Até o momento, a palavra "retroceder" não estava presente na cabeça em meu vocabulário pessoal. Hoje entendi perfeitamente. Mas só agora aos meus 30 anos ficou mais forte. Nos meus anos anteriores, praticamente quase a década inteira, tive essas sensações de retorno as lembranças boas, principalmente de minha infância. E ao chegar nesta idade que estou, me dou conta de muitas coisas e mudanças. Passei por situações que jamais pensaria que ia me acontecer, como a morte de meu pai e reagir a uma tentativa de assaltos. Sim. Eu reagi numa tentativa de assalto. Na hora eu não pensei em nada, nem na minha vida. Nada, nada. E realmente por um milagre, eu consegui. Talvez no fim das contas eu contei com a sorte e estava a meu favor. E só depois me dei conta do que fiz. Como se todo medo que não senti na hora, chegou atrasado pra mim. Fiquei um tempinho abalada mas isso me ajudou. Aprendi a ser mais ligada quando saio de casa. E sobre a morte...
Essa parte queria deixar para o final. Mas vou contar. Não foi fácil... melhor nem fazer drama escrito. Aconteceu como num dia qualquer, sem nada de especial. Meu pai estava bem de saúde. Ninguém se atreveria dizer que ele estava doente, triste ou coisa assim. Só aconteceu. Na época, eu fiquei brava com minha família por não me contarem, porque só fiquei sabendo a partir da hora que cheguei em casa. Tudo aquilo ocorreu enquanto estava lá, trabalhando, sem me preocupar. Só mais tarde pensei melhor e talvez fosse melhor não ter contado. Fiquei brava com Deus. Tantas pessoas aí e escolhe meu pai... E isso gerou-me um questionamento que talvez seja o que todos perguntam quando sofrem uma perda destas ou quando um ídolo muito querido morre. "Por que as pessoas boas se vão tão cedo? E as más, os que infringem regras, enganam, machucam pessoas e animais, agridem nas piores formas, continuam vivendo?" É injusto. Desproporcional. Quase perdi minha fé. Quase uma depressão. Ainda tenho pensamentos que beiram a isso como "quero parar de viver", "dormir e não acordar", "se eu morrer, quem sentirá minha falta?". E quando procurei ajuda na clínica onde tenho convênio médico, a psicóloga me despacha pra outra onde aceitam meu convênio, tudo isso para aliviar a lista de espera. Porra! Eu quis procurar ajuda ali e a profissional me faz isso? Por isso que os depressivos sofrem. Não é só pelo sofrimento interno que enfrentam diariamente, mas quando procuram ajuda, não encontram ou ajudam mas é pra afundar mais. Se for assim, eu desisto. E desisti. Por um tempo.
Durante um ano sem meu pai, tentava seguir a vida. O trabalho não mais me dava prazer, só fazia pelo dinheiro. E quando chegava em casa, minha mãe chorava ou já chorou. Ainda tenho medo de encontrar ela caída no chão da casa. Um passo que consegui fazer ela parar é de dizer que quer morrer para unicamente se encontrar com meu pai. Me representava que contava os dias e isso me causou uma crise pequena de ansiedade. E durante o luto, os meus colegas e amigos com quem converso nas redes sociais me falaram coisas de conforto, amizade e esperança e até me deram links para ler sobre as fases disso. E de acordo com que li, eu passei ou ainda passo por um dos processos. O primeiro é o básico: a negação. Dizia não estar conformada com essa perda. A segunda foi uma mistura de raiva e tristeza. E foi visível no trabalho. Não briguei com ninguém no trabalho mas no atendimento tive vontade de ralhar com o cliente (para minha sorte não soltei um palavrão mas vontade não me faltou). Segurei essa onda. E a terceira (que foi com o tempo) é a negociação. Esse talvez esteja porque volta e meia me dá uns ataquezinhos de fúria mas é sobre política.
O que achava que parte disso acabou, eis que outra perda acontece: um colega de trabalho, que conheci na época que dei treinamento e sempre conversávamos, faleceu. Só fiquei sabendo por uma colega que avisou sobre as postagens no grupo de WhatsApp. E quando fui olhar...
O falecimento do Luiz desencadeou aquela ameaça de depressão e inconformismo. E outra vez pedi ajuda. Desta vez consegui mas com minha prima. A psicóloga Denise foi maravilhosa. Na minha primeira consulta, senti que despachei aquele peso que carregava por um ano, saiu. Na segunda consulta foi melhor. Talvez ainda volte ano que vem para consultar.
Agora voltando ao retrocesso, cheguei nesta idade e tudo que vivi me passou na cabeça. As coisas que fazia quando criança, os programas e desenhos que assistia me trazem de novo alegria. A época mais legal onde a programação aberta tinha tudo que prestava. Relembrei minha adolescência. Meu primeiro beijo aos 15 anos. O guri usava aparelho. E mesmo sabendo que ele era um galinha, fiquei com ele. Depois veio o Rafael. Os beijinhos gostosos. Aos 16 anos tive aquele pensamento dos adolescentes nos filmes: perder a virgindade antes de se formar no colégio. Não aconteceu. E também não tive formatura alguma. Foi uma completa desorganização. Se eu pudesse voltar nos meus 18 anos, queria ter minha formatura do ensino médio. Do fundamental foi bem legal. Mas também fui rejeitada pelo meu melhor amigo. Fiquei brava quando descobri que na festa ele beijou uma guria feia. E anos depois se eu o encontrasse... tá tudo bem. Falo sério. Passo batido. Aquela pressão do vestibular foi horrível. Tive uma tristeza horrível por não ter passado duas vezes. Dos 19 até os 21 me representa um intervalo vácuo da minha vida: eu não sabia o que estava fazendo dela, não tinha mais planos, vivi numa bolha.
