki afirma não ter pegado. E agora?
-- Eu juro que pego o desgraçado e mato ele com o taco de cricket. Mas antes, ele vai devolver minha manta e pedir desculpas pelo furto!
Quando Louise terminou de falar aquilo, ela lançou um olhar para mim e eu claro, disfarcei.  Sim, é sinal de indireta e ela esperava alguma ação de minha parte, para comprovar que tenha sido eu.
Imagino que as duas continuem a procurar pelos objetos roubados. E eu não estava disposto a devolver. Sei que é errado. Muito errado. A manta com cheiro de rosas e se tornou a única coisa de melhor para mim, a única lembrança da bela atriz chamada Louise. 
A noite peguei novamente aquela manta e dormi sentindo aquela maciez toda e o perfume adocicado dele. Imaginei Louise nos meus braços, com perfume de rosas e a pele tão macia...

Continua...

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