quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Lembranças de uma fã (segundo e último capitulo)


O que eu previ, realmente aconteceu. Na vizinhança não falava em outra coisa. O assunto do momento era minha realização pessoal em conhecer pessoalmente os quatro rapazes de Liverpool. Para alguém que vive no bairro mais agitado de Merseyside, o Burttonwood, era de se esperar o tempo recorde em que meu relato corresse do bairro todo até na área central da cidade. As cidades vizinhas também ficaram sabendo. Algo engraçado nisso tudo foi que os professores da *LHS despejaram rios de agrados a mim e presentes eu ganhava. A lição de casa não recebia mais das piores professoras a quem considerava bruxas malvadas, especialistas no desmanche dos sonhos de adolescentes determinados. Resumindo: tornei-me a garota mais popular do colégio! Os garotos passaram a me paquerar com certa freqüência, seja cantando algumas músicas dos Beatles, seja presenteando-me com brincos, pulseiras e flores lindas das conhecidas floriculturas.
Coitados deles. Nenhum me agradava. Nenhum deles tinha o mesmo sorriso de Lennon. Nenhum deles possuía o humor verdadeiro dele. Para mim, John Lennon é o único. Ou ao menos pensava.
Foi em 1964, quando entrei no ensino médio. Conheci um rapaz chamado Henry Calahan, de dezesseis anos, moreno com seus um e setenta e três de altura e cabelos curtos claros e capitão do time de rugby. Os Red Kings são o nome do time. Não é preciso falar da popularidade dele, pois é muitíssimo conhecido. As meninas enviavam cartinhas amorosas a ele e, claro, me desagradava muito.
Nem mesmo “Eight Days a Week” ou “Rock’n’Roll Music” me fazia mover o corpo e esquecer-se das reclamações.  Durante o ano, executava muitas tentativas em conversar com Henry, mas a cada nova investida, surgia um obstáculo. Como odeio aquelas oferecidas aluninhas do primeiro e segundo ano. Com as táticas de conquista falhando mais e mais, decidi desencanar de tudo e me debruçar nos livros chatos.
Num dia qualquer de 1964, Vivian me acordou. Hiperativa do jeito que é, pulava como uma macaquinha e quase deu uma pirueta digna de medalha olímpica.
–-Mana veja. Os Beatles lançaram um filme nos cinemas. Convide suas amigas e eu convido as minhas. Vamos ao cinema!
Justo agora que fiquei gripada minha irmã mais nova faz um convite. Contudo, assistir meus amados nas telas cinematográficas era o sonho mais profundo de uma fã. Uma fã como eu. Esperei exatos dez dias para a cura e rapidamente comprei os ingressos. Comprei dois, um para mim e outro para Henry. Ele também gosta de Beatles e o irmão caçula dele é colega de minha irmã. Suzan e Jane já haviam assistido ao filme e por isso não as convidei. Vivian só chamou uma amiga, a Sanae Wakabayashi, aluna de intercâmbio japonesa.
Sexta-feira, sessão das 18h no Cine Mersey. Pelo que Suzan disse, todos os dias ficava lotado de gente para ver o filme. Já deduzia isso de praxe. Primeira fila. Cada qual com seu convidado. Henry e eu na direita e Vivi e Sanae na esquerda.
Ri pacas do filme. Os momentos engraçados dos quatro garantiram a alegria. Richard Lester fez um ótimo trabalho, filmando os Fab Four. De repente senti o braço de Calahan envolver meus ombros. Como não era boba nem nada, aproveitei em chegar um pouco mais perto dele. Era tão bom. Encarei os olhos dele e achei seu olhar semelhante com de Lennon. Mais tarde tudo foi meio rápido. Um beijo na boca. Henry me beijava com certa calma que, o mesmo calor antes sentido no Palladium, voltou com mais intensidade. Retribui o beijo com mais ternura. Quando paramos, estava na cena do show final e as gurias ainda com olhar fixo na telona. Tive mesmo sorte da Vivian não nos ver daquele jeito. Imagina se isso acontecer. Teria de preparar uma boa explicação a uma pirralha de oito anos recém descobrindo os segredos da vida.
Depois do filme, voltamos para casa e nos despedimos com beijos doces e carinho. Antes de entrar, Henry disse que nossa ação estava meio parecida com as músicas dos Beatles, cheias de relacionamentos amorosos, com direito a brigas, um fim, reconciliação e uns “felizes para sempre”. Também pensei assim. Muito antes do filme, sofri bem no inicio de 64, quando os garotos de Liverpool rumaram para os Estados Unidos. Saudade mata quem ama, sabia?
As noticias eram divinamente estupendas deles. A apresentação no Ed. Sullivan Show teve um grandioso ibope americano. Nunca na história televisiva uma banda de rock prendera a atenção de todos. Acredito que nem o Elvis faria uma repercussão assim.
Mas sabia como amenizar a saudade. Não foi com drogas, não. Foi mesmo o amor da música deles e a adoração do meu amado compositor. Na volta, estava lá no aeroporto, junto com toda aquela gente gritalhona.
Mudanças na minha vida, fatos marcantes e os estudos eram tudo que acontecia ao meu redor. O quarteto Fabuloso foi condecorado pela própria rainha da Inglaterra. Puxa, isso merece um destaque maior para toda Europa.
1965. Um acidente quase mata e arranca a cabeça de Paul McCartney. Noticias de sua suposta morte. Quase caí para trás disso. Meu futuro marido, morto. Vivian ficou rindo da situação e ainda disse que o melhor mesmo era firmar-se com um Rolling Stone. Pirralha impertinente. Talvez ela não tenha acreditado na maior noticia de todos os tempos. No lançamento de Rubber Soul, notei claro que não era o Paul. Decerto, o verdadeiro “Macca” recuperava-se dos ferimentos e deixou um sósia no seu lugar com certo limite de tempo.
Finalmente 1966. Conquistamos a Copa, fui chamada na Universidade de Oxford e.... John e Cynthia divorciam. Tristeza profunda. Alegria para mim. E raiva também. Alimentei fortes esperanças em poder conquistar Lennon, mas novamente naufragou igual ao Titanic. Tudo porque a japa Yoko Ono conquistou de modo diferente. Uma exposição de Arte e na parede minúsculas letras diziam ao serem vistas na lupa: “Yes!” Só por um Yes, meu beatle caiu de amores pela oriental.
Tempo voa, tempo passa. Os discos deles vendiam enxurradas. Seus discos mostravam mesmo que eles cresceram. Aposentaram aquela mesmice. Os terninhos, fora. O cabelinho, um pouco desarrumado. Meu irmão Nigel tinha seguido á risca o “Mod” da época. Mas não era bem isso. Junto a isso tudo, na Universidade todos possuíam cabeças voltadas para a paz mundial e o fim da guerra. Acabei participando dos protestos pacifistas. Mal parava na republica onde vivia com meus amigos, mandava cartas para a família e agitava todas.
O noticiário era somente guerra, política e baixarias. Nem os livros de Edgar Allan Poe me prendiam. Queria era estar num mundo sem as iminências bélicas. Um mundo de paz e alegria. Utopia, nothing real. Sou mesmo uma sonhadora.
Até mesmo os Beatles sofriam entre si os complicados problemas de banda. A morte de Brian Epstein foi uma delas. O guru Maharishi Mahesh Yogi bem que tentou. Só George seguiu sua doutrina. John saiu do retiro espiritual totalmente iludido. Ringo também caiu fora. Paul agüentou por um tempo. Mesmo assim, fora.
1967 e 1968 as brigas intensificaram mais e mais. Meus anos na faculdade renderam para o posto de aluna brilhante e assídua. Meu namoro continua forte e resistente e minha família unida.
As mudanças continuam e o destino pode reservar algo de bom para nós.

