domingo, 21 de maio de 2023

We Belong Together - Wildest Dreams (Parte 18)

 Boa noite pessoal!

Hoje vou postar novo capítulo da segunda temporada de We Belong Together. Reta final se aproximando e emoções fortes. Vamos lá e boa leitura!

Parte 18

 

Upwest Downing – 6 da manhã.

Fefe abriu os olhos e sentia fortes dores de cabeça. Olhou para o lado e viu que ao seu lado da cama estava afundado e desarrumado. A dor se misturou com o medo e a ressaca. Saiu da cama e vomitou na janela bem forte. O mordomo negro chamado Sembene e mais duas empregadas acudiram a jovem. Deram banho nela, Sembene arrumava a cama e depois deixava uma bandeja com chá, bule, açúcar e brioches na mesa do quarto.

 -- O que aconteceu comigo? – Questionou Fefe enquanto era banhada pelas criadas pois estava fraca e se abraçava tímida.

 Molly e Sybil se olharam assustadas e permaneceram caladas. Sembene ouve a conversa e se culpava por não ter protegido a filha de seus patrões. Já não bastava a morte misteriosa de Robert, agora Felicity saindo de noite e se encontrando com o lorde narigudo. E tudo começou desde a partida de Serguei e Moses para Ordem.

 

 FLASHBACK ON

Depois que seu irmão e seu primo seguiram rumo a Ordem, Felicity se sentiu sozinha. Ela conheceu um amigo chamado Louis O’Malley, um rapaz com deformidades em seu corpo e no rosto. Ele contou que foi assassinado e mutilado por lobos e uma cientista chamada Anastacia o trouxe de volta á vida, utilizando pedaços de outros cadáveres. Fefe sorriu e seguiram aquela amizade por semanas até que um súbito desaparecimento de Louis ocorreu. Entretanto num passeio no qual Sembene a acompanhou, um lorde inglês e de nariz absurdamente grande chamou sua atenção.

 Lorde Pete Townshend herdou recentemente a fortuna da família logo após a morte do pai durante a expedição na África e a morte prematura dos irmãos mais jovens, Simon e Paul. Ele sabia de Fefe, o noivado trágico com o conde Beckenbauer e o mórbido fim da família dela. Cortejou a mulher, mesmo sob os olhares reprovadores do criado que agia como guarda costas.

 E após muitos dias finalmente teve a primeira noite deles. Antes de levá-la para cama, Pete leu um livro de capa preta e uma insígnia cor de carvão. O símbolo não foi reconhecido por Felicity e quando ele leu as palavras em latim, adormeceu.

 FLASHBACK OFF

 

Não sentia dores e tinha certeza que não houve mais além de sono. Ainda sim estava em pânico e pediu para as criadas chamarem um médico ou uma especialista da anatomia feminina. Uma mulher doutora jamais vista examinou Felicity.

 -- Não há sinais de agressão, física ou sexual. A vagina do mesmo jeito. Normal. E você está naqueles dias. Por isso as dores de cabeça, se bem que é ressaca.

 Fefe se envergonhou.

 -- Não há com que se preocupar senhora McGold. – A médica falava com naturalidade e franqueza, transmitindo confiança.

 -- Eu... – Felicity pensou em corrigir a jovem doutora. Optou pelo silêncio. – Obrigada.

 -- Não há de quê. E procure se alimentar bem. Assim sua pele voltará a ser jovem e ocupe sua mente com melhores momentos e seu cabelo voltará a ser bonito.

 Quando a médica foi embora, Fefe chamou as empregadas.

 -- Como eu vim parar aqui?

 Sybil se tremia de medo e Molly esfregava as mãos freneticamente. Ambas estavam nervosas.

 -- Por favor...

 -- Senhora, é complicado de explicar porque nem mesmo nós sabemos direito. – Justificou Sybil.

 -- Eu exijo saber!

 -- Está bem. – Falou Molly suspirando. – Quando viemos trazer sua água, não estava aqui. E a cama toda arrumada. Falei para Sembene e todos os empregados. Te procuramos em todos os lugares e Carlson foi até a polícia. E quando voltamos para certificar, encontramos a senhora aqui. Desse jeito e não havia sinais que alguém tenha entrado na casa.

 Fefe aos poucos recuperava suas lembranças. Concluiu que Pete de alguma maneira, a trouxe de volta sem ter que entrar na casa. Usando... magia.

 

Alcateia de Nuremberg

 Depois de decidirem um plano de resgatar Alana e o filhote Jason, Mike e seus amigos e aliados colocam em prática. Mitch Mitchell e Johan Cruyff foram até a alcateia e viram todos os preparativos do casamento. Mitch apontou quem era quem.

 -- Ali! O de cabelo escovadinho e pele bronzeada é o terrível líder.

 Johan não gostou da fuça do lobo alfa.

 -- E aqueles caras ao redor? – Questionou o médico.

 -- Eles se chamam “A Máfia de Memphis”. – Mitch dava de ombros e ria. – Não me pergunte o motivo desse nome. São amigos e até uns são primos do Elvis.

 Enquanto Mitch explicava, Johan permanecia escondido nas árvores e observava atentamente o local. Avistou a barraca onde Alana, Gram Parsons e Renée conversam. Os outros lobos e vampiros conversavam entre si. Na verdade estavam com medo de Elvis e sabiam do plano de resgate da loba liverpuliana e do filhote e mantiveram as aparências subjulgadas por Elvis.

 Mitch e Johan entram na barraca e viram Alana chorando.

 -- Alana! – Johan a abraçou. – Sou eu. Dr. Cruyff!

 -- Doutor! – Ela chorava copiosamente. – Me tira daqui. E salve meu filhote.

 Jason dormia sob o efeito da poção do sono que Renée aplicou no menino. Mitch carregou com cuidado a criança.

 -- Calma! Vamos te tirar daqui. Mitch levará você e o garoto até o seu marido.

 -- Mike? – Os olhos da loba ganharam outro brilho na menção a seu marido, se é que poderia ainda se considerar esposa dele depois do que aconteceu semanas atrás. – Ele veio?

 -- Ele percorreu o caminho todo pra te resgatar, mulher! – Disse o médico, animado e se levantando. – Renée assume aqui e agora.

 -- Farei com que Elvis beba a poção do sono da morte. – Dizia a alquimista já travestida de Alana.

 -- Toma cuidado, bruxa. Presley é um lobo astuto. Uma simples falha e ele desconfia fácil.

 -- Obrigada pelo aviso.  E levem a Alana rápido!

 No exato momento que Mitch e o médico saíram da cabana, Elvis entrou rapidamente. Ele estava impaciente!

 -- ALANA! – Chamou em voz alta.

 Renée fingiu surpresa e viu o tamanho do lobo. Pela primeira vez sentiu medo, logo ela sempre corajosa e já enfrentou um lupino como Marco Verratti, Elvis era uma muralha.

 -- Meu bem... – Ela forçou uma voz parecida com a loba. – Não deveria entrar aqui. Dá azar ver a noiva antes do casamento.

 -- Só queria saber se está tudo bem. – Ele a olhou de cima a baixo e sorriu maliciosamente. – Venha! Está na hora. Lamar vai levá-la ao altar.

 -- Espere, senhor. – Parsons deteve o grandalhão Lamar Fike. – Eu mesmo levo Alana. Afinal... Fui eu que os apresentou.

 -- Que bom! Vamos começar!

 E finalmente a cerimonia de casamento começa. Todos olharam para a noiva e não deixavam de sentir pena dela. Parsons permanecia tranquilo e se retirou rapidamente assim que entregou a noiva e Renée evitava de transparecer ousadia contra o macho alfa. Tinha que fingir ser delicada. Ela não prestou atenção no sermão do padre Arthur Brown e não olhava para Elvis. Os membros da Máfia de Memphis se emocionavam, exceto um deles. Justamente Jerry Schilling, o braço direito do líder. Jerry era muito detalhista e qualquer coisa fora do lugar, buscava investigar a origem do problema. Neste caso ele percebeu que “Alana” estava conformada demais. Ao contrário das outras que faziam escândalo, surtavam ou negavam veemente, ela aceitava tranquilo. E também Jerry avistou uma estranha tatuagem na mão direita da loba, o símbolo do Ouroboros.

