sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Holiday Romance (8º Capítulo)

Olá pessoal!
Para encerrar outubro no Halloween, vamos ler meu capítulo com 3 Pov's. E devo confessar que está meio grande e deu trabalho mas rendeu boas ideias! Boa leitura!



Capítulo 8: Surpresas da vida


Louise POV

O próximo passo foi abraçá-lo. Pela primeira vez senti algo incrível, uma proteção e segurança nele. E sem falar que ele é realmente fofo, tão fofo que parece um urso de pelúcia.

-- Oh Gerd, como você é fofo. – Eu dizia.

Ele por sua vez estava completamente envergonhado e não sabia se me abraçava ou pedia ajuda. Só o ouvi falando algo em alemão para o goleiro Sepp Maier e eu continuava abraçando-o.
Mickey e Chris aproveitaram a chance e tiraram foto nos seus celulares. Outra vez falei o quanto ele é fofo.

-- Err... desculpe. Eu não falar em inglês. – Respondia ele, num inglês muito esquisito porém engraçado.

Me afastei dele e continuei a olhar em seus olhos. Eram lindos. Agora não sabia como manifestar a ele minha paixão. Não tive outra escolha se não dizer o que ouvi no meu sonho anterior.

-- Ich liebe dich, Gerd Müller! – Falei.

A conseqüência disso tudo foi que todos, eu disse todos, no hospital pararam o que estavam fazendo e direcionaram seus olhares a mim. Até o Bayern inteiro me olhou.
Fiquei tão constrangida e corri para fora do hospital, ignorando Odile que saía do quarto onde estava Franz Beckenbauer.

-- Lulu, volte! Mickey, vem me ajudar!

-- Ok! Muito obrigado pessoal, sou fã de vocês! – Falava Mickey, que conseguiu autografo de todos os jogadores na camiseta.

Do lado de fora comecei a chorar de vergonha. Nunca passei por esse tipo de coisa. Agora era certo que afastei Gerd de mim. Depois disso não irei mais aos estádios com Odile ou com meu irmão.

-- Louise, o que deu em você? Por que disse aquilo?

-- Eu falei aquelas palavras dita no meu sonho. Poxa, era a única forma que encontrei para ele notar que eu o adoro. Eu... não sabia....

Odile me consolou e Mickey chegou logo atrás. No final agradecemos ao segurança que nos levou ao hospital e desejamos uma boa recuperação a Beckenbauer. A mesma van nos levou até o hotel onde estamos hospedados.  No domingo, acordamos cedo para poder aproveitar um passeio de turismo pelas ruas de Madri. Mesmo desanimada, continuei a caminhar com eles e conversando sobre muitos assuntos. Odile também conta do beijo que acabou dando em Franz.

-- Você beijou o Franz Beckenbauer? – Perguntei um tanto chocada e Mickey ouvindo tudo.

-- Beijei sim. Ele me beijou, mas foi um pouco leve. Ai eu acabei continuando, só que mais quente. – Sorria Odile, por lembrar do beijo.

-- Puxa, pelo menos você realizou seu sonho. E eu estraguei tudo. – Me lamentei e em seguida baixando a cabeça.

-- Acontece, Louise. Procura esquecer esse fato e vamos aproveitar o turismo por aqui, pois à tarde precisamos partir ao aeroporto e voltar imediatamente para Londres.
E conseguimos aproveitar muito bem nosso passeio. Tiramos fotos e selfies de nós três juntos. Foi num desses momentos de tirar fotos que acontece algo.
Mickey queria tirar minha foto na praça principal e percebi que Odile ficou um tanto estática e tentou fazer gestos para notar algo.

-- Não se mexa, Lulu. Vou agora tirar a foto.

Mesmo querendo sorrir, desejava saber o que deixou Odile assim.

-- Pronto. Pode ver a foto. – Respondeu meu irmão.

Fui na direção deles e já questionei minha amiga.

-- O que aconteceu?

-- Olha ali perto do restaurante.

Acabei vendo uma parte dos jogadores do Bayern. Estavam ali Uli Hoeness, Paul Breitner, Sepp Maier e... Gerd Müller. Quando o vi, gelei depressa.

