Novo capítulo de Holiday, escrito por Mariana Greyjoy. Odile cara a cara com seu ídolo Franz Beckenbauer, Lulu revelando sua paixão por Gerd Müller e as "pérolas" que os alemães falam em inglês. Boa leitura!
Capítulo 7: Der Kaiser
Odile POV
Quando me vi em todos os
telões do estádio, segurando aquela cartolina meio amassada de tanto que eu
abria para conferir se aquelas frases em alemão estavam inteligíveis, não
acreditei que fosse verdade. Era tudo muito surreal. Até meus amigos ficaram
sem reação com aquilo tudo.
--Vejam só! – Disse um dos
narradores do jogo. – Beckenbauer está
roubando muitos corações ultimamente!
--Pois é – Respondeu o
outro, a câmera focou em Franz e os telões mostraram a sua reação. - Ele ficou
um pouco envergonhado! Mas pelo visto gostou da homenagem! – Franz estava um
pouco corado e deu uma piscadela pra câmera e eu quase caio dura no chão, de
tanta alegria.
Louise me ajudou a guardar
o cartaz na mochila, enquanto Mickey postava a foto no Instagram daquele
momento em que nós ficamos famosos no estádio.
-- Cara, eu deixo você
sozinho por algumas horas e você já fica famoso? – Olhei para trás e vi que os
irmãos Christopher e Anastácia Romanov se aproximando e se sentando perto da
gente. Eles nos cumprimentaram e Christopher se sentou ao lado de Mickey,
enquanto Anastácia se sentou a meu lado.
-- Pensei que não gostasse
de futebol, Ana. – Disse eu. Nós duas fazíamos um curso sobre cinema contemporâneo,
junto com Nora Smith, aos sábados e eu sabia que só o namorado dela e o irmão
que eram malucos por futebol ali.
--Mas eu não gosto. – Respondeu
ela. – Meus pais me obrigaram a vir, disseram que eu estava estudando muito e
precisava conhecer algo novo e cá estou aqui.
Rimos e o jogo começou.
Expliquei quem era quem ali para Louise para ela não ficar perdida e ela me
encheu com milhares de perguntas sobre Gerd Müller, sobre o que ele fazia sobre
o que ele gostava e outras coisas.
-- Amiga, é impressão
minha ou você ta tendo uma crush pelo
Gerd? - Perguntei para ela. Ela ficou
da cor da minha camiseta do Bayern, vermelha.
-- N-não! – Respondeu ela.
– Eu só o conheço faz poucas horas, como eu vou ter uma crush pelo cara?
-- Sei lá! – Respondi. – Você
não disse que se apaixonou pelo Ikki no primeiro episódio de Saint Seiya que assistiu?
-- Foi. – Respondeu ela,
um pouco pensativa. – Mas eu não to tendo uma crush pelo Gerd não!
-- Sei – Respondi. Ela
estava tendo uma por ele sim.
O primeiro gol do Real
saiu aos 15 minutos de jogo e foi feito pelo James Rodriguez. Chris Romanov
gritou feito um louco e tentou fazer com que sua irmã também gritasse junto,
uma tentativa frustrada, pois eu já estava ficando brava. Aos 20 minutos, Uli
Hoeness sofreu pênalti e quem foi cobra foi Paul Breitner, o primeiro gol do
Bayern saiu e foi a minha vez e de Louise e Mickey de ficarmos louco no meio da
torcida.
-- Tô amando esse jogo! –
Gritou Louise para mim, enquanto a torcida gritava “Bayern! Bayern!”. – Quando
você for a outros jogos do Bayern você pode tratar de me levar!
--Pode deixar!
O primeiro tempo acabou e
fomos comprar alguns lanches para nós. Fiquei conversando com Mickey e Chris
sobre a compra que o Real pensava em fazer de Paul Breitner depois da Copa do
Mundo que estava por vir e também sobre o último GP de Fórmula 1. Enquanto Ana
e Lulu conversavam sobre Karekano, um
mangá que elas estavam lendo juntas.
Voltamos para nossos
lugares e quando chegamos lá, havia um homem com mais de dois metros de altura,
vestindo um terno preto e com um ar muito sério.
-- É você a menina do
cartaz? – Disse ele num inglês sofrível.
-- Sou eu sim – Respondi.
Ele me entregou o um bilhete e saiu. – Ih, ele ta todo em alemão.
-- Me deixa ver isso aqui.
– Anastácia pegou meu bilhete, abriu o tradutor do Google no seu Ipad e
traduziu ele. – Olha, hoje é o seu dia de sorte! Ele disse aqui que depois do
jogo, ele quer conhecer você e seus amigos!
Quase cai dura no chão. Se
não fosse Christopher para me segurar, eu tinha já caído nos bancos do estádio.
Passei o resto do segundo tempo todo tentando controlar a minha ansiedade, mas
estava um pouco difícil.
Até que aos 30 minutos do
segundo tempo, Franz acabou dando uma trombada feia numa tentativa de uma
roubada de bola do Cristiano Ronaldo, este conseguiu se levantar, mas Franz
não. Ele acabou ficando no chão, ali jogado por bastante tempo.
