Como prometido, Mariana Greyjoy nos enviou a fanfic épica da sub série do What if, chamada O Casamento de Paul Breitner e Anastacia Rosely, que se passa na época da Copa do Mundo de 1974. Quem leu ontem Everything I Do, entenderá certas referências da minha fic também. Em breve outra What if da sub série chegará. Boa leitura!
O Casamento de Paul Breitner e Anastacia Rosely __
Mariana Greyjoy
A idéia de trabalhar em
outro país parecia um pouco insana demais, porém Anastácia havia achado aquilo
uma oportunidade única e acabou aceitando a proposta de ser correspondente
internacional em Munique, para escrever sobre o que fazer na cidade para
turistas ingleses.
Duas semanas depois, se
despediu de suas amigas Felicity, Nora e Marie, que trabalhavam junto com ela
na Rolling Stone e partiu rumo à
Alemanha Ocidental acompanhada de seu gato, Robespierre, para passar um ano e
meio, escrevendo e conhecendo a cidade.
Ao desembarcar na estação
central da cidade, lembrou-se de um momento de seu livro favorito, Anna Karenina de Leon Tolstoi, em que Anna conhece o Conde
Vronsky, numa estação de trem. Ela não estava chegando a São Petersburgo a fim
de salvar o casamento do irmão, mas acabou encontrando o seu novo amor ali.
E enquanto pensava nisso,
acabou trombando com um rapaz, um bem mais alto que ela, muito esguio e com um
peculiar cabelo afro preto, que era algo esquisito para um alemão. Ela acabou
deixando cair seu passaporte no chão e quando os dois foram abaixar para pegar,
acabaram batendo suas cabeças, onde seus olhos acabaram se encontrando. Ele
murmurou algo em alemão e entregou o passaporte para ela, acabou sorrindo e
continuou caminhando.
Aquele momento tão comum,
que ela sempre via nos filmes e que nunca imaginou que iria acontecer com ela,
acabou acontecendo e mudando a sua vida.
“Nunca achei que meu coração ficasse tão abalado
com um estranho”, escrevera ela em
seu diário naquela mesma noite, em seu novo apartamento que ficava perto do
estádio Olímpico de Futebol de Munique, ”Mas
sei que nunca mais vou encontrá-lo, então não posso me apaixonar”.
As semanas foram se
passando e ela acabou se acostumando com a cidade, de estudar alemão com sua vizinha
Andy, que era inglesa e que adorava fazer fofoca das outras vizinhas que
moravam no mesmo prédio que ela, de escrever para a sua família e amigos
contando que estava tudo bem com ela e que ela estava se alimentando e seu gato
também.
Até que um dia ela
percebeu que seu alemão estava até que numa condição boa para ela começar a ler
livros na língua. Ele aproveitou que teria que comprar comida para seu gato e
foi até a livraria que ficava no final de sua rua. Depois de ficar escolhendo
os livros, acabou ficando indecisa entre três, O sofrimento do Jovem Wether de Goethe, O Anjo Azul de Heinrich Mann e Anna
Karenina.
--Talvez a senhorita goste
desse livro. – Ela se virou e viu que era o mesmo homem com quem havia trombado
na estação de trem – É delicado e apaixonante.
-- Sim é um livro muito
delicado mesmo. – Respondeu ela, vendo que seu alemão não estava tão ruim
assim.
-- Eu acho que trombei com
você na estação de trem não foi? – Perguntou ele.
-- Foi sim – Respondeu ela
com um sorriso.
-- Er... Meu nome é Paul e
o seu?
-- Anastácia. – Estendemos
as mãos e se cumprimentaram.
-- Você é inglesa? – Perguntou
ele, um pouco curioso. – É que seu sotaque é muito diferente do daqui.
-- Sou de Londres. – respondeu ela – Mas vou
passar um tempo aqui na cidade.
Os dois acabaram sendo
interrompidos pelo dono da livraria, um senhor baixinho e gordinho que andava
mancando, trazendo quatro livros e entregando à Paul.
-- Aqui está o que você
encomendou. – Disse ele.