-- Caramba, são eles de novo! – Mickey estava empolgado desta vez.

-- Mas você não conseguiu autografo de todos? – Questionou minha amiga.

-- Sim, mas quero ajudar minha irmã.  – E terminando a afirmação, Mickey me arrastou junto para onde eles estavam.

-- Mickey, o que pretende?

-- Esclarecer umas coisas pro seu ídolo!

Não foi preciso mais alguns passos. Os únicos que nos reconheceram foram Sepp Maier e Uli Hoeness.
Tentei fugir igual a uma criança quando vê a agulha da vacina e começa a chorar de medo. Contudo, Mickey segurava meu pulso bem forte para não escapar. Olhei para o lado e vi Paul Breitner conversando com Chris Romanov alguma coisa e Ana bem desligada, fotografava outras paisagens, como se não estivesse nem aí. Pensei em gritar para ela me ajudar. Quer saber, eu gritei mesmo.

-- ANA! Por favor, me ajuda aqui! – Gritei e Ana veio em minha direção.

Só que, Mickey parou diante de Gerd Müller que olhava para o nada.

-- Sr. Müller! – Meu irmão falou como se fosse um chefe. E Gerd se virou para nós. Aquele olhar poderoso... agora posso dizer que os olhos dele eram hipnóticos. A vergonha antes sentida, sumiu rápido. – Eu sou Michael McGold. E esta é minha irmã Louise.
Ana percebeu pelos gestos de Mickey seu pedido de tradução e ela conversou com o jogador com seu conhecimento de alemão fluente.
Ele também começou a dizer mais algumas coisas e Ana responde na tradução.

-- Gerd está pedindo desculpas pela atitude sem ação dele, de quando o abraçou e quando disse “eu te amo”.

Meu deus, outra vez aquela cena de ontem. O constrangimento retornou e acabei cobrindo meu rosto com as mãos, só para ele não me ver daquele jeito. Pude ouvir Gerd dizendo mais coisas e através das minhas mãos, entreabri os dedos e vi que ele estava bem perto de mim.

-- Louise, Gerd está dizendo que seu “eu te amo” foi sincero. Ele gostou e quer lhe retribuir.

Retribuir como? Eu pensei. Recusava-me a tirar as mãos do rosto, para encobrir o mico pagado no hospital. Contudo, um par de mãos grossas tocaram as minhas, me fazendo parar de cobrir a face e finalmente olhei para quem era.  Pude então ver mais claramente a cor daqueles olhos. São pretos. E confesso mais: adoro caras de olhos negros, mesmo que meus “amados” de mentira sejam azuis ou outras cores.

No mesmo instante o atacante tocou meu rosto com as duas mãos e me deu um beijo na bochecha, daquele tipo demorado cinco segundos. Meu coração parou um momento e depois voltou a bater rápido. Era a mesma sensação que tive quando me apaixonei por Jeff Beck.

Pena que o encanto daquele dia terminou. Os rapazes do Bayern tiveram de ir embora e nós para voltarmos logo para Inglaterra.

Durante o vôo, toquei a bochecha direita onde foi depositado o beijo. Deu pra ver o quão tímido ele era. O que importa? Eu gosto dele mesmo assim. Talvez volte com Odile para o estádio em algum novo jogo pela Liga dos Campeões.

Agora era hora de voltar à realidade. Ou seja, para faculdade de Londres. Na segunda-feira, Odile e eu almoçamos juntas no restaurante do campus e depois vimos minha prima Felicity e Marie aparecendo para almoçar junto e carregavam um jornal.

-- Suas doidas, onde se meteram? – Perguntou Felicity, em seguida jogando o jornal, London Evenning Standard, na mesa e na primeira página, já mostra Odile e seu cartaz com a seguinte manchete: “Jovem torcedora conquista o coração do kaiser Beckenbauer.”

-- Fomos para Madri assistir um jogo pela Liga dos Campeões. E foi épico! – Respondeu alegremente minha amiga.

-- Odile, a mamãe ficou preocupada. Sorte sua que papai não surtou. – Falava Marie, a irmã dela.