-- Ai meu Deus! – Falei
apertando a mão de Lulu. – Será que ele
esta bem?
-- Parece que ele se
machucou feio! – Falou ela para mim. Eu estava com medo que isso fosse
acontecer e acabei meio que sem querer cravando as minhas unhas na mão dela com
força, enquanto observava os médicos se aproximavam de Franz, que ainda estava
estirado no chão – Odile, está me machucando!
Larguei
da mão dela e pedi desculpas por aquilo tudo. Ela apenas balançou com a cabeça
e observou os outros caras do Bayern se aproximarem de Franz e dos médicos.
-- Odile, você não vai
querer saber o que aconteceu! – Disse Chris. Ele se sentou ao meu lado e
colocou um dos fones que ele usava para escutar a partida pelo rádio em meu
ouvido.
--É Bill. – Disse o
jornalista. – Franz Beckenbauer esta com a clavícula quebrada! E Gerd Müller e
o resto do Bayern estão prontos para matar o Cristiano Ronaldo!
Ao ver a gravidade da
trombada, o juiz, acabou dando um cartão amarelo para Cristiano e ele acaba
ficando bravo com o juiz e brigando com este. Gerd Müller que já estava bravo
com Cristiano pelo fato de ter derrubado Franz, acabou ficando furioso e entrou
na briga também, desferindo um grande tabefe na cara de Cristiano. Sepp Maier
saiu de seu gol e tentou segurar Gerd, porém não conseguiram. Foram precisos quatro
jogadores para segurar Gerd e mais dois pra tirá-lo de perto de Cristiano,
enquanto este fazia brincadeiras para deixar o alemão mais furioso.
-- Agora eu que tô com
vontade de bater no Cristiano! – Gritava Louise ao meu lado.
-- Eu já não gostava dele.
– Falei – Agora eu o odeio!
Continuei a escutar rádio
com Chris e os jornalistas continuaram a contar como estava a situação da lesão
de Franz.
-- Espera! Ele esta se
levantando! – Gritou o jornalista chamado Bill. – Ele vai voltar a jogar, é
isso mesmo Arthur?
-- Sim, Bill! – Gritou
Arthur do campo, me deixando com um pouco de dor de ouvido – Beckenbauer esta
se levantando e disse que vai jogar de ataduras e gases atadas ao corpo!
Sai Beckenbauer e entra o Kaiser, pensei comigo mesma. Achei que Guardiola iria
substituí-lo, mas Franz se recusava a fazer isso, uma atitude muito ousada. Era
por isso que eu o amava tanto.
-- Kaiser! Kaiser! Kaiser!
– O estádio inteiro gritava por ele, até os torcedores do Real.
-- Ele está mesmo
mostrando que é realmente o Kaiser da Alemanha! – Gritou Mickey.
-- Não só da Alemanha, mas
do mundo e da Odile também! – Respondeu Chris rindo.
Dei um beliscão em Chris e
ele soltou um pequeno “Ai!” e todos começamos a rir daquilo.
-- Por que você não mostra
o seu cartaz de novo? – Sugeriu Ana.
-- É uma ótima idéia! – Abri
o cartaz e novamente apareci nos telões.
-- Rápido Odile, escute
isso! – Chris colocou de novo o fone em meu ouvido e vi que os dois narradores
só falavam de mim.
-- Parece que esta mocinha
arrebatou o coração do Kaiser! – Disse Arthur.
-- Ela pode se sentir
sortuda a partir de agora! – Disse Bill – Talvez ela possa ser a nova rainha da
Alemanha!
O jogo retomou e Franz
jogou como nunca, marcando e driblando sem se importar com a dor e com seu
machucado. Gerd conseguiu marcar um gol e Lulu foi à loucura, junto com o
estádio todo, mas o juiz deu como impedido.
-- ONDE ELE TÁ IMPEDIDO,
ME FALA, SEU JUIZ! – Eu estava muito brava já e não seria Gerd Müller que
mataria este juiz.
--Calma Odile! – Dizia
Chris – Assim vão achar que somos malucos!
--MALUCOS AONDE? ESSE JUIZ
TÁ ERRADO E EU SOU A MALUCA AQUI? – Ok, eu estava muito brava.
O juiz consultou os
bandeirinhas e esses afirmaram o gol como válido e eu acabei ficando um
pouco mais aliviada. Mas faltando dois
minutos pro fim do jogo o Real consegue marcar o seu segundo gol, empatando em
2 x 2 pro Real.Chris comemorou gritando na minha orelha e eu quase bati nele. O
jogo terminou e nós saímos de nosso lugar na arquibancada e seguimos pelo
corredor onde os torcedores estavam saindo e encontramos aquele segurança
enorme que tinha me dado o bilhete de Franz.
-- Menina do cartaz! – Gritou
ele – Você e seus amigos vêm comigo!
-- Mas pra onde? – Perguntou
Mickey.
-- Apenas me sigam! – Disse
ele.