 -- Então pelo poder que me foi investido... – Até mesmo o padre estava cansado de unir várias vezes Elvis. – Eu os declaro marido e mulher. Beije a noiva.

 Na hora do beijo, Presley se inclinou e fechou os olhos. Renée deu um selinho rápido e todos celebraram. Ele a carregou para a barraca dele onde inicia-se as núpcias...

 A caminho do bando, Mitch, Johan, Jason e Parsons e a verdadeira Alana corriam sem parar até encontrar a trilha. Em seguida chegaram. Jason se acordou e ao ver o pai, correu para abraçar.

 -- Papai! – Gritou o lobinho.

 -- Meu filhote! – Mike chorou de alegria por rever seu filho. O menino continuava a cara dele e os olhos da mãe. – Senti sua falta meu filho!

 -- Eu também papai e a mamãe está aqui.

 Mitch retirou o capuz que cobria Alana. Nez quase não acreditava no que via. Sua mulher, inteira e mais bonita do que antes. O casal se abraçou forte e ali ele tinha certeza. Ela o ama ainda. E o doutor Cruyff estava certo. Se a loba realmente não o amasse, não arriscaria a própria vida no confronto contra os Kroos durante da batalha da retomada da Ilha dos Lobisomens. Os amigos também sorriram no reencontro do casal. Peter se lembrava de Erin e Manuel e com certeza se acontecesse algo parecido com o fazendeiro ou com Erin, moveria céu e terra para encontra-los. Micky derramava mais lágrimas pois se tornou gatilho para ele por causa de Suzan e a lobinha Jane Roselyn e sua esposa Emma e as crianças, mas vendo Mike, Alana e o filhote reunidos aquecia seu coração. Davy também se emocionou e novamente pensava em sua mulher e as filhas e do bebê Freddie. Decidiu que assim que retornar a Ilha, vai amar Dianna e dar mais carinho aos filhos.

 -- Ok pessoal! – Johan chamou atenção de todos. – Agora vem mais um plano. Como vamos resgatar a Renée?

 Jimi ia dizer algo, mas uma explosão mágica atingiu todos. Mike protegeu a esposa e o filho ficando por cima deles para receber o impacto do golpe. Todos se machucaram gravemente. Enquanto se levantaram, a figura sinistra do líder da alcateia e a Máfia de Memphis logo atrás. Elvis segurava Renée pelo pescoço, desfalecida e cheia de marcas de agressão, além do vestido rasgado e o disfarce estragado.

 -- O QUE FEZ PRA ELA? – Gritou Peter, indignado por ver Renée subjulgada.

 Elvis riu e seus comparsas também. Em seguida arremessou o corpo da alquimista para o bruxo.

 -- Volte para mim, Srta. Watson. – Elvis esticava a mão para a mulher. – E eu prometo que não vou machucar seu marido e seu filho e nem seus amigos.

 Alana tremeu e Mike ficou na frente dela.

 -- Você não levará minha mulher!

 -- E quem é você?

 -- Robert Michael Nesmith! Sou o verdadeiro marido da Alana!

 -- O marido? – O líder se enfureceu e começou sua forma lupina gigante.

 Mike não se deteve e também se transformou em lobisomen. O confronto se inicia!

 

 Trem de Whitechapel

 Bran e os gêmeos embarcaram e escolheram os assentos perto da ligação de um vagão e outro. Chris e Nikolai tomavam seu sorvete alegremente e Bran observava ao redor, até perceber um trio de homens loiros, usando roupas surradas e toucas velhas. Aparentemente entregaram os bilhetes para o fiscal e foi aceito e em seguida aceitaram a comida oferecida. Não estavam muito longe de onde Bran e as crianças estavam. O galês pensou em mudar de lugar, no entanto o trem já estava ficando preenchido os lugares. E antes de tomar a súbita decisão de desembarcar, uma dama cruzou seu caminho.

 -- Desculpa! – Bran se envergonhou. A jovem era exótica e bonita. Apesar da vestimenta e maquiagem, o jovem não deixou de notar um pomo de adão proeminente na “garota”.

 -- Eu que peço perdão. – Disse a “jovem”, forçando a voz numa tentiva estranha em tornar feminina. – Posso me sentar com vocês?

 -- Pode! – Responderam os gêmeos e apontando para o lugar que é o lado do “pai” deles, no caso Bran. – Fica aqui.

 -- Danke!

 A moça estranha cumprimentou as crianças e o cavalheiro. Admirou o par de olhos azulados do belo homem e ao mesmo tempo uma dupla de homens bem vestidos se aproximaram do quarteto.

 -- Olha ali. Até um maricas embarca no trem. – Disse um deles se referindo a dama.

 -- Aberração! – Completou o outro.

 Bran não gostou e dirigiu-se até os homens.

 -- Eu não sabia que eu era tão pegajoso. – Provocou Bran.

 -- Ah, não senhor! – Riu um deles, nervoso. – Não era para você. E sim aquela mulher ao seu lado.

 -- Então sugiro mais respeito a minha esposa!

 Os passageiros e os bilheteiros voltaram sua atenção na afirmação do outro. Até mesmo o trio misterioso se chocou.

 -- E-E-esposa? – Gaguejou o outro.

 -- Exato. Pra chamarem minha mulher de aberração, as de vocês devem ser bruxas do pântano e querem ofender outras para se sentirem melhor!

A dupla se retiraram completamente embaraçados e os passageiros voltaram suas atenções para si próprios. A garota estava boquiaberta com a atitude do homem. Teve certeza que ele não era comum.

 -- Não precisava, senhor...

 -- Me chame de Brandon McGold. – Se apresentou.

 -- Lady... Katharine... Rummenigge.

 -- É um prazer em te conhecer, lady Katharine.

 -- E eu sou Christopher e esse é meu irmão gêmeo, Nikolai.

 -- Hallo, crianças. – E depois voltou sua atenção para Bran. – Seus filhos são adoráveis.

 -- São sim... – Bran não deu muitos detalhes e preferiu poupar Katharine.

 -- Muito obrigada, herr McGold.

 Bran beijou a delicada mão de Katharine e continuou olhando para ela, fascinado por sua beleza diferenciada. E os meninos sentiram que “o pai” logo teria um novo amor. Quanto ao trio de homens, continuaram de olho neles e finalmente o trem iniciou sua viagem.

 -- Tenho uma cabine privativa. Se quiser ficar comigo e com os meus filhos, está convidada.

 -- Vamos comer muitos doces. – Nikolai era o mais animado.

 Katharine aceitou e seguiram juntos.

 

 Floresta de Munique

 Os esquilos andaram para procurar nozes e subiam em cima de um corpo perto do lago dos amantes. Dois deles cutucaram a cabeça dele e finalmente Gerd se mexeu, espantando os pobres esquilos. O vampiro se encontrava numa situação desleixada. Roupa suja de terra e umidade, o cabelo empoeirado e exalando odores suspeitos, além de ter deixado uma barba crescida e mal cuidada. Aos poucos abria seus olhos e recobrava os sentidos e os caninos. Lembrou-se do que aconteceu nas últimas semanas... e uma delas ainda o machucava. A imagem de Louise lutando contra Nadine, resultando na ursinha sendo vencedora e ao mesmo tempo morrendo no processo. Ainda doía seu coração sabendo que seu plano de ressucitar Louise deu errado e nunca mais teria chance em ser perdoado. Olhou para o lago e imediatamente se lembrou que o canto onde se encontrava foi exatamente o mesmo lugar onde se acertaram após Louise matar os Pythons. Eram bons aqueles tempos, onde eram os dois, se amando em todos os lugares e aproveitando a vida hedonista que levavam. Entretanto lembrou-se da filha com Alice. Meredith. Gerd se levantou e caminhou calmamente até o castelo. Ao abrir a gigante porta de bronze, viu a filha brincando com Joanna Martin, o lenhador Michael Palin e com Alice.