 Continua...

 Epilogo: O futuro nos reserva...

Terminei os estudos naquele começo de 1969. Eu e meu clã nos mudamos para Londres, morando num apartamento normal e posteriormente, perto da Apple Corps.
30 de janeiro. Vivian estava lendo uma revista de música quando ouviu do outro lado da rua, uma verdadeira apresentação de banda.
–-Mana, olha no teto da Apple. São os Beatles!—gritava Vivian, escorada na janela do seu quarto.
Mesmo na sala, meus olhos encheram de lágrimas ao ver aquela histórica apresentação. Aquela imagem jamais sairia da minha mente.
–-Obrigado pessoal. Esperamos ter passado no teste. – disse Lennon ao desconectar sua guitarra na caixa de som.
Se eu fosse empresária ou produtora deles, com certeza teriam minha aprovação.


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Dias atuais
É incrível que nos meus sessenta e um anos, ainda lembre as minhas aventuras no mundo da música. Hoje vi muitas bandas serem influenciadas pelos Beatles. Mesmo ter chorado rios por Lennon em 1980 e quase sofrer de enfarto fulminante quando soube que George morreu naquele ano de 2001, ainda permaneci em pé.
Uma vez li num jornal o que George falou sobre os fãs do Fab Four: “Espero que os fãs dos Beatles tenham se casado e com filhos e netos no mundo. Mas que ainda tenham um cantinho especial para nós em seus corações.” No meu coração, eles sempre estarão. E a nova geração, também.

Fim


Lista de personagens:

Roselyn Anne Donovan (Rosie): A protagonista. Adolescente dos anos 60 e senhora de idade nos dias atuais. Ela é irmã de Vivian
Danielle Donovan e tia de Marie Anne Hemingway, a detetive Maya nas outras fics.

Vivian Danielle Donovan: Irmã mais jovem de Rosie. Criança nos anos 60 e uma jovem senhora, mãe de Marie Anne Hemingway até sua trágica morte em 2005.

Suzan Hardison e Jane Berkley: Amigas e colegas de Rosie. Elas que convidaram a jovem para ir num show dos Beatles.

Sanae Wakabayashi: Amiga de Vivian. No futuro, ela se casa com Toshiro Hayashi e acabam tendo uma filha, a Shizune, que se torna a melhor amiga de Marie.

Henry Calahan: Namorado de Rosie desde os tempos do colégio. Começa a gostar de Rosie, mesmo sabendo que ela é obcecada por John Lennon. Henry também possui uma obecessão e é por Jane Fonda.

E no final, O amor que voce recebe, É igual ao que voce faz.
(The Beatles__The End)


FIM


Lembranças de uma fã (beatlefic)

Vocês devem estar se perguntando o por quê de estar postando fanfics de banda já que demoro uma eternidade em colocar blog?
O simples motivo é que lá onde postava no Fanfiction Nyah!, ficou proibido as fanfics de bandas, desde que se utilizem personagens que não sejam reais. Ou seja, se eu quiser colocar uma dos Beatles, não pode haver o Paul, John, George e Ringo e sim personagens fictícios que sejam os Beatles ou quase assim.
Neste caso, esto excluindo algumas das fanfics e poesias dos Beatles que estavam lá (com exceção de Give Me Love que ficará lá só quando eu finalizar. Sem previsões, gente!). A começar, vamos com minha primeira beatlefic chamada Lembranças de uma fã, que deu estréia a minha personagem amada Rosie Donovan. Vamos lá!


Lembranças de uma fã__ Maya Amamiya

O tempo passa tão rápido! O que exatamente sou neste ano de 1968? Ah sim. Uma universitária da Oxford. Mesmo na biblioteca e estudando com meus colegas acadêmicos, a lembrança sempre vinha na cabeça. Uma recordação divertida e inesquecível na minha movimentada adolescência.
Era 1963 e com aquela idade, muitas coisas aconteciam uma atrás da outra.

Condado de Merseyside, cidade Liverpool. Estudava no Liverpool High School. Aquele ano marcou a vida dos meus compatriotas. Havia um grupo formado por quatro rapazes, também vindos da minha cidade. O som deles era alto, cheio de batidas e uma música animada e romântica. Garotas de todas as partes suspiravam por eles. Dos baixos suspiros, veio a histeria. Quem dera que aquilo seria uma epidemia mundial musical....

