Capítulo 5: Runaways
Louise POV
Hoje é mais um daqueles
dias que custam a passar. Na aula de expressões faciais não estava muito
disposta a assistir, contudo o que me motivou era que faltava só vinte minutos
para encerrar a aula e correr logo pra casa com Odile Greyhound, minha melhor
amiga e terminar de assistir os últimos episódios do anime Hanasakeru Senshounen e Nodame Cantabile.
Fim de aula e eu e minha
seguimos pra casa quando...
-- Tenho uma novidade. –
Dizia Odile, muito animada. – Comprei online dois ingressos pra poder assistir
o Bayern de Munique e Real Madrid pela Liga dos Campeões no sábado!
Odile amava muito os
esportes e seus favoritos eram futebol e Fórmula 1. Atualmente ela acompanha
todos os jogos da Liga dos Campeões da UEFA, sobretudo do time Bayern de
Munique. Não entendia o motivo daquele fanatismo por um clube alemão, mas sabia
muito bem respeitar esse gosto dela. Às vezes achava que isso tem a ver com
antigo namorado dela, o austríaco Niki Lauda.
Niki e Odile se conheceram
no cursinho preparatório para ela ser aprovada na universidade de Londres. Os
combinaram de se encontrar aqui, contudo, Lauda não havia conseguido e teve de
retornar para Viena.
Desde então Odile vem
fazendo uma série de coisas que nem eu acreditava que ela fosse fazer, como
viajar pra Berlim sozinha, ir a Comic Con em São Francisco , ir ao
show do Florence and The Machine ou do Camera Obscura em Edimburgo.
-- Vem comigo, Louise. Vai
ser divertido! – Odile tem mesmo a intenção de me levar, mesmo ela sabendo que
eu nunca pisaria num estádio de futebol pra assistir uma partida.
-- Sabe bem que não posso.
Meus pais vão descobrir e minha prima vai me dedurar pra eles.
-- Leva seu irmão junto!
-- Do que estão falando,
minhas duas mulheres da minha vida? – Perguntou Michael, meu irmão mais velho,
veterano do curso de Psicologia.
-- Odile comprou ingressos
pro jogo do Bayern. Onde vai ser mesmo?
-- Será em Madrid, no
Estádio Santiago Bernabéu. Quer vir junto, Mickey? – Convidou minha amiga.
-- Também sou fanático por
futebol, minha querida. Inclusive queria levar mesmo a Louise porquê comprei
ontem o ingresso online pro jogo.
-- Beleza, vamos nós três
juntos!
Michael e eu combinamos de
não falar pros nossos pais sobre isso. Não falamos nem para Felicity, minha
prima. As únicas pessoas que sabiam, além de Odile, Michael e eu, eram Rosie
Donovan e sua irmã Vivian. Alias, eu e Odile moramos na casa dessas irmãs, pois
a mãe delas alugava mais um quarto pra algum estudante da faculdade de Londres
e a considerar pelo preço, Odile e eu rachamos juntas e dividimos o quarto.
Michael mora numa republica só de garotos deslocados e estranhos.
Depois de falar os planos
para as irmãs Donovan, fui pro quarto assistir meus animes. Após encerrar os
animes, fui dormir um pouco preocupada com a viagem...
No sonho...
Caminhava até o salão de festas da faculdade e
quando entrei todos pararam para me ver. Que constrangimento, mas quando olhei
pro lado vi meu visual incrivelmente lindo. Como pode ser? Por um momento me
senti igual a protagonista daquele clipe dos Oasis. Alguém coloca Rolling In
The Deep, versão da Adele e um rapaz de cabelos esvoaçantes, usando terno e uma
mascara me puxou pra dança e num minuto todos começaram a dançar junto. Não é
preciso falar que adorei tudo aquilo e para encerrar meu sonho, ele tirou a
mascara e disse em alemão:
-- Ich liebe dich!
Acordei com meu celular
tocando Adele e justamente a música que tocou no meu sonho. Tomamos café e
ficamos esperando Michael chegar para poder partir.
-- Nem sabe do meu sonho. –
Comentei com Odile.
-- O que aconteceu?
-- Foi meio maluco, sei
lá. Me pareceu uma versão atual daquele clipe dos Oasis, Lyla. Cheguei numa
festa, com um vestido de arrasar e um cara com pinta de galã me convidou pra
dançar e depois falou comigo em alemão. Vê-se pode?
-- E o que exatamente
disse?
-- Pelo pouco entendimento
da língua germânica, disse “eu te amo”.
Odile comia e ao mesmo
tempo parava para analisar isso. Mickey aparece e se junta ao nosso lanche.
-- Meninas, rápido! Precisamos
pegar o avião e chegar a Madrid até as onze da noite no hotel que reservei.
-- Está bem. Ah preciso
pegar minha mochila. Lulu, fale pro seu irmão o sonho doido.
-- Que sonho? – Questionou
Mickey.
Contei tudo de novo para
meu irmão e ele ouvindo atentamente e comendo um sanduíche.