-- Estou pasma, Louise. – Agora Fefe demonstra um pouco mais de indignação. – Poxa, tentei te mandar mensagens no domingo e você não me respondeu. Quase que os tios me ligam e  eu não saber responder.

-- Calma. Deu tudo certo e também o Mickey foi com a gente. E junto a Anastacia e o irmão dela, Chris.

-- Anastacia indo a um jogo de futebol? – Questionou Marie.

-- Isso é inusitado. Nunca foi do feitio dela.

Apesar dos questionamentos sobre os gostos de Ana, procurei ignorar e voltei aos devaneios. E tudo por causa de Gerd Müller.
Por dias, vi que Odile conversava muito no celular e mais tarde descobri que era o próprio Beckenbauer. Eles haviam trocado telefones e desde então um liga pro outro e às vezes conversam nas mensagens via What’sApp.

Quanto a mim, segui minha rotina... até numa noite, na casa da Rosie quando me preparava para dormir e Odile tomava banho, meu celular apitou uma mensagem.  Verifiquei e era no Whats. Achei que fosse a Fefe, me enchendo o saco por causa da viagem ou meu irmão pedindo mais alguma coisa emprestada. Vi um número de contato jamais visto no meu celular. Conheço todos os números de telefone e aquele com a mensagem, não tinha visto. Resolvi abrir, temendo ser um daqueles vírus de celular. Não apitou o antivírus, significa que não há ameaças, ufa!

Na mensagem dizia apenas “hallo”. Pelo pouco conhecimento, aquela palavra significa olá em alemão. Outra mensagem apareceu e foi ali que percebi quem era.

“Lembra de eu? Gerd Müller. No hospital me abraçou, pedi desculpas e te dei um beijo.”

Era inacreditável. Como o atacante do Bayern soube do meu telefone? Por acaso era mágico ou sabia ler mentes como o Professor X, de X-Men?
Respondi a mensagem.

“Lembro sim. Como pegou meu número?”

Mais uma resposta dele.

“Franz conseguiu para mim, através do amiga dele”

Ótimo. Foi Odile. Deveria ter sacado, agora que ela e Beckenbauer eram unha e carne.  Quando deitei na cama outra mensagem de Gerd veio.

“Se pudesse, quero outro beijo, mas não simples como foi este dado por último”

Então ele gostou do beijo? E será que ele notou minha intenção em receber um beijo dele? Mil questionamentos na mente e eu com celular trocando mensagens com um jogador.

Aquele foi o inicio de muitas trocas de mensagens com ele.




Ana POV

Desde a aventura no estádio não consegui descansar direito. E muito menos estudar. Nora e Marie chegaram a me dizer que precisava de repouso e um tempo livre só meu. E foi o que fiz.
Quinze dias se passaram desde que assisti o jogo de futebol pela Liga dos Campeões da UEFA e agora estou no quarto acessando meu Facebook. Além de mim, moram Felicity, Nora e Marie no apartamento perto do campus da Universidade.  Durante as visualizações, aparece uma solicitação de amizade de um tal de Paul Breitner.

-- Quem é ele? – Me perguntei e resolvi dar uma “fuçada” no perfil dele, só pra confirmar se ele existe ou é fake.

A principio vi muitas informações dele, mas as fotos estavam bloqueadas. Resolver não dar importância nisso e fui ver o Twitter e ouvir um pouco de música no Last Fm. E mais surpresas. O tal Paul Breitner também me adicionou no Last Fm e ficou comprovado que nossa compatibilidade musical é enorme. Bom saber que ele curte The Smiths e Morrissey.
No Twitter ele começou a me seguir. Aquilo já estava me preocupando. Resolvi dar uma passada no Blogger onde tenho um blog só de fotos e lá coloquei as que tirei em Madri.
Nova surpresa. Ele também segue me blog e comenta numa das fotos o seguinte.

Você fotografa muito bem. Devia ter conhecido o outro lado da cidade.

Aquilo já é demais! Primeiro me adiciona no Facebook, agora no Twitter, Last e Blogger. E afinal como ele soube dos meus endereços das redes sociais que participo?
Resolvi passar o antivírus no notebook, pois pode ser um desses tipos que invadem o sistema, burlando todos os bloqueios.
Nada consta de ameaça no note. O que é bom sinal. Agora preciso saber quem foi que me adicionou.

