segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Holiday Romance (7º Capítulo)

Olá pessoas!
Novo capítulo de Holiday, escrito por Mariana Greyjoy. Odile cara a cara com seu ídolo Franz Beckenbauer, Lulu revelando sua paixão por Gerd Müller e as "pérolas" que os alemães falam em inglês. Boa leitura!



Capítulo 7: Der Kaiser


Odile POV

Quando me vi em todos os telões do estádio, segurando aquela cartolina meio amassada de tanto que eu abria para conferir se aquelas frases em alemão estavam inteligíveis, não acreditei que fosse verdade. Era tudo muito surreal. Até meus amigos ficaram sem reação com aquilo tudo.

--Vejam só! – Disse um dos narradores do  jogo. – Beckenbauer está roubando muitos corações ultimamente!

--Pois é – Respondeu o outro, a câmera focou em Franz e os telões mostraram a sua reação. - Ele ficou um pouco envergonhado! Mas pelo visto gostou da homenagem! – Franz estava um pouco corado e deu uma piscadela pra câmera e eu quase caio dura no chão, de tanta alegria.

Louise me ajudou a guardar o cartaz na mochila, enquanto Mickey postava a foto no Instagram daquele momento em que nós ficamos famosos no estádio.
-- Cara, eu deixo você sozinho por algumas horas e você já fica famoso? – Olhei para trás e vi que os irmãos Christopher e Anastácia Romanov se aproximando e se sentando perto da gente. Eles nos cumprimentaram e Christopher se sentou ao lado de Mickey, enquanto Anastácia se sentou a meu lado.

-- Pensei que não gostasse de futebol, Ana. – Disse eu. Nós duas fazíamos um curso sobre cinema contemporâneo, junto com Nora Smith, aos sábados e eu sabia que só o namorado dela e o irmão que eram malucos por futebol ali.

--Mas eu não gosto. – Respondeu ela. – Meus pais me obrigaram a vir, disseram que eu estava estudando muito e precisava conhecer algo novo e cá estou aqui.

Rimos e o jogo começou. Expliquei quem era quem ali para Louise para ela não ficar perdida e ela me encheu com milhares de perguntas sobre Gerd Müller, sobre o que ele fazia sobre o que ele gostava e outras coisas.

-- Amiga, é impressão minha ou você ta tendo uma crush pelo Gerd? - Perguntei para ela. Ela ficou da cor da minha camiseta do Bayern, vermelha.

-- N-não! – Respondeu ela. – Eu só o conheço faz poucas horas, como eu vou ter uma crush pelo cara?

-- Sei lá! – Respondi. – Você não disse que se apaixonou pelo Ikki no primeiro episódio de Saint Seiya que assistiu?

-- Foi. – Respondeu ela, um pouco pensativa. – Mas eu não to tendo uma crush pelo Gerd não!

-- Sei – Respondi. Ela estava tendo uma por ele sim.

O primeiro gol do Real saiu aos 15 minutos de jogo e foi feito pelo James Rodriguez. Chris Romanov gritou feito um louco e tentou fazer com que sua irmã também gritasse junto, uma tentativa frustrada, pois eu já estava ficando brava. Aos 20 minutos, Uli Hoeness sofreu pênalti e quem foi cobra foi Paul Breitner, o primeiro gol do Bayern saiu e foi a minha vez e de Louise e Mickey de ficarmos louco no meio da torcida.

-- Tô amando esse jogo! – Gritou Louise para mim, enquanto a torcida gritava “Bayern! Bayern!”. – Quando você for a outros jogos do Bayern você pode tratar de me levar!

--Pode deixar!

O primeiro tempo acabou e fomos comprar alguns lanches para nós. Fiquei conversando com Mickey e Chris sobre a compra que o Real pensava em fazer de Paul Breitner depois da Copa do Mundo que estava por vir e também sobre o último GP de Fórmula 1. Enquanto Ana e Lulu conversavam sobre Karekano, um mangá que elas estavam lendo juntas.
Voltamos para nossos lugares e quando chegamos lá, havia um homem com mais de dois metros de altura, vestindo um terno preto e com um ar muito sério.

-- É você a menina do cartaz? – Disse ele num inglês sofrível.

-- Sou eu sim – Respondi. Ele me entregou o um bilhete e saiu. – Ih, ele ta todo em alemão.

-- Me deixa ver isso aqui. – Anastácia pegou meu bilhete, abriu o tradutor do Google no seu Ipad e traduziu ele. – Olha, hoje é o seu dia de sorte! Ele disse aqui que depois do jogo, ele quer conhecer você e seus amigos!

Quase cai dura no chão. Se não fosse Christopher para me segurar, eu tinha já caído nos bancos do estádio. Passei o resto do segundo tempo todo tentando controlar a minha ansiedade, mas estava um pouco difícil.
Até que aos 30 minutos do segundo tempo, Franz acabou dando uma trombada feia numa tentativa de uma roubada de bola do Cristiano Ronaldo, este conseguiu se levantar, mas Franz não. Ele acabou ficando no chão, ali jogado por bastante tempo.