 -- Papai! – Gritou a menininha e correndo em direção a ele.

 Gerd não se moveu e ainda estava chocado. Alice se levantou e pegou a filha pela mão.

 -- Fica longe dela!

 -- Alice!

 -- Não se aproxime de mim! – Respondeu brava.

 -- Me perdoa! Eu estava triste e com raiva...

 -- E remorso pelo o que fez a Louise? Isso você não sentiu. Quando a estuprou, enganou e traiu meu sol!

 -- Eu sei e assumo totalmente essa culpa. E você? Ficou comigo enquanto eu estava com ela...

 -- Eu estava inebriada por uma névoa de mentiras. – Alice falava alto e não se deu conta que Joanna e Palin afastaram Meredith para não ouvir a discussão. – Eu estava feliz pela minha nova vida. Com Palin, novos amigos e a Louise. E você me fez perder tudo e você a perdeu também.

 A pequena se desvencilhou da vampira ruiva e correu para o lado do pai.

 -- Quero ficar com meu pai.

 -- Mas não vai mesmo. – Alice pegou a filha no colo. – Ficará comigo.

 -- Não quero!

 -- Então o que vivemos foi parte da névoa de mentiras suas? – Foi a vez de Palin entrar na conversa.

 -- Não... Michael...

 O lenhador puxou Joanna e subiram as escadas, entrando no aposento da vampira.

 -- Alice... – Gerd tentou se aproximar dela. – Me perdoa pelo que disse e fiz para você e Louise. Quero tentar e me corrigir.

 Alice leu a mente de Gerd. Uma parte era verdade. Mas o motivo era por causa da filha.

 -- Eu não sei Gerd. Se eu te der essa chance, que seja pra valer.

 -- Vamos fazer pela Meredith.

 -- Não vai tentar me matar de novo? Ou me humilhar?

 -- Não farei mais.

 O casal se abraça receoso e ali reiniciaram sua historia... Sabendo que novamente outras surpresas vão surgir e desencadear desencontros.

 Meredith ficou feliz e depois olhou para porta e viu uma figura de branco com roupas de freira. A menina sorriu, ingênua, sem saber que se tratava de Louise recém ressuscitada. O olhar da vampira para o casal era sinistro.

 -- Oi. – Cumprimentou Meredith.

 Louise direcionou seu olhar para criança e foi embora sem dizer uma palavra. De fato, não era a mesma Louise que outrora era complacente e adorável com as crianças.

 

 Miesbach, sul da Baviera, pensão de Madame Hertha

 Alexei anotava tudo que entendia do livro Os Significados das Luas. O que lhe chamou atenção sobre as fases lunares que foram mencionados em outro livro lido, As Criaturas do Submundo por Thiberius Raskolnikov. A lua cheia era Lua da Abundância, trazendo fartura de alimentos, saúde e resistência. Além disso a lua cheia causa desconforto aos novos lobisomens que não controlam a licantropia. A segunda fase, a lua crescente correspondia a Lua Rosa, lua de amor, onde o sentimento floresce lindamente e também era época divertida para vampiros e lobisomens e humanos pois o apetite sexual fica no auge. Agora a lua minguante é a mais perigosa no qual os próprios lupinos e morcegos são prejudicados. E a fase que atiça os sentidos predatórios de ambas criaturas e foi muitas vezes responsável por ataques em diversas partes do país. E a lua nova, embora uma das menos conhecida porém importante. É a fase de abertura dos portões espirituais permitindo que espíritos sejam vistos pelas pessoas de grande ou pouco dom paranormal e a comunicação entre os mundos.

 Olhou o calendário russo e olhou as estrelas. Era chegada da lua cheia em três dias. Ele tinha que tirar Tony do sanatório o quanto antes. Mas na entrada do hospício, o dono do lugar encarava Alexei nada amigável. O responsável era magro, alto, cabelo curto e preto e dono do olhar bravo e com olheiras. Usava jaleco e óculos.

 -- Boa noite, herr. – Alexei sorria forçadamente sabendo que o diretor já se irritou com ele. – Preciso ver um dos internos.

 -- Você viu que horas são, Sr. Romanov? – Perguntou.

 -- Pelo amor de Deus. São sete da noite. Ainda estou no limite permitido.

 -- Acontece que já a quarta vez só esta semana visitando o Sr. McGold. Nesses dias todos o paciente teve recaídas de agressão e alucinações.

 -- Eu... Não Sabia.

 -- Agora que já sabe, ponha-se pra fora!

 -- Diretor! Por favor...

 Alexei saiu correndo, entrando no gigante corredor e adentrou a segunda sala livre. Tony foi visto, sentado na cadeira de balanço ainda com a mesma expressão de quando o internou no local e ainda olhava fixamente para janela.

 -- Tony! – Chamou Alexei.

 O outro ignorou e seguia olhando para janela. Alexei virou Tony para olhá-lo.

 -- Tony, me ouça. Eu sei que me entende e me ouve. Precisa sair daqui.

 -- Eu... Eu... Eu... Eu... – Tony repetia demais a palavra e tremia as mãos. Ele olhava para o vácuo.

 -- Eu sei o que aconteceu com sua filha.

 A simples menção a Louise mexeu com velho. Os olhos finalmente adquiriram um brilho despertante e parou de repetir as palavras.

 -- Daqui a três dias será a lunação cheia. Você vai recuperar seus poderes e suas lembranças.

 -- SR. ROMANOV!

 O diretor enfurecido, encontrou Alexei abraçando Tony e mandou os guardas separarem os dois e enxotou o russo de meia idade para rua. Mas Alexei estava satisfeito. E só o que tinha que fazer é esperar até a lua cheia... ou não.

 Os enfermeiros examinaram Tony e o diretor Lux Interior pensava no que fazer para o paciente não lembrar mais do visitante. A lobotomia não bastava.

 -- Sr. McGold está reagindo. – Comentou a enfermeira de apelido Poison Ivy, a esposa do diretor Lux.

 -- Então vamos usar a “Psycho Therapy”. – Respondeu com ares sádico.

 Psycho therapy psycho therapy psycho therapy

That's what they wanna give me
Psycho therapy psycho therapy psycho therapy
All they wanna give me

 

O colocaram na maca, amarrando os pés e as mãos com cinto. Tony olhava para os lados e enervou-se.

 

-- Me tirem daqui! ME SOLTEM! – Gritou e se agitava na maca, impedindo a travessia até a sala de psicoterapia, que nada mais é o sinônimo de terapia de choque.

 

Lux aplica a morfina no braço de Tony. Aos poucos ele parava de se movimentar. Ordenou que os enfermeiros mantivessem os olhos dele abertos para o início dos choques. Colocaram esparadrapos nas pálpebras do paciente, eletródos e um pedaço de couro na boca, evitando os gritos.

 

Lux e Poison orderam que os guardas ficassem alertas para não deixar os pacientes verem aquela horrenda sessão.

 

-- Não se preocupe, Sr. McGold. – Com a mão segurando a chave de ignição elétrica. – Em breve nem saberá o que realmente aconteceu.

 

E abaixou a chave, se ouvindo o ruído gradual de começo da eletricidade e as correntes atingindo o corpo de Tony. Ele gritava de extrema dor e era abafada com aquela tira de couro entre os dentes. Lágrimas corriam dos olhos por causa da dor. E a sensação de impotência e vergonha acelera seus sentidos, os batimentos cardíacos e o ódio.  Ele olhava para os espelhos e a mesma imagem da criatura deformada implorava para sair de dentro dele. Os olhos de Tony, antes azuis quase opacos, ganharam a cor acizentada e a pupila dilatada. As mãos cresceram e ficaram enormes, os braços ganharam músculos descomunais e poderosos, assim como as pernas e o tórax. Os gritos deram lugar a um urro selvagem e o rosto completamente deformado. O diretor não acreditava no que fez e seus funcionários fugiram. Tony se movimentou e facilmente se libertou de seu suplício hospitalar. E após vários meses, ele despertou o pior nele: um Hyde.