No dia seguinte, resolvi procurar Odile e Lulu, já que soube que elas estavam de papo com aqueles dois jogadores do Bayern de Munique, Franz Beckenbauer e Gerd Müller.
-- Não fui eu, Ana. Pode ter certeza que Franz não perguntou nada de você. – Disse Odile enquanto ajeitava o figurino.

-- Nem de mim. Sou inocente. – Disse Lulu, ainda digitando no celular.

-- Droga! Afinal quem passou minhas informações? – Me questionei o tempo todo. A única pessoa no mundo que poderia ter feito... era meu irmão!

-- Chris!

-- Que foi, maninha? – Perguntou meu irmão, fazendo mais um dos seus desenhos arquitetônicos.

-- Foi você que passou meus endereços de redes sociais para um tal de Paul?

-- Se for o McCartney, ele tem namorada, querida.

-- Engraçadinho! Falo de um tal de Paul Breitner. Quem é ele?

-- Ah sim. Ele é jogador de futebol. É do Bayern de Munique.

Era tudo que precisava. Meu irmão entrega minhas informações a um jogador de futebol que mal e mal vi no jogo, com exceção do Beckenbauer e Müller.

-- Mas por que, Chris? Se o Clapton descobre, eu...

-- Relaxa, maninha. Me entendo depois com ele mas a verdade é que Paul gostou de você. Quis te conhecer e saber o que estava lendo o tempo todo no IPad.

-- Juro que não vou perdoá-lo, Chris.

Depois disso, não fiz mais nada e nem tive mais coragem de ver. Por esses dias notei meu namorado conversando com certa freqüência com minha amiga, Rosie Donovan. De inicio pensei que fosse apenas por amizade ou coisa assim. Contudo, vi mais que isso. Até quando espero alguma atenção dele, Eric parece estar distraído, distante de tudo e fechado pro mundo. Tenho certeza que não é problema com os pais adotivos.

Na quinta-feira, ele e eu resolvemos conversar sobre um trabalho da faculdade e recebi uma resposta.

-- Não dá mais, Ana. Já solicitei minha troca de curso pro próximo semestre.

-- Amor, prometi que vou te ajudar nos estudos. Pra quê isso?

-- Eu não gosto de literatura russa e odeio ler aqueles livros. Já falei mil vezes pra você. E não entendo como não vê minha insatisfação?
Fiquei quieta com essa revelação. Eu devia ter dado apoio ao Clapton e não forçá-lo a continuar num curso que o deixe infeliz. Em vez disso bati na mesma tecla diversas vezes mais.

-- Me desculpe meu amor. Eu devia ser mais atenciosa. – Abracei meu namorado e segui falando. – E para qual pretende fazer?

-- Vou fazer História com meu amigo Graham.

Quando ele falou História, imediatamente lembrei-me de Rosie. Ela também cursava junto com Graham Bond, o namorado de Marie. Será que ele....? Não pode!

Não consegui dormir a noite pensando na possibilidade de Clapton me trocar pela Rosie. Afinal, ela é bonita com seus cabelos vermelhos e olhos verdes. O que a deixa “diferente” das garotas é o fato de ter uma prótese na perna esquerda, devido um acidente de carro. Com tudo isso... existem tantos cursos melhores do que História.
Clapton pode muito bem optar por Música.

Para esquecer isso, resolvi ligar o notebook e voltar a acessar meu Facebook. Lembrei que nas solicitações de amizade, não respondi a de Paul Breitner. Mesmo com a justificativa de Chris, não quis aceita-lo. Porém, eu não cliquei para aceitar ou não. E mais questionamentos veio na mente do tipo, como um jogador conseguiu me notar na multidão agitada?

Então, nada melhor do que aceitar aquela solicitação e mandei uma mensagem para ele. Não demorou muito e ele logo me respondeu.

Olá, Anastacia! Como vai você?

Além de jogador, é educado. Continuei a responder.

Um pouco bem. Não consigo dormir.

Não podia dizer logo de cara o motivo do meu desanimo mas Paul demonstrou muito interesse e atenção para mim. E isso admiro muito num cavalheiro.