Muitas das minhas colegas foram nos shows deles. Nunca fui, mas ouvia no rádio suas músicas tocantes nos sentimentos. Depois dos meus estudos, ligava baixo meu rádio e lá no meu quarto, deitada na cama, era embalada ao som de “Love me do”, “PS I Love You” e “I Wanna Hold your hand”. Verdadeiros clássicos de seu começo.

Um dia quando lia um livro de Aldous Huxley, minhas amigas Jane e Suzan, chegaram eufóricas para mim, uma noticia:
–-Vamos para Londres, Rosie. Minha mãe falou com a sua e advinha: ela deixou você ir com a gente!

Não podia ser verdade. Eu, Roselyn Anne Donovan, vou assistir a apresentação dos Fab Four, na capital! Queria gritar de alegria, queria minha voz ser ouvida por toda vizinhança. Ali mesmo arrumei minha mala, me despedi de minha mãe e a viagem começou. Senti-me como uma verdadeira criança, vislumbrando as maravilhas da capital e animadíssima pela vista de muitos pontos fortes.  Com certeza minha mãe, as vizinhas e meus colegas não iam acreditar nas minhas palavras. Morreriam de inveja. Mas isso não é tudo. Finalmente, meu desejo vai se realizar: assistir um show daqueles quatro rapazes do condado de Merseyside.
*Millennium Flat é o nome do hotel de luxo onde ficamos. Sorte mesmo do pai de Suzan trabalhar numa hospedaria chique como essa. O legal no Millennium é que o hotel já recebeu ao longo dos anos muitas celebridades como Rolling Stones, Kinks, Herman’s Hemint, The Searches e muitos outros. Até meus adoráveis Beatles estiveram aqui.

O quarto onde nos instalamos era bem amplo, com três camas bem arrumadas, um roupeiro bonito e ainda por cima, suíte. Na janela, pode-se ver o Palácio de Buckingham, os guardas vigilantes e pessoas caminhando. No alto dos arranha-céus, vi o famoso Big Ben. Entendi porque todos da capital são bem pontuais. O Big Ben marca bem os horários.
Minhas amigas e eu nos agitamos de ansiedade. Suzan despejava mil agradecimentos ao pai por conseguir os ingressos.  Jane beijava o gigante pôster do Paul. E eu contemplava meu álbum de recortes das imagens do meu beatle favorito: John Lennon. Sabia que ele era o único casado do quarteto. Sabia que ele possuía um humor sarcástico, mas com fundo de verdade. Sem dúvida, não sou a única a preferi-lo. Muitas outras o desejavam. Talvez até mais que do eu o desejo.  E pensar que ele trocou Cynthia Powell por aquela artista oriental, a tal de Yoko Ono. Nunca gostei de Cynthia por causa disso: ela era a esposa do meu beatle. Eles têm até um filho, Julian. Com o tempo fui aceitando e me conformando do fato e passei a vê-los como um casal fantástico... Até 1966, o ano da separação do “Casal 20 da música”. Mas isso é outra história.
Quinta-feira 19h, no London Palladium. Chegamos bem na hora e conseguimos o melhor lugar. Na segunda fileira frontal, a vista era perfeita e desta maneira, posso ter belas visões dos quatro, especialmente de John. Não posso dizer que tinha a histeria das meninas, pois realmente tinha e em alto grau. Enquanto navegava em pensamentos o meu “primeiro encontro” com Lennon, Jane sacudiu meu braço, muito afobada.
–-Vejam garotas! A família Real está aqui. Olhem!
Quando me virei pensei que via uma ilusão ótica, mas não. Era mesmo a Família Real Britânica. Como gente da alta nobreza eles mereciam um lugar cem vezes melhor que as arquibancadas do povo pagante. Não sabia bem quanto estava minha animação pessoal, mas tinha certeza: Verei meus amados ídolos ali no palco, com guitarras na mão, a bateria pronta e músicas fantásticas.
Eles entraram no palco. Gritos histéricos. Declarações de amor para cada um deles. Minhas amigas machucaram meio que demais suas gargantas de tantos berros á eles. Eu bati palmas e passei a olhar com um sorriso de satisfação, o belo beatle de humor ácido.
Lógico que minha intenção era falar bem alto um ‘I Love you, John! ’ contudo guardei essa vontade para o fim.
Como são educados os quatro garotos. Não é a toa que minha mãe quer que eu case com um deles, e não com Rolling Stone, como quer minha irmã mais nova Vivian. Bom, se eu casasse com um beatle, que fosse com Paul ou John. Uma pena de o Lennon ser comprometido, sendo assim, posso casar com Paulie, afinal ele é um fofo, como chama Vivian (minha irmã é mais Rolling Stone do que Beatles, portanto nem reparem) mesmo ela tendo uma paixonite pelo Ringo chegando até desenhar no caderno, retratos dele e pintando de diversas formas.
Todas nós enlouquecíamos pelas músicas tão românticas e ao mesmo tempo eletrizantes. Diversão, música, amizade, amor e admiração. Essas características são o resumo de como eu sou e sentia-me no show. A voz de John causava em mim arrepios e um calorzinho bom no peito. Pensei até que estivesse apaixonada de verdade por aquele cara de vinte e três anos, músico experiente e casado.
Mas não tinha nem como esse “amor” ser verdadeiro. Ele nunca me conheceu pessoalmente e a na sua cabeça, sou apenas mais uma fã apaixonada que logo vai esquecer o sentimento e devoção. Mesmo depois de falar aquela polêmica de “somos mais populares que Jesus Cristo” e a célebre “O Cristianismo vai acabar, eu sinto isso...”, minha adoração lennonlismo não acabou. Aliás, nunca acabou. Até hoje permanece no meu coração. Meu namorado, Henry, sabe disso e nunca reclamou, pois, tem uma obsessão pela atriz Jane Fonda, de Barbarela. Ou seja, cada um com suas paixões pelos ídolos.
Uma hora de show se passou e parecia que ia ter fim, mas...
–-Para a próxima música, quero a participação da platéia. Para as pessoas do acento barato, batam palmas. O resto chacoalhem as jóias!—disse John, se referindo à família Britânica.
Puxa vida, achei que ia ter um “fuzilamento” de ignorância por parte da nobreza, mas pensei errado de novo. Adoraram.
“Twist and Shout” foi à música tocada. Não resisti e cantei junto. O fim do show foi uma maravilha. Fãs entraram em desespero para chegarem perto deles. Assim que eles saíram do palco, ignorei Jane e Suzan e corri na direção deles. Driblei guardas e pessoas. Era um empecilho para mim. No corredor onde dá acesso nos bastidores, encontrei o Fab Four conversando com o Epstein e lá está ele. Meu adorável John. Corri mais uma vez e gritei o nome dele. Ninguém percebeu a não ser ele. Sim. Olhou-me e sorrindo. Consegui chegar perto e nessa hora dei graças á Deus por não demonstrar meu lado frenético a eles porque senão, tudo ia pelo ralo. 
Ofegante, reuni toda minha coragem e ousadia para ganhar um autógrafo do músico.
–-Por favor, Sr. Lennon pode me dar um autógrafo?—Já estendendo a capa de um dos LP ganhos por parte de minha mãe, o Please Please Me.
Todos eles me olharam e pode ser que estou enganada novamente, mas percebi uma onda positiva humana por parte deles. Talvez seja, pois fui a única garota não possuir surtos histéricos. A única ou uma das poucas meninas isso não sei. Só sei depois da assinatura de Lennon no meu disco preferido, George, Paul e Ringo também assinaram. Aproveitei a alegria toda e pedi ao baterista redigir o “single” Love Me Do, a música que Vivian ama. Ele assinou e incrementou com mais algumas palavrinhas. Para encerrar minha grandiosa aventura, abracei cada um deles e recebi mais uma vez, o brilhante e singelo sorriso do meu beatle John.
Quando retornei na arquibancada vi as garotas me procurando e o Sr. Hardison pai da Jane todo desesperado por não me achar.
–- Achei-a! Rosie venha aqui!—Gritou Suzan Berkley toda aflita do meu sumiço.
–- Onde você estava? Procuramos-te por toda parte e nada. – narrou Jane Hardison e quase aos prantos ora medo, ora alivio.
–- Meninas, se eu contar, com a maior certeza não iam acreditar na minha aventura. – falei na cara de pau, queria mesmo era matar minhas adoráveis amigas de inveja. Apesar do meu sadismo, disse com tom de brincadeira, uma camaradagem entre amigas.
Não sabia daquele dia em diante a história da música mudaria tudo. Para mim, foi um inicio.