-- Ai meu Deus! – Falei apertando a mão de Lulu.  – Será que ele esta bem?

-- Parece que ele se machucou feio! – Falou ela para mim. Eu estava com medo que isso fosse acontecer e acabei meio que sem querer cravando as minhas unhas na mão dela com força, enquanto observava os médicos se aproximavam de Franz, que ainda estava estirado no chão – Odile, está me machucando!

Larguei da mão dela e pedi desculpas por aquilo tudo. Ela apenas balançou com a cabeça e observou os outros caras do Bayern se aproximarem de Franz e dos médicos.

-- Odile, você não vai querer saber o que aconteceu! – Disse Chris. Ele se sentou ao meu lado e colocou um dos fones que ele usava para escutar a partida pelo rádio em meu ouvido.

--É Bill. – Disse o jornalista. – Franz Beckenbauer esta com a clavícula quebrada! E Gerd Müller e o resto do Bayern estão prontos para matar o Cristiano Ronaldo!

Ao ver a gravidade da trombada, o juiz, acabou dando um cartão amarelo para Cristiano e ele acaba ficando bravo com o juiz e brigando com este. Gerd Müller que já estava bravo com Cristiano pelo fato de ter derrubado Franz, acabou ficando furioso e entrou na briga também, desferindo um grande tabefe na cara de Cristiano. Sepp Maier saiu de seu gol e tentou segurar Gerd, porém não conseguiram. Foram precisos quatro jogadores para segurar Gerd e mais dois pra tirá-lo de perto de Cristiano, enquanto este fazia brincadeiras para deixar o alemão mais furioso.
-- Agora eu que tô com vontade de bater no Cristiano! – Gritava Louise ao meu lado.

-- Eu já não gostava dele. – Falei – Agora eu o odeio!

Continuei a escutar rádio com Chris e os jornalistas continuaram a contar como estava a situação da lesão de Franz.

-- Espera! Ele esta se levantando! – Gritou o jornalista chamado Bill. – Ele vai voltar a jogar, é isso mesmo Arthur?

-- Sim, Bill! – Gritou Arthur do campo, me deixando com um pouco de dor de ouvido – Beckenbauer esta se levantando e disse que vai jogar de ataduras e gases atadas ao corpo!

Sai Beckenbauer e entra o Kaiser, pensei comigo mesma. Achei que Guardiola iria substituí-lo, mas Franz se recusava a fazer isso, uma atitude muito ousada. Era por isso que eu o amava tanto.
-- Kaiser! Kaiser! Kaiser! – O estádio inteiro gritava por ele, até os torcedores do Real.

-- Ele está mesmo mostrando que é realmente o Kaiser da Alemanha! – Gritou Mickey.

-- Não só da Alemanha, mas do mundo e da Odile também! – Respondeu Chris rindo.
Dei um beliscão em Chris e ele soltou um pequeno “Ai!” e todos começamos a rir daquilo.

-- Por que você não mostra o seu cartaz de novo? – Sugeriu Ana.

-- É uma ótima idéia! – Abri o cartaz e novamente apareci nos telões.

-- Rápido Odile, escute isso! – Chris colocou de novo o fone em meu ouvido e vi que os dois narradores só falavam de mim.

-- Parece que esta mocinha arrebatou o coração do Kaiser! – Disse Arthur.

-- Ela pode se sentir sortuda a partir de agora! – Disse Bill – Talvez ela possa ser a nova rainha da Alemanha!

O jogo retomou e Franz jogou como nunca, marcando e driblando sem se importar com a dor e com seu machucado. Gerd conseguiu marcar um gol e Lulu foi à loucura, junto com o estádio todo, mas o juiz deu como impedido.

-- ONDE ELE TÁ IMPEDIDO, ME FALA, SEU JUIZ! – Eu estava muito brava já e não seria Gerd Müller que mataria este juiz.

--Calma Odile! – Dizia Chris – Assim vão achar que somos malucos!
--MALUCOS AONDE? ESSE JUIZ TÁ ERRADO E EU SOU A MALUCA AQUI? – Ok, eu estava muito brava.

O juiz consultou os bandeirinhas e esses afirmaram o gol como válido e eu acabei ficando um pouco  mais aliviada. Mas faltando dois minutos pro fim do jogo o Real consegue marcar o seu segundo gol, empatando em 2 x 2 pro Real.Chris comemorou gritando na minha orelha e eu quase bati nele. O jogo terminou e nós saímos de nosso lugar na arquibancada e seguimos pelo corredor onde os torcedores estavam saindo e encontramos aquele segurança enorme que tinha me dado o bilhete de Franz.

-- Menina do cartaz! – Gritou ele – Você e seus amigos vêm comigo!

-- Mas pra onde? – Perguntou Mickey.