-- Certo. E pode me
descrever como era o “fulano”?
-- Bem... ele tem a sua
altura, cabelo meio anos 70, pinta de galã pois me representou um Mr. Darcy que
fala alemão. Ah, a cara dele parecia o Messi mas não era o próprio!
-- Tenho a impressão que
conheço essa pessoa... – Michael tirou de sua mochila um álbum de figurinhas de
futebol e justo da Eurocopa de 2012. Ficou folheando e até Odile, já com a
mochila pronta e carregando um cartaz, entrou na ajuda. Mickey falou as
descrições e rapidamente, minha amiga consegue achar a pessoa.
-- ENCONTREI O CARA DO SEU
SONHO! AQUI, OLHA! – Gritou Odile e apontando para um jogador alemão e por coincidência,
bate com a descrição do meu sonho.
-- Quem é ele? –
-- Gerd Müller, atacante
do Bayern e da Seleção Alemã. O cara detona nos chutes e os gols são
impressionantes! – Respondeu Michael, surpreso.
-- Tem razão, ele é o
melhor mesmo. Ganhou por dois anos seguidos o premio “Bola de Ouro”, de melhor
jogador. – Agora é Odile quem estava impressionada.
Após a conversa, pegamos
um táxi e chegamos bem a tempo ao aeroporto. Pegamos classe econômica, o que
era um pouco ruim mas permitiu ficarmos os três juntos na viagem.
Acreditam que desde a
descoberta do rapaz galanteador do meu sonho, não consigo parar de pensar nele?
Chegava a ser uma pequena obsessão
meio louca, tipo, não sei quem é Gerd Müller e mesmo assim comecei a gostar
dele? Não era a mesma coisa quando me “apaixono” pelos personagens masculinos
de anime, como é o caso do Li Ren e Rosenthal de Hanassakeru e Ikki de Fênix em Saint Seiya. Definitivamente
não é normal isso que estou passando.
Meu irmão por sua vez,
achava mesmo normal e ao mesmo tempo sem relevância pelo sonho ter acontecido
num momento destes.
Conforme os planos de
Michael, conseguimos chegar em Madri as onze e como ele entende muito de
espanhol, conversou com um taxista e nos levou ao hotel.
Odile e eu ficamos muito
cansadas e ela mesmo alegre por assistir o jogo em primeira mão, não tinha
forças nem para tirar os tênis. Peguei o cartaz dela e vi que continha umas
fotos de um único jogador e palavras alemãs.
-- O que escreveu neste
cartaz? – Questionei e guardando de volta pro lugar.
-- “Sou fã numero 1 do
Franz Beckenbauer, o kaiser do futebol! #FranzLove”. Foi isso. Antes de mais
perguntas, eu consegui com um colega para fazer esse cartaz e ele entende mais
desta língua do que eu.
-- Fala sério que você
pediu ajuda aquele chato do Arnold? Poxa, ele vai te encher o saco pra ser
namorada dele.
-- Calma, eu pensei em
tudo! Vamos dizer que falei pro Arnold que o reitor não vai gostar de saber da
fraude das provas e hackers no computador.
E um pouco de violência gratuita hihihih!
-- Eu não reconheço mais
você, juro. – Mal terminei a frase e logo cai na risada, imaginando a “violência
gratuita” aplicada por Odile.
No dia seguinte fizemos
todo aquecimento para o jogo. Olhei para o celular se havia mensagens via sms
ou WhatsApp, seja da minha prima ou dos meus pais. Ainda be, que ninguém notou
nossa ausência.
A tarde fomos ao estádio Santiago
Bernabéu. Ao primeiro contato fiquei nervosa, não pela chegada dos torcedores e
sim por ansiedade pura. Era ali que iria conhecer Gerd Müller. Faltava poucos
minutos do jogo começar e Odile já prepara o famoso cartaz.
-- Mostra logo isso,
amiga! – Falei enquanto comia um cachorro quente com Michael.
-- Só quando ele aparecer
em campo!
Ficamos nas arquibancadas da geral, onde se localiza torcidas
organizadas. Ao contrario dos jogos que via na TV, hoje foi um movimento razoável
e isso permitiu uma boa visão panorâmica do local.
-- Ai mon dieu, vão entrar em campo!!!!
Já com tudo consumido, nos
levantamos e aplaudimos a entrada dos times. Senti-me uma completa torcedora.
Agora sei como meu pai fica nos jogos do campeonato e da copa.
Gerd Müller também entrou,
com uma cara bastante séria. Normal, está se concentrando e quando foram cantar
o hino do clube, encarei fixamente nos olhos dele. Olhar de jogador focado e me
representou ser dum azul tipo safira ou quem sabe eu esteja ficando daltônica.
Odile finalmente mostra o
cartaz e após a música, percebi algo. As câmeras focaram na minha amiga e no
seu famosinho cartaz criativo. Ela nem demonstra vergonha ou algo do tipo. Ela
conseguiu a atenção do seu jogador favorito, Franz Beckenbauer.
Continua...

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