Foi durante o curso técnico de eletrônica conheci meu namorado. Não namoramos de cara. Levou um tempo e até porque ele tinha outra. Tirei o meu da reta. O boom mesmo foi quando tomei coragem e mudei de curso. De eletrônica para publicidade e admito com todas as letras: foi uma de minhas melhores escolhas. Mesmo não ter trabalhado na profissão, foi realmente bom estudar publicidade. Me ajudou em minha auto confiança, me desenvolver mais, observar mais. E depois quando tive meu primeiro emprego. Não durei muito mas foi gratificante trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro.
Eu queria contar mais aqui contudo estaria fazendo uma autobiografia longuíssima. O que me levou a escrever esse texto foi durante o tempinho que estava assistindo no Youtube, os episódios de Confissões de Adolescente, as lembranças de mim ficaram presentes e reflexões do que fiz naquele tempo. Não sei se ajuda meu texto mas se for pra entender o que ando passando, está tudo bem. Tudo bem.
domingo, 24 de novembro de 2019
domingo, 20 de outubro de 2019
Ain't She Sweet? (UA - 1º Capítulo)
Olá, pessoal!
Hoje vou postar mais uma beatlefic mas esta é diferente: não se passa no universo da Grindhouse e sim num alternativo e é na mesma época que se passa a fanfic da Maris Campos, Our Love Was no blog Peripécias de uma Garota Qualquer. Rapidamente vou apresentar as personagens.
Bruna Schneider - Maris Campos
Ivanna Lee - Inara Araujo (eu)
Louise Maier - Maris Grey
Victoria Stephens - Vit Arantes
Agora vamos ao primeiro capítulo. Boa leitura!
Hoje vou postar mais uma beatlefic mas esta é diferente: não se passa no universo da Grindhouse e sim num alternativo e é na mesma época que se passa a fanfic da Maris Campos, Our Love Was no blog Peripécias de uma Garota Qualquer. Rapidamente vou apresentar as personagens.
Bruna Schneider - Maris Campos
Ivanna Lee - Inara Araujo (eu)
Louise Maier - Maris Grey
Victoria Stephens - Vit Arantes
Agora vamos ao primeiro capítulo. Boa leitura!
Ain’t
She Sweet__ Maya Amamiya
Capítulo
1: It’s been a hard day’s night
Bruna Schineider é a típica garota de dezoito anos que
abandonou a cidade de Munique da Alemanha Ocidental, unicamente para vir
estudar em Londres. Não que detestasse sua cidade. Mas aguentar sua família
falando sobre a guerra que perderam para os Aliados, estava lhe cansando. E
essa viagem a Londres se tornou seu ritual de independência. Ganhar a bolsa de
estudos era tudo que queria. Ou ao menos pensava nisso...
Para o ano de 1964, ela fez uma série de planos. E se
desse certo, fixaria residência em Londres, terminaria sua faculdade de Letras
e se puder, outra de Filosofia e começaria sua tese. No entanto, percebeu algo
estranho. O trem no qual embarcou andava devagar e parou na estação. De
repente, três rapazes correram até o vagão e embarcaram, escapando da histeria
de um bando de jovens que os perseguiam.
Os três seguiram no corredor e um deles, o mais jovem, se
encantou pela garota alemã. Bruna olhou bem para ele e corou ao perceber que
estava flertando. Desviou o olhar. Poucos minutos depois o trem andou,
distanciando do bando louco juvenil.
-- Com licença. – Uma garota loira, baixinha e de vestido
e um cardigã cinza bateu na porta da cabine. – Posso ficar aqui? As cabines
estão cheias.
-- Claro. – respondeu Bruna.
A jovem alemã não gostava de conversar com
gente que não conhecia e para disfarçar sua insegurança, pegou um livro na
mala.
-- Esse é bom. – comentou a menina baixinha.
Bruna olhou a capa.
-- “O Médico e o Monstro”?
-- Isso. – disse, sorrindo. – Meu nome é
Louise Maier.
-- Maier? – Bruna se espantou. Será que a
menina ali era da Alemanha? – Você... Me perdoe perguntar. Mas você é da
Alemanha?
-- Sim. – ela riu. – Metten.
-- Somos quase vizinhas. Eu sou de Munique.
Me chamo Bruna Schineider.
-- Prazer em te conhecer, Bruna. Então, o
Lester te chamou também?
-- Quem é Lester?
-- Ué? Não conhece Richard Lester? O diretor?
-- Eu não estou entendendo nada.
Louise deu risada e explicou cuidadosamente
para Bruna a respeito do filme de uma banda de rock chamado Os Beatles e
Richard Lester filmava a cena do trem, mostrando a era da beatlemania. Os
jovens que ali corriam atrás da banda, eram contratados figurantes e Louise era
um deles. Bruna escondeu o rosto no livro, de vergonha. Embarcou no trem sem
saber que era tudo parte de uma filmagem.
-- Meu Deus! – Bruna colocava as mãos no
rosto, ainda escondendo sua vergonha. – A última coisa que queria era
participar de um filme de uma banda de rock. E agora?
-- O jeito é aproveitar. – Louise era mais
animada. – Mas hoje eu tenho um plano.
-- De que?
-- Eu verei o Ringo Starr. O problema é que
tem um grupo de garotas que vai filmar com eles no trem e uma delas... É a mais
bonita.
Bruna entendeu tudo.
-- Não acha que pode dar um problema? E se
você for presa?
-- O plano é simples e ninguém sai ferido. Só
preciso ser cuidadosa. Vem comigo.
Bruna, sempre certinha, não gostava daquilo,
mas ao lembrar do rapaz bonito visto no corredor ser um dos Beatles, animava
mais. O único defeito era que não sabia seu nome. Ela e Louise encontraram um
grupo de garotas se arrumando e conversando. As roupas lembravam um pouco os
uniformes colegiais e das comissárias de bordo sem chapéu de acompanhamento.