Se quiser desabafar comigo, não há nenhum problema.

Assim como aconteceu com Louise e Gerd se comunicando via What’s App, Paul e eu trocamos idéias sobre livros, aplicativos de computador, aventuras dos seriados e coisas bem nerds.



Felicity POV

Faltava um dia para a grande festa de Halloween, realizada por mim e outros alunos calouros da universidade. Minhas amigas, mais as irmãs Fitzwilliam e uma turma de amigos do quarto ano me ajudaram na decoração do salão de festas. Na semana passada enviei para todos o convite do evento via Facebook e mensagens no What’sApp.  Verifiquei quais pessoas confirmaram presença e resolvi dedicar mais nas preparações decorativas. Percebi que minha prima Louise anda conversando com alguém no celular.

Por muitos meses, desde que ela inventou de assistir um jogo de futebol no estádio, vem estado diferente. Talvez mais alegre e ria de alguma coisa no celular. Pensei em perguntar quem era a pessoa ou se ela conheceu algum rapaz neste meio tempo.

Decidi ver quem era a pessoa.

-- Quem é o cara, Louise? – Perguntei e já me sentando ao lado dela pra ver. Lulu foi mais esperta e tapou a tela com a mão.

-- Ninguém que você conheça!

-- Ok... – Disse e quando sai de perto, aproveitei a distração dela e peguei o celular de sua mão.

-- Ei, Fefe! Me devolve! – Louise tentava pegar o celular das minhas mãos e por ser mais alta que ela, me deu vantagem.

-- Não sem antes de me mostrar quem é essa pessoa com quem ta conversando.

Comecei a vasculhar o bate papo e vi uma foto enviada. Abri e me deparei com um jovem rapaz muito atraente por sinal. Cabelos e olhos negros, cara de bom moço e usava uma camiseta de time. Reconheci de cara que era do Bayern de Munique, da Alemanha.

-- Quem é esse cara? – Perguntei, rindo.

-- Ninguém! – Lulu estava furiosa comigo e tirou o celular das minhas mãos. – É... um colega, nada mais!

-- Ele me lembra alguém.... – Falei e parece que a deixei apreensiva.

-- Não lembra nada! Agora me deixa!

Não pensei que Lulu pudesse mudar assim de uma hora pra outra. Bem, era melhor se focar nas atividades. Aproveitei a tarde para ir ao Hotel Hilton, localizado no centro de Londres. Lá, meu pai trabalha como gerente do hotel e naquele dia iria receber hospedes ilustres. É ninguém menos do que o time alemão Bayern de Munique.  Meus irmãos, Jonathan e Brandon me pediram expressamente autógrafos dos jogadores e eu como toda boa irmã, prometi cumprir esta missão.
Fiquei na recepção conversando com Harry, o porteiro, até estacionar na entrada um ônibus bem personalizado de vermelho e o escudo do time bávaro. Primeiramente desceu o técnico do time, Pep Guardiola e depois os outros jogadores.

-- Fique aqui, Felicity. Vou assumir agora o trabalho. – Disse meu pai, ajeitando rápido a gravata.

-- E o autógrafo nas camisetas?

-- Depois, filha. Depois.

Papai recepcionou bem Guardiola e os outros. Eu fiquei na espera só um pouco e logo ataquei de supetão com a ajuda do porteiro (Harry é fluente em alemão) e pedi para alguns jogadores (não todos) para autografarem as camisetas. Lembro que Bran pediu de somente um, o tal Gerd Müller. Harry me apontou onde o atacante se encontrava e lá fui eu, caçar assinaturas nas camisetas. Depois de assinado, olhei bem pra cara dele e imediatamente lembrei-me do cara na foto do celular visto de Louise no What’sApp. Por curiosidade fui perguntar, mas eles foram para os quartos.

Não foi desta vez a minha decisão de investigar as coisas realmente darem certo.

Na saída, encontrei um rapaz bem vestido e cara de nerd, me lembrando um pouco Clark Kent, feito pelo Christopher Reeve.

-- Olá! Sou Edmund Jones, sou jornalista do The Guardian e queria saber se o Bayern de Munique está hospedado aqui?