 

Alexei olhava o sanatório pelo telescópio e viu as chamas que estavam as torres, os pacientes correndo para fora e outros ficando no pátio para observar os acontecimentos. Funcionários gritando e pedindo ajuda, até que um deles foi agarrado pelo calcanhar e arremessado longe. Imediatamente reconheceu Tony transformado em Hyde. O plano de fuga deu certo.

 

-- Tony! Me siga! – Apontando para si.

 

O monstro, que antes era seu amigo e amor da sua vida, o seguiu bravo. Adentraram floresta densa, distanciando do asilo. Mas Aelxei notou que Hyde parou de caminhar e estava muito mais zangado.

 -- Tony?

 -- GRRRRRRR! – Grunhiu bravo.

 -- Calma! Sou eu! Lembra-se, o rei caiu! Ele caiu!

 O monstro se acalmava pouco e caminhou ao lado do humano. Depois de percorrerem vinte quilômetros, chegaram a pensão de Madame Hertha. Alexei se virou e Tony retornou a forma humana, ofegante e apenas com a calça rasgada e sem camisa. Romanov carregou seu amigo e entrou na pensão, recebendo os cuidados da dona e de outra pessoa.

 -- Ele ainda não se lembra totalmente. – Avisou o russo, pegando novas roupas.

 -- E de mim? – A voz de Catelyn Smith mostrava preocupação. Cat foi trazida de volta a vida por Alexei pelo mesmo método que Anastacia Rosely utiliza, o Dom de Lázaro retirado do livro o Necromicon.

 -- Ele reagiu pouco. Vamos esperar até a lua cheia.

 Cat concordou e limpa o rosto do galês amado.

 -- Onde estou? – Tony acordava aos poucos.

 -- Olá, querido. – Catelyn depositou um beijo na testa.

 -- Quem é você?

 

  Munique – Mansão dos Monkees

Dianna costurava as roupinhas das filhas e vez ou outra parava suas atividades por causa da gravidez. A barriga já ganhava uma circunferência bem visível e algumas vezes sentia os chutes e movimentos do bebê. Emma terminava de banhar Ami e Karin e as vestia com as roupas doadas por Mary Anne McCartney-Harrison. Karin não era mais uma bebê e já ganhava forma de uma menina de três anos.  A morceguinha é muito mais serelepe que as outras crianças e adorava fazer bagunça. Seu irmão adotivo, Christian, auxiliava na agitação. Erin amamentava Sally e por fim as atenções voltaram para outra criança: Freddie.

 Desde a morte de Louise, Freddie ficou aos cuidados dos Jones e antes da partida de Davy no resgate de Alana, o menino vampiro era quieto, retraído, mas com um gosto para desenhos. Erin cedeu parte dos seus quadros e lápis para o garoto desenhar o que quisesse. Tirando o auto isolamento de Freddie, havia outra coisa aparentemente preocupante: Freddie falava sobre um ursinho.

 Dianna achava que ele queria uma pelúcia e dava os ursinhos de suas filhas para ele. Freddie recusava e continuava resmungar sobre um ursinho.

 -- Acho que ele vai desenhar um ursinho. – Erin observa como o menino vai mostrar.

 Terminado o desenho, ele mostra para as tias. As três mulheres não entenderam aqueles rabiscos. Dianna olhou mais atentamente e de repente aqueles rabiscos se misturaram e formaram a figura de um homem. A vampira o reconheceu e se espantou pelo fato de Freddie ainda se lembrar. Puxou o menininho para perto.

 -- Você sente falta do “ursinho”? – Indagou a vampira.

 -- Sim. – Respondeu Freddie. – Ursinho.

 Freddie repetia a palavra que Louise se referia a Gerd e provavelmente como não sabia pronunciar o nome dele, o chama de ursinho.

 -- Eu prometo que se a gente encontrar, você o verá.

 O garoto sorriu e abraçou a mulher que o acolheu como sua mãe. A felicidade deles foi interrompida com batidas na porta.

 -- Deve ser os rapazes! – Se animou Emma.

 -- Alana! – Erin enchia os olhos de lágrimas louca para reencontrar sua amada loba.

Para a surpresa delas, quando Dianna abriu a porta... Não eram eles. E sim uma mulher bem vestida e com as mãos contendo barreiras de energia.

-- Onde está Mike Nesmith?

 

 Continua....

sábado, 13 de maio de 2023

Pra Você Eu Digo Sim (Songfic)

Boa noite, pessoal.

Hoje vou postar a songfic com Rosie Donovan e um novo par que em breve veremos. Essa songfic é minha homenagem à Rita Lee, que nos deixou recentemente e como sabem, minha Garota de Liverpool foi inspirada nela após uma matéria dela contando sobre sua adoração pelos Beatles.Boa leitura!


Ela olhava para janela, pensando se realmente tomou a decisão certa de sua vida. Será que era tão difícil ser amada por quem seu coração permite? Por que as pessoas a magoavam? Tentou lembrar do que fez de errado em sua vida. E não encontrou nada. Aparentemente. Chorou de saudades de Marianne. E se ela ligar, pensou consigo mesma. Diversas vezes pensou em se acertar com ela e sempre a imagem de Ana e Marianne juntos só a afetava mais.

 

Se eu me apaixonar

Vê se não vai debochar

Da minha confusão

Uma vez me apaixonei

E não foi o que pensei

Estou só desde então…

 

Caminhou pela sala da fazenda do amado e enxergou a paisagem das Highlands ainda escura. Ela não dormiu nada pensando em sua vida. Sentou-se no sofá com as pernas junto ao estofado e abraçou os joelhos. As lágrimas teimavam em cair em grande vertente. Suspirou e evitou acordar quem fosse. Quanta vontade era de gritar. Mas se fizesse isso, a acusariam de chamar atenção para si ou situação dramática.

 

Se eu me entregar total

Meu medo é!

Você pensar que eu

Sou superficial…

 

-          Você é dramática, sabia?  - Respondeu John Lennon, jogando a guitarra longe. Os dois brigaram porque Rosie não quer que o beatle abandone a esposa e o filho pequeno. Ela não era destruidora de lares.

-          Só penso em você. -- Disse Rosie, quase gaguejando.

 

Em outra situação semelhante, foi com Edmund Jones…

-          Você é dramática! -- Xingou o jornalista e revidou suas palavras. -- Está fazendo isso para ter atenção pra você mesma. E te digo mais: não está dando certo.

 

Rosie não disse mais nada. No outro dia, ela foi embora, grávida, traída em dose dupla e sem amparo.

 

Se eu não fizer

Amor assim sem mais

Se você brigar

E for!

Correndo atrás de alguém

Não vou suportar

A dor de ver

Que eu perdi

Mais uma vez meu amor

Uuuuh!...

 

O mesmo não se podia dizer de Eric Clapton ou George Best. O último era um mulherengo de marca maior. O outro é um autointitulado Deus da guitarra. E nenhum deles a fez sentir aquela coisa antes já sentida com Lennon. Por uns instantes se deu conta de algo. Das vezes que seu vizinho novinho lhe perguntar sobre o sentido da vida. Não que a resposta fosse tudo, mas talvez faça sentido para ela sobre a atual situação. Jamais lhe passou em sua imaginação se apaixonar de novo e mais ainda por um homem mais velho.

 

Mas se eu sentir

Que nós estamos juntos

Longe ou a sós

No mundo e além

Pode crer que tudo bem

O amor só precisa de nós dois

Mais ninguém

Uuuuh!...

 

Mas e se aquela chuva torrencial na estrada no qual ela acreditava ir para Edimburgo fosse realmente lhe levar para seu destino? E se ela não tivesse conhecido Ned? Sua vida seria a mesma estagnação, em alguns momentos reclamando e sofrendo por não perdoar as pessoas que a fizeram mal. Entretanto, destino ou não, Ned Smith entrou em sua vida. O acaso de uma vida. E ele aprendeu com ela que por trás daquela sassenach ruiva, existe um coração e alma feridos e o receio de entregar-se ao amor.