Louise furta duas destas roupas e Bruna olha numa das cadeiras das atrizes
escrito “Patricia Boyd”.
-- Vamos, Bruna!
Elas voltaram para sua cabine e se trocaram
rapidamente. No exato momento que saíram, foram chamadas para gravar.
-- Aí estão vocês. – chamou um figurinista. –
Entrem logo no próximo vagão. O diretor chama todos.
Elas compareceram junto com parte do elenco.
Richard colocou Bruna e Louise para gravarem na cena onde os Beatles e junto
com ator Wilfrid Brambell, o que faz o avô de Paul McCartney no vagão onde
guardam as bagagens pesadas e gaiolas de animais.
-- É o nosso dia de sorte, Bru! – Louise
mostrava mais animação.
No exato momento que os Beatles apareceram, o
tal rapaz jovem olhou Bruna e paralisou. A alemã tremia as mãos e queria emitir
uma palavra.
-- Você deve ser a Pattie, não é? – perguntou
o beatle mais jovem.
Bruna não respondeu. Tamanha sua alegria e
surpresa, misturada com um pouco de indignação por ser chamada de Pattie.
-- Sim! – respondeu Louise, prontamente.
-- Sou George.
-- Bru... Digo, Pattie. – Disfarçou a menina.
A tomada foi anunciada e a claquete batida.
Bruna tenta ser autêntica e sorria tanto para George, quanto para os outros.
Louise ficou no lado de fora da cabine, junto com mais 3 meninas. Como por
ironia do destino ou o universo quisesse conspirar a favor de Bruna e George, a
música tocada era I Should Have Known Better.
I should have known better
With a girl like you.
That I would love everything
That you do
And I do,
Hey, hey, hey,
And I do.
With a girl like you.
That I would love everything
That you do
And I do,
Hey, hey, hey,
And I do.
Whoa, oh, I never realized
What a kiss could be.
This could only happen to me.
Can't you see?
Can't you see?
What a kiss could be.
This could only happen to me.
Can't you see?
Can't you see?
That when I tell you that I love you,
Oh,
You're gonna say you love me too,
Oh,
And when I ask you to be mine,
You're gonna say you love me too
Oh,
You're gonna say you love me too,
Oh,
And when I ask you to be mine,
You're gonna say you love me too
So, oh, I should have realized
A lot of things before.
If this is love
You've gotta give me more.
Give me more,
Hey, hey, hey,
Give me more.
A lot of things before.
If this is love
You've gotta give me more.
Give me more,
Hey, hey, hey,
Give me more.
Whoa, oh, I never realized
What a kiss could be.
This could only happen to me.
Can't you see?
Can't you see?
What a kiss could be.
This could only happen to me.
Can't you see?
Can't you see?
That when I tell you that I love you,
Oh,
You're gonna say you love me too,
Oh,
And when I ask you to be mine,
You're gonna say you love me too
Oh,
You're gonna say you love me too,
Oh,
And when I ask you to be mine,
You're gonna say you love me too
You love me too.
You love me too.
You love me too.
You love me too.
You love me too.
Ao final da música, a cena a seguir a banda tinha que
correr para o carro e escapar de novo dos fãs. Antes da retirada, George lança
outro olhar para Bruna e seguiu junto com os outros.
-- Corta! – gritou o diretor. – Muito bom!
Louise e Bruna ficaram um pouco distantes do elenco de
figurantes.
-- Sua sortuda. A gente se conhece há 40 minutos e já
ganha o coração do George?!
-- Eu... não sou muito ligada a música, mas... George é
tão lindo!
-- Harrison não é meu beatle favorito contudo ele canta
muito bem. – Louise percebe que o diretor conversava com outros figurantes e
assistentes. – Bruna, vamos para nossa
cabine e rápido. Pegue suas coisas e vamos cair fora!
-- Mas por que?
Quando elas chegaram, deixaram as roupas do elenco na
cadeira, pegaram as malas e saíram do trem.
-- Vou te contar. Quem deveria estar na cena na cabine
com os Beatles enquanto cantavam, era uma atriz chamada Patricia Boyd. As
roupas que pegamos era dela.
-- Puta merda! Trapaceamos! – berrou Bruna. – A gente
pode ser presa!
-- Calma! Ninguém saberá quem somos. E veja o lado bom.
Você estava diante dos Beatles, bem mais perto do George. E eu que só olhei pro
Ringo.
-- Quer saber, chega de bandas de rock. Preciso me focar
na faculdade.
Louise, também estudante universitária de Londres, guiou
Bruna até o alojamento central e mostrou o quarto de sua nova amiga.
-- O que achou?
-- É legal. – Olhou para janela e avistou um estúdio
branco. – Que prédio é aquele?
-- É o Abbey Road. É um estúdio de gravação.
Um novo começo de vida para Bruna e novos rumos para ela
e sua nova amiga, Louise, iniciaram no trem... O restante... Era ver para crer.
Continua...
domingo, 13 de outubro de 2019
Athena (Oneshot - Grindhouse)
Olá, pessoal!
De novo vou postar algo. Vamos ler a oneshot "Athena", que é uma prequel da fanfic Love Sell Out. O encontro de uma noite só e um pouco da rivalidade Mods vs Rockers. Boa leitura!
De novo vou postar algo. Vamos ler a oneshot "Athena", que é uma prequel da fanfic Love Sell Out. O encontro de uma noite só e um pouco da rivalidade Mods vs Rockers. Boa leitura!