-- Está sim mas... – Antes de dizer mais coisas, o jornalista mostra suas credenciais e notei o quanto ele é parecido com a amiga de Rosie, Marianne Jones. – Você é parente de uma garota chamada Marianne Jones?

-- Sim. Sou irmão mais velho dela. Você deve ser a Felicity, não é?

-- Sou sim. – Respondi alegre.

-- Mari me falou muito de você e suas amigas por email. Hoje tenho de entrevistar apenas o técnico Guardiola, mas preciso do contato do assessor de imprensa alemã.

-- Ora, por que não disse antes? Deixa comigo!

Falei com Harry e pedi para ele ligar ao interfone e pedir para o assessor de imprensa do time alemão vir conversar com um jornalista britânico. Dito e feito, o assessor veio ao nosso encontro e Edmund foi muito educado e conseguiu não só a entrevista do Guardiola e sim eu, Felicity, ajudá-lo a fotografá-los.  

Enquanto tirava fotos deles, Edmund recebe uma ligação de Marianne.

-- Sim, entendi Mari. Tô aqui entrevistando os jogadores. To carregando a sacola com a fantasia e não esqueci a focinheira...

Quando ele falou em focinheira, visualizei a sacola e continha uma calça cinza de presidiário (ao menos é parecida), camisa de força e lá estava a focinheira.
Franz sem querer chutou o saco e tirou tudo dali, espantando os presentes.

-- Certo. Vou levar amanhã. Tchau! – E em seguida desligou o celular.

O capitão do Bayern tentou falar algo em inglês, mas sofrível.

-- Esta é seu fantasia? – Perguntou

-- Não. É da minha irmã. – Respondeu Edmund, arrumando e guardando tudo na sacola. – Ela tem uma festa de Halloween na Universidade de Londres.

-- Universidade.... de Londres? – Agora quem questionou era Paul Breitner.

-- Sim.  Minha irmã estuda lá.

-- Eu conheci uma menina no jogo da Liga há uns meses atrás e quero muito ir vê lá.  Tem como me levar? – Paul estava interessado. Edmund pensou e acabou aceitando contudo, intervi nesta história.

-- Não permitem pessoas de fora lá na festa. Só universitários. – Depois de ter dito, acho que minei as chances deles e ficaram de repente desanimados e Edmund desolado. Era melhor correr o risco. – Se quer ir mesmo nesta festa, terá de usar uma fantasia que ninguém o reconheça. Se a faculdade descobre, acabo me ferrando e junto às pessoas que me ajudaram. Você quer ir ou não?

-- Sim! – Paul aceitou de cara.

-- Ich auch! Eu estar lá também! – Franz que até então não se manifestou, acabou respondendo e juntamente Gerd Müller, Uli Hoeness e Sepp Maier. E junto o reserva Manuel Neuer.

A responsabilidade estava caindo em mim.

Combinamos de encontrar o grupo alemão as cinco da tarde no hall de entrada. Não sei e nem perguntei ao Franz como conseguiram enganar o Guardiola para permitirem eles de freqüentar a festa universitária. Para a sorte deles, o próximo jogo da Liga seria contra o Manchester United e só daqui uma semana.

Edmund me levou ao hotel e levamos nossos visitantes para a casa dos pais da Mari. E aproveitei para carregar minha roupa. Um vestido medieval que minha mãe conseguiu confeccionar e junto uma espada. Sim, uma espada estilo valiriano do mundo de Game Of Thrones.

Marianne Jones nos recebeu do lado de fora.

-- Edmund, que bom que veio. Fefe, que saudades! – Mari nos abraçou e cumprimentou os jogadores. Ela sabe do meu plano. – São eles, Fefe?

-- São sim. Olha, tem fantasias para eles irem? De preferência algo que não os reconheça.

-- Eu e o Edmund temos um guarda-roupa especial destas roupas. Entrem logo!