 

Se você quiser

Ser meu namoradinho

E me der o seu carinho

Sem ter fim

(...)

 

Ned se levantou ao perceber que Rosie não estava na cama. Pegou o roupão e calçou o chinelo. A encontrou deitada no sofá chorando baixinho. Se aproximou dela.

 

-          Rosie? -- Tocou o braço dela. -- O que aconteceu?

-          Não posso continuar.

-          Por que?

-          Eu não sei o que estou sentindo. E não quero passar por tudo aquilo que tive.

-          É algo a ver com o pai do Dorian?

-          Ned, é sobre nós! - Resmungou quase alto. -- Você já amou uma mulher da minha idade, no caso a amiga francesa da Nora. O que foi que você viu em mim, cacete? Não tenho nada para te oferecer!

 

O fazendeiro escocês olhou para baixo, envergonhado. No começo, nem ele percebeu o tanto que se importa com aquela mulher de Liverpool e também o fato dela ser da idade de sua filha não o incomodava. A verdade é que Eddard Smith pela primeira vez em toda sua vida se apaixonou de verdade. E aquela paixão toda virou amor. E agora está a um passo de perder esse amor.

 

-          Você tem. -- Ele afagou o rosto da ruiva. -- Seu amor. Minha vida é inteiramente com você.

-          Tem certeza?

-          É a minha maior certeza. -- Ele a beija na bochecha. -- Sou grato a Deus todos os dias por ter me colocado para te resgatar naquele dia de chuva. Você me mostrou o que é alegria. Eu te amo demais!

 

Em seguida se beijaram intensamente. Rosie chorava, desta vez feliz em saber que é amada por aquele homem. Ned a agradou de todas as formas. E não tinham mais receios pois sabiam que tudo que mais queriam era estar um com outro.

 

-- Pra você… -- Disse tocando os lábios dele. -- Eu digo sim!

 

FIM

 Homenagem à Rita Lee, a mulher que me inspirou a criar Rosie Donovan.


Rosie Donovan vai voltar em Laços do Blues 2

Ned Smith vai voltar.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Brit Characters: Tanjiro Tsubasa

Boa noite, pessoal! 
Vamos ter mais um personagem na Grind. Mais um da linha japonesa e o ator escolhido é Mackenryu Arata, que por sinal, interpretou Seiya de Pégaso no live action de CDZ que assisti no sábado passado. Segue a ficha!

Nome Real: Tanjiro Tsubasa (transcrito em japonês: Tsubasa Tanjiro)

Idade: 20 (Em Time Has Come Today)

Data de nascimento: 16 de novembro de 1947

Cidade natal: Tóquio, Japão 

Cidade atual: Tóquio, Londres e Los Angeles 

Profissão: artista marcial e professor de música 

Características: Tanjiro, apelido Tanji, é a personificação da juventude em seu auge no Japão pós guerra. Irmão mais novo de Soujiro e um pouco irresponsável, mas também não mede esforços em ajudar os outros e ama ensinar música. Ele teve uma banda no passado, mas com a entrada na faculdade de Tóquio, teve que deixar a banda de lado e dedicar-se às artes marciais. Tanji é bissexual.

Relacionamentos: Hiromi Matsuda (1968), Dave Davies (1969 a 1971), Jane Fonda (1972 a 1974), Jane Seymour (1975 a 1979), Goldie Hawn (1982), Elton John (1984 a 1987).

Medo: perder tudo por causa de suas preferências e ser inútil.

Do que mais gosta: tocar guitarra, cantar, jogos de tabuleiro, competições de luta, mangás e séries orientais e ocidentais.

Do que menos gosta: Xenofobia (ele presenciou o que Moses Smith passou em sua temporada no Japão), mentiras e preconceito.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Brit Characters: Phillipa Grier

Boa noite! Hoje teremos mais uma personagem e após muitos anos, ganharemos uma nova vilã na gama de personagens da Grind. Vamos conhecer Phillipa Grier, interpretada por Emma Laird. (Se você é fã da Taylor Swift e soube das últimas notícias... Vai sacar o motivo da escolha como vilã). 

Nome Real: Phillipa "Philly" Emma Baird Grier

Idade: 22 (Em todas as fanfics de 1967)

Data de nascimento: 8 de setembro de 1945

Data de falecimento: 1 de fevereiro de 2007

Cidade natal: Wrexham, País de Gales

Cidade atual: Londres 

Profissão: Ex-bailarina, atriz e cantora.

Características: Phillipa, ou Philly para seus amigos íntimos, era uma bailarina de sucesso até um infeliz acidente em meio ao recital londrino que a fez decretar sua aposentadoria precoce. Depois de um tempo de recuperação, ela se dedicou inteiramente ao cinema, desbancando facilmente atrizes de quilate europeu como Brigitte Bardot e Faye Dunaway. Ela tem fama de esmagar suas concorrentes jovens e recebe os melhores papéis. Corre uma lenda urbana que Philly faz bruxaria para se manter jovem e bonita. Philly faleceu em decorrência de outra de suas cirurgias plásticas. 

Relacionamentos: Ed Grover (1966), Robby Krieger (1968 a 1971), Brian Cox (1971 a 1973), Kevin Keegan (1975 a 1981), Sting (1983 a 1990).

Medo: perder os papéis para atrizes desconhecidas e comparações.

Do que mais gosta: frequentar boates, compras em demasia, criar intrigas para as rivais.

Do que menos gosta: Ela possui a síndrome da Bruxa Má da Branca de Neve, gente sem participação de suas andanças.

sábado, 15 de abril de 2023

A World Without Love (Greek Myth Grindhouse)

 Boa noite de novo!

Agora vamos de nova adaptação da mitologia grega. Uma versão diferente de Eros e Psiquê, com adição de outro. Espero que gostem! Ps: tem 3 cenas pós créditos. Uma das cenas meio que me empolguei.



A World Without Love__ Srta. Maya

 

Toda história é composta de um acontecimento, uma jornada heroica, um contratempo, uma batalha, reveses e um romance. O caso a seguir mostra como o amor nos encoraja a realizar tamanhas façanhas que nem mesmo nós somos capazes de tal feito.

 Esta é a história de Noel e Karin. Um deus e uma nereida. Noel é filho de Odile, a deusa do amor com Franz, o deus da guerra. Karin é filha dos governantes dos mares, Pete e Felicity, portanto, também herdeira dos oceanos. Noel é sempre solicitado por sua mãe para "flechar" os casais e uni-los amorosamente, seja por ordem de sua mãe ou pedidos eloquentes dos mortais nos templos da deusa amorosa. Era raro seus erros e por vezes acabava dando certo, como foi o caso do guerreiro Christopher, filho do centauro Alexei com Tatiana, e Vivian, a irmã de Rosie, a deusa da lua e da caças.

 No entanto Odile estava irritada e o motivo foi a filha de Pete. Karin é tida como uma das mais belas nereidas de Atlantis e seus pais e irmãos não poderiam ser mais orgulhosos. Cada vez que a jovem era vista caminhando na praia ou na cidade, as pessoas admiram sua beleza e muitas vezes diziam que ela era filha da deusa Odile ou até mesmo sua beleza se equipava com a deusa. E isso foi o suficiente para enfurece-la. Decidida em dar uma lição na garotinha, Odile ordena que Noel fleche a jovem com a criatura mais horrenda que se possa ouvir falar.

 – Mas… – Noel não conhecia alguém que fosse tão feio pra ser horrendo. – Com quem, mamãe?

 Odile ficou em dúvida. Então lembrou do filho dos governantes do Submundo. Nikolai, o irmão gêmeo de Christopher e filho de John e Ana ainda não conseguiu uma esposa, ao passo que seu irmão está muito bem arranjado com Pearl, a filha de Odile com Bran, o deus do vento oeste.

 -- Acerte a flecha do amor louco em Karin e a faça enxergar Nikolai tão loucamente que ela não pensará em outra coisa.  – Respondeu entre risinhos.