Continua....

terça-feira, 18 de setembro de 2012

As Crônicas de Mersey (Parte 3)

Último capítulo!

Capítulo 2-- Na moral

-- Se apaixonar por ele?! Totalmente impossível, minha irmã.
-- Para mim é preocupante. Desse jeito vou me tornar uma vadia por músicos. Já não me basta o John...
-- Então seja direta com Chad: diz que não tá afim dele e pronto. Afinal, você o odeia por ter quase te matado, né?
-- Bem, isso é verdade mas...
-- Mas nada! Vai lá e seja bem desagradável com ele. Nem que tenha de apelar para outros modos.
-- Que outros modos você diz?
-- De maltratá-lo, falar muito palavrão e por aí.
-- Vou tentar.
E lá se foi minha irmã na luta em ser terrivelmente desagradável para o pobre diabo que toca baixo numa banda que é considerada por muitos a "rival dos Beatles".
O show terminou cedo por causa da incessante chuva. E para nosso azar, nenhuma de nós trouxe guarda-chuva.
Eram possíveis duas alternativas.

      Pedir uma carona a alguém
      Ou enfrentar a tempestade mesmo.
Nenhuma das alternativas serviu. Ou apenas uma em parte. Ficamos por uns cinco minutos na porta do Cavern esperando a chuva diminuir o fluxo quando a banda Pacemakers surgiu na saída e apenas Chad se aproximando de Rosie.
-- Vai demorar passar essa chuva, moça. Quer uma carona?
Numa situação daquelas é preciso aceitar.
-- Olha, eu agradeço no entanto...
-- Aceitamos de bom grado. Quero logo voltar pra casa, Rosie. Vamos!
Até Jane e Suzan não aguentavam mais se encharcando no lodo das ruas. O carro é grande mas pequeno para abrigar 4 meninas no banco de trás. Chad ficou no banco de carona e Maguire no volante.
-- Gerry e Fred estão no outro carro com nossos instrumentos. E meninas não se preocupem. Terei cuidado ao dirigir. -- disse Maguire, na tentativa em ser agradável. É impressão minha, ou os olhos de Sue brilharam de encontro com os dele? Seja o que for, só quero ir para casa.
Peguei no sono durante o trajeto pelo bairro. Primeiro foram deixadas Jane e Suzan , que moram umas cinco ou seis quadras depois da Rosie. Enfim chegamos em casa e eu fui carregada pelo Chad (segundo Rosie). O papo deles até que foi rápido. Veja a seguir:
(Chad)"-- Sua irmã dormiu como uma pedra."
(Rosie)"-- É Cansaço mesmo. Obrigada pela ajuda. Eu o acompanho na saída."
(Chad)"-- Senhorita eu..."
(Rosie)"-- Muito obrigada!"
Deu para ver o quão fria ela foi, né?
E os dias se passaram normais. Agora vem o fato engraçado. Cada vez que minha irmã ia para o armazém, Chad estava lá, como uma verdadeira coincidência absurda. Sorte dele que não a viu. Roselyn teve de usar todos os truques de desdobre e camuflagem para o baixista não notá-la. Até no mesmo mercado onde o acidente aconteceu, ele a seguiu. Rosie teve vontade de chamar um guarda para prendê-lo.
Em casa, ela não falou disso para mãe e nem para tia Julia. Só para mim que contava.
-- Não aguento mais esse Chadwick me seguindo. Que droga, pareço o Magneto dos X-Men. Atraíndo só os músicos.
Tive de rir dessa teoria um tanto infâme.
-- Na moral mana, acho que ele se apaixonou à primeira vista por você.
-- Sem ironias, pirralha. É serio. E tem mais uma coisa.
-- Se tá receando gostar dele, esquece. John Lennon é que está dominando seu coração e sem broncas.
-- Concordo plenamente no entanto.... o Chad... mana não me chame de doida varrida. Eu sinto algo por ele.
-- Ahh não, Rosie!
-- Ele é diferente. Sei lá. Não é amor mesmo como sinto pelo John. É amor inocente e sem aviso. Para seu alívio, não quero nada com ele.
-- Eu espero.
O último dia da maluquice só terminou no dia em que ela foi para a farmácia comprar remédios contra a gripe que contraí na chuva. Ela literalmente voou até lá e sem aquele cuidado diário em não se esbarrar com baixista dos Pacemakers. E essa fatalidade resultou nisso.
-- São 15 libras.
-- 15 libras por alguns comprimidos e um xarope ruim de doer? Que roubo! É por isso que esse país nunca vai pra frente na economia.