Quando entramos na casa de Mari, o irmão dela tratou de pegar todas as roupas disponíveis e eles aceitaram numa boa. Sepp se vestiu de Leão Covarde, do Mágico de Oz. Manuel optou por ser o Lanterna Verde. Uli era indeciso e ajudei a escolher uma roupa legal e no fim quis ser o Batman. Gerd Müller logo de cara decidiu ser o Drácula e inclusive Mari colocou um pouco de tinta vermelha na roupa para representar pingos de sangue e um pouco na boca. Paul Breitner foi o que deu mais trabalho. A roupa de Homem Aranha era um pouco apertada e a máscara mal dava para cobrir sua cabeça devido ao cabelo dele que era enorme.

Foi preciso eu, Mari e Uli para arrumar um pouco aquele cabelo e depois colocar a máscara e ainda assim, ele se queixou por causa da dificuldade em respirar.
E por fim restou Franz Beckenbauer. Ele demorou um bocado para escolher. Neste meio tempo aproveitei em tomar banho e me vestir logo. Mari fez o mesmo porém não vestiu ainda sua camisa de força, pois preferiu ajudar Franz escolher uma roupa boa pra vestir. Retornei na sala e ainda sem resultados.

-- Poxa vida, Franz! Não tem muitas opções. Escolha uma roupa e vamos logo! – Apressei o alemão. Já estava impaciente.

-- Eu ser péssimo de escolha. – Franz me responde com seu inglês quase fajuto. Tive de morder a língua pra não rir. O único que conseguia falar em inglês fluentemente era sem dúvida Paul Breitner.

-- Quer uma sugestão? Use essa do Jack’O Lantern. O símbolo máximo do Halloween e ninguém vai te reconhecer. – Disse Edumund, mostrando a roupa e vi que ela se encaixa perfeito para o porte físico do zagueiro.  – Contudo, vai ter de usar essa abóbora na cabeça. É sério!

O irmão de Mari mostrou a dita cuja de plástico e para a surpresa de todos, acabamos rindo. Até eu. Tive pena do capitão.

-- Ok, vestir isso não ser bom. Minha única escolha...

E lá foi Beckenbauer se vestir de Jack O’ Lantern e colocar a abóbora na cabeça. Encaixou bem só que o problema eram os furinhos dos olhos. Mari pegou um estilete e cortou um pouco mais, aumentando os furos para dar visibilidade maior para Franz.

Mari pede ajuda para o irmão vesti-la com a camisa de força quando a campainha toca. Abri a porta e revelou ser Ginger Baker, o namorado dela. Ginger faz Direito e está vestido de Will Graham, personagem da série Hannibal, que alias, a fantasia de Mari era justamente do famoso médico canibal. Sempre achei Mari muito doida, mais que minha prima. Desta vez o nível de loucura ultrapassou os limites.

Ginger trazia um carrinho igual visto nos filmes de ação, quando o prisioneiro é altamente perigoso e é preciso transportar de uma penitenciaria pra outra, ele deve ficar imóvel.

-- Está pronta, pequena Hobbit? – Perguntou Ginger, ansioso.

-- Sim. Ai Edmund, amarra direito essa camisa!

-- Eu to tentando, calma!

Edmund consegue amarrar Mari e eu a ajudei a colocar a focinheira. Pra falar a verdade, ela estava uma autentica Hannibal Lecter. Os alemães estavam assustados com aquilo, mas Paul os tranqüilizou e assim partimos rumo Universidade. Mari e eu fomos no carro de Ginger e os alemães foram com Edmund.

Nem deu vinte minutos e conseguimos chegar a tempo.  Na entrada do salão, avistei Mary Anne McCartney, irmã de Paul e Evanna Davies, prima dos irmãos Davies e da detestável Jenna e... namorada de Pete. Cada vez que pensava no narigudo meu coração doía mais, mesmo estando com Eric Burdon.

Meu namorado me vê e logo me beija na frente dos meus convidados especiais.

-- Amor, fiquei preocupado. Por que demorou?

-- Desculpe, fui pra casa da Marianne ajudar nas fantasias dela e dos meus amigos. – Mostrei a turma germânica para Burdon, que deu de ombros. Notei que Manuel não gostou disso. Não quis me questionar mais e fomos todos juntos para a entrada.

-- Oi Fefe. – Cumprimentou Evanna. – Adorei sua fantasia. É a Mérida do filme Valente?