 Noel não gostou da ideia, entretanto como sempre faz, não contrariou a vontade da mãe. O plano era bem fácil. Karin é uma nereida previsível. Todas as tardes vinha para o litoral de Micenas para se encontrar com sua melhor amiga Eva. As duas deusas se alegraram com a companhia uma da outra e se divertiam no mar. Muitos rapazes apareciam para observa-las e também eram corridos de lá por causa da fúria dos pais das garotas.

 O deus do amor se escondeu atrás de algumas palmeiras da ilha e mirou a flecha no coração de Karin que estava poucos metros de distância. No entanto, a arrebentação das águas foi forte demais atingindo Noel, derrubando o deus de joelhos na areia. O arco e flecha se desfizeram de suas mãos e sem querer acertou em cheio o coração do usuário. Noel aparentou passar muito mal. Seu coração acelerava demais e provocava suor em sua testa e corpo. Depois que se equilibrou, seus olhos miraram na visão de Karin. O filho de Odile nunca reparou o quanto a nereida é bela. Os cabelos negros como a noite, pele bronzeada com o sol e maresia e as pernas mais lindas e delicadas já vistas e quando se transforma em cauda de peixe, reluzem sob as águas.

 Noel suspirou excitado e quando se deu conta, envergonhou-se e subiu para o Monte Olimpo. Ele correu para o quarto para evitar de topar com a mãe nos corredores.

 Uma semana depois Pete consultou Gerd para saber se Karin ainda tinha chance de se casar com alguém. O deus arqueiro e profético não tinha boa reação.

 -- As nuvens no céu cobrindo as estrelas de Andrômeda e Perseu... – Apontando para o céu. – E a estrela vermelha querendo atravessar nelas é o indício que Karin se casará com uma criatura estranha.

 Pete tremeu e quase derrubou seu tridente ao chão.

 -- Não tem outra opção? – Perguntou o rei dos mares.

 Gerd olha novamente para o céu e enxergou mais atentamente que a estrela vermelha se movia e fundiu-se com as que ligam as constelações, como quem quisesse unir o casal lendário.

 -- Gerd? – Exigiu Pete. – Por favor...

 -- Te acalma, narigudo! – Ralhou o deus arqueiro. – Só o tempo dirá.

 -- Como assim?

 -- Assim não consigo me concentrar.

 -- É muito importante.

 Ignorando os pedidos da divindade, Gerd seguiu olhando aquela estrela para confirmar sua interpretação. E realmente, só o tempo dirá se Karin vai sobreviver. O difícil era explicar para um deus impaciente que controla as águas com um tridente...

Em Atlantis não era bom sinal. Gerd conversou com os governantes e Fefe saiu correndo, chorando. Karin chorava mais em seu quarto consolada pelas irmãs Emma e Aminta.

 -- E se eu fugir? – Cogitou a mais jovem.

 -- Não adiantaria. – Disse Emma. – Os deuses iam te ver e leva-la de volta.

 Três dias depois Pete e Felicity organizaram uma rápida celebração de casamento no Monte Parnaso. Apenas as nereidas e tritões foram convidados. Karin usava seu vestido de noiva de seda e o véu. Depois da celebração, todos foram embora incluindo a família. Karin foi deixada sozinha no monte. Ela esperou para saber sobre seu “noivo”. Temia o pior. Ser morta ou humilhada. Ainda no período vespertino, as nuvens encobriram o sol, mudando a previsão do tempo. Talvez fosse a chegada dele. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Karin adormeceu e sentiu seu corpo levitar, levitar e levitar. Uma sensação tão gostosa.

 A jovem nereida acorda assustada e vê que deitou numa cama de casal linda, com a cabeceira de ouro e pedaços de diamante. O quarto era uma beleza. A janela se via o céu estrelado e cortinas de cetim. Ela ainda se encontra com vestido de noiva. A janela se fechou sozinha e em seguida ela sentiu um par de mãos masculinas desfazendo de seu vestido.

 -- Quem é você? – Ela perguntava para o vazio. Não enxergava nada.

 -- Acalme-se, Karin. – O ser respondeu delicadamente e ainda passava as mãos em todo corpo da nereida. – Venha! Está na hora do banho e depois o jantar.

 O banho foi tranquilo. As mesmas mãos ensaboavam seu corpo e massageavam seus cabelos. Vez ou outra a tocava intimamente, mas Karin repreendia. Após o banho, se vestiu e viu a mesa de jantar belíssima e a sala mais ainda: tudo de ouro. Desejou que não fosse o efeito de ouro que seu amigo Oleg havia sofrido...

 Satisfeita com a alimentação, Karin caminhou em todo seu novo lar. Ainda acreditava ser um sonho tudo aquilo. Um castelo feito de ouro e mármore, com estátuas nuas mostrando os movimentos amorosos. Uma hora depois ela voltou para o quarto, tirou a túnica e deitou. Quando fechou os olhos, notou a presença de alguém ao seu lado.

 -- Quem é? – Ela quase saltou fora da cama.

 -- Meu amor. Sou eu! Seu noivo.

 -- E por que não posso te ver?

 -- Minha beleza talvez a assuste o bastante para nunca mais me desejar.

 -- Desde que me recebeu, fui muito bem tratada. Sua voz é melodiosa. Suas mãos são macias.

 -- Por enquanto, fiquemos assim. Sem me ver. Mas posso ainda toca-la... – Respondia Noel, ainda invisível para Karin e aproximando a boca na dela.

 Os dois se beijaram e deitaram juntos. As estrelas riscaram o céu numa chuva brilhante, simbolizando a união do casal realizando seu exercício matrimonial. E foi assim por vários dias. Ainda que goste do seu “marido”, Karin sofria. Não o fato de não vê-lo. Era um dos motivos. O segundo era saudades da família e o terceiro... envolvia o filho do rei do submundo. Karin gostava muito de Nikolai e brincavam juntos nas vezes que seu tio Bran trazia os gêmeos para uma temporada no Monte Olimpo ou em Atlantis ou nos Jogos Olímpicos da Juventude realizados em Atenas.

 -- Tem algo que a preocupa, meu amor?

 -- Tirando que não posso te ver, sinto falta da minha família. E... Não era isso que queria. –Respondeu, chorosa. – Quero ver minha família.

 -- Tudo bem. – Disse Noel, resignado. – Hoje vista sua roupa e durma. Amanhã estará no Monte Parnaso. E seguirá seu caminho à Atlantis. Depois de dois dias, retorne para mim. Faça a mesma coisa. Venha ao monte, me espere e estará de volta.

 A nereida fez exatamente o que o marido ordenou e adormeceu. Noel depositou um beijo nela.

 -- Durma, minha nereida. E volte para terra dos mortais. E não confie em certas nereidas que desejam sua queda.

 Quando acordou, já era dia e reconheceu ser o mesmo lugar onde teve seu noivado. Karin sorriu agradecida e caminhou até a praia e finalmente mergulhou forte até o reino dos pais. A família se reuniu, feliz em ver a filha. Karin contou a verdade como foi com seu futuro marido. Os pais se espantaram, mas sabiam que era parte da profecia do deus arqueiro. As irmãs, embora chocadas, não deixaram de sentirem a felicidade da mais nova. As nereidas do reino ouviam atentamente a história. Poucas não iam com a cara da princesa.

 -- Não sei mais o que faço. – Comentou a princesa.

 -- Ora, Karin. – Disse a mais invejosa. – Se ele não quer se revelar pra você, então é você que vai descobrir. E tem um jeito.

 -- Como?

 -- Espere seu marido dormir. E depois acenda uma vela e chegue perto dele para ver. Se for um monstro, mate-o o quanto antes.

 A pérfida mulher entregou um punhal para Karin que pegou um tanto hesitante. Quando terminou os três dias, ela fez o mesmo ritual no Monte Parnaso. Dormiu sobre a relva e novamente a sensação de leveza a trouxe de volta.

 -- Como foi reencontrar sua família?

 -- Foi incrível. – Sorriu forçadamente.