Ela pagou as 15 libras à contragosto e de novo veio a chuva. E de novo ela esquece o guarda-chuva.
-- Só me faltava essa.
-- Te ajudo se quiser.-- disse Les Chadwick ao abrir o guarda-chuva.
-- Como soube da minha localização?
-- Coincidências à parte. Vamos, madame?
Não deu nem 3 minutos quando chegaram em casa e abrir em seguida o portão quando um carro em alta velocidade cruzou na poça grande e banhou o "pseudo-casal" mais estranho de Mersey.
-- SEU FILHO DA PUTA! NÃO TEM CONSIDERAÇÃO????
-- Calma, não foi culpa dele.
-- Como não? Estou molhada, você está pior que eu. Oh me desculpa pelo linguajar sujo. Estou muito nervosa. Quer entrar?Antes de questionar, é a mais pura verdade: ela o convidou para entrar.
Rosie acendeu a lareira da sala e depois foi para quarto, trocou de roupa, preparou os remédios e depois fez companhia ao músico.
Ele por sua vez estava tremendo de frio.
-- Tome.-- ela ofereceu uma xícara do nosso chá favorito, o de maçã. -- Ajuda a se aquecer dessa chuva fria.
-- Obrigado.-- Em seguida sorvendo num só gole o chá tão aquecedor.-- Hum... é gostoso.
-- É sim. Que bom que gostou. Deixa a xícara na mesinha e continue se aquecendo.-- ela disse um tanto envergonhada.
-- Senhorita eu queria... queria...
-- Agora eu vou ser bem sincera: eu gosto de você como amigo, mesmo que não te conheça direito. E aceito do fundo do coração suas desculpas, desde que não ande de moto naquela travessa e...
Aí veio o fim da "epopéia". Como? Foi do beijo roubado e demorado dado por Chad. Rosie só ficou de olhos aberto por uns instantes e depois correspondeu. Acabei vendo os dois se beijando sentandos no tapete da sala e perto da lareira. É romântica a cena para muitos mas engraçada quem acompanhou o rolo todo. Voltei para o quarto e liguei para Sanae, minha melhor amiga.
-- Menina, você não sabe o que aconteceu de novo.
De volta para sala, a chuva parou ainda com nuvens no céu em pleno verão. Os dois pararam por ordem de Rosie.
-- Oh nossa...
-- Antes que continue, prometo mesmo não cruzar mais ali no mercado. E quanto esse beijo... desde que te vi, venho desejando beija-lá. Tenho que confessar: beija muito bem.
O comentário deixou minha irmã ainda mais vermelha que uma pimenta. Será que o John também reconheceria minha irmã como uma beijadora fenomenal?
Meia hora depois Rosie entrou no quarto para me dar o xarope e com uma expressão distraída e rindo. Perguntei.
-- O que o Chad te disse?
-- Que beijo muito bem. E ainda desejava me dar esse beijo a algum tempo.
-- Retiro o que disse antes sobre isso ser impossível e assino embaixo: parece mesmo com Magneto em atrair os músicos de Mersey. Primeiro o John, depois Chadwick e quem será o próximo?
-- Nem fala mais disso, pirralha. Esse será nosso segredo, ouviu? Não fala disso pra ninguém! E se por ventura descobrir que contou para alguém, te rogo uma praga. Ok?
-- Minha boca é um túmulo.
Só muito anos mais tarde contei isso para Paul Hemingway e ele não perdeu tempo: passou tirando sarro de Rosie até ela gritar com ele e inclusive bater nele com a vassoura. Precisei eu parar com a palhaçada toda.

2004

-- E foi isso, filha. Sua tia viveu uma saga e tanto com os músicos da época.
-- Caramba, mamãe. E eu achando que a tia só inventava, exceto os fatos com John Lennon.
-- Ela é uma enciclopédia viva.
Antes das últimas recomendações, Rosie chega com duas sacolas de compras.
-- Opa, interrompi o papo de família?
-- Tia, o Les Chadwick tinha mesmo uma excelente capacidade de sucção?
Oh-oh! Ela não devia ter perguntado.
-- Vivian, o que Marie disse mesmo?
-- Nada, minha irmã. Só brincadeiras.
Embromar uma irmã mais velha e fechar a boca de uma filha curiosa e sem papas na língua, é mais um desafio que enfrento nessa vida.

FIM

Inspirado no fime "Ferry Cross the Mersey."

E para encerrar, deixo a música tema do filme "Ferry Cross the Mersey".



