quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Rush - No Limite da Paixão (5º Capítulo)

Chegamos ao quinto capítulo de Rush e muitas surpresas! Boa leitura!



Capítulo 5: Nossas paixões

Louise POV
Depois do beijo, vi que Timothy ficara intrigado e logo voltou à atenção para sua acompanhante, que alias é... Desprovida um pouco da beleza.  Hunt estava com uma cara de quem não gostou do que fiz e logo mudou a direção junto com Suzie verdadeira e Meg Johnson.
Odile e Niki praticamente não entenderam nada e Clay mesmo rindo do beijo estava também perdido.
-- O que deu em você, mulher? – Perguntou Odile, chocada.
-- Nada, só um pouco de adrenalina. Entendeu? – Pisquei duas vezes para Odile e ela entendeu a resposta.
-- Bem, é melhor assim. Está tudo bem, Clay? – Agora Niki dirige sua pergunta ao colega da Ferrari e este respondeu tudo normal. Pelo visto ele nem estava interessado em saber, assim fica melhor.
-- Niki, vamos sair daqui e levemos as garotas com a gente. Vamos? – Sugeriu Regazzoni, já se preparando para ir embora.
-- Eu quero passear com você, Niki.—Falei até para juntar de vez meu amigo austríaco com minha amiga francesa.
-- Certo, vamos caminhar um pouco pelas ruas.
Niki e Clay pagaram nosso almoço e seguimos rumo a praça principal. Regazzoni me abraçou e imediatamente avistei James Hunt acompanhando Suzie ao shopping e outra vez a mesma cara de decepção. O truque deu certo.  Odile e Niki conversavam alegremente e notei que ela o ensinava a falar em francês, o que era bem divertido, já que minha amiga também havia me ensinado apenas falar em alemão.
De repente lembrei de James Hunt. Mas que droga! Estou acompanhada do corredor italiano da Ferrari, mais experiente na área e também com lábios gostosos de se beijar e fico pensando no piloto inglês mais canalha da Formula 1? Sinceramente eu não me entendia das idéias.
Duas horas depois, os rapazes se despedem e logo me lembrei da festa semana que vem no Crystal Palace, promovido pelo Lord Hesketh. Convidei Niki e Regazzoni e eles aceitaram, embora Niki demonstrasse um pouco de relutância e bem compreensível.
Odile e eu seguimos caminhando até o mesmo shopping onde Hunt e sua esposa foram. Na área de alimentação encontramos os rapazes do Pink Floyd. Roger Waters ficou no hotel dormindo, segundo as informações obtidas por David Gilmour. Já Nick Mason reclamou um pouco comigo por não conseguir ainda um autografo e lembrancinhas da Ferrari e Rick... continua sendo o mesmo Rick. E desta vez ele sorria pra mim. Era bom, por saber que não estava mais com tédio.
-- Pessoal, eu vou ao banheiro e já volto.
-- Ok, Louise. – Disse minha amiga.
Quando cheguei na porta do banheiro alguém agarra meu braço e me puxa para perto da saída de emergência. Era James Hunt.
-- Me solta, Hunt. O que você quer? – James me deixou prensada na parede e me encarava serio e com rosto perto do meu.
-- Dizer que não gostei de ver você com aquele bigodudo. O que ele tem que não tenho?
-- Vamos ver.... – Falei fingindo lembrar, como fazia em cenas no teatro. – Ele tem carisma, beija bem e ...
Não terminei a frase devido ao beijo dele. Sim, James Hunt, um homem casado, me beijou. Tentei empurrar forte, mas ele não me largava, James era maior que eu, mais alto e mais forte. Contudo, o beijo dele me enfraquecia e logo me entreguei a ele. Só parei por me dar conta do meu erro.
-- Pare! Você é casado. Não me envolvo com homens casados.
Fugi dele e voltei pro banheiro. Me tranquei na cabine e logo chorei. Compreendi meus sentimentos e diziam o obvio: me apaixonei por James Hunt, um canalha, porra-louca, que vomita antes de correr na pista e casado com uma modelo linda.