Athena__ Maya Amamiya
1966
Aquela
sexta-feira estava chuvosa em Londres. O que não impediu de um grupo de jovens
freqüentarem seu lugar favorito: o Marquee Club. Uma banda formada por quatro
rapazes, usando ternos pretos e cinzas com três botões e calça slim justa no
corpo. E sapatos bico fino de couro sempre lustrados, tocavam alegremente seus
hits e os “mods”, como eram chamados os jovens que se vestiam daquela maneira,
dançavam ao som deles. Meio furioso, meio rítmico.
Um táxi parou
em frente ao Marquee e dali saltaram quatro garotas abrindo um enorme guarda
chuva. Uma delas, a maior, pagou o taxista e entraram juntas, sendo bem
recebidas pelos seguranças e a recepcionista. Pagaram e deixaram seus casacos e
o guarda chuva nos armários disponíveis.
-- Da próxima
vez eu mesma vou chamar um táxi antecipado. – reclamava uma delas de sotaque
francês.
De repente o
público começou a dançar loucamente com som do grupo.
People try to put us down
(Talkin' 'bout my generation)
Just because we get around
(Talkin' 'bout my generation)
Things they do look awful cold
(Talkin' 'bout my generation)
Hope I die before I get old
(Talkin' 'bout my generation)
It's my generation
It's my generation, baby
Why don't you all fade away
(Talkin' 'bout my generation)
And don't try to dig what we all say
(Talkin' 'bout my generation)
I'm not trying to cause a big sensation
(Talkin' 'bout my generation)
Just talkin' 'bout my generation
(Talkin' 'bout my generation)
It's my generation
It's my generation, baby
Why don't you all fade away
(Talkin' 'bout my generation)
And don't try to dig what we all say
(Talkin' 'bout my generation)
I'm not trying to cause a big sensation
(Talkin' 'bout my
generation)
Just talkin' 'bout my generation
(Talkin' 'bout my generation)
It's my generation
It's my generation, baby
My, my, my, my generation
People try to put us down
(Talkin' 'bout my generation)
Just because we get around
(Talkin' 'bout my generation)
Things they do look awful cold
(Talkin' 'bout my generation)
Hope I die before I get old
(Talkin' 'bout my generation)
It's my generation
It's my generation, baby
Talking 'bout my generation (my generation)
Talking 'bout my generation (my generation)
Talking 'bout my generation (my generation)
Talking 'bout my generation (my generation)
Com
dificuldade foram para o balcão e pediram as bebidas ao barman. Observaram o público. Só mods, pensou a
garota alta de cabelo preto e botas. Embora vestida como um deles, ela se
considera tanto “rocker” quanto mod.
-- Até que
eles têm um som bom. – Concordou a menina de traços russos.
-- O
baterista é tão lindo. – Disse a escocesa de olhos grandes e azulados.
As outras
riram. O último namorado da jovem foi um guitarrista, chamado George Harrison,
do grupo The Beatles.
-- Pela
primeira vez Nora não se apaixona pelo guitarrista ou vocalista. – Ria sua
amiga, a francesa e em seguida lançou um olhar para o cantor. – Mas esse
vocalista tem uma pinta de deus grego.
As quatro
beberam um pouco seus drinques e conversavam alegremente durante a música.
-- Ele tem. –
Apoiou a mais alta e galesa. – Contudo, parece um anão de jardim.
-- E o nariz
daquele guitarrista. – Apontou a jovem russa. – É imenso e ele parece maior que
você, Felicity.
Felicity
sorriu. Ela não se importava com o nariz dele e sim com os olhos azuis. Como o
mar do Norte.
-- Não me
importo com o narigão dele e sim com os olhos. – Disse a galesa chamada
Felicity, conhecida como Fefe. – Agora só queria saber o que o baixista tem.
-- O mocinho
que toca baixo?
-- Isso. Meu
Deus, ele parece uma máquina. Não reage. Está vendo, Ana?
Anastacia, ou
somente Ana, olhava encantada para o baixista.
-- Ele é bem
bonito.
-- Estamos
aqui há um bom tempo falando sobre esses moços bonitos, mas alguém sabe o nome
da banda? – questionou a escocesa de nome Nora.
A francesa
chamada Marie encontrou um cartaz na parede do bar com a estampa de um alvo com
as cores azul, vermelho e branco e o nome em letras grandes.
-- Segundo o
cartaz, eles são The Who.
-- The Who? –
Fefe nunca ouvira falar. – Que raio de nome é esse pra uma banda?
-- Será que
eles têm uma música chamada “quem é você”? – Ana zombou um pouco.
Elas riram e
beberam mais um pouco.
-- O
guitarrista canta bem... – Fefe não poupava elogios ao guitarrista. – Ou essa
bebida tem efeito afrodisíaco?
Percebendo
isso, Marie afastou o copo de sua amiga.
-- Vamos com
calma.
-- Mas de
repente deu um calor também. – Ana tirava a manta de flores estampadas e
deixava no balcão junto com a bolsa de Nora.
A banda
começa cantando I Can’t Explain.
Got a feeling inside (Can't explain)
It's a certain kind (Can't explain)
I feel hot and cold (Can't explain)
Yeah, down in my soul, yeah (Can't explain)
I said ... (Can't explain)
I'm feeling good now, yeah, but (Can't explain)
Dizzy in the head and I'm feeling blue
The things you've said, well, maybe they're true
I'm gettin' funny dreams again and again
I know what it means, but
Can't explain
I think it's love
Try to say it to you
When I feel blue
But I can't explain (Can't explain)
Yeah, hear what I'm saying, girl (Can't explain)
Dizzy in the head and I'm feeling bad
The things you've said have got me real mad
I'm gettin' funny dreams again and again
I know what it means but
Can't explain
I think it's love
Try to say it to you
When I feel blue
But I can't explain (Can't explain)
Forgive me one more time, now (Can't explain)
I said I can't explain, yeah
You drive me out of my mind
Yeah, I'm the worrying kind, babe
I said I can't explain
No meio da
música Fefe e Marie se juntaram aos mods na dança. Apesar de ser uma rocker que
se veste como mod, Felicity tem uma incrível habilidade pra dançar. Sua amiga
concordava plenamente e se movimentava conforme a música e o ritmo corporal da
colega. Ana e Nora se animavam demais vendo as duas e foram com elas para
dançar com todos.