-- Apenas me sigam! – Disse ele.
Seguimos ele e saímos para fora do estádio, onde encontramos uma van toda preta e com os vidros também pretos.

-- Entrem, por favor! – Disse ele.

-- Tem certeza que vocês não são mafiosos como o pessoal do Poderoso Chefão? – Perguntou Louise.

-- ENTREM LOGO! ANTES QUE VOCÊS PERCAM ESSA OPORTUNIDADE DE CONHECER O FRANZ! – Gritou o segurança. Com medo, entramos todos na van e depois ele fechou a porta com força e disse alguma frase em alemão e o motorista ligou a vã e começou a dirigir.

-- Será que ele está muito machucado? – Perguntou Ana para mim.

--Acho que sim. – Respondi com a voz um pouco tremula. Ela segurou minha mão e sorriu para mim.

-- Vai dar tudo certo! Eu tenho certeza. – Respondeu ela.
Pouco depois a van parou e o segurança alemão abriu a porta. Estávamos na porta do hospital do Central de Madrid.

--Alguém aqui esta doente? – Perguntou Chris.

--Seu trouxa, a gente veio ver o Beckenbauer! – Respondeu Mickey.

Olhei em volta e vi muitos fotógrafos e repórteres em volta do hospital, tentando entrar nele ou conseguir uma entrevista com alguém dali. Seguimos por um pequeno corredor atrás do hospital e entramos nele por uma pequena porta onde sós funcionários tinham acesso. Tomamos um elevador e fomos para no terceiro andar do prédio.
Quando saímos deste, andamos por longo corredor e quando chegamos ao final deste, ao lado do último quarto, o time do Bayern de Munique sentado no chão, perto da porta do quarto onde Franz estava.

-- OH MEU DEUS! – Gritou Louise atrás de mim. Todos olharam para nós e comecei a sentir o meu corpo todo tremer – Olha amiga! É o Gerd Müller! Ai Meu deus ele é lindo!

Não tive tempo de responder, pois o segurança me puxou pelo braço, abriu a porta do quarto e me colocou lá dentro.

-- Mon dieu! – Quando dei por mim, Franz Beckenbauer estava sentado na cama, sorrindo para mim!

-- Gunten Tag! – Disse ele em meio à dor.

-- Gu-gu-te tag – Disse eu. Estava tremendo tanto que mal conseguia andar.

Aproximei-me da cama dele e tentei sorrir, mas continuava a tremer demais.

--É você ser a moça do cartaz? – Perguntou ele.

Tirei a cartolina da bolsa e mostrei para ele.

-- Eu realmente adorar esta cartaz! – Disse ele. Ele estava tão lindo quanto o wallpaper que eu tinha dele no meu celular. – Você me motivara a continuar a jogo!
Quando ele disse isso eu quase morri. Eu fora a causa dele continuar a jogar! Eu não estava conseguindo acreditar! Alguém me belisque para eu saber se é verdade ou não!

-- Sério? – Perguntei ainda incrédula.
-- Yah! Wie heisst Du? – Perguntou ele. Droga! Eu devia ter me inscrito nas aulas de alemão como o papai havia me sugerido! – Me desculpa, acho que você não falar alemão, como se é o seu nome?

-- Odile Greyhound. – Respondi, tentando não rir.

-- Você ter uma nome muito bonita. – Respondeu ele sorrindo.

-- Você é fofo demais. – Falei.

-- O que você disse? Eu não entender sua língua muito bem.

-- Sie sind ein fluffy! – Era uma das poucas frases em alemã que eu havia aprendido com o meu ex-namorado, Niki Lauda.

-- Vielen Dank! Sie sind! – Respondeu ele.
Senti que eu estava ficando corada, ele continuava sorrindo. Sentei-me ao lado dele na cama e ele se aproximou de mim, murmurou algo em alemão e roubou um pequeno beijo, e depois sorriu. Por dentro eu estava soltando fogos de artifício, mas por fora me controlei. Me aproximei dele e roubei-lhe um beijo, mas só que desta vez o beijo foi mais quente.

-- Ai, essa machucado esta matando eu. – Disse ele, quando tentava me abraçar.  Ele pegou o celular dele que estava no criado mudo na cama e me entregou – Coloque sua numero por favor, para eu ligar pra você depois!
Digitei meu número no celular dele e adicionei este aos contatos.

-- Agora me passa o seu. – Falei. Ele me disse o numero dele e eu salvei nos contatos do meu celular.

-- Rufst Du mich oder ich Dich an? Eu te ligo ou você me liga?  - perguntou ele.

-- Pode ser você! – Respondi sorrindo.

Pouco depois o médico entrou no quarto e disse que iria levar Franz para a cirurgia. Colocaram-no numa cadeira de rodas e levaram ele para fora do quarto.

-- Pass auf Dich auf! – Falou ele. – Eu te ligar depois!

Acenei para ele e sai do quarto, e encontrei minha amiga...abraçada com Gerd Müller.


Continua...


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