As Crônicas de Mersey (parte 2)

1964

Pelo o que Rosie me contou era realmente muito engraçado o dito "fato do milênio", como ela chamava. Tudo havia começado mesmo em julho de 64, nas férias de verão do semestre e minha irmã trabalhava nesse meio tempo na galeria de arte da tia Julia. E também tinha feito umas duas semanas do tal encontro com ídolo.
Toda quinta-feira de manhã Rosie gosta de fazer as compras da família no supermercado. Só que apenas o necessário, o que realmente precisamos para mais uns dias. As compras em quantidade são feitas no começo do mês com mamãe, Rosie e eu. Porém, naquele dia as coisas não saíram como planejado, pelo menos para minha irmã mais velha. 
Ela segurava uma sacola com tudo comprado num braço e no outro ela carregava a bolsa. Derrepente uma moto apareceu em alta velocidade bem na saída do mercado. Sorte que o motorista freou mas horrivelmente mal, assustando as pessoas ali perto e quase atropelando Rosie, caindo com a sacola no chão arrebentada.
O motorista por sua vez era um músico, usando um terno preto semelhante aos Beatles, cabelo curto e preto e um sorriso super inocente. Ele socorreu Rosie que por sinal estava irritada.
-- Não olha por onde anda, seu trouxa?!
-- Me desculpa, senhorita. Não tive culpa. Me perdoa pelo incidente.-- o coitado ajudava a recolher as coisas da Rosie. Ela por sua vez estava em ponto de bala. Juro que se ela visse um taco de baseball, meteria pancadas sem cerimônia. 
-- Desculpas não bastam. Não sabe que é proíbido andar nessa travessa? EU PODIA ME MACHUCAR!!!!
-- Eu realmente sinto muitíssimo, senhorita. E...--- o cara parou de falar para uma rápida observação: era para maninha irada que tinha mais vontade de matá-lo.
-- E o que, homem? Fala logo, preciso voltar para minha casa. 
-- Você é a senhorita mais bela que já vi. Mora aqui perto?
-- Em Burttonwood, na zona sul. E mesmo me elogiando, isso não te salva do acontecido. Passar bem!
Ela ficou de costas para Chad (que na hora não reconheceu ele de tão brava) e caminhou de modo que enfiava o pé bem no chão, igual ao caminhar de um gigante dos contos.
-- QUE ÓDIO! AQUELE BASTARDO FILHO DE UMA.... AAAHHHH!!!!!-- ela chegou fechando a porta de casa bem estrondoso e xingando para toda vizinhança ouvir.
-- Que foi, mana? -- fui interrompida na leitura do meu gibi favorito da Marvel Comics, o Fantastic Four. 
-- Um músico desmiolado quase me atropelou na saída do mercado. Ai Vivian, eu juro que se tivesse um revólver, eu o mataria ali mesmo!
-- Cruzes! Mas não é pra tanto. Vai ver a lambreta deu problema no motor ou nos freios...
-- Foram nos freios. Ainda sim ele me fez derrubar os pacotes, olha. Sorte que a sacola aguentou até aqui.
-- E quem era o cara?
-- Eu sei lá. Um tipo com terno preto, sapatos pretos com saltinho, cabelo curto e dentuço pra cacete. 
Fiquei pensando: quem seria o músico de terno preto e sapatos, cabelo curto e dentuço?
Por um momento achei que seria o próprio Paul. No entanto, tinha mais um detalhe: ele tem dentes grande. Hum... enquanto pensava, Rosie continuava falando pelos cotovelos feito uma vovózinha histérica.
--... ou é retardado demais para não perceber minha raiva ou sou bonita demais para atrair atenção de qualquer músico por aí.
Não consegui achar a resposta e então fui folhear as edições da Mersey Beat, para ver se Rosie reconhecia o tal "bastardo".
-- É ELE!-- ela apontou para o baixista da banda Gerry and the Pacemakers
-- O quê? Tem certeza?
-- Tenho sim. Esse filho da mãe quase me matou.
-- Mana! Ele é Les Chadwick, baixista dos Pacemakers. A banda que Brian Epstein empresaria também.
-- E daí? Esse Chad-não-sei-o-que me ATROPELOU! 
-- Ah, Roselyn. Tanto estardalhaço por nada. Se você se machucasse, aí entederia. Mas foi um "quase", ok?
-- Ninguém entende minha situação, nem minha própria irmã mais nova...
-- Eu entendo sim. Se fosse com John Lennon nem estaria sofrendo de chiliques doidos, não é?
-- Vivian, dá um tempo!
No dia seguinte, eu e Rosie fomos dar uma volta no centro. Paramos numa sorveteria para continuar nosso papo de irmãs até eu (que possuo uma visão excelente de uma águia) avistar Gerry e sua turma, os Pacemakers adentrando o recinto. Minha boca aberta garantiu Rosie me chamar a atenção.
-- Vivian, o que houve? O que viu?
-- Eu-- falei baixo e torcendo para não surtar, como daquela vez que encontrei Paul e Ringo.-- Eu... vejo eles. Gerry... Maguire... Fred... e Chad... estão aqui e...
-- Por Athena (N/A: Rosie e Vivian possuiam a mesma característica da detetive Maya em sempre mencionar deuses e fatos da mitologia em alguma circunstância), fala logo, pirralha!
-- Eles nos viram.
-- Ei, senhorita! Te reconheci! Tudo bem?-- perguntou Chad, tão amável. 
-- Estava bem até aparecer aqui. Olha, se quiser eu aceito mesmo suas desculpas mas não me veja mais!
-- Fico feliz por isso. Quero convidá-las para o show do Cavern. -- e ele estendeu exatamente 4 ingressos para o show da banda no Cavern Club, o pub mais legal de Liverpool e onde os Beatles foram revelados.
Logo depois que os Pacemakers foram embora, voltamos para a casa e discutindo se vamos ou não no show.
-- Eu quero ir no Cavern, Rosie.-- implorava chorosa
-- Menores só entram acompanhados.
-- Você me leva e convida a Jane e Sue.
-- Não sei se elas curtem...-- elas curtiam sim, eu sei. Rosie estava muito relutante.
Não teve outra. Assim que souberam da novidade, Jane e Suzan subiram paredes de tanta alegria sentida e no concesso legal, fomos todas no show do sábado. 
Não é preciso dizer que o "porão" estava lotado. Sempre imaginei o lugar cheio de gente dançando, bebendo e namorando. Ficamos no balcão do barzinho e assistindo o show. Fiquei perto da Suzan que tinha uma visão melhor dos rapazes cantando. Eu agitava e gritava feito louca. Se fosse mesmo com os Beatles, seria bem pior do que na hora do agito. Vi que Rosie estava meio chateada e ela pro banheiro feminino. Acompanhei para saber o que estava acontecendo.
-- Tá me seguindo, pirralha?
-- Não, mana. Me preocupei com você.
-- Tenho medo, Vivi.
-- Medo do quê?
-- De me... apaixonar por ele também.