Quando a
banda parou, uma música de fundo embalou a turma mod e as garotas voltaram para
o balcão. Já os integrantes trocavam idéias, contudo Pete, o guitarrista não
tirava os olhos da morena alta e bela. Desde sua entrada se fascinou de
imediato por ela. Óbvio que ela não lembrava em nada Karen Astley, no entanto
possuía algo, fazendo-o recordar de Annie e Evanna. Talvez o jeito mais
atrevido e um pouco doce. Aquela mulher era totalmente incomum.
Ele planejou
se aproximar dela até que alguém puxou seu braço. Era Roger.
-- Você não
vai até lá.
-- Por que
não? – desafiou Pete. – Não vejo uma garota dessas desde... Você sabe.
-- Ah, minha
nossa...
Pete se
aproximou da moça alta. Tentou afastar a timidez e pagou duas bebidas.
-- Para você.
– disse o guitarrista e usando óculos escuros.
Fefe estava
meio distante das garotas para flertar com ele e aceitou.
-- Obrigada.
– Fefe sorria e se mostrava confiante, apesar da ansiedade. – Você toca muito
bem a guitarra.
-- Muito obrigado
pelo elogio. – Pete resistiu à vontade de tirar os óculos. Preferia manter o
charme. – Então, está gostando do
Marquee?
Fefe
bebericava e sem querer deu um risinho.
-- Estou. –
respondeu. – O público é legal, a música não é nada ruim. E é uma das raras
vezes que vejo mods.
-- Vê mods? –
estranhou o guitarrista.
-- Eu não sou
daqui.
-- Logo vi
com esse sotaque. Veio de Liverpool?
-- Sou
galesa. Mas fui criada lá. Atualmente moro com uma amiga escocesa enquanto
junto dinheiro pra comprar meu próprio apartamento.
-- Isso é tão
legal. Venha morar em Londres. Só não te recomendo em Sheperd’s Bush. Sabe,
pela arruaça.
-- Os mods...
-- Ok, agora
quero saber. – Pete denotou um pouco de irritação na voz. Não gostava como a
moça falava dos mods. – Você não é mod?
Fefe largava
a bebida. Prevendo o pior.
-- E se eu
não for?
O silêncio de
Pete foi até suspeito e a moça se preparava pra deixá-lo, mas a mão dele
agarrou a sua.
-- Desculpa.
-- Sou eu que
peço desculpas. Preciso te contar um segredo.
Pete e ela
ficaram próximos.
-- Sou uma
rocker. – respondeu sorrindo.
É a vez de
Pete retribuir o sorriso. Mesmo diante da sinceridade e indo contra seu “código
mod”, ele não se importou.
-- Isso é bem
incomum. – admitiu. – Como nos encontrou?
-- Minha
amiga francesa. – apontando para Marie, que neste momento debatia com o
vocalista loiro sobre Edith Piaf e Johnny Lee Hooker. – Ela gosta de cena
alternativa. E confesso que gostei mesmo. Sei que não tô vestida como vocês,
mas gosto de motos e do que vejo por aqui.
-- Obrigado.
– Pete sentia o coração batendo mais depressa.
Enquanto isso
no bar, as amigas de Felicity ganharam total atenção dos outros integrantes da
banda. John adorou conversar com Ana, Keith afastou um mod bêbado de perto de
Nora e a protegeu e Roger e Marie em seu debate um tanto estranho. Já Pete e
Felicity pareciam desta vez se entrosar e quase acontecendo um beijo. Até que
um mod de rosto estranho, abriu a porta e deu um aviso:
-- ROCKERS!
Num curto
espaço, motocicletas Harley Davidson invadiram o local e alguns rockers
provocavam a mais barulhenta briga com seus rivais certinhos de ternos.
-- Puta
merda! – exclamou Ana, pegando a bolsa.
-- Malditos
rockers... – reclamou Moonie.
-- É a galera
da Fefe. – disse Nora, em pânico.
-- Como
assim? – o baterista não compreendeu.
-- Minha
amiga, a que está com o guitarrista. Ela é um deles. Uma rocker.
Um dos
motoqueiros, possivelmente o líder, espancava alguns mods quando avistou a
galesa alta saindo com Pete.
-- TRAIDORA!
– gritou o rocker líder. – ELA ESTÁ AQUI! COM O INIMIGO!
Fefe puxou
Pete de volta. O guitarrista não ia permitir uma coisa dessas e não era um
bando de rockers que o amedrontariam.
-- Precisamos
ir. – disse.
-- Posso
enfrentar eles. – berrou o guitarrista.
-- Não! Não
pode. Estão em grande número. – implorou a moça. – Por favor, não faça isso.
Por mim...
A briga
continuava. O líder dos rockers queria alcançar Fefe, mas cada passo que dava,
brotava mais dois ou três mods o impedindo. Obedecendo a súplica da garota,
Pete correu junto com ela para fora e chamou seus amigos. As amigas de Fefe
também foram acompanhadas com eles. Saíram do Marquee Club e ainda chovia.
-- Que droga!
– gritou Keith, saindo pelos fundos com o pessoal. – Ainda chove.
-- Não vai
ter briga? – perguntava Roger, cuja ansiedade em bater num dos invasores era
enorme. – Eu tô sedento para bater num rocker!