-- Ah obrigado Hans. – Respondeu
Paul, ele olhou para o livro que estava na mão de Anastácia, que era o Anjo
Azul, pegou-o e mostrou a Hans. – Esse é presente para mocinha aqui! Coloque na
minha conta, por favor!
-- Não precisa! Eu mesma
pago! – disse ela.
-- Faço questão! – Respondeu
ele – Como presente de boas vindas à cidade!
Ele deu uma piscadela para
ela e saiu da livraria. Ela acabou ficando sem reação por alguns instantes e
depois foi até o balcão onde Hans se encontrava e tentou pagar o livro.
-- Esta na conta dele já.
– Respondeu Hans. – Aceite o presente, moça! E sinta-se sortuda, ele quase
nunca presenteia as pessoas!
-- Mas como eu posso
aceitar um presente de um estranho? – Perguntou ela atônita.
Hans deu uma gargalhada e
sorriu para a jovem.
-- Minha querida, ele é
uma das pessoas mais conhecidas dessa cidade. – Ele deu outro sorriso para ela
e tentou controlar o riso. – Não sei como você não o conhece!
-- Sou nova na cidade. – Ela
respondeu, agradeceu pelo livro e sai da livraria, foi em direção ao mercado e
comprou a comida para o seu gato e depois foi para sua casa, ainda pensando em quem Paul poderia ser.
Ao voltar para casa, ela
alimentou o seu gato e foi ler o jornal do dia, e quando ela abriu o caderno de
esportes, ela se surpreendeu ao descobrir que Paul era um jogador de futebol do
time que treinava perto de sua casa, o Bayern de Munique e ele seria convocado
para a próxima copa que ocorreria nos próximos seis meses.
-- Uau! – disse ela – Não
tô acreditando que eu estou afim de um jogador de futebol!
Conforme os dias foram
passando, ela começou a ter certeza que estava apaixonada por ele, mas sempre
tentava afastá-lo de sua mente, já que aquilo seria um amor impossível.
Até que numa tarde,
enquanto ela terminava de redigir uma matéria sobre os museus da cidade, ouviu
alguém tocar a campainha e quando foi atender, acabou tomando um susto, era
Paul de novo. Fechou a porta na cara dele, igual aos filmes e depois se arrumou
rapidamente e tornou a abrir de novo.
-- Me desculpe. – Disse
ela, sentindo-se ficar vermelha – Aliás, Oi.
-- Olá! – Disse ele
sorrindo. – Posso entrar? Tem uma vizinha sua me olhando de forma muito
estranha.
Paul entrou no pequeno
apartamento e sentiu-se como se estivesse casa.
Anastácia botou a cabeça
para fora de casa e viu que Andy pulava e chamava alguma tal de Hildegard para
ver quem estava na porta dela e puxou Paul para dentro de casa.
-- Sente-se! – Disse
Anastácia apontando para o sofá. – Vou preparar um chá para nós dois.
Enquanto ela preparava o
chá, ele brincou um pouco com o gato dela, Robespierre e pouco depois ela
voltou com duas xícaras, um bule cheio de chá e algumas bolachinhas.
-- Então – Falou ela
enquanto servia ele. – Você é um jogador de futebol?
-- Você não sabia? – Perguntou
ele – Todo mundo sabe!
-- Mas eu não. – Respondeu
ela – Você sabe, sou nova aqui!
Eles riram e depois ela
contou a ele que era uma jornalista. Por sua vez, ele contou a ela que havia
feito ciências políticas e filosofia na faculdade e que era marxista e
comunista e os dois acabaram passando a tarde discutindo sobre esses assuntos,
até a hora de ele ir embora.
No outro dia ele voltou
depois dele do treino dele à tarde, tomaram chá mais uma vez e continuaram a
conversar sobre os mesmos assuntos. Por vários dias continuaram tomando chá
juntos e depois começaram a freqüentar livrarias juntos, a comprarem livros e
depois discutirem juntos. Ela o ensinou tudo sobre literatura russa, enquanto
ele ensinou a ela tudo sobre o cinema alemão.