Sai da cabine toda chorosa. Lavei o rosto e tentei me acalmar. Ouvi uns gemidos abafados em outra parte do banheiro. Segui para este lugar e para minha surpresa, uma cabine aberta e lá estava Meg Johnson fazendo amor com François Cevert, piloto da Fórmula 1. Meg me viu e mesmo assim seguiu gemendo e permitindo o piloto continuar. Sai dali como um raio.
-- Nem imagina quem encontrei no banheiro do shopping. – Falei quando cheguei na mesa e me sentei ao lado de Odile.
-- Se for o Hunt, pra mim não é surpresa. – Respondeu Odile, sem muita alegria.
-- Encontrei aquela amiga da Suzie Hunt, a Meg Johnson com um cara que não era o namorado dela.
Odile quase cuspiu o café perto de Nick Mason e Rick Wright a acalmou.
-- Quem era o cara?
-- François Cevert, o piloto. – Respondi.
Odile ficou bastante chocada. Ela conhecia George Best e eram amigos. Não sabia agora como contar isso pra ele.
-- Eu conheço o Cevert. – Comentou Nick Mason. – Ele é colega do Jackie Stewart na Tyrrell Ford. – Não sabia que ele tem namorada.
-- E não tem. E a garota é Meg Johnson, uma modelo e amiga da esposa do James Hunt. Ela ta namorando o George Best, um dos meus amigos.
Os Floyds ficaram mais chocados com a revelação. Olhei para o lado e vinha Meg sorrindo, bem satisfeita. Acredito que Cevert fez um ótimo trabalho para ela no banheiro.
Meg nos encarou bem feio, se bem que o olhar era direcionado a mim e falei:
-- Esta sua cara feia pra mim é fome!
Meg foi embora e Odile fervia de raiva. Pedi para ela não fazer nada por enquanto. Foi um pouco difícil acalmar Odile e após o ocorrido, Rick Wright nos entrega um telegrama. Peguei-o e abri, achando se tratar de Niki Lauda. Foi engano. Era do nosso diretor, Barry Thompson, nos exigindo retorno para a companhia de teatro pois conseguiu um ótimo trabalho: atuar na peça Um Bonde Chamado Desejo.
-- AI NOSSA, ODILE! VAMOS ATUAR NOVAMENTE JUNTAS! – Gritei de pura alegria e nos abraçamos. Os Floyds ficaram muito felizes.
-- Lulu, precisamos contar essa novidade. – Fala Odile, agora mais tranqüila.
-- Sim e já sei quem.
-- MONTY PYTHON!!! – Gritamos juntas em uníssono.
David pagou nosso lanche e os rapazes informam que ainda precisam ficar mais uns dias gravando na arena de Pompéia. Respondi que compreendemos isso ficaria tudo bem.
Na semana seguinte, Odile se despediu de Roger e embarcamos de volta a Londres. Voltamos cansadas e, porém loucas para poder cair na gandaia.  Ainda faltava uma semana para a festa do lorde Hesketh e ainda não tínhamos roupas novas e apropriadas para a ocasião. O que era de menos.
No outro dia, já descansadas, corremos para o estúdio para conversar com Barry sobre nosso novo trabalho. Barry citava os atores quem vai interpretar determinado personagem.
-- Ok, farei a chamada dos atores. Fiquem atentos! Odile Greyhound será Stella Kowalski. Louise McGold é Blanche Dubois. Mary Silver vai ser Eunice Hubbell...
Não é preciso dizer que Odile estava explodindo de tamanha felicidade, ela seria uma das protagonistas e eu também mais uma vez. Contudo, Barry fez um pouco de suspense quem seria o outro personagem principal, pois são três e até agora só Blanche e Stella foram citadas.
--... e para finalizar, Stanley Kowalski será interpretado por... --- Barry leu a prancheta e eu já torcendo para ser algum ator conhecido, tipo o Marlon Brando que intrepretou o Stanley nos cinemas ou quem sabe Al Pacino, ator revelação de Poderoso Chefão.  -- ...Timothy Dalton!
Parem as maquinas, senhor! Timothy Dalton, o Stanley. Todos ovacionaram, menos Odile e eu. Não suportei e falei.
-- NÃO! ELE NÃO, BARRY!
-- Louise, ficou louca? Tim é um ótimo ator. Conseguiu interpretar bem o Heathcliff em O Morro dos Ventos Uivantes e transformou Mark Anthony num personagem épico e você é a prova disso. Não deixe o passado te atormentar, minha querida. Supere isso!