-- Não vamos
brigar. – anunciou Pete. – Estamos acompanhados.
-- Mas está
chovendo, docinho! – John debochava de Pete e o mesmo não se irritou.
Cada um deles
embarcaram nas lambretas e suas garotas na garupa e usando um casaco longo pra
proteger da chuva.
-- Vamos para
nosso apartamento.
-- Espera! –
John manifestou um pouco de descontentamento e apontou para Felicity. – Ela vai
junto?
-- Claro que
vai! – Pete não tinha receios e John foi convencido por fim.
-- Qualquer
lugar é melhor do que aqui. – afirmou Ana.
-- E você me
deve uma bebida, garotão. – disse Marie, dando um beijinho em Roger.
-- Com
prazer.
Dando a partida
nas motos, o quarteto distanciou do Marquee Club sob a chuva noturna, ao mesmo
tempo em que viaturas chegaram e prenderam os rockers e o líder deles. Alguns
mods não escaparam da voz de prisão e entraram no camburão e minutos depois,
levados para o Palácio da Polícia e registrando a queixa e multa.
Chegaram ao
apartamento deles, sob uma rua aparentemente calma, se não fosse outro pub com
música alta. Ao abrir a porta, as
garotas entraram e de cara o quarteto masculino arrumou a sala e guardou suas roupas
espalhadas nos armários. Roger providenciou os copos e serviu para cada uma
delas uísque com gelo. John ajeitava a vitrola e um tanto indeciso, colocou Cry
to Me cantada por Solomon Burke.
Moonie lavava o rosto e escovava os dentes. Pete se olhava no espelho e viu que estava
bem vestido e voltou para sala.
-- Dança
comigo. – convidando Fefe.
A galesa não
recusou e concedeu sua mão ao jovem guitarrista. Roger e Marie continuaram de
onde parou a conversa. Ana e Nora foram para a cozinha e encontraram os outros
dois.
-- Não repara
na bagunça, ok? – pediu John.
-- Nem
reparei. – dizia Ana, entre risos.
Moonie
continuava encantado por Nora.
-- Parece uma
boneca, sabia?
-- Obrigada,
lindinho. – agradeceu a escocesa.
Roger não perdeu
tempo e tirou Marie para uma dança, junto com Pete e Fefe. Apesar de o som
estar razoável por medo de despertar os vizinhos, o clima era bem romântico.
-- O que você
viu nele? – indagou o guitarrista.
-- Quem?
-- Aquele
cara. O rocker...
-- Ah. – Fefe
riu um pouco e voltou encarar Pete. – Não sei.
-- Você é a
garota mais bonita que já vi.
-- Diz isso
para todas. – ria Fefe, com certa modéstia.
-- É verdade.
Nunca vi algo tão belo e diferente como você. Sinto que.... – Pete pausou e em
seguida tocou a mão dela. – De alguma forma... Estou ligado a você.
-- Ou estamos
ligados. – ela disse, puxando de leve o guitarrista para perto.
Não demorou
muito e aconteceu um beijo. Os 3 integrantes, mais as 3 garotas vibraram e
voltaram a fazer companhia a eles. A noite prometia para ambos os quartetos...
No outro dia Pete
acordou e ao tatear o seu lado da cama, notou que Felicity não se encontrava
mais. Nem as roupas, botas e a bolsa dela estavam ali. Se levantou rápido e
encontrou o restante da banda tomando café.
-- Elas já
foram. – avisou John, pegando outra xícara para Pete.
-- A que
horas?
-- Acho que
umas seis da manhã. – respondeu Roger, com a boca cheia. – Eu vi a Marie se
arrumando e se desculpou pra mim por não ficar mais tempo.
-- A minha boneca
também foi. – lamentou Keith. – Foi a melhor transa que tive.
Pete se
sentou na mesa, um pouco frustrado. Isso até John entregar um papel para ele.
-- Que merda
é essa? – perguntou Pete.
-- É o
telefone do trabalho da Ana. A galesa altona trabalha com ela. – respondeu Enty,
enquanto bebia café.
Meses depois
foi lançado o segundo álbum do The Who, intitulado A Quick One , trazendo
uma música em questão chamada A Quick One While He Is Away, a primeira
ópera rock que Pete tentou escrever.
E o ano novo
entrou e tudo novo para ele. Mesmo com semanas de vendas do segundo álbum, Pete
já arquitetava o próximo. E foi no meio desta concepção que o destino conspirou
a seu favor naquela manhã no estúdio Grahamshire. Kit Lambert e Chris Stamp
fizeram as apresentações.
-- Miss
McGold, esse é Pete Townshend, o guitarrista do Who e o primeiro a ser
fotografado. Pete, essa é Miss Felicity McGold, a fotógrafa da revista Rolling
Stone.
Novamente os
olhares se encontraram e junto as lembranças de um primeiro encontro e noite no
Marquee Club no ano passado.
2019
-- Foi desse
jeito? – Paul McGold, o filho caçula de Pete e Fefe, havia lido os diários do
pai e comentou isso para os pais, que lhe contaram tudo em detalhes.
-- Achou o quê?
Que fosse como contos de fadas? – Fefe ria enquanto tirava uma travessa de
pudim do forno.
-- Bem... –
Karin, a filha guitarrista e dois anos mais velha que Paul, também era outra
que leu. – Era o ano de rivalidade dos mods e rockers.
-- Quero que
prestem atenção, filhos. – Pete parou de tocar violão. – Independente se a mãe
de vocês fosse mod, rocker, beatlemaníaca ou hippie, nada mudaria o amor que
tenho por ela.
-- E por que “Athena”?
– indagou Paul.
-- Quando a
conheci, para mim mesmo, me referia a Felicity como “Athena”.