-- Se fosse a Mérida, meu cabelo seria ruivo e cacheado e não liso e preto. Adorei como vocês ficaram, Sherlock e Watson. Benedict e Martin agradecem! – Respondi em tom de brincadeira.

--  Obrigada, Felicity, creio que o Benny e o Martin vão adorar. Nomes por favor... – Mary Anne pronta para anotar e sem querer Franz responde e eu intervi mais uma vez.
-- Mary, Evanna, é o seguinte. Eles são... – Mesmo detestando mentir, era necessário. – Alunos intercambistas vindo da Alemanha. A recém se matricularam e eu os convidei como forma de boas vindas.

-- Sabe que não é aceito isso. – Alertou Mary Anne, séria.

-- Eu sei. Vou assumir toda responsabilidade. Prometo não ferrar vocês. Por favor...

Elas pensaram um pouco, no final foi aceito e conseguimos ficar no salão de festas totalmente decorado da festa. Sentamos no sofá redondo, que continha uma mesa redonda cheia de petiscos e copos para quem quisesse beber um ponche ou outra bebida.

-- Fiquem aqui! Vou ver os convidados e .... – Parei de falar quando visualizei no celular de Gerd uma foto de minha prima.  – Escuta, onde conseguiu essa foto?
Gerd gelou um pouco de medo e Paul veio em sua defesa.

-- Ele conheceu a menina no hospital.

-- Hospital? Como assim?

-- É uma longa história...

Paul me contou do jogo pela Liga dos Campeões ocorrido em maio deste ano, quando o Bayern confrontou o Real Madrid. Nesta hora lembrei daquele dia ao ver no jornal a manchete onde Odile e Lulu ficaram conhecidas pela torcida do time bávaro, ao mesmo tempo outra recordação veio na mente: a foto do cara misterioso de Lulu. Paul admite que tem uma foto de Ana no celular, no qual me mostrou. Sim!

Eu sabia que conhecia aquele rosto! Ao final da história contada, encarei os alemães e falei rindo.

-- Vocês me aguardem só uns cinco minutos? Preciso fazer uma ligação.

Me afastei deles e peguei logo o celular, digitando mensagens para as três amigas.

Para Lulu foi esta aqui:

AHA! Descobri quem é o tal carinha que você anda conversando. Por que não me disse antes?

Nem deu cinco minutos e Louise me responde assim:

Me desculpe. Não queria que soubesse disso por medo de me dedurar pro meu pai.
Por dentro ria da situação e agora mandei uma mensagem para Odile:

Agora entendi por que você ficou tão famosa no campus. Não sabia que Franz Beckenbauer está  louco por você!

Odile logo me respondeu:

Ah desculpa Fefe! Tinha medo da Marie encher de perguntas. E como você  sabe? Franz falou com você? Ele falou de mim?

A próxima era Anastacia:

Tem um jogador alemão aqui no hotel onde pro meu pai trabalha e tem uma foto sua no celular. Eric sabe disso?

Ana respondeu:

Foi meu irmão que fez isso. Ele passou meus contatos pro Breitner e eu e o Eric estamos mais pra do que pra cá. Explicarei depois sobre isso na festa.

Após a última mensagem de Ana, fiquei bastante curiosa. Estava explicado tudo isso sobre os jogadores, seus motivos e por que estavam animados por estarem na Universidade em plena festa.

Acabei indo ao banheiro para me acalmar e me maquiar. Quando terminei, ouvi gemidos vindo de uma das cabines e avistei meu namorado (agora decretado ex) transando com Meg Johnson, a ninfomaníaca da faculdade. E pivô do termino do namoro de Louise e Jeff Beck.

Sai do banheiro enfurecida e louca pra matar aqueles dois. Agora estou livre. Eric Burdon não faz mais parte de minha vida.

-- Felicity! – Minha amiga Alana Watson me chama. Ela estava toda gótica e a English Band, no qual faço parte também gótica nas vestimentas. – Vamos tocar agora?

Mesmo abalada com a revelação e com a traição imperdoável de Burdon, não deixei que isso me impedisse de cantar. Subi no palco e cantei alguns sucessos do indie rock!


Continua...

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