Além de receber essa noticia como um soco no estômago, Timothy aparece para todos os presentes e eles o aplaudem mais. Fiquei bastante zangada. O resto do dia fiquei lendo o roteiro junto com Odile, que por sua vez nem conseguia prestar a atenção por causa de Niki Lauda.
-- Ainda penso em você, docinho. – Sussurrou Timothy, ao se aproximar de mim.
-- Que pena. Mal lembro de você. Agora me deixa em paz. – Falei e voltei a atenção ao roteiro, contudo, Tim colocou a mão na frente do caderno.
-- Saiba que não desisti. Ainda te amo e vou sempre te amar, Lulu. – Disse ele, com um olhar obsessivo, selvagem, o que me causou medo e se retirou da sala.
-- Ta tudo bem, amiga? – Perguntou Odile, voltando a realidade.
-- Não! To muito brava. Ah quer saber, vamos pra casa e ler esse roteiro com mais calma!
 E fomos para casa, embora estivesse muito brava pelos acontecimentos.  Quando chegamos ao hall de entrada do condomínio, encontramos nossos amigos, a turma de comédia mais nonsense da Europa e talvez do mundo, Monty Python.
-- Hey meninas! Estamos aqui, olhem! – Gritou John Cleese, um dos nossos melhores.
Finalmente minha alegria voltou e com força total. Abraçamos cada um dos “pythons” e contamos nossas novidades a eles enquanto o elevador chegava. Já dentro do apê, Odile preparou a mesa para o mega jantar e eu fiquei cozinhando um arroz com frango frito e Eric Idle se prontificou a me ajudar a preparar a salada.
Nosso jantar ficou divino e sempre cheio de conversas engraçadas. Como sempre, Terry Gilliam fazia piadas com Terry Jones que possuía um senso de humor meio estranho. John Cleese ficou jogando muitas indiretas para Eric Idle, insinuando que ele ama Odile e a mim. O que parecia ser engraçado, só descobri anos mais tarde que tudo aquilo era verdade.
E por fim Michael Palin nos deu uma noticia surpreende.
-- Pessoal e meninas, estou namorando! – Falou ele, de pé na mesa.
-- Meus parabéns, Palin. – Eric o parabenizou e os outros o abraçaram.
-- Mas que bom, Michael e quem é ela? – Perguntei muito curiosa.
-- O nome dela é Alice Stone. Sua irmã e sua prima devem conhece - lá, pois ela afirma que as conhece.
-- É verdade. Minha irmã falou dela. Alice namorou um cara chamado Mike Nesmith, que foi namorado da Nora Smith e terminou com ela pra ficar com a Alice. Foi este o relato da Marie. – Falou Odile.
Fiquei com um pouco de receio sobre isso. Michael Palin, o único dos pythons que julgava um romântico incorrigível, se apaixona por uma garota cujo “curriculum vitae” do amor tem esse fato. Não levei muito a serio e terminamos o jantar.
A turma ficou pro café da manhã e desta vez quem preparou foi Eric Idle. Ele fez tudo e inclusive fez meu pão de queijo com manteiga e junto um sanduíche bem reforçado.
-- Oh, Eric. Você é tão perfeito. Se pudesse, me apaixonaria por você. – Comentei.
-- E se pudesse, conquistaria a mulher que amo através disso. – Respondeu.
Na verdade foi uma troca de indiretas que nem percebi que eram para mim. Após o café os rapazes se despediram e prometeram mais esquetes bem mais engraçadas pra nós e principalmente, para me animar depois do ocorrido de Timothy Dalton ser o protagonista do Um Bonde Chamado Desejo.
A semana se passou rápido devido aos nossos compromissos no teatro. Mal tive tempo para visitar meus pais, meu irmão Michael e minha prima Fefe e seu filho. Sentia muitas saudades deles.
Enfim, chegou a sexta-feira e a grandiosa festa do Hesketh no Crystal Palace.
-- Vamos, Lulu. Hora de cair na gandaia! – Dizia Odile, já pronta e maquiada.
--Ok, estou pronta!
Quando saímos do apartamento, lá estava um carro vermelho com a marca da Ferrari e nossos acompanhantes, Clay Regazzoni e Niki Lauda e pelo visto este último babava muito pela minha amiga. Seguimos rumo a festa e eu mal podia esperar para me agitar feito louca!

Continua...


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