 Depois da troca de carícias, o marido adormeceu e Karin se levantou com cuidado e acendeu uma vela. Caminhou sem fazer barulho e aproximou a mão com a vela perto da cama. Para surpresa da nereida, o homem ao seu lado era o ser mais belo que ela viu. Moreno, o peito definido com alguns pelos assim como seus braços, as pernas torneadas e as mãos grandes porém macias. Sem querer, derramou um pouco da cera queimada no braço dele. Noel gritou e se acorda e se depara com Karin.

 -- KARIN! – Ele gritou e se levantou bravo.

 -- Oh... Me desculpa! – Dizia a nereida em pânico.

 -- Eu disse para não confiar naquelas nereidas que só querem seu mal. – Proferiu Noel, ainda indignado e levantando a voz. – E MESMO ASSIM NÃO ACREDITOU EM MIM?

 -- Espera, por favor...

 Não adiantou. Noel desapareceu, assim como o palácio deles e seu quarto. Karin retornou para o Monte Parnaso sem nada. Abandonada, a filha de Pete e Felicity chorou desesperada e clamando pelos deuses e chamando sua amiga, Eva.

 Ao ouvir o chamado de sua amiga, Eva desceu do Monte Olimpo e a abraçou.

 -- Amiga, o que houve?

 -- Eva... – Dizia, muito chorosa e soluçando. – Descobri quem é meu marido. E não é um ser horrível como dizia na profecia.

 -- Quem era?

 -- É o arqueiro traiçoeiro do amor, Noel. O filho da Odile e do Franz.

 -- Não! – Eva se espantou. – Logo o filho do deus da guerra e da deusa do amor? Por isso que ela está tão puta da cara no Olimpo?

 Karin ouviu isso e chorou mais ainda nos braços da amiga, agora temendo o pior castigo nas mãos de Odile.

 -- Amiga, calma. Ele deve ter ficado assustado. – Inquiriu para aliviar a dor da nereida. – Ele te ama demais.

 -- Eu acho que ele não me amará mais.

 Karin contou para os pais com ajuda de Eva sobre o ocorrido e no Monte Olimpo, Odile praguejava para todos os cantos a desfeita para o filho e jurou se vingar da nereida. Eva levou sua amiga para o lar dos deuses para uma audiência com a deusa amorosa.

 -- Então? – Dizia Odile, mordaz. – Veio ver se terminou de humilhar meu filho?

 -- Jamais. – Karin caiu de joelhos, implorando para deusa. – Quero pedir perdão. Nunca ia machucar seu filho.

 -- Será mesmo? – Duvidou. – Será mesmo?

 -- Por favor. – Chorando. – Eu juro pelo Estige que farei o que a senhora quiser para me perdoar. Estou arrependida da situação que aconteceu, mas não pude deixar de saber que meu amado é ele. E agora que sei, sinto minha vida mais completa. Me perdoa.

 Os deuses ouviram a conversa e sentiram pena da jovem. Alice admira o quanto a amizade de sua filha com a nereida é forte. Tanto que foi capaz de trazer a amiga para o Monte Olimpo e confrontar uma divindade.

 -- Ela fala a verdade. – Concordou Franz, fungando. – E o Noel se tornou um homem de verdade. E ele saberá o que fazer.

 Odile sorriu e em seguida franziu a sobrancelha, indicando algo mais. Ela já tinha um plano para se livrar de Karin. Tal qual foi com Thomas, o filho de Louise e Gerd, realizando doze tarefas impostas pelos deuses como penitência, Karin foi submetida a diversas tarefas quase impossíveis e mortais por Odile. A deusa tinha certeza que uma hora ou outra ela vai desistir ou até mesmo se cansar até a morte. O que a deusa não contava era que Karin conseguia realizar essas tarefas e não reclamava. Ela fazia e não sofria nada. Na realidade era tudo obra de Eva. A jovem deusa e musa auxiliava Karin sem ela saber e também contou com a participação do deus do vento leste Jon, que é tio de Karin.

 A última tarefa Odile tinha certeza que será o fim de Karin.

 -- Olha aqui. – A deusa escondia suas intenções. – Agora quero que você vá para o Submundo e pegue de volta minha caixa de beleza.

 -- Caixa de beleza? – Repetiu a nereida, curiosa.

 -- Sim. É a minha caixa que contém uma magia poderosa que concedo para quem necessite de beleza. Emprestei para a rainha Ana. Peça de volta para mim. E mais uma coisa: não abra aquela caixa. Nem todos conseguem controlar o poder dela. Entendeu?

 -- Entendi.

 Karin desceu para o Submundo, pagou a Caronte pela travessia no rio Estige e chegou ao templo sombrio de John e Ana. Chegando na porta, ela foi impedida por Cerberus, o cão de três cabeças, latindo forte para a intrusa.

 -- Chega! Para, Cerberus! – Nikolai surgiu para acalmar o bichinho de estimação e os alimentou com três pedaços de carne. – Karin?

 -- Nikolai!

 Ela o abraça e o beija forte. A nereida tinha sentimentos por ele, mas com o amor de Noel cada dia crescente, permitiu que ainda ame sua antiga paixão.

 -- Eu soube que... – Niko não conseguia falar com a língua atrevida de Karin invadindo sua boca. – Que casou com Noel. É verdade?

 -- Sim. Eu o amo. E mesmo assim ainda te amo. Me ajude Nikolai. Preciso obter o perdão da Odile e do Noel. E agora ela me pediu para pegar com sua mãe a caixa de beleza.

 -- Ah sim. – Compreendeu Nikolai. – Venha comigo.

 Niko levou a nereida para o hall de entrada, ficando de frente para os governantes do Submundo. Karin contou toda sua história para Ana e como seu amor por Noel trouxe essa complicação, o perdão da Odile imposta por tarefas impossíveis e finalmente a caixa de beleza. Ana se apiedou da menina e devolveu a caixa de beleza.

 -- Quando tudo isso acabar, venha me visitar aqui ou na Trácia.

 -- O que você faz na Trácia?

 -- Visito Chris e Pearl. E também o pai adotivo dos gêmeos. – Disse Ana, sorrindo ao lembrar de Bran, o deus do vento oeste e os momentos ardentes com ele. – E também Nikolai estará lá.

 -- Claro. Com prazer.

 Karin se retirou do Submundo, deixando Nikolai um pouco triste...

 De volta para terra firme, a nereida caminhava até a montanha e parou para descansar. Olhou para a caixa adornada em prata. Mesmo com os avisos de Odile, a curiosidade era enorme e Karin abriu. Em instantes um vapor negro se alojou em seu rosto, causando o desmaio imediato, dando aspecto de morta.

 Noel, por sua vez, sentia falta de sua bela esposa e nos dias que refugiou-se para o Monte Olimpo, observou seus passos, a trapaça dos amigos, tudo para ajudar Karin ser perdoada por Odile. Ao mesmo tempo viu a nereida beijando Nikolai e descobriu que ela ama o filho dos governantes do Submundo há bastante tempo. Se sentiu mal em dobro por deixa-la e por ciúmes.

 -- Noel! – Melanie entrou nos aposentos do irmão.

 -- Me deixa em paz. – Ele se encolheu todo na cama.

 -- Você sente falta da Karin?

 -- Sinto e... E ela já tem outro. – Chorou e abafou os gritos no travesseiro. – Não devia abandoná-la assim. Ela não merecia.

 Melanie entendia perfeitamente o irmão. Ela mesma tentou forçar Thomas ama-la aprisionando numa dimensão alternativa onde só existiam os dois. E quanto o semideus descobriu a verdade, se encheu de fúria a ponto de destruir a dimensão e se afastar permanentemente dela.

 -- Sempre achei que Nikolai nutrisse sentimentos por ela. – Continuava a deusa. – Mas não pode se abater. Tem que lutar por ela.

 Neste instante Josephine, a filha do deus das forjas, Niki, adentrou o quarto e chamou desesperadamente Noel.

 -- Noel! Pelo Estige resgate a Karin!

 -- O que aconteceu? – Ele se levanta.

 -- Eu acho... Eu acho que ela... está morta!

 Noel soltou um grito que todo Olimpo ouviu. Ele desceu para o mundo dos homens e encontrou Karin caída, com a pele acinzentada e pálida, os olhos abertos e sem cor. Ele segurou o corpo da amada.