Os pais se
beijaram. Paul sorria sem jeito enquanto Karin aplaudia junto com seus três
filhos, Wallace, Nina e Bobby.
FIM
Brit Characters: Mary Julia Waterston
Olá pessoal!
Hoje venho apresentar mais uma personagem. Essa eu criei para uma fã do Who, a Maria Giulia. Em breve ela vai dar as caras em algumas fics. Espero que gostem.
Hoje venho apresentar mais uma personagem. Essa eu criei para uma fã do Who, a Maria Giulia. Em breve ela vai dar as caras em algumas fics. Espero que gostem.
Nome Real: Mary Julia Waterston
Idade: 27
Data de nascimento: 3 de dezembro de 1944
Cidade natal: Londres
Cidade atual: Londres
Profissão: Historiadora
Características: Mary nasceu em Shepherd's Bush, um dos bairros mais conhecidos de Londres e ela presenciou todo cenário mod e psicodélico. Ela foi Mod, foi hippie e é uma grande sonhadora e ama sua profissão.
Hobby: Ouvir música, visitar locais históricos
Relacionamentos: George Harrison (1963), Pete Townshend (1964- 1965), Eric Idle (1967 a 1969), Neil Innes (1971 em diante)
Medo: Ratos e cobras
Do que mais gosta: gente com senso de humor, sem julgamentos sobre tudo
Do que menos gosta: Preconceito
domingo, 6 de outubro de 2019
Laços do Blues (Epílogo)
Boa tarde, pessoal.
Hoje o dia não está muito bom. Como devem saber (pra quem acompanha as novidades do mundo classic rock), o baterista Ginger Baker morreu. E em homenagem a ele, hoje será postado o epílogo de minha fanfic. Minha primeira fanfic do Cream. Parece que foi ontem que escrevi de modo despretensioso pra expressar minha crush na época por Eric Clapton. Depois com a quantidade de outras fics, ela ficou em hiatus várias vezes e hoje é sua conclusão. Desejo-lhes boa leitura!
Hoje o dia não está muito bom. Como devem saber (pra quem acompanha as novidades do mundo classic rock), o baterista Ginger Baker morreu. E em homenagem a ele, hoje será postado o epílogo de minha fanfic. Minha primeira fanfic do Cream. Parece que foi ontem que escrevi de modo despretensioso pra expressar minha crush na época por Eric Clapton. Depois com a quantidade de outras fics, ela ficou em hiatus várias vezes e hoje é sua conclusão. Desejo-lhes boa leitura!
Rosie POV
Chegou o dia que Marianne deu à luz. Aconteceu
num dia comum da primavera e eu ouvia Yardbirds no apartamento. Quando o disco
terminou de tocar, eu a vi no sofá, se contorcendo. A bolsa estourou, ela
chorava e procurava discar o número da emergência. Eu também estou grávida, mas
meu filho está previsto pra nascer no próximo mês.
-- Me ajuda, Rosie... – ela pedia.
O que se passava na minha cabeça? Se não fosse o
barrigão estaria sentada na cadeira, assistindo de camarote o sofrimento dela e
não prestar ajuda alguma, alegando incapacidade física e ainda beberia um pouco
de Martini. Não. Esse tipo de pensamento deveria ter com a russa maldita. Então
fiz o que tinha de ser feito. Levei para o hospital e liguei para Edmund.
Um médico muito gentil veio falar comigo.
-- Srta. Donovan?
-- Sou eu.
-- Olá, me chamo Moses Smith. – ele apertou minha
mão e nossa! Ele é um gato! Traços escoceses com galeses. Certamente o pai deve
ser escocês e a mãe galesa, ou o contrário. – Marianne está sofrendo muito. As
contrações estão fortes e pra piorar, o bebê está virado.
Engoli em seco ouvindo isso. Pela primeira vez
senti medo de perder Marianne e se acontecer, não vou me recuperar tão cedo.
Uma hora depois apareceu Edmund, Ana (por que
ela?), Chelsea e os pais (sim! O pai e a mãe) de Marianne. E mais uns momentos
de parto. Ana foi obrigada entrar no quarto dela. Eu poderia, mas Ana se prontificou.
Para não me estressar concordei. Não fiquei pro nascimento do bebê e na saída
trombei com Ginger, chapado e meio louco.
-- Rosie... – ele me abraçou e o cheiro forte da
maconha exalou total. – Onde está minha pequena?
-- No quarto.
-- Obrigado...
Deveria avisá-lo que não era mais bem-vindo para
os Jones, mesmo sendo o pai do bebê. Voltei pra casa e chorei bastante. Talvez
fosse melhor ter esse bebê e deixar unicamente com Edmund e largar Marianne.
Passei o resto das horas até anoitecer e finalmente Ed retornou pra casa.
-- É uma linda menina. – ele disse e se deitando
comigo na cama.
-- Que bom... – disse, soluçando. – Meus
parabéns.
-- Rosie, calma. Não precisa chorar.
-- Só quero ficar sozinha. – respondi e me
virando.
-- Posso ficar aqui em silêncio?
-- VAI EMBORA! – gritei e joguei um livro na
cabeça dele.
-- Tudo bem...
E fechou a porta do quarto e a da sala.
Certamente foi embora mesmo. Naqueles dias todos eu vivi no inferno. Passava o
dia trancada, chorando e me recusando quem fosse ver. Marianne não voltou para
o nosso apartamento e ficou na casa dos pais. Melhor assim. Mas num domingo de novembro,
quando resolvi colocar o disco do Cream no aparelho, sinto algo úmido no meio
das pernas.
Praguejei. Era hora. No
momento que fui pedir ajuda para Edmund, me dei conta que não havia ninguém em
casa. Era eu. Gritei de dor e um pouco de raiva até alguém tocar a campainha.