Até que um dia, enquanto
estavam na livraria em que se conheceram, enquanto ela observava as estantes
com calma, ele a puxou para perto de si e roubou-lhe um beijo quente.
-- Acho que estou começando a me apaixonar por
você. – Disse ele.
-- Eu estou apaixonada por
você desde quando trombamos e batemos a cabeça na estação de trem. – Respondeu
ela com um risinho.
Descobriram em si um amor
louco, que nem eles mesmos sabiam que possuíam. Faziam amor, praticamente todos
os dias antes e depois dos treinos dele, na casa dela. E em poucos dias, ele
acabou se mudando para lá, onde eles dividiam seus livros, seus amores e suas
vontades. Até que numa noite, após se amarem loucamente, ele lhe contou que
havia sido convocado para se juntar ao time na concentração, pois só faltavam
algumas semanas para começar os jogos da Copa.
-- Promete que você vai a
todos os jogos? – Perguntou ele, entre um beijo e outro.
-- É claro! – Respondeu ela.
– E prometa que irá fazer muitos gols para mim, não é?
-- Com toda a certeza, minha princesa russa! –
Respondeu ele -- Se quiser, pode trazer suas amigas de Londres, acho que
consigo alguns ingressos para elas!
No outro dia, ela mandou
um telegrama para o seu editor, perguntando sobre este gostaria de uma
cobertura da Copa do Mundo. Três dias depois suas amigas haviam chegado à
cidade.
-- Foi uma loucura chegar
até aqui – Disse Marie, enquanto jantavam. Elas chegaram a Munique por volta
das cinco da tarde, mas um erro de fala com o taxista que não sabia falar
inglês fez com que elas chegassem à casa de Anastácia às dez da noite – Falamos
para o taxista que era perto do Estádio Olímpico da cidade e acabamos do outro
lado da cidade!
-- Se a Nora não tivesse
gritado Bayern umas três vezes, não estaríamos aqui! – Contou Felicity, rindo.
Todas riram e começaram a
se acomodar no apartamento de Anastácia. Os dias se passaram e o primeiro jogo
da Copa chegou, Alemanha Ocidental X Chile em Berlim, e ai ela viu uma possibilidade
de ver seu amado. As quatro foram de trem até Berlim e lá encontraram a prima
de Felicity, Louise e a irmã de Marie, Odile, que estavam indo pro jogo para
torcer por seus namorados, que também jogavam na seleção da Alemanha Ocidental,
respectivamente o atacante Gerd Müller e o capitão do time, Franz Beckenbauer.
-- Talvez eu até consiga
colocar todas vocês no vestiário deles. – Disse Odile, enquanto entravam nos
estádio – Vou tentar falar com Franz e Louise com Gerd, pra ver se eles
conseguem o passe de vocês.
As duas acabaram não
conseguindo os passes para somente depois do jogo, e acabaram assistindo o jogo
na arquibancada, junto com Marie e Felicity, enquanto Felicity e Anastácia
acabaram fazendo a cobertura deste pelo campo. Aos 22 minutos do primeiro
tempo, Paul fez o único gol da partida e quando este a viu comemorando, dedicou
o gol para ela.
Quando o jogo acabou ela
tentou se aproximar dele acabou não conseguindo por conta da avalanche de
jornalistas que tentavam entrevista-lo. Os jogos forma passando e ela não
conseguia conversar com ele. Só se falavam por cartas, que demoravam a chegar e
serem entregues também.
Nesse meio tempo, ela e
Felicity conseguiram uma entrevista, antes da semifinal contra o Brasil, com o
capitão da seleção Holandesa, que era a sensação desta Copa, Johan Cruyff, onde
ela percebeu que o capitão caíra de amores por sua amiga.
-- Amiga, eu beijei o Cruyff!
– Disse Felicity, enquanto as duas caminhavam para a estação de trem.
-- Como assim? – Perguntou
Anastácia. – Como foi?