(continua)...

As Crônicas de Mersey (parte 1)

Essa fanfic foi escrita quando me inspirei num filme do grupo Gerry and the Pacemakers, chamado Ferry Cross The Mersey, um equivalente ao A Hard Day's Night, dos Beatles. Vale a pena ler.


As Crônicas de Mersey

2004 (Vivian POV)
Ah, o verão de Liverpool. Sempre lindo e ainda mais para caminhar no porto. Era o que mais gostava de fazer quando era jovem e ainda cultivo esse hábito mesmo depois de aposentada da promotoria pública. Enquanto botava as roupas no máquina de lavar, ouço minha filha Marie Anne entrando na sala com uma expressão animada.
-- Até amanhã, gente!
-- Como foram os ensaios da banda?-- perguntei ainda ajeitando as roupas na máquina.
-- Muito bem, mãe. E depois fomos ali na Padaria Berkley e a dona Jane começou a falar sobre os velhos tempos dos 60. A coroa ainda chora quando se lembra da paixonite pelo Paul McCartney.
-- Pobre Jane...-- lamentei mas chegava a ser engraçado pelo fato dela ainda não esquecer desse "amor".
-- E tem outra história que ela contou.
-- Qual?
-- De quando ela foi paquerada por um cara na faculdade de Dublin e ele passou a persegui-lá.
-- Ah eu sei. O irlândes todo espinhento querendo beijar a Jane. Me lembra a cena do filme Porky's do gordinho cheio de espinhas fugindo da menina na qual espionava.
Por mais engraçado que Jane tenha passado na faculdade, aquilo não era nada comparado ao que minha irmã mais velha Rosie passou, mas não foi na Oxford e sim aqui mesmo em Merseyside. Com essa lembrança, resolvi contar.
-- Sabe, a sua tia, Rosie também sofreu com uma situação dessas.
-- É mesmo? A tia Rosie? Aposto que foi com os Beatles...
-- Não foi não.
-- Não?
-- Foi com outra banda.
-- Diga quem, mãe! -- Marie estava muito curiosa.
-- Já ouviu falar em Gerry and the Pacemakers?
-- Sim. Você mesma disse seu primeiro beijo com papai foi ao som de "Don't Let The Sun Catch yourCrying" e o Robert se amarra nessa música.
-- Pois é. A Rosie foi perseguida de modo cômico por um dos integrantes dessa banda.
-- Não diga! Ah mamãe, conta tudo!
-- Só se você não dizer nada disso para sua tia. Ela fica furiosa quando falam dessa história. Seu pai sacaneava falando isso. Então nem pense em perguntar nada a respeito, entendeu?
-- En.. entendi.-- ela baixou o olhar e depois retornou rápido com alegria de antes.
E aí começa...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Laços do Blues (4º Capitulo)

Agora partimos para o 4º capitulo. Enfim, Rosie e Eric dão seu primeiro beijo e Marianne e Ginger é o mais novo casal a entrar na fanfic.


Capitulo 4: I'm So Glad

Rosie POV

Ainda não acreditava que Eric Clapton apareceu aqui na minha casa, ou melhor, na república onde eu moro com meus amigos da faculdade. Quem estava totalmente alegre era Marianne. Não é pra menos. Depois de arrebatar o coração do baterista Ginger Baker, ela ficou procurando sua melhor roupa,  seu melhor sapato, visualizou revistas de moda pra saber qual penteado era perfeito num show de rock. Marianne teve seu dia de beleza.

Quanto a mim, fui trabalhar com Sr. Benson no escritório e depois fomos para a faculdade, onde ele teria uma reunião com reitor para decidir os últimos detalhes do show, se não teria riscos de acidentes ou assaltos à mão armada.  Felizmente tudo resolvido e rumamos ao salão onde tem um palco bem armado com caixas de som e muitos amplificadores conectados.  Os roadies  já deixavam os instrumentos selecionados os testes e afinação. O grupo estava ali no palco, tocando o que parecia ser uma música. Vi Ginger olhando sua bateria pra certificar que ninguém a tirou do lugar, Jack ajeitava uma das cordas do seu baixo e Eric baixando o som de sua guitarra de acordo com ambiente.  Fiquei olhando pra ele enquanto Benson conversava com a equipe do palco e com grêmio organizador de eventos sociais da faculdade.  Permaneci ali, seduzida por aquele homem vindo de Ripley. Era como se um laço mágico me unia a ele. Talvez ele sentisse o mesmo que eu. Quem sabe...

Sem querer, chutei uma lata de refrigerante e todo mundo ficou assustado por causa do tamanho eco provocado. E advinha quem notou? Para meu desprazer não era Eric e sim o desagradável e tarado Jack Bruce. Aquele baixista tinha mesmo um jeito de tarado, louco e bipolar, para todos o chamarem de Dr. Jekyll .

-- Ora, ora, se não é a bela secretária do Benson. – Disse o baixista e caminhando em minha direção.

-- Me desculpe. Não era minha intenção de interromper todos vocês.