Abri a porta e era... Eric Clapton.
-- Rosie...
-- Me ajuda...
Eric me levou até o
carro e fomos juntos para o hospital. A dor era imensa. Chegando na porta de
emergência, ele chamou os médicos e me colocaram na maca e em direção a sala do
parto.
-- Eric, não me
deixa...
-- Não vou te
deixar...
Na sala eu chorava,
suava e urrava de dor. Pensava o que teria feito de errado para merecer essa
dor. Isso tudo é castigo por negar Marianne? Por ofender Ana e Chelsea a ponto
de declarar guerra?
-- Não sentirá nada e
quando acordar, será mãe. – avisou o médico, sorridente.
Vi claramente a
enfermeira preparando uma seringa contendo algo. Anestesia.
-- Por favor... Não
quero anestesia... – disse, ofegante.
-- Enfermeira Randall,
faria a gentileza? – disse para enfermeira e em seguida me olhando. – Tenha calma,
srta. Donovan. Não há o que se preocupar.
-- Não me diz o que
preciso. Sou perfeitamente capaz... de decidir como dar à luz meu bebê.
Não deu outra. A
enfermeira injetou meu braço.
-- Mas...
-- Boa noite, Srta.
Donovan. Deixe tudo conosco.
-- Você...
Foi como adormecer de
um dia cansativo. Neste caso, meu sonho continha minhas lembranças de meu ano
em Oxford, os amigos feitos, o primeiro emprego, o namoro com Eric, os shows...
O que para mim foi um instante, foram 5 horas de sono. Acordei na cama de
hospital. Olhei para janela. Estava chovendo.
-- Rosie.
Olhei em direção a
porta. Eric carregava um bebê e a enfermeira chegou. Me entregou o bebê. Não reagi
em nenhum momento.
-- Meus parabéns. –
disse a profissional e em seguida se retirando.
Eric achou graça.
-- Ela acha que somos
os pais.
Não disse nada. Apenas
olhava aquela criança. E não demonstrava nada. Era meu filho, sim. Carreguei
por nove meses, mas não o queria.
-- Como ele vai se
chamar?
-- Dorian.
-- Como o livro... –
ele disse, em seguida sentando na beira da cama. – Lindo nome. Sei que não sou
o pai mas... sinto como se ele fosse meu.
-- Poderia ser a
gente. – respondi.
-- E não podemos?
-- E a japonesa? A
garota que você me trocou por ela?
-- Ah... Ela conheceu
um estudante de astronomia em Cambrigde. Brian, acho que era esse nome dele.
-- Sinto muito.
-- Eu mereci. O que eu
fiz pra você não merecia perdão.
-- Eu também errei.
Eric tocou minha mão e
trocamos um olhar. O mesmo que trocamos na primeira vez que nos vimos.
-- Pode me visitar
sempre. – disse.
-- Obrigado.
Nos beijamos e quando
terminou, tive a impressão que alguém observava o quarto. Dias após o
nascimento do Dorian, decidi algo: larguei a faculdade em Oxford e me mudei
para Londres. Consegui vaga para estudar na universidade pública da capital e
minha mãe cuidava do meu bebê. Eric e eu não voltamos a namorar, contudo, continuamos
amigos e de vez em quando... rolava algo entre nós.
2005
Não sei o que deu em
mim para assistir o show de reunião do Cream. O tempo passa e ainda continuam
os mesmos. As lembranças daquele ano de 1966 e 1967 foram os mais marcantes de
minha vida. Eu vivi minha vida, aprendi ser independente, amar, tive meu filho,
conquistei tudo com meu esforço e não sofri mais.
-- Rosie?
Me virei e era
Marianne e sua filha, Sofia e o outro rapaz eu sei quem é mas esqueci o nome.
-- Marianne... – disse
sem muita animação.
-- Madrinha! – Sofia me
abraçou. – Você veio...
-- Sim...
-- Lembra do Joey? Meu
marido.
-- É claro. – fingi um
sorriso. Joseph Townshend, transpirando boniteza com cafajestice. Igual o Best.
Ela casou com ele, se separaram em 2000 quando ele teve uma filha fora do
casamento e voltaram. – Como você está, Joseph?
-- Muito bem, senhora.
Nos bastidores, Eric cumprimentou
todos e veio até mim.
-- Rosie...
-- Eric...
Não estamos juntos.
Mas ainda temos aquele apelo. A química. Eu perdoei Eric em 67 e ele me perdoou.
No fim não somos perfeitos. E é melhor assim.
FIM
--- Cenas pós créditos da Marvel ----
1967
Duas semanas após o nascimento
do Dorian, fui no hospital onde Marianne ganhou a Sofia e consultar com Dr.
Smith. Chegando na sala dele, encontrei uma das amigas de Ana, a escocesa Nora
Smith e acompanhada de um senhor de uns quarenta anos e ruivo.
-- Meus parabéns pelo
bebê. – disse o doutor.
-- Ai que felicidade! –
ela vibrava de alegria e na hora que saiu da sala me viu. – Rosie! Awn! Que
bebê fofinho!
-- É o Dorian. – respondi.
– Meu filho.
-- Meus parabéns para
ele. Ah, este é meu pai. Eddard.
O homem mais velho me
cumprimentou. Aquele homem grande tinha cheiro de patchouli com animais no
campo. Deve ser fazendeiro, eu pensei. No entanto, não podia negar que ele era
bonito. Demais para alguém quarentão. E ruivo.
Depois da despedida, o
doutor me chama.
-- Pode entrar, Srta.
Donovan.
E vamos para a
consulta...
Rosie Donovan vai voltar
Marianne Jones vai voltar
Homenagem a Ginger Baker
Publicado em 2 de agosto de 2011
Finalizado em 6 de outubro de 2019
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