 -- Karin... O que você fez? – Ele a abraçava e sentia a pele gelada e morta. Em seguida olhou a caixa ao lado dela e entendeu a situação. Era a caixa de beleza da mãe. Sua amada abriu o cubo e a nuvem grudou em seu ser. – Eu vou curá-la.

 Noel retirou com cuidado a nuvem escura e guardou de volta para caixa. Depois Karin recuperou sua vida. A pele voltou a ganhar a cor bronzeada, o azul oceano de seus olhos e a belíssima boca carnuda com a cor rubra e pronta para o beijo. Ela suspirou e se viu ao lado do marido.

 -- Noel... – Ela chorou. – Meu amor!

 -- Karin! Minha bela! – Ele tocou o rosto dela e puxou para o beijo mais ardente. Em seguida se abraçaram. – Te perdoo, meu bem.

 Finalmente o casal chegou no Monte Olimpo e se apresentaram diante dos deuses. Noel jogou com raiva a caixa de beleza aos pés da mãe.

 -- Tá aí sua caixa! – Disse em tom agressivo. – Você tentou mãe e como sempre, falhou miseravelmente.

 -- Noel! – Odile saiu da cadeira e olhou furiosamente para os dois. – Mais respeito comigo!

 -- E respeite a mim também! – Respondeu. – Eu amo a Karin e já perdoei pelo erro cometido. – Direcionou agora para o líder dos deuses. – Tio Roger, por favor aprove meu casamento. Ela pagou toda dívida que tinha com minha mãe e a aceitei.

 -- Concedido. – Decretou Roger.

 -- Mas... – Odile outra vez ia contestar e depois se calou ao ver o filho feliz ao lado da amada.

 Com a reunião acabada, Karin chamou Noel para a praia.

 -- Preciso te contar uma coisa. – Disse a nereida.

 -- É o Nikolai? – Noel já estava com a resposta na ponta da língua.

 -- Como...?

 -- Eu vi vocês. E não estou bravo.

 -- Por favor, não faça mal a ele!

 -- Jamais faria isso. – Noel segurou as mãos dela. – Eu entendo isso. E nem a afastarei dele.

 Nikolai surgiu atrás das palmeiras e seguiu o casal.

 -- Tenho uma proposta. Karin pode ficar comigo no Submundo ou aqui na terra por seis meses e os outros seis meses com o marido no Monte Olimpo. – Acrescentou o filho de Ana e John.

 Noel se incomodou um pouco com a ideia. Entretanto sabendo que sua esposa nunca esqueceria Nikolai, respeitou a decisão.

 -- Tudo bem. Mas agora Karin e eu vamos desfrutar da vida de casados. Pra valer!

 E realmente foi pra valer. O amor deles cresceu e mesmo com os seis meses para se juntar ao outro amante, Karin teve que ficar mais um pouco no Olimpo por outra razão: ela espera um filho do marido. Nove meses depois entrou em trabalho de parto. Alice e Eva cuidaram da jovem mãe e ela deu à luz um lindo menininho chamado Bobby. O menino nasceu com as mesmas asas divinas do pai, mas também adquiriu a cauda de peixe da mãe.

 -- Meu neto é meio peixe e meio “galinha”. – Comentou o deus da guerra Franz, chocado.

 Felicity beliscou o deus guerreiro e se orgulhava do netinho que chupava o dedinho, feliz.

 Já morando com Nikolai, Karin engravidou de novo e veio uma menina chamada Nina. A bebezinha nasceu com os cabelos bem pretos e os olhos brilhantes dos pais. E totalmente uma nereida. Ana e John mais felizes por serem avós, assim como os governantes dos mares Pete e Felicity.

 O amor pode mostrar muitas formas diferentes. E neste caso ambas as partes concordaram em seguir amando a mesma mulher sem haver discórdias.

 

*Cena 1 pós créditos da Marvel*

 

Com o casamento incomum de Karin e Noel, uma onda de nostalgia se abateu na rainha do Monte Olimpo, Marie. Ela olhava para Península de Ática na esperança de encontrar Jon. Ele estava lá, solitário nas montanhas e cuidando das ovelhas. Os dois tiveram um envolvimento romântico no qual resultou nos filhos Martin, Peter e Dylan.

Depois de Jon, veio outro amante. Um mortal chamado Ulrich. Uli, para os íntimos, era um exímio piloto de carruagens. Tanto que Gerd teve aulas com ele para controlar seus cavalos divinos que conduzem a carruagem solar. Com Uli, também houve frutos maravilhosos. Os semideuses Florian, Freya, Gwenevive e Sabine.

 No entanto quando foi acertar-se com os dois, ela se surpreendeu com uma revelação: o mortal e o deus do vento leste se amavam demais. E eles fizeram questão de incluí-la na relação. Eram bons tempos... E agora planejava se reencontrar com seus amados.

 

 

*Cena 2 pós crédito da Marvel*

 

Melanie caminhava solitária até à Trácia, pensando no futuro. Cada vez que se lembrava da prisão energética que ela mesma criou para ficar com Tommy e em seguida sendo destruída, ela se enchia de culpa. Tudo que ela queria era ser amada por alguém.

 Hans, o irmão e substituto de Noel na arte de unir os casais, teve pena da própria irmã e decidiu ajuda-la. Para a sorte do deus do amor e união, avistou o filho mais novo de Bran e Angie treinando na beira do cânion. Flechou os dois com amor verdadeiro. Melanie sentiu uma fisgada quente no coração e Rupert também e ao mesmo tempo uma súbita vontade de caminhar até encontrar algo. Ele não sabia o que é, mas sabia que tinha de encontrar. Por cinco minutos caminhou até a floresta e encontrou a jovem deusa gótica.

 -- Tudo bem, moça? – Rupert sorria de forma acolhedora.

 Ao ver o jovem semideus, Lanie se encantou por ele. Sim, esse é o tal. Sua paixão.

 -- Estou melhor agora.

 

*Cena 3 pós crédito da Marvel*

 

 Era noite de verão em Atenas e uma jovem caçadora caminhava em silêncio na floresta. Ela olhava para lua e pedia a proteção de sua padroeira, a deusa Rosie. Ela tinha em mente caçar uma das corças mágicas para sua oferenda. Perto do lago avistou a corça bebendo água. A caçadora mirou a flecha e segurava firmemente no arco. Calculou rápido se seria ágil para atingir o animal e teve certeza. Ao menos acreditava ser o certo. Ela disparou, mas a corça foi mais esperta e se desviou. A flecha atingiu alguém.

 --- Ai!

 Em pânico, a caçadora seguiu os sons dos gemidos. Para surpresa dela era um rapaz usando túnica e ao ver as sandálias douradas, sentiu mais medo. Ele é um deus olimpiano.

 -- Mil perdões, meu senhor. – Ela fazia reverência e ao vê-lo, reconheceu ser um dos filhos da pequena deusa com deus arqueiro. No entanto não sabia direito seu nome. – Err... Senhor?

 -- Não me chama assim. Ai! – Ele gemia demais de dor. – Tira pra mim essa flecha?

 Ela obedeceu e retirou a flecha no braço dele. Os dois se sentaram num galho e fizeram os curativos. A caçadora também era deusa. Ela massageou a ferida do braço e em seguida sumia. O outro, espantado, olhou o local do ferimento e agradeceu.

 -- Eh... Muito obrigado. – Sorria para ela.

 -- De nada senhor...

 -- Sou Heinrich.

 -- Ah eu sabia! – Exclamou em tom de alegria. – Você é o deus filósofo e preguiçoso do Olimpo.

 -- Filósofo sim. Preguiçoso é calúnia.  E qual é a sua graça?

 -- Jehnna. – Se apresentou a jovem.

 -- Sei. Filha da deusa Renée com Denis. Mas você não parece ser do tipo seguidora das Hécates.

 -- As aparências enganam. Atualmente sou caçadora.

 Nascia ali uma amizade bem incomum de dois deuses diferentes um do outro.

 

FIM