Tentei me desculpar com ele e com os outros dois. Eric não disse nada, apenas sorriu pra mim daquele jeito que amo.
Retirei-me rápido dali se não ia sofrer mais constrangimentos. Alguém segura meu braço e me virei pra saber quem era. Ginger Baker, o baterista ruivão (e de barba feita) respirava com dificuldade.

-- Ouça... --- Ele dizia enquanto reunia mais oxigênio. – Aquela sua amiga... A tal Marianne... Ela vai aparecer no show?

-- Vai sim, ela me confirmou hoje. Eu e ela estaremos hoje a noite.

-- Oh muito obrigada, senhorita. Você é mesmo uma garota e tanto. Não é a toa que Eric gostou tanto de você.

Ginger voltou para o palco, desta vez caminhando e não correndo como antes fez.

Onze e cinquenta da manhã eu fui pra casa almoçar e descansar. Acabei tirando um cochilo e nele sonhei com o adorável Eric Clapton...

Não vou dar detalhes do meu sonho, pois contém umas cenas... Inapropriadas em serem descritas.
Acordei umas desesseis da tarde e o show era às dezenove horas. E para piorar, não escolhi uma boa roupa. Para minha sorte, tinha umas libras para gastar e as lojas só fechavam as dezessete. Voei até o centro e comprei um vestido roxo de pequenas estrelinhas de lantejoulas brilhantes, uma blusa manga longa branca, um par de sapatos pretos e brincos discretíssimos.

Passei aquela tarde toda arrumando meu quarto (fui muito bagunceira), a casa e depois dedicar para meu visual. Marianne também se aprontava toda e ficava gemendo por Ginger Baker a ponto de Mike tirar sarro daquela situação.

18h30. Meia hora pro show. A turma toda tinha ido pro show e só Marianne e eu ficamos em casa para nos arrumar.
-- Rosie, não se atrase. O táxi está lá fora nos esperando. Rápido, mocinha de Liverpool! Não quero perder a única chance de ver Ginger Baker no palco.

-- Ok, estou pronta! Vamos logo!

Entramos no táxi e menos de vinte minutos chegamos à faculdade.  Todos os alunos estavam ali para assistir um show de rock nunca antes acontecido naquele local, desde que os Beatles surgiram.

Via Marianne elétrica de tanta felicidade.

-- Nossa, Rosie! Não fico assim desde que fui ver Os Kinks se apresentarem na TV Blackpool*. É simplesmente maravilhoso pra mim!

-- Sei muito bem como é. Senti isso quando vi Os Beatles no London Palladium.**

-- Você é mesmo uma garota sortuda, amiga!

Finalmente o show começa. O grupo entra, faz um rápido teste de som nos microfones e instrumentos pra enfim, falarem com público.

-- Boa noite! Para quem não sabe ou sabe, somos o Cream. Esse guitarrista meio retraído, garotas, é o Eric Clapton. O baterista é Ginger Baker e eu sou Jack Bruce, seu humilde vocalista e baixista. Vamos pessoal?

-- AGORA, TOCAREMOS “I FEEL FREE”! – Gritou o baterista.

Além de “I Feel Free”, eles tocaram “Spoonful”, “The Coffee Song” e outras músicas do primeiro disco deles, junto com alguns covers de alguns cantores de blues.  O show estava chegando ao fim. Eric me viu entre as pessoas. Ela sabia há muito tempo que tinha ficado ali. Parece que ele esperou o tempo certo pra finalmente cantar e olhar pra mim. E foi justo no momento em que ele toca “I’m So Glad”.

I´m so glad
i´m so glad
i´m glad, i´m glad, i´m glad

tired of weeping
tired of moaning
tired of groaning for you

don´t know what to do
don´t know what to do
don´t know what to do

Não é preciso dizer que eu e todos os estudantes agitamos legal aquele salão de shows. No fim da música eles se despediram e Eric deu uma última olhada pra mim. Foi então que saquei. Eu tinha de vê-lo logo antes que outra garota o achasse.

Procurei Marianne e não a encontrei. Entrei em pânico quando alguém de novo toca meu braço. Era Ginger Baker de novo... e acompanhado da Marianne.

-- Vem com a gente. O Clapton está esperando no camarim.

Segui com eles até os bastidores. Ginger abriu a porta e aparentemente o camarim estava vazio, com exceção de uma porta fechada e um barulho meio estranho, assemelhado a gemidos e fornicação.
.
-- Se eu fosse você, não entrava nessa porta. O Jekyll está “ocupado”.

-- Ah, muito obrigada. – Era um alivio saber que não era o Clapton naquela porta e sim o taradão.

Eric saiu do provador de roupas só de calça e sapato e ficou envergonhado quando me viu ali e tratou de vestir uma camisa.

-- Achei que tivesse se esquecido de mim. – Ele disse tentando disfarçar sua vergonha.

-- Como posso me esquecer de um homem tão incrível como você?

Encarei fundo naquele par de olhos tímidos e ao mesmo tempo sedutores. Havia ali um pingo de ternura, embalada ao som do blues. E num piscar de olhos, ele me abraçou, tocou meu rosto e me beijou sedentamente de paixão.

Parei o beijo para saber onde está Marianne e para minha surpresa, ela e Ginger estavam se pegando no sofá.

-- Eu levo você e sua amiga para casa.

Eric cumpriu com a palavra, mas Ginger foi junto. Ele e Marianne ficaram no banco de trás trocando carinho até chegar a casa.  Na porta de casa, Eric ainda me beijou e sussurrou no meu ouvido.

-- Quero te ver de novo amanhã.

E perguntei:

-- Quando?

-- Amanhã à noite. Teremos um sábado só pra nós.

Eu e minha amiga ficamos na janela pra ver o carro saindo de nossas vistas e Ginger gritando apaixonadamente.

-- EU TE AMO, MARIANNE!!!

-- TAMBÉM TE AMO, GINGER!

Uma noite como essa, foi um agito e não tirarei da cabeça. Mal posso esperar pro sábado de noite.


Continua...


*Em breve uma fanfic dos Kinks e com Marianne como protagonista.
**Referência a fanfic Lembranças de uma Fã.