Seguimos ele e saímos para
fora do estádio, onde encontramos uma van toda preta e com os vidros também
pretos.
-- Entrem, por favor! – Disse
ele.
-- Tem certeza que vocês
não são mafiosos como o pessoal do Poderoso Chefão? – Perguntou Louise.
-- ENTREM LOGO! ANTES QUE
VOCÊS PERCAM ESSA OPORTUNIDADE DE CONHECER O FRANZ! – Gritou o segurança. Com
medo, entramos todos na van e depois ele fechou a porta com força e disse
alguma frase em alemão e o motorista ligou a vã e começou a dirigir.
-- Será que ele está muito
machucado? – Perguntou Ana para mim.
--Acho que sim. – Respondi
com a voz um pouco tremula. Ela segurou minha mão e sorriu para mim.
-- Vai dar tudo certo! Eu
tenho certeza. – Respondeu ela.
Pouco depois a van parou e
o segurança alemão abriu a porta. Estávamos na porta do hospital do Central de
Madrid.
--Alguém aqui esta doente?
– Perguntou Chris.
--Seu trouxa, a gente veio
ver o Beckenbauer! – Respondeu Mickey.
Olhei em volta e vi muitos
fotógrafos e repórteres em volta do hospital, tentando entrar nele ou conseguir
uma entrevista com alguém dali. Seguimos por um pequeno corredor atrás do
hospital e entramos nele por uma pequena porta onde sós funcionários tinham
acesso. Tomamos um elevador e fomos para no terceiro andar do prédio.
Quando saímos deste,
andamos por longo corredor e quando chegamos ao final deste, ao lado do último
quarto, o time do Bayern de Munique sentado no chão, perto da porta do quarto
onde Franz estava.
-- OH MEU DEUS! – Gritou
Louise atrás de mim. Todos olharam para nós e comecei a sentir o meu corpo todo
tremer – Olha amiga! É o Gerd Müller! Ai Meu deus ele é lindo!
Não tive tempo de responder,
pois o segurança me puxou pelo braço, abriu a porta do quarto e me colocou lá
dentro.
-- Mon dieu! – Quando dei por mim, Franz Beckenbauer estava sentado na
cama, sorrindo para mim!
-- Gunten Tag! – Disse ele em meio à dor.
-- Gu-gu-te tag – Disse eu. Estava tremendo tanto que mal conseguia
andar.
Aproximei-me da cama dele
e tentei sorrir, mas continuava a tremer demais.
--É você ser a moça do
cartaz? – Perguntou ele.
Tirei a cartolina da bolsa
e mostrei para ele.
-- Eu realmente adorar
esta cartaz! – Disse ele. Ele estava tão lindo quanto o wallpaper que eu tinha
dele no meu celular. – Você me motivara a continuar a jogo!
Quando ele disse isso eu
quase morri. Eu fora a causa dele continuar a jogar! Eu não estava conseguindo
acreditar! Alguém me belisque para eu saber se é verdade ou não!
-- Sério? – Perguntei
ainda incrédula.
-- Yah! Wie heisst Du? – Perguntou ele. Droga! Eu devia ter me
inscrito nas aulas de alemão como o papai havia me sugerido! – Me desculpa,
acho que você não falar alemão, como se é o seu nome?
-- Odile Greyhound. – Respondi, tentando não rir.
-- Você ter uma nome muito bonita. – Respondeu ele sorrindo.
-- Você é fofo demais. – Falei.
-- O que você disse? Eu não entender sua língua muito bem.
-- Sie sind ein fluffy!
– Era uma das poucas frases em alemã que eu havia aprendido com o meu
ex-namorado, Niki Lauda.
-- Vielen Dank! Sie sind! – Respondeu ele.
Senti que eu estava ficando corada, ele continuava sorrindo.
Sentei-me ao lado dele na cama e ele se aproximou de mim, murmurou algo em
alemão e roubou um pequeno beijo, e depois sorriu. Por dentro eu estava
soltando fogos de artifício, mas por fora me controlei. Me aproximei dele e
roubei-lhe um beijo, mas só que desta vez o beijo foi mais quente.
-- Ai, essa machucado esta matando eu. – Disse ele, quando
tentava me abraçar. Ele pegou o celular
dele que estava no criado mudo na cama e me entregou – Coloque sua numero por
favor, para eu ligar pra você depois!
Digitei meu número no celular dele e adicionei este aos contatos.
-- Agora me passa o seu. – Falei. Ele me disse o numero dele
e eu salvei nos contatos do meu celular.
-- Rufst Du mich oder ich Dich an? Eu te ligo ou você me liga? - perguntou ele.
-- Pode ser você! – Respondi sorrindo.
Pouco depois o médico entrou no quarto e disse que iria levar Franz para
a cirurgia. Colocaram-no numa cadeira de rodas e levaram ele para fora do
quarto.
-- Pass auf Dich auf! – Falou ele. – Eu te ligar depois!
Acenei para ele e sai do quarto, e encontrei
minha amiga...abraçada com Gerd Müller.
Continua...

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