-- Você sabe, eu fiz uma
entrevista com ele algum tempo atrás pra um freelancer
que eu estava fazendo. – Dizia Felicity, enquanto elas entravam na estação de
trem. – E de alguma forma, eu balancei o coração dele e ai quando você foi ao
banheiro, eu fiquei a sós com ele no vestiário, onde ele me contou isso num
inglês terrível e tenho que confessar que sofri pra entender o “eu te amo” e ai
ele me beijou sem mais e sem menos.
-- Eu sumo só por alguns
minutos e você já rouba o coração do cara? – As duas riam, enquanto entravam no
trem de volta para Munique.
Enquanto, Nora e Marie,
dois dias depois, conseguiram entrevistar o jogador brasileiro, Rivelino, onde
este comentava que estava triste pelo fato do Brasil ter sido eliminado pela
Holanda.
Então a esperada final chegou.
Por sorte, a final seria a poucos quarteirões de sua casa, no estádio Olímpico
de Munique.
“Pra mim não importa quem irá ganhar nesta partida.
É claro, obviamente ficarei feliz se for o meu time, mas tudo o que eu quero é
ficar com você”, escreverá Paul na
última carta. Ela releia esta pela vigésima vez, enquanto os Carpenters cantar
o refrão de Please Mr. Postman no
rádio, mas não se importava dali alguma hora provavelmente estaria nos braços
de seu amado, em sua cama.
Controlou a sua ansiedade
e partiu com suas amigas para o estádio. Elas se acomodaram num bom lugar da
arquibancada.
-- Acho que morrer antes
desse jogo começar. – Disse Anastácia, já roendo as unhas.
-- Calma amiga! – Falou
Nora. – Você tem que ficar viva para ver o seu amor ganhar esse jogo!
Ela mal conseguia ficar
calma, estava ansiosa demais. Mal conseguia ascender o cigarro direito, pois
estava tremendo demais. Suas amigas tentaram fazer com que ela ficasse mais
calma durante toda a abertura. Ela só ficou mais relaxada quando as duas seleções
entraram em campo e a partida começou.
Com os dois primeiros
minutos de jogo, a Alemanha sofre um gol da Holanda e o estádio foi à loucura.
Felicity foi à única ali que comemorou e Louise, Odile e Anastácia estavam
inconsoladas, não sabiam se choravam ou se desistiam daquele jogo.
Aos 30 minutos a Alemanha
sofre um pênalti e Paul vai cobrar. Anastácia não sabe se olha ou não, e acaba
tampando os olhos com a mão, mas por uma fresta dos seus dedos, ela vê o gol do
seu amado e pula e grita freneticamente junto com suas amigas. E faltando 7
minutos para o primeiro tempo acabar, o namorado de Louise, Gerd Müller, marca
mais um gol, abrindo vantagem para a Alemanha.
Já no segundo tempo, houve
muitas chances para novos gols, mas nenhuma das seleções conseguiu fazer algum.
Quando o juiz soou o apito final, o estádio fora a loucura outra vez, a
Alemanha Ocidental era a campeã daquela Copa.
Elas saíram da
arquibancada e foram para o campo, pois haviam conseguindo credenciais para
ficarem lá no pós jogo, e de lá observaram Franz Beckenbauer levantar a taça
para todo o estádio e o mundo ver, e depois esta foi passada de mão em mão para
todos os jogadores a erguessem-na.
Quando estes desceram do
pódio e foram para o campo comemorar, Paul e Ana se reencontram, ele lhe roubou
um beijo e os jornalistas os cercaram.
-- Quem é ela, Breitner? –
Perguntou um deles. – É uma de suas fãs?
-- Ela é minha noiva! – Respondeu
ele.
-- Como? – Perguntou ela
um pouco chocada. Se conheciam a tão pouco tempo e ele já estava dizendo para o
mundo que ela era noiva dele.
-- É isso mesmo que você
ouviu. – Disse ele, ele para perto de si. – Casa comigo, minha princesa?
-- Oh sim Paul! – Respondeu
ela em meio às lágrimas .– Mil vezes sim! Eu aceito!
Eles se beijaram enquanto,
o mundo o reverenciava pelo titulo mundial.
FIM

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